sábado, 14 de abril de 2018

BOM DIA! BOA TARDE! BOA NOITE! Oração da noite, Oração da manhã e Oração do entardecer - Deus te abençoe!



Oração da Noite

Boa noite Pai.
Termina o dia e a ti entrego meu cansaço.
Obrigado por tudo e… perdão!!
Obrigado pela esperança que hoje animou meus passos, pela alegria que vi no rosto das crianças;
Obrigado pelo exemplo que recebi daquele meu irmão;
Obrigado também por isso que me fez sofrer…
Obrigado porque naquele momento de desânimo lembrei que tu és meu Pai; Obrigado pela luz, pela noite, pela brisa, pela comida, pelo meu desejo de superação…
Obrigado, Pai, porque me deste uma Mãe!
Perdão, também, Senhor!
Perdão por meu rosto carrancudo; Perdão porque não me lembrei que não sou filho único, mas irmão de muitos; Perdão, Pai, pela falta de colaboração e serviço e porque não evitei aquela lágrima, aquele desgosto; Perdão por ter guardado para mim tua mensagem de amor;
Perdão por não ter sabido hoje entregar-me e dizer: “sim”, como Maria.
Perdão por aqueles que deviam pedir-te perdão e não se decidem.
Perdoa-me, Pai, e abençoa os meus propósitos para o dia de amanhã, que ao despertar, me invada novo entusiasmo; que o dia de amanhã seja um ininterrupto “sim” vivido conscientemente.
Amém!!!

Oração da manhã

Bom-dia, Senhor Deus e Pai!
A ti, a nossa gratidão pela vida que desperta, pelo calor que
cria vida, pela luz que abre nossos olhos.
Nós te agradecemos por tudo que forma nossa vida, pela terra, pela água, pelo ar, pelas pessoas. Inspira-nos com teu Espírito Santo os pensamentos que vamos alimentar,as palavras que vamos dizer, os gestos que vamos dirigir,a comunicação que vamos realizar.
Abençoa as pessoas que nós encontramos, os alimentos que vamos ingerir.
Abençoa os passos que nós dermos, o trabalho que devemos fazer.
Abençoa, Senhor, as decisões que vamos tomar, a esperança que vamos promover,a paz que vamos semear,a fé que vamos viver, o amor que vamos partilhar.
Ajuda-nos, Senhor, a não fugir diante das dificuldades, mas a abraçar amor as pequenas cruzes deste dia.
Queremos estar contigo, Senhor, no início, durante e no fim deste dia.
Amém.

Oração do entardecer

Ó Deus!
Cai à tarde, a noite se aproxima.
Há neste instante, um chamado à elevação, à paz, à reflexão.
O dia passa e carregam os meus cuidados.
Quem fez, fez.
Também a minha existência material é um dia que se passa,
uma plantação que se faz, um caminho para algo superior.
Como fizeste a manhã, à tarde e a noite, com seus encantos,
fizeste também a mim, com os meus significados, meus resultados.
Aproxima de mim, Pai, a Tua paz para que usufrua desta
hora e tome seguras decisões para amanhã.
Que se ponha o sol no horizonte, mas que nasça
em mim o sol da renovação e da paz para sempre.
Obrigado, Deus, muito obrigado!
Amém!

HOMÍLIA DIÁRIA, COMENTÁRIO E REFLEXÃO DO EVANGELHO DO DIA 15/04/2018

ANO B


3º Domingo da Páscoa

Ano B - Branco

“Testemunhas da Ressurreição.”

Lc 24,35-48

Ambientação

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: Em nossa assembléia litúrgica o Senhor se manifesta vivo, aquece o nosso coração com sua Palavra, partilha conosco o pão da vida e, abrindo os nossos olhos, nos anima e nos envia ao mundo como testemunhas da vida nova, do perdão e da paz. Nós, pelo testemunho que nasce pela fé, queremos dar continuidade ao projeto de vida do Deus fiel, anunciando em nome de Jesus a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações.

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL O POVO DE DEUS: Irmãos e irmãs, neste dia consagrado ao Senhor e à memória de sua Páscoa, Ele vem ao nosso encontro, caminha conosco, instrui-nos por sua palavra e se dá a conhecer na fração do pão. Como dom de sua Páscoa, nos oferece a paz que só Ele pode nos oferecer. Celebramos a páscoa de Jesus Cristo que também se manifesta em todas as pessoas e grupos que promovem a partilha e ajudam a criar laços de comunhão e promovem a paz.

INTRODUÇÃO DO WEBMASTER: A fé na ressurreição de Jesus volta a aparecer neste terceiro Domingo da Páscoa, mas com uma exigência que nos faz sentir, no mínimo, diante de um grande desafio. A fé na Ressurreição do Senhor está relacionada com a compreensão das Escrituras. É pelas Escrituras que nós nos encontramos com Jesus, depois de sua ressurreição. Queremos, nesta celebração, glorificar o Pai pela Palavra divina que está entre nós, e suplicar o dom da inteligência para entendermos as Escrituras em vista da conversão de nossas vidas.

Papa Bento XVI
Audiência Geral - Praça de São Pedro - 11 de Abril de 2012

A PAZ DO RESSUSCITADO VENCE OS NOSSOS MEDOS

[…] Queridos amigos, também hoje o Ressuscitado entra nas nossas casas e nos nossos corações, não obstante por vezes as portas estejam fechadas. Entra doando alegria e paz, vida e esperança, dons dos quais temos necessidade para o nosso renascimento humano e espiritual. Só Ele pode afastar aquelas pedras sepulcrais que muitas vezes o homem coloca nos seus sentimentos, nas suas relações, nos seus comportamentos; pedras que sancionam a morte: divisões, inimizades, rancores, invejas, desconfianças, indiferenças. Só Ele, o Vivente, pode dar sentido à existência e fazer retomar o caminho a quem está cansado e se sente triste, desanimado e sem esperança. Foi quanto experimentaram os dois discípulos que no dia de Páscoa estavam a caminho de Jerusalém para Emaús (cf. Lc 24, 13-35). Eles falam de Jesus, mas o seu “rosto triste” (cf. v. 17) expressa as esperanças desiludidas, a incerteza e a melancolia. Tinham deixado as suas cidades para seguir Jesus com os seus amigos, e tinham descoberto uma realidade nova, na qual o perdão e o amor já não eram só palavras, mas tocavam concretamente a existência. Jesus de Nazaré tinha renovado todas as coisas, tinha transformado a vida deles. Mas agora Ele morrera e tudo parecia ter terminado [...]
Entretanto, tinham chegado à aldeia, provavelmente à casa de um dos dois. O viandante forasteiro comporta-se “como se tivesse que ir mais longe” (v. 28), mas depois pára porque lhe pedem com fervor: “Fica connosco” (v. 29). Também nós devemos dizer ao Senhor sempre de novo com fervor: “Fica connosco”. “Quando estava à mesa com eles, tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e deu-lho” (v. 30). A referência aos gestos realizados por Jesus na Última Ceia é evidente. “Então abriram-se-lhe os olhos e reconheceram- no” (v. 31). A presença de Jesus, inicialmente com as palavras, depois com o gesto de partir o pão, dá a possibilidade aos discípulos de O reconhecer, e eles podem sentir de maneira nova quanto já tinham sentido ao caminhar com Ele: “Não ardia porventura em nós o nosso coração quando ele conversava connosco ao longo do caminho, quando nos explicava as Escrituras?” (v. 32). Este episódio indica-nos dois “lugares” privilegiados onde podemos encontrar o Ressuscitado que transforma a nossa vida: a escuta da Palavra, em comunhão com Cristo, e o partir do Pão; dois “lugares” profundamente unidos entre eles porque “Palavra e Eucaristia pertencem-se tão intimamente que uma sem a outra não pode ser compreendida: a Palavra de Deus faz-se carne sacramentalmente no acontecimento eucarístico” (Verbum Domini, 54-55).
Depois deste encontro, os dois discípulos “partiram sem hesitar e regressaram a Jerusalém, onde encontraram reunidos os Onze e os outros que andavam com eles, os quais diziam: “Verdadeiramente o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!” (vv. 33-34). Em Jerusalém eles ouvem a notícia da ressurreição de Jesus e, por sua vez, contam a própria experiência, inflamada de amor pelo Ressuscitado, que lhes abriu o coração para uma alegria irreprimível. [...]

Comentário do Evangelho

Um mundo de amor e paz é possível

A narrativa dos discípulos de Emaús é exclusiva de Lucas (cf. 11 abr.). A estrutura da narrativa assemelha-se à estrutura celebrativa da Eucaristia: a escuta da palavra e a partilha do pão, na qual se reconhece a presença de Jesus.
Os dois discípulos retornam a Jerusalém para contar o que havia acontecido no caminho, e comunicam aos apóstolos reunidos o reconhecimento de Jesus na partilha do pão. Quando estão falando, o próprio Jesus aparece no meio deles. O encontro com Jesus é o encontro com a paz. É a paz em plenitude, a paz da participação da vida eterna do Pai, que Jesus traz a todos.
Mesmo depois da crucifixão de Jesus, os discípulos continuavam com dúvidas sobre o sentido de sua vida. Agora se evidencia que Jesus não foi destruído pela morte e sua missão de anunciar a conversão para participar da vida eterna deve ser continuada pelos discípulos em todas as nações. Jesus tem a vida eterna. Ele continua vivo. Não se trata de um espírito, como era admitido aos mortos em várias culturas e religiões, mas continua vivo em sua corporalidade. É o próprio Jesus de Nazaré, com o qual os discípulos conviveram por alguns anos.
Este texto de Lucas tem um sentido catequético para as comunidades de cristãos de origem judaica, as quais devem reler as escrituras sob a ótica da ressurreição, para perceberem a plenitude da vida de Jesus, e o distinguirem do tradicional messias glorioso esperado por Israel. O equivoco desta tradicional expectativa messiânica fica em evidência na fala de Pedro aos "homens de Israel", diante do Templo de Jerusalém, declarando que eles mataram Jesus, o qual, contudo, foi ressuscitado por Deus.
As comunidades de discípulos devem viver na paz, conscientes da presença de Jesus. A paz é aspiração de todos os povos e religiões. Quem faz a guerra contra a paz são os poderosos na conquista de mais riqueza e poder. A paz pode ser encontrada em Jesus, que tem a vida eterna e a comunica a todos.
O anúncio da conversão para o perdão dos pecados tem sua origem na pregação de João Batista. Jesus a assume e a aponta como o caminho para a vida eterna. Trata-se da conversão à prática da justiça, na plenitude do amor, pela qual o pecado é removido do mundo. Na observância da palavra de Jesus, o amor de Deus é plenamente realizado. Os discípulos de Jesus, em todos os tempos e povos, são convocados a testemunhar que um mundo novo onde reinem a paz e o amor, revestido de eternidade, é possível.
José Raimundo Oliva
Oração
Senhor Jesus, que tua paz aconteça na minha vida e na vida das comunidades cristãs, para sermos, assim, testemunhas da tua Ressurreição.
Fonte: Paulinas em 22/04/2012

Vivendo a Palavra

Por quarenta dias, o Cristo Ressuscitado, ainda presente entre os apóstolos, mostra como nós podemos continuar a reconhecê-lo caminhando junto a nós: nas mãos e pés chagados dos irmãos sofredores, nos pobres que passam fome, naqueles que vivem nas prisões, nos hospitais e nas nossas ruas.
Fonte: Arquidiocese BH em 22/04/2012

Reflexão

Jesus ressuscitado continua aparecendo aos apóstolos e discípulos, no final do Evangelho de Lucas. A eles, ainda medrosos e cheios de dúvida, o Ressuscitado lhes mostra os sinais da crucificação e come com eles para removê-los da incredulidade. Jesus lhes diz: “Paz para vocês!”. É desejo de plenitude de vida. Assustam-se e pensam ver um espírito. A resposta: “Um espírito não tem carne nem ossos como vocês estão vendo que eu tenho”. As comunidades lucanas entenderam que o nosso Deus não é apenas um espírito, ou então um fantasma. O Ressuscitado tem carne e ossos e tem fome. É o Crucificado que permanece entre nós com as marcas dos cravos. Não é um Deus “desencarnado”. As primeiras comunidades iniciaram sua caminha- da na fé e no testemunho do Ressuscitado em meio a dúvidas e incertezas. Mas, aos poucos, foram crescendo e amadurecendo na fé e no compromisso. Crer e aderir ao Ressuscitado não é algo que acontece de forma mágica de um dia para outro. É um processo que nos amadurece aos poucos, a partir da mesa da partilha. Na partilha do pão, Jesus é reconhecido. O Ressuscitado marca sua presença: na comunidade reunida que celebra e partilha a palavra e o pão; na família unida em torno da mesa; nos grupos organizados em defesa da vida; nas políticas públicas em prol da superação da fome e da miséria.
(Dia a dia com o Evangelho 2018 – Pe. Luiz Miguel Duarte, ssp)

Meditando o evangelho

A NECESSIDADE DE OPERÁRIOS

Confrontando-se com a grandiosidade da missão, Jesus reconhece a necessidade de contar com colaboradores, para poder levá-la adiante, a contento. Depois de ter enviado os doze apóstolos, o Mestre enviou, também, outros setenta e dois discípulos, com a tarefa de preparar as cidades e povoados para a sua passagem, ou seja, predispô-los para acolher a sua mensagem.
Os discípulos são orientados a suplicar ao Pai - Senhor da messe - para enviar muitas outras pessoas, dispostas a assumirem a missão evangelizadora. É ele quem tem a iniciativa da vocação e da missão. Devem evitar qualquer pretensão humana de querer arrogar-se tais dons. Todos dependem de quem os chamou e enviou.
Que tipo de operário requer-se para o serviço do Reino? É preciso que seja uma pessoa cheia de coragem, predisposta a viver na pobreza, capaz de adaptar-se a qualquer tipo de acolhida que lhe for oferecida, disposta a partilhar a vida de quem a acolhe, totalmente disponível para o serviço aos doentes e marginalizados, pronta a viver a experiência do fracasso, com otimismo, sem deixar-se abater.
Quem tem estas disposições internas, deve estar atento. Pode ser que o Senhor queira enviá-lo para trabalhar na sua messe. Por que não dizer um sim corajoso e generoso?
(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês)
Oração
Espírito de coragem e generosidade, predisponha-me para trabalhar na messe do Senhor, concedendo-me os pré-requisitos necessários para um serviço eficaz.

COMENTÁRIO DO EVANGELHO

1. REALIDADE DA RESSURREIÇÃO
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado no Portal Dom Total a cada mês).

Após o encontro do túmulo vazio pelas mulheres, Lucas narra as aparições do ressuscitado aos discípulos de Emaús, e, agora, aos onze apóstolos e companheiros. Este texto, exclusivo de Lucas, tem um sentido catequético. As comunidades de cristãos de origem judaica devem reler as escrituras sob a ótica da ressurreição, para perceberem a plenitude da vida de Jesus e o distinguirem do tradicional messias glorioso esperado por Israel. O núcleo da narrativa é a comunicação da paz, a afirmação da realidade corpórea do ressuscitado e o testemunho missionário. As comunidades de discípulos devem viver na paz, conscientes da presença de Jesus. A paz é aspiração de todos os povos e religiões. Quem faz a guerra contra a paz são os poderosos, para conquistar mais riqueza e poder. A paz só pode ser encontrada em Jesus, que tem a vida eterna e a comunica a todos. A vida eterna, ultrapassada a condição temporal, como ressuscitados, envolve a totalidade da pessoa, corpo e alma, e não como um espírito desencarnado. O ressuscitado não é um espírito. Apresentando-se em "carne e osso", identifica-se com o próprio Jesus de Nazaré. É o Jesus que partilhou o pão com o povo, que trouxe paz a todos e que continua presente na comunidade. Agora, os discípulos devem testemunhar a todas as nações a conversão à justiça para a remoção dos pecados (primeira leitura). A conversão à prática da justiça leva à construção de um mundo de paz, liberto do pecado, assumido por Deus. A conversão à justiça é a prática do mandamento do amor (segunda leitura). E pelo amor se entra em comunhão com Deus em sua vida eterna.
Fonte: NPD Brasil em 22/04/2012

COMENTÁRIOS DO EVANGELHO

1. VÓS SEREIS MINHAS TESTEMUNHAS!
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Diácono José da Cruz - Diácono da Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP)

Certa vez um amigo solicitou minha ajuda para atuar como testemunha a seu favor em um processo trabalhista, antes tive de passar pelo advogado, que sendo um ótimo profissional quis saber em detalhes tudo o que eu iria dizer diante do juiz, caso fosse necessário. Um bom testemunho é feito com firmeza, convicção e clareza de ideia, pois naquele momento a palavra é dele, e o advogado, promotor, juiz, júri, e as partes envolvidas, apenas o ouvem, uma palavra errada ou mal colocada, poderá por a perder todo o processo.
O papel de uma testemunha é convencer quem não presenciou o fato, de que o ocorrido é verdadeiro e não há nenhuma outra interpretação, por isso, se Jesus fosse como um advogado altamente profissional e rigoroso, nem os discípulos e muito menos nós, seríamos constituídos suas testemunhas.
No evangelho desse terceiro domingo de páscoa, para início de conversa o confundiram com um fantasma, e olhe que já era praticamente a terceira aparição do Senhor, à comunidade. Os dois que iam para Emaús o confundiram com um forasteiro, na comunidade, as duas primeiras reuniões foram com as portas fechadas, por medo dos judeus, e ele já tinha aparecido uma vez, no evangelho de hoje, mesmo ouvindo o depoimento dos discípulos de Emaús, e vendo Jesus aparecer diante deles, ficaram assustados e cheios de medo. Jesus falou com eles, mostrou as mãos e os pés, deixou-se tocar, ainda assim não acreditaram, a ponto do próprio Senhor lhes censurar porque estavam preocupados e tinham dúvidas no coração.
Em uma audiência diante de um tribunal, essas testemunhas seriam no mínimo desastrosas, dá até para imaginar o diálogo “Vocês viram Jesus ou não?”. “Não sabemos Meritíssimo, se realmente era ele, parecia um fantasma, a gente o viu e o tocou, ele até comeu um peixe assado, pode ser que seja ele mesmo”. Que “belo testemunho”, não afirma e nem confirma...
No final do evangelho, Lucas afirma que Jesus abriu a inteligência dos discípulos, para entenderem as escrituras. O pensamento humano tem uma tampa, um limite aonde chega a lógica humana depois de investigar e estudar muito alguma questão; dali para frente, há um mistério que só pode ser compreendido por aquele que crê, ou seja, ler as escrituras apenas com a nossa inteligência, fechada no horizonte humano, não vamos entender coisa alguma. Mas se as lermos na perspectiva de Jesus de Nazaré, sua vida, sua história, sua morte e ressurreição, iremos compreender o sentido da vida, porque nele encontramos o nosso verdadeiro DNA, a nossa origem e o nosso fim, em Cristo mergulhamos ao encontro daquele que é a Vida em toda sua plenitude, pois nele fomos recriados, mudou-se a referência.
Herdamos sim, o pecado original de Adão e Eva, mas agora já sabemos a verdade, não há possibilidade de a serpente nos enganar, pois conhecemos aquele que é mais Poderoso e Sábio do que a serpente, nós conhecemos aquele que esmagou o mal com a sua morte e ressurreição, não há duas alternativas, só uma e apenas uma, para quem desejar a Salvação: Jesus Cristo, o Filho de Deus!
Adão e Eva não sabiam o que iria lhes acontecer, não tinham ainda uma referência. Nós temos: Jesus é alguém da Trindade que se fez homem, que se faz ouvir, que se deixa tocar, que senta conosco em uma mesa e faz uma refeição, coloca todas as cartas na mesa, abre o jogo, nada esconde como o tentador e enganador. Joga às claras, ele é a luz do mundo, o único caminho e a única verdade, Ele só não pode decidir por nós, por isso o seu reino e o seu projeto de vida nos são apresentados como uma proposta, cabendo a nós usarmos o livre arbítrio para aceitá-lo ou recusá-lo.
É esse Jesus Cristo Alfa e Ômega, princípio e fim, Senhor absoluto da História e Salvador do Homem, que nos congrega como Igreja, que nos lava de nossas culpas e nos redime dos nossos pecados, que faz de nossas comunidades um pedacinho do céu prometido, mais ainda, conhecendo nossas fraquezas e limites, sabendo que temos muitas dúvidas no coração, nos alimenta com a eucaristia, fala em sua santa palavra, abrindo a nossa inteligência com o seu espírito que vem do alto.
Embora não sejamos confiáveis para serem suas testemunhas, ele mesmo nos qualifica: nossas palavras nunca caem no vazio, pois é ele próprio que fala, e nós, tocados pela graça da eucaristia, conseguimos superar os limites na nossa relação com o próximo, e se quisermos, o nosso amor será sem limites como o de Jesus, basta aceitar e querer. Isso se chama santidade de vida, que permite o entrelaçamento em nós, do humano e divino, aquele que é santo, aceita participar da nossa vida, mesmo com os seus limites e fragilidades.
Uma vez encarnado em Maria de Nazaré, Jesus se encarna de novo em cada homem, e em cada mulher, que esteja disposto a acolhê-lo, para fazê-lo nascer nos corações de outros homens e mulheres, que ainda não o conhecem, é aí que acontece o testemunho, onde o amor é imprescindível!
“Nisso reconhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”. Qualquer outro testemunho ou revelação, que não trouxer a exigência do amor a Deus e ao próximo, é falso e não será digno sequer de atenção.
José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail jotacruz3051@gmail.com

2. Vede minhas mãos e meus pés
(O comentário do Evangelho abaixo é feito por Côn. Celso Pedro da Silva, ‘A Bíblia dia a dia 2017’, Paulinas e disponibilizado no Portal Paulinas - http://comeceodiafeliz.com.br/evangelho)

Os discípulos de Emaús fizeram a experiência do encontro com Jesus Ressuscitado e refizeram imediatamente o caminho que já tinham percorrido para anunciar, aos que estavam em Jerusalém, que o Senhor estava vivo. Eles o reconheceram quando, sentados à mesa, ele partiu o pão. Doravante parece ser este o caminho para reconhecermos Jesus presente entre nós: partir o pão. Quando partimos o pão, da Eucaristia e o pão de cada dia, ele se faz presente. Voltaram, foram ao Cenáculo onde estavam os outros e contaram-lhes tudo o que tinha acontecido. Ainda estavam falando, quando Jesus se pôs no meio deles. Jesus demonstra a todos que é ele mesmo quem está no meio deles, que não é um espírito porque tem carne e osso e, para tirar toda dúvida, mostra-lhes as chagas e come um pedaço de peixe assado diante deles. Deu-lhes ainda uma aula de Sagrada Escritura para entenderem que era preciso que se realizasse tudo o que está escrito sobre ele na Bíblia Sagrada. Eles, apóstolos e discípulos, serão testemunhas do que viam e ouviam. Irão pelo mundo afora anunciando em nome de Cristo a conversão para o perdão dos pecados a todas as nações, a partir de Jerusalém. Isaías e Miqueias já tinham feito a mesma afirmação, de que de Sião sairia o Ensinamento da Torá e de Jerusalém, a Palavra do Senhor [...].

3. CONGREGADOS POR JESUS
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado no Portal Dom Total - http://domtotal.com/religiao-liturgia-diaria.php).

Os discípulos a caminho de Emaús são um retrato da dispersão que se abateu sobre a comunidade, por ocasião da morte de Jesus. Frustrados, voltavam para sua cidade natal, após terem visto esvair-se a esperança de libertação, liderada pelo Messias Jesus. Como eles, muitos outros desiludiram-se com o Mestre e com o projeto de vida que ele havia proclamado. Parecia não levar a nada!
Tudo mudou, quando os discípulos foram capazes de compreender os fatos referentes a Jesus, numa ótica diferente, ou seja, na perspectiva do grande desígnio do Pai: salvar a humanidade. Sob esta luz, a cruz tornava-se sinônimo de vitória, fazendo descortinar nova esperança de libertação, sem as limitações das antigas esperanças. Era tempo de ação!
A decepção dos discípulos devia-se a uma certa dureza de coração que os mantinha cativos em seus esquemas mentais, demasiados estreitos para comportarem o projeto de Deus em toda a sua amplitude.
A descoberta do Ressuscitado despertou no coração dos discípulos a disposição de se deixarem congregar por ele. Por isso, os dois que voltavam para sua cidade, cansados e abatidos, retornam imediatamente para Jerusalém, a fim de reencontrar a comunidade. Era preciso continuar unidos em torno do Senhor Ressuscitado, já que tinham uma missão a cumprir.
Oração
Pai, não permitas que eu caia na tentação de viver distante de meus irmãos e irmãs de fé, pois o Senhor Ressuscitado nos quer todos reunidos em seu nome.

HOMÍLIA

Pe. José Luiz Gonzaga do Prado

3º DOMINGO DA PÁSCOA

O VENCIDO É VENCEDOR

I. INTRODUÇÃO GERAL

O vencido é vencedor! Na mentalidade de hoje, dificilmente se crê na vitória dos vencidos. Mas é núcleo da fé cristã. Crer em Jesus significa crer na vitória do vencido, na glória do humilhado, no poder do derrotado. Para uns é tolice, para outros é um absurdo, mas é a sabedoria de Deus, é a força de Deus.
O maior fracasso se transformou no maior sucesso. Antes das palavras, os fatos: os apóstolos que, paralisados de medo, abandonaram o Mestre agora estão cheios de vigor. Diante dos fatos não há argumentos, Pedro, antes paralisado de medo diante de uma empregada do chefe, agora se levanta e dá testemunho do Ressuscitado diante da multidão.
A consequência é a necessidade de mudança de cabeça, de mentalidade; é preciso começar a crer que a vida nasce da morte, que o fracassado é esperança de vitória. Isso vai mexer com toda a vida das pessoas e do mundo. A missão agora é anunciar este novo modo de pensar, esta metanoia.
Isso não é uma fantasia; o Ressuscitado não é um fantasma, é o mesmo crucificado. O Cristo, o Messias, a esperança da humanidade é Jesus, é o pobre galileu crucificado. Essa é a única realidade capaz de reverter os caminhos que estão levando a humanidade à morte. O caminho da vida está aberto porque o derrotado saiu vitorioso, o massacrado está vivo e atuante.

II. COMENTÁRIO DOS TEXTOS BÍBLICOS

1. I leitura (At 3,13-15.17-19)

O livro dos Atos dos Apóstolos coloca nos lábios de Pedro o resumo da primeira pregação do cristianismo. Jesus, massacrado pelos do-nos da situação, foi aprovado por Deus na ressurreição. Ele é o Messias, a salvação da humanidade.
O mesmo Pedro que, diante de uma jovem empregada do sumo sacerdote, tinha negado ser discípulo, agora, cercado pela multidão curiosa que se ajuntou em torno do paralítico curado, acusa essa multidão de ter entregado e renegado Jesus diante de Pilatos, que estava inclinado a libertá-lo.
Ele justifica, contudo, a atitude do povo e das autoridades, que ignoravam quem era Jesus. Agora, porém, está claro. O fato da cura do paralítico, se não também do próprio Pedro, antes paralisado de medo e agora encarando a multidão, testemunha que Javé, o Deus dos antepassados, aprovou e confirmou Jesus como Messias, ressuscitando-o dos mortos.
A conclusão é a necessidade de mudança de mentalidade, de cabeça, a metanoia – metá, como em “metamorfose”, e noia, como em “paranoia”. A mudança de mentalidade é que vai fazer que Deus os livre dos pecados. Apagar os pecados é uma obra de Deus, mas exige que, primeiro, se mude a cabeça.

2. II leitura (1Jo 2,1-5a)

Em algumas comunidades da rede do Quarto Evangelho dizia-se que quem crê em Jesus não peca, pois, segundo o evangelho, ele é o Cordeiro que tira o pecado do mundo e o único pecado é não crer nele (Jo 16,9). Quem crê, portanto, está totalmente isento de pecado. Isso era a consequência prática de dar pouca importância à humanidade de Jesus, à sua morte física, à sua “carne”.
Depois de dizer que, se afirmamos não ter nenhum pecado, estamos enganando a nós mesmos e tachando a Deus de mentiroso, o autor passa a dizer que, se pecamos e reconhecemos nosso pecado, temos um advogado nosso junto do Pai, Jesus, o único justo.
Ele invoca a bondade, a misericórdia, a compaixão, o perdão de Deus pelos nossos pecados. Sua morte verdadeira, seu sangue foram o sacrifício pelos nossos pecados. A palavra ilasmos no Segundo Testamento só ocorre duas vezes e ambas nesta carta de João. No Primeiro Testamento (LXX), a palavra tem geralmente o sentido de sacrifício pelo pecado. O nosso Advogado (aqui Jesus, não o Espírito Santo, cuja possessão possivelmente justificasse a ideia de ausência de pecado) se sacrifica verdadeiramente para conquistar para nós a condescendência do Pai.
O único justo sacrifica verdadeiramente a sua vida pelos nossos pecados, não só pelos nossos, mas pelos de todo o mundo. É na verdadeira morte (sangue) de cruz que ele se torna o Cordeiro que tira o pecado do mundo.
Outra consequência do destaque exagerado dado à divindade de Cristo é não considerar o exemplo do seu comportamento (v. 6) e nem mesmo seus mandamentos. “Quem diz que o conhece, mas não observa os seus mandamentos, é um mentiroso.” Conhecê-lo não é ter noção teórica, nem mesmo momentos sentimentais de intimidade com ele. É ter afinidade, consonância, agir como ele agiu.

3. Evangelho (Lc 24,35-48)

Temos, neste domingo, a narrativa inicial da última aparição de Jesus ressuscitado no Evangelho segundo Lucas.
O relato vem confirmar que o ressuscitado é o mesmo crucificado, não é um espírito, um fantasma, uma alma do outro mundo. Talvez fosse mais interessante traduzir: “Eu sou o mesmo”, em vez de: “Sou eu mesmo”. Os detalhes todos convergem para isso.
O episódio começa com o relato feito pelos discípulos de Emaús: o acontecimento do caminho foi Jesus aproximar-se, ver a decepção dos discípulos diante da cruz, julgar, trazer a luz da Escritura para iluminar os acontecimentos. O reconhecimento, porém, deu-se ao “partir do pão”, no gesto que, com a palavra, significou o agir, que foi assumir novamente aquela morte, causa da decepção.
Quando os discípulos estão reunidos, ao entardecer do domingo, Jesus se põe no meio deles com uma saudação litúrgica: “A paz esteja convosco!” A impressão de estarem vendo o que se costuma chamar de “alma do outro mundo”, fantasma, assombração, deixa-os assombrados, apavorados.
Os sinais da morte de cruz nas mãos e nos pés confirmam que o ressuscitado é o mesmo crucificado, ele continua o mesmo. A alegria se mistura ao medo que os discípulos ainda têm. Não é fácil, mesmo, crer que a vida nasça da morte, que a vitória possa vir da derrota. A alegria, porém, já está presente, na perspectiva de ser mesmo verdade, de ser o ressuscitado o mesmo que foi crucificado.
O peixe, alimento comum da Palestina, muito cedo se tornou símbolo de Jesus e da eucaristia. Não é totalmente fora de propósito interpretá-lo assim no evangelho escrito por volta do ano 85. Jesus come com os discípulos o alimento deles, o alimento que é ele (ICTHYS: Iesous Christos Theou Yios Soter).
Mais uma vez está tudo esclarecido. Agora vem a Escritura com a palavra de Jesus confirmar que este era mesmo o projeto de Deus (Is 53,10): o Messias passar por todo o sofrimento e, só então, ressuscitar dos mortos ao terceiro dia, o dia da aliança de Deus com o povo (Ex 19,16).
Consequência é a missão dos discípulos. O mesmo Deus que suscitou os profetas e o próprio Jesus, agora, depois de sua morte de cruz, o suscita de novo, para que em seu nome seja anunciada indispensável mudança de mentalidade para livrar a humanidade da escravidão do pecado.

III. DICAS PARA REFLEXÃO

– Segundo a primeira pregação do cristianismo, Jesus, massacrado pelos donos da situação, foi aprovado por Deus na ressurreição. Ele é o Messias, a salvação da humanidade. A salvação passa pela cruz. O Crucificado é “re-suscitado”, Deus lhe dá novamente a missão.
– Crer em Jesus não é crer somente na sua divindade, é crer também na sua humanidade; é crer que o Filho de Deus, o Messias enviado pelo Pai, é Jesus, é o crucificado, é o derrotado, o humilhado, mas vitorioso, por fim. O Cristo é Jesus, o Filho de Deus é Jesus, o Advogado nosso é Jesus.
– A fé no Crucificado “re-suscitado” exige mudança de mentalidade para a libertação dos pecados. O reino do pecado é o da vitória do mais competente, do mais forte, do mais poderoso, do mais brilhante. O sucesso do fracassado, a vida que vem da cruz exigem que se mude esse modo de pensar, senão o pecado continua prevalecendo.
– O Cristo, o Messias, a esperança da humanidade, é Jesus, é o pobre galileu crucificado. Essa é a única realidade capaz de reverter os caminhos que estão levando a humanidade à morte. O caminho da vida está aberto porque o derrotado saiu vitorioso, o massacrado está vivo e atuante.
– Buscar somente a satisfação imediata, o prazer ou o bem-estar do momento – o que hoje é comum até mesmo em movimentos religiosos –, não leva a nada, não traz salvação, nada muda, apenas reforça o egoísmo avassalador. Sem humildade, sem uma disciplina, sem a pessoa se pôr limites, sem entender o que a cruz significa, nada se constrói e tudo se destrói.
– Celebramos a entrega que Jesus faz de si à pior das mortes, entrega que trouxe a plenitude da vida. Quando Jesus viu que os inimigos queriam dar-lhe a morte de cruz, apesar do pavor que isso lhe causava, não recuou, entregou-se. Como pão partido e vinho repartido, ele se faz alimento da verdadeira fraternidade universal.
Fonte: Paulus em 22/04/2012

REFLEXÕES DE HOJE

15 DE ABRIL-DOMINGO


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HOMILIA DIÁRIA

Tomemos posse da verdadeira paz de Jesus

Postado por: homilia
abril 22nd, 2012

Depois de Jesus ter aparecido a Maria Madalena, de ter dado ordens para que os Seus discípulos partissem para a Galileia e, de encontrar com dois deles na estrada de Emaús, finalmente o Senhor apareceu ao grupo reunido para lhes decepar as dúvidas e lhes fortalecer a fé.
A comunidade vacila. As perseguições estão no horizonte. O primeiro entusiasmo diminuiu, os membros estão cansados da caminhada e perdendo de vista a mensagem vitoriosa da Páscoa. Parece mais forte a morte do que a vida, a opressão do que a libertação, o pecado do que a graça. Então, Jesus aparece e lhes diz: “A paz esteja convosco!”.
O Senhor prova a eles a Sua autêntica Ressurreição e lhes confirma na paz. Ele é a paz em plenitude. E para que Suas Palavras não fiquem somente “no ar”, Ele lhes mostra as mãos, o peito e os pés rasgados.
“Vede minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo! Tocai em mim e vede! Um fantasma não tem carne, nem ossos, como estais vendo que eu tenho”. Estas palavras indicam que Jesus se apresentou como um homem normal, com as mesmas características que tinha na vida mortal que os discípulos tão bem conheciam. Daí, podemos traduzir livremente por “Sou o mesmo que vocês conhecem, não é outra pessoa que estão vendo”. Assim, Ele os anima a apalpar Seu corpo e a ver Suas mãos e Seus pés que estavam com os sinais das chagas.
Se essas palavras têm algum sentido histórico, é o de manifestar que Jesus está vivo, que a morte não O venceu, que a vida do além pode ter momentos em que se parece com a vida anterior, como se esta seguisse e aquela fosse uma continuação. Sobre o modo de pensar de alguns teólogos, os quais dizem que a ressurreição é uma forma de vida só espiritual, vemos como Jesus se manifesta em corpo vivo e que não existe sentido em afirmar que só o espírito vive e o corpo se destrói e não alcança a nova vida.
Como diz o Catecismo, é impossível interpretar a ressurreição de Cristo fora da ordem física e não reconhecê-la como um fato histórico, pois o corpo ressuscitado de Jesus é o mesmo que foi martirizado e crucificado, trazendo as marcas da Sua Paixão. Não constitui uma volta à vida terrestre como foi o caso de Lázaro, visto que Seu corpo possui propriedades novas que o situam além do tempo e do espaço.
Jesus passa de um estado de morte para uma outra realidade. Ele participa da vida divina no estado de Sua glória, de modo que Paulo pode chamar a Cristo de o “Homem Celeste”. É por isso que Ele tem o poder de transmitir para nós a verdadeira paz. Assim como ontem, Jesus, hoje, continua dizendo: “A paz esteja convosco!”
O convite a tocar – não só a ver – indica que o corpo presente diante dos discípulos tinha aspectos físicos ou que podiam se conformar às leis físicas, à vontade do Ressuscitado. As feridas, muito mais do que o rosto, eram as marcas que determinavam, em definitivo, a realidade da pessoa na frente deles. Se falta alguma prova para se certificar de que aquilo era real, Jesus, então, come uma porção de peixe diante daqueles homens.
Parece que o Evangelista queria refutar toda dúvida possível. Mesmo assim, existem muitos como Tomé, aqui evocado não como apóstolo, mas como incrédulo. Por isso, podemos afirmar que existem muitos “Tomés” que não acreditam, porque não têm visto.
Diante do escândalo da cruz, que na época era muito maior do que nos dias de hoje, era necessário que Ele, além da Sua presença, provasse ser tudo conforme as Escrituras. Os caminhos de Deus consistem, como afirmava Paulo, em mostrar que “a loucura de Deus é mais sábia do que os homens, e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens” (1Cor 1,25).
Que nossa maior esperança seja ouvir a Palavra e acolher a presença do Mestre novamente entre os discípulos; não mais com um corpo humano, mas com um corpo glorioso.
Somos chamados, na liturgia, a mergulharmos numa experiência íntima com o Ressuscitado que nos diz: “A paz esteja convosco!”
Fonte: Canção Nova em 22/04/2012

Oração Final
Pai Santo, abre o coração de tua Igreja para o Amor. E faze-nos aprender, Pai amado, que o nosso amor deve ser como o teu Amor: alegre e espontâneo, indiscriminado e universal, generoso e gratuito, livre e libertador. Por Jesus, teu Filho e nosso Irmão, na unidade do Espírito Santo.
Fonte: Arquidiocese BH em 22/04/2012