sábado, 28 de abril de 2012

FRASE DE SANTA CATARINA DE SENA

O Terço - Mistérios Gloriosos - Quarta-Feira e Domingo


Terço do Rosário: Mistérios Gloriosos  


São Pedro de Verona - 29 de abril


São Pedro de Verona

1205-1252

Pedro nasceu em Verona no ano de 1205. Seus pais eram hereges maniqueus, adeptos da doutrina religiosa herética do persa Mani, Manes ou Maniqueu, caracterizada pela concepção dualista do mundo, em que espírito e matéria representam, respectivamente, o bem e o mal. 
Entretanto, o único colégio que havia no local era católico e lá o menino não só aprendeu as ciências da vida como os caminhos da alma. Pedro se converteu e se separou da família, indo para Bolonha para terminar os estudos. Ali acabava de ser fundada a Ordem dos Dominicanos, onde ele logo foi aceito, recebendo a missão de evangelizar. Foi o que fez, viajando por toda a Itália, espalhando suas palavras fortes e um discurso de fé que convertiam as massas. Todas as suas pregações eram acompanhadas de graças, que impressionavam toda comunidade por onde passava. E isso logo despertou a ira dos hereges. 

Santa Catarina de Sena - 29 de Abril


Santa Catarina de SenaNeste dia, celebramos a vida de uma das mulheres que marcaram profundamente a história da Igreja: Santa Catarina de Sena. Reconhecida como Doutora da Igreja, era de uma enorme e pobre família de Sena, na Itália, onde nasceu em 1347.
Voltada à oração, ao silêncio e à penitência, não se consagrou em uma congregação, mas continuou, no seu cotidiano dos serviços domésticos, a servir a Cristo e Sua Igreja, já que tudo o que fazia, oferecia pela salvação das almas. Através de cartas às autoridades, embora analfabeta e de frágil constituição física, conseguia mover homens para a reconciliação e paz como um gigante.

IV Domingo de Páscoa (Ano B)



ivpascoa

IV Domingo de Páscoa (Ano B)

Leituras e subsídios para liturgia e homilia:

HOMÍLIA, COMENTÁRIO E REFLEXÃO DO EVANGELHO DO DIA 29/04/2012

29 de Abril de 2012 


João 10,11-18

Comentário do Evangelho

Jesus o modelo dos pastores

Jesus já havia proclamado: "Eu sou a porta do redil das ovelhas". Agora se identifica com o bom pastor. Com estas proclamações, Jesus afirma-se como o modelo para os que têm a responsabilidade de estar à frente das comunidades. 

Qualquer imagem é limitada para exprimir a realidade da missão de Jesus, que ultrapassa as nossas comuns experiências de vida. Em contraste à imagem do bom pastor é apresentada a imagem do "assalariado" (misthôtós). Esta imagem, que pode comportar certa ambiguidade, indica a situação de alguém que se coloca a serviço de outrem em troca de um salário, situação esta questionável do ponto de vista socioeconômico e dos direitos humanos. O termo pejorativo "mercenário" se aplica àquele que só se importa com o dinheiro que vai receber; na história é comum a formação de exércitos de mercenários para fazer a guerra, o que acontece, hoje, com os exércitos que estão sendo enviados para fazer a guerra no Oriente. Isto não significa que os assalariados, em geral, sejam mercenários, pois, diante da necessidade da sua sobrevivência, comumente eles se dedicam ao cumprimento dos deveres impostos pelos patrões. 

Com a imagem do assalariado mercenário é feita uma alusão aos chefes das sinagogas e do Templo de Jerusalém que rejeitam Jesus e oprimem o povo, cuidando apenas do dinheiro que sua função proporciona. Na primeira leitura, Pedro, que havia sido encarcerado, ao ser trazido diante dos membros do Sinédrio, do sumo sacerdote, de anciãos e escribas, destemidamente, acusa-os de terem rejeitado Jesus e de o terem crucificado. 
Esta imagem do mercenário é, também, uma advertência contra aqueles que, na comunidade, assumem posições de liderança por interesses pessoais, por vaidade, ou por desejo de poder. Na hora das dificuldades são omissos em seus compromissos com a comunidade. 
A imagem do "bom pastor", na parábola, se aplica àquele que cuida das ovelhas fazendo a vontade do Pai em comunhão de amor. Jesus é o bom pastor. É ele quem comunica a vida plena. Em Jesus habita o Pai, e o amor que o une ao Pai é uma fonte de vida que transborda para todos os homens e mulheres que vivem no mundo. É por este amor que somos filhos de Deus, participantes da vida divina e eterna (segunda leitura). 
Como bom pastor, Jesus conhece suas ovelhas e elas o conhecem. O conhecer as ovelhas, e ser conhecido por elas, é uma qualidade fundamental do pastor, sendo fruto do convívio e do diálogo, fortalecendo o amor. O conhecer leva à proximidade, à solidariedade, à comunhão. Ao dedicar sua vida a suas ovelhas, o pastor está comunicando vida a elas. E foi esta a missão que Jesus recebeu do Pai: como pastor, dar sua vida divina pelas ovelhas de todos os redis, sem fronteiras, sem eleições particulares e sem limites. João, já no prólogo de seu evangelho, caracteriza esta dimensão universal do dom de Jesus: Jesus é a luz verdadeira que ilumina todo homem, e a todos que o receberam deu o poder de se tornarem filhos de Deus (Jo 1,9.12). 
Para Jesus não existe massa humana amorfa. Jesus mantém uma relação pessoal e amorosa com cada um. Chama a cada um pelo nome e a cada um fala ao coração. A relação de conhecimento e amor entre Jesus e suas ovelhas é de mesma natureza que a relação entre Jesus e o Pai. Pelo conhecimento e pelo amor a Jesus e ao nosso próximo, inserimo-nos na vida divina trinitária, em comunhão de vida com o Pai e o Filho, no Amor.


José Raimundo Oliva


Vivendo a Palavra

O conforto, a paz e a alegria de nos sentirmos carinhosamente amados pelo Pai do Céu deve se revelar no cuidado que devemos dispensar aos irmãos de caminhada. Deus nos faz ricos, mas nós só temos, de verdade, aquilo que oferecemos com generosidade e desapego ao nosso próximo.


COMENTÁRIOS DO EVANGELHO

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1. "Dou a Vida pelas Ovelhas..."
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Diácono José da Cruz - Diácono da Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP)

Confesso que ás vezes como católico, sinto uma “pontinha” de ciúmes dos dirigentes das Igrejas Históricas, que são denominados de “Pastores”, que a meu ver é um título mais profundo e sublime do que “Padre”, que por sua vez significa “Pai”.Entretanto, ambos estão corretos e de acordo com o evangelho, pois a palavra “Padre”, embora signifique “Pai” é compreendida no sentido de ser aquele que cuida, toma conta, zela, dirige, mantém, e não aquele que “gera”, embora ainda haja o argumento de que, no batismo a igreja filhos e filhas de Deus, entretanto, o Batismo é realizado em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, portanto, a palavra pastorear é uma ação mais humana e esta é, a meu ver, uma das mais belas alegorias aplicadas a Jesus, pelo evangelista.

No antigo Testamento, a maioria dos pastores não eram donos do rebanho, mas trabalhavam para alguém que era o verdadeiro proprietário. Em Ezequiel 34, Deus censura os maus pastores e garante que ele mesmo irá cuidar do seu rebanho “Eu mesmo apascentarei o meu rebanho, eu mesmo lhe darei repouso, buscarei a ovelha que estiver perdida, curarei a ferida, reconduzirei a que estiver desgarrada”

Em Jesus Cristo essa profecia se cumpre, e quando ele se apresenta como o Bom Pastor, está dizendo a todos aqueles a quem confiou as ovelhas : “Vejam, é assim que eu quero que tratem as minhas ovelhas”. Portanto, nenhum dirigente de uma Igreja Cristã, poderá ter dúvidas sobre como tratar as ovelhas, a consciência de que elas não são suas, não fazem parte de sua propriedade, deve estar sempre presente na missão de um verdadeiro pastor. As ovelhas pertencem a Deus, devem ser conduzidas até sua casa, e cabe ao pastor apenas mostrar o caminho.

Há neste evangelho um versículo que ensina de modo muito claro como age o verdadeiro pastor, e aqui a reflexão se torna mais ampla, porque o recado não é direcionado apenas aos dirigentes, mas a qualquer cristão que tenha na comunidade alguma responsabilidade pastoral. Na nossa compreensão do dia a dia, alguém que é BOM, é aquela pessoa quietinha, que não tem boca pra nada, que não reclama, não critica, só faz o bem, é muito boazinha. Mas o conceito de BOM, nesse evangelho, sendo aplicado a Pastor, quer antes de tudo nos mostrar que Jesus, enquanto modelo perfeito de homem, no seu jeito de amar, vai além dos limites.

Podemos entender melhor esse pensamento na comparação entre o Pastor e o mercenário, que também é um pastor, porém, profissional contratado, uma espécie de “Tarefeiro”, que pastoreia o rebanho apenas pelo salário, tendo certas obrigações e deveres constantes do contrato, por exemplo, diante de algum perigo que rondasse as ovelhas, ele teria que defendê-las, porém, desde que a sua vida não estivesse sendo colocada em risco: diante de um Leão faminto e feroz, ele podia abandonar o rebanho á sua própria sorte, pois não tinha como enfrentar um leão, ou seja, na defesa da vida das ovelhas há um limite. Então não vamos fazer mau juízo do mercenário.

Entretanto, é bom fazer uma pergunta fundamental: quem é que irá contratar um profissional, que trabalhe apenas pelo salário, que apenas faça aquilo que é necessário, ou que apenas cumpra o contrato? Se fosse em um time profissional, seria aquele jogador que só entrou para ganhar o “bicho”, nunca vai “suar” a camisa, aliás, nem a camisa do time ele vai vestir. É aquele agente de pastoral, ou participante de um movimento, que sempre diz de peito estufado “A minha parte eu sempre faço!”. Esse é o mercenário, que sempre faz o que tem que fazer, e que é sua obrigação.

Jesus Cristo, o único e verdadeiro Pastor, apresenta-se como BOM nesse sentido, de que as ovelhas, cada uma delas em particular, são o alvo de sua atenção, de modo que o seu interesse está voltado totalmente para elas, a vida do rebanho todo e de cada ovelha, é mais preciosa do que a sua própria Vida, e se vier uma matilhas de Lobos ferozes, ou um bando de leões famintos, ele nunca “dá no pé”, mas fica e enfrenta, ainda que esse ato, marcado de um amor extremoso e infinito, represente a perda da sua vida.

Há uma tentação muito grande, de nesse Domingo do Bom Pastor, olharmos para os nossos dirigentes e pastores, ministros ordenados e servos de Deus, colocados pela Instituição à frente da comunidade, paróquia ou Diocese, criticar duramente sua conduta e condená-los ao inferno ainda em vida, mas pensemos um pouco naquelas ovelhas, numerosas ou não, ou quem sabe apenas uma ovelha, que Deus colocou sob os nossos cuidados, na vida comunitária ou familiar, se a nossa relação com elas, não se modelar em Jesus, o Bom Pastor, nosso pecado será tão grave como o das lideranças, e também iremos um dia prestar conta dessas ovelhas diante do único e verdadeiro DONO do rebanho. (Domingo do Bom Pastor – João 10, 11-18)

José da Cruz é Diácono da 
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP



2. A dimensão universal do dom de Jesus
(O comentário do Evangelho abaixo é feito por José Raimundo Oliva - e disponibilizado no Portal Paulinas)

VIDE ACIMA

Oração

Pai, que eu saiba entregar-me com toda confiança nas mãos de teu Filho - o bom Pastor -, pois só assim estarei seguro de estar trilhando o caminho para ti.



3. O BOM PASTOR
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado no Portal Dom Total a cada mês).

Jesus já se autoproclamara a porta do redil das ovelhas, pela qual entra o pastor. Agora se declara como o bom pastor. É ele quem conduz para a vida plena. A imagem do pastor e das ovelhas é comum nos textos dos profetas no Primeiro Testamento, sendo o povo de Israel as ovelhas de Javé.

O mercenário, alusão aos fariseus e chefes religiosos de Jerusalém que rejeitaram Jesus (cf. primeira leitura), não se importa com as ovelhas. O que lhe importa é o dinheiro que o beneficia em S. Filipe e S. Tiago, Apóstolos sua função de pastor.

Jesus é o bom pastor que dá a vida por suas ovelhas. Toda sua vida foi dom e comunicação do amor que vivifica. Neste dom não há temor nem fuga diante da morte. Em Jesus habita o Pai, e o amor que o une ao Pai é uma fonte de vida que transborda para todos, homens e mulheres que vivem no mundo. Como bom pastor, ele conhece suas ovelhas e elas o conhecem. O conhecimento é fruto do convívio e do diálogo, e gera o amor.

Para Jesus não existe massa humana amorfa. Ele mantém uma relação pessoal e amorosa com cada um. Chama cada um pelo nome e para cada um fala ao coração. A relação de conhecimento e amor entre Jesus e suas ovelhas é da mesma natureza que a relação entre Jesus e o Pai. Pelo conhecimento e pelo amor a Jesus nos inserimos na vida divina trinitária com o dinamismo da união entre o Pai e o Filho, no Amor. As relações de conhecimento e amor de Jesus não se restringem a um único rebanho, a um único grupo de eleitos. O dom da vida de Jesus tem um alcance universal.

João, já no prólogo de seu Evangelho, caracteriza a dimensão universal deste dom: Jesus é a luz verdadeira que ilumina todo ser humano, e a todos que o receberam deu o poder de se tornarem filhos de Deus (Jo 1,9.12). O vínculo de unidade em torno de Jesus é amor que liberta, promove a justiça e gera a vida, e não é restrito a nenhuma profissão de fé particular.

Deus é a plenitude do amor e da vida. A vida de Jesus está, por sua natureza divina, toda perdida e reencontrada nesta plenitude. Presente entre nós, ele quer que sejamos mergulhados em sua vida divina. Entregando nossa vida a Jesus, em comunhão de conhecimento e amor, fazendo a vontade do Pai, nos tornamos filhos de Deus (segunda leitura) e participamos da vida eterna.


Pe. José Luiz Gonzaga do Prado

4º DOMINGO DA PÁSCOA (29 de abril)
O MODELO DE PASTOR

I. INTRODUÇÃO GERAL

Estamos habituados a repetir a expressão “Bom Pastor”, aludindo sempre ao trecho do evangelho a ser lido hoje. O adjetivo bom é muito pouco para o que Jesus quer dizer. Ele não é apenas um pastor bom, ele é o verdadeiro, o autêntico pastor, o modelo de pastor.

Ezequiel (cap. 34) já falara dos dirigentes do povo como pastores, para os quais só interessavam a carne e a lã das ovelhas, que não cuidavam da fraca e da doente e ainda permitiam que as mais fortes afastassem do cocho as mais fracas com os chifres ou com as ancas. No lugar deles, Deus, o dono das ovelhas, iria ele mesmo ser o pastor.

Jesus se apresenta como verdadeiro pastor em oposição ao assalariado, a quem, naturalmente, o que interessa é garantir o seu salário, as ovelhas que se danem. O autêntico pastor arrisca a vida pelas ovelhas.

Pouco antes ele havia dito que os outros dirigentes do judaísmo só vieram para roubar, sacrificar, destruir, enquanto ele veio para que todos tenham vida e vida plena. O verdadeiro pastor dá a vida para que as ovelhas tenham vida.

II. COMENTÁRIO DOS TEXTOS BÍBLICOS

1. I leitura (At 4,8-12)

Só a fé na ressurreição de Jesus, na sua vida nova, a certeza de que Deus está do lado dele e aprovou sua morte dão a Pedro, que tremeu diante de uma empregada, a coragem de dizer o que diz agora diretamente aos chefes.

Reúnem-se todas as autoridades judaicas: Anás, Caifás e toda a família de sumos sacerdotes, os anciãos, os grandes proprietários membros do Sinédrio, como também escribas que faziam parte desse conselho. Interrogam Pedro e João para saber com que autoridade, em nome de quem, eles fizeram o paralítico se levantar.

A resposta de Pedro é o texto da primeira leitura de hoje. O mesmo que negara ser discípulo diante de uma funcionária de um desses chefes agora fala abertamente a todos eles. Eles mesmos o reconhecem na continuação do episódio. Onde ele encontrou tamanha força?

“Estamos sendo acusados de fazer o bem”, diz Pedro. Isso mostra que esses chefes preferem que o povo continue sofrendo, contanto que eles não percam a sua autoridade. Não querem que os paralíticos se levantem. 

Pedro os acusa diretamente: foram eles mesmos que, como maus pedreiros, descartaram aquela pedra que Deus, o verdadeiro mestre de obras, colocou como pedra principal.

“Pedra angular”, o termo hebraico que se encontra no Salmo 118(117), pode significar tanto a pedra da quina do alicerce, que apoia duas paredes, como a pedra que fecha um arco e lhe dá estabilidade.

O rejeitado pelas autoridades religiosas deste mundo, o que foi descartado por aqueles que se julgavam os donos da situação, tornou-se único caminho de salvação para a humanidade. Outro caminho não há a não ser o que passa pela cruz.

2. II leitura (1Jo 3,1-2)

O autor tinha dito no final do trecho anterior que “todo aquele que pratica a justiça nasceu de Deus”. Agora ele passa a falar da grandeza de sermos filhos de Deus. O prólogo do evangelho já colocava no seu centro (vv. 12-13) o pensamento de que Cristo nos deu o poder de nos tornarmos filhos de Deus.

Só que, na rede de comunidades do Discípulo Amado, algumas estavam dizendo que quem já é filho de Deus nada mais tem a esperar depois da morte, já está glorificado com Cristo. Não separavam o “já” do “ainda não”.

Sim, é um grande dom do amor do Pai, já somos filhos de Deus não só de nome, mas de verdade. É por isso que o mundo não nos entende nem reconhece a nós nem ao Pai.

Mas o que temos como um botão de rosa ainda não desabrochou. Isso só vai acontecer quando o Cristo vier. Só então seremos plenamente semelhantes a ele, porque o estaremos vendo ou sentindo como ele é de verdade.

3. Evangelho (Jo 10,11-18)

O pastor, para um povo de origem nômade, é figura de grande importância. A comparação do pastor na Bíblia foi usada primeiramente para falar dos governantes, quase sempre para criticar a corrupção e o descaso com o povo.

O capítulo 34 de Ezequiel é clássico nesse sentido. Os governantes ou pastores só estavam interessados no que podiam aproveitar das ovelhas, a carne e a lã.

Das ovelhas mesmo não cuidavam, não curavam a ferida, não procuravam a que se perdera, não enfaixavam a que quebrou a perna, não cuidavam de alimentar as fracas e magras e ainda permitiam que as mais fortes afastassem as mais fracas do cocho, impedindo que elas se alimentassem. Ao final, o próprio Deus será o verdadeiro pastor, ele que é o dono das ovelhas.

O capítulo 10 do Evangelho de João está ainda no contexto da cura do cego de nascença e do conflito a propósito disso entre Jesus e os chefes judeus. O cego de nascença representa bem quem nasceu naquele sistema que um grupo de fariseus, na época em que o evangelho foi escrito, estava impondo a todos. Eles eram os guias, e o restante do povo era cego e devia continuar como cego. Jesus, porém, abre-lhe os olhos.

Jesus havia dito um pouco antes: “Aqueles que vieram antes de mim vieram para roubar, sacrificar, destruir; eu vim para que todos tenham a vida e vida plena”. Aí está o grande contraste entre os falsos e o verdadeiro pastor.

A conhecidíssima expressão “Bom Pastor” pode prestar-se à confusão, pode levar a pensar em Jesus somente como um Pastor bom. É muito mais: o adjetivo grego utilizado pelo evangelista, kalós, não significa bom, e sim correto, legítimo, verdadeiro, autêntico. Com esse sentido, ele aparece em várias palavras do nosso vocabulário, como em “caligrafia”, escrita correta, dentro dos padrões, elegante, e em “califasia”, pronúncia correta, elegante.

Jesus é o autêntico Pastor, modelo dos pastores. No evangelho, ele é posto em contraste com o assalariado ou mercenário, aquele que só pensa em receber seu salário. Os que vieram antes de Jesus (depois, não se sabe) só vieram para cuidar dos próprios interesses “roubar, sacrificar, destruir”. Intencionalmente, o evangelista usa o verbo “sacrificar” e não “matar”, como muitas vezes se traduz, para lembrar justamente o sacrifício das ovelhas no Templo.

O Verdadeiro Pastor faz o contrário: sacrifica a própria vida para que as ovelhas tenham vida. O mercenário, o assalariado, o mero funcionário, não é o lobo que ataca e dispersa as ovelhas, mas tem medo dele; está ali, ele pensa, para cuidar de si e não das ovelhas; ele não é capaz de se arriscar, de se sacrificar, mas foge, e o lobo fica livre para agir.

O Verdadeiro Pastor conhece as ovelhas e é conhecido por elas. Não apenas conhece cada uma pelo nome, como já foi dito no início do capítulo, mas tem íntima relação com o conjunto das ovelhas. Elas têm experiência do seu amor, que o levou a dar a vida por elas e a comunicar-lhes o espírito desse amor. Sua intimidade é grande, à semelhança da intimidade entre Jesus e o Pai.

Jesus diz ter outras ovelhas que não são “deste aprisco”, costuma-se traduzir. O evangelho utiliza aqui a mesma palavra (aule) empregada para falar do átrio ou recinto do sumo sacerdote. O átrio, o recinto, a área, o espaço, o “aprisco” do sumo sacerdote é o ambiente da religião judaica, de onde vieram os primeiros discípulos. Mas Jesus tem outros, de fora, das nações; ele é o “Salvador do mundo”, já disseram os samaritanos (Jo 4,42).

Todos hão de seguir a voz do Pastor, e único será o rebanho, como único é o pastor. As dificuldades porventura existentes devem ser superadas. Isso vai acontecer na “hora” de Jesus, quando sua mãe, representando as ovelhas deste aprisco, e o Discípulo, representando as que “não são”, vão se acolher como mãe e filho.

O Pai ama Jesus porque ele dá a vida para que tenha vida novamente; ele o faz livremente, ninguém lhe tira a vida. Amor sob coação não é amor. O Pai o ama porque ele nos ama. Era isso o que o Pai queria. O mandamento do Pai era que Jesus amasse até o fim. O mandamento de Jesus é que nós façamos o mesmo.

III. DICAS PARA REFLEXÃO

– Pedro, que tremeu diante de uma empregada, agora, na segurança de que Jesus está vivo e está com ele, tem toda a tranquilidade para falar claro e acusar os próprios patrões daquela empregada. Isso é testemunhar a ressurreição do Senhor.

– Aquela pedra, que os que se consideravam construtores do mundo descartaram, foi escolhida por Deus para ser a pedra principal, seja do alicerce, seja do acabamento. Acreditamos nisso?

– Jesus não é um pastor bonzinho. É o único e autêntico capaz de livremente entregar a
sua vida pelas ovelhas. Não há como fugir disso aí.

– Os falsos pastores só pensam no seu interesse. Em vez de se sacrificarem pelo povo, tendem a sacrificar o povo em seu proveito próprio.

– A eucaristia celebra sempre o sacrifício do Verdadeiro Pastor em prol das ovelhas, para que tenham vida e vida plena. Ele se dá em pedaços e deixa beber o seu sangue para chegarmos à comunhão, à plenitude de vida, assim na terra como no céu.


Você tem sido bom pastor às ovelhas de Deus?


Postado por: homilia

abril 29th, 2012


Jesus nos responde: “Eu sou o Bom Pastor”. Se entendermos, na palavra “bom”, o sentido de “modelo”, então teremos a resposta certa, porque o Senhor é modelo de Pastor ideal.
O verdadeiro pastor é aquele que presta o seu serviço por amor e não por dinheiro. Ele não está apenas interessado em cumprir o contrato, mas em fazer com que as ovelhas tenham vida e se sintam felizes. A sua prioridade é o bem do rebanho que lhe foi confiado. Por isso, ele arrisca tudo em benefício das ovelhas e está disposto a dar sua própria vida por elas, porque as ama. Nele, as ovelhas podem confiar, pois sabem que seu cuidador não defende interesses pessoais.
Você, presidente, governador, prefeito, político, bispo, sacerdote, diácono, consagrado, catequista, casado, pai, mãe ou jovem, como tem sido bom pastor para as ovelhas que lhe foram confiadas por Deus?
O Bom Pastor dá a sua vida por nós. Isso requer de nós a consciência de nossa tarefa, de nosso dever. Ao dar a Sua vida, Jesus estava consciente de que não perderia nada. Quem se gasta a serviço do projeto de Deus não perde a vida, mas constrói para si – e para o mundo – a vida eterna e verdadeira. O seu dom não termina em fracasso, mas em glorificação. Para quem ama não há morte, pois o amor gera vida verdadeira e definitiva.
O apascentador dá a vida por suas ovelhas. Jesus se apresenta como modelo de Pastor ideal, fato polêmico com os sumos sacerdotes e mestres da Lei, denunciando o modo como o povo era tratado por seus líderes. Diferente do mercenário – como bem nos escreve João -, que não se importa com as ovelhas, Jesus é Aquele que vive para os Seus.
Ele, o Homem da substituição solidária, conhece e dá Sua vida para que tantos a tenham. Por isso, o Pai Lhe ama e Lhe concede o poder de tirar e receber a vida: “Ninguém tira a minha vida, eu a dou por mim mesmo; tenho poder de entregá-la e tenho poder de recebê-la novamente; essa é a ordem que recebi do meu Pai” (Jo 10,18). Essa missão é marcada por uma relação pessoal e íntima com as ovelhas: conhece a cada uma, fruto de amor-doação. Mas, ao mesmo tempo, não se limita às fronteiras de Israel: “Tenho também outras ovelhas…”. Seus cuidados de Pastor destinam-se a levar vida a todos os povos da Terra.
Em Jesus se realiza a ação do Pai. N’Ele e por Ele a salvação chega ao universo, como Lucas reconhece nos Atos dos Apóstolos: “Em nenhum outro há salvação, pois não existe debaixo do céu outro nome dado aos homens pelo qual possamos ser salvos”.
Em Jesus recebemos o grande presente do Pai: somos todos considerados filhos de Deus. Desta consciência deve nascer toda a nossa alegria e esperança. Se o mundo em que vivemos nos revela que perdeu seu sentido de ser entregue à violência, à corrupção exagerada e ao consumismo desaforado, nós temos o grande compromisso de levar a Boa Nova mediante atitudes cristãs que nos empenham na luta por ver triunfar, neste mundo, o amor do Bom Pastor por Suas ovelhas.
A entrega de Jesus não é um acidente nem uma inevitável fatalidade, mas um gesto livre de alguém que ama o Pai, ama os homens e escolhe o amor até às últimas consequências. O dom de Jesus é um dom livre, gratuito e generoso. Sua decisão em oferecer, livremente, a própria vida, manifesta Seu amor pelo Pai e pelos homens.
Jesus é a porta que introduz o ser humano na vida de Deus. Entrando por essa porta, as ovelhas se encontram com o Pai e com o Seu projeto de salvar a todos, inclusive você, meu irmão e minha irmã!
A salvação está entrando em sua casa pela parábola do Bom Pastor. Louve e agradeça a Deus, porque Ele é bom, pois em Jesus se manifesta a ternura do Pai que quer nos conduzir.
Veja que Pedro, cheio do Espírito Santo, disse: “É pelo nome de Jesus Cristo, de Nazaré – Aquele que vós crucificastes e que Deus ressuscitou dos mortos – que este homem está curado diante de vós”, ou seja, que nossas ações possam revelar o Cristo. Somente por Ele sejam feitas nossas ações pastorais e sociais. Pedro, nessa passagem do Livro dos Atos dos Apóstolos, nos inspira a ser reveladores do Bom Pastor. Portanto, alegremo-nos no Senhor fazendo o bem, mesmo quando encontrarmos oposição. Isso enriquece nossa vida, porque o amor de Jesus é salvação, é Páscoa, é Ressurreição!
Que neste domingo, eu e você busquemos ser sinal do Bom Pastor que “dá a vida por suas ovelhas” e faz-se Pão partilhado. Que cada batizado se sinta chamado e comprometido com Sua causa. Que Sua ação seja a nossa ação mediante participação, a cada domingo, no memorial eucarístico, e concretizado na perfeita busca pela justiça e paz. Que possamos, verdadeiramente, ser bons pastores e revelar o Reino de Deus nas nossas manifestações de carinho e atenção mútua, em especial pelo pobre e sofredor, figura predileta da ternura e do cuidado do Bom Pastor.
Padre Bantu Mendonça

Leitura Orante 

Preparo-me para a Leitura, renovando a convicção de que Deus me fala, que nos fala 
e, orando ao Espírito Santo: 

Vinde, Espírito Santo, e dai-nos o dom da sabedoria, 
para que possamos avaliar todas as coisas 
à luz do Evangelho, 
e ler nos acontecimento da vida os projetos de amor do Pai. 

1. Leitura (Verdade) 

O que diz o texto do dia? 

Leio atentamente, na Bíblia, o texto:
 Jo 10,11-18,
 e observo Jesus e as imagens que usa do pastor, ovelhas, mercenário, para falar de seu amor por todos. 

Jesus se define bom pastor. Ele é mais do que um bom pastor. Um pastor que se diz pronto a dar a vida pelas ovelhas. O tipo de pastagens disponíveis no oriente impõe ao pastor a necessidade de se deslocar com o rebanho para outro lugar conforme a mudança das estações. As ovelhas não sabem buscar alimento, relva e água por si mesmas. Precisam ser conduzidas. O pastor as conduz também para o abrigo por ocasião de tempo ruim e as defende de animais ferozes e de bandidos ou ladrões. O pastor Davi, por exemplo, diz ter matado leões e ursos que atacavam o rebanho de seu pai. O pastor conserva o rebanho unido e se empenha na procura da ovelha perdida, tendo certeza de que o rebanho permanecerá unido até que ele retorne. No Antigo Testamento, Deus é o verdadeiro pastor de Israel (Gn 49,24), que conduz José como um rebanho (Sl 80,2); carrega as suas ovelhas (Sl 28,9), guia-as (Sl 77,21). Ele, o Senhor, é o Pastor que reúne os perdidos, conduze-os à sua própria pastagem, cura-lhes as feridas, guarda-os em paz. O bom pastor é autêntico, verdadeiro, não explorador. Não quer as ovelhas para seu lucro: carne, lã, leite. Ele dá a vida pelas ovelhas. No Novo Testamento, a figura do pastor é aplicada a Jesus, quer por ele mesmo, quer pelos outros. A sua própria missão é às ovelhas perdidas de Israel. Ele é o pastor que deixa as 99 ovelhas no deserto para procurar a que extraviou. A sua alegria de recuperar um pecador é como a alegria do pastor que encontra a ovelha perdida (Mt 18,12-14). Jesus fala de sua preocupação por outras ovelhas que ainda não são em seu rebanho. Diz que precisa trazê-las. Revela seu desejo de que haja um só rebanho e um só pastor. No juízo final ele agirá como um pastor que separa as ovelhas das cabras. Jesus se diz também porta do aprisco. 

2. Meditação (Caminho) 

O que o texto diz para mim, hoje? 

Quem são os pastores hoje? O termo é bastante usado por ministros das diversas Igrejas. Na Igreja católica os pastores são os bispos e sacerdotes. 
Os bispos, em Aparecida, definiram a missão da Igreja como a do Pastor:
"A Igreja deve cumprir sua missão seguindo os passos de Jesus e adotando suas atitudes (cf. Mt 9,35-36). Ele, sendo o Senhor, se fez servidor e obediente até à morte de cruz (cf. Fl 2,8); sendo rico, escolheu ser pobre por nós (cf. 2 Cor 8,9), ensinando-nos o caminho de nossa vocação de discípulos e missionários. No Evangelho aprendemos a sublime lição de ser pobres seguindo a Jesus pobre (cf. Lc 6,20; 9,58), e a de anunciar o Evangelho da paz sem bolsa ou alforje, sem colocar nossa confiança no dinheiro nem no poder deste mundo (cf. Lc 10,4 ss). Na generosidade dos missionários se manifesta a generosidade de Deus, na gratuidade dos apóstolos aparece a gratuidade do Evangelho." 
(DAp 31). 

3.Oração (Vida) 

O que o texto me leva a dizer a Deus? 

Rezo, espontaneamente, salmos ou outras orações e concluo, rezando o 

SALMO 23 (22) 

O Senhor é o meu pastor. Nada me falta. 
Em verdes pastagens me faz repousar; 
para fontes tranqüilas me conduz, 
e restaura minhas forças. 
Ele me guia por bons caminhos, por causa do seu nome. 
Embora eu caminhe por um vale tenebroso, 
nenhum mal temerei, pois junto a mim estás; 
teu bastão e teu cajado me deixam tranqüilo. 
Diante de mim preparas a mesa, à frente dos meus opressores; 
unges minha cabeça com óleo, e minha taça transborda. 
Sim, felicidade e amor me acompanham todos os dias da minha vida. 
Minha morada é a casa do Senhor, por dias sem fim. 

4.Contemplação (Vida e Missão) 

Qual meu novo olhar a partir da Palavra? 

Meu novo olhar é de acolhimento da Igreja e do Pastor verdadeiro, Jesus Cristo, para que possa entrar no meu e no coração das pessoas com quem convivo. 

Bênção 

- Deus nos abençoe e nos guarde. 
Amém. 
- Ele nos mostre a sua face e se compadeça de nós. 
Amém. 
- Volte para nós o seu olhar e nos dê a sua paz.
 Amém. 
- Abençoe-nos Deus misericordioso, 
Pai e Filho e Espírito Santo. 
Amém. 

Irmã Patrícia Silva, fsp 
Oração Final
Pai Santo, que nos ofereces como Bom Pastor o teu Filho Unigênito, dá-nos generosidade e grandeza de alma para que também nós nos tornemos bons pastores para os homens e mulheres que colocaste ao nosso lado nos caminhos desta vida. Pelo mesmo Cristo Jesus, teu Filho e nosso Irmão, na unidade do Espírito Santo.