quarta-feira, 24 de abril de 2019

HOMÍLIA DIÁRIA - (CANÇÃO NOVA) - Is 52,13–53,12 - 19/04/2019


O Cristo crucificado é o rosto dos humilhados de nossos dias

“A verdade é que ele tomava sobre si nossas enfermidades e sofria, ele mesmo, nossas dores; e nós pensávamos fosse um chagado, golpeado por Deus e humilhado!” (Is 52,4)

Hoje, celebramos a Paixão de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Nosso olhar se volta para o Cristo crucificado, Aquele que morreu na cruz abandonado pelos homens e socorrido por Deus. É hora de contemplarmos o sofrimento de Cristo, e o sofrimento d’Ele na cruz tem até forma de representação humana, porque foi demasiadamente humilhante.
Jesus foi desprezado, pisoteado e humilhado até o extremo. Quando a Palavra nos diz que nem aparência humana Ele tinha, é o melhor retrato para nos descrever a condição de sofrimento humano que se configurou em Cristo Jesus. Ele foi mesmo desprezado, humilhado, não tiveram dó, piedade e nenhuma misericórdia d’Ele. Ninguém tinha coragem de olhar para Ele.
Às vezes, temos em nossa casa um crucifixo bonito, retocado e muito bem feito pelos artistas, mas ele não representa o Cristo pregado na cruz. O Cristo pregado na cruz era horroroso de se ver, era humilhante demais para olhos contemplarem o que se passava sobre Ele. O Cristo crucificado, que hoje olhamos na cruz, continua sendo crucificado no rosto de todos os sofredores.

O Cristo crucificado é o rosto dos pobres, dos doentes, enfermos, desprezados e humilhados de nossos dias

Vamos a um hospital e vemos tantos enfermos, muitas vezes, jogados nos corredores de uma forma muito humilhante, porque há muitas doenças que humilham a pessoa humana. A comunhão com o Cristo crucificado é com todos os doentes e sofredores em todas as épocas da história da humanidade. Ele veio para pegar o mais sofredor e levar sobre si as dores e sofrimentos de todos.
Façamos, hoje, a nossa comunhão com Cristo crucificado. Ele não precisa da nossa compaixão, porque foi Homem de Deus para abraçar Sua cruz, viver a humilhação e dela ressurgir glorioso.
Hoje, Cristo precisa ser socorrido, amado, contemplado no rosto e na vida de todos aqueles que sofrem, pois eles são para nós a expressão do Cristo crucificado em nossos dias.
Meditemos, hoje, sem tirar o nosso olhar da cruz e sem nos esquecermos dos crucificados de nossos dias. Uma Sexta-feira Santa abençoada para todos nós!
Deus abençoe você!
Padre Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova


HOMÍLIA DIÁRIA - (CANÇÃO NOVA) - Jo 13,1-15 - 18/04/2019


Amar é colocar-se aos pés do próximo

“Derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, enxugando-os com a toalha com que estava cingido.” (João 13,5)

O início da Páscoa de Jesus, o Tríduo Pascal, mistério da Paixão, Morte e Ressurreição gloriosa de Jesus começa com Ele lavando os pés dos Seus apóstolos.
A riqueza do significado disso é o amor. A Palavra nos diz que Jesus amou os Seus até o fim, e só quem ama é capaz de doar-se de verdade. Jesus não amou só com palavras, Ele não amou com poucas atitudes. Jesus amou dando Sua própria vida por nós, porque quer nos mostrar que amar quer dizer “rebaixar-se”, colocar-se aos pés do outro para servi-lo.
Quando entramos numa igreja, ajoelhamo-nos aos pés de Jesus, ajoelhamo-nos aos pés de Deus, para honrá-Lo. Não basta, no entanto, só nos colocarmos aos pés d’Ele, pois quem ama Jesus na Eucaristia, quem O adora na Eucaristia, coloca-se também aos pés dos irmãos para servi-los, para lavar os pés uns dos outros.
Precisamos nos tratar uns aos outros como servos e senhores. Só Deus é nosso Senhor, mas nós O servimos não só quando nos colocamos aos Seus pés na Eucaristia, mas quando nos tornamos servos uns dos outros.
A verdade é que o orgulho, a soberba e o fato de nos sentirmos grandes até servindo a Deus nos impedem de termos atitudes concretas.

Jesus quer nos mostrar que amar quer dizer rebaixar-se, colocar-se aos pés do outro para servi-lo

Não permitamos que a Missa de hoje seja apenas um teatro emocionante, onde o padre, ao exemplo de Jesus, lava os pés de doze pessoas que simbolizam a comunidade. Trata-se de um gesto sacramental e de vida.
O amor é mandamento, o maior dos sacramentos! Precisamos lavar os pés dos pobres e doentes, precisamos cuidar uns dos outros, precisamos nos colocar à disposição dos outros. A nossa religião está fadada ao fracasso quando não é movida pelo amor.
Amar quer dizer servir, cuidar e colocar-se aos pés do outro. Não basta adorarmos Jesus, precisamos amá-Lo amando os nossos irmãos e nos colocando aos pés uns dos outros.
Deus abençoe você!
Padre Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova



HOMÍLIA DIÁRIA - (CANÇÃO NOVA) - Mt 26,14-25 - 17/04/2019


O dinheiro rouba o nosso coração do seguimento de Jesus

“’Que me dareis se vos entregar Jesus?’ Combinaram, então, trinta moedas de prata. E daí em diante, Judas procurava uma oportunidade para entregar Jesus.” (Mateus 26,15)

A pergunta que Judas faz aos sumos sacerdotes representa o que está no coração dele, os valores que guiam a sua existência: “Quanto é que vocês me darão”. Estamos sempre preocupados com o quanto ganharemos, o que receberemos ou o que levaremos de vantagem com alguma coisa.
Um pai de família precisa ganhar um salário suficiente para sustentar a sua casa. Você, como trabalhador, e cada um de nós precisa buscar aquilo que é justo. O problema não é buscar o que é justo, o problema é deixar que o justo se disfarce da justiça e tome conta do nosso coração disfarçado na insensatez da cobiça e da avareza, que leva-nos, muitas vezes, a nos vendermos e a comprarmos uns aos outros.
É sempre preciso dizer que o “deus” deste mundo é o dinheiro, ele manda nas pessoas, ele faz as pessoas serem mais ou menos importantes, ele faz com que bajulemos as pessoas porque que têm dinheiro e desprezemos ou nos equivoquemos com as pessoas que nada têm. Ele faz com que tenhamos comportamentos dúbios para sermos compensados financeiramente ou reconhecidos por aquilo que fazemos.
O dinheiro impulsiona o coração do homem. Quem tem quer ter mais, quem não tem se angustia pelo fato de não ter. Esse desequilíbrio que ele gera em nossa vida nos torna pessoas cobiçosas.
Qual é o valor da nossa vida? Incomparável e sem valor financeiro nenhum. Qual é o valor do nosso caráter? Qual é o valor das nossas escolhas?

Não deixemos que nada roube o nosso coração de Deus, quanto menos o dinheiro

Combinaram trinta moedas de prata para que Judas pudesse entregar Jesus. É o preço que Ele pagou da sua fidelidade, do seu seguimento, da sua convivência com Jesus. Na verdade, o dinheiro roubou o coração de Judas.
Não deixemos que nada roube o nosso coração de Deus, quanto menos o dinheiro. Mas muitas outras coisas que o mundo dá valor, na verdade, tira o valor que Deus tem para nós.
A Liturgia de hoje é um convite para refletirmos e questionarmos o nosso coração: “Qual é o valor que Deus tem para mim?”. Aquilo que tem valor, colocamos em primeiro lugar. Eu sei que Deus tem muito valor para nós, mas não basta ter muito valor, porque o valor d’Ele é único e incomparável a nada neste mundo.
De uma forma mesquinha, Judas comparou o sangue de Jesus com trinta moedas de prata. Hoje, por bem menos ou mais, não entramos em nada quantitativo, mas estamos deixando que roubem nossa fé, nossos valores e o seguimento de Jesus.
Que o nosso coração se ordene para aquilo que, de fato, é o valor mais precioso da nossa vida.
Deus abençoe você!
Padre Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova


BOM DIA! BOA TARDE! BOA NOITE! Oração da noite, Oração da manhã e Oração do entardecer - Deus te abençoe!



Oração da Noite

Boa noite Pai.
Termina o dia e a ti entrego meu cansaço.
Obrigado por tudo e… perdão!!
Obrigado pela esperança que hoje animou meus passos, pela alegria que vi no rosto das crianças;
Obrigado pelo exemplo que recebi daquele meu irmão;
Obrigado também por isso que me fez sofrer…
Obrigado porque naquele momento de desânimo lembrei que tu és meu Pai; Obrigado pela luz, pela noite, pela brisa, pela comida, pelo meu desejo de superação…
Obrigado, Pai, porque me deste uma Mãe!
Perdão, também, Senhor!
Perdão por meu rosto carrancudo; Perdão porque não me lembrei que não sou filho único, mas irmão de muitos; Perdão, Pai, pela falta de colaboração e serviço e porque não evitei aquela lágrima, aquele desgosto; Perdão por ter guardado para mim tua mensagem de amor;
Perdão por não ter sabido hoje entregar-me e dizer: “sim”, como Maria.
Perdão por aqueles que deviam pedir-te perdão e não se decidem.
Perdoa-me, Pai, e abençoa os meus propósitos para o dia de amanhã, que ao despertar, me invada novo entusiasmo; que o dia de amanhã seja um ininterrupto “sim” vivido conscientemente.
Amém!!!

Oração da manhã

Bom-dia, Senhor Deus e Pai!
A ti, a nossa gratidão pela vida que desperta, pelo calor que
cria vida, pela luz que abre nossos olhos.
Nós te agradecemos por tudo que forma nossa vida, pela terra, pela água, pelo ar, pelas pessoas. Inspira-nos com teu Espírito Santo os pensamentos que vamos alimentar, as palavras que vamos dizer, os gestos que vamos dirigir, a comunicação que vamos realizar.
Abençoa as pessoas que nós encontramos, os alimentos que vamos ingerir.
Abençoa os passos que nós dermos, o trabalho que devemos fazer.
Abençoa, Senhor, as decisões que vamos tomar, a esperança que vamos promover, a paz que vamos semear, a fé que vamos viver, o amor que vamos partilhar.
Ajuda-nos, Senhor, a não fugir diante das dificuldades, mas a abraçar amor as pequenas cruzes deste dia.
Queremos estar contigo, Senhor, no início, durante e no fim deste dia.
Amém.

Oração do entardecer

Ó Deus!
Cai à tarde, a noite se aproxima.
Há neste instante, um chamado à elevação, à paz, à reflexão.
O dia passa e carregam os meus cuidados.
Quem fez, fez.
Também a minha existência material é um dia que se passa,
uma plantação que se faz, um caminho para algo superior.
Como fizeste a manhã, à tarde e a noite, com seus encantos,
fizeste também a mim, com os meus significados, meus resultados.
Aproxima de mim, Pai, a Tua paz para que usufrua desta
hora e tome seguras decisões para amanhã.
Que se ponha o sol no horizonte, mas que nasça
em mim o sol da renovação e da paz para sempre.
Obrigado, Deus, muito obrigado!
Amém!

HOMÍLIA DIÁRIA, COMENTÁRIO E REFLEXÃO DO EVANGELHO DO DIA 24/04/2019

ANO C


Lc 24,13-35

Comentário do Evangelho

O caminho de Emaús

O capítulo 24 é um resumo de todo o evangelho. Durante a viagem a Emaús, os discípulos retomam ponto por ponto as grandes etapas do ministério de Jesus. O evangelho de hoje, nós já o comentamos brevemente no último dia 31 de março. Vale ressaltar um aspecto que com frequência é esquecido: o tempo que separa o “ver” do “reconhecer” permite a lição de exegese que os dois discípulos confessarão ter transformado suas vidas (cf. v. 32). O caminho de Jerusalém a Emaús é o suporte simbólico de outro caminho: através das Escrituras. Viagem longa e necessária para que se abram os corações, a inteligência e os olhos dos discípulos.
Carlos Alberto Contieri, sj
Oração
Pai, não permitas que eu caia na tentação de viver distante de meus irmãos e irmãs de fé, pois o Senhor Ressuscitado nos quer todos reunidos em seu nome.
Fonte: Arquidiocese BH em 03/04/2013

Vivendo a Palavra

O companheiro desconhecido de Cléofas bem que poderia ser cada um de nós que não poucas vezes nos vemos na situação de desânimo e tristeza daqueles discípulos. Nestas horas, procuremos nas Palavras de Jesus o conforto e consolo para nossa angústia e coragem para anunciar aos irmãos o Reino do Pai que já mora em nós.
Fonte: Arquidiocese BH em 03/04/2013

Vivendo a PalavrA

companheiro desconhecido de Cléofas bem que poderia ser qualquer um de nós, que não poucas vezes nos vemos andando pelos caminhos da vida em situação de desânimo e tristeza parecida com a daqueles discípulos. Nestas horas, procuremos nas Palavras de Jesus o conforto e consolo para nossa angústia, e coragem para anunciar aos irmãos que o Ressuscitado continua conosco na caminhada.

Reflexão

Este trecho nos mostra todas as etapas do trabalho evangelizador. Inicialmente, as pessoas estão caminhando em comunidade. Ninguém caminha verdadeiramente quando está sozinho. Jesus é o verdadeiro evangelizador, que entra na caminhada das pessoas, caminha com elas. Durante a caminhada, faz seus corações arderem, porque desperta neles o amor, permanece com eles, formando uma nova comunidade, e se dá verdadeiramente a conhecer quando as pessoas dão respostas concretas aos apelos do amor, fazendo com que elas sejam novas testemunhas da ressurreição.
Fonte: CNBB em 03/04/2013

Reflexão

Jesus ressuscitado só aparece aos que já o conheciam e tinham condições de reconhecer seus gestos e palavras. No mesmo dia da ressurreição, Jesus percorre longo caminho com os discípulos de Emaús e se interessa por suas preocupações, dores e alegrias. Dá resposta a seus anseios, citando as Escrituras. É a Palavra de Deus que ilumina a caminhada dos homens e mulheres de todos os tempos. O insistente convite dos discípulos para o peregrino ficar com eles, dá ocasião para Jesus se revelar claramente ao partir o pão. Inflamados de amor, os discípulos refazem o caminho de volta e partilham com os apóstolos sua experiência com o Ressuscitado. Da comunhão com Deus brota a autêntica missão. Este episódio realça os dois elementos básicos da celebração eucarística: a Palavra e a Eucaristia.
(Dia a dia com o Evangelho 2019 – Pe. Luiz Miguel Duarte, ssp)

Meditando o evangelho

CORAÇÕES LENTOS PARA CRER

 A fé na ressurreição consolidou-se no coração dos discípulos de maneira muito lenta. O choque provocado pela crucifixão do Mestre causou-lhes um impacto enorme. Embora tivesse demonstrado ser "um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo", Jesus fora condenado à morte reservada ao malditos e marginais. Com isto, os discípulos viam esvair-se sua esperança de ver Israel libertado da opressão estrangeira, e reconquistar a condição de povo livre, segundo o querer do Pai.
A decepção deu lugar à deserção. Seria inútil dar continuidade ao grupo formado pelo Mestre quando ele ainda vivia, já que, diante da cruz, tudo quanto dissera e fizera tinha perdido sua consistência. Conseqüentemente, nem merecia ser recordado. Era tempo de colocar um ponto final nessa experiência que despontara tão promissora!
A superação deste desânimo deu-se após um lento processo de repensamento, à luz das Escrituras, de tudo quanto acontecera com o Senhor. Foi preciso que os discípulos vissem a cruz com uma perspectiva aberta, relacionando-a com o conjunto da vida do Mestre, relida à luz do cumprimento do desígnio de Deus.
Na medida em que se deslanchava um processo de compreensão da ressurreição, eles experimentavam uma profunda mudança interior. Revigorados na fé, reconheceram ser preciso voltar à vida de comunidade e se tornar proclamadores da ressurreição.
(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês)
Oração
Pai, revela-me o sentido da ressurreição de Jesus, de maneira que minha fé seja revigorada e eu possa sentir a alegria de estar junto com os irmãos e as irmãs de fé.

COMENTÁRIO DO EVANGELHO

1. A FRUSTRAÇÃO SUPERADA
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado no Portal Dom Total a cada mês).

A crucifixão de Jesus foi um duro golpe para a comunidade cristã. Com ela, vieram abaixo os projetos de libertação, carinhosamente acalentados pelos discípulos. As palavras e as ações do Mestre pareciam dignas de fé. Seu modo de ser tinha algo de especial, bem diferente do que até então se tinha visto.  Sua morte na cruz, no entanto, deixou, nos discípulos, o sabor da frustração e da desilusão!
Foi preciso que o Ressuscitado os chamasse à realidade. Eles não estavam dispensados da missão. Por conseguinte, não havia motivo para se dispersarem e voltarem  para sua cidade de origem, uma vez que tinham, diante de si, um mundo a ser evangelizado. Era insensato cultivar sentimentos de morte, quando a vida já havia despontado e se fazia presente no Ressuscitado. Por que fixar-se no aspecto negativo da vida, já que a realidade vai muito além?
Os discípulos de Emaús retratam os cristãos desiludidos de todos os tempos, uma vez que não acreditam na possibilidade de se criar um mundo fraterno. São os pessimistas, centrados em si mesmos, incapazes de projetar-se para além dos próprios horizontes. Ou seja, são cristãos nos quais a ressurreição ainda não produziu frutos.
Só a descoberta do Ressuscitado permite ao cristão superar os reveses da vida. Aí então, ele se dará  conta de que, apesar da cruz, vale a pena somar esforços para construir o Reino.
Oração
Espírito de otimismo, abre meus olhos para que eu perceba a presença do Ressuscitado junto de mim, e assim, reencontre a razão de viver.
Fonte: NPD Brasil em 03/04/2013

COMENTÁRIOS DO EVANGELHO

1. CAMINHANDO COM JESUS
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Diácono José da Cruz - Diácono da Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP)

Nhá Maria era uma senhora bem pobre que gostava muito de vir em nossa casa para receber alguma ajuda. Naquele tempo, o pedinte não era um estranho que causava medo e insegurança como hoje, e nós a acolhíamos na mesa da refeição, porque jamais minha mãe permitia que ela ficasse na porta ou na calçada, um filho de Deus tem que sentar-se á mesa, nos dizia sempre. Claro que os tempos eram outros e ninguém pensava em seqüestro ou assalto. Depois de ouvi-la atentamente, a conversa sempre terminava com a frase tão batida lá em casa, “Se for da vontade de Deus, tudo vai melhorar e dar certo”, que minha mãe dizia, enquanto preparava um cafezinho fresco que a Nhá Maria tomava antes de ir embora, toda agradecida, não sem antes ajudar a arrumar a cozinha.Este evangelho mostra algo que hoje não se pratica muito em nossas relações: ouvir as pessoas, caminhar com elas, saber como está a vida, o que anda pensando ou sonhando, ou porque andam tristes. Passamos de carro, sempre apressados, e no máximo fazemos um aceno ou buzinamos para os conhecidos.
O caminhante que se junta aos dois peregrinos age diferente, percebe que estão tristes e desanimados, se junta a eles, quer saber o que aconteceu, qual a causa da tristeza, ouve com atenção e somente depois é que vai falar, não deixou suas inquietações sem uma resposta, não terminou a prosa com aquele jeito resignado “fazer o que, a vida é assim mesmo...” Como muitas vezes encerramos nossa conversa com alguém que está sofrendo ou desanimado. É bem verdade que os censurou por serem tão lerdos na compreensão da escritura antiga, mas a conversa foi agradável, marcada pela ternura, pois não se pode anunciar o evangelho com gestos bruscos e cara feia, como se quisesse dar uma lição de moral em quem ouve, isso é perda de tempo! O texto não deixa dúvidas quanto a isso, seus corações ficaram abrasados, enquanto Jesus lhes falava, levando-os a descoberta de algo novo, o sofrimento faz parte da vida, mas não é a última palavra.
Considerando-se a intencionalidade do autor, o texto trata de uma celebração eucarística, com duas partes bem distintas: a Palavra e a Eucaristia, aliás, coisa que nós cristãos herdamos do Judaísmo em uma junção da Sinagoga, lugar da reflexão da Palavra, e Templo, lugar do Sacrifício. Vivemos um tempo histórico diferente do que viveram esses discípulos, porém a situação é quase a mesma, achamos difícil perceber a presença do Senhor em meio a um quadro muitas vezes desolador, e a história de Emaús, mais parece uma bela lembrança. Eis uma fé distorcida e fragilizada como a dos dois discípulos peregrinos! No coração do Cristão, Jesus Ressuscitado na maioria das vezes é alguém distante de nossa vida e de nossos problemas, parece que o Jesus da história é um, e o Jesus da Salvação é outro.
Pois esse evangelho, belíssimo por sinal, nos mostra que na comunidade, em cada celebração a história se repete o Senhor nos questiona sobre o que estamos falando pelo caminho desta vida, em que acreditamos, quais são nossas aspirações, o que queremos ver realizado. A palavra que celebramos nos fala da vida de Jesus e de nossa vida também, ela nos encoraja porque penetra em nosso coração, não se restringindo a um mero rito.
Uma caminhada com uma prosa saudável e edificante, fortalecedora e motivadora, não tem coisa mais revigorante neste mundo, assim é que Jesus vem ao nosso encontro em cada domingo. A palavra de Jesus que caminha com eles, não é conversa fiada, lamentação e choramingos, porque as coisas não vão bem, em casa, na comunidade, no trabalho ou na política, Jesus é alguém diferente, que encontrou um sentido novo e sua palavra renovadora, fortalecedora é revigorante, porque nos faz dar a volta por cima, por isso, aos seus discípulos de ontem e de hoje, ele vem confirmar o seu projeto de salvação, anunciando que a morte e a força do mal, não têm nenhum poder sobre o Reino que ele instalou no meio dos homens.
E depois de uma boa conversa, em uma mesa de refeição, Cleofas e seu amigo de caminhada sentem que não podem mais viver sem aquele homem, e o acolhem no coração, quando o conhecem no partir do pão, onde o Senhor partilha com eles seus sonhos e projetos de vida, que ajudam a construir o reino novo.
Não tenhamos medo de percorrer o caminho de Emaús, onde levamos, é verdade, nossos desânimos e fracassos, mas diante da palavra que nos aquece o coração, , manifestemos o desejo de que o Senhor fique sempre conosco, “Fica conosco Senhor pois é tarde, e a noite vem chegando”. E no pão que se parte e reparte, nos fortalecemos, e voltamos com pressa á nossa comunidade, onde não há mais noite, mas na fé caminhamos com os irmãos e irmãs, diante da luz sempre reluzente que é o próprio Deus, presente em Cristo - Jesus!

2. Não estava ardendo o nosso coração?
(O comentário do Evangelho abaixo é feito por Côn. Celso Pedro da Silva, ‘A Bíblia dia a dia 2017’, Paulinas e disponibilizado no Portal Paulinas - http://comeceodiafeliz.com.br/evangelho)

Realmente o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão. Fica conosco, Senhor, é tarde, e a noite já vem!

HOMILIA DIÁRIA


Postado por: homilia
abril 3rd, 2013

Lucas é o único que narra a volta de dois discípulos de Jesus para a cidade de Emaús, após terem vivenciado o martírio de seu Mestre, em Jerusalém.
Jesus havia morrido e uma sensação depressiva tomava conta de Seus muitos discípulos -  não apenas de Seus doze apóstolos. Cada um fugiu como pôde da presença das autoridades que queriam incriminar a todos os que seguiram Aquele que agora estava morto, por conta deste ter levantado tanta insurreição e contradição em Jerusalém e circunvizinhanças.
Aqueles dois discípulos sabiam de tudo. Tinham todas as últimas informações sobre a vida e a morte de uma pessoa conhecida deles. Mas não sabiam  que Aquele que a eles se dirigia – e que outrora estivera morto e agora estava vivo – era a própria fonte de toda vida, o único capaz de lhes tirar daquele estado de profunda angústia.
Porque “sabia-se e sabe-se de tudo”, mas desconhece-se, ainda, o que o Senhor pode fazer, pois Ele é uma resposta que não mais agrada a uma sociedade encantada por tudo o que aprendeu e sabe fazer e ter.
Jesus faz menção de ir embora, mas os dois O convidam a repousar na cidade deles, já que a hora avançara bem. Jesus aceita o convite e compartilha com eles do pão. A partilha fraterna, a solidariedade e o amor constituem a prática que a todos revela a presença viva do Senhor nas comunidades e no mundo. É reconhecido, neste instante, mas desaparece do meio dos dois, segundo o texto.
Comentando o estranho episódio, um deles diz: “Por acaso não ardia o peito dentro de nós enquanto Ele nos falava aquelas coisas?”.
Estar a caminho, à procura, exprime a situação da nossa vida. O caminho requer, também, capacidade de mudar. A Bíblia indica-nos qual é a direção melhor, aquela que nos dá a liberdade dos filhos de Deus. Descubramos que nossos companheiros de viagem são especialmente as pessoas que sofrem. Reconheçamo-nos a nós mesmos como portadores de sofrimentos e necessitados de acompanhamento.
Em nossas convivências, como os dois discípulos a caminho para Emaús, falemos das coisas da vida, de acontecimentos e problemas concretos. Deus faz-se presente na história e indica-nos a direção duma mudança capaz de oferecer uma grande alegria. Então, como os discípulos, também nós diremos: “Não parecia que o nosso coração queimava dentro do peito, quando Ele nos falava na estrada e nos explicava as Sagradas Escrituras?”
Padre Bantu Mendonça
Fonte: Canção Nova em 03/04/2013

Oração Final
Pai Santo, fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando... Abrasa o nosso coração com tua Palavra Criadora, com teu Amor inefável e faz de nós arautos para anunciar o teu Reinado de Amor já presente entre nós, ainda que não em sua plenitude. Por Jesus Cristo, teu Filho e nosso Irmão, na unidade do Espírito Santo.
Fonte: Arquidiocese BH em 03/04/2013

Oração FinaL
pai Santo, fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando… Abrasa o nosso coração com tua Palavra Criadora, com teu Amor inefável, e faz de nós arautos para anunciar a todos que o teu Reinado de Amor já está presente em nós, embora ainda em busca da sua plenitude. Por Jesus Cristo, teu Filho que se fez nosso Irmão e contigo reina na unidade do Espírito Santo.