segunda-feira, 5 de março de 2018

HOMÍLIA DIÁRIA, COMENTÁRIO E REFLEXÃO DO EVANGELHO DO DIA 05/03/2018

ANO B


Lc 4,24-30

Comentário do Evangelho

Incredulidade dos concidadãos de Jesus

Nosso texto é parte do discurso programático de Jesus, na sinagoga de Nazaré (Lc 4,16-30). O versículo precedente (v. 23), no qual é dito, em forma proverbial, a incredulidade dos concidadãos de Jesus, é o que permite a citação dos fatos do Antigo Testamento. A evocação dos fatos tirados do ciclo de Elias e Eliseu estabelece um paralelo entre Israel e Nazaré. Nazaré passa a ser o protótipo da rejeição de Jesus por Israel. Jesus é um profeta não somente porque ele se sabe enviado, mas porque é rejeitado. Eis o critério que permite verificar a autenticidade de sua vocação: "... nenhum profeta é aceito na sua própria terra" (v. 24). O profeta é consciente das dificuldades na realização da missão, por isso é chamado a viver na confiança: "Farão guerra contra ti, mas não te vencerão, porque estou contigo para te defender, oráculo do Senhor" (Jr 1,19). Não há nada nem ninguém que possa impedir o Senhor de continuar o seu caminho de realização da vontade do Pai: ". passando pelo meio deles, continuou o seu caminho" (v. 30).
Carlos Alberto Contieri, sj
Oração
Pai, que eu saiba acolher Jesus e reconhecê-lo como de Filho de Deus, de modo a tornar-me beneficiário de seu ministério messiânico.
Fonte: Paulinas em 04/03/2013

Vivendo a Palavra

Jesus luta contra a expectativa/desejo reinante entre o povo de um Messias particular, só para os filhos Israel. O Evangelho nos alerta para o mesmo perigo que hoje existe: o de nós construirmos uma Igreja fechada, excludente dos que lhe são opostos e até mesmo dos que pensam diferente. O Cristo veio para todos!
Fonte: Arquidiocese BH em 04/03/2013

VIVENDO A PALAVRA

O passaporte para o Reino do Céu é a fé. Fé que não é privilégio de um povo, mas caminho aberto para a humanidade. As leituras se referem a exemplos de entrega confiante nas mãos do Pai, a serem seguidos por nós: a jovem judia que servia à mulher de Naamã, o próprio Naamã e a viúva de Serepta, a quem foi enviado o profeta Elias.

Reflexão

Todas as pessoas ficam contentes quando as outras pessoas falam o que elas querem ouvir, mas nem todas as pessoas ficam contentes quando os outras pessoas falam o que elas precisam ouvir. Todos queriam que Jesus falasse de uma religião onde manipulariam o próprio Deus através de ritualismos, onde Deus seria o servidor e o homem o servido, onde Deus teria apenas deveres e obrigações e os homens direitos, onde Deus teria que agir o tempo inteiro para corrigir as conseqüências das irresponsabilidades humanas. Como não era esse o conteúdo da pregação de Jesus, que não cedeu ao jogo do poder e dos privilégios da sua época, os seus concidadãos o excluíram e quiseram matá-lo.
Fonte: CNBB em 04/03/2013

Reflexão

Na sinagoga de Nazaré, Jesus se apresentara como o Ungido do Espírito Santo, o Messias. A princípio houve aceitação, mas logo a assembleia se pôs a questionar como era possível alguém tão simples, pobre e sem títulos, dizer que era o Cristo. Além de não acreditar em Jesus, seus conterrâneos o trataram com certo desdém, por isso ele endereçou-lhes o provérbio: “Nenhum profeta é aceito em sua pátria”. E, citando dois episódios das Escrituras, confirmou que os não judeus (uma viúva e um leproso) foram mais sensíveis e abertos à salvação de Deus do que os nazarenos. A lição logo foi entendida, de modo que “todos na sinagoga ficaram furiosos”. Tomados de ira, queriam lançar Jesus no precipício. Mas, desvencilhando-se deles, Jesus seguiu seu caminho. Era apenas o início da missão.
(Dia a dia com o Evangelho 2018 – Pe. Luiz Miguel Duarte, ssp)

Meditando o evangelho

O PROFETA REJEITADO

A hostilidade do povo de Nazaré, cidade onde fora criado, levou Jesus a redimensionar a sua missão, dando-lhe uma dimensão muito mais ampla do que inicialmente ele imaginava.
No bojo da mentalidade judaica, Jesus sentiu-se responsável pelo anúncio da salvação, em primeiro lugar, aos judeus. Povo da Aliança, eleito para ser o povo predileto de Deus, os judeus sabiam-se privilegiados em termos messiânicos. O Messias seria enviado a eles, para proclamar-lhes libertação e salvação.
Entretanto, Jesus experimentou hostilidade e rejeição ao exercer seu papel de Messias junto povo de sua cidade. Suas palavras e seus gestos poderosos foram alvo de críticas maledicentes, reveladoras de incredulidade. Os que o ouviam encheram-se de tamanha cólera, a ponto de querer jogá-lo a um precipício, para eliminá-lo.
Repensando a experiência de profetas do passado, como Elias e Eliseu, e a rejeição que sofreram, Jesus detectou um fato importante: a hostilidade do povo judeu levou povos estrangeiros a beneficiarem-se dos poderes taumatúrgicos dos profetas. Elias socorreu a pobre viúva da Fenícia, e Eliseu curou a lepra de Naaman, general da Síria.
Se o povo de Nazaré recusava-se a acolher o Messias Jesus, este sentia-se impelido a tornar os não-judeus destinatários de seu ministério messiânico.

COMENTÁRIOS DO EVANGELHO

1. Contrato de Exclusividade
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Diácono José da Cruz - Diácono da Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP)

Na Sinagoga de Nazaré, onde o evangelista Lucas faz questão de colocar Jesus no início da sua missão, o conflito com as lideranças da comunidade, acabou acontecendo porque perceberam que o Humilde Nazareno justificava a fama sobre a qual tinham ouvido falar.
Sua pregação era tocante e causava admiração nos ouvintes e além do mais, realizava prodígios, evidenciando ser mesmo um grande profeta como aqueles que o povo guardava na lembrança e no coração, por seus ditos e feitos.
Jesus percebe o que a comunidade e os seus conterrâneos querem dele: um contrato de exclusividade e ampliando a reflexão, era o que o povo Judeu também queria um Messias Libertador e Salvador, da sua raça e da sua gente.
A Ação divina presente em Elias e Eliseu, dois profetas de renome, a favor de pessoas que não faziam parte do Povo Eleito, é lembrada por Jesus ao falar com a sua gente, enfatizando aí o caráter universal da Salvação.
A Salvação Divina está disponível para toda humanidade, e não apenas a este ou aquele grupo, a esta ou aquela Igreja, o critério para te-la implica em uma abertura total ao Dom Salvífico que Deus oferece, a exclusividade não está em quem a recebe, mas sim naquele que a oferece: Jesus o Filho de Deus e nenhum outro! Aceitá-lo é abrir-se á Salvação, rejeitá-lo significa rejeitá-la.
A sua gente da pequena Nazaré não queria entender e aceitar essa Verdade de que Jesus é o portador da Salvação por Excelência, e quando suas palavras firmes de Profeta, denuncia o particularismo religioso, eles se enfureceram e tentaram-no matar.
A pertença á Igreja Católica, através do Batismo, não nos dá exclusividade na Salvação pois, senão nos abrirmos á Graça Divina, diante dos “Sinais Sacramentais” que o Senhor realiza em nossa Igreja, vamos ficar na ilusão como os conterrâneos de Jesus, achando que “quem não ler na nossa cartilha, está fora da Salvação”

2. A DUREZA DE CORAÇÃO
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado no Portal Dom Total a cada mês).

A reação dos habitantes de Nazaré, diante da pregação de Jesus, foi de aberta rejeição. Foi tal o desprezo pelas palavras do Mestre, que eles decidiram eliminá-lo lançando-o de um precipício.
É possível imaginar a decepção de Jesus, diante da rejeição de seus conterrâneos. Ele tentou compreender a situação, rememorando as experiências de profetas do passado que, rejeitados por seu povo, foram bem acolhidos pelos estrangeiros. Assim aconteceu com Elias: num tempo de seca e fome, beneficiou uma mulher estrangeira, da terra dos sidônios. O mesmo sucedeu com Eliseu: curou da lepra um general sírio, ao passo que, em Israel, essa doença vitimava muitas pessoas.
A conclusão de Jesus foi clara: já que o povo de sua cidade insistia em não lhe dar atenção, ele sentiu-se obrigado a ir em busca de quem estivesse disposto a acolhê-lo. Aos duros de coração, no entanto, só restava o castigo.
Longe de nós seguirmos o exemplo do povo de Nazaré. Jesus quer encontrar, em nós, abertura para acolhê-lo e disponibilidade para converter-nos. Ninguém é obrigado a aceitar este convite. Entretanto, fechar-se para Jesus significa recusar a proposta de salvação que ele, em nome do Pai, veio nos trazer.
Oração
Espírito de docilidade, abre meu coração para aceitar o convite à conversão, que Jesus me dirige, em nome do Pai.
Fonte: NPD Brasil em 04/03/2013

COMENTÁRIOS DO EVANGELHO

1. Quando o exemplo vem de fora...
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Diácono José da Cruz - Diácono da Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP)

Nos meus tempos de repórter, certa ocasião fui à Delegacia fazer uma matéria sobre um ancião que havia matado um jovem a marretadas, um crime brutal que revoltou a população. O criminoso tinha mais de 70 anos e ficou detido alguns dias já que seu estado de saúde era meio grave. Conversei com ele na sala do Delegado onde estava depondo e me pediu para interceder por ele, para que o soltassem pois precisa tomar remédios para seu problema cardíaco. Na conversa, o ancião disse que na cela onde estava, os demais presos o estavam ajudando, e como a sua prisão não era ainda definitiva, naquela semana não vinha comida para ele, e um dos detentos, cedia a marmita para ele na hora do almoço, se alimentando com um pedaço de pão.
História que o carcereiro confirmou-me mais tarde, dizendo que o rapagão que cedia a comida, ficava com a barriga roncando de fome, e quando os outros comentavam ele dizia "A danada da fome eu tenho e muita, mas me corta o coração ver o velhinho doente, preso aqui com a gente, e ainda com fome". Um outro cedia o cobertor quando percebia que de noite ele estava com frio.
Não procurei saber sobre a ficha criminal dos dois companheiros solidários ao ancião, que ficou detido apenas uma semana e depois saiu, para responder processo em liberdade. Mas é interessante e até estranho notar que um marginal, que está pagando sua culpa com a justiça, consiga sentir compaixão de alguém que sofre ao seu lado. Longe de mim dizer que os dois são bonzinhos e que são um exemplo a serem seguidos, mas neste gesto de bondade para com o companheiro de infortúnio, há sem dúvida alguma uma abertura de coração para a GRAÇA e daí acontece algo de bom: Deus se revela...
Qual era o problema da comunidade de Lucas, e da comunidade judaica de sua cidade Nazaré? Exatamente esse: o de não admitir que fora da comunidade houvessem revelações de Deus e as pessoas o experimentassem. Um erro terrível que nós todos podemos cometer, quando nos recusamos a ver as maravilhas de Deus acontecendo na vida de outras pessoas, que não são da nossa Igreja e não professam a mesma Fé que nós. O Sírio Naamã, curado da lepra pelo Profeta Elias, a viúva de Sarepta, favorecida por um milagre do profeta Eliseu, são dois ótimos exemplos lembrados por Jesus, e que causa ira nos da sua comunidade, uma ira tão grande que pretendiam matá-lo., ainda mais quando Jesus afirma que é o próprio Deus que envia seus profetas a essas pessoas que não pertencem a religião oficial.
Foi para eles que Jesus veio, e com esses, portanto, deve ser o nosso compromisso maior enquanto Igreja de Cristo, se sairmos dos limites da nossa comunidade, iremos nos surpreender ao encontrar pessoas exemplares, fiéis observadoras dos valores do evangelho, e que dão um testemunho bastante convincente, estando sempre abertas para acolher a Palavra de Deus e a coloca-la em prática, ao manifestar amor, respeito e carinho com a vida dos irmãos e irmãs.

2. Nenhum profeta é bem recebido na sua própria terra
(O comentário do Evangelho abaixo é feito por Côn. Celso Pedro da Silva, ‘A Bíblia dia a dia 2017’, Paulinas e disponibilizado no Portal Paulinas - http://comeceodiafeliz.com.br/evangelho)

Este texto faz parte da pregação de Jesus na sinagoga de Nazaré. Ele anunciou o seu projeto em benefício dos pobres e deserdados deste mundo, e todos os que o ouviam ficaram muito felizes com o que ele dizia, até que o discurso mudou de rumo. Jesus deu a entender que seu projeto de salvação e de libertação era para todos, e citou o profeta Elias que socorreu uma viúva e Eliseu que curou um doente, ambos estrangeiros. Jesus afirmava que nem os profetas nem ele eram propriedade de ninguém. O Deus de Israel não é um Deus exclusivo, que beneficiará somente os membros do povo eleito. Ser povo eleito não é privilégio. É responsabilidade e missão. Jesus vai resolver o problema dos pobres e dos deserdados deste mundo com a colaboração direta daqueles que foram escolhidos. Por isso são o povo eleito. Quem aceitou Jesus Cristo tornou-se com ele responsável do bem de toda a humanidade, bem neste mundo e no mundo que há de vir. Quiseram matar Jesus, mas ele seguiu adiante.

HOMÍLIA DIÁRIA

O cristão deve ser firme em suas posições

Postado por: homilia
março 4th, 2013

Depois de Jesus ter andado pelas aldeias da redondeza, toma o firme propósito de ir à sua terra natal. Ele que curara os cegos, fizera andar os coxos, aleijados e falar os mudos, pregara a Boa Nova e anunciara um ano novo da graça do Senhor, vemo-lo agora interrogado pelos seus conterrâneos.
A estas perguntas Ele responde com firmeza, enfrentando a todos. Sua maior preocupação não é granjear simpatias ou privilégios, como estavam habituados os mestres do Templo e sinagogas dos fariseus que visitava.
Ao citar Elias e a viúva de Sarepta, Eliseu e Naamã, Jesus desejava antes se fazer compreender e entender por todos pregando a verdade que as Escrituras continham. Aliás, Ele é o novo Elias, é o novo Eliseu em cuja a Lei e os Profetas encontram o pleno cumprimento.
Suas palavras são incisivas e firmes, e até certo ponto rudes. Recorrendo ao que diz a Sagrada Escritura, Ele afirma aos que o menosprezavam: “Nenhum profeta é bem recebido na sua própria terra”. E diante deles estava quem é maior do que Jonas, conhecido como profeta.
Portanto, Jesus desafia tudo e todos. Ele é o sinal de contradição entre os que estão na sinagoga. Pois aí a religião era levada de modo tardio. Muitas vezes ao invés de salvar, libertar o homem, escravizava-o. A nova religião trazida por Jesus tem como fundamento o amor, a misericórdia. O que desencadeia o ódio e a perseguição não só contra Suas palavras, mas também contra Sua própria vida.
Todos desejavam matá-lo, mesmo os que – alguns momentos antes – o louvavam pela sua sabedoria. Jesus, porém, passando pelo meio deles, retirou-se seguindo o seu caminho, porque ainda não tinha chegado a sua hora de partir deste mundo para o Pai.
O que podemos tirar e ver na atitude de Jesus? Primeiro é que é impossível agradar a todos. Segundo, não importam as contrariedades. O importante é a fidelidade e a firmeza nas posições que agradam a Deus, mesmo que muitas vezes desagradem aos homens. O cristão deve ser firme em suas posições como Jesus, o seu Mestre. Pois Ele mesmo nos disse: “Ao discípulo, basta ser como o seu mestre”. E se o nosso mestre é o Mestre da Glória, um dia com Ele seremos glorificados.
Padre Bantu Mendonça
Fonte: Canção Nova em 04/03/2013

Oração Final
Pai Santo, dá-nos a coragem de ouvir os teus profetas e, mesmo, de nos tornarmos um deles. Para isto, faze-nos ouvintes atentos de tua Palavra Criadora, que a vivamos em nossas relações e que a anunciemos aos companheiros do caminho com coragem e delicadeza. Por Jesus Cristo, teu Filho e nosso Irmão, na unidade do Espírito Santo.
Fonte: Arquidiocese BH em 04/03/2013

ORAÇÃO FINAL
Pai Santo, livra o nosso coração do medo. Faze-nos seguidores alegres e corajosos do Caminho, bem atentos às carências dos companheiros de jornada e sempre prontos a ajudá-los a alcançar o teu abraço Misericordioso no Reino de Amor. Por Jesus, o Cristo, teu Filho que se fez nosso Irmão e contigo reina na unidade do Espírito Santo. Amém.

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