
A parábola do “Pai Misericordioso”, também conhecida como a do “Filho Pródigo”, é o ponto alto do Evangelho de Lucas sobre a misericórdia de Deus. Neste tempo de Quaresma, Jesus convida-nos a contemplar um Pai que não castiga, mas que corre ao encontro do filho que errou, cobrindo-o de beijos antes mesmo de ouvir o seu pedido de perdão. A mensagem central é a alegria de Deus em recuperar o que estava perdido. No entanto, a parábola também nos questiona sobre o “filho mais velho” que habita em nós: aquele que cumpre ordens mas tem o coração endurecido, incapaz de se alegrar com o perdão dado ao irmão. O apelo de hoje é para que entremos na festa da misericórdia, deixando para trás o orgulho e o julgamento.
Reflexão
Uma das parábolas mais conhecidas e incisivas de Jesus é certamente a parábola do filho pródigo (também conhecida como parábola do Pai misericordioso), que condensa uma série de ensinamentos e interpretações, deixando ainda um grande mistério no seu final: terá o filho mais velho perdoado o irmão e entrado para festejar? Trazendo a parábola para sua vida, com qual dos três personagens você mais se identifica?
(Dia a dia com o Evangelho 2026)
Reflexão
«Vou voltar para meu pai e dizer-lhe: ‘Pai, pequei contra Deus e contra ti»
Rev. D. Jordi POU i Sabater
(Sant Jordi Desvalls, Girona, Espanha)
Hoje vemos a misericórdia, a característica distintiva de Deus Pai, no momento em que contemplamos uma Humanidade “órfã”, porque —esquecida— não sabe que é filha de Deus. Cronin fala de um filho que saiu de casa, esbanjou o dinheiro, a saúde, a honra da sua família... e acabou na prisão. Pouco antes de sair em liberdade, escreveu para casa: se o tivessem perdoado, então que pendurassem um pano branco na macieira, que ficava ao pé da linha do comboio. Se ele visse o pano, voltaria a casa; se não, nunca mais o veriam a ele. No dia em que saiu, ao aproximar-se de casa, nem se atrevia a olhar... Estaria lá, o pano? «Abre os teus olhos!... vê!», diz-lhe um amigo. E então, qual não foi o seu espanto: na macieira não havia apenas um pano branco, mas sim centenas; estava cheia de panos brancos.
Recorda-nos aquele quadro de Rembrandt, no qual se vê como o filho que regressa, fragilizado e esfomeado, é abraçado por um ancião, com duas mãos diferentes: uma mão de pai, que o abraça com força; uma outra de mãe, afetuosa e doce, que o acaricia. Deus é pai e mãe...
«Pai, pequei» (cf. Lc 15,21), queremos nós também dizer, e sentir o abraço de Deus no sacramento da confissão, e participar na festa da Eucaristia: «Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver» (Lc 15,23-24). Assim sendo, já que «Deus nos espera —em cada dia— como aquele pai da parábola esperava o seu filho pródigo» (São Josemaria), percorramos o caminho com Jesus, ao encontro do Pai, onde tudo se torna claro: «o mistério do homem só no mistério do Verbo encarnado se esclarece verdadeiramente» (Concílio Vaticano II).
O protagonista é sempre o Pai. Que o deserto da Quaresma nos leve a interiorizar esta chamada a participar na misericórdia divina, já que viver é regressar ao Pai.
Pensamentos para o Evangelho de hoje
- «A parábola do filho pródigo expressa de uma forma simples mas profunda a realidade da conversão. A misericórdia manifesta-se no seu aspeto mais verdadeiro e próprio, quando revalida, promove e tira o bem de todas as formas de mal existentes no mundo e no homem» (S. João Paulo II)
- «O nosso Deus é um Deus que espera. Ele é fiel, o Senhor é fiel à sua promessa, porque não pode negar-se a si mesmo. Ele é fiel. E assim nos esperou por todos, ao longo da história. Ele é o Deus que espera por nós, sempre» (Francisco)
- «O dinamismo da conversão e da penitência foi maravilhosamente descrito por Jesus na parábola do «filho pródigo», cujo centro é `o pai misericordioso´ (Lc 15,11-24): o deslumbramento duma liberdade ilusória e o abandono da casa paterna: (...) o arrependimento e a decisão de se declarar culpado diante do pai: o caminho do regresso: o acolhimento generoso por parte do pai: a alegria do pai: eis alguns dos aspetos próprios do processo de conversão» (Catecismo da Igreja Católica, nº 1.439)
Reflexão
A cristología implícita na "Parábola do filho pródigo"
REDAÇÃO evangeli.net (elaborado com base nos textos de Bento XVI)
(Città del Vaticano, Vaticano)
Hoje lemos, provavelmente, a mais bela das parábolas de Jesus. Tem três protagonistas: os irmãos (o filho "pródigo" e o que ficou em casa) e o pai bom. Jesus Cristo, realmente, naquele momento encontrava-se frente a dois "irmãos": publicanos e pecadores, por um lado; fariseus e escribas, por outro. Com as suas palavras, Jesus justificava sua bondade e sua acolhida aos pecadores.
Mais ainda: Jesus Cristo identifica sua bondade aos pecadores com a bondade do pai da parábola. Com a sua atitude, Jesus se converte em revelação viva de quem Ele chamava seu "Pai". Como Deus mostrou o seu amor misericordioso pelos pecadores? Fazendo morrer a Cristo por nós "quando éramos ainda pecadores" (Rm 5,8). Jesus não aparece explicitamente no marco narrativo de sua parábola porque vive identificando-se com o Pai celestial, ressaltando a atitude do Pai na sua própria.
―Jesus, através da figura do Pai, te vejo no centro desta parábola como a realização concreta da obra paterna.
Comentário sobre o Evangelho
Parábolas de Jesus: O Filho Pródigo e o Pai misericordioso
Hoje Jesus nos apresenta a seu Pai. Na parábola do “filho pródigo” descobrimos a infinita misericórdia de Deus: o pai —cheio de dor— respeita a decisão do filho que, por amor à liberdade, acaba perdendo a liberdade e se fica sem nenhum amor. Ao final se lembra de seu pai: é sua última esperança... Esperança que não defrauda! O pai o recebe como filho, com os braços abertos e com imensa alegria.
—O pai não recuperará o dinheiro dilapidado pelo filho: não importa! Você vale mais que o dinheiro! É meu filho!
Meditação
A Palavra: dos ouvidos ao coração!
A parábola de Jesus Cristo no Evangelho de hoje retrata uma realidade atual: muitos deixam a Igreja e, seduzidos por falsas promessas de felicidade, buscam outros caminhos. Não em poucas vezes, nós também trocamos a Casa do Senhor pelo conforto da nossa casa ou por outros lugares, aparentemente, mais atraentes. Na parábola de hoje, o filho pródigo deixa a casa paterna, mas, arrependido, volta para a casa. Ele encontra o abraço e o perdão do pai e a rejeição do irmão mais velho, que, não esquecendo os seus erros, o condena. Aprendemos com Jesus Cristo que a misericórdia de Deus Pai é maior que os nossos erros. Deus nos perdoa, mas Ele espera que também perdoemos os nossos irmãos. Com esta parábola, Jesus Cristo nos revela um desejo de Deus: que seus filhos e filhas vivam unidos na fé, na casa do seu coração.
Coleta
Ó DEUS, que pela vossa graça já nos dais na terra participar dos bens do céu, guiai-nos de tal modo nesta vida que possamos chegar à luz em que habitais. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

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