segunda-feira, 21 de outubro de 2019

BOM DIA! BOA TARDE! BOA NOITE! Oração da noite, Oração da manhã e Oração do entardecer - Deus te abençoe!



Oração da Noite

Boa noite Pai.
Termina o dia e a ti entrego meu cansaço.
Obrigado por tudo e… perdão!!
Obrigado pela esperança que hoje animou meus passos, pela alegria que vi no rosto das crianças;
Obrigado pelo exemplo que recebi daquele meu irmão;
Obrigado também por isso que me fez sofrer…
Obrigado porque naquele momento de desânimo lembrei que tu és meu Pai; Obrigado pela luz, pela noite, pela brisa, pela comida, pelo meu desejo de superação…
Obrigado, Pai, porque me deste uma Mãe!
Perdão, também, Senhor!
Perdão por meu rosto carrancudo; Perdão porque não me lembrei que não sou filho único, mas irmão de muitos; Perdão, Pai, pela falta de colaboração e serviço e porque não evitei aquela lágrima, aquele desgosto; Perdão por ter guardado para mim tua mensagem de amor;
Perdão por não ter sabido hoje entregar-me e dizer: “sim”, como Maria.
Perdão por aqueles que deviam pedir-te perdão e não se decidem.
Perdoa-me, Pai, e abençoa os meus propósitos para o dia de amanhã, que ao despertar, me invada novo entusiasmo; que o dia de amanhã seja um ininterrupto “sim” vivido conscientemente.
Amém!!!

Oração da manhã

Bom-dia, Senhor Deus e Pai!
A ti, a nossa gratidão pela vida que desperta, pelo calor que
cria vida, pela luz que abre nossos olhos.
Nós te agradecemos por tudo que forma nossa vida, pela terra, pela água, pelo ar, pelas pessoas. Inspira-nos com teu Espírito Santo os pensamentos que vamos alimentar,as palavras que vamos dizer, os gestos que vamos dirigir,a comunicação que vamos realizar.
Abençoa as pessoas que nós encontramos, os alimentos que vamos ingerir.
Abençoa os passos que nós dermos, o trabalho que devemos fazer.
Abençoa, Senhor, as decisões que vamos tomar, a esperança que vamos promover,a paz que vamos semear,a fé que vamos viver, o amor que vamos partilhar.
Ajuda-nos, Senhor, a não fugir diante das dificuldades, mas a abraçar amor as pequenas cruzes deste dia.
Queremos estar contigo, Senhor, no início, durante e no fim deste dia.
Amém.

Oração do entardecer

Ó Deus!
Cai à tarde, a noite se aproxima.
Há neste instante, um chamado à elevação, à paz, à reflexão.
O dia passa e carregam os meus cuidados.
Quem fez, fez.
Também a minha existência material é um dia que se passa,
uma plantação que se faz, um caminho para algo superior.
Como fizeste a manhã, à tarde e a noite, com seus encantos,
fizeste também a mim, com os meus significados, meus resultados.
Aproxima de mim, Pai, a Tua paz para que usufrua desta
hora e tome seguras decisões para amanhã.
Que se ponha o sol no horizonte, mas que nasça
em mim o sol da renovação e da paz para sempre.
Obrigado, Deus, muito obrigado!
Amém!

HOMÍLIA DIÁRIA, COMENTÁRIO E REFLEXÃO DO EVANGELHO DO DIA 21/10/2019

ANO C


Lc 12,13-21

Comentário do Evangelho

Desejo de poder.

A parábola tem alcance muito maior. O verbo “dizer” é repetido várias vezes (vv. 17.18.19), num monólogo do personagem único, solitário e sem próximo. Esta observação, e se é necessário, pode nos levar a intitular a parábola deste modo: “O esquecimento fatal do diálogo”.
Esquecimento do diálogo com Deus, no que concerne ao rico proprietário (vv. 16ss), e do diálogo entre os dois irmãos acerca da partilha dos bens (vv. 13-14). O v. 15 faz a transição entre o pedido de arbitragem de um dos irmãos e a parábola.
A palavra traduzida por “ganância”, no v. 15, em grego exprime uma vontade de ter superioridade, um desejo de poder. “... pois mesmo que se tenha muitas coisas, a vida não consiste na abundância de bens” (v. 15). Isto significa que a riqueza não impede a morte inesperada. A abundância, o ter, pode substituir Deus. Ao invés de nos fazer disponíveis, esta facilidade ou abundância é em que nós confiamos, de fato. Isto é uma ilusão: eu creio possuir, mas, de fato, eu sou possuído! O importante é a nossa maneira de possuir, isto é, o papel que tem em nosso íntimo o que nós possuímos.
Resumidamente, a parábola nos faz perguntar: Você é por ou contra Deus? É esta a questão posta ao rico: “E para quem ficará o que acumulaste?” (v. 20). Cabe a nós, diante do Senhor, respondermos também esta questão: O que é que me enriquece de bens que não se contabilizam, mas modela meu rosto, meu olhar sobre o mundo, sobre os outros e sobre mim mesmo?
Carlos Alberto Contieri,sj
Fonte: Paulinas em 21/10/2013

Vivendo a Palavra

Onde, ou em quê nós depositamos nossa esperança? Nos tesouros efêmeros e enganosos que construímos, ou no Amor que aprendemos com Jesus de Nazaré e estamos tentando viver junto com os companheiros de peregrinação neste planeta encantado que nos foi emprestado pelo Pai para ser cuidado?
Fonte: Arquidiocese BH em 21/10/2013

VIVENDO A PALAVRA

Onde, ou em quem nós depositamos nossa esperança? Nos tesouros efêmeros e enganosos que construímos entre os homens, ou no Amor que aprendemos com Jesus de Nazaré e estamos tentando viver junto com os companheiros de peregrinação neste planeta encantado que nos é emprestado pelo Pai para ser cuidado?

Reflexão

Mas Deus lhe disse: Louco! Louco é aquele que é incapaz de perceber a verdadeira hierarquia dos valores e submete o eterno ao temporal, o celeste ao terreno, fazendo com que o acúmulo de bens materiais se tornem a causa maior da sua própria felicidade, o que faz com que ele feche a sua vida para os valores que são eternos e que trazem a felicidade que não tem fim. A verdadeira loucura consiste em não conhecer a Deus e, por isso, não valorizar a sua presença em nossas vidas, não viver no seu amor e não amar, de modo que não haja partilha de todos os bens, não possibilitando um crescimento mútuo e um projeto comum de felicidade, que dura para sempre.
Fonte: CNBB em 21/10/2013

Reflexão

São proverbiais as brigas por causa de repartição de herança. Jesus bem conhecia essa realidade que, pelo jeito, corre os séculos. A pergunta de um herdeiro oferece a ocasião para Jesus nos ensinar sobre a necessidade de vivermos desapegados dos bens terrenos: “Evitem todo tipo de ganância”. Por mais rico que seja alguém, “sua vida não é garantida pelos seus bens”. Não raro vemos, pela mídia, que muitos ricaços se desdobram gastando fortunas para curar-se de um câncer. Toda a quantia investida no tratamento não é capaz de derrotar a doença. Dinheiro chama dinheiro, riqueza produz riqueza, armazém lotado de mercadoria exige mais armazéns lotados. Para que tudo isso? Importante, diz Jesus, é ser rico para Deus. Cabe-nos perguntar: como estou administrando o dom da vida que Deus me deu?
(Dia a dia com o Evangelho 2019 - Pe. Luiz Miguel Duarte, ssp)

Meditação

Há muita disputa por heranças? - O que dizer do acúmulo de coisas supérfluas? - Sua riqueza está acima de tudo em ter Deus no coração? - É muito apegado a coisas materiais? - Procura pensar na vida eterna ou foge da realidade?
Fonte: a12 - Santuário Nacional em 21/10/2013

Meditando o evangelho

O RICO INSENSATO

O discípulo do Reino é instruído para se portar com liberdade diante dos bens deste mundo, para não correr o risco de cair na idolatria. A relação incorreta com as criaturas tende a levá-los a um comportamento errôneo em relação aos irmãos: coisificar as pessoas e tiranizá-las sem piedade, por absolutizar as riquezas. Por isso, Jesus denunciava energicamente a insensatez dos ricos. Alertava seus discípulos contra a avareza, insistindo para que não contassem com a abundância de bens como fator de segurança e felicidade. E isto na tentativa de levá-los a se manterem imunes contra a idolatria da riqueza.
A parábola do rico avarento apresenta uma atitude que todo discípulo deve evitar. O homem rico fechou-se na sua ganância de acumular, esquecendo-se de Deus e de seus irmãos. Não nutria nenhum desejo de partilhar, mas só de acumular. Quanto mais tinha, tanto mais queria ter. As necessidades dos outros não contavam. Pensava tão-somente em encontrar conforto e fartura para si mesmo, e assim, poder descansar tranqüilo uma vez que tinha garantido para si uma vida abastada.
Ele, porém, não contou com a morte, quando seria chamado a prestar contas a Deus. Só então, haveria de aparecer a total pobreza em que vivia, pois, faltando-lhe o amor, faltava-lhe tudo. Tendo acumulado só para si mesmo, acabou na mais total pobreza diante de Deus.
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado no Portal Dom Total).
Oração
Senhor Jesus, que as riquezas deste mundo jamais polarizem meu coração, impedindo-me de viver o amor que sabe partilhar.

COMENTÁRIOS DO EVANGELHO

1. O VERDADEIRO TESOURO
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Diácono José da Cruz - Diácono da Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP)

Certamente que as dúvidas de um desempregado, aposentado ou assalariado, são outras, bem diferentes do homem que protagoniza o evangelho de hoje. Enquanto os primeiros se perguntam como irão sobreviver e pagar tantas contas, o segundo está com uma dúvida cruel: onde irá armazenar o trigo, que produziu muito mais do que o esperado... Será que vale a pena derrubar os celeiros e fazer outros maiores para armazenar a produção excedente? Que dúvida cruel, não?
Segundo a lógica capitalista que prioriza o lucro e o patrimônio, nem é preciso pensar duas vezes, pois se o lucro será ainda maior, seria uma burrice não investir. Mas segundo a lógica do evangelho, e a linha de raciocínio de um sábio chamado Coélet, é uma grande perda de tempo correr atrás da felicidade, pensando que ela está nas riquezas que este mundo pode oferecer, pois tudo é vaidade, conclui o sábio. Jesus por sua vez, não faz nenhum discurso inflamado contra o capitalismo, ou contra os grandes latifundiários ou grupos econômicos que monopolizam a economia, ele apenas constata o terrível engano que cometem os que depositam toda sua segurança e felicidade apenas nos bens deste mundo.
De fato, podemos imaginar a frustração e o terror que se apodera do coração de um homem, que chegando de maneira consciente ao derradeiro instante de sua vida, descobre de maneira surpreendente que passou toda sua existência acumulando riquezas, que na verdade não passavam de quinquilharias sem valor, perto do tesouro inestimável do amor e da graça que em Jesus o Pai ofereceu ao mundo. E o que é pior, tudo isso vai ficar para trás, nenhum centavo irá com ele e outros que talvez nem trabalharam, irão usufruir do seu capital.
Ele bem que poderia ter investido no verdadeiro tesouro, partilhando seus bens e sua riqueza com os pobres, poderia ter feito para os empregados uma forma de participação nos lucros, dando aos mesmos esta alegria, poderia quem sabe, ter investido forte no social, não apenas de uma maneira mesquinha, visando isenção tributária, mas com o objetivo verdadeiro de melhorar as condições de vida de tantas pessoas.
Poderia ainda ter gerado novos empregos, elaborar uma política salarial digna e séria, onde os empregados tivessem a oportunidade de crescer e dar mais conforto á família, e não apenas oferecer alguns míseros percentuais para repor a inflação. Isso também vale para os governantes, que muitas vezes colocam a saúde e o social em segundo plano, deixando morrer à míngua e sem assistência os infelizes que não podem contar com um plano de saúde que atenda suas necessidades. Quantas bênçãos para o patrimônio de uma empresa ou nação, Deus envia do céu, quando se coloca a vida do ser humano em primeiro lugar e não os seus interesses políticos, ou os seus gordos lucros!
Mas não! Nada disso fez este homem, que preferiu relacionar-se de maneira possessiva com seus bens: “MEU trigo, MEUS celeiros”, armazenar, acumular, ganhar mais para ter um lucro ainda maior, em nenhum momento ele fez planos que incluíssem a família, a mulher e os filhos, em nenhum momento ocorreu-lhe a idéia de ajudar seus empregados.
O fim de tal homem será terrível! Não porque Deus irá se vingar mandando-o para as profundezas do inferno, mas sim porque, como já o dissemos, na última hora vai “cair à ficha” descobrirá amargurado que viveu sempre de maneira egoísta, o remorso e o arrependimento lhe baterão no coração, e a dor por estar longe de Deus e do seu reino, será eterna e insuportável! Isso é o inferno!
Esse homem durante a sua vida não conseguiu se descobrir como um Filho de Deus, vocacionado ao amor, que partilha que é generoso e solidário com os que não têm. Uma partilha que não pode ser imposta pelo poder de alguma lei, mas ditada por um coração transbordante de amor, esta é a razão porque Jesus se recusa a interferir em uma briga de irmãos na disputa de uma herança.
Na verdade este homem perdeu toda a sua existência correndo atrás do brilho falso e ilusório das riquezas materiais, cultuando o deus dinheiro e fazendo das grandes magazines e shopins, as imponentes catedrais de adoração ao poderoso deus do consumo, permanecendo no “Homem velho” não se dando conta que a ressurreição de Jesus marcou uma “virada” definitiva na vida do homem, que precisa sim dos bens deste mundo para viver, mas que em seu coração só busca as coisas do alto onde está a verdadeira glória e o mais valioso de todos os tesouros da terra. Enquanto lhe restar um dia de vida, este homem mesquinho, avarento e egoísta poderá mudar o seu destino, abrindo-se á graça de Deus para esta lhe inunde a alma e o coração. Depois será tarde...

2. Para quem ficará o que acumulaste? - Lc 12,13-21
(O comentário do Evangelho abaixo é feito por Côn. Celso Pedro da Silva, ‘A Bíblia dia a dia 2017’, Paulinas e disponibilizado no Portal Paulinas - http://comeceodiafeliz.com.br/evangelho)

Alguém que se chamava Enrique dizia que todos querem “enrique ser”. Sem dúvida, todos querem enriquecer. Então, diz Jesus, sejam inteligentes. Tornem-se ricos diante de Deus. O tesouro que juntamos neste mundo não irá conosco para a eternidade. Sim, dirá alguém, mas enquanto estamos aqui é bom tê-lo. Sem dúvida, é melhor ter o necessário para sobreviver do que ser jogado debaixo de uma ponte. No entanto, a vida não consiste na abundância de bens. Ela é mais do que isso, e os ricos nem sempre são felizes com os seus bens. Não importa o que se tem ou o que não se tem. O problema está na ganância, no desejo incontrolado de ter e juntar coisas. O ganancioso tem sempre a sensação de que alguma coisa está faltando e procura preencher o vazio com mais coisas. Melhor preencher com o Espírito Santo.

3. A RIQUEZA VÃ
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado no Portal Dom Total).

Jesus deve ter percebido a mentalidade de muitas pessoas exageradamente preocupadas em adquirir e acumular bens. Se os discípulos desejassem ser fiéis ao Reino, deveriam precaver-se contra atitudes deste gênero. Daí a preocupação do Mestre em alertá-los.
Tudo, na vida do rico, gira em torno do próprio eu: "meus celeiros", "meu trigo", "meus bens". Em sua vida, não existe espaço para Deus e para o próximo. Tudo é pensado em função de sua satisfação pessoal: "Ó minha alma, descansa, come, bebe, regala-te, pois tens bens acumulados para muitos anos".
Solidariedade, partilha, misericórdia são palavras banidas de seu vocabulário. Sua avareza impede-o de sensibilizar-se diante das necessidades do próximo.
Todavia, como não somos feitos só para esta vida, a morte confronta-nos com outra realidade: a vida eterna. Aqui, só têm valor os gestos de fraternidade, a bondade para com o excluídos e carentes, a capacidade de fazer-se próximo de quem sofre. Este é o verdadeiro tesouro a ser acumulado durante a vida terrena. Os bens materiais, quando partilhados, podem ser instrumentos para adquirir este tesouro eterno. Acumulá-los significa torná-los infrutíferos, ou seja, inúteis.
O discípulo do Reino, por ter seu coração centrado em Deus e no próximo, sabe ser generoso com quem necessita de seu ajuda fraterna.
Oração
Espírito de partilha fraterna, afasta para longe de mim toda avareza, porque ela me impede de manifestar meu amor ao próximo, partilhando com ele os meus bens.

Liturgia comentada

A tua vida será reclamada... (Lc 12,13-21)
Aproxima-se de Jesus um homem que tinha queixas contra seu próprio irmão por motivo de uma herança não repartida. O Rabi da Galileia se vale da ocasião para nos alertar sobre o risco mortal da cobiça dos bens materiais. É a parábola do homem rico.
Claro que o problema não está simplesmente na posse da riqueza, mas no apego ao dinheiro e ao poder, autênticos ídolos que ocupam indevidamente o lugar de Deus no coração do homem, acabando por escravizá-lo e fechá-lo ao convívio dos mais pobres.
Diante de uma colheita acima da expectativa, o rico nem pensa em partilhar as sobras com os famintos. Ao contrário, decide demolir os celeiros acanhados e construir outros maiores: “Lá guardarei todo o MEU trigo e os MEUS bens”. Com o boi na sombra, chega a se propor um programa de vida centrado em si mesmo: “descansa, come, bebe, regala-te”. Autêntico refrão da filosofia hedonista, o velho “carpe diem” que sobrevive no mundo da produção e do consumo. Em resumo, curtir a vida...
Mas uma surpresa espera pelo aprendiz de economia. Deus lhe diz: “Ainda esta noite a tua vida será reclamada”. O avarento não terá tempo para executar seu programa. Os tesouros acumulados não acompanham a alma em sua passagem para o eterno.
De fato, ninguém pode prever a duração de sua vida. E ao término do caminho, todos nós passaremos por um juízo, um acerto final, quando então prestaremos contas do modo como utilizamos os bens que nos foram “emprestados” por Deus.
Daí, a lição do Mestre: não faz sentido preocupar-se com as coisas que passam – comida e roupas, por exemplo -, diante da importância dos valores eternos. O próprio Jesus, que vivia como pobre, “sem ter onde descansar a sua cabeça” (cf. Mt 8,20), deu-nos o exemplo mais acabado de simplicidade e pobreza. A casa de Nazaré, onde viveu por trinta anos, demonstra que a felicidade é compatível com a pobreza, enquanto o palácio dos ricos costuma ser o espaço do ódio, das contendas e da infelicidade.
Qual tem sido o objetivo de nossa vida? Acumular bens? Ou partilhar nossos dons?
Orai sem cessar: “Na observância de vossas ordens eu me alegro, Muito mais do que em todas as riquezas!” (Sl 119,14)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.
santini@novaalianca.com.br
Fonte: NS Rainha em 21/10/2013

HOMILIA DIÁRIA

Tomai cuidado contra todo tipo de ganância

Qualquer que seja a ganância, ela é um mal para alma, para o coração, para a vida, para o caráter e para a personalidade do ser humano.

“Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não é rico diante de Deus” (Lc 12,21).

Amados irmãos e irmãs, tomemos a palavra do Nosso Senhor, hoje, que nos diz: “Tomai cuidado contra todo tipo de ganância”, porque, qualquer que seja a ganância, ela é um mal para alma, para o coração, para a vida, para o caráter e para a personalidade do ser humano.
Ganancioso é aquele que quer sempre ter mais, está sempre com a avareza de possuir mais; ele mede a sua vida pelas coisas que tem e nunca está satisfeito com o pouco ou muito que possui. O homem avarento, ganancioso, está sempre preocupado com seus bens, com seu celeiro, está preocupado em possuir.
Não há problema nenhum em ter uma vida digna, honesta, honrada, e em trabalhar para ter o pão de cada dia a fim de alimentar seus filhos, construir uma casa bem arrumada para viver e assim por diante. O problema não consiste nisso, o problema é a ambição, é desejar essas coisas de forma desordenada e fazer do ter o sentido da sua vida.
Meus queridos irmãos e irmãs, a Palavra de Deus de hoje nos diz que esta não deve ser a ordem da nossa vida. Pelo contrário, ensina-nos que os tesouros que temos de juntar devem estar no céu. E outra coisa: ninguém sabe quantos dias viverá nesta Terra, não sabemos quantos anos durará nossa vida. O que será de tudo o que juntarmos se tivermos um grande tesouro, uma poupança cheia aqui na Terra, e nada no céu?
Não se mede um homem, nem se mede a grandeza de uma alma ou a nobreza de um coração por aquilo que ele possui, mas por aquilo que ele é. Mede-se um ser humano por sua dignidade diante de Deus; pelos valores espirituais, pelos valores humanos que ele cultivou em toda a sua vida.
Por isso, meus irmãos, trabalhemos honestamente, busquemos o pão de cada dia, busquemos dar o melhor para que a nossa vida seja estável, mas não façamos disso a razão da nossa existência. Há muita dignidade na pobreza vivida de forma honrada, assim como há muita vergonha em uma riqueza acumulada de forma muito desequilibrada, ambiciosa e cobiçando todas as coisas.
Que Deus nos dê bom senso, juízo e retidão. Que o Senhor nos ensine a fazer a Sua vontade.
Deus abençoe você!
Padre Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova
Fonte: Canção Nova em 21/10/2013

Oração Final
Pai Santo, nós damos graças pelos inefáveis dons da vida e da fé que recebemos de teu Amor Paternal. Dá-nos discernimento e coragem para fazermos nossa opção radical de vida pelo seguimento do Cristo Jesus, o teu Verbo que se fez humano como nós e contigo reina na unidade do Espírito Santo.
Fonte: Arquidiocese BH em 21/10/2013

ORAÇÃO FINAL
Pai Santo, nós damos graças pelos inefáveis dons da Vida e da Fé que recebemos de teu Amor paternal. Dá-nos discernimento e coragem para fazer nossa opção radical de vida pelo seguimento do Cristo Jesus, o teu Verbo que se fez humano como nós e contigo reina na unidade do Espírito Santo.

LITURGIA DIÁRIA - 21/10/2019


Tema do dia

«TENHAM CUIDADO COM QUALQUER TIPO DE GANÂNCIA.»

Na sua Carta aos Romanos, o apóstolo Paulo assegura que o crédito concedido a Abraão por sua fé – ele estava plenamente convencido de que Deus podia realizar o que havia prometido – será igualmente concedido a nós, que acreditamos em Jesus Cristo, ressuscitado dos mortos.

Oração para antes de ler a Bíblia


Meu Senhor e meu Pai! Envia teu Santo Espírito para que eu compreenda e acolha tua Santa Palavra! Que eu te conheça e te faça conhecer, te ame e te faça amar, te sirva e te faça servir, te louve e te faça louvar por todas as criaturas. Fazei, ó Pai, que pela leitura da Palavra os pecadores se convertam, os justos perseverem na graça e todos consigamos a vida eterna. Amém.

2ª-feira da 29ª Semana Do Tempo Comum
Cor: Verde


Primeira Leitura (Rm 4,20-25)
29ª Semana do Tempo Comum - Segunda-feira - 21/10/2019

Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos.

Irmãos, 20diante da promessa divina, Abraão não duvidou por falta de fé, mas revigorou-se na fé e deu glória a Deus, 21convencido de que Deus tem poder para cumprir o que prometeu.
22Esta sua atitude de fé lhe foi creditada como justiça. 23Afirmando que a fé lhe foi creditada como justiça, a Escritura visa não só à pessoa de Abraão, mas também a nós, pois a fé será creditada também a nós que cremos naquele que ressuscitou dos mortos Jesus, nosso Senhor. 25Ele, Jesus, foi entregue por causa de nossos pecados e foi ressuscitado para nossa justificação.

- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.


Responsório (Lc 1,69-75)
29ª Semana do Tempo Comum - Segunda-feira - 21/10/2019

— Bendito seja o Senhor Deus de Israel, porque a seu povo visitou e libertou.
— Bendito seja o Senhor Deus de Israel, porque a seu povo visitou e libertou.

— Fez surgir um poderoso Salvador na casa de Davi, seu servidor, como falara pela boca de seus santos, os profetas desde os tempos mais antigos.
— Para salvar-nos do poder dos inimigos e da mão de todos quantos nos odeiam. Assim mostrou misericórdia a nossos pais, recordando a sua santa Aliança.
— E o juramento a Abraão, o nosso pai, de conceder-nos que, libertos do inimigo, a ele nós sirvamos sem temor em santidade e em justiça diante dele, enquanto perdurarem nossos dias.


Evangelho (Lc 12,13-21)
29ª Semana do Tempo Comum - Segunda-feira - 21/10/2019


Para quem ficará o que tu acumulaste?

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 13alguém, do meio da multidão, disse a Jesus: “Mestre, dize ao meu irmão que reparta a herança comigo”.
14Jesus respondeu: “Homem, quem me encarregou de julgar ou de dividir vossos bens?” 15E disse-lhes: “Atenção! Tomai cuidado contra todo tipo de ganância, porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas, a vida de um homem não consiste na abundância de bens”.
16E contou-lhes uma parábola: “A terra de um homem rico deu uma grande colheita. 17Ele pensava consigo mesmo: ‘Que vou fazer? Não tenho onde guardar minha colheita’. 18Então resolveu: ‘Já sei o que fazer! Vou derrubar meus celeiros e construir maiores; neles vou guardar todo o meu trigo, junto com os meus bens. 19Então poderei dizer a mim mesmo: Meu caro, tu tens uma boa reserva para muitos anos. Descansa, come, bebe, aproveita!’ 20Mas Deus lhe disse: ‘Louco! Ainda nesta noite, pedirão de volta a tua vida. E para quem ficará o que tu acumulaste?’ 21Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não é rico diante de Deus”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.


Oração para depois de ler a Bíblia


Dou-Te graças, meu Deus, pelos bons propósitos, afetos e inspirações que me comunicastes nesta meditação; peço-Te ajuda para colocá-los em prática. Minha Mãe Imaculada, meu protetor São José e Anjo da minha guarda, intercedem todos por mim. Amém.

HOMÍLIA DIÁRIA, COMENTÁRIO E REFLEXÃO DO EVANGELHO DO DIA 20/10/2019

ANO C


29º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Ano C - Verde

“O Filho do homem, quando vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?”

Lc 18,1-8

Ambientação

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: A liturgia de hoje sugere dois temas relevantes: a força da oração e a importância da Sagrada Escritura. Atendendo ao apelo que Jesus nos fará de rezar sempre e, em conformidade com o seu pedido de evangelizar todas as nações, procuremos, pelo testemunho, demonstrar o mandamento maior do amor que à Ele nos identifica.

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL O POVO DE DEUS: Irmãos e irmãs, pouco a pouco vamos nos aproximando do final do ano litúrgico e o Senhor nos oferece a oportunidade de nos reunirmos em seu nome para elevar ao Pai nossa grande e solene oração de ação de graças, expressão maior de nossa fé. Queremos que por ocasião da vinda gloriosa do Senhor, Ele nos encontre todos perseverantes na oração. Entreguemo-nos, pois, confiantes ao Senhor que escuta nossa prece e que nos guarda como a pupila de seus olhos.

INTRODUÇÃO DO WEBMASTER: O tempo da expectativa pela última vinda de Cristo é o tempo da fé e da oração. "Quando o Filho do homem vier, encontrará fé sobre a terra?" (Lc 18,8). Fé e oração estão intimamente unidas. Se é verdade que para orar é preciso crer, também para crer é preciso orar. A oração perseverante é expressão e alimento da fé em Deus. O dirigir-se a Deus explicitamente é ato de fé nele, como pessoa sempre presente e distinta de qualquer outra realidade.

A TODOS OS POVOS

Dentro do “mês missionário extraordinário”, celebramos hoje o Dia Mundial das Missões, da Juventude Missionária e da Santa Infância. Em todo o mundo, as comunidades católicas promovem iniciativas especiais para difundir a “cultura missionária” na Igreja, a oração e o apoio concreto aos missionários e suas atividades.
O Papa Francisco quis que este mês de Outubro fosse um “mês missionário extraordinário”, para reavivar em todas as comunidades e em todos os católicos a consciência de que somos um povo missionário, ciente de que “a messe é grande e os operários são poucos” e também que a responsabilidade missionária não é de uns poucos abnegados heróis, mas de todo o povo cristão. Não somos uma Igreja que já fez o que tinha que fazer... Temos muito a fazer para que o Evangelho de Cristo chegue a todos os povos e em toda parte.
Na virada do milênio, o Papa S.João Paulo II escreveu na sua Carta Apostólica “Novo millenio ineunte” (Entrando no Novo Milênio): “Longe de estar acabada, a missão da Igreja está apenas no seu início”! Para cada geração precisa recomeçar a missão evangelizadora, quer aqui perto, quer lá longe, em “terras missionárias”. Se não se fizer assim, a fé esfria e acaba morrendo.
Isso vale muito especialmente para os nossos dias, quando vemos aumentar o esfriamento da fé e da prática religiosa também entre os católicos. Quando já não se transmite mais a fé e a prática religiosa em casa, no seio da família, muitos não se casam na Igreja e não batizam mais os filhos. Nessas situações, é preciso retomar o trabalho missionário também nos lugares onde a maioria era católica.
Nosso sínodo arquidiocesano tem um propósito missionário e, após promover uma ampla tomada de consciência sobre a situação religiosa e pastoral da Arquidiocese de São Paulo, proporá uma “conversão e renovação missionária”, a ser desenvolvida nos próximos anos. Damo-nos conta de que nossa Igreja na metrópole paulistana precisa muito de uma nova ação e atitude missionária.
Neste Domingo, rezemos por todos os missionários e, de maneira especial, pelos missionários que estão atuando em frentes missionárias no Norte do Brasil, ou em outras áreas. E façamos um gesto concreto bem generoso de apoio ao trabalho dos missionários na Coleta para as Missões. Com nosso apoio, os missionários podem continuar seu trabalho também em nosso nome.
Cardeal Odilo P. Scherer
Arcebispo de São Paulo

Comentário do Evangelho

Deus socorre e defende os que sofrem injustiças.

Que o Cristo virá, isto é uma certeza. Aliás, glorioso, ele vem continuamente ao nosso encontro e se oferece para o nosso reconhecimento e acolhida: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo” (Ap 3,20). Se a vinda de Cristo é certa, é garantido que ele encontrará fé sobre a face da terra? (cf. v. 8). A finalidade da parábola é exortar os discípulos a perseverarem na oração (cf. v. 1). O capítulo precedente (c. 17) oferece o quadro para poder compreender esta parábola: por causa da perseguição em razão da fé, é preciso rezar sempre para “não cair no poder da tentação”, nem desanimar. É preciso rezar sempre para manter vivo o testemunho.
A parábola não é uma descrição fiel da realidade. Ela visa, sem se preocupar com a lógica da descrição, transmitir uma mensagem. A caracterização do juiz que “não temia a Deus, nem respeitava homem algum” (v. 2), isto é, que procede arbitrariamente não levando em consideração nem Deus nem os homens, serve para enfatizar a importância da perseverança da súplica da viúva e ressaltar o cuidado de Deus para com os seus escolhidos (cf. vv. 7-8a). A finalidade da parábola é mostrar que Deus não abandona os que ele escolheu; é ele quem os socorre e defende. A Comunidade que o Cristo reúne deve ser perseverante na oração. A oração sustenta o testemunho de toda a Igreja e nutre o dinamismo missionário da Comunidade eclesial (ver: At 2,42-47; 12,1-19). O “atraso da parúsia” é um convite a viver a adesão da fé através da fidelidade do testemunho pela palavra e pela ação que acompanha o anúncio cristão.
Moisés, sobre a montanha, com as mãos levantadas, garantia a vitória de Israel sobre os amalecitas (Ex 17,8-13); enquanto Pedro está na prisão, em razão de sua fé, “a Igreja fazia ardentemente oração a Deus em favor dele” (At 12,5). No contexto da paixão, no monte das Oliveiras, Jesus adverte os seus discípulos: “Por que estais dormindo? Levantai-vos e orai, para não cairdes no poder da tentação” (Lc 22,46). A fé, nutrida pela oração, é a acolhida da salvação na qual se põe o destino de todo homem. É na fé, que sustenta a missão da Igreja, que, peregrinos neste mundo, vivemos em comunhão com Deus. A vivência da fé passa e passará por provações e perseguições, por isso é preciso rezar sem jamais desanimar (cf. v. 1).
Carlos Alberto Contieri,sj
Oração
Pai, faze-me pobre e simples diante de ti, de modo que minhas súplicas sejam atendidas, pois jamais deixas de atender a quem se volta para ti na humildade de coração.
Fonte: Paulinas em 20/10/2013

Vivendo a Palavra

Muito mais do que fazia aquela viúva, que apelava para o juiz injusto, Jesus nos ensina a entregar nas mãos misericordiosas do Pai do Céu a nossa vida, os nossos sonhos e a nossa disposição de viver fraternalmente na Comunhão dos Santos - a sua Igreja –, sendo nela sinal do Reino de Amor.
Fonte: Arquidiocese BH em 20/10/2013

VIVENDO A PALAVRA

Muito mais do que fazia aquela viúva, que apelava para o juiz injusto, Jesus nos ensina a entregar nas mãos misericordiosas do Pai do Céu a nossa vida, os nossos sonhos e a nossa disposição para viver fraternalmente na Comunhão dos Santos – a sua Igreja –, sendo nela sinal do Reino de Amor.

Reflexão

INSTINTO DE ORAÇÃO

Palavra de Jesus: “É necessário rezar sempre, sem nunca desistir”. Mas será que o mundo de hoje ainda sabe rezar? Pesquisas realizadas anos atrás constatam um fato surpreendente: reza-se mais do que se poderia esperar.
São muitos os que rezam como Jesus manda. Mas ninguém esperaria que até muitos ateus rezassem. Naturalmente, eles não acreditam em Deus, mas, como um deles disse, “se existe, Deus vai me atender”. Quer dizer que muitos nem sabem a quem dirigir sua oração, porém a assumem como valor positivo.
O coração humano nunca vai se conformar com o vazio, com o “nada eterno” ou com o céu despovoado, nem fica satisfeito em fazer da oração um diálogo consigo mesmo, mas almeja uma relação de abertura e diálogo com o infinito.
Sai em busca do outro, de alguém mais forte – não disposto a possuí-lo e explorá-lo –, para com ele estipular uma espécie de nova aliança, a fim de enfrentar as ameaças do hoje atribulado e do amanhã repleto de mistérios.
Percebe-se desse modo que nem o ateísmo nem o materialismo e o consumismo conseguiram destruir o desejo de rezar. E jamais conseguirão, pois o instinto de oração está tão enraizado em nós quanto o instinto de sobrevivência.
Contudo o recado de Jesus – rezar sem nunca desistir – tem para os cristãos um sentido extraordinariamente elevado. Ele nos sugere que nossa oração não pode ser só verbalizada, isto é, feita de palavras, mas deve ser existencial. Em outros termos, nossa existência e nossa maneira de ser e agir é que precisam transformar-se em oração agradável a Deus.
Então, podem mudar governos, partidos políticos e cultura. Nós, porém, ficaremos firmes na fé e em nossa atitude de oração, mantendo os braços levantados, assim como Moisés, até o fim do dia. Até o fim dos tempos.
Pe. Virgílio, ssp
Fonte: Paulus em 20/10/2013

Reflexão

Na caminhada para Jerusalém, Jesus continua formando seus seguidores. O ensinamento deste domingo é sobre a necessidade da oração e o fortalecimento da fé. Essas duas realidades – oração e fé – parecem andar juntas. O texto inicia com a oração e conclui com a fé. O evangelista apresenta o caso de uma pobre viúva, sem apoio de nenhum homem. Viúva no tempo de Jesus é protótipo de pessoa pobre, juntamente com órfãos e estrangeiros. Essa viúva busca um juiz para que lhe faça justiça. Depois de muita insistência, o juiz atende o apelo da mulher. Como sempre, é muito difícil os pobres serem atendidos. Nesse sentido, vale a pena perguntar o que fazemos diante das injustiças que se cometem contra os empobrecidos todo santo dia. Oxalá eles ainda mexam conosco! O exemplo dessa pobre viúva deve nos incentivar a depositar nossa confiança em Deus, justo juiz, e a nunca esmorecer diante das necessidades dos pobres. A fé pode enfraquecer quando deixamos de orar e não nos solidarizar com os necessitados. A oração e o engajamento no compromisso com o Reino de Deus certamente fortalecerão nossa fé. Como nos diz Tiago em sua carta: a fé sem obras é morta (2,26).
(Dia a dia com o Evangelho 2019 - Pe. Luiz Miguel Duarte, ssp)

Meditação

Você se dirige a Deus com persistência e também paciência? - Reza com fé e com conhecimento de que o importante é estar com a vida voltada para o Reino de Deus? - Procura colocar tudo nas mãos de Deus? - Notemos: o importante é não desanimar e não ter medo. Deus é Pai e nos ama com amor infinito.
Padre Geraldo Rodrigues, C.Ss.R.
Fonte: a12 - Santuário Nacional em 20/10/2013

Meditando o evangelho

A ORAÇÃO DO POBRE

Com a parábola da pobre viúva, vítima da injustiça, Jesus ensinou seus discípulos a orar sem esmorecer. A oração incessante, porém, é própria de quem tem um coração de pobre.
De propósito a personagem central da parábola é uma pessoa triplamente marginalizada: por ser mulher, pobre e viúva. Sendo mulher, sua denúncia contra o injusto adversário carecia de valor. Sendo pobre, faltavam-lhe recursos materiais para mover um processo contra o opressor. Sendo viúva, não tinha marido, um homem para apoiá-la no seu pleito. Estava só, na sua fraqueza, diante de um juiz a quem competia fazer-lhe justiça. Pior ainda, tratava-se de um juiz desonesto, sem temor de Deus nem respeito pelas pessoas. A pobre viúva encontrava-se, pois, numa situação totalmente adversa. Entretanto, estava disposta a fazer valer os seus direitos. E conseguiu, por causa de sua obstinação.
Algo semelhante acontece na oração. Só recorre a Deus, com perseverança, quem se sente pobre, indefeso, consciente de que só dele provém o socorro. Não existe outra esperança. É nesta condição de total indigência que o fiel volta-se para Deus. Anima-o a absoluta certeza de ser atendido. Daí sua obstinação.
Jesus garante que o Pai está sempre pronto a acolher a oração do pobre, mesmo que o faça esperar. É necessário apenas perseverança!
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado no Portal Dom Total).
Oração
Espírito de perseverança na oração, dá-me um coração de pobre, que se volta para o Pai, consciente de que só ele pode vir em socorro de minhas necessidades.

Liturgia comentada

Bem depressa... (Lc 18, 1-8)
Nos dois pólos da parábola, uma pobre viúva injustiçada e um juiz iníquo. Nada mais atual! Pobres espoliados de seus direitos e magistrados corrompidos...
E o tempo que passa. Dia após dia. Semana após semana. Ano após ano. Da parte do juiz, a mesma iniquidade. Do lado da viúva, a invencível perseverança...
Gosto de imaginar que aquela pobre mulher tinha alugado uma terrinha, ou um imóvel, parte da herança deixada pelo finado marido, e o inquilino ganancioso se recusava a pagar os aluguéis. Por isso, ia ao juiz e não desanimava de reivindicar os seus direitos. Até que o homem mau se cansa. É sempre assim. O bem é incansável. O mal tem fôlego curto. E o juiz, que sabe muito bem de sua maldade – “Não temo a Deus nem respeito os homens!” (cf. v. 4) -, começa a temer por uma reação mais forte da pobre viúva e, quando menos se esperava, dá-lhe uma sentença favorável. Faz-se, enfim, a justiça.
A situação da parábola é, agora, utilizada por Jesus para uma lição magistral: se um homem tão ruim acabou fazendo justiça, diante da insistência da velhinha, quanto mais nos fará justiça o Pai do céu, que é bom e justo? Logo, da parte de Deus nada temos a temer. Mas...
Sim, o problema está do nosso lado: somos capazes de perseverar na oração até o tempo da resposta de Deus? Ora, ninguém persevera se não tem a fé. Daí a dúvida de Jesus (a única dúvida do Mestre em todos os Evangelhos!): “Mas, quando vier o Filho do Homem, acaso ainda achará fé sobre a terra?”
Em todo caso, Jesus nos anima com a garantia: Deus nos atenderá “bem depressa”. Mesmo que não possamos avaliar exatamente o que seja “bem depressa” para um Deus que vive imerso na eternidade (onde não há relógios nem minutos), podemos estar certos de que seremos atendidos “nesta vida”.
Mergulhados na História até o pescoço, temos nosso olhar voltado para o eterno. Peregrinamos na terra, mas somos cidadãos do céu. Não devemos achar caro, como preço da eternidade com Deus, o tempo de espera (e esperança) que gastamos cá em baixo.
Como diz o Senhor no Apocalipse: “Sim, eu venho em breve.” A este anúncio, nós respondemos: “Amém. Vem, Senhor Jesus!” (Ap 22, 20.)
Orai sem cessar: “Antes mesmo que clamem, eu lhes responderei; quando ainda estiverem falando, eu os terei ouvido! (Is 65, 24)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.
santini@novaalianca.com.br
Fonte: NS Rainha em 20/10/2013

COMENTÁRIO

ORAÇÃO, FÉ E ESCRITURAS

I. INTRODUÇÃO GERAL

A liturgia de hoje sugere dois temas importantes: a força da oração (1ª leitura e evangelho) e a importância da S. Escritura (2ª leitura), mas ambos têm o mesmo pano de fundo: a esperança da salvação em Jesus. Para a reflexão (e a homilia) vamos insistir mais no segundo tema, por ele ter uma atualidade especial no momento atual da América Latina. Nosso continente, de fato, está conhecendo desde alguns anos um verdadeiro movimento de redescoberta (católica e ecumênica) da Bíblia e, neste particular, se sabe incentivado pelo Concílio Vaticano II, retomado na Exortação Verbum Domini do Papa Bento XVI.

II. COMENTÁRIO DOS TEXTOS BÍBLICOS

1. I leitura (Ex 17,8-13)

Na batalha contra os amalecitas, quem decide da vitória não é Josué, o general, mas Moisés, o homem de Deus, que reza de braços estendidos desde a manhã até a noite. Como toda boa catequese, também a de Israel gostava de histórias que falassem à imaginação. Assim é esta história, que conta como Moisés conseguiu a vitória de seu general Josué sobre os amalecitas, os eternos inimigos de Israel. Enquanto Moisés, segurando o bastão de força divina, ergue as mãos por cima dos combatentes, Israel ganha. Quando ele baixa os braços, Israel perde. Então, escoram a Moisés com uma pedra e sustentam-lhe os braços erguidos, até o pôr do sol, quando a batalha é decidida em favor de Israel. A história não diz se o gesto de Moisés significava oração, bênção sobre Israel ou esconjuro do inimigo, mas, sendo Moisés o enviado de Deus, é evidente que se tratava de uma maneira de tornar a força do Senhor presente no combate. O gesto pode bem significar que Deus mesmo é o general do combate. O próprio gesto de levantar as mãos indica o relacionamento com o Altíssimo. Levantar as mãos a Deus sem cansar, eis a lição da 1ª leitura. O salmo responsorial comenta, nesse sentido, o levantar os olhos (Sl 121[120]).

2. Evangelho (Lc 18,1-8)

No mesmo sentido, o evangelho narra uma dessas parábolas provocantes bem ao gosto de Lucas. É a história da oração insistente da viúva. Uma viúva pleiteia seu direito junto a um juiz pouco interessado, provavelmente comprometido com o outro partido. Porém, no fim lhe faz justiça, não por virtude e amor à justiça, mas por estar cansado da insistência da viúva. Quanto a nós, embora saibamos que Deus gosta de nos atender (não é como o juiz!), Jesus nos encoraja a cansar Deus com nossas orações! Mas, para isso, precisa fé. Ora, acrescenta Lc: será que o Filho do Homem encontrará ainda fé, na terra, quando ele vier…?
Jesus ensinou a rezar pela vinda do Reino; mas quando esta vinda se completar, na parusia do Filho do Homem, encontrar-se-á ainda fé na terra? (Lc 18,9; cf. 2Tm 4,1). Por isso, até lá, é tempo de oração. Devemos reconhecer a carência em que vivemos e assumi-la na oração insistente. Se não clamarmos a Deus para fazer justiça, sua vinda nos encontrará sem fé.
Lucas escreve no último quartel do século I. A fé está enfraquecendo. A demora da Parusia, as perseguições, as tentações da “civilização” do império romano eram tantos fatores que colaboravam para enfraquecer a fé. Os cristãos, vivendo num mundo inimigo, esperavam a Parusia como o momento em que Deus faria justiça em favor dos pequenos e oprimidos. Seria o Dia do Senhor. Mas estava demorando! Rezavam: “Venha teu Reino!” (Lc 11,2). Por outro lado, sabiam também que é difícil aguentar a pressão: “Não nos deixes cair em tentação” (11,4). Por isso, Lucas pergunta: se continuar assim, não terão todos caído quando o Filho do Homem vier? (Lc 18,8). Talvez isso seja uma advertência pedagógica, para insistir na necessidade de guardar a fé até que venha o Filho do Homem. 1Pd 3,9 está às voltas com o mesmo problema, mas oferece outra interpretação: Deus demora porque está dando chances para a gente se converter.

3. II leitura (2Tm 3,14-4,2)

A mensagem da 2ª leitura completa a das duas outras. Não apenas nossa oração deve ser insistente, não apenas devemos guardar a fé; devemos insistir também na pregação da palavra do Evangelho, oportuna ou inoportunamente!
A fé é uma graça de Deus, mas também algo que a gente aprende, tanto o conteúdo quanto a atitude. Isso vale, sobretudo, para quem tem responsabilidade na comunidade. Sua fé deve crescer pela leitura da S. Escritura (2Tm 3,14-16), pela experiência vital e pela desinteresseira transmissão da Palavra, traduzida novamente para cada geração. A palavra de Deus atinge as pessoas através dos seus semelhantes. Só o convicto consegue convencer. Daí a solene admoestação dirigida a Timóteo (2Tm 4,1-2): “Eu te peço com insistência: proclama a palavra, insiste oportuna ou inoportunamente…”.
Alguns anos atrás, na crise da secularização, procurava-se não incomodar o homem “urbano moderno” com a expressão franca da identidade cristã. Se alguém, prudentemente, expressasse uma exigência cristã, o interlocutor respondia, com um sorriso de compaixão: “Eu achava que o senhor fosse esclarecido!”. Por isso tornou-se comum esconder a visão cristã. Contudo, sobretudo agora, diante do sumiço da visão cristã, é melhor não ficar dando voltas, mas insistir, mesmo inoportunamente, naquilo que o evangelho diz ao mundo. O tempo é breve. Se julgamos dever respeitar o homem moderno por ser secularizado, devemos também lembrar que ele é, sobretudo, objetivo e não gosta de rodeios, mas quer logo saber qual é o assunto! Por isso, sejamos claros. Não se trata de fanatismo (que é disfarce da insegurança), mas de clareza e sadia insistência. Paulo aconselha exteriorizarmos nossa convicção (2Tm 4,2), sobretudo porque o evangelho que ele propõe é o da “graça e benignidade de Deus, nosso Salvador” (Tt 3,4; cf. 2,11).
Para isso, é necessário que o evangelizador “curta”, pessoalmente, toda a riqueza da Palavra e a sua expressão nas Sagradas Escrituras – inclusive do Antigo Testamento, que fornece a linguagem em que Jesus moldou seu evangelho. Tudo isso é obra do Espírito de Deus (2Tm 3,16).

III. PISTAS PARA REFLEXÃO

A Sagrada Escritura: a reflexão pode aprofundar o tema da 2ª leitura, que reforça o que o evangelho diz sobre a oração: a assiduidade na leitura da Escritura (2Tm 3,14-16). Antigamente, os protestantes se distinguiam dos católicos porque, como se dizia, eles “liam a Bíblia”. De uns tempos para cá, isso mudou. Agora, a Bíblia faz parte também do lar católico, e isso não só para ficar exposta sobre um belo suporte de madeira entalhada… O Concílio Vaticano II nos exorta a ler a Sagrada Escritura, usando as mesmas palavras de Paulo na 2ª leitura de hoje: a Escritura “comunica a sabedoria que conduz à salvação”, “é inspirada por Deus e pode servir para denunciar, corrigir, orientar”. E a recente Exortação apostólica Verbum Domini do Papa Bento XVI diz que a leitura das Escrituras deve ser a alma de toda a pastoral.
Ora, essa recomendação de Paulo e do Concílio deve ser interpretada como convém. Não significa que cada palavrinha isolada da Sagrada Escritura seja um dogma. A Escritura é um conjunto de diversos livros e textos que devem ser interpretados à luz daquilo que é mais central e decisivo, a saber: o exemplo de vida e o ensinamento de Jesus – aquilo que faz Cristo crescer em nós e em nossa comunidade.
O centro e o ponto de referência de toda a Sagrada Escritura são os quatro evangelhos. Em segundo lugar vêm os outros escritos do Novo Testamento (as Cartas e os Atos dos Apóstolos), que nos mostram a fé e a vida que os discípulos de Jesus quiseram transmitir. A partir daí podemos compreender como deve ser interpretada a Bíblia toda, com inclusão do Antigo Testamento, para que nos manifeste, mediante a fé em Jesus Cristo, a “sabedoria que conduz à salvação” (2Tm 3,15). A recomendação de Paulo a Timóteo para que leia as Escrituras refere-se ao Antigo Testamento, as Escrituras de Israel (pois o Novo ainda não tinha sido posto por escrito); à luz de Cristo, essa leitura se torna caminho de salvação. Quanto a nós, o Novo Testamento nos fala de Jesus, e o Antigo se torna leitura salvífica em Jesus, que, como verdadeiro “filho de Israel”, mostrou a plenitude do Antigo e o levou à perfeição. Jesus usou as palavras do Antigo Testamento para rezar e para anunciar a Boa-nova do Reino. Sem conhecer o Antigo Testamento, não entendemos a mensagem de Jesus conservada no Novo. “Quem não conhece as Escrituras, não conhece Cristo” (S. Jerônimo).
Jesus é a chave de leitura da Bíblia. Isso é muito importante para não fazermos de qualquer frase do Antigo (e nem do Novo) Testamento um dogma definitivo! A lei do sábado, por exemplo, deve ser interpretada com esse profundo senso de humanidade que tem Jesus: o sábado é para o homem, não o homem para o sábado. As ideias de vingança, no Antigo Testamento, à luz de Jesus aparecem como atitudes provisórias e a serem superadas. Todos os trechos da Bíblia, por exemplo as parábolas de Jesus, devem ser entendidos dentro do seu contexto e conforme seu gênero e intenção. Não devem ser tomados cegamente ao pé da letra. Muitas vezes apresentam imagens que querem exemplificar um só aspecto, mas não devem ser imitados em tudo (cf. o administrador esperto, no 25º domingo do tempo comum).
Por outro lado, importa ler a Sagrada Escritura no horizonte do momento presente, interpretá-la à luz daquilo que estamos vivendo hoje. Sem explicação e interpretação, a Bíblia é como faca em mão de criança, ou como remédio vendido sem a bula: pode até matar! Ora, a interpretação deve se relacionar com a vida do povo. Por isso, o próprio povo deve ser o sujeito dessa interpretação, mediante círculos bíblicos e outros meios adequados.
Pe. Johan Konings, sj
Nascido na Bélgica, reside há muitos anos no Brasil, onde leciona desde 1972. É doutor em Teologia e licenciado em Filosofia e em Filologia Bíblica pela Universidade Católica de Leuven (Lovaina). Atualmente, é professor de Exegese Bíblica na Faje, em Belo Horizonte. Entre outras obras, publicou: Descobrir a Bíblia a partir da liturgia; A Palavra se fez livro; Liturgia dominical: mistério de Cristo e formação dos fiéis – anos A - B - C; Ser cristão; Evangelho segundo João: amor e fidelidade; A Bíblia nas suas origens e hoje.
E-mail: konings@faculdadejesuita.edu.br.
Fonte: Vida Pastoral em 20/10/2013

COMENTÁRIO

O meu socorro vem do Senhor

Pode acontecer que na nossa vida nos questionemos: será que a oração funciona mesmo? Será que Deus escuta mesmo quem reza? Estas perguntas aparecem quando Deus parece não reagir diante da nossa súplica ou quando não nos damos conta de sua ação, como por exemplo, quando fazemos uma oração fervorosa, e depois de obtida a graça, não a consideramos como fruto da oração. E isto nos leva a pensar que se a oração for realmente inútil, para que perdermos tanto tempo com ela?
Justamente por causa dessas dúvidas, é que a liturgia dominical insiste tanto em tratar o tema da oração. O Evangelho quer mostrar o quanto a oração é essencial na vida do cristão, através de relatos onde o próprio Jesus reza ou quando ele nos orienta na prática da oração. Ele diz para que nossa oração seja eficaz, nós devemos: amar os nossos inimigos e rezar pelos que nos perseguem, rezar ao Pai “no segredo”, perdoar do fundo do nosso coração a quem nos ofendeu, rezar com audácia na certeza do obter e com plena adesão à vontade de Deus.
Na I leitura de hoje, vemos o esforço de Moisés em manter as mãos levantadas para vencer a batalha; no Evangelho, com a parábola da viúva importuna, Jesus nos exorta à paciência da fé, necessária quando nossa oração parece não ouvida e inútil.
No tempo de Jesus, a mulher viúva ficava numa situação muito difícil, sem meios para viver e sem proteção. A viúva do relato de Jesus tem necessidade de ser defendida e por isso, se dirige ao juiz. Mas, o juiz da sua cidade não tem interesse algum em ouvi-la. Pois, ele sabe que aquela pobre mulher não pode pagar-lhe um preço alto e ele não quer perder seu tempo por uma causa que não dê muito lucro. Ele não se importa de maneira alguma com a situação da viúva, é totalmente indiferente, e recusa ouvi-la.
A viúva, porém, não perde a esperança: todos os dias, volta a apresentar-se ao juiz, repetindo sempre a mesma coisa: “faz-me justiça contra o meu adversário!”. Os dias passam e o juiz já não aguenta mais aquela viúva importuna. Por um tempo, ele até faz de conta não se incomodar, mas um dia ele cansa-se de ouvir aquele aborrecimento e pensa: “mesmo não temendo a Deus, nem respeitando ninguém, não suporto mais esta viúva acabando com a minha paciência, e por isso, vou fazer-lhe justiça para que ela me deixe em paz”.
Muitas vezes nos comportamos exatamente como esse juiz, e por isso, entendemos bem a parábola: a quem nos pede um favor que não queremos fazer, damos um sim pra ficarmos livres, que no final das contas, fazemos pensando em nós mesmos. Um comportamento destes não é próprio do coração de Deus.
Jesus termina de contar a parábola e pergunta aos discípulos: “vocês ouviram o que diz este juiz injusto? Pois bem, se até mesmo um juiz desonesto decide atender uma viúva para não ser mais incomodado por ela, como pensam que se comportará Deus que é Pai com relação aos filhos que imploram a ele? Eu lhes digo que Deus fará justiça bem depressa”.
Se não rezarmos, estamos dizendo a Deus que ele é impotente. É necessário que rezemos pacientemente, incessantemente. Entretanto, nós temos de ser conscientes de que não podemos prescrever quando e como ele nos atenderá. Uma coisa sabemos: Ele nos fará justiça. Deus pode nos provar por um longo tempo, mas também pode intervir de modo rápido e inesperado.
Temos que ser pacientes no esperar. Esperar não é opção. Todos vamos ter que esperar e não sabemos por quanto tempo. É como nós esperamos que fazemos a diferença. Muitas vezes, ficamos esperando em Deus, quando na realidade é Deus quem está esperando por nós. Deus não vai mudar de ideia nunca com a nossa teimosia. Há um tempo para tudo, Deus faz as coisas conforme o pensamento dele, nunca conforme o nosso. Somos viciados na satisfação imediata. Hoje em dia não queremos esperar por nada.
Por isso, Jesus faz a pergunta: “mas o Filho do homem, quando vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?” com esta pergunta, Jesus quer dizer que Deus é sempre fiel, menos segura é a capacidade que nós seres humanos temos de mantermos a fé em Deus em todas as provas. Se não formos pacientes no esperar, então não poderemos ser alcançados pelo socorro do Senhor. A pergunta de Jesus é um convite a ficarmos unidos a Deus por meio da oração confiante.
Pe. ulrish pais
Sacerdote de Lisboa
Fonte: Google+ em 20/10/2013

COMENTÁRIOS DO EVANGELHO

1. Virtudes e Esperança
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Diácono José da Cruz - Diácono da Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP)

Já vi escrito em muito para-choque de caminhão, que “O pobre vive de teimoso”, uma frase que embora irônica tem um fundo de verdade, pois teimosia nesse caso, é sinônimo de perseverança, paciência e esperança, virtudes que são na verdade o tempero da nossa fé, porque a fé que não persevera, que não é paciente e não traz no coração a esperança, é morta, pois segundo São Tiago, a Fé deve ser sempre vivenciada e transformada em obras. No olhar do pobre encontramos um brilho de esperança, basta ver as filas em busca de algum benefício nos bancos ou em repartições públicas, ou até mesmo em fila de liquidação nas grandes lojas, o pobre é capaz de varar o dia, a noite e a madrugada, para guardar um lugar, sempre esperançoso de alguma melhora ou benefício.
Não se quer dizer que estas virtudes sejam exclusivas do pobre, mas é que o rico não tem muita paciência e perseverança e nem seria necessário, uma vez que o dinheiro compra tudo nesta vida, fazendo com que o rico coloque toda sua segurança em seu patrimônio e no dinheiro e, portanto, essas virtudes sempre nascem e são cultivadas no coração do pobre por causa da sua necessidade, que o leva a pedir. É esse o caso dessa viúva que aparece no evangelho desse domingo, pois naquele tempo não havia leis que protegiam e davam garantias à mulher, no caso do falecimento do esposo e a viuvez, junto com a orfandade, era sinônimo de desamparo e abandono, já que o parente mais próximo do falecido, apossava-se de todos os seus bens sobrando para a viúva a triste sina de viver de esmola, pois a mulher não tinha direito de propriedade.
Na lógica humana a viúva não tinha outra alternativa se não a de resignar-se com a sua sorte, pois o juiz dificilmente iria lhe fazer justiça, já que a corda sempre arrebenta do lado mais fraco. Conformismo e resignação parecem fazer parte da índole do nosso povo, que deixa o destino da nação nas mãos de certos homens inescrupulosos, sem se importar com os rumos da política ou da economia, tornando-se uma perfeita “Vaquinha de presépio”, engolindo tudo que é sapo, ignorando a sua cidadania e seus direitos essenciais. Mas não é esse o caso da viúva, ela não se conformou com o abandono e a exploração da quais as viúvas eram vítimas e resolveu “virar a mesa” indo à luta por aquilo que considerava justo. Não se sabe quantas vezes ela bateu à porta desse juiz, mas a se julgar pelo temor do magistrado, não deve ter sido só duas ou três e nem foi tão pacífica assim. Claro que exercício de cidadania não deve ser confundido com arruaça e vandalismo.
Os maus governantes sempre tremem na base, quando o povo toma consciência de seus direitos e vai à luta por eles, foi o que aconteceu com esse juiz, que não temia a Deus e nem respeitava homem algum, mas que diante da insistência e da teimosia da mulher, acabou cedendo e atendeu o seu desejo fazendo-lhe justiça contra seu adversário, que certamente queria ficar com seus bens. O evangelho nos mostra a qualidade da verdadeira oração, que não pode ser “imediatista” e onde se quer que Deus atenda o pedido “pra ontem”, as demoras de Deus requer do verdadeiro crente a paciência e confiança.
A oração também não deve ser uma forma de se forçar Deus a fazer a nossa vontade, realizando coisas, ou consertando certas situações que são de nossa única responsabilidade. A viúva soube unir oração e ação, com uma fé consciente e responsável, que crê, persevera, insiste, persiste, espera e vai à luta, para mudar o placar adverso Deus é a força e a teimosia do pobre pois ouve sempre seu clamor e jamais deixará de atendê-lo. Aquela fé mágica e comodista, de quem só quer vento a favor e espera sempre um milagre de Deus, sem mover uma só palha, é uma fé que nada constrói e nem agrega nessa vida: QUEM SABE FAZ A HORA, NÃO ESPERA ACONTECER!
José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP

2. Orar sempre - Lc 18,1-8
(O comentário do Evangelho abaixo é feito por Côn. Celso Pedro da Silva, ‘A Bíblia dia a dia 2017’, Paulinas e disponibilizado no Portal Paulinas - http://comeceodiafeliz.com.br/evangelho)

Na quinta etapa da subida para Jerusalém, Jesus explica aos discípulos a necessidade de perseverar na oração. É preciso rezar, e com insistência. O exemplo se refere à oração de pedido ou de súplica. “Deus fará justiça aos seus escolhidos que dia e noite gritam por ele.” É preciso acreditar nisso. A fé é o fundamento da vida nova do discípulo.
Quando Jesus vier na vinda definitiva, será que vai encontrar fé sobre a terra? A pergunta é feita pelo próprio Jesus aos seus discípulos. Portanto, é preciso acreditar nele, e acreditar que Deus faz justiça. O exemplo dado na parábola é provocante. Uma viúva pede a um juiz que lhe faça justiça numa questão que ela tem com alguém. O juiz não o faz. Ela insiste e persevera na insistência até que o juiz decide fazer justiça. Ele toma a decisão, dizendo: “Vou fazer-lhe justiça para que ela não venha a agredir-me”.
O exemplo mostra que nem sempre os encarregados da justiça são justos e cumprem o seu dever. Mostra também que a falta de justiça gera agressão e violência. A paz é fruto da justiça. E ensina que até mesmo diante de Deus podemos ser insistentes em nossos pedidos.
O Livro do Êxodo tem o mesmo ensinamento: a oração perseverante nos leva a vencer as batalhas. Os amalecitas atacaram Israel e Josué saiu a campo para defender o seu povo. Moisés, ajudado por Aarão e Ur, sobe a uma colina e reza de braços abertos.
Enquanto Moisés permanece de braços abertos, Josué vence a batalha. Josué perde quando Moisés se cansa e abaixa os braços. Com a ajuda de Aarão e Ur, os braços de Moisés permanecem abertos, em cruz, no alto da colina para que Josué vença a batalha. É a luta contra o mal e a vitória da cruz. Levantemos os olhos para os montes de onde nos vem o socorro do Deus que nos guarda na partida e na chegada. Levantemos os olhos para o monte onde a cruz de Cristo está fixa, enquanto a terra gira. Moisés, de braços abertos, intercedendo pelo povo é figura da única mediação, a de Cristo no Calvário.
O discípulo também é chamado a interceder com insistência e mediar junto à cruz em favor do povo. As Escrituras Sagradas nos dão a sabedoria que leva à salvação pela fé em Jesus Cristo. Prestemos bem atenção no que elas dizem e fiquemos firmes no que nos ensinam. Hoje nos ensinam que podemos pedir a Deus com insistência tudo de que precisamos. E nos ensinam também que podemos nos unir a Jesus Crucificado no alto do Calvário e interceder para que o povo todo não perca a batalha contra o mal.
Proclame a Palavra. Ela é útil para ensinar e educar na justiça, para que o mundo seja melhor. Um povo que desconhece a Palavra de Deus não se respeita e multiplica a injustiça. A injustiça gera violência e a vida se torna insuportável. O desconhecimento da Palavra de Deus embrutece a humanidade. Por isso, rezemos e proclamemos a Palavra oportuna e inoportunamente.

REFLEXÕES DE HOJE

20 DE OUTUBRO-DOMINGO


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LITURGIA DIÁRIA

Desanimar jamais!

Se suas forças estiverem se esvaindo e se você estiver cansado – peça a Deus que redobre suas forças e recobre suas energias. Desanimar jamais!

Meus queridos irmãos e irmãs, a Palavra do nosso Deus no dia de hoje, nos chama a prestar atenção em duas coisas importantes. Primeiro, na oração insistente, que é aquela com fé, e essa mesma fé nos chama à perseverança. É por isso, que o questionamento de Jesus, é este: “Será que quando ele voltar, será que quando ele vier julgar essa terra, ainda encontrará fé sobre ela?”
Não existe outro modo de chegar até Deus a não ser pela fé. Só pela fé nós podemos agradar a Deus, só pela fé nós podemos viver a vontade d’Ele em nossa vida. E o que tira, diminui ou enfraquece a nossa fé? São tantas situações e tantos ventos contrários que nos deixam, muitas vezes, desanimados e sem alento para vivê-la de forma intensa.
Nós, muitas vezes, nos cansamos e nos decepcionamos com os fatos e com as pessoas. Por vezes, parece que a fé não alcança aquilo que nós pedimos de Deus, e isso nos deixa desanimados e cansados.
A Palavra de Deus, hoje, quer ser um alento para o nosso coração e dizer, de forma bem incisiva, à nossa alma que a nossa oração deve ser constante, insistente e persistente. E para isso, Jesus nos deu o exemplo dessa pobre viúva, que importunava o juiz dia e noite. Este, para se ver livre da mulher, fez justiça a ela. Se esse juiz, maldoso, atendeu essa pobre mulher; imagine o nosso Deus se nós, dia e noite, insistirmos com Ele sem que jamais desanimemos.
Se suas forças estiverem se esvaindo e se você estiver cansado – peça a Deus que redobre suas forças e recobre suas energias. Desanimar jamais! Não desista da oração, não desista de estar em pé diante do Senhor, suplicando-Lhe dia e noite que a vontade d’Ele se faça na sua vida. Leve a oração como a coisa mais importante e mais séria da sua vida de cristão; no seu modo de se relacionar com Deus, com vontade ou sem vontade, animado ou desanimado! Não importa a forma, o importante é insistir, persistir e continuar. Precisamos “aborrecer” Deus com a força da oração!
Deus abençoe você!
Padre Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova.
Fonte: Canção Nova em 20/10/2013

Oração Final
Pai Santo, dá-nos coragem e força para trabalharmos pela Justiça e para o bem dos nossos irmãos, mas dá-nos também humildade para reconhecermos que tudo que temos e somos é dom do Teu Amor infinito. Por Jesus, Teu Filho e nosso Irmão, na unidade do Espírito Santo.
Fonte: Arquidiocese BH em 20/10/2013

VIVENDO A PALAVRA
Muito mais do que fazia aquela viúva, que apelava para o juiz injusto, Jesus nos ensina a entregar nas mãos misericordiosas do Pai do Céu a nossa vida, os nossos sonhos e a nossa disposição para viver fraternalmente na Comunhão dos Santos – a sua Igreja –, sendo nela sinal do Reino de Amor.