domingo, 3 de novembro de 2019

HOMÍLIA DIÁRIA, COMENTÁRIO E REFLEXÃO DO EVANGELHO DO DIA 03/11/2019

ANO C


TODOS OS SANTOS

Ano C – Branco

“Será grande a vossa recompensa nos céus!” Mt 5,12a

Mt 5,1-12a

Ambientação

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: Estamos no primeiro domingo do mês de novembro. Hoje, reunimo-nos para celebrar o mistério da santidade divina na nossa vida. A solenidade de todos os santos e santas de Deus é um dia para celebramos a vitória daqueles que nos precederam na fé e partiram desta vida para junto de Deus. O tom desta celebração é, pois, de alegria e de esperança. Alegria porque sabemos que muitos – uma incontável multidão – são os que estão na eternidade com Deus; esperança porque a vitória deles no anima a continuar no caminho da santidade.

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL O POVO DE DEUS: Hoje a Igreja volta seu olhar e seu coração para o céu e enche-se de alegria ao contemplar a multidão daqueles que já participam da glória e da plenitude do Deus Santo. Nossa atenção se volta para o incontável número daqueles para os quais o Senhor Deus manifestou sua misericórdia. Nesta Eucaristia, elevemos o nosso hino de adoração ao Senhor, cuja santidade reluz nos seus santos e santas.

INTRODUÇÃO DO WEBMASTER: No princípio a Bíblia reservou a Javé o título de "Santo", palavra que tinha então um significado muito próximo ao de "sagrado": Deus é o "Outro", tão transcendente e tão longínquo que o homem não pode pensar em participar da sua vida. Diante de sua santidade o homem não pode deixar de ter respeito e temor. Todo homem deve procurar a "pureza de coração" capaz de fazer com que possa participar da vida de Deus.

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: Hoje, reunimo-nos para celebrar o mistério da santidade divina em nossa vida. É uma celebração que mostra o céu e indica o caminho para que a santidade seja plena em cada um de nós. Um modo para que isso seja realidade está na mansidão evangélica: bem-aventurança que cultiva a bondade e o respeito para com o outro. Celebremos alegremente esta Solenidade implorando a intercessão de todos os Santos e Santas de Deus.

TODOS OS SANTOS

A proposta de santidade é inerente e irrenunciável na vida de fé cristã. Mas diante dessa afirmação e dentro do contexto atual, com os seus desafios, com a sua múltipla realidade cultural, marcada pela busca do prazer e pelo egoísmo, essa proposta pode perecer distante ou até mesmo inviável. Como viver a mansidão, diante de tanta violência? Como usar de misericórdia ou do perdão, se estamos rodeados de mentiras? Como buscar a justiça, se a corrupção parece ter se tornado uma verdadeira doença contagiosa? Como ser santo, nesse mundo marcado pelo pecado?
Diante dessa realidade, que parece sem solução, pode aparecer o desânimo e o desejo de “fugir do mundo”. Ao longo da história, surgiram algumas propostas que caminhavam nessa direção, isto é, estabelecer um grupo de pessoas e de comunidades fechadas, onde fosse possível viver uma vida alternativa e até mesmo a “santidade”. Um lugar ideal, sem problemas ou desafios, sem contrariedades, onde a ordem seria mantida pelo pensamento comum. Mas é preciso considerar que todo fechamento é, antes de tudo, nocivo e leva a morte.
Pela sua natureza própria a comunidade cristã é aberta, porque foi enviada pelo Senhor que disse, “Ide e fazei discípulos” (Mt 28, 19). Não é possível imaginar a vida cristã isolada e encerrada em si mesma. Isso seria o oposto de uma “Igreja em saída”, porque viver numa realidade alternativa seria contrário à exigência do testemunho. É na vivência cotidiana da fé, que o cristão encontra as circunstâncias para fazer aparecer o perfume da santidade. Porque embora esteja no mundo, o cristão não se confunde com a realidade do mundo, mas ao contrário se distingue pela virtude da fé e do seguimento a Cristo.
A Igreja é assim a comunidade dos discípulos do Senhor, que se manifesta numa dupla realidade. De uma parte ela é “Igreja militante”, que trabalha, que evangeliza, anuncia e se compromete com a Verdade do Evangelho. De outra parte ela é “Igreja Triunfante”, que reúne na eternidade os discípulos, que na vida testemunharam a fé. Essa “Igreja Triunfante” é aquela que manifesta os sinais da “Igreja hospital de campanha”, fazendo brilhar os testemunhos da santidade, nas diferentes situações e nos diversos estados de vida. As duas realidades, embora distintas no tempo, estão unidas no seguimento de Cristo.
A santidade é, portanto, um caminho possível, ontem, hoje e sempre. As dificuldades e os desafios de hoje são ocasiões próprias do nosso tempo, e que nos convidam a não esconder a nossa fé, mas ao contrário, a testemunhar o que acreditamos. Nesse caminho não vamos sozinhos, porque fomos precedidos de uma multidão de irmãos e irmãs na fé, os Bem-aventurados que vieram antes de nós, e que agora intercedem por nós. No encontro dessas duas realidades, contemplamos o esplendor da Santidade de Deus, que nos convida sempre mais à santidade e ao testemunho da fé.
Dom Devair Araújo da Fonseca
Bispos auxiliar de São Paulo

Comentário do Evangelho

Acolher a presença de Deus é o caminho da santidade.

A festa de todos os santos e santas de Deus é uma festa antiga. Já no segundo século, a Igreja celebrava a memória dos seus mártires para que, tendo presente o seu testemunho, a comunidade se mantivesse fiel no testemunho de Jesus Cristo. É uma festa para nós. A porta do céu se abre não para nos abstrairmos do mundo, pois, aqui, é o lugar de vivermos a nossa vocação à santidade, mas para considerarmos o compromisso próprio do nosso chamado a partir do céu, inspirados pelo testemunho daqueles que nos precederam na fé. Em todos os santos e santas de Deus se cumpre a Palavra do Senhor. À afirmação de Pedro: “Olha, deixamos tudo e te seguimos!”, que recompensa terão? Jesus responde: “Nessa vida perseguições e tribulações. Mas, depois, a vida eterna” (Mc 10,28-30).
As bem-aventuranças fazem parte do longo discurso denominado sermão da montanha (Mt 5–7); fazem parte de um gênero literário bastante atestado no Antigo Testamento. A primeira bem-aventurança é o fundamento de todas as demais: “Felizes os pobres no espírito, porque deles é o Reino dos céus” (v. 3). Há um espírito dentro do ser humano; ele o recebeu de Deus, que o chamou à existência (cf. Gn 2,7). A pobreza de espírito é uma pobreza em relação a Deus: diante de Deus o ser humano se encontra “desnudo”. Viver essa realidade de maneira concreta é assumi-la com um coração puro, experimentá-la no mais profundo do ser, lá onde aflora a presença de Deus. Nesse sentido, as bem-aventuranças são um apelo ao discípulo a viver a vida referida a Deus e na confiança nele, num compromisso efetivo com o Reino de Deus e na esperança de que a recompensa vem do alto. O que cada bem-aventurança promete, a realidade escatológica, é o fundamento da vida moral, do modo de agir do cristão.
O livro do Apocalipse foi escrito com a finalidade de encorajar os cristãos a que, mesmo na perseguição implacável, guardassem a palavra de Cristo, não renunciassem à fé e aos valores da vida cristã. Ele tira para a vida dos cristãos as consequências do mistério pascal do Senhor. O que encoraja a Igreja peregrina é considerar a Igreja triunfante. A multidão numerosa vestida de branco são os que por Cristo deram as suas vidas e no Cristo participam da sua gloriosa ressurreição. São os que confiaram plenamente no Senhor: “Todo o que espera nele purifica-se, como também ele é puro” (1Jo 3,3).
É preciso, por fim, dizer que o que nos faz santos é a presença de Deus em nós. Acolher esta presença, deixar-se conduzir por ela, é o caminho da santidade.
Carlos Alberto Contieri, sj
Oração
Pai, move-me pelo Espírito a trilhar o caminho da santidade, colocando minha vida em tuas mãos e buscando viver as bem-aventuranças proclamadas por teu Filho Jesus.
Fonte: Paulinas em 03/11/2013

Vivendo a Palavra

Assim o Evangelista Mateus inicia o Sermão da Montanha – o centro, a essência da Mensagem do Mestre de Nazaré. Ele não descreve virtudes de várias pessoas, mas faz um retrato de corpo inteiro de Jesus, o Bom Pastor que foi e quer que nós sejamos: pobres, puros de coração, amantes da justiça, corajosos, alegres e cheios de misericórdia.
Fonte: Arquidiocese BH em 03/11/2013

VIVENDO A PALAVRA

Assim o evangelista Mateus inicia o Sermão da Montanha, que se estende pelos capítulos 5, 6 e 7. O texto lido hoje constitui o centro, a essência, o coração pulsante da Mensagem do Mestre de Nazaré. Ele não descreve diferentes virtudes de várias pessoas, mas faz um retrato de corpo inteiro do próprio Jesus, o Bom Pastor que foi e quer que também nós sejamos: pobres, puros de coração, amantes da justiça, corajosos, alegres, puros e cheios de misericórdia.

Reflexão

TODOS OS SANTOS

QUEM MORARÁ NO SANTUÁRIO DO SENHOR?

I. INTRODUÇÃO GERAL

Cristo é a fonte da santidade dos cristãos. As situações mencionadas nas bem-aventuranças foram vivenciadas primeiramente por Jesus e, por isso, ele se tornou o critério pelo qual discernimos se estamos vivendo ou não de acordo com a vontade de Deus.
As situações concretas da vida são, às vezes, carregadas de sofrimento. Feliz é quem permanece fiel em momentos de angústia e crise. Em linguagem apocalíptica, feliz é quem alveja suas vestes no sangue do Cordeiro. Essa expressão significa assumir a veste nova do batismo em situação de grande perseguição, a ponto de se identificar com o Cristo crucificado. Os santos são aqueles cuja consciência de pertença a Cristo é tão forte que estão dispostos a tudo por amor a Deus. O que move as ações deles é o amor ágape, o mesmo que moveu Cristo na oferta da própria vida na cruz.

II. COMENTÁRIO DOS TEXTOS BÍBLICOS

1. Evangelho (Mt 5,1-12a): Perseguidos por causa da justiça

As bem-aventuranças, em seu conjunto, constituem um estilo de vida, uma mensagem de esperança e uma ordem de batalha para aqueles que lutam pela implantação do reino dos céus e anseiam por sua chegada definitiva. O ponto de partida das bem-aventuranças são as condições concretas da vida humana. Há pessoas que choram, são injustiçadas, perseguidas, injuriadas e caluniadas por causa do reino dos céus, e ainda assim permanecem mansas, pacificadoras misericordiosas e puras.
No idioma de Jesus, o termo geralmente traduzido por “bem-aventurados” ou “felizes” é o imperativo dos verbos “avançar” e “prosseguir” (cf. Pr 4,14). Em um contexto de perseguição, as palavras de Jesus também podem ser assim traduzidas:
“Que avancem os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus!” Os “pobres em espírito” são aqueles cujas vidas estão apoiadas em Deus, não nos bens materiais e, por isso, sua luta não será em vão, mas alcançarão aquilo que esperam, a saber, o reino dos céus.
Que avancem os “mansos”, pois, embora atribulados, não agem com violência nem duvidam do amor de Deus por eles. Estes herdarão a terra, e a usufruirão sem violência, como o desejam.
Que avancem os que têm “fome e sede de justiça”, a saber, os decepcionados com a justiça terrena, a qual não defende os inocentes e favorece os culpados. E, porque esperam unicamente na justiça divina, não serão decepcionados, mas alcançarão a vitória, viverão numa terra renovada, alicerçada na justiça.Que avancem os misericordiosos, pois como agiram à semelhança do agir divino, serão tratados por Deus com misericórdia; e viverão num novo mundo, onde a misericórdia e o amor superam todas as coisas.
Que avancem os “puros de coração”, os que são transparentes, não enganam e nem são falsos. Eles verão a Deus.
Finalmente, que avancem os “perseguidos por causa da justiça”, os que sofrem perseguição por causa da fé, por causa do evangelho. Quem sofre por causa de uma participação ativa na construção do reino não será decepcionado, mas verá o reino acontecer. Os que se ajustam à vontade de Deus terão lugar no reino dos céus onde a vontade de Deus é soberana.
Finalmente, que avancem as pessoas de boa vontade, verdadeiras promotoras dos valores do reino dos céus na história.
Quando as pessoas viverem essas situações, devem se lembrar de que foi isso que aconteceu aos profetas e mártires. É o preço que se paga pela fidelidade ao evangelho. Essas pessoas não estão sendo castigadas, como poderia afirmar a teologia da retribuição, mas estão sendo convidadas a ter a mesma atitude de Jesus diante do “mundo hostil” ao valores do reino dos céus. Estão sendo convocadas a viver sua fidelidade ao Pai, assumindo todas as consequências dessa decisão até que brote a vida em plenitude.

2. I Leitura (Ap 7, 2-4. 9-14): Os que vieram da grande tribulação

O texto apresenta o destino reservado à Igreja colocada sob a eficaz proteção de Deus durante um período de perseguição. Isso não significa que os cristãos fiquem isentos do sofrimento, ao contrário, devem preparar-se para fazer frente a graves perseguições e, inclusive, a aceitar o martírio. A visão tem, portanto, o objetivo de animá-los a perseverar até a morte.
O primeiro quadro se desenrola com base no conceito antigo que considerava a terra como sendo quadrada, com ventos nocivos originados de seus ângulos (cf. Jr 49,36). Os anjos recebem a ordem de não permitir que os ventos iniciem sua obra de destruição até que os fiéis tenham recebido o selo de Deus, que equivaleria a uma declaração de propriedade (cf. Ez 9,lss). Isso significa que, em meio à prova, Deus dará aos seus servos fiéis as energias necessárias para que perseverem até a morte. Em resumo, os que foram associados à cruz de Jesus, ou seja, os que passaram pela grande tribulação, igualmente compartilham de sua glória no céu.
Os cento quarenta e quatro mil (12 x 12.000) assinalados representam os fiéis provenientes das doze tribos de Israel dispersas sobre a terra. Em novo quadro, João viu uma multidão incontável, de todas as etnias, diante do trono do Cordeiro. As palmas que traziam nas mãos evocam as que eram usadas na liturgia judaica da festa das Tendas (Lv 23,40) para louvar o Deus de Israel.
As vestes brancas, alvejadas no sangue do Cordeiro (v. 14), significam que os mártires permaneceram puros, não se deixaram contaminar, seja pela idolatria, seja pela apostasia, e por isso sofreram a morte. Por causa de sua fidelidade, agora estão diante do trono do Cordeiro vitorioso, realizando uma liturgia celeste.

3. II Leitura (1Jo 3,1-3): Os que esperam no Senhor

Deus nos amou a tal ponto que não se contentou apenas em nos dar seu Filho único, mas tornou a nós mesmos seus filhos adotivos. Esse tipo de amor (ágape) é extraordinário, prodigamente generoso e tem sua fonte em Deus mesmo, é uma realidade divina da qual nós participamos através da filiação que recebemos.
É de se esperar que o “mundo”, tomado aqui em sentido pejorativo, designando uma contraposição a Deus e ao seu propósito, não reconhecerá que somos filhos de Deus. Em resumo, se o amor (ágape) é o que move nossas ações, então seremos estranhos ao mundo que é movido por outros “valores”.
A dignidade de filhos de Deus é desconhecida do mundo e imperfeitamente conhecida pelos próprios cristãos, porque todos os efeitos dessa nova situação ainda não se manifestaram. A vida eterna já está em nós, mas se manifestará em plenitude somente quando o Cristo glorioso voltar na parusia final.
A esperança segura a respeito da manifestação plena da vocação humana à filiação divina é a motivação mais eficaz para o empenho em santificar-se. Essa esperança também é um dom gratuito de Deus a nos impulsionar na purificação. Do mesmo modo que os israelitas se purificavam com os ritos apropriados antes de entrarem no templo de Jerusalém, assim também os cristãos devem purificar-se espiritual e interiormente para entrar na realidade celeste do Cristo ressuscitado.
Dito de outra forma, o ser humano não pode ser salvo sem a graça e os méritos de Cristo, mas, ao mesmo tempo, o esforço pessoal também é necessário no processo de santificação. Não se trata de uma pureza meramente externa, mas sim de esforçar-se para configurar-se plenamente à vontade de Deus expressa na vida de Jesus.

III. PISTAS PARA REFLEXÃO

Os textos de hoje têm o objetivo de animar os cristãos e sustentá-los na perseverança e na fidelidade até a morte. As leituras nos mostram o quanto são felizes os que permaneceram fiéis até o fim.
A fidelidade à mensagem de Cristo é o grande desafio de nosso tempo. Muitas pessoas estão desencantadas com a Igreja por causa de várias razões, a maioria deles devido à falta de amor que deve ser a marca característica da comunidade de Jesus. A igreja local, frequentada pelas pessoas em seu cotidiano, pode atrair mais pela misericórdia, por ser mansa e pacificadora.
É bom destacar na homilia que nossa preocupação principal deve ser com o testemunho de vida e não com encher os templos com cristãos desencantados e pouco comprometidos. O testemunho da igreja local os reencantará para Cristo.
Muitas pessoas passam por grandes sofrimentos e se afastam da Igreja porque não encontram explicações, ou porque lhes foram dadas explicações desastrosas para suas angústias e sofrimentos. Se a igreja é solidária com o sofredor, ele se sentirá seguro para permanecer fiel, mesmo sem entender o sofrimento que o sufoca.
Muitas vezes as desistências ou o distanciamento das pessoas em relação à Igreja é porque lhes foi prometido um cristianismo fácil e confortável como retribuição pelas boas obras. Mas quando as dificuldades se anunciam, como é próprio da vida humana, as pessoas não têm a força interior para manter-se fiéis.
Aíla Luzia Pinheiro Andrade
Graduada em Filosofia pela Universidade Estadual do Ceará e em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (Faje - BH), onde também cursou mestrado e doutorado em Teologia Bíblica e lecionou por alguns anos. Atualmente, leciona na Faculdade Católica de Fortaleza. É autora do livro Eis que faço novas todas as coisas – teologia apocalíptica (Paulinas). E-mail: aylanj@gmail.com
Fonte: Vida Pastoral em 03/11/2013

Reflexão

Todos os Santos

SANTIDADE E FELICIDADE

Felizes são todos os santos, cuja memória hoje celebramos com alegria. O evangelho das bem-aventuranças mostra que, de fato, aqueles que chegaram à santidade são para nós inspiração e modelo de felicidade.
As pessoas, hoje como sempre, infelizmente valem pelas riquezas que têm, pelos cargos que ocupam. A felicidade é anunciada e buscada a todo custo como prosperidade econômica. E escandalosamente isso acontece também em Igrejas que se dizem cristãs, mesmo depois de Jesus ter proclamado o Sermão da Montanha.
Pois as bem-aventuranças de Jesus vão exatamente em sentido contrário. Felizes são os pobres em espírito, os que sentem a pobreza na pele, os que renunciam à cobiça, os simples e pequenos, os que estão vazios de tudo e só têm a Deus como defensor.
Renunciando à busca da felicidade que se confunde com comodidade ou mero bem-estar, os pobres entram em outra dinâmica: a lógica do reino de Deus. Nesse reino, felicidade é buscar a justiça divina, que supera em tudo o legalismo e a hipocrisia humana. A felicidade do reino é a que dura pela eternidade, mas necessariamente começa neste mundo. Ela consiste em se desgastar pelos outros, em sofrer e chorar com os outros e pelos outros, em construir juntos a paz. É a felicidade que se confunde com o perdão, porque a graça de Deus é infinita diante de nossos erros. Que se confunde com a perseverança diante das calúnias, tribulações e perseguições.
Na dinâmica do reino, a felicidade é algo que se conquista seguindo o exemplo do Mestre: doando a própria vida por amor, em tudo o que isso comporta de sofrimento. Olhando para todos os santos, renovamos hoje a esperança de que todo o amor que vivemos e doamos seja aceito por Deus, pois só levaremos para a eternidade o amor que tivermos deixado aqui. Que ele torne plena nossa vida e eternize nossa felicidade.
Pe. Paulo Bazaglia, ssp
Fonte: Paulus em 03/11/2013

Reflexão

TODOS OS SANTOS

SOMOS O POVO SANTO DE DEUS

Hoje celebramos Todos os Santos e Santas. Quem são eles? Onde estão elas? Muitas pessoas,quando pensam em “santo”, logo se lembram de uma estátua de gesso ou madeira que não fala, não ri, não tem sentimentos. As imagens são importantes para a nossa fé, mas os santos são muito mais do que a representação artística delas nas pinturas e esculturas. Santo é alguém que ama muito. Santa é a mulher que gasta a vida buscando ajudar pessoas de quem quase todo o mundo tem nojo e procura se desviar, passando para o outro lado da rua. Santo é alguém que sabe ouvir, confortar e mostrar que há sempre uma saída. Santa é a pessoa que defende o direito dos injustiçados, mesmo sob risco de morte. Santo é alguém que sabe provocar alegria e entusiasmo na vida dos outros. A pessoa santa sabe pensar antes de falar; reza a fim de escolher as palavras certas para animar, repreender e corrigir. Santo é alguém que ensina com as palavras, mas principalmente com os gestos, a maneira de ser.
Santo é, contudo, gente de carne e osso. Erra também. Mas não tem vergonha de pedir perdão. A pessoa santa cai muitas vezes ao longo do caminho, mas sabe levantar a mão e pedir ajuda. O santo pode exagerar na dureza de suas palavras quando vê algo errado, mas saberá distinguir a pessoa do erro, pois são os erros que precisam ser corrigidos para que a pessoa melhore. O santo às vezes pode passar por tolo ou ingênuo, porque prefere acreditar a condenar de maneira precipitada, pois sabe que, na verdade, quem está sendo passado para trás é quem está tentando enganá-lo.
Há muita santidade no mundo, muitas vezes misturada ao pecado e ao erro, como acontece com a erva daninha misturada com a planta boa. Basta cada um olhar primeiramente para o próprio coração e nele vai perceber a existência de sinais de santidade e também de maldade. Deus não quer que nos desesperemos por causa da maldade detectada, e sim que nos animemos com os sinais de bondade e façamos que ocupem mais o espaço do nosso coração e da nossa vida. Olhemos também para as pessoas de nossa casa e de nossa comunidade e vamos perceber que elas erram e acertam. Os acertos são sinais de santidade. Vamos fazer a nossa parte para que a santidade presente em nós possa aumentar, prevalecer. Somos o povo santo de Deus!
Claudiano Avelino dos Santos, ssp
Fonte: Paulus em 03/11/2013

Reflexão

A exemplo de Moisés, que, na montanha, recebe a lei e a entrega ao povo, Jesus, ao ver as multidões de sofredores que vêm a ele, sobe a montanha e nos deixa a nova lei, as bem-aventuranças, início solene do sermão da montanha. As oito bem-aventuranças são dirigidas a toda a multidão, e não apenas aos discípulos de Jesus (a nona é mais específica para seus seguidores). Ele propõe anúncios de felicidade. O que é ser feliz? Onde buscamos a felicidade? Para a sociedade moderna, felizes são os ricos, os poderosos, os “bem de vida” e os que podem consumir à vontade. Jesus, ao contrário, nos diz: felizes os pobres, os que choram, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os que promovem a paz, os perseguidos por causa da justiça. Essas são instâncias de felicidade propostas por Jesus para toda a humanidade, não apenas para alguns grupos específicos. À primeira vista, parece que as bem-aventuranças conclamam para a acomodação. Ao contrário, elas convocam para o “não conformismo”, para a busca dos valores do Reino (paz, justiça, misericórdia). E também não é uma proposta para a vida após a morte, mas para o presente.
(Dia a dia com o Evangelho 2019 - Pe. Luiz Miguel Duarte, ssp)

Recadinho

Você é feliz? - Você contribui para que seu próximo seja feliz? Como? - Como você encara a realidade da pobreza, a material e a espiritual? - Você tem consciência de que a misericórdia é tudo em nossa vida? - Qual a bem-aventurança que mais lhe agrada? Explique-se.
Padre Geraldo Rodrigues, C.Ss.R
Fonte: a12 - Santuário Nacional em 03/11/2013

Meditando o evangelho

ENTREGUES NAS MÃOS DO SENHOR

A santidade não é um artigo de luxo reservado a um grupo de privilegiados. É um ideal para o qual todos os cristãos devem tender, independentemente de sua condição social ou eclesial. Como ninguém é excluído, também ninguém pode eximir-se de dar sua resposta a este apelo divino. O importante é ter uma visão correta da santidade, para se evitar esmorecimentos diante de concepções falsas, e também para não ir atrás de um projeto de santidade incompatível com a proposta de Jesus.
O Evangelho entende a santidade como a capacidade de entregar-se totalmente nas mãos do Pai, de quem tudo se espera e em nome de quem se age em favor do semelhante. Neste caso, santidade e bem-aventurança identificam-se.
A bem-aventurança dos pobres em espírito, dos mansos, dos aflitos e dos que têm fome e sede de justiça acontece quando as pessoas, nestas condições, contam apenas com o auxílio que vem de Deus. Seria inútil contar com as criaturas e esperar delas o socorro.
Por outro lado, também os misericordiosos, os puros de coração, os construtores de paz e os perseguidos por causa da justiça trilham um caminho de santidade. Sem uma profunda adesão a Deus e a seu Reino, jamais se disporiam a prestar ao próximo um serviço gratuito e desinteressado, e a escolher um projeto de vida em que os interesses pessoais passam para um segundo plano. A santidade, neste caso, consiste em imitar o modo divino de agir.
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado no Portal Dom Total).
Oração
Pai, move-me pelo Espírito a trilhar o caminho da santidade, colocando minha vida em tuas mãos e buscando viver as bem-aventuranças proclamadas por teu Filho Jesus.

COMENTÁRIO

TODOS OS SANTOS

A SUPREMA FELICIDADE

“Esses são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do cordeiro”. Com esta imagem, o livro do Apocalipse indica todos aqueles que participaram do sacrifício expiatório de Cristo, cordeiro sem mancha. Estes, agora, formam a multidão imensa, simbolizados pelo número 144.000 (12 tribos de Israel x 12 apóstolos x 1.000 = ideia de multidão, abundância). São todos aqueles que conseguiram a visão eterna de Deus depois de ter atravessado o tempo da prova, lutando constantemente contra as ciladas do mal, animados pela coragem e segurança que vem do Senhor. Estamos falando dos santos.
Os santos são aquelas pessoas canonizadas pela Igreja, depois de uma minuciosa investigação da vida destas. Mas, os santos canonizados constituem uma pequena parte. Há milhares de outros que celebramos hoje, uma multidão que ninguém pode contar, diz o livro do Apocalipse. São aqueles que com humildade se submeteram à vontade de Deus durante a sua vida, e estão na presença do Senhor para sempre. Dentre estes, podem constar nossos amigos e familiares já falecidos. São os santos anônimos, e são santos tanto quanto os canonizados. A única diferença é que estes são declarados oficialmente como modelos de santidade para nós que ainda estamos caminhando.
Também nós não devemos nem duvidar que possamos participar desta comunhão. Cristo não exclui ninguém da salvação. Ele veio para procurar, encontrar e salvar o que está perdido. Porém, Cristo não impõe, ele só propõe. Cada um é livre para aceitar ou rejeitar esta salvação.
O Evangelho de hoje nos apresenta um caminho de santidade humana que abraça todas as etapas da nossa vida, abarcando cada situação e considerando os desafios que a cada dia estamos sujeitos: Deus não quer que fiquemos passivos, há um caminho a seguir. As bem-aventuranças indicam que caminho é este, mostrando o caráter do cristão enquanto herdeiro do Reino de Deus, da suprema plena, da alegria perfeita.
Ser pobre em espírito é ser humilde. É quando reconhecemos nossa necessidade, nossa insuficiência e nossa dependência, nossos limites, e, nos dirigimos a Deus na oração com confiança. Para tal, é necessário arrancar de nós toda soberba, orgulho, presunção, egoísmo, auto-suficiência, superioridade, intolerância. Esta bem-aventurança não diz respeito só aos que são pobres materialmente: um milionário pode reconhecer e confessar que a riqueza material não é tudo para ele e que ele depende de Deus; enquanto, um pobre materialmente pode ser cheio de ganância e esperar tudo da riqueza terrena.
A segunda bem-aventurança parece contraditória, pois o pranto é o contrário de alegria. Os motivos podem ser vários: a morte, a doença, as desgraças, o pecado e a fraqueza, as mudanças drásticas da vida. O aflito é aquele que sofre por sua situação ou pela dor alheia, movido pela compaixão. O pecado contrário é quando somos indiferentes e almejamos uma “vida boa”, cheia de prazeres, confortos, tranquilidades; é o pecado da indiferença com o próximo, da dureza de coração.
Jesus era manso. Ele chama felizes os mansos, que deixemos toda grosseria, desrespeito, desamor, agressões. A santidade deve mostrar-se no modo como tratamos as pessoas. É preciso trabalhar o auto-controle, aceitar o próximo, não querer dominá-lo, controlá-lo, humilhá-lo nem impor-lhe nossas ideias.
Fome e sede são uma necessidade natural, fundamental para vivermos. Felizes são os que tem fome e sede de justiça: ser justo significa ser recto, honesto, correto com relação ao próximo, a Deus e às coisas materiais.
Ser feliz significa ser misericordioso. Significa não ficar indiferente perante o sofrimento alheio nem mostrar um coração duro perante as ofensas que nos foram causadas. Sentir a miséria do outro e perdoá-lo. Só perdoando, seremos perdoados.
O que busca a santidade busca a pureza. Humanamente falando, nos damos conta que é impossível ser totalmente puro, mas o sangue de Jesus nos lava de todo o pecado. O caminho da santidade é uma busca constante de paz. Deus é um Deus da paz. Ele quer que nós também sejamos pessoas de paz. Temos que aprender a lidar com o pecado da maledicência, da intriga, da vingança, da provocação. Somos felizes quando não só fizermos as pazes com os outros, mas também quando formos instrumentos de paz entre duas pessoas ou grupos etc.
Ser bem-aventurado implica ser perseguido ou até morrer por causa de Jesus Cristo. Talvez seja esta uma questão das mais difíceis da santidade: conviver com isto enquanto se segue a Jesus. Talvez alguém possa se enganar pensando que quanto mais próximos a Deus estivermos, mais amados seremos por todos. Errado! Pois, seremos cada vez mais invejados, contrariados, insultados e perseguidos. O diabo fica desconcertado com os que, sinceramente, buscam seguir Cristo. O próprio Jesus Cristo foi odiado e crucificado.
Enfim, o caminho indicado por Jesus para nossa felicidade parece ser uma restrição, uma limitação da liberdade humana. Mas, Jesus não veio prender, veio libertar. Na verdade, as bem-aventuranças são um caminho para a liberdade, para a salvação, para a suprema e eterna felicidade que todos sem excepção poderão herdá-la.
Pe. Ulrish Pais
Sacerdote de Lisboa
Meu grande amigo e Diretor Espiritual Virtual no:
Google+ em 03/11/2013

COMENTÁRIOS DO EVANGELHO

1. VIVER HOJE O “AMANHÔ
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Diácono José da Cruz - Diácono da Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP)

Ser santo não é uma decisão do homem mas uma resposta ao convite que Deus nos faz em Jesus Cristo: Sede perfeitos como o vosso Pai é perfeito! Perfeição nesse sentido, nunca foi e nem será o forte do homem, feito de barro, vulnerável ao pecado, sujeito a tantas fraquezas, marcado por tantas limitações. Se santidade fosse isso, Deus seria o maior dos injustos, pois é o mesmo que um homem perfeito sair em disparada e pedir para que um deficiente físico o acompanhe nessa corrida.
Nunca teríamos a menor chance de ser santos. Há ainda outra corrente que acha que a santidade é apenas para alguns, que têm uma conduta exemplar, são pacientes, tolerantes, dóceis, calmos, prestativos, solidários, educados, nunca perdem a cabeça e o equilíbrio, nunca reclamam de nada e aceitam tudo, sendo bondosos o tempo todo. De pessoas assim, é melhor manter distância e ser cauteloso, porque me dizia um padre muito amigo, o santinho de hoje pode ser o diabinho de amanhã!
Ser calmo ou ter os nervos a flor da pele, ter equilíbrio emocional, demonstrar serenidade, ser amável e dócil, ser prestativo e educado, sem dúvida que são belas virtudes, mas não necessariamente um indicativo de santidade, pois conheço histórias de grandes santos que eram bem temperamentais. Há ainda outro conceito perigoso de santidade, que é ter o poder de realizar coisas prodigiosas, os chamados milagres. Conheço pessoas descrentes de Deus e da igreja, e que, contudo praticam essas virtudes. E já tive conhecimento de curas operadas por pessoas de outras correntes religiosas, até opostas ao cristianismo.
A ideia de que santidade é coisa restrita de alguns homens e mulheres especiais, parece-me um tanto quanto equivocada, pois o visionário do apocalipse afirma categoricamente na primeira leitura, que se trata de uma multidão, de onde se conclui facilmente, que santidade é uma proposta de vida que Deus faz a toda humanidade, onde Jesus Cristo é o modelo e a referência máxima, nele a gente se encontra como Filho de Deus, não mais desfigurado pela corrupção do pecado, mas liberto, vitorioso e perfeito como fomos criados e concebidos pelo Pai. Somente Nele, com ele e por ele seremos santos! Mas encontrei nas leituras dessa "Festa de Todos os Santos", uma definição ainda mais bonita e completa do que é a Santidade - "Viver hoje o amanhã".
É preciso ter os pés no chão, pois uma coisa é enfrentar com coragem os desafios do presente e buscar soluções concretas, o outro é camuflar a situação, fazendo uma belíssima coreografia, sem mudar o cenário! É maquiar para parecer belo! A copa do mundo que vai acontecer no Brasil em 2014, será um desses momentos, de grande ilusão e utopia. Já se está vendendo a imagem de um País que é um paraíso...
As bem-aventuranças proclamadas solenemente por Jesus, no alto de um monte, são profundamente realistas: a Primeira e a Oitava, trazem o verbo no presente, "...porque deles é o Reino dos Céus", ao passo que as demais, usam o verbo no futuro, "porque serão, verão, alcançarão...". Ser pobre em espírito é fazer de Deus a sua única riqueza, é possuir já nesta vida a plenitude da vida futura. É ser discípulo e estar em constante aprendizado a partir do evangelho, vivendo hoje tudo o que cremos e esperamos no amanhã. Esta postura diferente trará incompreensão e perseguição mas em compensação, a alegria será verdadeira, porque não se fundamenta naquilo que se vê, mas sim no que se espera.
Jesus Cristo trouxe o futuro até nós, sendo precisamente esta crença e esperança que nos faz ter uma identidade própria, fomos marcados para fazer a diferença neste mundo tão descrente, que não consegue vislumbrar a Vida Nova, para a qual fomos destinados por Deus, desde o início da Criação.
José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP

2. Felizes os puros de coração, porque verão a Deus - Mt 5,1-12a
(O comentário do Evangelho abaixo é feito por Côn. Celso Pedro da Silva, ‘A Bíblia dia a dia 2017’, Paulinas e disponibilizado no Portal Paulinas - http://comeceodiafeliz.com.br/evangelho)

No Dia de Finados, comemoramos todos os nossos irmãos e irmãs falecidos. Hoje comemoramos os falecidos oficialmente declarados santos, sabendo que entre os falecidos há muitos santos anônimos, ou ainda não oficializados, que estão vendo a face do Senhor.
Celebrando todos os santos, proclamamos o sucesso de uma vida no melhor sentido da palavra. No fim da nossa vida, olhando o conjunto da nossa existência, poderemos dizer se ela foi um sucesso ou um fracasso. Aprendemos que, depois de mortos e ressuscitados, somos salvos ou somos condenados. Os salvos vão para o céu e os condenados, para o inferno. Aqueles e aquelas que a Igreja tem certeza de que foram salvos e estão no céu são declarados servos de Deus, bem-aventurados, santos.
O que leva alguém para o céu e o que leva alguém para o inferno? Olhemos então para os santos e vejamos que caminhos percorreram, como se comportaram, o que diziam e o que pensavam. A Igreja examina a vida dos candidatos à canonização e verifica se viveram de forma heroica as virtudes cristãs. Olhe as imagens dos santos que estão na igreja que você frequenta e procure conhecer a história de cada um deles.
Reze a ladainha de Todos os Santos e faça o mesmo com os santos citados ali. Entre nós há santos muito antigos e, graças a Deus, santos da nossa época. O que foi que os tornou santos? A resposta a esta pergunta pode ser encontrada no Evangelho das Bem-aventuranças.
São Mateus, no Evangelho do Juízo final, descreve as perguntas que serão feitas a todos. Conforme as respostas, iremos para o céu ou não. “Eu tive fome”, dirá Jesus. Sabemos o resto. O Apocalipse fala de muitos que vieram da grande tribulação. Eles lavaram suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro. Estes são os mártires presentes na história de todos os tempos. Homens e mulheres de coragem que derramaram o seu sangue, por sua fé, por acreditarem no Evangelho e em Jesus Cristo [...].

Liturgia comentada

Assim perseguiram os profetas... (Mt 5,1-12)
Escrevi estas linhas sob o impacto do assassinato de Irmão Roger Schütz, fundador da Comunidade de Taizé. Um bem-aventurado? Sim. Pobre e puro de coração? Sim. Manso e pacificador? Sim. Misericordioso? Sem dúvida. Dedicou toda a sua vida a tecer pontes entre as Igrejas, semeando a paz e a concórdia. No entanto, para que fosse ainda mais visível a sua “bem-aventurança”, acabou assassinado por uma mulher desequilibrada, em plena reunião de oração.
Nesta conhecida passagem do “Sermão da Montanha”, que emocionava o próprio Mahatma Gandhi, Jesus não ilude o grupo de seus seguidores: “Foi assim que perseguiram os profetas antes de vós.” Ou seja, vocês também serão perseguidos. E, quando o forem, aí mesmo é que sereis verdadeiramente bem-aventurados!
Naturalmente, a “receita de felicidade” passada pelo Mestre pode decepcionar bastante aqueles que pensavam aproximar-se de Deus para resolver todos os seus problemas particulares. Com Deus, teríamos simultaneamente cura física, sossego e dinheiro no bolso. Tanto é assim que algumas igrejas fazem seu marketing a partir de frases do tipo: “Pare de sofrer!”
Entre os ingredientes amargos, pobreza e lágrimas, não-violência e misericórdia, fome e sede, injúria e perseguição. Sim, mas não em consequência de nossos erros e imprudências, mas “por minha causa” – diz Jesus. A bem-aventurança é inseparável do compromisso com o Evangelho de Jesus. Brota do choque entre a mensagem da Boa Nova e os projetos neopagãos.
Na verdade, a felicidade consiste exclusivamente no próprio Senhor, na vida em comunhão com ele. Se os primeiros mártires caminhavam para o cepo entoando alegremente hinos de louvor, é que ali mesmo tomavam posse da felicidade-em-Deus. Sabiam que faziam um excelente negócio em trocar a vida que passa pela vida que não passa.
Se ainda julgamos que o homem feliz é aquele que tem “muito dinheiro no bolso / saúde pra dar e vender” – como na valsinha natalina, acabaremos discordando de Jesus Cristo. Se, ao contrário, queremos viver como filhos de Deus (Mt 5, 9), entenderemos o convite à alegria...
Sou um bem-aventurado?
Orai sem cessar: “Feliz o homem que tem seu refúgio no Senhor!” (Sl 34,9)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.
santini@novaalianca.com.br
Fonte: NS Rainha em 03/11/2013

REFLEXÕES DE HOJE

03 DE NOVEMBRO-TODOS OS SANTOS


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HOMILIA DIÁRIA

A santidade como compromisso de vida

Busquemos a santidade como nosso compromisso de vida e celebremos todos os nossos amigos santos.

“Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5,3).

Com muito amor e com muita alegria celebramos, hoje, o “Dia de Todos os Santos”. Ontem, celebramos a Igreja padecente no purgatório; hoje, celebramos a Igreja triunfante, daqueles que já participam da glória feliz de Deus por toda a eternidade.
A “Festa de Todos os Santos” tem uma particularidade muito especial para nós. Existe no Céu uma multidão numerosa de homens e mulheres que adoram a Deus sem cessar, face a face: é a multidão dos homens e das mulheres que viveram aqui nesta terra e levaram uma vida de acordo com a vontade do Senhor. Esses já são santos, já participam da beatitude, da felicidade suprema junto de Deus, ainda que não tenham sido nem venham a ser canonizados, porque a Igreja não canoniza todas as pessoas.
Aqueles que nós chamamos de santos, aqueles que são canonizados, são para nós referenciais de vida, porque viveram a santidade de forma extraordinária, mas o Céu tem uma multidão “mil vezes maior” do que aquela lista de santos que todos nós conhecemos na Igreja.
O nosso avô, a nossa avó, talvez nosso pai e nossa mãe, parentes, amigos, pessoas que nós conhecemos, que viveram uma vida de acordo com a vontade de Deus, eles já estão no Céu. Hoje, nós estamos celebrando todos os santos, e desejamos, um dia, fazer parte dessa grande multidão em festa, em júbilo, participantes da alegria celeste do Senhor.
Temos de corresponder a esse convite para vivermos na santidade. É um compromisso de vida! A santidade é o passaporte que nos permite entrar no Céu, ela abre todas as portas do coração de Deus. Santidade é ter uma vida correta, justa, honesta, é viver mergulhado em Deus, praticando a vontade d’Ele com tudo aquilo que vivemos. Ela manifesta-se na pobreza do Espírito, na aflição da alma, na mansidão do coração, na pureza, na misericórdia. Santidade é promover a paz e saber sofrer por amor a Deus e ao Seu Reino.
Busquemos a santidade como nosso compromisso de vida e celebremos todos os nossos amigos santos, toda essa legião de homens e mulheres que estão fazendo parte do coro celeste.
Todos os santos e santas de Deus, rogai por nós!
Padre Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova.
Fonte: Canção Nova em 03/11/2013

Oração Final
Pai Santo, que o teu Espírito em nós nos ajude a compreender o programa de vida que está contido no texto que estamos meditando. E que nos dê coragem, força e perseverança para viver seguindo o modelo do Cristo Jesus, teu Filho que se fez nosso Irmão e contigo reina na unidade do Espírito Santo.
Fonte: Arquidiocese BH em 03/11/2013

ORAÇÃO FINAL
Pai Santo, a liturgia propõe hoje o início do Sermão da Montanha – as ‘bem-aventuranças’, que temos ouvido desde o início da nossa jornada de fé. Que o teu Espírito – Ele está em nós! – nos ajude a compreender o programa existencial contido nessas Palavras de Vida e nos dê coragem, força e perseverança para seguir o modelo – que é o próprio Cristo, teu Filho Unigênito que se fez nosso Irmão em Jesus de Nazaré e contigo reina na unidade do Espírito Santo.


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