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segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

APÓS O ANGELUS - Papa faz apelo pela paz e por libertação de sequestrados no Haiti

DOMINGO, 21 DE JANEIRO DE 2024, 11H18

Grupo raptado na sexta-feira, 19, inclui seis religiosas; Francisco também pediu orações pela paz nas zonas em guerra e assegurou que reza pelo Equador

Da Redação, com Vatican News

Papa Francisco faz apelos após
oração do Angelus /
Foto: Reprodução Reuters

O Papa Francisco fez um apelo pela libertação do grupo de sequestrados (incluindo seis religiosas) no Haiti, após rezar o Angelus neste domingo, 21. O Pontífice recordou do caso ocorrido na capital do país centro-americano na sexta-feira, 19, além de pedir pela paz nos locais que sofrem com a guerra.
Ao citar a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, o Santo Padre pediu que os fiéis não se esqueçam de rezar também pela paz na Ucrânia, em Israel, na Palestina e nas regiões em conflito. “Aqueles que sofrem com a falta dela são sempre os mais fracos”, afirmou, acrescentando que pensa “nos pequenos, nas muitas crianças feridas e mortas, naqueles privados de afeto, privados de sonhos e de futuro”.
Na sequência, Francisco abordou a escalada de violência no Haiti. Lembrando das religiosas da Congregação das Irmãs de Sant’Ana raptadas quando estavam em um veículo juntamente a outras pessoas, ele pediu “sinceramente” a sua libertação. O Papa também manifestou que reza pela harmonia social no país, convidando todos a “por fim à violência que tanto sofrimento causa àquela querida população”.
Por fim, ao saudar os sacerdotes e migrantes do Equador, o Pontífice assegurou suas orações pelo país sul-americano, que também tem sofrido com uma escalada de violência local.

ANGELUS - Jesus nos escolheu para segui-Lo e acredita em nós, afirma Papa

DOMINGO, 21 DE JANEIRO DE 2024, 10H19

Ao rezar o Angelus neste domingo, 21, Francisco refletiu sobre o chamado que Cristo faz a cada um e a alegria em poder anunciá-lo e testemunhar o Evangelho

Da Redação, com Vatican News

Papa Francisco acena para fiéis reunidos na
Praça São Pedro /
Foto: REUTERS/Yara Nardi

Durante a oração do Angelus deste domingo, 21, o Papa Francisco enfatizou que um cristão que não é ativo na missão de proclamar o Senhor e protagonista de sua fé não é um verdadeiro cristão. Ele se dirigiu aos fiéis reunidos na Praça São Pedro, refletindo o Evangelho do dia (cf. Mc 1,14-20).
Nesta passagem, Marcos narra o chamado dos primeiros discípulos – André e Simão, e depois, Tiago e João. O Pontífice explicou que essa foi uma das primeiras ações de Jesus, convidando-os para se tornarem “pescadores de homens”. “O Senhor ama nos envolver em sua obra de salvação, quer que sejamos ativos com Ele, responsáveis e protagonistas”, destacou.
Jesus não precisaria disso, observou o Santo Padre, mas o faz, assumindo muitas das limitações humanas. Como exemplo, citou a paciência do Mestre com seus discípulos, que muitas vezes não o compreendiam e não conseguiam aceitar aspectos essenciais de sua pregação, como o serviço.
“Isso é importante, o Senhor nos escolheu para sermos cristãos. E nós somos pecadores, aprontamos uma coisa atrás da outra… Mas o Senhor continua a acreditar em nós, a acreditar em nós. É maravilhoso isso do Senhor”, declarou Francisco.

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Ele reiterou que a missão de Jesus era trazer a salvação ao mundo, sendo essa sua maior felicidade. Assim, em cada palavra e gesto humano no qual o homem se junta a Deus, ao doar amor, a luz e a alegria se multiplicam. “Anunciar o Evangelho, portanto, não é tempo perdido: é ser mais feliz ajudando os outros a serem felizes; é libertar-se de si mesmo ajudando os outros a serem livres; é tornar-se melhor ajudando os outros a serem melhores”, exclamou o Papa.
Concluindo sua reflexão, ele convidou os fiéis à reflexão, propondo alguns questionamentos. Entre eles, perguntou se cada um lembra a alegria que sentiu quando aceitou o chamado para testemunhar Jesus, se há gratidão por poder fazer os outros felizes pelo anúncio do Evangelho e se há o desejo de que outras pessoas experimentem o mesmo. Por fim, o Pontífice seguiu para a recitação do Angelus.

quarta-feira, 7 de junho de 2023

CATEQUESE - Papa: Santa Teresinha nos ajude a amar Jesus e superar nosso egoísmo

QUARTA-FEIRA, 7 DE JUNHO DE 2023

Diante das relíquias de Santa Teresa do Menino Jesus, Francisco anunciou a publicação de uma Carta Apostólica por ocasião dos 150 anos de nascimento da Padroeira das Missões

Da redação, com  Vatican News

Papa durante Catequese desta quarta-feira, 7
Foto: Dpa via Reuters

O Papa dedicou sua catequese desta quarta-feira, 7, à Santa Teresa do Menino Jesus. A reflexão foi enriquecida com a presença na Praça São Pedro das relíquias da santa e as de seus santos pais, Luís e Zélia. O Pontífice anunciou que pretende dedicar uma Carta Apostólica por ocasião dos 150 anos de nascimento de Santa Teresa – celebrados neste ano de 2023.
Dirigindo-se aos milhares de fiéis, o Pontífice destacou o título de Padroeira universal das Missões de Santa Teresinha, embora nunca tenha saído em missão. Segundo o Papa, o desejo da santa – escrito por ela –, era ser missionária, e não só durante alguns anos, mas por toda a vida; mais ainda, por toda a eternidade. Ela era uma monja carmelita e sua vida foi marcada pela pequenez e pela fraqueza: ela mesma se autodefinia “um pequeno grão de areia”. De saúde frágil, ela morreu com somente 24 anos.
O Pontífice narrou dois episódios que transformaram a vida de Santa Teresa: o primeiro em âmbito familiar e, o segundo, com um condenado à morte. A partir de então, “voltou o seu zelo para os outros, para que encontrassem Deus e, em vez de buscar consolações para si mesma, se propôs a consolar Jesus, fazendo com que as almas o amassem”.

A fé nasce por atração

Do Carmelo, o Santo Padre conta que a religiosa acompanhava os missionários por carta, com a oração e oferecendo por eles todos os sacrifícios que a vida lhe pedia. Teresa intercedia pelas missões e as abençoava, comenta. Na verdade, disse o Papa, não é missionário apenas quem deixa a sua pátria e vai para longe, aprende línguas novas e nelas anuncia a Boa Nova de Jesus; mas toda a pessoa que, no lugar onde vive, serve como instrumento do amor de Deus e tudo faz para que Jesus passe para os outros.
Dizia ela que “Jesus está doente de amor, e a doença do amor só se cura com o amor”. Para a Igreja, concluiu o Papa, mais importante do que a abundância de meios, métodos e estruturas, que às vezes até a distraem do essencial, é ter muitos corações como o de Teresa, corações que atraem ao amor e aproximam de Deus.
“Este é o zelo apostólico que, nos recordemos sempre, nunca funciona por proselitismo – nunca – ou por pressão – nunca-, mas por atração: a fé nasce por atração. Ninguém se torna cristão porque é forçado por alguém, não, mas porque é tocado pelo amor”, disse.
Francisco conclui: “Peçamos à santa — temos as relíquias aqui —, a graça de superar o nosso egoísmo e peçamos a paixão de interceder, de interceder para que esta atração seja maior nas pessoas e para que Jesus seja conhecido e amado”, concluiu o Papa.

UNIDADE - Papa recorda Dia Mundial de Oração pela Igreja Católica na China

QUARTA-FEIRA, 24 DE MAIO DE 2023, 10H37

Francisco expressou sua proximidade aos fiéis chineses após saudar peregrinos na Praça São Pedro

Da Redação, com Vatican News

Foto: REUTERS – Remo Casilli

No final da Audiência Geral desta quarta-feira, 24, o Papa Francisco falou sobre a Igreja na China. O Pontífice recordou que, nesta data, comemora-se o Dia Mundial de Oração pela Igreja Católica na China.
O Papa citou que este dia coincide com a festa da Bem-Aventurada Virgem Maria, Auxílio dos Cristãos. E lembrou que ela é venerada e invocada no Santuário de Nossa Senhora de She Shan, em Xangai.
Ao final da fala sobre os chineses, Francisco desejou “assegurar a recordação e expressar a proximidade aos nossos irmãos e irmãs na China, compartilhando suas alegrias e esperanças”.

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O Santo Padre, ao falar aos fiéis de língua italiana, também saudou as Missionárias da Caridade, o Comitê Organizador de Eventos Especiais de Roma, o Grupo de Oncologia Pediátrica da Policlínica de Bari, a Escola da Divina Providência de Roma.
Quando se dirigiu aos fiéis de língua portuguesa, o Papa fez menção a grupos de brasileiros que peregrinaram de Brasília (DF), Rio Grande do Sul, Campo Magro (PR), Divinópolis (MG) e Marcos Moura (PB). A eles, desejou que possam “sentir sempre o conforto do Espírito, que reconstrói a harmonia entre nós e nos abre novos caminhos de evangelização”, e que Nossa Senhora sempre os proteja.

quarta-feira, 29 de março de 2023

CATEQUESE - O evangelizador deve ter um coração de servo, não de patrão, alerta Papa

QUARTA-FEIRA, 8 DE MARÇO DE 2023, 8H32

Na Audiência Geral desta quarta-feira, 8, Francisco afirmou que a evangelização é um serviço

Da redação, com Vatican News

Papa na Audiência Geral desta quarta-feira, 8/
Foto: REUTERS – Guglielmo Mangiapane

O Papa Francisco deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre a paixão pela evangelização, ou seja, o zelo apostólico, na Audiência Geral desta quarta-feira, 8, realizada na Praça São Pedro.
Neste encontro semanal com os fiéis, o Pontífice convidou os fiéis a se colocarem à escuta do Concílio Vaticano II, para descobrir que evangelizar é sempre um serviço eclesial, nunca solitário, jamais isolado nem individualista. “A evangelização sempre se faz na ecclesia, ou seja, na comunidade e sem proselitismo porque isso não é evangelização”, sublinhou.
Segundo o Papa, o evangelizador transmite sempre aquilo que ele mesmo ou ela mesma recebeu. “Foi São Paulo que o escreveu primeiro: o evangelho que ele anunciava e que as comunidades recebiam e no qual permaneciam firmes é o mesmo que o Apóstolo, por sua vez, tinha recebido. Este dinamismo eclesial de transmissão da Mensagem é vinculativo e garante a autenticidade do anúncio cristão”.
Por isso, o Santo Padre afirmou que a dimensão eclesial do evangelizador constitui um critério de verificação do zelo apostólico. Uma verificação necessária, porque a tentação de proceder “solitariamente” está sempre à espreita, prosseguiu o Pontífice, de modo especial quando o caminho se torna impérvio e se sente o peso do compromisso.
“Igualmente perigosa é a tentação de seguir caminhos pseudoeclesiais mais fáceis, de adotar a lógica mundana dos números e das sondagens, de confiar na força das nossas ideias, dos programas, das estruturas, das ‘relações que contam'”, alertou.

Decreto Ad gentes

A seguir, o Papa falou a propósito do Decreto Ad gentes (AG), o documento sobre a atividade missionária da Igreja, afirmando que este texto conserva o seu valor, até mesmo no atual contexto complexo e plural.
Primeiramente, Francisco sublinhou que o Decreto Ad gentes convida todos a considerarem o amor de Deus Pai como uma fonte. Ele “nos cria livremente pela sua extraordinária e misericordiosa benignidade, e depois nos chama gratuitamente a partilhar da sua própria vida e glória. Ele quis ser, assim, não só criador de todas as coisas, mas também ‘tudo em todas as coisas’, conseguindo simultaneamente a sua glória e a nossa felicidade”, pontuou.
De acordo com o Santo Padre a passagem é fundamental, pois diz que o amor do Pai tem como destinatário cada ser humano. O Pontífice reforçou que o amor de Deus não é apenas para um pequeno grupo, é para todos. “Ponha bem na cabeça e no coração essa palavra: todos, todos, ninguém excluído, assim diz o Senhor. E esse amor por todo ser humano é um amor que alcança cada homem e mulher através da missão do Filho, medianeiro da salvação e nosso Redentor, e mediante a missão do Espírito Santo, que age em cada um, tanto nos batizados como nos não-batizados”.

Continuar a missão de Cristo

O Concílio Vaticano II recorda que a Igreja tem a tarefa de continuar a missão de Cristo, frisou o Papa. Ele foi “enviado a evangelizar os pobres; por isso – acrescenta Ad gentes – a Igreja, movida pelo Espírito Santo, deve seguir o mesmo caminho de Cristo: o caminho da pobreza, da obediência, do serviço e da imolação própria até à morte, morte de que Ele saiu vencedor pela sua ressurreição”. Se permanecer fiel a este “caminho”, a missão da Igreja será «a manifestação, ou seja, a epifania e a realização dos desígnios de Deus no mundo e na história»”.
Segundo Francisco, estas breves indicações ajudam também a compreender o sentido eclesial do zelo apostólico de cada discípulo-missionário, porque no Povo de Deus peregrino e evangelizador não existem sujeitos ativos e passivos. Cada batizado, explicou o Pontífice, qualquer que seja a sua função na Igreja e o grau de instrução da sua fé, é um sujeito ativo de evangelização.

Ter um coração de servo

“Em virtude do Batismo recebido e da consequente incorporação na Igreja, cada batizado participa na missão da Igreja e, nela, na missão de Cristo Rei, Sacerdote e Profeta”, disse o Papa, acrescentando:
“Esta tarefa «é uma e a mesma em toda a parte, sejam quais forem os condicionamentos, embora difira quanto ao exercício conforme as circunstâncias». Isto convida-nos a não nos tornarmos escleróticos nem fossilizados; o zelo missionário do fiel manifesta-se também como busca criativa de novas maneiras de anunciar e testemunhar, de novos modos de encontrar a humanidade ferida que Cristo assumiu. Em síntese, de novas formas de servir o Evangelho e a humanidade. A evangelização é um serviço. Se uma pessoa se diz evangelizador e não tem aquela atitude, aquele coração de servo, e se julga patrão, não é evangelizador, não… é um pobre homem”.
Por fim, o Santo Padre exortou os fiéis a pedirem ao Senhor a graça de tomar nas mãos a vocação cristã e dar graças ao Senhor por aquilo que Ele deu, este tesouro. E tentar comunicá-lo aos outros.

CATEQUESE - Papa: para anunciar Jesus é preciso primeiro encontrar-se com Ele

QUARTA-FEIRA, 15 DE FEVEREIRO DE 2023, 8H06

Na Catequese desta quarta-feira, 15, Francisco analisou o “discurso missionário” de Jesus aos discípulos: “nasce do encontro com o Senhor” e deve envolver com paixão toda a pessoa

Da redação, com Vatican News

Foto: Yara Nardi via Reuters

“O primeiro apostolado” foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta-feira, 15, realizada na Sala Paulo VI. O Pontífice prosseguiu falando sobre “a paixão de evangelizar, o zelo apostólico”. Segundo o Papa, evangelizar envolve toda a pessoa, a mente, o coração, as mãos, tudo. “A pessoa é totalmente envolvida. Por isso falamos de paixão de evangelizar”.
O Papa indicou que o Evangelho diz que Jesus designou doze dentre eles – a quem chamou apóstolos – para estar com Ele e para os enviar a pregar. “Há um aspecto que parece contraditório: chama-os para estar com Ele e para ir pregar”, comentou. Em primeiro lugar, Francisco frisou que não há “ir” sem “estar”: antes de enviar os discípulos em missão, Cristo – diz o Evangelho – “reúne-os”.
“O anúncio nasce do encontro com o Senhor; toda a atividade cristã, especialmente a missão, começa a partir dali. Não se aprende na academia. Começa com o encontro com o Senhor. Portanto, só quem estiver com Ele poderá anunciar o Evangelho de Jesus”, destacou o Papa.
O Santo Padre afirmou que seguir Cristo não é algo intimista: sem anúncio, sem serviço, sem missão, a relação com Ele não cresce. Então, o Pontífice reforçou que estes são dois momentos constitutivos para cada discípulo: estar e ir, enviado por Jesus.

Porquê anunciar

Tendo chamado os discípulos a si, e antes de os enviar, Cristo dirigiu-lhes um discurso, conhecido como o “sermão missionário”, que é a “constituição” do anúncio, indicou o Papa. Desse discurso, cuja leitura foi recomendada, Francisco frisou três aspectos: por que anunciar, o que anunciar e como anunciar.
Sobre o primeiro, por que anunciar, o Santo Padre recordou a frase de Jesus: “Recebestes gratuitamente, dai gratuitamente”. “O anúncio não começa por nós, mas pela beleza do que recebemos de graça, sem mérito: encontrar Jesus, conhecê-lo, descobrir que somos amados e salvos. É um dom tão grande que não podemos guardá-lo para nós, sentimos a necessidade de o irradiar, mas com o mesmo estilo, na gratuidade. Em síntese: temos um dom, por isso somos chamados a fazer-nos dom; a nossa vocação é fazer-nos dom para os outros. Ir e levar a alegria do que recebemos”.

O que e como anunciar?

Ao comentar o segundo aspecto, o que anunciar?, o Pontífice ressaltou que Jesus exortou: “Pregai, anunciando que o reino dos céus está próximo”. De acordo com ele, deve-se anunciar que Deus está próximo. “Nunca se esqueçam disso. Deus sempre esteve próximo ao povo. A proximidade é uma das coisas mais importantes de Deus. São três coisas: proximidade, misericórdia e ternura.  Não se esqueçam disso. Quem é Deus? O Próximo, o Terno, o Misericordioso. Esta é a realidade de Deus”.
“Aceitar o amor de Deus é mais difícil, porque queremos estar sempre no centro, ser protagonistas, estamos mais propensos a deixar-nos plasmar, a falar mais do que a ouvir. Mas se em primeiro lugar estiver o que fazemos, continuaremos a ser os protagonistas. Ao contrário, o anúncio deve dar a primazia a Deus, dar a Deus o primeiro lugar, e dar aos outros a oportunidade de o acolher, de sentir que Ele está próximo. E eu, atrás”, disse ainda o Papa.
Ao refletir sobre o terceiro aspecto, como anunciar, Francisco afirmou que ele é o aspecto sobre o qual Jesus mais insiste; e isto é significativo: “Como anunciar, qual deve ser o método, qual deve ser a linguagem para anunciar, e isso é significativo, pois nos diz que o modo, o estilo, é essencial no testemunho. O testemunho não envolve apenas a mente e dizer alguma, os conceitos: não. Envolve tudo, mente, coração, mãos, tudo, as três línguas da pessoa: a linguagem do pensamento, a linguagem do afeto e a linguagem da obra. As três linguagens. Não se pode evangelizar apenas com a mente ou apenas com o coração ou apenas com as mãos”.

Simplicidade e testemunho

Ainda sobre o modo como anunciar, o Santo Padre ressaltou ser impressionante que Jesus, em vez de prescrever o que levar em missão, disse o que não levar: “Não leveis nem ouro, nem prata, nem dinheiro nos vossos cintos, nem alforge para a viagem, nem duas túnicas, nem sandálias, nem cajado”.
“Não levar nada. Ele diz para não se apoiar em certezas materiais, mas ir para o mundo sem mundanidade. Isto é o que dizer: Eu vou para o mundo não com o estilo do mundo, não com os valores do mundo, não com a mundanidade – que para a Igreja, cair na mundanidade é o pior que pode acontecer. Vou com simplicidade, mostrando Jesus, não falando de Jesus. Como mostramos Jesus? Com o testemunho. Em síntese, caminhando juntos: o Senhor envia todos os discípulos, mas ninguém vai sozinho. A Igreja apostólica é toda missionária e na missão encontra a sua unidade. Portanto: ir mansos e bons como cordeiros, sem mundanidade, juntos”, concluiu o Papa.

APELO - Rezar todos os dias pela paz definitiva na Ucrânia, pede Papa

QUARTA-FEIRA, 25 DE JANEIRO DE 2023, 8H43

Francisco voltou a pedir que a paz na Ucrânia esteja na intenção diária de oração dos católicos

Da redação, com Vatican News

Foto: Daria Volkova on Unsplash

“Que a martirizada Ucrânia, tão aflita, não falte em nossos pensamentos e orações”, disse o Papa Francisco ao final da Audiência Geral desta quarta-feira, 25, ao saudar os peregrinos de língua italiana.
O Pontífice recordou que, pouco antes, teve um encontro com “os chefes das várias Confissões de fé que estão na Ucrânia – todos unidos – e eles me falaram da dor daquele povo”: “Nunca nos esqueçamos, todos os dias, de rezar pela paz definitiva na Ucrânia.”

Unidade dos cristãos

Ao saudar pouco antes os peregrinos de língua portuguesa, de modo particular o grupo do Brasil, o Santo Padre invocou sobre cada um “as bênçãos do Senhor”, acrescentando: “Encorajo-vos a que, banindo qualquer aparência de indiferentismo, confusão e odiosa rivalidade, possais colaborar com todos os cristãos por amor de Cristo”.
O tema da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos deste ano é “Aprendei a fazer o bem, procurai a justiça (Is 1,17). No Hemisfério Norte, é celebrada, de 18 a 25 de janeiro, enquanto no Hemisfério Sul de 22 a 28 de maio.

CATEQUESE - Todo anúncio digno do Redentor deve comunicar libertação, afirma Papa

QUARTA-FEIRA, 25 DE JANEIRO DE 2023, 8H16

Na Audiência Geral desta quarta-feira, 25, Francisco indicou cinco elementos essenciais do anúncio de Jesus: alegria, libertação, luz, cura e pobreza

Da redação, com Vatican News

Foto: REUTERS/Yara Nardi

Na catequese da Audiência Geral desta quarta-feira, 25, o Papa Francisco refletiu sobre Jesus como mestre do anúncio. O episódio bíblico que orientou a reflexão do Pontífice foi a passagem em que Jesus foi à sinagoga de Nazaré, seu povoado, e ali leu um trecho do profeta Isaías. Ele “surpreendeu todos com um “sermão” muito breve, de uma única frase. Disse: “Hoje, cumpriu-se essa passagem da Escritura que vocês acabam de ouvir.”

Alegria

A partir disso, Francisco identificou cinco elementos essenciais do anúncio de Jesus. O primeiro elemento do anúncio é a alegria. O Santo Padre recordou que Jesus proclamou: “O Espírito do Senhor está sobre mim; […] enviou-me para anunciar a boa nova aos pobres”.
“Boa nova: não se pode falar de Jesus sem alegria, porque a fé é uma maravilhosa história de amor a ser partilhada. Testemunhar Jesus, fazer algo pelos outros em seu nome. Quando falta alegria, o Evangelho não passa, pois ele é bom anúncio, anúncio de alegria. O cristão triste pode falar de coisas maravilhosas, mas será tudo em vão se o anúncio que transmite não for jubiloso”, sublinhou o Papa.

Libertação

O segundo elemento é a libertação. De acordo com o Pontífice, Jesus disse que foi enviado “para anunciar a libertação aos pobres”. Isso significa, explicou o Santo Padre, que quem anuncia Deus não pode fazer proselitismo, não pode pressionar os outros, mas deve aliviá-los: não impor fardos, mas livrar-se deles; levar paz, não sentimentos de culpa.
“Sem dúvida, seguir Jesus exige ascese, sacrifícios; de resto, se cada coisa boa o requer, quanto mais a realidade decisiva da vida! Quem dá testemunho de Cristo mostra a beleza da meta, mais do que o cansaço do caminho. Todo anúncio digno do Redentor deve comunicar libertação”, garantiu.

Luz

O terceiro elemento é a luz. Jesus disse que veio para restituir “a vista aos cegos”, lembrou Francisco. “Aqui não se trata apenas da vista física, mas de uma luz que faz ver a vida de uma maneira nova.  Há um “vir à luz”, um renascimento que só se verifica com Jesus”, frisou.
O Papa recordou que a vida cristã teve início para todos os católicos com o Batismo, que antigamente se chamava “iluminação”. “E que luz nos dá Jesus? A luz da filiação: com Ele, somos filhos de Deus, amados para sempre, não obstante os nossos erros e defeitos”. Segundo Francisco, “a vida já não é um avançar cego rumo ao nada, não é questão de destino ou sorte, não é algo que depende do acaso ou das estrelas, nem sequer da saúde e das finanças, mas do amor do Pai que cuida de nós, seus filhos amados. Como é maravilhoso partilhar esta luz com os outros”!

Cura

O quarto elemento do anúncio é a cura. O Pontífice indicou que Jesus disse que veio “para libertar os oprimidos”. Segundo o Papa, o oprimido é aquele que, na vida, se sente esmagado por algo: doenças, fadigas, fardos no coração, sentimentos de culpa, erros, vícios, pecados.
“Pensemos, por exemplo, no senso de culpa. Quantos de nós passaram por isso? O que nos oprime é aquele mal que nenhum medicamento ou remédio humano pode curar: o pecado. E se alguém tem senso de culpa é por algo que fez e se sente mal. Mas a boa notícia é que com Jesus este mal antigo, que parece invencível, já não tem a última palavra. Eu peco porque sou fraco. Todos nós pecamos, mas esta não é a última palavra. A última palavra é a mão de Jesus estendida que nos reergue do pecado. Do pecado, Jesus cura-nos sempre e gratuitamente. Ele convida quantos estão «cansados e oprimidos» a ir até Ele”, destacou.
O Santo Padre comentou que acompanhar alguém ao encontro de Jesus significa levá-lo ao médico do coração, que alivia a vida. “Quem carrega fardos precisa de um carinho no passado. Muitas vezes, ouvimos dizer: preciso curar o meu passado, preciso de um carinho no meu passado que me pesa muito. Tem necessidade de perdão. E quem acredita em Jesus tem para oferecer ao próximo a força do perdão, que liberta a alma de todas as dívidas”, indicou.
O Papa pediu aos católicos para não se esquecerem de que Deus perdoa tudo porque esquece os pecados. “É necessário que nos aproximemos d’Ele, a fim de que Ele nos perdoe”.

Pobreza

O último elemento é o feliz anúncio dirigido “aos pobres”, lembrou o Papa. Muitas vezes, nos esquecemos dos pobres que “são os destinatários explicitamente mencionados por Jesus, porque são os prediletos de Deus”, ressaltou.
Francisco pediu que os pobres sejam lembrados, pois para receber o Senhor cada um deve fazer-se “pobre dentro”, ou seja, superar toda pretensão de autossuficiência para compreender que é necessitado de graça, “sempre necessitado d’Ele”. “Se alguém me perguntar: Padre, qual é o caminho mais curto para encontrar Jesus? Faça-se necessitado. Faça-se necessitado de graça, necessitado de perdão, necessitado de alegria. E Ele se aproximará até você”, concluiu.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

CATEQUESE - "Jesus tem saudade de nós. Este é o zelo de Deus!", destaca Papa

QUARTA-FEIRA, 18 DE JANEIRO DE 2023, 8H01

Na Catequese desta quarta-feira, 18, sobre a paixão evangelizadora e o zelo apostólico, Francisco reflete sobre Jesus e o seu coração que “vai ao encontro de todos”

Da redação, com Vatican News

Papa durante a Audiência Geral desta quarta-feira, 18/
Foto: REUTERS/Guglielmo Mangiapane

Na Audiência Geral desta quarta-feira, 18, realizada na Sala Paulo VI, o Papa Francisco deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre o zelo apostólico que deve animar a Igreja e cada cristão, convidando a olhar para “o modelo insuperável do anúncio: Jesus”.
O Pontífice frisou que o fato de Jesus “ser o Verbo, ou seja, a Palavra” indica que Ele está sempre em relação, em saída, nunca isolado, sempre em relação, em saída. “Com efeito, a palavra existe para ser transmitida, comunicada. Assim é Jesus, Palavra eterna do Pai comunicada a nós. Cristo não só tem palavras de vida, mas faz da sua vida uma Palavra, uma mensagem: ou seja, vive sempre voltado para o Pai e para nós. Sempre olhando para o Pai que o enviou e olhando para nós aos quais Ele foi enviado”.

Oração

Jesus tem “intimidade com o Pai, oração” e “todas as decisões e escolhas importantes são feitas depois de ter rezado”, pontuou o Santo Padre. Nesta relação, o Papa afirmou que na oração que une Jesus ao Pai no Espírito, Ele descobre o sentido do seu ser homem, da sua existência no mundo porque Ele está em missão, enviado pelo Pai a todos.
Francisco sublinhou que Jesus oferece a todos a chave do seu agir no mundo: “despender-se pelos pecadores, tornando-se solidário para conosco sem distâncias, na partilha total da vida”. “Falando da sua missão”. Ele “dirá que não veio «para ser servido, mas para servir e dar a sua vida»”.
“Todos os dias, depois da oração, Jesus dedica toda a sua jornada ao anúncio do Reino de Deus e a dedica às pessoas, sobretudo aos mais pobres e frágeis, aos pecadores e doentes. Ou seja, Jesus está em contato com o Pai na oração e depois está em contato com as pessoas para a missão, para a catequese, para ensinar o caminho para o Reino de Deus”.

Bom Pastor

O Pontífice comenta que Jesus oferece também a sua imagem, “o seu estilo de vida”, falando de si como do bom Pastor, aquele que «dá a sua vida pelas ovelhas». Com efeito, o Santo Padre explicou que ser pastor não era apenas um trabalho, que exigia tempo e muito esforço; era um verdadeiro estilo de vida:
“Vinte e quatro horas por dia, vivendo com o rebanho, acompanhando-o ao pasto, dormindo entre as ovelhas, cuidando das mais frágeis. Em síntese, Jesus não faz algo por nós, mas dá a vida por nós. O seu é um coração pastoral. Ele é um pastor com todos nós”.
Para resumir numa palavra a ação da Igreja, Francisco recordou que usa-se muitas vezes o termo “pastoral”. “E para avaliar a nossa pastoral, devemos nos confrontar com o modelo, Jesus bom Pastor.” “Quem está com Jesus, descobre que o seu coração pastoral bate sempre por quantos estão perdidos, transviados, distantes. E o nosso?”, perguntou o Papa, ressaltando que muitas vezes é dito: “É problema dele, que se vire”. “Jesus nunca disse isso, nunca. Ele vai ao encontro de todos, de todos os marginalizados, dos pecadores. Ele era acusado disso: de estar com os pecadores, porque levava aos pecadores a salvação de Deus”.

Deus sente saudade

Depois, Francisco disse que quem quiser treinar o seu “zelo apostólico”, deve recordar sempre a parábola da ovelha perdida, contida no capítulo 15 de Lucas. Ali, disse o Santo Padre, é possível entender o que é o zelo apostólico.
“Nessa parábola descobrimos que Deus não contempla o redil das suas ovelhas, nem as ameaça para que não vão embora. Pelo contrário, se uma sai e se perde, não a abandona, mas vai à sua procura. Não diz: ‘Foi-se, a culpa é dela, o problema é seu’”, comentou.
O coração pastoral, segundo o Papa, reage de outra maneira: sofre e arrisca. “Sofre: sim, Deus sofre por quem parte, e na medida em que o chora, ama-o ainda mais. O Senhor sofre quando nos distanciamos do seu coração. Sofre por quem não conhece a beleza do seu amor, nem o calor do seu abraço. Mas, em resposta a este sofrimento, não se fecha, mas arrisca: deixa as noventa e nove ovelhas que estão a salvo e aventura-se em busca da única que se perdeu, fazendo assim algo arriscado e até irracional, mas em sintonia com o seu coração pastoral, que tem saudades de quantos se foram. Quando ouvimos dizer que alguém deixou a Igreja o que dizer? Que se vire? Não. Jesus nos ensina a saudade daqueles que se foram. Jesus não tem raiva nem ressentimento, mas uma irredutível saudade de nós. Jesus tem saudade de nós. Este é o zelo de Deus!”.

Sintonia com Jesus

“Talvez sigamos e amemos Jesus há muito tempo, sem nunca nos perguntarmos se compartilhamos os seus sentimentos, se sofremos e arriscamos, em sintonia com o seu coração pastoral! Não se trata de fazer proselitismo, para que outros sejam “dos nossos”, mas de amar a fim de que sejam filhos felizes de Deus”, disse o Pontífice.
O Santo Padre destacou por fim que evangelizar não é fazer proselitismo. Ele reforçou que fazer proselitismo é uma coisa pagã, não é religioso nem evangélico. Depois, convidou os fiéis a pedirem, na oração, a graça de um coração pastoral, aberto, próximo a todos, para levar a mensagem do Senhor e ouvir os que têm saudade de Cristo. “Sem este amor que sofre e arrisca, correremos o risco de nos apascentarmos unicamente a nós próprios”.