quarta-feira, 23 de novembro de 2022

NA ÍNTEGRA - Catequese do Papa Francisco sobre discernimento: o desejo

QUARTA-FEIRA, 12 DE OUTUBRO DE 2022, 10H17

CATEQUESE DO PAPA FRANCISCO
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 12 de outubro de 2022

Santa Sé

Catequeses sobre o discernimento 5. Os elementos do discernimento. O desejo

Estimados irmãos e irmãs, bom dia!

Nestas catequeses, revemos os elementos do discernimento. Depois da oração e do conhecimento de si, isto é, rezar e conhecer-se a si mesmo, hoje gostaria de falar sobre outro “ingrediente”, por assim dizer, indispensável: hoje gostaria de falar sobre o desejo. Com efeito, o discernimento é uma forma de busca, e a busca deriva sempre de algo que nos falta, mas que de certo modo, conhecemos, intuímos.
De que tipo é este conhecimento? Os mestres espirituais indicam-no com o termo “desejo” que, na raiz, é uma nostalgia de plenitude que nunca encontra realização total, e é o sinal da presença de Deus em nós. O desejo não é a vontade do momento, não. A palavra italiana vem de um termo latino muito bonito, isto é curioso: de-sidus, literalmente “a falta da estrela”, desejo é uma falta da estrela, falta do ponto de referência que orienta o caminho da vida; ela evoca um sofrimento, uma carência e, ao mesmo tempo, uma tensão para alcançar o bem que nos falta. Então, o desejo é a bússola para compreender onde estou e para onde vou, aliás é a bússola para compreender se estou parado ou a caminhar, uma pessoa que nunca deseja é uma pessoa parada, talvez doente, quase morta. É a bússola que indica se estou a caminhar ou parado. E como é possível reconhecê-lo?
Pensemos, um desejo sincero sabe tocar profundamente as cordas do nosso ser, e por isso não se extingue perante as dificuldades ou contratempos. É como quando estamos com sede: se não encontramos algo para beber, não renunciamos; pelo contrário, a busca ocupa cada vez mais os nossos pensamentos e ações, até nos dispormos a fazer qualquer sacrifício para a poder saciar, quase obcecados. Obstáculos e fracassos não sufocam o desejo, não; pelo contrário, tornam-no ainda mais vivo em nós.
Ao contrário da vontade ou da emoção do momento, o desejo dura no tempo, até por muito tempo, e tende a concretizar-se. Se, por exemplo, um jovem desejar tornar-se médico, deverá empreender um percurso de estudos e de trabalho que ocupará vários anos da sua vida e, consequentemente, deverá estabelecer limites, dizer “não”, em primeiro lugar a outros percursos de estudos, mas também a possíveis lazeres e distrações, especialmente nos momentos mais intensos de estudo. No entanto, o desejo de dar um rumo à sua vida e de alcançar aquela meta – chegar a ser médico era o exemplo – permite-lhe superar tais dificuldades. O desejo torna-te forte, corajoso, faz com que vás em frente sempre porque queres chegar àquilo: “Eu desejo aquilo”.
Com efeito, um valor torna-se belo e mais facilmente realizável quando é atraente. Como alguém disse, «mais do que ser bom é importante ter o desejo de se tornar bom». Ser bom é atraente, todos queremos ser bons, mas temos a vontade de nos tornarmos bons?
É impressionante que Jesus, antes de realizar um milagre, frequentemente questione a pessoa sobre o seu desejo: “Queres ser curado?”. E às vezes esta pergunta parece inoportuna, mas vê-se que está doente! Por exemplo, quando encontra o paralítico na piscina de Betesda, que já estava ali havia muitos anos e nunca conseguia encontrar o momento certo para entrar na água. Jesus pergunta-lhe: «Queres ser curado?» (Jo 5, 6). Porquê? Na realidade, a resposta do paralítico revela uma série de estranhas resistências à cura, que não dizem respeito somente a ele. A pergunta de Jesus era um convite a esclarecer o seu coração, para acolher um possível salto de qualidade: deixar de pensar em si próprio e na sua vida “de paralítico”, transportado por outros. Mas o homem na maca não parece estar tão convencido disto. Dialogando com o Senhor, aprendemos a compreender o que verdadeiramente queremos da nossa vida. Aquele paralítico é o exemplo típico das pessoas: “Sim, sim, quero, quero”, mas não quero, não quero, não faço nada. O querer fazer torna-se como uma ilusão e não se dá o passo para o fazer. As pessoas que querem e não querem. Isto é terrível, e aquele doente de 38 anos, sempre com lamentações: “Não, sabes Senhor, mas sabes que quando as águas se movem – que é o momento do milagre – tu sabes, vem alguém mais forte do que eu, entra e eu chego atrasado”, e lamenta-se e lamenta-se. Mas estai atentos que as lamentações são um veneno, um veneno para a alma, um veneno para a vida pois não te fazem crescer o desejo de ir em frente. Estai atentos com as lamentações. Quando se lamentam em família, lamentam-se os cônjuges, lamentam-se uns dos outros, os filhos dos pais ou os sacerdotes do bispo ou os bispos de muitas outras coisas… Não, se vos encontrardes no meio de lamentações, estai atentos, é quase pecado, pois não deixa crescer o desejo.
Muitas vezes, é precisamente o desejo que faz a diferença entre um projeto de sucesso, coerente e duradouro, e os milhares de veleidades e tantos bons propósitos com que, como se diz, “é pavimentado o inferno”: “Sim, eu queria, queria, queria…” mas nada faz. A época em que vivemos parece favorecer a máxima liberdade de escolha, mas ao mesmo tempo atrofia o desejo – queres satisfazer-te continuamente – reduzido principalmente à vontade do momento. E devemos estar atentos a não atrofiar o desejo. Somos bombardeados por mil propostas, projetos e possibilidades, que correm o risco de nos distrair e de não nos permitir avaliar com calma o que realmente queremos. Muitas vezes, encontramos pessoas – pensemos nos jovens por exemplo – com o telemóvel na mão e procuram, olham… “Mas tu paras para pensar?” – “Não”. Sempre extroverso, para com o outro. Assim o desejo não pode crescer, tu vives o momento, saciado no momento e o desejo não cresce.
Muitas pessoas sofrem porque não sabem o que querem da própria vida; provavelmente nunca entraram em contacto com o seu desejo mais profundo, nunca souberam: “O que queres da tua vida?” – “não sei”. Daqui deriva o risco de passar a existência entre tentativas e expedientes de vários tipos, sem nunca chegar a lado algum, desperdiçando oportunidades preciosas. E assim certas mudanças, embora desejadas em teoria, quando se apresenta a ocasião, nunca são postas em prática, falta o desejo forte de levar algo adiante.
Se hoje, por exemplo, a qualquer um de nós, o Senhor nos dirigisse a pergunta que fez ao cego de Jericó: «Que queres que te faça?» (Mc 10, 51) – imaginemos que o Senhor pergunte hoje a cada um de nós: “que queres que eu faça por ti” – como responderíamos? Talvez finalmente pudéssemos pedir-lhe que nos ajude a conhecer o profundo desejo d’Ele que o próprio Deus colocou no nosso coração: “Senhor, que eu conheça os meus desejos, que eu seja uma mulher, um homem de grandes desejos” talvez o Senhor nos conceda a força para o realizar. É uma graça imensa, na base de todas as outras: permitir que o Senhor, como no Evangelho, faça milagres para nós: “Concedei-nos o desejo e fazei-o crescer, Senhor”.
Porque também Ele tem um grande desejo em relação a nós: tornar-nos partícipes da sua plenitude de vida. Obrigado.

NA ÍNTEGRA - Catequese do Papa sobre discernimento: conhecer a si mesmo

QUARTA-FEIRA, 5 DE OUTUBRO DE 2022, 7H32

CATEQUESE DO PAPA FRANCISCO
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 5 de outubro de 2022

Santa Sé

Catequeses sobre o discernimento 4. Os elementos do discernimento. Conhecer-se a si mesmo.

Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Continuamos a abordar o tema do discernimento. Na semana passada, consideramos como seu elemento indispensável o da oração, entendida como familiaridade e confidência com Deus. Oração, não como os papagaios, mas como familiaridade e confidência com Deus; oração dos filhos ao Pai; oração com o coração aberto. Vimos isto na última Catequese. Hoje, gostaria de salientar, de maneira quase complementar, que o bom discernimento exige também o conhecimento de si. Conhecer a si mesmo. E isto não é fácil. Com efeito, o discernimento envolve as nossas faculdades humanas: a memória, o intelecto, a vontade, os afetos. Muitas vezes, não sabemos discernir por que não nos conhecemos de modo suficiente, e assim não sabemos o que realmente queremos. Ouvistes muitas vezes: “Mas aquela pessoa, por que não se ocupa da sua vida? Nunca soube o que quer…”. Sem chegar àquele extremo, mas também a nós acontece que não sabemos bem o que queremos, não nos conhecemos bem.
Na base de dúvidas espirituais e crises vocacionais encontra-se não raro um diálogo insuficiente entre a vida religiosa e a nossa dimensão humana, cognitiva e afetiva. Um autor de espiritualidade observava que muitas dificuldades a respeito do tema do discernimento remetem para problemas de outro tipo, que devem ser reconhecidos e explorados. Assim escreve este autor: «Cheguei à convicção de que o maior obstáculo para o verdadeiro discernimento (e para o verdadeiro crescimento na oração) não é a natureza intangível de Deus, mas a constatação de que não nos conhecemos suficientemente a nós próprios, e de que nem sequer queremos conhecer-nos como verdadeiramente somos. Quase todos nos escondemos por detrás de uma máscara, não só perante os outros, mas também quando nos olhamos ao espelho» (Th. Green, Il grano e la zizzania, Roma, 1992, 25). Todos temos a tentação de usar máscaras inclusive diante de nós mesmos.
O esquecimento da presença de Deus na nossa vida anda de mãos dadas com a ignorância sobre nós mesmos – ignorar Deus e ignorar-nos – ignorância sobre as caraterísticas da nossa personalidade e sobre os nossos desejos mais profundos.
Conhecer-se a si próprio não é difícil, mas é cansativo: exige um paciente trabalho de escavação interior. Requer a capacidade de parar, de “desativar o piloto automático”, de tomar consciência da nossa maneira de agir, dos sentimentos que nos habitam, dos pensamentos recorrentes que nos condicionam e, muitas vezes, sem que saibamos. Exige também que se distinga entre as emoções e as faculdades espirituais. “Sinto” não é a mesma coisa que “estou convencido”; “apetece-me” não é a mesma coisa que “desejo”. Assim chegamos a reconhecer que a visão que temos de nós próprios e da realidade é, às vezes, um pouco deturpada. Compreender isto é uma graça! Com efeito, muitas vezes pode acontecer que convicções erradas sobre a realidade, baseadas nas experiências do passado, nos influenciem fortemente, limitando a nossa liberdade de apostar naquilo que realmente conta na nossa vida.
Vivendo na era da informática, sabemos como é importante conhecer as passwords para podermos entrar nos programas em que se encontram as informações mais pessoais e preciosas. Mas até a vida espiritual tem as suas passwords: há palavras que tocam o coração, porque remetem para aquilo a que somos mais sensíveis. O tentador, isto é o diabo, conhece bem estas palavras-chave, e é importante que também nós as conheçamos, para não nos encontrarmos onde não gostaríamos. A tentação não sugere necessariamente coisas más, mas, muitas vezes, coisas desordenadas, apresentadas com importância excessiva. Desse modo, hipnotiza-nos com a atratividade que tais coisas suscitam em nós, coisas bonitas, mas ilusórias, que não podem cumprir o que prometem, e assim, no final, deixam-nos uma sensação de vazio e de tristeza. Aquela sensação de vazio e tristeza é um sinal de que empreendemos uma estrada que não era correta, que nos desorientou. Por exemplo, podem ser o título de estudos, a carreira, os relacionamentos, tudo em si louvável, mas em reação ao que, se não formos livres, corremos o risco de alimentar expetativas irreais, como por exemplo a confirmação do nosso valor. Por exemplo, tu quando pensas num estudo que estás a fazer, pensas nele apenas para te promover a ti mesmo, para o teu interesse, ou também para servir a comunidade? Nisto pode-se ver qual é a intencionalidade de cada um de nós. Deste mal-entendido derivam com frequência os maiores sofrimentos, dado que nada disto pode ser a garantia da nossa dignidade.
Por isso, estimados irmãos e irmãs, é importante conhecer-se, conhecer as passwords do nosso coração, aquilo a que somos mais sensíveis, para nos protegermos de quem se apresenta com palavras persuasivas para nos manipular, mas também para reconhecer o que é realmente importante para nós, distinguindo-o das modas do momento ou de slogans vistosos e superficiais. Muitas vezes, o que se diz num programa de televisão, nalguma publicidade que se faz, comove-nos o coração e faz-nos ir numa direção sem liberdade. Estai atentos a isto: sou livre ou deixo-me influenciar pelos sentimentos do momento, ou pelas provocações do momento?
Uma ajuda para isso é o exame de consciência, mas não falo do exame de consciência que todos fazemos quando vamos à confissão, não. Isto é: “Mas cometi este pecado, aquile…”. Não. Exame de consciência geral do dia: o que aconteceu no meu coração neste dia? “Aconteceram muitas coisas…”. Quais? Por quê? Quais traços deixaram no coração? Fazer exame de consciência, ou seja, o bom hábito de reler com calma o que acontece no nosso dia, aprendendo a observar nas avaliações e escolhas aquilo a que damos mais importância, o que procuramos e o porquê, e o que afinal encontramos. Aprendendo sobretudo a reconhecer o que sacia o meu coração. Pois somente o Senhor nos pode dar a confirmação de quanto valemos. Diz-nos isto todos os dias da cruz: morreu por nós, para nos mostrar quão preciosos somos aos seus olhos. Não há obstáculo nem fracasso que possa impedir o seu terno abraço. O exame de consciência ajuda muito, pois assim vemos que o nosso coração não é uma estrada onde acontece de tudo sem que nós o saibamos. Não. Ver: o que ocorreu hoje? O que aconteceu? O que me fez reagir? O que me entristeceu? O que me alegrou? O que foi desagradável e se pratiquei algum mal aos outros. Trata-se de ver o percurso dos sentimentos, das atrações no meu coração durante o dia. Não vos esqueçais! Na semana passada falamos sobre a oração; hoje falamos da consciência de si mesmo.
A oração e o conhecimento de nós mesmos permitem-nos crescer na liberdade. Eis, é para crescer na liberdade! São elementos básicos da existência cristã, elementos preciosos para encontrar o próprio lugar na vida. Obrigado.

LEITURA ORANTE DO DIA 23/11/2022



LEITURA ORANTE

Lc 21,12-19 - Jesus nos garante palavras de sabedoria


Graça e Paz a todos os que se reúnem aqui,
na web, em torno da Palavra.
É tempo de crescimento. Crescer  significa caminhar com a certeza de que Deus está conosco. O  Senhor está chegando, cresçamos nesta compreensão e certeza: Ele caminha conosco. Vamos com Ele. Observemos como vivemos.
Rezemos  o Salmo 94:

- Venham, ó nações, ao Senhor cantar
- Ao Deus do universo, venham festejar

- Seu amor por nós, firme para sempre
- Sua fidelidade dura eternamente

- Toda a terra aclame, cante ao Senhor
- Sirva com alegria, venha com fervor

- Nossas mãos orantes para o céu subindo
- Cheguem como oferenda ao som deste hino

- Glória ao Pai, ao Filho e ao Santo Espírito
- Glória à Trindade Santa, glória ao Deus bendito

1. Leitura (Verdade)
- O que a Palavra diz?
Lemos atentamente o texto do Evangelho do Dia: Lc 21,12-19.
- Mas, antes de acontecer tudo isso, vocês serão presos e perseguidos. Vocês serão entregues para serem julgados nas sinagogas e depois serão jogados na cadeia. Por serem meus seguidores, vocês serão levados aos reis e aos governadores para serem julgados. E isso dará oportunidade a vocês para anunciarem o evangelho. Resolvam desde já que não vão ficar preocupados, antes da hora, com o que dirão para se defender. Porque eu lhes darei palavras e sabedoria que os seus inimigos não poderão resistir, nem negar. Vocês serão entregues às autoridades pelos seus próprios pais, irmãos, parentes e amigos, e alguns de vocês serão mortos. Todos odiarão vocês por serem meus seguidores. Mas nem um fio de cabelo de vocês será perdido. Fiquem firmes, pois assim vocês serão salvos.
Refletindo
Jesus fala aos discípulos, dizendo-lhes que serão perseguidos, presos, julgados. E vê nisto tudo oportunidades para anunciar o Evangelho.
“Antes de tudo isto, vocês serão perseguidos...” (v. 12).
Prevê Jesus uma reação violenta por parte das autoridades judaicas e das autoridades romanas (diante de governadores e reis).
Por causa de quê?
Por estar como discípulo empenhado ativamente na transformação da ordem injusta, anunciando, denunciando e realizando os sinais do Reino, exatamente como fez o Mestre. Daí que quase os mesmos termos que anunciam sua Paixão, anunciam também o caminho de sofrimento para seus seguidores.
Mais ainda, o Mestre lhes dá uma recomendação: não fiquem preocupados.
E lhes garante: "darei a vocês palavras e sabedoria suficientes para se defenderem”. "Vocês serão odiados por serem meus seguidores, mas fiquem firmes. Nenhum cabelo de vocês de perderá. E vocês serão salvos"

2. Meditação Caminho)
- O que a Palavra diz para nós?
Semeiam o mal ao meu redor e às vezes sou até atingido por ele.
Como reagimos?
Como reagimos diante de uma ordem injusta?
Permitimos que o mal vá penetrando na sociedade ou usamos nossa consciência para filtrar e distinguir o que é do bem e o que é manobra de poderosos, de injustiças e maldades?
De onde vem tanto ódio em nosso mundo?
Ganância por poder?
Inveja?
Ciúme?
Insensibilidade com os pobres e os que sofrem?
Estes não são sinais do Reino de Deus.
Não é o jeito de ser de Jesus e dos que o seguem.
O papa Francisco diz:
“A injustiça é a raiz perversa do mal. O grito dos pobres torna-se mais forte a cada dia, e a cada dia é menos ouvido, porque abafado pelo barulho de poucos ricos, que são sempre menos e sempre mais poderosos. (…)Nos pobres, o próprio Cristo como que apela em alta voz para a caridade dos seus discípulos. Pede-nos para o reconhecermos em quem tem fome e sede, é migrante e está privado de dignidade, doente, analfabeto, desempregado”. Junto de Deus, o grito dos pobres encontra refúgio, mas e em nós? Temos olhos para ver, ouvidos para escutar, mãos estendidas para levantar e ajudar?”
E nós que sofremos alguma perseguição?
São Paulo nos anima como cristãos que somos:
De todos os lados somos pressionados, mas não desanimados; ficamos perplexos, mas não desesperados; somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos. (2 Cor 4,8-9)
Meditando
Recordo a palavra dos Pastores da Igreja na América Latina e Caribe que disseram, em Aparecida"Identificar-se com Jesus Cristo é também compartilhar seu destino: "Onde eu estiver, aí estará também o meu servo" (Jo 12,26). O cristão vive o mesmo destino do Senhor, inclusive até a cruz: "Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, carregue a sua cruz e me siga" (Mc 8,34). Estimula-nos o testemunho de tantos missionários e mártires de ontem e de hoje em nossos povos que tem chegado a compartilhar a cruz de Cristo até a entrega de sua vida." (DAp 140).

O Papa Francisco fala destas dificuldades que enfrentarão os
discípulos missionários.
Diz ele:
"Jesus descreve três situações concretas que os discípulos enfrentarão.
Antes de tudo, a primeira, a hostilidade daqueles que gostariam de silenciar a Palavra de Deus, é adoçá-la, diluindo-a ou reprimindo quantos  a anunciam. Neste caso, Jesus encoraja os Apóstolos a difundir a mensagem de salvação que Ele lhes confiou. Até àquele momento, Ele transmitiu-a com prudência, quase em segredo, no pequeno grupo dos discípulos. Mas eles deverão proclamar o seu Evangelho “à luz do dia”, ou seja, abertamente, e anunciá-lo “sobre os telhados” - assim diz Jesus - isto é, publicamente.
A segunda dificuldade que os missionários de Cristo irão encontrar é a ameaça física contra eles, isto é, a perseguição direta do seu povo, inclusive a morte. Esta profecia de Jesus verificou-se em todos os tempos: trata-se de uma realidade dolorosa, mas atesta a fidelidade das testemunhas. Quantos cristãos ainda hoje são perseguidos em todo o mundo! Sofrem pelo Evangelho com amor, são os mártires dos nossos dias. E podemos dizer com certeza que são mais do que os mártires dos primeiros tempos: muitos mártires unicamente pelo facto de serem cristãos. A estes discípulos de ontem e de hoje que sofrem a perseguição, Jesus recomenda: «Não temais os que matam o corpo, e não podem matar a alma» (v. 28). Não nos devemos deixar assustar por aqueles que procuram extinguir a força da evangelização através da arrogância e da violência. Na verdade, nada podem fazer contra a alma, ou seja, contra a comunhão com Deus: ninguém a pode tirar aos discípulos, pois é um dom de Deus. O único medo que o discípulo deve ter é o de perder esse dom divino, a proximidade, a amizade com Deus, renunciando a viver segundo o Evangelho e causando deste modo a sua morte moral, que é a consequência do pecado.
O terceiro tipo de prova que os Apóstolos terão de enfrentar, é indicada por Jesus no sentimento que alguns terão de que o próprio Deus os abandonou, permanecendo distante e silencioso. Também aqui nos exorta a não ter medo, porque, apesar de passarmos por estas e outras ciladas, a vida dos discípulos está firmemente nas mãos de Deus, que nos ama e nos guarda. São como as três tentações: edulcorar o Evangelho, diluí-lo; segunda, a perseguição; e terceira, o sentimento de que Deus nos deixou sozinhos. Jesus também sofreu esta provação no Jardim das Oliveiras e na Cruz: “Pai, por que me abandonaste”, diz Jesus. Por vezes sentimos esta aridez espiritual; não devemos ter medo dela. O Pai cuida de nós porque o nosso valor é grande aos Seus olhos. O importante é a franqueza, a coragem do testemunho, do testemunho de fé: “reconhecer Jesus diante dos homens” e ir em frente praticando o bem." (Papa Francisco, 21 de junho 2020)

3. Oração (Vida)
- O que a Palavra nos leva a dizer a Deus?
O papa Francisco pergunta:
"Quantos de vocês rezam pelos cristãos que são perseguidos?”
Rezemos por eles:
Senhor Jesus Cristo,
Vós nos ensinastes a rezar
ao Pai em vosso nome e nos assegurastes que
tudo o que pedíssemos nós receberíamos.
Por isso, nos dirigimos a Vós com total
confiança, pedindo-vos a graça e a força de
perseverar nesta tempestade, para alcançar a
paz e a segurança, antes que seja tarde demais.
Esta é a nossa oração e,
embora pareça impossível para nós,
confiamos a Vós a nossa
sobrevivência e nosso futuro.
Ajudai-nos, Pai, em nome de seu Filho
crucificado e ressuscitado, Jesus,
para continuarmos a trabalhar juntos;
para sermos livres, responsáveis e amorosos;
para encontrarmos a vossa vontade
e fazê-la com alegria, zelo e coragem.
Em Caná, a Mãe de Jesus foi a primeira a notar
que não havia vinho. Pela intercessão de Maria,
pedimos-vos, Pai, para mudar a nossa situação
– como vosso Filho transformou a água em vinho –
da morte para a vida.
Amém

4. Contemplação(Vida/ Missão)
- Qual o nosso novo olhar a partir da Palavra?
Nosso olhar pode ser iluminado pela certeza de que Deus cuida deste mundo, Deus cuida de nós, e em Jesus Cristo toda dor, todo sofrimento, toda perseguição tem um misterioso porquê.
Deus sabe e permite que isto seja motivo para anunciarmos o seu Reino.
Tenhamos esta certeza.
Vamos recordar durante o dia o que nos garante o Senhor:
"eu lhes darei palavras e sabedoria que os seus inimigos não poderão resistir, nem negar".

Bênção
- Deus nos abençoe e nos guarde. Amém.
- Ele nos mostre a sua face e se compadeça de nós. Amém.
- Volte para nós o seu olhar e nos dê a sua paz. Amém.
- Abençoe-nos Deus misericordioso, Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.

Irmã Patrícia Silva, fsp

Palavra se fez carne - 23 de novembro, 4ª feira, 34ª Semana do Tempo Comum


23 de novembro, 4ª feira, 34ª Semana do Tempo Comum


- Hoje é dia 23 de novembro, 4ª feira da 34ª semana do tempo comum.

- No Evangelho de hoje Jesus apresenta aos discípulos um contexto de conflito e perseguição por causa do anúncio do seu nome, do seu projeto, do seu Evangelho. Jesus deixa claro que os seus seguidores enfrentarão dificuldades com as autoridades, diante de quem deverão depor, e diante dos próprios familiares e amigos. Porém, seja como for, o Senhor lhes dará a palavra certa e protegerá. Peça ao Senhor pelos inúmeros cristãos que hoje são torturados, presos e mortos por causa de Jesus.

- Escuta essa passagem do Evangelho Segundo Lucas, Capítulo 21, versículos 12 a 19:

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: Antes que estas coisas aconteçam, sereis presos e perseguidos; sereis entregues às sinagogas e postos na prisão; sereis levados diante de reis e governadores por causa do meu nome. Esta será a ocasião em que testemunhareis a vossa fé. Fazei o firme propósito de não planejar com antecedência a própria defesa; porque eu vos darei palavras tão acertadas, que nenhum dos inimigos vos poderá resistir ou rebater. Sereis entregues até mesmo pelos próprios pais, irmãos, parentes e amigos. E eles matarão alguns de vós. Todos vos odiarão por causa do meu nome. Mas vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça. É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!

- Enquanto o Reino não for plena realidade, os conflitos acontecerão, pois haverá quem não olhe o mundo pelas lentes do amor. E, enquanto os conflitos acontecem, é preciso anunciar pelo testemunho, para que mais pessoas se abram ao Reino de Deus. Seguir Jesus no dia a dia exige coragem. Queremos seguir Jesus, mas nem sempre estamos dispostos a nos comprometer. Entretanto, precisamos ter em mente que essa obra não é nossa, é de Deus. Somos porta-vozes do Evangelho, seja no que fazemos ou no que falamos; seja na vida em sociedade ou na convivência com os amigos e a família. Peça ao Senhor coragem, firmeza para continuar sendo amigo e amiga de Jesus num mundo cheio de conflitos.

- Como você testemunha o amor de Jesus? Você procura ser heroico perseverando no amor a Deus e ao próximo, na adversidade e na alegria? Como você anuncia o Reino de Deus? Como você reage aos ataques contra a Igreja e os cristãos em várias partes do mundo?

- “Todos vos odiarão por causa do meu nome”, diz Jesus no evangelho de hoje. O testemunho de Jesus exige rompimento com estruturas injustas, mesmo que estejamos acostumados com elas. Exige disposição até mesmo para um conflito conosco mesmos para superar hábitos e relações que não estão de acordo com o Evangelho que queremos testemunhar. Isso é conversão. Não queremos conflitos, mas queremos o Reinado de Deus. Diz a música Se calarem a voz do profeta:

Se calarem a voz dos profetas
As pedras falarão
Se fecharem os poucos caminhos
Mil trilhas nascerão

Comungar é tornar-se um perigo
Viemos pra incomodar
Com a fé e a união nossos passos
Um dia vão chegar

- Termina tua oração pedindo ao Senhor a coragem para viver e testemunhar o Evangelho. Peça também pelos cristãos que estão sofrendo perseguição neste momento em vários lugares do mundo.

- Glória ao Pai, ao Filho e ao Espirito Santo. Como era no princípio agora e sempre. Amém!

Que sejamos acolhidos por Deus | Mãe Maria (23/11/2022) - Dom Walmor


Canal do Youtube: TV Horizonte

Publicado em 23 de nov. de 2022

Homilia Diária - 23.11.2022 | "É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!” - Padre Roger Araújo


Canal do Youtube: Padre Roger Araújo

Publicado em 22 de nov. de 2022

(Lc 21,12-19)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Antes que estas coisas aconteçam, sereis presos e perseguidos; sereis entregues às sinagogas e postos na prisão; sereis levados diante de reis e governadores por causa do meu nome. Esta será a ocasião em que testemunhareis a vossa fé. Fazei o firme propósito de não planejar com antecedência a própria defesa; 15porque eu vos darei palavras tão acertadas, que nenhum dos inimigos vos poderá resistir ou rebater. Sereis entregues até mesmo pelos próprios pais, irmãos, parentes e amigos. E eles matarão alguns de vós. Todos vos odiarão por causa do meu nome. Mas vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça. É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!”

Palavra da Salvação, 23/11/2022 com o Padre Vitor Hugo


Canal do Youtube: WebTV Redentor

Publicado em 22 de nov. de 2022

34ª Semana do Tempo Comum | Quarta-feira

Evangelho (Lc 21,12-19)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 12“Antes que estas coisas aconteçam, sereis presos e perseguidos; sereis entregues às sinagogas e postos na prisão; sereis levados diante de reis e governadores por causa do meu nome. 13Esta será a ocasião em que testemunhareis a vossa fé. 14Fazei o firme propósito de não planejar com antecedência a própria defesa; 15porque eu vos darei palavras tão acertadas, que nenhum dos inimigos vos poderá resistir ou rebater. 16Sereis entregues até mesmo pelos próprios pais, irmãos, parentes e amigos. E eles matarão alguns de vós. 17Todos vos odiarão por causa do meu nome. 18Mas vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça. 19É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!”

— Palavra da Salvação.

Homilia Diária | Ser cristão é ser odiado (Quarta-feira da 34.ª Semana do Tempo Comum) - Padre Paulo Ricardo


Canal do Youtube: Padre Paulo Ricardo

Publicado em 22 de nov. de 2022

Se o mundo odeia Cristo, a ponto de o ter perseguido e matado, como não irá odiar também a nós, que somos seguidores de Cristo? Ser cristão custa sempre um preço alto. Não é coisa de oportunistas ou de gente interessada em conseguir prosperidade ou facilidades na vida; é tomar sobre os ombros, dia após dia, a própria cruz e seguir com paciência e serenidade o único caminho que leva à glória da ressurreição: o Calvário. Assista à homilia do Padre Paulo Ricardo para esta quarta-feira, dia 23 de novembro, e medite conosco mais uma página do Santo Evangelho.

HOMILIA DIÁRIA - (CANÇÃO NOVA) – Lc 21,12-19 - 23/11/2022


Testemunhe a sua fé também nos tempos difíceis

“Antes que estas coisas aconteçam, sereis presos e perseguidos; sereis entregues às sinagogas e postos na prisão; sereis levados diante de reis e governadores por causa do meu nome. Esta será a ocasião em que testemunhareis a vossa fé.” (Lucas 21,12-13)



Meus irmãos, neste final de Ano Litúrgico, a Igreja nos apresenta como Evangelho, como propostas, as leituras que falam a respeito do fim dos tempos e da vinda do Senhor. Mas essa vinda será marcada antecedendo tempos difíceis, revoluções, guerras, perseguições, antes que Ele venha.
Então, o Senhor fala a respeito, sim, das perseguições, que eles serão entregues às sinagogas, serão levados diante de governadores, de autoridades… Mas olha só o conforto que Jesus nos dá: será uma ocasião para testemunhar a fé. Por isso não vai ser ruim ser perseguido, passar por dificuldades, mas, através das dificuldades e das perseguições, o cristão vai ter a oportunidade de testemunhar a fé, de anunciar Jesus.

Se estamos vivendo com muitas dificuldades, é a oportunidade de testemunharmos a fé

Meus irmãos, não nos apavoremos! Se os tempos são difíceis, se estamos vivendo com muitas dificuldades, é a oportunidade de testemunharmos a fé, de testemunharmos Nosso Senhor Jesus Cristo.
Os tempos difíceis, a luz da fé cristã nos chama a vivermos a fé, a testemunhá-la, a vivermos a caridade, a estudarmos mais, a vivermos mais a caridade com o irmão, com o próximo.
As perseguições nos chamam a declarar, cada vez mais, que Jesus é o Senhor. Não nos intimidemos com os tempos difíceis nem com as perseguições, pois essa é a oportunidade de testemunharmos a fé, é a oportunidade de fazermos com que aquele também conheça Nosso Senhor Jesus Cristo. Não são somente nos tempos “fáceis”, onde não passamos por perseguições, que devemos anunciar o Evangelho, mas, principalmente, nos tempos difíceis.
Não percamos, meus irmãos, nenhuma oportunidade para testemunharmos o Senhor nas coisas simples do dia a dia e nos tempos também difíceis, nos tempos de perseguição.
Abençoe-vos o Deus Todo-poderoso. Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!
Padre Márcio Prado
Sacerdote da Comunidade Canção Nova.

Boa noite! "Durma com ideias, acorde com atitudes."

Boa Noite! Deus abençoe a todos nós!!!

Boa Noite! “Não devemos crer no maligno, quando diz que não podemos fazer nada contra a violência, a injustiça, o pecado!” Papa Francisco “ORAI E VIGIAI.” Mateus 26:41

♪♥ Linda Tarde... para Você! Que Deus derrame infinitas bençãos em nossas vidas. A paz de Cristo. ♪♥

BOA TARDE! TE COROAMOS, ÓH MÃE! NOSSA SENHORA APARECIDA, ROGAI POR NÓS!

BOA TARDE!!! "A beleza das pessoas está na capacidade de amar e de encontrar no próximo a continuidade de seu ser e também, em reconhecer que nessa vida você estará sempre precisando de alguém e sempre terá alguém precisando de você."