segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

COLETÂNEA DE HOMÍLIAS DIÁRIAS, COMENTÁRIOS E REFLEXÕES DO EVANGELHO DO DIA, DE ANOS ANTERIORES - 19/01/2026

ANO A


Mc 2,18-22

Comentário do Evangelho

Jesus reinterpreta a prática do jejum

O objeto da controvérsia é o jejum, seguido de dois ditados sapienciais sobre o velho e o novo. Jesus é interpelado sobre o comportamento dos seus discípulos, comparando-os com os discípulos de João e o dos fariseus. Em todo o Novo Testamento não temos nenhuma informação acerca do jejum praticado pelos discípulos de João; dos fariseus, é Lucas quem nos informa que eles jejuavam duas vezes por semana (cf. Lc 18,12). A Lei de Moisés prescrevia o jejum uma vez por ano, no dia do perdão dos pecados (Lv 16,19-30). Que jejum é objeto da controvérsia? Certamente, não se trata do jejum prescrito pela Lei, mas de uma prática ascética individual ou de grupos (cf. 2Sm 12,21; 1Rs 21,27) e que os fariseus impunham se estendesse como prática para todas as pessoas. A controvérsia é a ocasião de afirmar a centralidade de Cristo, o “noivo”. Agora, nessa nova etapa da história da salvação, é a ele que a prática do jejum se refere. Somente quando o noivo for tirado, alusão à morte de Jesus, é que será o tempo de jejuar. Os dois ditados sapienciais revelam a incompatibilidade entre o velho e o novo; mais precisamente, a rigidez farisaica na prática da Lei e a surpresa de Deus inaugurada na história da humanidade pela presença de Jesus; novidade essa que recoloca a Lei no centro da prática da misericórdia.
Carlos Alberto Contieri, sj
Oração
Pai, a presença de Jesus na nossa história é motivo de grande alegria. Que a minha alegria consista em construir um mundo de amor e de fraternidade, como ele nos ensinou.
Fonte: Paulinas em 20/01/2014

COMENTÁRIO DO EVANGELHO

Vinho novo em odres velhos


Não são as práticas exteriores que importam, mas sim estar com Cristo e participar de sua alegria. Na festa há um noivo, roupas novas, vinho novo. Roupas velhas, odres velhos, jejum são coisas do passado.
O que importa é a presença do noivo, que traz alegria. Jejum é estar sem o noivo. “Dias virão em que o noivo lhes será tirado […] naquele dia jejuarão.” Naqueles dias sentirão falta, não de alimentos, mas sim do noivo.
Tirado por um tempo, ele retorna e permanece para sempre. O centro da controvérsia não é o jejum, mas sim a pessoa de Jesus. O que importa é estar com ele e nele, e participar das núpcias do Cordeiro. Dizia o mestre dos joanitas, que jejuavam: “Quem tem a esposa é o esposo, mas o amigo do esposo, que está presente e o ouve, é tomado de alegria à voz do esposo.
Esta é a minha alegria e ela é completa”. Fariseus e joanitas jejuavam. Podemos também jejuar, tendo em mente o que ensina São Pedro Crisólogo: “O jejum só dá frutos se for regado pela misericórdia. O que jejua não colherá frutos se não abrir as torrentes da misericórdia”.
Cônego Celso Pedro da Silva,
Fontes: Catequisar e Comece o Dia Feliz em 15/01/2024

Vivendo a Palavra

O Reino é a grande novidade trazida por Jesus. o Mestre adverte que o Novo não cabe nos nossos viciados esquemas antigos, a que somos tão apegados... Precisamos ter a ousadia de Abraão e seguir caminhos ainda não trilhados, guiados pelo Espírito. Estaremos, assim, vivendo os sinais do Reino de Deus já aqui na terra.
Fonte: Arquidiocese BH em 20/01/2014

VIVENDO A PALAVRA

Os discípulos de Jesus devem se tornar homens e mulheres novos para receber o vinho novo de seu ensinamento. Hoje, Marcos se refere ao conceito de jejum. Não uma obrigação, como era a compreensão dos fariseus, mas uma relação diferente e nova do ser humano como senhor de si mesmo, dominador de seu corpo, sua mente, suas vontades e paixões.
Fonte: Arquidiocese BH em 15/01/2018

VIVENDO A PALAVRA

O Reino de Deus é a grande novidade trazida por Jesus. o Mestre adverte que o Novo não cabe nos nossos viciados e estreitos esquemas antigos, a que somos tão apegados… Precisamos ter a ousadia de Abraão e seguir caminhos ainda não trilhados, guiados pelo Espírito. Estaremos, assim, vivendo os sinais do Reino de Deus já aqui na terra.
Fonte: Arquidiocese BH em 20/01/2020

Reflexão

Em todas as épocas, as pessoas sempre valorizaram as práticas religiosas, e, entre essas práticas, o jejum. Na época de Jesus, não era diferente. Por isso, os fariseus procuram Jesus e o questionam sobre a prática do jejum por parte dele e dos seus discípulos. Jesus nos mostra que as práticas religiosas só têm sentido enquanto são manifestações do relacionamento que temos com Deus, e que o Novo Testamento apresenta essa grande novidade em relação ao Antigo. Assim, percebemos que Jesus veio nos trazer algo realmente novo, e não apenas colocar rótulos novos nas coisas velhas que já existiam antes da sua vinda ao mundo.
Fonte: CNBB em 20/01/2014

Reflexão

Por que uma pessoa se dispõe a fazer jejum? Qual é o benefício que daí se obtém? Os discípulos do Batista e os discípulos dos fariseus faziam jejum provavelmente para agradar a Deus e assim aumentar os próprios méritos diante dele. Ao responder sobre o questionamento em torno do jejum, Jesus mostra que mais importante do que renunciar a algo material, é estar com ele. Pois ele é o protagonista da história, o noivo da humanidade, a razão da festa. Portanto, é tempo de alegria e de fraternidade. Não é tempo de aborrecimento, de pessimismo. Haverá dias de tristeza, é claro, como os da Paixão. Mas a páscoa devolve a esperança. Jesus é a presença de Deus em nosso meio. É necessário, porém, que haja mudança de mentalidade para aceitar a novidade de Jesus: “vinho novo em vasilhas novas”.
Fonte: Paulus em 15/01/2018

Reflexão

Por que uma pessoa se dispõe a fazer jejum? Qual é o benefício que daí se obtém? Os discípulos do Batista e os discípulos dos fariseus faziam jejum provavelmente para agradar a Deus e, assim, aumentar os próprios méritos diante dele. Ao responder sobre o questionamento em torno do jejum, Jesus mostra que mais importante do que renunciar a algo material é estar com ele. Pois ele é o protagonista da história, o noivo da humanidade, a razão da festa. Portanto, é tempo de alegria e de fraternidade. Não é tempo de aborrecimento, de pessimismo. Haverá dias de tristeza, é claro, como os da Paixão. Mas a Páscoa devolve a esperança. Jesus é a presença de Deus em nosso meio. É necessário, porém, que haja mudança de mentalidade para aceitar a novidade de Jesus: “vinho novo em vasilhas novas”.
Oração
Ó Mestre, deparas com a incompreensão dos discípulos de João Batista e dos fariseus. Eles jejuam, e questionam por que teus discípulos não o fazem. Simples: és o “noivo” da nova comunidade; é preciso que todos te acolham e se alegrem. Teus adversários, “roupas velhas”, não percebem essa novidade. Amém.
(Dia a dia com o Evangelho 2020 - Pe. Luiz Miguel Duarte, ssp (dias de semana) Pe. Nilo Luza, ssp (domingos e solenidades))
Fonte: Paulus em 20/01/2020

Reflexão

Para cada coisa há um momento próprio, até para jejuar, diz Jesus. Alguns grupos se preocupam pelo fato de que os discípulos de Jesus não jejuam como eles. Jesus não desaprova o jejum como meio de conversão ou de solidariedade, dá-lhe nova dimensão dentro da novidade de sua mensagem. Sua nova mensagem exige corações novos, abertos a essa novidade. Pode não dar certo agregar esquemas ultrapassados à novidade do Reino inaugurado com o Mestre de Nazaré. Seria como remendar traje velho com remendo novo ou colocar vinho novo em vasilhas velhas. O jejum, segundo Jesus, é válido quando leva à libertação interior e fortalece o amor e o compromisso com aqueles que têm de jejuar todos os dias por falta de comida. A questão do jejum deveria questionar nossa sociedade consumista de forma desenfreada. Jejuar contra o consumismo doentio.
(Dia a dia com o Evangelho 2022)
Fonte: Paulus em 17/01/2022

Reflexão

Por que uma pessoa se dispõe a fazer jejum? Qual é o benefício que daí se obtém? Os discípulos do Batista e os discípulos dos fariseus faziam jejum, provavelmente, para agradar a Deus e, assim, aumentar os próprios méritos diante dele. Ao responder ao questionamento em torno do jejum, Jesus mostra que mais importante do que renunciar a algo material é estar com ele. Pois ele é o protagonista da história, o noivo da humanidade, a razão da festa. Portanto, é tempo de alegria e de fraternidade. Não é tempo de aborrecimento, de pessimismo. Haverá dias de tristeza, é claro, como os da Paixão. Mas a Páscoa devolve a esperança. Jesus é a presença de Deus em nosso meio. É necessário, porém, que haja mudança de mentalidade para aceitar a novidade de Jesus: “vinho novo em vasilhas novas”.
(Dia a dia com o Evangelho 2024)
Fonte: Paulus em 15/01/2024

Reflexão

«Acaso os convidados podem jejuar enquanto o noivo está com eles?»

Rev. D. Joaquim VILLANUEVA i Poll
(Barcelona, Espanha)

Hoje, vemos como os judeus, além do jejum prescrito para o Dia da Expiação (cf. Lev 16,29-34), observavam muitos outros jejuns, tanto públicos como privados. Eram expressão de dor, de penitência, de purificação, de preparação para uma festa ou uma missão, de pedido a Deus de uma graça, etc. Os judeus piedosos consideravam o jejum como um ato próprio da virtude da religião e algo muito grato a Deus: aquele que jejua dirige-se a Deus em atitude de humildade, pede-lhe perdão, privando-se de algo que, causando-lhe satisfação, o iria afastar d’Ele.
O facto de Jesus não incutir esta prática nos seus discípulos e naqueles que O escutavam, surpreende os discípulos de João e os fariseus. Pensam que se trata de uma omissão importante nos Seus ensinamentos. E Jesus dá-lhes uma razão fundamental: «Podem por acaso os convidados do casamento jejuar enquanto o noivo está com eles?» (Mc 2,19). Segundo a interpretação dos profetas de Israel, o esposo é o próprio Deus, e é manifestação do amor de Deus pelos homens (Israel é a esposa, nem sempre fiel, objeto do amor fiel do esposo, Yaveh). Ou seja, Jesus equipara-se a Yaveh. Declara aqui a sua divindade: chama aos seus amigos «os amigos do esposo», os que estão com Ele, e então não precisam de jejuar porque não estão separados dele.
A Igreja permaneceu fiel a este ensinamento que, vindo dos profetas e sendo até uma prática natural e espontânea em muitas religiões, é confirmado por Jesus Cristo, que lhe dá um sentido novo: jejua no deserto como preparação para a Sua vida pública, diz-nos que a oração se fortalece com o jejum, etc.
Entre aqueles que escutavam o Senhor, a maioria seria constituída por pobres, que saberiam de remendos em roupas; haveria vindimadores que saberiam o que acontece quando o vinho novo se deita em odres velhos. Jesus recorda-lhes que têm de receber a Sua mensagem com espírito novo, que rompa o conformismo e a rotina das almas envelhecidas, que o que Ele propõe não é mais uma interpretação da Lei, mas uma vida nova.

Pensamentos para o Evangelho de hoje

- «A devoção deve ser exercida de várias maneiras. Além disso, a devoção deve ser praticada de maneira adaptada às forças, aos negócios e às ocupações particulares de cada um» (São Francisco de Sales)

- «A Palavra de Deus é viva, é livre. O Evangelho é novidade. A revelação é novidade. Jesus é muito claro: vinho novo em odres novos. Deus deve ser recebido com esta abertura à novidade. E esta atitude chama-se docilidade» (Francisco)

- «Para ser autêntico, o sacrifício exterior deve ser expressão do sacrifício espiritual (…). Os profetas da Antiga Aliança denunciaram muitas vezes os sacrifícios feitos sem participação interior ou sem ligação com o amor do próximo. Jesus recorda a palavra do profeta Oseias: ‘Eu quero misericórdia e não sacrifício’ (Mt 9, 13; 12, 7)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 2.100)
Fonte: Evangeli - Evangelho - Feria em 15/01/2024

Reflexão

A Nova Aliança mediada por Jesus Cristo leva à Antiga a sua plenitude

REDAÇÃO evangeli.net (elaborado com base nos textos de Bento XVI)
(Città del Vaticano, Vaticano)

Hoje, Jesus Cristo —a propósito da “intencionada” pergunta sobre o jejum— se apresenta como o "esposo" das núpcias prometidas de Deus com seu povo, desvelando assim progressivamente sua condição de Messias e de seu existir dentro do mistério de Deus. Em Jesus, de maneira insuspeitada, Deus e o homem se fazem um, celebram as "bodas", as quais, porém, passam pela cruz, pelo momento em que o noivo "será arrebatado".
Além disso, a resposta do Senhor clarifica a relação entre Antiga e Nova Aliança: O novo espírito não será um remendo acrescentado ao velho, senão ao aperfeiçoamento ao que já apontava os ensinamentos do Antigo Testamento. Não se nega nem se margina a Lei, senão que se leva ao cumprimento sua intrínseca expectativa. O "novo Moisés" será o mediador de uma Aliança superior à que Moisés podia trazer do Sinai...
—Jesus: teu amor que se entrega na Cruz é o vinho novo e seleto reservado para o banquete nupcial de Deus com os homens.
Fonte: Evangeli - Evangelho Master - Feria em 15/01/2024

Recadinho

Sua presença é festa e alegria como foi sempre a presença de Jesus - Você se arrepende de suas falhas? - Faz bom exame de consciência sempre? - Sabe ter compreensão e perdoar? - Procura ser coerente em tudo?
Padre Geraldo Rodrigues, C.Ss.R
Fonte: a12 - Santuário Nacional em 20/01/2014

Meditação

“Vieram dizer a Jesus: ‘Por que os discípulos de João e os discípulos dos fariseus jejuam, e os teus discípulos não jejuam?’” No Antigo Testamento e no tempo de Jesus, o jejum era sinal de tristeza ou de arrependimento, ou ainda era feito para obter um favor de Deus. Não era visto como um meio ascético, isto é, de purificação e de crescimento espiritual. Jesus não ensinava o jejum e seus discípulos não jejuavam. Ele chega a dizer que, com sua chegada, o jejum não poderia ter o mesmo sentido de antes.
Oração
DEUS ETERNO E TODO-PODEROSO, que governais o céu e a terra, escutai clemente as súplicas do vosso povo e dai ao nosso tempo a vossa paz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Fonte: a12 - Reze no Santuário - Deus Conosco em 15/01/2024

Comentário sobre o Evangelho

Devemos cumprir os mandamentos de Deus para agradá-lo, não para a aprovação dos outros


Hoje, Jesus chama-nos bem a atenção: os preceitos da religião temos de os cumprir por amor, não porque “nos toca fazê-lo”. Por isso vemos como Jesus defende os seus discípulos das críticas dos fariseus: irias jejuar quando um amigo te convida para a festa do seu aniversário?
- Irei à festa e vou oferecer pelo meu amigo o sacrifício de comer menos daquilo que mais gosto.
Fonte: Family Evangeli - Feria em 15/01/2024

Meditando o evangelho

ABERTOS PARA O NOVO

Os opositores de Jesus se admiravam pela maneira com instruía seus discípulos. Na visão deles, Jesus lhes permitia ter uma perigosa liberdade diante da tradição. Por exemplo, a prática do jejum, tão valorizada por eles, parecia ter pouca importância para Jesus e seus discípulos. Não era tempo de jejuar!
Jesus responde a seus acusadores sublinhando o aspecto de novidade comportado na sua mensagem. Para acolhê-la, supunha-se abrir mão dos esquemas caducos do passado e se jogar, de corpo e alma, no dinamismo do Reino. A pretensão de agregar velhos esquemas à novidade do Reino podia ser desastrosa. É como se quisesse remendar uma roupa velha com um tecido novo ou colocar vinho novo em recipientes velhos.
A nova mentalidade inaugurada por Jesus exigia do discípulo enraizar sua existência totalmente em Deus e deixá-lo ser o seu senhor. Daqui nascia a liberdade que levava o discípulo a relativizar tudo diante do Reino e a preveni-lo contra a tentação de absolutizar as criaturas, até as ligadas à religião. A liberdade do Reino, em última análise, prevenia contra a idolatria, na qual o absoluto de Deus dá lugar à tirania das criaturas. Os adversários de Jesus davam um valor tão elevado às suas tradições religiosas, a ponto de faltar com a caridade com quem não se submetesse às suas exigências. Jesus não se dobra a esta mentalidade.
(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês)
Oração
Senhor Jesus, transforma a minha mentalidade para que eu possa acolher a novidade do Reino trazido por ti e vivê-la no meu dia-a-dia.
Fonte: Dom Total em 20/01/201415/01/201820/01/2020 17/01/2022

Oração
Deus eterno e todo-poderoso, que governais o céu e a terra, escutai com bondade as preces do vosso povo e dai ao nosso tempo a vossa paz. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Fonte: Dom Total em 20/01/2014

COMENTÁRIO DO EVANGELHO

1. Dias virão em que o noivo lhes será tirado
(O comentário do Evangelho abaixo é feito por Côn. Celso Pedro da Silva, ‘A Bíblia dia a dia 2017’, Paulinas e disponibilizado no Portal Paulinas - comece o dia feliz)

Dizia Maimônides, o sábio judeu, que “há dias em que todos os filhos de Israel jejuam por causa das desgraças que neles ocorreram, a fim de ‘acordar os corações’, e abrir os caminhos para o retorno ao caminho correto. E isso vai servir como lembrete das nossas más ações e das dos nossos antepassados, que foram semelhantes às nossas ações de hoje, a tal ponto que causaram a eles e a nós as mesmas desgraças. E é por meio da lembrança dessas coisas que voltamos a fazer o bem, como foi dito: ‘e confessou o seu pecado e o pecado de seus pais’”. O jejum tem, pois, o seu valor e pode ser praticado. No entanto, o evangelista São Marcos insiste em mostrar que algo novo está começando com a vinda de Jesus. É preciso entrar nessa novidade de vida com espírito renovado. Não basta um remendo. O jejum não pode ser um remendo novo em pano velho. É preciso que tudo seja novo. Jejuamos quando o noivo nos é tirado. Estar sem Cristo é jejuar, mas o jejum de alimentos ajuda a nossa vontade fraca a reencontrar o caminho que nos aproxima do Senhor.
Fonte: NPD Brasil em 15/01/2018

COMENTÁRIOS DO EVANGELHO

1. Quando se perde o melhor da Festa...
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Diácono José da Cruz - Diácono da Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP)

Jejum no contexto desse evangelho significa uma interiorização para aquilo que há de vir, significa guardar toda a alegria para exultar-se quando vier Aquele que o nosso coração sonha e alimenta a esperança. Na Bíblia, que conta a experiência de Vida de um Povo com seu Deus, vira e mexe se compara o Reino com um grande banquete. Para o povo simples de Israel, principalmente os mais pobres, que tinham apenas uma refeição principal ao dia, imaginar um banquete já trazia alegria no coração além de água na boca. Banquetear-se é comer "até ficar triste" como diz o povo. Pois o Reino era assim anunciado, muita comida e bebida, carnes gordas e vinhos nobres.
Não podemos interpretar literalmente o texto Bíblico que faz essa comparação, senão vamos pensar que o Deus Cristão é aquele que enche o nosso estômago. Não é isso! Deus manifestado em Jesus é aquele que sacia toda nossa fome, preenche totalmente todo nosso ser fazendo-nos realizar plenamente a ponto de não sentirmos falta de nada nesta vida quando vivemos com ele a comunhão. Não é assim que saímos de um banquete? Barriga cheia, totalmente satisfeitos...
Dizem até que na cultura judaica, o convidado, em um gesto de gratidão e delicadeza deveria, ao final da refeição "arrotar" demonstrando assim a sua plena satisfação...
Pois os discípulos de Jesus já estavam comendo e se arregalando em uma festança danada de boa, com a presença entre eles, do próprio Senhor, o Messias esperado por todos enquanto que os de João e os Fariseus ainda estavam á espera, fazendo jejum á espera do noivo e assim perdendo o melhor da festa... Enquanto estes vinham com o milho, os de Jesus já retornavam com o Fubá...
Por que isso acontecia? Não é porque os discípulos de Jesus eram mais espertos ou mais inteligentes, mas sim porque abriram o coração para acolher com alegria o Mestre Jesus que trazia algo de novo e inédito, que a velha religião não tinha para oferecer. Crer em Jesus de Nazaré e tornar-se discípulo exigia um desprendimento de todo pensamento antigo, da tradição religiosa do passado. E daí, os que se julgavam muito entendidos em religião, os Fariseus, não queriam abrir mão de suas convicções religiosas, era melhor ficar com o legalismo e o religiosamente correto do que correr o risco de perder a salvação.
Hoje o recado é muito válido a todos nós cristãos do segundo, a essência da verdadeira relação com Deus é o amor, a busca da justiça e da igualdade, o respeito e a valorização da vida humana, se não nos abrirmos e nos adequarmos para o método novo de evangelização e de anuncio do Reino na pós-modernidade, ficando fechados em nossas velharias religiosas, com a mente e o coração trancados para os que pensam diferente, estamos pregando retalho de pano novo em roupa velha, o tecido não irá resistir.
A essência do Cristianismo é sempre a mesma, anunciamos Jesus Cristo, o mesmo de Ontem, de hoje e de sempre, mas precisamos usar os novos métodos nessa missão, senão vamos todos "mofar" em nossas igrejas, pastorais e movimentos, com nossas práticas espirituais que não levam a lugar nenhum repetindo assim o comportamento farisaico...

2. Jesus não veio desfazer a Lei e os costumes - Mc 2,18-22
(O comentário do Evangelho abaixo é feito por Côn. Celso Pedro da Silva, ‘A Bíblia dia a dia 2017’, Paulinas e disponibilizado no Portal Paulinas - comece o dia feliz)

Hoje e amanhã estamos terminando a leitura do capítulo segundo de São Marcos. Ficamos com a impressão de que Jesus vai na direção contrária da Lei e dos costumes. Seus seguidores estão livres das observâncias e dos preceitos. Não precisam mais jejuar nem guardar o sábado. Na realidade não é bem assim. Jesus não veio desfazer a Lei e os costumes, não veio desvalorizá-los. Ele veio colocar as coisas no seu devido lugar. Primeiramente, somos guiados pela sabedoria, que é o próprio Jesus e se realiza em nós como dom do Espírito. Já não tomamos decisões a partir do que é permitido ou proibido, e sim a partir daquilo que mais convém ao Espírito que está em nós. O Espírito se expressa na sensibilidade, ensina São Paulo. Por isso, antes de uma decisão, nós nos perguntamos pelo que mais convém ao crescimento das pessoas – somos pescadores de gente e não de tijolos ou papel – e ao crescimento das pessoas em relação comunitária. Depois da ascensão de Jesus, os cristãos jejuarão, não por obrigação, mas por conveniência. Convém jejuar pelos benefícios que essa prática pode trazer ao organismo. Convém jejuar para fortificar a vontade, para despertar a consciência de valores esquecidos. O grande jejum, porém, é a ausência do noivo. Se estamos sem Jesus, estamos em estado crítico de desnutrição e fome.
Fonte: NPD Brasil em 20/01/2020

HOMILIA

O VERDADEIRO JEJUM

O evangelho de hoje nos apresenta os discípulos de João e os fariseus, que faziam jejum, e perguntaram a Jesus porque seus discípulos não jejuavam. E Jesus responde que os seus discípulos não estavam em jejum porque Ele ainda estava presente no meio deles, e isso era motivo de festa e de alegria. Quando chegasse o dia em que Ele não estivesse mais com eles, é que deveriam jejuar, em preparação para sua nova vinda, porém um jejum diferente legalismo religioso antigo. Seus amigos, seus discípulos sofreriam perseguições e dificuldades, tristezas e desolação, seria essa a nova forma de jejum e penitência que Jesus apresentava.
Na época de Jesus o jejum era uma prática que fazia parte do dever religioso entre os judeus. Os fariseus como os discípulos de João Batista jejuavam regularmente. O jejum judaico era uma espera do Messias, um sinal de dor, de penitência, para implorar a misericórdia de Deus, ou mostrar arrependimento dos pecados. Mas agora Cristo estava no meio deles, não era necessário jejum, penitência corporal, principalmente quando a intenção atrair os louvores. Ninguém precisa ficar sabendo que estamos fazendo jejum, somente Deus, é para Ele o nosso jejum. E muito menos demonstrar tristeza e abatimento por estar jejuando. Fazer algo de bom por interesse próprio é sinal de hipocrisia, de falsidade. E era essa prática que Jesus não concordava. Os fariseus praticavam o jejum e continuavam oprimindo o próximo, e isso Jesus rejeitava.
Jejum não é sacrifício, muito menos uma troca de favores entre o cristão e Deus, para conseguirmos de Deus o que queremos. Jejuar é deixarmos de lado ou deixar de fazer aquilo gostamos, fazer um sacrifício, por uma boa intenção e para entender a vontade de Deus em nossa vida. Se não jejuarmos para Deus, de nada adianta. Devemos estar concentrados em Deus. Pois o jejum nos mudará, fazendo-nos reconhecer tudo o que prejudica nossa vida no dia a dia, como nossas atitudes egoístas, de falta de amor, de palavras que magoam, a falta de gentileza, os nossos medos, nossa falta de piedade de caridade. Quem sabe não precisamos fazer um jejum por todas as nossas atitudes mesquinhas e até nós mesmos? Deus quer que tenhamos um coração puro, sincero e humilde. Façamos um jejum que nos deixe em maior sintonia com Deus, para que sejamos sempre por ele orientados.
O jejum é um tipo de penitência muito importante para se obter o autodomínio do corpo, principalmente para manter a castidade. Ele é tão importante, que foi recomendado pelo próprio Jesus, quando disse aos discípulos que não conseguiam expulsar os demônios de nome legião, que para se fazer isso seria preciso jejum e muita oração.
A Igreja nascente fazia muito o uso do jejum. Em Atos 13,2-3, podemos ler que a Igreja jejuava quando enviava dois dos seus professores numa longa viagem de pregação. Em Atos 14,23, as igrejas jejuavam quando indicavam anciãos. Jejuar nunca deveria ser pensado como um meio de obrigar Deus a nos conceder uma graça ou um favor, ou como um modo de fazer com que Deus atendesse às nossas orações.
Jejuar é, principalmente, um meio de purificação, um meio de conseguir vencer as tentações principalmente aquelas referentes a carne, e finalmente um meio de nos aproximarmos do Senhor, orando e meditando no Senhor, e de levar outras pessoas a fazerem o mesmo.
Jesus nos apresenta duas comparações do "remendo novo que repuxa o pano velho e do vinho novo em odres velhos" que esclarecem sua resposta sobre o jejum. Ele é pano novo e vinho novo que se mostra em sua pessoa, no novo ensinamento e nova doutrina religiosa. Jesus nos apresenta uma nova Igreja, rompendo assim com velho estilo religioso dos judeus. Jesus que libertar a todos que ainda estão presos no passado. Temos que deixar que atue em nós e na nossa comunidade o vinho novo do Espírito de Cristo, fermento de novas relações com Deus e os irmãos.
Pai, a presença de Jesus na nossa história é motivo de grande alegria. Que a minha alegria consista em construir um mundo de amor e de fraternidade, como ele nos ensinou.
Padre Bantu Mendonça Katchipwi Sayla
Fonte: Liturgia da Palavra em 20/01/2014

REFLEXÕES DE HOJE

SEGUNDA

Fonte: Liturgia Comentada2 em 20/01/2014

HOMILIA DIÁRIA

Precisamos acolher o novo de Deus!

Existe muita mente fechada, muita cabeça fechada, muitas pessoas apegadas a tradições antigas, por isso não são  capazes de se abrir para o novo que Deus traz a nós.

”Ninguém põe um remendo de pano novo numa roupa velha; porque o remendo novo repuxa o pano velho e o rasgão fica maior ainda.” (Mc 2, 21)

Sabem, meus irmãos e minhas irmãs, em Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, para o Reino de Deus acontecer, no meio de nós, precisamos de uma mentalidade nova e de um novo coração, porque não adianta uma graça nova, um “vinho” novo, uma roupa nova, se o remendo é velho, se o “recipiente” que recebe o “vinho” novo é velho, pois, dessa forma, aquilo que é novo vai parecer velho também! Porque quem o está recebendo, o está recebendo de uma forma antiga e atrasada.
Muitas pessoas têm dificuldade de entrar na dinâmica de Deus, na ação de Deus, porque o Senhor é sempre novo, porque Ele inova Sua maneira de agir. Deus é aquele que vai fazendo a graça acontecer sempre como uma novidade. Mas sabe, não é uma novidade de ser ”nova por ser nova”, mas uma realidade que sempre renova a nossa forma de ser.
Algumas vezes, não conseguimos caminhar segundo a vontade de Deus, porque somos muito apegados ao nosso jeito de ser, à nossa maneira de ser, e até falamos: ”Mas sempre foi assim, sempre aconteceu assim!” E o novo não acontece, porque nós sempre nos apegamos ao que é velho! Não, nós não desprezamos a nada que é velho, muito pelo contrário, nós valorizamos aquilo que é tradição, aquilo que se passa de pai para filho, aquilo que são os valores, os verdadeiros valores. Mas até os valores que aprendemos dos antigos, para ser aplicados nos dias de hoje, nós precisamos de uma mentalidade nova [para entendê-los]. E mentalidade nova não quer quiser ”ser moderninho ou moderninha”, significa saber viver a graça nos tempos em que nós estamos, nos tempos atuais, se atualizar, deixar que a graça de Deus sopre sobre as coisas para os dias de hoje.
Os homens da época de Jesus tiveram dificuldades,  por isso, não O acolheram; muitos não O acolheram e O desprezaram. Muitos acharam novo demais e revolucionário demais aquilo que Jesus trouxe, por isso muitos O desprezaram.
Muitos hoje têm dificuldade, na Igreja, onde quer que esteja, de se abrir para um espírito novo, que Deus sobra na Sua Igreja. Eu louvo a Deus, e cada um de nós também, porque o Papa Francisco tem sido para nós um referencial para o novo de Deus nos dias de hoje. Existe muita mente fechada, muita cabeça fechada, muitas pessoas apegadas a tradições antigas, por isso não são  capazes de se abrir para o novo que Deus traz a nós.
Não se trata de mudar a doutrina, não se trata de mudar nada, porque Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre, mas se trata de ter um coração novo para acolher o novo de Deus!
Que Deus abençoe você!
Padre Roger Araújo
Fonte: Canção Nova em 20/01/2014

HOMILIA DIÁRIA

Tenhamos a disposição de renovar o nosso coração

Para acolher a Boa Nova de Jesus, para acolher aquilo que a graça do Espírito nos traz é preciso ter a disposição de renovar o coração

“Ninguém põe um remendo de pano novo numa roupa velha; porque o remendo novo repuxa o pano velho e o rasgão fica maior ainda” (Mateus 2,21)

Toda a questão do Evangelho de hoje é porque os fariseus foram até Jesus perguntar o porquê os discípulos de João e os discípulos dos fariseus jejuavam, mas, os seus discípulos não jejuavam. Por uma simples questão, porque muitos fazem só por fazer, muitos jejuam só por jejuar, rezam só por rezar.
Não é uma questão de relativizar, deixar o jejum ou a oração de lado. É preciso fazer o jejum com o espírito de jejum, fazer oração com o espírito de oração. É preciso praticar as coisas de Deus em espírito e verdade.
Não podemos deixar que a nossa religião ou o nosso ser religioso, seja apenas uma prática de rituais. Religião precisa ser espírito e vida, precisamos estar inteiros naquilo que vivemos e fazemos, porque senão, as coisas envelhecem. O “envelhecer” aqui não é de se tornar velho, é perder o sabor, o gosto, o sentido, a luz.
Estamos fazendo por fazer? Não! Estamos fazendo porque isso dá sentido e transforma a nossa vida. Se não renovarmos a nossa disposição, a nossa vontade, o nosso espírito, a nossa mentalidade a cada dia, vamos envelhecendo na fé, vamos perdendo o gosto, o sabor de viver a própria fé.
Não podemos julgar ninguém, mas, estaremos muitas vezes, no “banco de reservas ou na arquibancada” apenas olhando, vivenciando, não participando, porque cansamos, porque estamos paralisados ou porque não tem mais sentido para nós fazermos isso ou aquilo, porque o nosso coração envelheceu e não tornou-se novo.
Quando não temos um coração novo, um espírito renovado, uma disposição nova, uma mentalidade nova, não conseguimos acolher o novo.
Foi isso que aconteceu com os fariseus, com doutores da Lei e muitos da época de Jesus. Eles tinham a disposição, mas a velha disposição. Eles tinham uma vontade, porém, uma vontade velha e paralisada. E quando a Boa Nova chegou, quem estava com o coração velho recebeu a Boa Nova e a estragou. Por isso, Jesus dá o exemplo do vinho novo, porque para vinho novo os odres têm que ser novos, senão aquele odre que está velho estraga o vinho novo.
Para acolher a Boa Nova de Jesus, para acolher aquilo que a graça do Espírito nos traz, é preciso ter a disposição de renovar o coração, a mentalidade, renovar aquilo que somos por dentro para que possamos acolher a novidade de Deus.
Deus não nos renova porque, muitas vezes, não nos deixamos ser renovados, transformados pela graça e pela novidade do Evangelho que faz nova todas as coisas.
Deus abençoe você!
Padre Roger Araújo
Fonte: Canção Nova em 15/01/2018

HOMILIA DIÁRIA

Para Deus, o que importa é sermos obedientes a Ele

“Mas Samuel replicou: ‘O Senhor quer holocaustos e sacrifícios, ou quer a obediência à sua palavra? A obediência vale mais que o sacrifício, a docilidade mais que oferecer gordura de carneiros’.” (ISm 15,22)

A primeira leitura da liturgia de hoje, do primeiro livro de Samuel, é muito importante, porque Saul caiu em desgraça, pois não foi fiel a Deus.
Por que Saul não é mais um rei fiel a Deus? Porque ele deixou de ouvir a voz do Senhor para ouvir a sua própria voz, a voz do seu egoísmo, da sua soberba, e não se deixou se guiar por Deus. E por mais que ele tente disfarçar, oferecendo holocaustos, sacrifícios, para Deus o que importa não são os holocaustos, não são os sacrifícios, mas sim sermos obedientes a Ele.
O que mais nos vale são os sacrifícios que oferecemos ao Senhor ou sermos obedientes à Sua Palavra? Não resta dúvida nenhuma, meu irmão, de que nós, muitas vezes, perdemos a nossa comunhão com Deus, porque vivemos uma religião de sacríficos, e não uma religião de obediência a Ele.
A palavra “obediência” vem do latim obaudire, que significa ter ouvidos que escutam Deus, ter ouvidos que se deixam guiar por Ele.

O que importa não são os nossos holocaustos e sacrifícios; para Deus, o que importa é sermos obedientes a Ele

Um filho obedece ao pai não simplesmente escutando-o falar. Não! Ele obedece quando escuta e coloca em prática, ou porque seu pai ou sua mãe lhe pede, mas é preciso ter ouvido para escutar.
Não, nós não podemos cair em desgraça por não ouvir a voz do Senhor, por não obedecer ao Senhor que nos dirige, que nos conduz. Porque a rebelião ao verdadeiro pecado, o espírito rebelde, é aquele espírito que afugenta Deus e quer seguir os seus impulsos da carne, do egoísmo, os impulsos dos próprios desejos, os impulsos da ira, da raiva, do medo; e vai nos tornando pessoas rebeldes, de modo que, assim como Saul rejeitou a Palavra do Senhor, ele mesmo se fez rejeitado por Deus.
Não, Deus não rejeita ninguém, mas nós nos colocamos na situação de rejeitados quando colocamos a Palavra d’Ele de lado e não Lhe damos ouvidos, quando não O deixamos guiar nem conduzir nossos passos.
Que nós sejamos, realmente, curados de todo espírito de rebeldia. Que Deus nos dê o espírito da docilidade e da obediência a Sua Palavra.
Deus abençoe você!
Padre Roger Araújo
Fonte: Canção Nova em 20/01/2020

HOMILIA DIÁRIA

Se o jejum não conduzir você ao amor, não terá nenhum efeito

“(…) ‘Os convidados de um casamento poderiam, por acaso, fazer jejum, enquanto o noivo está com eles? Enquanto o noivo está com eles, os convidados não podem jejuar’ (…).” (Marcos 2,19)

O jejum para os judeus era manifestação de luto e de tristeza. Na cultura de Jesus o jejum era visto assim: luto e tristeza. Bem diferente para nós, cujo sentido é totalmente ao contrário: tirar alguma coisa para me lembrar que o meu tudo, a minha alegria é Cristo. Por isso, Jesus recomenda que, quando fizermos jejum, não podemos mudar o rosto, e sim viver na alegria, pois tiramos um alimento ou alguma coisa, para nos lembrar que Jesus é o nosso tudo e o espaço maior na nossa vida pertence a Ele. E, se eu vivo n’Ele, por Ele e para Ele, a minha vida é repleta de alegria. Se o jejum não me conduz para o amor, ele não terá nenhum efeito; por mais rigoroso que possa ser o jejum que eu faço, ou que você faça, ele será infértil, vazio e em vão.

Quando fizermos jejum, não podemos mudar o rosto, e sim viver na alegria

Nós somos convidados constantemente a essa festa de casamento, que é símbolo de aliança de Deus com toda a humanidade. Convidado significa ser chamado a fazer parte da vida de alguém; esse alguém é Cristo, que me chama e te chama à união profunda com Ele. Nós precisamos ser modelo de piedade, de espiritualidade, de obediência aos mandamentos; mas, muito mais, nós precisamos ser no mundo mestres da alegria, e não torturadores de consciência, impondo aos nossos irmãos fardos pesados e vazios.

Hoje, o que você é capaz de tirar da sua vida por amor a Deus?

O foco do jejum não é em si a privação de alguma coisa, a renúncia, a abstinência, e sim aprender a saborear a presença de Jesus, a presença do Esposo, que é Cristo, que é a nossa alegria, a nossa força, o nosso alimento, o nosso sustento e a nossa vida. A imagem do esposo representa tão bem a nossa união com Deus, é um amor que precisa ser recíproco, uma só carne, uma comunhão profunda de alma e de coração.
Deus me ama tanto! Deus te ama tanto! E a Sua maior prova de amor foi quando o pregamos na cruz e Ele nos perdoou; deu a vida por nós, por mim e por você. E, agora, eu te pergunto: “O quanto você ama a Deus?”. Porque o tema de hoje fala sobre o jejum. Então, “O que você é capaz de fazer por Deus?”. “O que você, hoje, é capaz de tirar da sua vida por amor a Deus?”.  E não digo somente sobre os alimentos, mas digo também sobre comportamentos, atitudes, situações, pecados que precisamos tirar do nosso coração, para que Deus seja, de fato, tudo na nossa vida, a nosso única alegria.
Sobre todos vós, a bênção do Deus Todo-poderoso. Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!
Padre Donizete Ferreira
Sacerdote da Comunidade Canção Nova.
Fonte: Canção Nova em 17/01/2022

HOMILIA DIÁRIA

Exercite, com atenção, suas práticas de piedade e abstinência

“Naquele tempo, os discípulos de João Batista e os fariseus estavam jejuando. Então, vieram dizer a Jesus: ‘Por que os discípulos de João e os discípulos dos fariseus jejuam, e os teus discípulos não jejuam?’ Jesus respondeu: ‘Os convidados de um casamento poderiam, por acaso, fazer jejum, enquanto o noivo está com eles?’.” (Marcos 2,18-19)

Meus irmãos e minhas irmãs, essa temática é bem conhecida de todos nós. A preocupação dos discípulos de João e dos fariseus não é a de praticar o jejum para se tornarem pessoas melhores, mas é o incômodo por quem não está praticando, quem está fazendo de um modo diferente. Desviaram a atenção da prática religiosa tão profunda e eficaz, que é o jejum, para cuidar da vida alheia.
Já me cansei de ser abordado nas confissões pelos “caçadores de pecados”; explico: são pessoas que ficam buscando no Código de Direito Canônico, no Catecismo da Igreja Católica, nos documentos Papais, motivos para se autopunir e para punir os outros. Foram tantas vezes!
Um tema clássico que aparece nessas realidades é o tema do jejum. Por isso é importante aproveitar essa homilia para trazer para vocês aquilo que diz a própria doutrina. Vamos ver no Código, fica no 1249: “Todos os fiéis, cada qual ao seu modo, por lei divina, têm a obrigação de fazer penitência; para que todos se unam entre si em alguma observância comum de penitência. Nesses dias, os fiéis, de modo especial, dediquem-se à oração, exercitem obras de piedade e de caridade, renunciem a si mesmos, cumprindo mais fielmente as próprias obrigações e, sobretudo, observando o jejum e a abstinência”.

Vamos ter muito cuidado com os escrúpulos, a prática pode se tornar uma forma de vaidade e não de piedade

Ou seja, uma norma geral para todos nós, católicos, é que todas as sextas-feiras são penitenciais, são dias de abstinência de carne, mas não somente isso, porque o Código é bem claro: dediquem-se à oração, exercitem obras de piedade, de caridade, e renunciem a si mesmos. Esse é o objetivo de um dia penitencial, esse é o objetivo de se fazer um jejum, de se fazer uma abstinência de carne.
Como eu disse, em regra geral, toda sexta-feira é penitencial, porém — é importante —, para o Brasil, a Igreja permitiu a chamada “comutação”, ou seja, mudar por outra obra de caridade ou piedade a abstinência de carne. Se você não puder fazer a abstinência de carne, você pode comutar, você pode mudar por uma outra obra de piedade ou orações.
Vamos ter muito cuidado com os escrúpulos, a prática pode se tornar uma forma de vaidade e não de piedade. A Via-Sacra, a leitura do Evangelho da Paixão de Jesus, uma visita ao Santuário, são outras obras de piedade que você pode fazer na sua sexta-feira, caso você não possa se abster de carne.
Você está numa festa e será o único diferente que não vai comer carne, porque você está fazendo o seu dia penitencial. Era o dia de se alegrar com a sua família, era o dia de se fazer um com eles, e você poderia exercitar uma outra prática de piedade, além daquilo que você já faz. Não é rezar um terço, não é participar da Santa Missa que você já participa, mas é algo a mais que você pode fazer.
Antes de julgar alguém que não esteja jejuando ou se abstendo de carne, conheça mais sobre o caminho espiritual do seu irmão, foi isso que faltou para esses discípulos de João e para esses fariseus. Eles não conheciam a intimidade que Jesus vivia com os Seus discípulos; e se não conhecemos, não temos direito de julgar.
Vamos fazer as nossas práticas de piedade? Vamos fazer o nosso jejum e a nossa abstinência? Vamos! Para sermos melhores para os nossos irmãos.
Sobre todos vós desça a bênção do Deus Todo-poderoso. Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!
Padre Donizete Ferreira
Padre Donizete Heleno Ferreira é Brasileiro, nasceu no dia 26/09/1980, em Rio Pomba, MG. É Membro da Associação Internacional Privada de Fieis – Comunidade Canção Nova, desde 2003 no modo de compromisso do Núcleo.

Oração Final
Pai Santo, não permitas que o comodismo, a preguiça e o medo nos impeçam de seguir os caminhos novos de Jesus de Nazaré. Ensina-nos a fraternidade, a compaixão e a generosidade para construirmos uma comunidade de irmãos que seja sinal do teu Reino de Amor. Pelo mesmo Cristo Jesus, teu Filho e nosso Irmão, na unidade do Espírito Santo.
Fonte: Arquidiocese BH em 20/01/2014

ORAÇÃO FINAL
Pai Santo, liberta-nos da obrigação de cumprir regras por elas mesmas, na busca ansiosa de perfeição, mas que cada preceito cumprido seja um passo percorrido conscientemente no seguimento de Jesus, que é o caminho humilde da santidade. Nós Te pedimos pelo mesmo Cristo Jesus, Teu Filho e nosso Irmão, que contigo reina na unidade do Espírito Santo. Amém.
Fonte: Arquidiocese BH em 15/01/2018

ORAÇÃO FINAL
Pai Santo, não permitas que o comodismo, a preguiça e o medo nos impeçam de seguir os caminhos novos de Jesus de Nazaré. Ensina-nos a fraternidade, a compaixão e a generosidade para construirmos uma comunidade de irmãos que seja sinal do teu Reino de Amor. Pelo mesmo Cristo Jesus, teu Filho e nosso Irmão, na unidade do Espírito Santo.
Fonte: Arquidiocese BH em 20/01/2020

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