A figura de Maria mãe da Igreja tem grande destaque na fé católica. Ela desempenhou um papel crucial no plano divino da salvação, colaborando diretamente com a encarnação do Filho de Deus. Maria é uma verdadeira discípula, pois segue Jesus de perto, acompanhando-o até o momento de seu martírio na cruz. Ao observar as mulheres presentes no seu sofrimento, Jesus destaca a importância de sua mãe e do discípulo amado, chamando-os não pelos nomes, mas pela função divina que terão dali em diante.
O vocativo “mulher”, utilizado tanto nas Bodas de Caná quanto na cruz, não é pejorativo, mas sim simbólico. Ele remete à personificação de Sião, o povo de Deus, e também à mulher que, por obediência ao plano salvífico de Deus, derrotará satanás, a serpente da criação. Ao entregar sua mãe ao discípulo amado, Jesus confia a ele a responsabilidade de cuidar de Maria, estabelecendo uma nova relação entre ambos, marcada pela fé e pela missão.
Maria, ao ser confiada ao discípulo amado, também se torna a mãe espiritual de toda a Igreja. Esse gesto simbólico reflete o novo vínculo que une os seguidores de Cristo, formando uma nova família de fé. Como mãe da Igreja, Maria esteve presente no Pentecostes, em Jerusalém, orando com os apóstolos, o que reforça sua presença contínua na vida da Igreja.
Com seu sacrifício na cruz, Cristo devolveu a todos os homens e mulheres a dignidade de filhos amados do Pai. Somos, portanto, todos irmãos em Cristo. E se somos irmãos, temos o mesmo Pai e a mesma Mãe. Nesse sentido, Maria não é apenas a Mãe de Jesus, ela é Mãe de toda a humanidade renascida em Cristo. Ao instituir a memória que hoje celebramos, o papa Francisco assim declarou: “A Mãe, que estava junto à cruz, aceitou o testamento do amor do seu Filho e acolheu todos os homens, personificados no discípulo amado […] tornando-se a amorosa Mãe da Igreja, que Cristo gerou na cruz, dando o Espírito. Por sua vez, no discípulo amado, Cristo elegeu todos os discípulos como herdeiros do seu amor para com a Mãe”.
Hoje celebramos a memória de Maria, Mãe da Igreja. Contemplamos, neste sentido, a maternidade espiritual de Maria em relação à Igreja que é - em si mesma - Mãe do Povo de Deus, pois «ninguém pode ter Deus por Pai se não tiver a Igreja por Mãe (S. Cipriano). Maria é Mãe do Filho de Deus e, ao mesmo tempo, Mãe daqueles que amam o seu Filho e dos “bem-amados” de seu Filho, de acordo com «Mulher, eis o teu filho; discípulo: Eis a tua Mãe» (Jo 19,26-27), tal como Jesus disse. Entregando o seu corpo aos homens e devolvendo o seu espírito a seu Pai, Jesus Cristo até deu sua Mãe aos seus amigos.
E o maior amor é aquele com que Jesus ama a sua Igreja (cf. Ef 5,25), à qual pertencem os seus amigos. Portanto, os filhos adoptados por Deus não podem ter Jesus por irmão se não tiverem Maria como Mãe porque, enquanto Maria ama o seu Filho, ama a Igreja da qual Ela é membro eminente. O que não significa que Maria seja superior à Igreja, mas antes que Ela é «mãe dos membros de Cristo» (Sto. Agostinho).
O Concílio Vaticano II acrescenta que Maria é «verdadeiramente mãe dos membros de Cristo por ter cooperado com o seu amor para que nascessem na Igreja os fiéis, que são membros daquela Cabeça (Jesus)». Além disso, permanecendo no meio dos Apóstolos no Cenáculo (cf. At 1,14), Maria - Mãe da Igreja - recorda a presença, o dom e a ação do Espírito Santo na Igreja missionária. Ao implorar o Espírito Santo no coração da Igreja, Maria reza com a Igreja e reza pela Igreja, porque «elevada à glória do céu, assiste com amor materno a Igreja, protegendo os seus passos» (Prefácio da Missa “Maria, Mãe da Igreja”).
Maria cuida dos seus filhos. Podemos, pois, confiar-lhe toda a vida da Igreja, como fez o Papa S. Paulo VI: «Oh, Virgem Maria, veneranda Mãe da Igreja, a Vós encomendamos toda a Igreja e o Concílio Ecumênico!».
Pensamentos para o Evangelho de hoje
- «Que Mãe tão cheio de amor que temos! Fazemo-nos semelhantes a Ela e imitemo-la em seu amor! Ela teve compaixão de nós até o ponto de não considerar para nada sua perda material e seu sofrimento físico» (São Boaventura)
- «A Mãe do Redentor precede-nos e continuamente confirma-nos na fé, na vocação e na missão. Com seu exemplo de humildade e de disponibilidade à vontade de Deus nós ajuda a traduzir nossa fé num anúncio do Evangelho alegre e sem fronteiras» (Francisco)
- «No termo desta missão do Espírito, Maria torna-se a “Mulher”, a nova Eva “mãe dos vivos”, Mãe do “Cristo total”. É como tal que Ela está presente com os Doze, “num só coração, assíduos na oração” (At 1,14), no alvorecer dos “últimos tempos”, que o Espírito vai inaugurar na manhã do Pentecostes, com a manifestação da Igreja» (Catecismo da Igreja Católica, n° 726)
REDAÇÃO evangeli.net (elaborado com base nos textos do Papa Francisco)
(Città del Vaticano, Vaticano)
Hoje consideramos que nos Evangelhos todas as vezes que se menciona Maria fala-se da “mãe de Jesus”. Embora na Anunciação não se profira a palavra “mãe”, o contexto é de maternidade: a mãe de Jesus. Esta atitude de mãe acompanha a sua ação durante toda a vida de Jesus: é mãe. A ponto que no final Jesus a oferece como mãe aos seus, na pessoa de João: “Eu vou-me embora, mas eis aí a tua mãe”. Eis, portanto, a maternidade de Maria.
As palavras de Nossa Senhora são palavras de mãe. E todas o são: após as, inicialmente, de disponibilidade à vontade de Deus e de louvor a Deus no Magnificat, todas as palavras de Nossa Senhora são palavras de mãe. Ela está sempre com o Filho, também nas atitudes: acompanha o Filho, segue o Filho. E muito antes, em Nazaré, fá-lo crescer, cria-o, educa-o, mas depois o segue: “A tua mãe está ali”. Maria é mãe desde o início, a partir do momento em que aparece nos Evangelhos, do momento da Anunciação até ao fim, ela é mãe.
—Referindo-se a ela não se diz “a senhora” ou “a viúva de José” —e na realidade poderiam chamá-la assim— mas Maria é sempre “mãe”.
Hoje, celebramos a memória de Maria, Mãe da Igreja. Contemplamos, neste sentido, a maternidade espiritual de Maria em relação à Igreja que é - em si mesma - Mãe do Povo de Deus, pois «ninguém pode ter Deus por Pai se não tiver a Igreja por Mãe (S. Cipriano). Maria é Mãe do Filho de Deus e, ao mesmo tempo, Mãe daqueles que amam o seu Filho e dos “bem-amados” de seu Filho, de acordo com «Mulher, eis o teu filho; discípulo: Eis a tua Mãe» (Jo 19,26-27), tal como Jesus disse.
- Entregando o seu corpo aos homens e devolvendo o seu espírito a seu Pai, Jesus Cristo até deu os seus amigos a sua Mãe.
Ontem celebrávamos Pentecostes. Se nada de bom podemos fazer sem o Espírito, com Ele-Deus, tudo nos é possível. Não nos faltará nada para sermos o Povo do Pai, seu missionário no seio e em favor da humanidade, continuando a missão de Jesus. Mas Jesus tivera uma Mãe a concebê-lo, dá-lo à luz e ser-lhe apoio materno na vida até o calvário. E nos dá igualmente uma mãe, e não só, mas sua própria zelosíssima Mãe: nova força para não nos deixarmos enganar pela “serpente”. E principalmente a nos dar um coração bem divinizado, semelhante ao seu, divinizado também pela proximidade física do coração do Filho-Deus na intimidade de seu próprio ventre.
Oração
Ó Deus, Pai das misericórdias, vosso Filho Unigênito, pregado na cruz, nos deu sua Mãe, a Bem-aventurada Virgem Maria, como nossa Mãe. Concedei que a vossa Igreja, cada dia mais fecunda em seu amor materno, exulte com a santidade dos seus filhos e filhas e atraia todos os povos para o seu convívio numa só família. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Apresentado pelo Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo, o programa Mãe Maria é um tempo dedicado à reflexão e oração, à luz do Evangelho proposto pela liturgia de cada dia. Inspirada no exemplo de Nossa Senhora, a reflexão ilumina a realidade, o caminhar da Igreja e a vida de cada discípulo missionário de Cristo Jesus.