1. Crer para Ver
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Diácono José da Cruz - Diácono da Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP)
_____ Você é da comunidade de Mateus?
_____ Sim, pertenço a essa comunidade desde o seu início.
_____O episódio desses dois cegos do evangelho de hoje, o que significou para vocês?
_____Na nossa comunidade e também fora dela, predominavam os Judeus e a maioria deles, os mais conservadores não viam em Jesus de Nazaré os sinais messiânicos de que falavam as escrituras através dos profetas...
_____Mas esses dois cegos o chamaram de “Filho de Davi” ....
_____Pois aí é que está... Os dois que estavam à margem do ambiente religioso, justamente por causa da sua deficiência visual, conseguem “enxergar” em Jesus, algo que os perfeitos da religião judaica não conseguiam enxergar, creem nele enquanto Messias, o Salvador....e legitimam esse título quando o chamam de Filho de Davi.
_____Mas e a cura física, não é ela que aparece como o grande milagre realizado por Jesus?
____Olha, na nossa comunidade tinham deficientes visuais, mas não foi nenhum deles que Jesus curou, o que não significa que eles não tinham fé, ou que Jesus tinha má vontade de curá-los...
____Mas então você não conheceu esses dois cegos que começaram a ver naquele dia?
____Sinceramente não. Mas na comunidade tinham pessoas, mesmo vindos do Judaísmo, que acreditavam em Jesus e junto aos apóstolos davam continuidade á sua missão. Viam nele o Messias prometido, aquele que lhes trouxera uma Salvação que não passava pela questão do Poder institucionalizado, nem da Supremacia de um Povo, nem do Poder de um Rei Libertador. Eles sentiam no coração alegria de terem sidos libertos da “Cegueira Espiritual” dos seus Líderes, e agora viam um mundo totalmente renovado, onde estava presente o Reino que Jesus havia inaugurado...
____Mas Mateus teria então inventado essa história? Jesus não curou cego algum? Se for assim, muitas pessoas aqui do nosso tempo, vão deixar de acreditar...
____Claro que Jesus realizou “milagres”, curou cegos, fez andar paralíticos, ressuscitou mortos, fez mudos falarem e aí no seu tempo também com certeza continua a realizar tais milagres. Entretanto... os milagres aqui do nosso tempo e aí do tempo de vocês, serão sempre sinais de uma Realidade maior que é o Reino de Deus presente na humanidade. A pessoa curada descobre isso e passa a ser discípulo missionário, exatamente como aconteceu na vida desses dois Ex Cegos, que bem antes da cura já viam Jesus com os olhos da Fé presente no coração.
2. Faça-se conforme a vossa fé - Mt 9,27-31
No dia de hoje, em 749, morria São João Damasceno no mosteiro de Mar Saba, no deserto de Belém, na Judeia. Foi alguém que meditou profundamente o mistério da encarnação do Filho de Deus e ensinou que, depois da encarnação, podemos representar Jesus em imagens e pinturas e venerar os santos e as relíquias. Deus nunca tinha sido representado em imagens, porque não tinha corpo nem rosto. “Mas dado que agora Deus foi visto na carne e viveu no meio dos homens, eu represento aquilo que é visível em Deus. Não venero a matéria, mas o criador da matéria, que por mim se fez matéria e se dignou habitar na matéria e realizar a minha salvação por meio da matéria. Por isso, não cessarei de venerar a matéria pela qual chegou a minha salvação. Mas não a venero de modo algum como Deus! […] Não é por acaso matéria o madeiro da cruz três vezes santa? […] E a tinta e o livro santíssimo dos Evangelhos não são matéria? O altar salvífico que nos dispensa o pão da vida não é matéria? […] E, antes de tudo, não são matéria a carne e o sangue do meu Senhor? […] Portanto, não ofendas a matéria: ela não é desprezível, porque nada do que Deus fez é desprezível.” Os olhos dos cegos se abriram para que pudessem ver as figuras que Deus criou. Não adoramos a figura que vemos. Adoramos o Criador.
HOMILIA DIÁRIA
A fé que forma discípulos e missionários da esperança
Postado por: homilia
dezembro 7th, 2012
A passagem de Mateus 9,27-31 está localizada entre temáticas que podem nos ajudar a compreendê-la melhor. No capítulo oitavo é tratado sobre as exigências do discipulado (cf. Mt 8,18-22), logo em seguida é apresentado Jesus Todo-Poderoso e vencendo as diversas situações e agentes que queriam, e ora dominavam o ser humano, não tão diferente aos tempos atuais.
Esses agentes eram: as forças da natureza, especificamente o mar (cf. Mt 8,23-27); os demônios (cf. Mt 8,28-34); o pecado (cf. Mt 9,1-8) e também Jesus antecipa a vitória sobre a temida morte (cf. Mt 9,18-19.23-25).
Enquanto o Evangelho – o qual nos propomos a meditar aplicando-o na nossa vida – pode ser sintetizado como um testemunho sobre Jesus vencendo a cegueira, assim, logo em seguida, Ele atua curando um filho amado de Deus, do mal da mudez (cf. Mt 9,32-34). Na sequência, o capítulo nove e dez tratarão (cf. Mt 9,35-10,42) da revelação sobre as diversas características da missionariedade cristã.
Onde podemos chegar com tantas citações bíblicas? Notemos que entre as exigências de uma heróica prontidão e disponibilidade para o discipulado cristão (e aquilo que é próprio da missão centrada em Jesus, o modelo supremo), encontram-se os diversos testemunhos, acima citados, do poder de Jesus Cristo em seu mistério e ministério.
Sua atuação com o Espírito Santo e segundo a vontade do Pai, não era “mágica” e nem “fábrica de exibicionismos”, mas a autêntica manifestação do amor que chama, cura, liberta, reúne, forma e envia em missão.
Tudo isto é obra do Espírito Santo na Igreja de Cristo (cf. Jo 16,13-14). Obra que compromete a todos com a resposta de uma fé-obediente! Porque assim Cristo se apresentou, de diversas formas… Mas sempre esperando um resposta, uma participação em seu poder.
O diálogo com os dois cegos, torna-se emblemático: «Acreditais que eu posso fazer isso? Eles responderam: “Sim, Senhor”. Então tocou nos olhos deles dizendo: “Faça-se conforme a vossa fé”» (Mt 9,28-29). Esta é a nossa escola divina e humana de discípulos e missionários de Cristo, como Igreja Católica. Por isso parafraseando as súplicas dos dois cegos, podemos sempre pedir: “Tem compaixão de nós e nos faça, neste tempo desafiadores, discípulos e missionários segundo o Teu Coração, rico em misericórdia!”
Mas nos preparemos para uma provável pergunta…«Acreditais?…». Certamente, se a nossa resposta for um sincero: «Sim, Senhor!», então estaremos nos submetendo à formação de Cristo que passa pelo seu poderoso amor misericordioso que sabe personalizar – segundo a necessidade de cada um – e formar a todos para uma união de coração que evangeliza por si só, como testemunhava a Igreja primitiva: «Perseverantes e bem unidos, frequentavam diariamente o templo, partiam o pão pelas casas e tomavam a refeição com alegria e simplicidade de coração. Louvavam a deus e eram estimados por todo o povo. E, cada dia, o Senhor acrescentava a seu número mais pessoas que eram salvas» (At 2,46-47).
Neste Ano da Fé, precisamos crescer nas dimensões e relações entre fé-discipulado-missão. Para assim colocarmos a experiência de Deus, no poder do Espírito Santo, não como uma busca frenética e até egoísta daquilo que Ele pode nos dar, mas em forma de testemunho. Assim ensina o Catecismo da Igreja Católica, exaltando também a Virgem Maria, como modelo: «Somente a fé pode aderir aos caminhos misteriosos da onipotência de Deus. Esta fé gloria-se nas suas fraquezas, a fim de sobre si o poder de Cristo. Desta fé a Virgem Maria é modelo supremo, ela que acreditou que “nada é impossível a Deus” (Lc 1,37) e pôde engrandecer o Senhor: “O Todo-Poderoso fez grandes coisas em meu favor, seu nome é Santo” (Lc 1,49)» (CIC 273).
E no Advento litúrgico que hoje a Igreja vive, precisamos viver o advento existencial e formativo, para que tudo em nós, concorra para sermos discípulos e missionários segundo o coração d’Aquele que nos quer “visionários” de tempos de esperança: «E os olhos deles se abriram» (Mt 9,30).
Padre Fernando Santamaria – Comunidade Canção Nova
HOMILIA DIÁRIA
Deixemos a luz da graça de Deus entrar em nossa vida
É o momento, é a hora da graça, de deixarmos Deus abrir os nossos olhos e nos mostrar a luz da vida
“Então Jesus tocou nos olhos deles, dizendo: ‘Faça-se conforme a vossa fé’.” (Mateus 9,29)
São dois cegos que estão gritando: “Jesus, tende piedade de nós! Filho de Davi, tenha compaixão de nós!”. Esses cegos querem ser curados, estão clamando para que Jesus se compadeça deles. Jesus está perguntando se eles têm fé, se eles acreditam que Ele pode fazer algo por eles; então dizem: “Sim, eu creio”. É por isso que Jesus tocou nos olhos deles e disse: “Faça-se segundo a vossa fé”.
Essa é a grande graça que a fé nos concede, ela abre os nossos olhos. A fé nos abre para enxergarmos o que a incredulidade, o orgulho e o pecado não nos permitem enxergar.
Todos nós vivemos a insensatez de não enxergarmos a verdade. Os nossos olhos estão como que cobertos por escamas e não enxergamos a vida e a realidade como de fato ela é, porque não temos os olhos da fé.
A graça que esses dois homens alcançaram é muito mais do que a graça da visão física, propriamente dito. A graça de enxergar é aquilo que eles, como cegos, já estavam enxergando, que Jesus era a luz da vida deles.
É preciso dizer que para nós, que caminhamos, muitas vezes, em meio à escuridão, às obscuridades na alma, na mente, nos relacionamentos e em todas as situações da vida, Jesus é a luz da vida. É Ele quem ilumina os nossos olhos, é Ele quem clareia o nosso coração diante de tantas coisas obscuras que nos cegam.
Acalme o seu coração, silencie a sua alma e busque, com toda intensidade do seu ser, a confiança e a fé n’Ele, porque Ele há de abrir os nossos olhos, vai nos ajudar a enxergar o que não conseguimos.
O cego é aquele que não enxerga a si mesmo. Achamos que enxergamos bem, mas nem óculos nós usamos! Nossa mente, no entanto, está, muitas vezes, obscurecida e ofuscada, nem nos enxergamos, não percebemos quando estamos fazendo mal aos outros, estamos sendo ridículos com nós mesmos, estamos nos enganando, iludindo-nos com tantas coisas que não percebemos. Estamos falhando com o outro.
É o momento, é a hora da graça, de deixarmos Deus abrir os nossos olhos, nos mostrar a luz da vida, para que não morramos na cegueira sem enxergar a luz da vida e ver a vida com a luz da graça, para que a nossa vida caminhe na direção do Céu e da eternidade.
Deus abençoe você!
Padre Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova.
HOMILIA DIÁRIA
Peçamos ao Senhor que nos ajude a enxergar a nossa vida
“Partindo Jesus, dois cegos o seguiram, gritando: ‘Tem piedade de nós, filho de Davi!’.” (Mateus 9,27)
Aqui, temos duas coisas maravilhosas: Jesus seguindo o caminho do Reino dos Céus e dois cegos O seguiram. Mesmo cegamente, mesmo não enxergando como deveríamos enxergar, precisamos segui-Lo, precisamos ir atrás d’Ele. Esses cegos não só seguiram, mas clamaram e gritaram: “Senhor, tem piedade de nós”. Primeiro, eles manifestaram a sua fé, eles acreditavam que Jesus era o Senhor, o Messias e colocaram n’Ele a sua confiança.
“Senhor, tenha compaixão da nossa cegueira. Tenha compaixão porque não enxergamos. Tenha compaixão porque não vemos como devemos ver”. A pergunta do Senhor é: “Vocês acreditam que posso fazer isso?”; eles respondem: “Sim, Senhor, nós cremos”.
Você crê que Jesus pode fazer você enxergar o que não está enxergando? Você crê que Jesus pode abrir os seus olhos para aquilo que eles não conseguem enxergar como precisam enxergar? Você realmente crê que Jesus pode abrir os seus olhos para você enxergar o seu coração, o que precisa ser mudado, transformado e direcionado? Você acredita que Jesus pode abrir os seus olhos para você parar de reparar a vida dos outros e reparar a sua própria vida? Você crê mesmo que Jesus pode abrir os seus olhos para você enxergar o seu interior, as coisas belas que há na sua alma, mas as coisas profundas que precisam ser mudadas, movidas e removidas?
O grande problema da vida é não se enxergar
Você crê mesmo que Jesus pode abrir os seus olhos para que você, de fato, enxergue os seus defeitos, fragilidades e vendo-as possa trabalhar cada uma delas com a misericórdia divina? Se você realmente crê, Jesus quer fazer você ver; se você crê Jesus quer que você enxergue aquilo que não está enxergando.
Boa parte da nossa vida passamos cegos, enxergando o que não precisamos enxergar, e não vendo o que precisamos, de fato, ver. Passamos boa parte da nossa vida sem nos conhecermos, sem sabermos quem somos, sem trabalharmos com profundidade, seriedade e serenidade o nosso próprio interior.
Já deu para ver que é mais fácil enxergar a vida dos outros, o problema dos outros, a dificuldades dos outros, o erro dos outros. Vemos sempre de uma forma muito superficial aquilo é o nosso próprio problema ou os nossos próprios pecados, erros e fragilidades.
O grande problema da vida é não se enxergar! Por isso, com toda a humildade que esses dois cegos tiveram clamando atrás de Jesus: “Piedade de nós, Senhor”, possamos dobrar os joelhos no chão e clamar: “Senhor, tem piedade de nós. Ajude-nos a enxergar aquilo que, de fato, não conseguimos ver”.
Deus abençoe você!
Padre Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova.
Oração Final
Pai Santo, o Cristo testou a fé daqueles cegos, propondo que fosse feito conforme eles cressem. Nós acreditamos, Pai amado, mas aumenta a nossa fé, pois somos seres frágeis! Faze-nos discípulos missionários do Cristo Jesus, teu Filho que se fez nosso Irmão e contigo reina na unidade do Espírito Santo.
ORAÇÃO FINAL
Pai Santo, o Cristo testou a fé daqueles cegos, propondo que fosse feito conforme eles cressem. Nós acreditamos, amado Pai, mas aumenta a nossa fé, pois somos seres frágeis! Faze-nos discípulos missionários do Cristo Jesus, teu Filho que se fez nosso Irmão e contigo reina na unidade do Espírito Santo.
ORAÇÃO FINAL
Pai, nossa alma tem sede e espera em Ti! Dá-nos Fé parecida com a daqueles cegos que foram curados por Jesus de Nazaré. Que nós compreendamos que a Vida é um milagre constante que deve ser acolhido como dádiva do teu Amor. E que não nos calemos, mas partilhemos a nossa gratidão onde quer que estejamos. Por Jesus, o Cristo teu Filho e nosso Irmão, que contigo reina na unidade do Espírito Santo.