domingo, 29 de janeiro de 2012

SEGUNDA-FEIRA

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São Pedro Nolasco - 29 de Janeiro




São Pedro NolascoNo século XII, uma família francesa teve a graça de ter como filho o pequeno Pedro Nolasco que, desde jovem, já dava sinais de sensibilidade com o sofrimento alheio. Foi crescendo, formando-se, entrou em seus estudos humanísticos e, ao término deles, numa vida de oração, penitência e caridade ativa, São Pedro Nolasco sempre buscou viver aquilo que está na Palavra de Deus.

Desde pequeno, um homem centrado no essencial, na pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo; um homem devoto da Santíssima Virgem.

No período de São Pedro Nolasco, muitos cristãos eram presos, feitos escravos por povos não-cristãos. Eles não só viviam uma outra religião – ou religião nenhuma –, como atrapalhavam os cristãos.

São Pedro Nolasco, tendo terminado os estudos humanísticos e ficando órfão, herdou uma grande herança. Ao ir para a Espanha, deparou-se com aquele sofrimento moral e também físico de muitos cristãos que foram presos e feitos escravos. Então, deu toda a sua herança para o resgate de 300 deles. Mais do que um ato de caridade, ali já estava nascendo uma nova ordem; um carisma estava surgindo para corresponder àquela necessidade da Igreja e dos cristãos. Mais tarde, fez o voto de castidade, de pobreza e obediência; foi quando nasceu a ordem dedicada à Santíssima Virgem das Mercês para resgatar os escravos, ir ao encontro daqueles filhos de Deus que estavam sofrendo incompreensões e perseguições.

Em 1256, ele partiu para a glória sabendo que ele, seus filhos espirituais e sua ordem – que foi abençoada pela Igreja e reconhecida pelo rei – já tinham resgatado muitos cristãos da escravidão.

Peçamos a intercessão deste santo para que estejamos atentos à vontade de Deus e ao que Ele quer fazer através de nós.

São Pedro Nolasco, rogai por nós! 

FONTE DE PESQUISA: Canção Nova

Preces – IV Domingo do Tempo Comum – Ano B


Preces – IV Domingo do Tempo Comum – Ano B

Sacerdote: Ao celebrar o dia da vitória de Cristo, irmãos e irmãs, alegremo-nos no Senhor e apresentemos a Ele as preces de nossa santa assembleia:
Todos: Senhor, escutai nossa oração!
1. “Vinde, adoremos e prostremo-nos por terra” (Sl 94). Vós quisestes que a vossa Igreja fosse lugar de adoração e casa da santificação de vossa glória, fazei-nos compreender um pouco mais esse mistério cada vez que nos colocamos diante dos vossos Sacrários. Rezemos ao Senhor.
2. “Permanecendo junto ao Senhor, sem outras preocupações” (1Cor 7, 35). Fazei que os bispos, sacerdotes e diáconos estejam ocupados somente convosco, e que, ao cuidarem de seus irmãos, o façam unicamente por amor de vós. Rezemos ao Senhor.
3. “Vieste para nos destruir” (Mc 1, 24). Vós que enviastes vosso Filho para destruir o cativeiro do demônio, fazei-nos viver sempre na liberdade de filhos de Deus. Rezemos ao Senhor.
4. “Oxalá ouvisses hoje a sua voz” (Sl 94). Concedei-nos perseverar numa constante atitude de escuta da vossa Palavra, e que a exemplo de Nossa Senhora a guardemos e meditemos em nosso coração. Rezemos ao Senhor.
5. “E com cantos de alegria o celebremos” (Sl 94). Admiti na liturgia do céu os nossos irmãos e irmãs que já partiram desse mundo, para que com alegria sem fim vos celebrem para sempre. Rezemos ao Senhor.
Sacerdote: Deus eterno, o vosso amor se estende nos séculos e a vossa verdade é comprovada para sempre, acolhei propício as súplicas de vosso povo e concedei-nos perseverar no vosso santo serviço. Por Cristo, nosso Senhor.
Todos: Amém.

Homilia de D. Henrique Soares da Costa – IV Domingo do Tempo Comum – Ano B


Homilia de D. Henrique Soares da Costa – IV Domingo do Tempo Comum – Ano B

Dt 18,15-20
Sl 94
1Cor 7,32-35
Mc 1,21-28
“Todos ficavam admirados com o seu ensinamento, pois ensinava como quem tem autoridade, não como os escribas”.
Caríssimos, hoje a Palavra a nós proclamada mostra o Senhor ensinando. O Evangelho nos dá conta que seu ensinamento causava admiração. E por quê? Porque Jesus não é um simples mestre, um mero rabi… Vocês escutaram na primeira leitura o que Moisés prometera – ou melhor, o que Deus mesmo prometera pela boca de Moisés: “O Senhor teu Deus fará surgir para ti, da tua nação e do meio de teus irmãos, um profeta como eu: a ele deverás escutar!” Eis! Moisés, o grande líder e libertador de Israel, aquele através do qual Deus falava ao seu povo e lhe dera a Lei, anuncia que Deus suscitará um profeta como ele. E os judeus esperavam esse profeta. Chegaram mesmo a perguntar a João Batista: “És o Profeta?” (Jo 1,21), isto é, “És o Profeta prometido por Moisés?” Pois bem, caríssimos: esse Profeta, esse que é o Novo Moisés, esse que é a própria Palavra de Deus chegou: é Jesus, nosso Senhor! Como Moisés, ele foi perseguido ainda pequeno por um rei que queria matar as criancinhas; como Moisés, ele teve que fugir do tirano cruel, como Moisés, sobre o Monte – não o Sinai, mas o das Bem-aventuranças – ele deu a Lei da vida ao seu povo; como Moisés, num lugar deserto, deu ao povo de comer, não mais o maná que perece, mas aquele pão que dura para a vida eterna. Jesus é o verdadeiro Moisés; e mais que Moisés, “porque a Lei foi dada por meio de Moisés, mas a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo” (Jo 1,17). Jesus é a plenitude da Lei de Moisés, Jesus não é somente um profeta, mas é o próprio Deus, Senhor dos profetas, Senhor de Moisés! Moisés deu testemunho dele no Tabor e cairia de joelhos a seus pés se o encontrasse. Jesus, caríssimos, é a própria Palavra do Pai feita carne, feita gente, habitando entre nós!
Mas, essa Palavra não é somente voz, sopro saído da boca. Essa Palavra que é Jesus é tão potente (lembrem-se que tudo foi criado através dela!), que não somente fala, mas faz a salvação acontecer. Por isso os milagres de Jesus, suas obras portentosas: para mostrar que ele é a Palavra eficaz e poderosa do nosso Deus. Ao curar um homem atormentado na sinagoga de Cafarnaum, Jesus nosso Senhor mostra toda a sua autoridade, seu poder e também o sentido de sua vinda entre nós: ele veio trazer-nos o Reino de Deus, do Pai, expulsando o reino de Satanás, isto é, tudo aquilo que demoniza a nossa vida e nos escraviza! – Obrigado, Senhor, Jesus, pela tua vinda! Obrigado pela tua obra de libertação! Muito obrigado porque, em ti, tudo é Palavra potente: tua voz, tuas ações salvadoras, teu modo de viver, teus exemplos, tuas atitudes! Tu não somente tens palavras de vida eterna; tu mesmo és a Palavra de Vida! Obrigado! Dá-nos a capacidade de escutar-te sempre!
Meus caros, se Jesus é essa Palavra potente, Palavra de vida, então viver sua Palavra é encontrar verdadeiramente a vida e a liberdade. Na leitura do Deuteronômio que escutamos, Deus dizia, falando do Profeta que haveria de vir: “Porei em sua boca as minhas palavras e ele lhes comunicará tudo o que eu lhe mandar. Eu mesmo pedirei contas a quem não escutar as minhas palavras que ele pronunciar em meu nome”. Ora, caríssimos, se Jesus é a Palavra de Deus, então é nele que encontramos a luz para os nossos passos e o rumo da nossa existência. Num mundo como o nosso, que prega uma autonomia louca do homem em relação a Deus, uma autonomia contra Deus, nós que cremos em Jesus, devemos cuidar de nos converter sempre a ele, escutando sua palavra. Ele nos fala, caríssimos: fala-nos nas Escrituras, fala-nos na voz da sua Igreja, fala-nos íntimo do coração, fala-nos na vida e nos acontecimentos… Certamente, ouvi-lo não é fácil, pois muitas vezes sua palavra é convite a sairmos de nós mesmos, de nossos pensamentos egoístas, de nossas visões estreitas, de nossa sensibilidade quebrada e ferida pelo pecado. Sairmos de nós para irmos em direção ao Senhor, iluminados pela sua santa palavra – eis o que Cristo nos propõe hoje!
É tão grande a bênção de encontrar o Senhor, de viver nele e para ele, que São Paulo chega mesmo a aconselhar o celibato, para estarmos mais disponíveis para o Senhor. Vocês escutaram a segunda leitura da Missa deste hoje. O Apóstolo recomenda o ficar solteiro, não por egoísmo ou ódio ao matrimônio, mas para ter mais condições de ser solícitos para com as coisas do Senhor e melhor permanecer junto ao senhor. É este o sentido do celibato dos religiosos e dos padres diocesanos: recordar ao mundo que Cristo é o Senhor absoluto de nossa vida e que por ele vale a pena deixar tudo, para com ele estar, para, como Maria irmã de Marta, estar a seus pés, escutando-o e para ele dando o melhor de nós. O celibato, que num mundo descrente e sedento de prazer sensual, é um escândalo, para os cristãos é um sinal do primado de Cristo e do seu Reino.
Rezemos para que aqueles que prometeram livremente viver celibatariamente cumpram seus compromissos com amor ao Senhor e à Igreja. Rezemos também para que os cristãos saibam ver no celibato não uma armadilha ou uma frustração, mas um belíssimo sinal profético, um verdadeiro grito de que Deus deve ser amado por tudo e em tudo, acima de todas as coisas. Se os casados mostram a nós, celibatários, a beleza do amor conjugal e do mistério de amor esponsal entre Cristo e a Igreja, nós, solteiros pelo Reino dos Céus, mostramos aos casados e ao mundo que tudo passa e tudo é relativo diante da beleza, da grandeza e do absoluto dAquele que Deus nos enviou: o seu Filho bendito, sua Palavra eterna, Verdade que ilumina, liberta e dá vida. A ele a glória para sempre. Amém.

D. Henrique Soares

Homilia do Mons. José Maria – IV Domingo do Tempo Comum – Ano B

Homilia do Mons. José Maria – IV Domingo do Tempo Comum – Ano B

O Demônio, etc…

O Evangelho (Mc 1, 21-28) ao narrar a ida de Jesus à Sinagoga de cafarnaum, conta que Ele “começou a ensinar” e os seus ouvintes “se maravilhavam… porque ensinava como quem tem autoridade”. Até o espírito impuro, presente num homem, se dá conta da Sua presença e, enquanto grita, não deixa de reconhecer em Jesus “o Santo de Deus.” Ao expulsar o demônio, libertando o possesso, todos ficam maravilhados e dizem: “Que é isto? Eis uma nova doutrina e feita com tal autoridade que até manda nos espíritos impuros, e eles obedecem-lhe”.
Desde a chegada de Cristo, o demônio bate em retirada, mas o seu poder é ainda muito grande e “ a sua presença torna-se mais forte à medida que o homem e a sociedade se afastam de Deus” (Beato Papa João Paulo II); devido ao pecado mortal, não poucos homens ficam sujeitos à escravidão do demônio, afastam-se do Reino de Deus para penetrarem no reino das trevas, do mal; convertem-se, em diferentes graus, em instrumento do mal no mundo e ficam submetidos à pior das escravidões.
A experiência da ofensa a Deus é uma realidade. E o cristão não demora a descobrir essa profunda marca do mal e a ver o mundo escravizado pelo pecado, ensina a Gaudium et Spes, 13.
São Paulo recorda-nos que fomos resgatados por um preço muito alto (1Cor 7, 23) e exorta-nos firmemente a não voltar à escravidão. Ensina São Josemaría Escrivá: “O primeiro requisito para desterrar esse mal é procurar comportar-se com a disposição clara, habitual e atual, de aversão ao pecado. Energicamente, com sinceridade, devemos sentir – no coração e na cabeça – horror ao pecado grave” (Amigos de Deus, 243).
O pecado mortal é a pior desgraça que nos pode acontecer. Quando um cristão se deixa conduzir pelo amor, tudo lhe serve para a glória de Deus e para o serviço dos seus irmãos, os homens, e as próprias realidades terrenas são santificadas: o lar, a profissão, o esporte, a política… “Pelo contrário, quando se deixa seduzir pelo demônio, o seu pecado introduz no mundo um princípio de desordem radical, que afasta do seu Criador e é a causa de todos os horrores que se aninham no seu íntimo. Nisto está a maldade do pecado: em que os homens tendo conhecido a Deus não o honraram como Deus nem lhe renderam graças. Pelo contrário, extraviaram-se em seus vãos pensamentos, e se lhes obscureceu o coração insensato… Trocaram a verdade de Deus pela mentira e adoraram e serviram à criatura em lugar do Criador, que é bendito pelos séculos” (Rm 1, 21-25).
O pecado – um só pecado – exerce uma misteriosa influência, umas vezes oculta, outras visível e palpável, sobre a família, os amigos, a Igreja e a humanidade inteira. Se um ramo de videira é atacado por uma praga, toda a planta se ressente; se um ramo fica estéril, a videira já não produz o fruto que se esperava dela; além disso, outros ramos podem também secar e morrer.
Renovemos hoje o propósito firme de repelir tudo aquilo que possa ser ocasião, mesmo remota, de ofender a Deus: espetáculos, leituras inconvenientes, ambientes em que destoa a presença de um homem ou uma mulher que segue o Senhor de perto… Amemos muito o Sacramento da Penitência (Confissão). Meditemos com freqüência a Paixão de Cristo para entender melhor a maldade do pecado.
Os santos recomendaram sempre a confissão freqüente, sincera e contrita, como meio eficaz de combater essas faltas e pecados, e caminho segura de progresso interior. Dizia S. Francisco de Sales: “Deves ter sempre verdadeira dor dos pecados que confessas, por leves que sejam, e fazer o firme propósito de emendar-te daí por diante. Há muitos que perdem grandes bens e muito proveito espiritual porque, ao confessarem os pecados veniais como que por costume e só por cumprir, sem pensarem em corrigir-se, permanecem toda a vida carregados deles”.
“Oxalá não endureçais os vossos corações quando ouvirdes a sua voz” (Sl 94, 7-8). Peçamos ao Espírito Santo que nos ajude a ter um coração cada vez mais limpo e forte, capaz de cortar o menor laço que nos aprisione, e de se abrir a Deus tal como Ele espera de cada cristão. E, assim seremos capazes de entender e acolher a mensagem de S. Paulo que apresenta a beleza e a grandeza do seguimento do Senhor, no Celibato.
S. Paulo, advertindo que os casados, sujeitos aos deveres familiares, não podem entregar-se ao serviço de Deus com a mesma liberdade que os celibatários, louva e aconselha a virgindade que permite ocupar-se nas coisas de Deus com um coração indiviso e sem preocupações (1Cor 7, 32-35). A Virgindade consagrada é uma maneira típica da novidade da resposta, que devem a Deus os seguidores de Cristo e tem, ao mesmo tempo, a função de recordar a todos os crentes que, em todas as coisas, o primeiro lugar pertence a Deus.
Mons. José Maria Pereira

Homilia do Pe. Françoá Costa – IV Domingo do Tempo Comum – Ano B

Homilia do Pe. Françoá Costa – IV Domingo do Tempo Comum – Ano B

Autoridade de Jesus – liberdade do cristão

“Jesus entrou na sinagoga e pôs-se a ensinar” (Mc 1,21). Lemos nas páginas do Evangelho como o Senhor Jesus dá importância à pregação da boa nova: indo de uma cidade a outra para anunciar a sua mensagem e realizando-a com perfeição, com autoridade. As pessoas reconhecem-no: “eis um ensinamento novo, e feito com autoridade; além disso, ele manda até nos espíritos imundos e lhe obedecem!” (Mc 1,27).
Por nossa parte, deveríamos estar muito interessados no que ele nos diz. A formação que vamos recebendo de Cristo através da Igreja tende a fazer-nos homens ou mulheres responsavelmente livres. A nossa liberdade vai sendo educada paulatinamente para que possamos escolher aquelas coisas que nos fazem mais humanos e mais cristãos. Longe, portanto, da autêntica formação a coação e o controle sobre os outros. Não se trata de asfixiar as pessoas para que façam o bem. O importante é ajudá-las a amar o bem, a desfrutar na prática das coisas boas, a ver que somente na realização do bem verdadeiro encontra-se a felicidade. De fato, a autoridade de Jesus não retira a liberdade do cristão, mas a favorece aperfeiçoando-a.
Cristo é o Mestre por excelência. Ele, pacientemente, foi formando os discípulos e os apóstolos para uma missão que, sem dúvida, os superava. Não obstante, o Senhor os ensinou a confiar na graça e a lutar decididamente pelas causas que valem a pena e… conseguiram! Os apóstolos não cumpriram a vontade de Deus à força de prescrições legais, mas graças ao fogo do amor de Deus que lhes aquecia o coração e à formação recebida e assumida. Primeiro, o Senhor os fez ativos no amor e, consequentemente, essa caridade tornou-se fecunda através do apostolado que trouxe muitas pessoas ao encontro com o Divino Mestre.
Um dos efeitos do ensinamento de Cristo feito com autoridade é a formação da nossa consciência. Neste sentido, o Concílio Vaticano II ofereceu-nos uma definição de enorme beleza: “a consciência é o núcleo secretíssimo e o sacrário do homem, onde ele está sozinho com Deus e onde ressoa a sua voz” (GS 16). Na consciência ressoa a voz de Deus… É preciso escutá-la! A formação da consciência é um dos requisitos indispensáveis para conseguirmos a perfeição da liberdade. Como se lê no Catecismo da Igreja Católica, “a consciência deve ser educada e o juízo moral, esclarecido. Uma consciência bem formada é reta e verídica. Formula seus julgamentos seguindo a razão, de acordo com o bem verdadeiro querido pela sabedoria do Criador. A educação da consciência é indispensável aos seres humanos submetidos a influência negativas e tentados pelo pecado a preferir seu julgamento próprio e a recusar os ensinamentos autorizados. (…) A educação da consciência garante a liberdade e gera a paz do coração” (Cat.1783-1784).
Deus quer que sejamos os responsáveis pelas nossas próprias ações livres. Mas para que elas fossem verdadeiramente responsáveis e livres, Deus infundiu em nós, por criação, uma luz natural que nos faz agir segundo a reta razão. Contudo, isso não é suficiente! Pela nossa debilidade e pelo pecado, essa luz enfraqueceu-se e, nalguns casos, quase apagou-se. A graça, junto com as virtudes teologais e os dons do Espírito Santo, iluminam e fortalecem de maneira nova o nosso organismo natural tornando mais suave a consecução do fim para o qual fomos criados. Esse fim, que é Deus, torna-se presente em cada um dos fins intermediários que escolhemos diariamente.
Estar atentos ao ensinamento de Cristo formará a nossa consciência de maneira eficaz. Mas é preciso conhecer a sua doutrina cada vez mais. E não há como conhecê-la profundamente se não aplicarmos a nossa mente e o nosso coração a ela, especialmente através da leitura da Sagrada Escritura e do Catecismo da Igreja Católica. Mas não é só questão de doutrina, é questão de conhecer o próprio Jesus, a sua Pessoa e a sua obra; é preciso, portanto, tratá-lo na oração, conversar com ele, aprender dos seus gestos e palavras.
Pe. Françoá Costa
http://www.presbiteros.com.br/site/homilia-do-pe-francoa-costa-iv-domingo-do-tempo-comum-ano-b/

Comentário Exegético – IV Domingo do Tempo Comum – Ano B

Comentário Exegético – IV Domingo do Tempo Comum – Ano B

EPÍSTOLA (1 Cor 7, 32-35)

(Pe. Ignácio, dos padres escolápios)
INTRODUÇÃO: No domingo anterior vimos como Paulo fala do matrimônio, aclarando serem lícitas as duas opções: casar ou optar por ficar solteiro. Porém, afirma que esta última opção é preferível do ponto de vista religioso. As razões estão nestes versículos que constituem a epístola deste domingo.
A PREOCCUPAÇÃO DO SOLTEIRO: Quero, pois, que estejais despreocupados: o não casado preocupa-se das coisas do Senhor; como agradar ao Senhor (32). Volo autem vos sine sollicitudine esse qui sine uxore est sollicitus est quae Domini sunt quomodo placeat Deo. DESPREOCUPADOS [amerimnos<275>=sine sollicitude]. Além deste versículo encontramos unicamente esta palavra em Mt 28, 14: E, se isto chegar a ser ouvido pelo presidente, nós o persuadiremos, e vos poremos em segurança, dirão os chefes sacerdotais aos soldados que guardavam o sepulcro ao calar suas bocas com dinheiro: Não vos preocupeis se a vossa falta de disciplina chegar aos ouvidos de Pilatos. Esse é o verdadeiro sentido da palavra: estar apreensivo e inquieto, agitado ou perturbado. A causa da perturbação é o matrimônio. Quem não tem mulher e filhos está livre das inquietudes que os familiares causam e só atende ao serviço de Deus, sendo esta a única preocupação de sua vida. Paulo o declara com poucas, mas gráficas palavras: só se preocupa em agradar ao Senhor. Com esta conclusão, Paulo declara duas premissas importantes, tanto para a vida de um casado como para a vida dedicada a Deus: Primeiro, a finalidade é agradar ao cônjuge, sem o qual o matrimônio seria um uso egoísta do mesmo. E a segunda, que todo serviço religioso, e o que poderíamos chamar a liturgia diária da vida, é um agradar a Deus para que este possa dizer como disse de Jesus no batismo: nele tenho minhas complacências.
AS DIFERENÇAS: Mas o casado, preocupa-se das coisas do mundo: como agradar à mulher (33). Está dividido. A mulher e a virgem, a não casada, preocupa-se das coisas do Senhor a fim de ser imaculada tanto no corpo como no espírito. A casada, porém, preocupa-se das coisas do mundo: como agradar o marido (33). Qui autem cum uxore est sollicitus est quae sunt mundi quomodo placeat uxori et divisus est. Et mulier innupta et virgo cogitat quae Domini sunt ut sit sancta et corpore et spiritu quae autem nupta est cogitat quae sunt mundi quomodo placeat viro.PREOCUPA-SE [merimna<3309>=solicitus est] presente de merimnaö com o significado de estar ansioso, preocupado, como em Mt 6, 25: Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Ou como em 1 Cor 12, 25: Para que não haja divisão no corpo, mas antes tenham os membros igual cuidado uns dos outros. Porém é evidente que o significado deste versículo é o mesmo que em Fp 4,6: Não estejais inquietos por coisa alguma. Paulo faz uma distinção entre coisas do mundo e o serviço do Senhor. O caso mais semelhante é o de Marta a quem Jesus teve que repreender: Marta, porém andava distraída em muitos serviços; e, aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? (Lc 10, 40). Como vemos pelas palavras de Jesus em Mt 6, 25, AS COISAS DO MUNDO são a comida, a bebida e o vestido, tudo para conservar a vida e agasalhar o corpo. Mas se casado, a mulher é também causa de preocupações. Segundo Paulo ela é carne e ossos  do marido como lemos no Gn 1, 23-24 e que ele cita em Ef 5, 31: Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão dois numa carne. Logicamente, o esposo está dividido entre o agrado à mulher e o serviço a Deus. Neste momento, Paulo passa para a mulher e em primeiro lugar propõe a preocupação da não casada a que é ainda VIRGEM [parthenos<3933>=virgo] não tendo marido, preocupa-se das coisas do Senhor, assim como a viúva. Não toda mulher que perdeu o marido é considerada viúva, segundo Paulo, mas as de uma idade marcada de, pelo menos, 60 anos (1 Tm 5, 9) e logicamente deve ser cuidada pelos filhos ou netos (1 Tm 5, 4) que eram os que deveriam cuidar dos avós. Logo a verdadeira viúva devia estar livre de toda incumbência e assim ser semelhante a uma virgem. Na época de Paulo as mulheres eram donas de casa e não eram necessários os avós para cuidarem dos netos; mas antes, estes cuidavam dos avós. Assim, as verdadeiras viúvas eram consideradas como virgens, sem outra preocupação que os deveres religiosos. Portanto, livres de outra preocupação, elas estavam unidas ao serviço de Deus, como eram as mulheres que acompanhavam  Jesus e o serviam (Lc 8, 2). A elas pede Paulo que se mantenham IMACULADAS [agia<40>=sancta], propriamente sagradas, coisa a Deus consagrada que não deve ser tratada como comum, mas com o respeito que merece uma  pessoa dedicada ao serviço de Deus. E Paulo acrescenta tanto no corpo [alude à virgindade] como no espírito, ou seja, sem intenção de matrimônio. Este é o melhor elogio da virgindade como superior ao estado matrimonial. E isso, tendo em conta que a doutrina dos rabinos da época era tudo o contrário: Deus tinha abençoado o matrimônio, como diz o Gênesis em 1, 28: E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra. Porém, foi Jesus quem substituiu esta bênção especial por um depoimento evangélico: Há eunucos que se castraram a si mesmos, por causa do reino dos céus (Mt 19, 12). Finalmente, Paulo repete, com respeito à mulher, o que no versículo anterior afirmou dos homens solteiros: A casada preocupa-se das coisas do mundo: como agradar o marido.
A FORÇA DO TESTEMUNHO: Portanto digo isto, conveniente para vós mesmos: não para lançar-vos uma cilada, mas (como coisa) honorável e  devota ao Senhor, sem distração (35). Porro hoc ad utilitatem vestram dico non ut laqueum vobis iniciam sed ad id quod honestum est et quod facultatem praebeat sine inpedimento Dominum observandi. CONVENIENTE [symferov<4851>=utilitas]  benéfico, vantajoso, útil, lucrativo e como substantivo, proveito. Um exemplo é 1 Cor 10, 33 em que Paulo fala eu em tudo agrado a todos, não buscando o meu próprio proveito, mas o de muitos, para que assim se possam salvar. CILADA [brochos<1029>=laqueus] propriamente significa laço e sai unicamente neste versículo. Lançar um laço a alguém é o mesmo que obrigar a gente a fazer uma coisa ou escravizá-la de modo a forçá-la a obedecer. Paulo não obriga a ninguém a ser celibatário, mas apresenta o celibato como coisa HONORÁVEL [euschëmon<2158>=honestus] digna de honra como era José de Arimateia: senador honrado, que também esperava o reino de Deus (Mc 15, 43). E DEVOTA [euprosedron<2145>=facultatem praebeat] é um apax e não existe outro caso no NT que possa nos dar o sentido bíblico da palavra. Derivada de eu [bom] e prosedros [sentado próximo de] o seu significado é o de estar devotado, que modernamente traduzem como estando para vos unirdes ao Senhor. A tradução direta seria assíduo e por isso termina o apóstolo falando sem distração alguma. Outra tradução: ao trato do Senhor sem preocupações. Conclusão: a pessoa que tem o ministério de ser de alguma maneira apóstolo ou seguidor do Senhor deve escolher o celibato. É a forma mais perfeita de agradar o Senhor. Assim o tem feito a Igreja após o Concílio de Elvira (305) e Niceia (325), pondo limitações ao matrimônio de clérigos, até que finalmente Gregório VII em 1074 ordena que todo sacerdote deve ser celibatário; para finalmente, no Concílio I de Latrão decretar que os matrimônios dos clérigos não são válidos.

EVANGELHO (Mc 1, 21-28)

LUGAR PARALELO: Lc 4, 33-37

O PODER CONTRA OS DEMÔNIOS.

INTRODUÇÃO: São dois os ensinamentos que podemos extrair do evangelho de hoje. E ambos têm como raiz a pessoa de Jesus e sua autoridade. O primeiro é sobre a sua palavra: autêntica no sentido de diferente dos ensinamentos humanos  e com a força de um mandato muito mais do que uma doutrina peculiar ou nova. O segundo é que ele era o único, na época, que podia confirmar suas asseverações com fatos extraordinários que serviam de sinal divino que confirmava sua atuação. Mas vamos explicar as palavras chaves do evangelho em particular.
A SINAGOGA: Então, entraram em Cafarnaum e, imediatamente, aos sábados, tendo entrado na sinagoga ensinava (21). Et ingrediuntur Capharnaum et statim sabbatis ingressus synagogam docebat eos. CAFARNAUM: Foi à cidade, centro do ministério de Jesus onde foi morar, situada à beira mar, nos confins de Zabulon e Neftali (Mt 4, 13). Segundo João, depois do sucesso das bodas de Caná desceram a Cafarnaum, ele, sua mãe, seus irmãos e seus discípulos; e ali ficaram alguns dias (Jo 2, 12). Foi chamada a própria cidade (Mt 9, 1). Hoje não sabemos com absoluta certeza a localização exata da cidade, como temos escrito nos comentários do domingo anterior. Dentro de Cafarnaum estava a casa de Pedro na qual Jesus residia como hóspede (Mc 1, 29). SINAGOGA: É uma palavra grega que literalmente significa convocação ou assembleia. Para os judeus, era o lugar onde se celebrava o culto religioso aos sábados. Era o substituto de Casa de Deus. A sinagoga começou a existir na Babilônia nos tempos do exílio como substituto do serviço do templo ou talvez para suprir uma necessidade dos exilados de se reencontrarem para matar suas saudades (ver Salmo 137). Foi introduzida por Esdras na Palestina e logo se difundiu por toda a Eretz Israel [terra de Israel]. A palavra hebraica que traduz sinagogé é  Knesset. Com o domínio da língua latina, sinagoga entrou em todas as línguas modernas. Antes de tudo, a sinagoga é uma casa de oração e por isso é traduzida como Beit Knesset [casa de reunião] Beit Tefilá [casa das rezas] Beit Midrash [casa de estudo]. Desde o século I dC há notícias de sinagogas nos lugares onde existiam judeus, até mesmo fora da Palestina, como nos diz o livro dos Atos (At 15, 21). Também se reuniam no segundo e quinto dia da semana para ouvir a leitura das Escrituras. Os homens tomavam assentos separados das mulheres. As bênçãos iniciais: Um dos membros da sinagoga é quem fazia oração: Barehú et Adonai hamevorah [Bendizei ao Senhor que é Bendito]. E todos respondiam: Bendito seja o Senhor que é bendito para sempre. O dirigente: Bendito seja o Senhor que é bendito para sempre. Bendito és tu, nosso Deus, rei do universo que nos escolhestes entre todos os povos, e que nos destes a Torah. Bendito és tu Javé Deus, por nos teres dado a Torah.  A primeira parte consistia principalmente na leitura de Dt 6, 4-9; 11, 16-21; Nm 15, 37-41 e em repetir algumas, ou todas as dezoito orações ou bênçãos [shemoné eshré], já em uso nos tempos de Jesus e das quais temos um exemplo em 2 Mc 1, 24-29, que começa: Senhor, Senhor Deus, criador de todas as coisas, temível e forte, justo e misericordioso, o único rei e o único bom, o único generoso e o único justo, todo-poderoso e eterno, que salvas Israel de todo mal, que fizestes de nossos pais teus escolhidos e os santificastes. Sob a palavra oração encontramos a Tefilá [prece] e também a chamada Amida [de pé, porque era recitada nessa posição]. Finalmente a Shemoné Esré ou as dezoito Bênçãos, foram ordenadas pelos homens que constituíam  a  Grande Assembleia e logo algumas outras adicionadas após a destruição do templo. Uma delas é a bênção contra os Minim [hereges ou sectários], inserida pelo rabino Gamaliel, em Jabne, contra os cristãos, no final do século primeiro. As três primeiras bênçãos eram para louvar o Criador do céu e da terra como o Deus dos patriarcas em sua onipotência e santidade. Seguem doze bênçãos, com caráter de súplica, pela santificação do nome de Deus, pelo conhecimento derivado da Torah, pela conversão e renovação da vida, pela remissão dos pecados, a salvaguarda das calamidades, cura das dores, por um ano frutífero, pela liberação do povo, e aí entrava a aniquilação dos apóstatas e heréticos [os cristãos], por Israel, Jerusalém, Sião e o templo, e o advento do Messias. Após pedir que a oração fosse atendida, dava-se opção aos desejos particulares. As duas últimas bênçãos eram de ação de graças pelos benefícios obtidos, terminando: Impõe tua paz sobre teu povo Israel e  abençoa a todos. Louvado sejas tu, Yahveh, que crias a paz!  Eram as BERAHOT que começavam com baruk ata Adonai [louvado seja o Senhor]. O povo ficava de pé durante as orações e todas as pessoas presentes diziam “Amém” quando terminavam. A segunda parte consistia na leitura da lei, feita por diversos assistentes, cada um dos quais lia um parágrafo alternadamente, correspondente a 3 ou 4 versículos atuais. O principal leitor era chamado Ba’al al Koré,  e o número de pessoas a ler a mesma, não podia ser inferior a três. Começava e terminava com ação de graças. Seguia-se uma lição dos profetas [Neviim] ou haftará que era lida pelo Maftir [quem conclui] pela mesma pessoa que abria o serviço com a oração. Depois da leitura o leitor ou qualquer outra pessoa presente fazia uma exposição sobre ela. É o que aconteceu em Nazaré, quando da visita de Jesus após sua fama na  Galileia (Lc 4, 16-17). O culto terminava com a bênção, pronunciada por um sacerdote, se havia algum presente; e a congregação dizia Amém. Provavelmente era esse momento da leitura dos Neviim, em que Jesus usava a oportunidade da palavra para pregar o advento do Reino. Um pequeno exemplo da pregação de Jesus nas sinagogas é o relato de Lucas acontecido na sinagoga de Nazaré em 4, 16-27. Seu comentário estava limitado à explicação das palavras do profeta lido anteriormente. Outro é o discurso ante as multidões explicando as qualidades do Reino à beira do mar e nas montanhas da Galileia.
O ENSINO: E se admiravam sobre o seu ensinamento; pois estava ensinando-os como tendo autoridade e não como os escribas (22). Et stupebant super doctrina eius erat enim docens eos quasi potestatem habens et non sicut scribae. A DOUTRINA: O grego didachê, propriamente é doutrina e não método de ensino. Porém a explicação dada na continuação por Marcos, mais parece apontar para o método, pois Jesus tinha uma maneira peculiar de fazê-lo, como quem tem autoridade e não como os escribas, que geralmente só citavam autoridades anteriores com o argumento de magister dixit [o mestre disse]. Jesus se transforma em mestre dos mestres como um novo Moisés que dita leis e proclama verdades com autoridade própria e não apoiada em superiores prestígios. É só abrir Mateus para ver que Jesus começa muitas de suas asseverações com o ouvistes que foi dito ou ensinado, eu, porém, vos digo ou afirmo (Mt 5, 21).
O POSSESSO: E havia na sinagoga deles um homem com um espírito imundo e gritou (23) dizendo: Ah, que a nós e a ti (sic), Jesus Nazareno? Vieste nos destruir? Tenho conhecido quem és tu: o consagrado de(o) Deus (24). Et erat in synagoga eorum homo in spiritu inmundo et exclamavit dicens quid nobis et tibi Iesu Nazarene venisti perdere nos scio qui sis Sanctus Dei. Chama  a atenção que um possesso estivesse dentro da sinagoga. Por isso os evangélicos traduzem: Não tardou que aparecesse um homem possesso. O possesso diabólico não é admitido no sentido estrito pela versão persa, e hoje é discutido entre os modernos como foi possível que a pessoa que Jesus mandou calar, segundo Marcos, estivesse dentro da sinagoga sendo um possesso. Lucas não deixa dúvida alguma, pois fala de um homem tendo um espírito de demônio imundo (4, 33), embora estas palavras possam ser traduzidas como alguém mal intencionado. Houve tempos em que a única história conhecida e a única cosmogonia aceita eram as procedentes dos textos sagrados. Hoje isso não é mais possível, e ambas são consideradas insuficientes e defeituosas. Será que a mesma coisa não está passando com a demonologia? Porque o que antigamente por todos os cientistas ou médicos era atribuído ao demônio ou espíritos do mal, hoje sabemos que são doenças sem intervenção de seres supra-humanos, ou talvez atribuídas  a causas paranormais. A questão é se tais fenômenos são totalmente humanos ou se existem a possibilidade e probabilidade de seres superiores intervirem na consciência e vontade humanas. Desde já podemos afirmar que os fenômenos supranaturais positivos, [influência do Espírito Santo, anjos e santos] são possíveis e é uma realidade da qual nenhum cristão duvida, devido a fatos milagrosos, profecias, etc. afirmadas no N T, como os anjos do sepulcro (Lc 24,4). Como fenômeno que desafia a ciência temos, após as aparições de Guadalupe no México, uma tilma ou manto que avalia a verdade das mesmas. Mas vamos reproduzir, no possível, as ideias da época.  No grego clássico existem duas palavras Daimon [=masculino, deus de segunda ordem,  ou destino, porque estava particularmente unido ao deus da sorte] e Daimonion [=neutro, era diminutivo, que é o caso dos evangelhos, e que significa ser espiritual superior ao homem , uma espécie de gênio que pode ser bom ou mau, e que geralmente nos evangelhos só designa uma potência do mal]. Há passagens em que espírito impuro e demônio se identificam pelo mesmo evangelista (Mc 7,25 e 26). Destes textos e outro paralelos, deduzimos que os espíritos impuros e os demônios eram palavras alternativas de um mesmo fenômeno. Mais: toda pessoa que tivesse algum dom, profético ou milagroso e que não fosse atribuído ao Enthusiasmos [=impulso divino] era considerada movida pelo demônio, como o caso de João Batista que não comia nem bebia (Mt 11,18) ou o próprio Jesus com autoridade sobre os espíritos do mal (Mt 9,34) que tinha por sua vez demônio (Jo 7,20 e 8, 48) ou tinha um espírito impuro (Mc 3, 30). Por isso é que Marcos fala de um homem em espírito impuro [sem falar de possessão] (1,23). E ao falar das diversas curas refere-se a expulsar daimonia, demônios (34 e 39). Na passagem de Lucas, em que Jesus, imediatamente após esta cura do possesso (?) da sinagoga, cura a sogra de Pedro, podemos ler que Jesus repreendeu a febre como se se tratasse de um demônio e esta deixou o corpo da sogra de Simão (Lc 4,38). Em Mateus e Marcos não existe essa ordem, pois  Jesus toma a mão da doente e a febre desaparece. Isso nos leva a perguntar: há alguma relação entre doença e demônios? No grego do NT daimonion é preferível sobre daimon e, muitas vezes, será traduzido por espírito impuro ou imundo, de impureza legal por estar unido aos deuses pagãos, que também recebem o apelativo de demônios (Lv 17,7 e I Cor 10,20); era o oposto ao espírito sagrado que toma posse de um indivíduo de modo temporal ou contínuo. Daimon só aparece três vezes nos evangelhos (MT 8,31; Mc 5,12 e Lc 8.29), sempre no mesmo caso: o de Gerasa ou Gadara, que formavam legião e foram enviados aos porcos. Daimonion aparece 45 vezes. João nos dá uma dica de que daimonion não significa possessão diabólica tal e qual a entendemos hoje, mas um desarranjo mental ou perturbação temporal, tipo loucura ou psicopatia. Vejamos: Os judeus dizem de Jesus que tem demônio e é um herege ou samaritano (Jo 8,48). Jesus se defende, dizendo que não está com demônio. É o que pensavam seus parentes: que perdera o juízo (Mc 3,21) e que os fariseus traduzem por ter um espírito impuro (Mc 3,30). Deduzimos de tudo isso que os demônios e as possessões dos mesmos devem ser selecionados muito criteriosamente, porque abrangem casos de loucura, de epilepsia e outras doenças mentais, sem que hoje possamos discernir as mesmas dentro dos relatos evangélicos.  OS DEMÔNIOS: como espíritos que habitam lugares desertos, sem água, misturados às bestas selvagens (Mc 1,13 e Is 13,21) dos quais Lilit  é o representante da noite (Is 34,14) são puro folclore do AT.  Os demônios como causadores de toda enfermidade – e isso acontece hoje nas sociedades indígenas primitivas- não existem. Nem toda doença é causada por um espírito maligno (Jo 9,2) e não é através de exorcismos que ela é curada (Mt 17,21). Hoje, por meio  da medicina e da psiquiatria sabemos que doenças físicas ou psicofísicas têm como causa os micróbios, os vírus e até a própria psique alterada do homem. Muitos fenômenos que poderíamos pensar ultrapassarem as forças naturais são entendidos de modo neutro, sem recorrer a seres malignos, explicados por pura parapsicologia, e são denominados paranormais. O que fica do demônio, outrora confundido com deuses pagãos (Dt 37,12) e com eles identificado (Sl 96,5; Br 4,7)? Praticamente nada. Por isso dos 3 fenômenos que a teologia tradicional atribui ao poder do maligno – tentação, obsessão e possessão – esta última está, na prática, totalmente descartada. Sua explicação é dada pela dupla personalidade adquirida pelo esquizofrênico. Como exemplo vou usar um caso acontecido nos meus tempos de seminário com um adolescente. Ele acreditava que era Nossa Senhora, e apareceu um bom dia cantando a Ave Maria de Gounod em falsete. Quando a sua voz engrossou ao cair da tarde, e não podia cantar com voz de mulher, sua personalidade mudou para a de S. José. Logicamente ninguém acreditou numa possessão benéfica de Maria ou José no pobre louco. Mas se no lugar de tomar essas personalidades tivesse babado, gritado e rolado no chão, blasfemando, sem dúvida que muitos diriam ser um possesso e como tal sobre ele deviam ser lançados os exorcismos da Igreja. Pessoalmente me inclino a pensar que a possessão diabólica é mais uma doença chamada esquizofrenia. Mas como homem de ciência deixo a porta aberta a causas sobrenaturais para casos que considero raríssimos, e que em tempos modernos seriam mais fáceis de distinguir das verdadeiras doenças psíquicas. Segundo o pensar comum da época, bíblico e não bíblico, o ar estava cheio de espíritos, assim como o nosso ar está cheio de micróbios e vírus. Esses espíritos podiam ser bons ou maus. Estes últimos, que são os que nos interessam, habitavam os lugares desertos em grande número, sem água (Lc 11,24). Nos sinópticos, estes espíritos maus eram chamados de espíritos impuros, sujos, akatharta, traduzido por imundos nas bíblias evangélicas (Mc 1,23). Lucas os chama de maus em 7,21 e 8,2, ou causadores de doenças (8,2). Esses espíritos tinham como chefe Beelzebu (Mt 12, 24) ou Belial (II Cor 6,15). Causavam doenças de todo tipo, especialmente as que não tinham uma causa conhecida. Tais eram surdez, acompanhada da correspondente mudez (Mc 9,17  e Lc  11,14). A loucura, como no homem  de Gérasa (Mc 9,17), a quem Lucas chama de endemoninhado (8,27). A epilepsia, como no caso da filha da mulher siro-fenícia (Mc 7,25) em que vemos que no lugar de espírito impuro também os sinópticos usam o termo demônio. A esclerose múltipla como o caso da mulher encurvada que tinha um espírito de doença (Lc 13, 11), atribuído a Satanás (13,16). Resulta estranho que João, no 4o evangelho, nunca fale deles. SATANÁS OU O DIABO: As duas palavras indicam um mesmo personagem, só que o primeiro é de origem semítica e o segundo é a tradução grega. O significado primordial é de Tentador, fiscal ou promotor. Era o anjo caído, a antiga serpente ou dragão do Éden, que se chama Diabo ou Satanás (Ap 12, 9). É o inimigo frontal de Cristo e que lutará contra o reino, mas será derrotado no final. É um ser pessoal cuja ação se manifesta também através de seres subalternos por meio da tentação (Mc 1,23) e da disseminação do mal (Mt 13,25). Ele é o adversário do desígnio de Deus sobre a humanidade. No AT mais do que como adversário ele é tratado como anjo da corte divina que desempenha a ação de fiscal ou acusador (Jó 2, 1). Sem opor-se diretamente a Deus, desejaria que sua noção de falsa santidade em Jó fosse a que prevalecesse. Em Zc 3, 1-5 já se torna adversário de Deus. Em Gn 3,1 vemos como, sob a forma de serpente, uma misteriosa personagem tem um papel importante na introdução do pecado, da doença e da morte. Suas armas são a astúcia e a mentira (Jo 8,44). A essa serpente, a Sabedoria dá o nome de Diabo (2,24). A humanidade, vencida um dia, triunfará de seu adversário (Gn 3,15). Cristo veio para reduzir à impotência a quem tinha o domínio da morte (Hb 2,14) e para substituir o reino do maligno pelo reino de Deus (I Cor 15,24-28 e Cl 1,13). Os evangelhos apresentam a vida pública de Jesus como uma luta contra  Satanás, luta que começa com as tentações do deserto, nas quais, após o Gênesis, vemos pela primeira vez um filho de Adão (Lc 3, 38) cara a cara com o Diabo (Lc 4,3). Esta luta terá dois aspectos diferentes: um físico ao vencer Jesus com autoridade o que se acreditava era domínio do mal entre os homens possessos, e outro espiritual no enfrentamento com os judeus incrédulos dos quais reclama falta de lógica e maldade do coração por julgarem como falsa sua missão messiânica, tornados por isso verdadeiros filhos do Diabo (Jo 8,44), os mesmos  que o Batista já chamou raça de víboras (Mt 3,7). Na hora da paixão, Satanás parece vencer (Jo 13, 2; 27; 14,30 e Lc 22,3); mas na realidade não tem poder algum sobre Cristo e sua missão messiânica, que se cumprirá por meio de seu sacrifício na cruz, como obra do amor e obediência ao Pai (Jo 14,30-31). O império do mundo pertence agora ao Cristo (Fl 2,10-11). Porém esta luta entre Cristo e Satanás terá que ser repetida em todo cristão. Por vezes será evidente, como quando Paulo é impedido de ir a Tessalônica (I Ts 2,18). Satanás semeia o joio (Mt 13, 39) e arranca a semente boa da palavra (Mc 4, 15). Como em Judas, entrará em possessão do anticristo ou anticristos (2 Ts 2,7) que já estão em ação e ocultará sua obra maléfica, revestido de anjo de luz ( 2 Cor 11,14). As almas simples jamais sentirão  sua presença, pois Cristo as protege com seus anjos (Mt 18,10). Porém as almas santas que têm experimentado a presença de Deus serão tentadas como os discípulos (Lc 22,31) por meio de dúvidas de fé, orgulho pela sua santidade e desesperação pelos pecados cometidos e dos quais parece nunca se livram. O maligno pode tomar até forma sensível, como diz Teresa de Jesus, como um anjo belo e formoso, mas que traz angústia e dúvidas ao coração.  Porque Deus permite que as tentações acompanhem as visões para purificação e mérito dos santos. Satanás, pois, existe: é um personagem maligno, empenhado mais na derrota do bem que no triunfo do mal. Nos tempos modernos ele inspira cantos [heavy metal] e através de drogas, ritos e cultos, promove independência e liberdade absolutas, fora de toda obediência, em busca da felicidade total. Mas os resultados são destruição e morte [Manson], novos líderes messiânicos [Jim Jones] que levam seus adeptos ao suicídio e aniquilamento. Estes sim são fenômenos que sociólogos, teólogos e pastoralistas deveriam estudar para que a fumaça de Satanás não penetre na Igreja de Deus, em palavras de Paulo VI. Outro problema ao qual não é fácil encontrar solução é por que Deus permite sua atuação que, em certo sentido, converge com a existência do mal no mundo. Esse problema só será resolvido no outro mundo e cada um de nós verá como, em definitivo, o mal provocou um bem maior em nossas vidas como canta a Igreja no hino pascal: Feliz culpa que teve tão grande redentor! É índice de maior amor, amar o que não é digno de ser amado, como é o pecador que volta redimido ao bem! Sem o mal-  dirá o filósofo – não pode existir o bem. CONCLUSÕES: A) Nos tempos de Jesus: Como temos visto há uma série de doenças que hoje certamente sabemos nada tem a ver com espíritos ou demônios. Logo as palavras dos evangelhos não podem ser tomadas fundamentalmente ao pé da letra. A maioria das doenças curadas por Jesus eram normais, quer dizer, sem intervenção sobrenatural. Autores há que afirmam que todas as doenças atribuídas aos demônios têm uma explicação completamente natural, incluídos fatos hoje chamados paranormais. É uma opinião que não deve ser descartada. Quando Jesus escolhe os 12 é para morar com Ele, para enviá-los a evangelizar e ter  autoridade de expulsar demônios (Mc 3,15). Este fato era de grande importância no seu tempo: A mentalidade judaica era de que os demônios tinham um poder praticamente supremo no mundo, devido à idolatria, e que seriam vencidos pelo poder messiânico (Mt 12, 22-45 e Lc 11, 14-26). Jesus usa esse poder e os inimigos o atribuem ao próprio maligno, o que constitui pecado contra o Espírito Santo, Espírito que Jesus tinha e através do qual imperava nos demônios. B) Tempos atuais: Existem endemoninhados no mundo moderno? Uma grande parte dos pastores protestantes afirma  que sim. Escutando suas rádios e vendo seus programas televisivos, abundam os possessos tanto quanto os enfermos de câncer. Pelo contrário, não conheço nenhum Padre católico que afirme tal coisa. Pessoalmente eu tenho conhecido epilépticos, neuróticos e histéricos; mas jamais me deparei com um endemoninhado. É verdade que o munus de exorcista não tem sido eliminado dos ritos católicos. Mas vejamos o testemunho de um deles, José Antônio Fortea, pároco de Na. Sa. de Zulema. É um dos dois exorcistas que existem na Espanha. Ele diz que as influências diabólicas são seis, das quais a mais espetacular é a possessão diabólica e esta é rara.  Ele afirma que 95% dos casos são doenças mentais. Dos mais de 600 casos em que o outro exorcista teve que intervir só 4 podiam ser considerados como possessão diabólica. Porém existe uma forma de influência diabólica bastante frequente no Brasil: é o caso dos terreiros e centros espíritas. Invocam espíritos. Evidentemente não são dirigidos pelo Espírito Santo em suas formas múltiplas, logo podemos dizer que são espíritos do mal. Para ver a influência dos terreiros e seus pais de santo me contaram que numa pequena cidade de 3500 habitantes na região do sertão, num dia de propaganda política, um determinado candidato visitou 13 terreiros. Lógico é de se supor que seu oponente visitou outros tantos a ele mais próximos. É dessa forma que o inimigo semeador de joio trabalha sem necessidade de ser descoberto como mal; mas camuflado como bem entre os umbandistas, quimbandistas, macumbeiros e kardecistas. O GRITO DO ENDEMONINHADO: Que entre nós e ti? Lucas usa os mesmos termos: Ah! Que entre nós e ti, Jesus Nazareno? (Lc 4, 34). A interjeição Ea que Lucas introduz antes das palavras que entre nós e ti, é uma interjeição de indignação, de espanto misturado com medo. Talvez fosse melhor traduzir por Ai! É interessante saber que o espírito maligno usa o plural: entre nós. Esse nós abrangeria o espírito e o homem possuído, ou esse nós estava referido a todos os espíritos do mal que Marcos compreende como espíritos imundos? (26). Vemos que o oposto a esse nós é precisamente o tu de Jesus Nazareno. É o mal que encontra o Bem e o rejeita com a repugnância de um proscrito infernal. E nisso encontra sua infelicidade e desesperação. É uma visão terrena do que sucede no inferno. Realiza-se o que Tiago na sua carta diz: Os demônios creem e [por isso] tremem (Tg 2, 19). Interessante também, que o nome completo seja Jesus Nazareno. O sobrenome Nazareno está no lugar do pai [patronímico] e na realidade se José fosse o verdadeiro pai o nome completo de Jesus seria Jesus bar Josef (Jo 1, 45). Para melhor designá-lo Filipe dirá a Natanael que esse filho de José era de Nazaré e foi com este topônimo [nome do lugar] que Jesus foi e é conhecido até agora. O diabo admite a conceição virginal de Maria. Esse mesmo título era o que Pilatos colocou na cruz (Jo 19, 19). Sobre este nome existem duas acepções gregas: Nazarenos [nazareno], como habitante de Nazaré e Nazôraios [nazoreo] que foi o nome com que os cristãos foram conhecidos em primeiro lugar. A primeira voz sai 3 vezes em Marcos e uma em Lucas. A segunda sai 2 em Mateus, 1 em Marcos 2 em Lucas e 3 em João. Sem dúvida que é mais uma questão de nome e não de semântica ou de conceito. O SANTO DE DEUS: Na realidade o ‘agios grego deve ser traduzido por consagrado ou sagrado. Tomando o sentido, traduziríamos, como melhor opção, por o Ungido do [verdadeiro] Deus. Era um título messiânico indiscutível. O demônio sabia quem verdadeiramente era esse homem. Além de Messias, o demônio [ou o espírito esquizofrênico que na hora o dominava] sabia que era filho de Deus? Provavelmente não. Jesus ainda não o tinha manifestado e as tentações no deserto não podem ser tomadas como provas, porque Filho de Deus era um título puramente messiânico. Ficamos, pois, com o suficientemente provado: Tu és o Messias, o Ungido de Deus.
O MANDATO: Então Jesus o repreendeu dizendo: Cala, e sai dele (25). Et comminatus est ei Iesus dicens obmutesce et exi de homine. A ordem de Jesus é dupla: Cala-te primeiro, e logo sai desse homem. A primeira parte corresponde ao segredo messiânico que Marcos respeita quando Jesus cerca seus milagres e sua pessoa ao título de Messias, de modo que não consentia que os demônios falassem, pois sabiam quem ele era (Mc 1, 34). A segunda é a que produz o milagre que todos viram admirados.
A SAÍDA: O espírito, o imundo [sic no grego] o agitou, e havendo gritado com grande som, saiu dele. Et discerpens eum spiritus inmundus et exclamans voce magna exivit ab eo Akathartós é a palavra que os evangélicos traduzem por imundo e os católicos por impuro. O significado próprio é sujo, não limpo [unclean inglês]. Oposto a ele é o espírito ‘agios  [divino] (Mc 12, 36) ou espírito de Deus (Mt 12, 28)  com o qual Jesus expulsa o demônio. O espírito imundo é substituído por maligno [ponerón] (Lc 7, 21 e 8, 2) ou por espírito de demônio imundo (Lc 4, 37) o espírito de enfermidade (Lc 13, 11). Por vezes esse espírito é descrito pelos efeitos de mudez: espírito mudo de Marcos 9, 17 e 25, o endemoninhado cego (Mt 9, 23) e cego e mudo (Mt 12, 22). Uma outra palavra frequente nos evangelhos [11 vezes] é endemoninhado [daimonizomenos]. Até o quarto evangelho usa a palavra contra Jesus em 10, 21. De tudo isso devemos concluir que nem sempre espírito akathartós significava possessão diabólica mas certo tipo de doenças que não tinham explicação fisiológica e mais correspondia a doenças mentais ou psíquicas. Porém, dentro das mesmas, havia algumas que se atribuíam na época a demônios e que poderíamos chamar de verdadeiras possessões malignas, com maior ou menor influência do anjo do mal ou capeta em termos vulgares. As outras eram, apesar do nome de espíritos, doenças do espírito ou mentais. E com um grande grito, chacoalhando-o em convulsão saiu dele. Lucas, no lugar paralelo, diz que o demônio o lançou no meio e saiu sem causar-lhe mal algum. Sem dúvida que essa forma de se despedir indica raiva e desesperação. É o único consolo que terá o diabo ante o triunfo de Jesus: derrotado não poderá fazer o mal como é seu costume. Exatamente como saiu do menino epilético em Marcos 9, 26, narração que para Mateus e Lucas termina com uma cura simples.
ADMIRAÇÃO DOS PRESENTES: E se admiraram todos de modo a se questionarem entre eles, dizendo: Que é isto, que doutrina esta, a nova, de modo que com autoridade ordena aos espíritos, os imundos, e lhe obedecem? (27).  Et mirati sunt omnes ita ut conquirerent inter se dicentes quidnam est hoc quae doctrina haec nova quia in potestate et spiritibus inmundis imperat et oboediunt ei. O assombro dos presentes é duplo: pela doutrina que é nova, sem pretender tirar dela a exposição magistral que também influiria na admiração, pois ele, Jesus, era um simples artesão e não tinha estudos, e logo pela autoridade e comando que tinha dos espíritos imundos que lhe obedeciam. As novidades eram a doutrina e o poder de Jesus. Será o novo mestre da humanidade e o milagre será a confirmação da verdade de sua doutrina, sendo o maior, a sua ressurreição. Por isso dirá Jesus a seus oponentes; Se não acreditais em minhas palavras [e razoamentos] acreditai nas minhas obras (Jo 10, 38). Nestes momentos em que a humanidade não sabe distinguir entre a verdade e a falsidade, entre o bem e o mal, existe uma voz que se deixa ouvir com claridade em ambos os problemas: a do Papa, que é o vigário de Cristo. E existem umas obras que podemos ver como divinas: Os milagres que sempre acompanham a vida dos santos dessa Igreja tão universal que chamamos de Católica.
Pistas: 
1) Existe um livro de Francisco Ansón, intitulado Três milagres para o século XXI, em que descreve a tilma de Guadalupe [México, 1531] o milagre do coxo de Calanda [Virgem do Pilar, 1640], e Fátima [1917]. Recomendo a leitura sem prejuízos e sem paixão. É um livro que produz fortes dúvidas nos agnósticos e certezas incontestáveis entre os crentes. Como sempre,  se repete a visão de Simeão: Cristo será sempre sinal de contradição (Lc 2, 34).
2) Vemos como a interpretação dos fatos tem sido totalmente diferente segundo os tempos e os avanços da ciência. Que os curados por Jesus eram doentes, ninguém pode duvidar. Ora, as causas das doenças que não são visíveis diretamente, eram atribuídas a espíritos. Hoje temos outras interpretações mais convincentes e lógicas após os descobrimentos científicos correspondentes. Os fatos são reais, a cura é portentosa. Porque tanto faz seja demônio ou loucura. Ninguém, mesmo nos dias de hoje, cura um esquizofrênico repentinamente. O Milagre não é a cura, mas a falta de tempo para se realizar de modo a responder a um comando de forma imediata.
3) A modéstia de Jesus que quer evitar toda publicidade sobre sua pessoa para centrá-la na doutrina e nos ouvintes, contrasta com a publicidade de certos pregadores modernos que apelam aos fatos prodigiosos para enaltecer suas virtudes ou carismas. É lícito proclamar curas para reunir uma multidão ou devemos proclamar Jesus para anunciar a salvação?
4) No mundo moderno, os fatos que levarão os homens à fé serão as obras de caridade. Jesus já o disse: nisso conhecerão que sois meus discípulos: se permanecerdes em minha palavra (Jo 8,31) e reconhecidos como tais, se tiverdes amor uns pelos outros (Jo 13, 35).
5) A impressão de quem estuda a fundo os evangelhos é de que eles formam uma unidade de pensamento que relata uma única vida e que não contradiz o Deus do AT. Não existem contradições ou divergências. E eram quatro os narradores. Tudo o contrário do Al Corão que relata o episódio do bezerro de ouro e também culpa um samaritano pelo mesmo (sura 20, 87) ou que um dos filhos de Noé perecesse no dilúvio (sura 11, 43). Ou quando admite uma exceção sobre o matrimônio, em favor do profeta. Só se permitem 4 mulheres e a ele se permitem até 12.