
No Evangelho de hoje, Jesus confronta os fariseus e mestres da Lei sobre a observância das tradições humanas em detrimento dos mandamentos de Deus. Ele destaca que o culto não deve ser apenas externo, seguindo costumes rígidos, mas deve brotar de um coração fiel que coloca a vontade de Deus em primeiro lugar. Jesus denuncia a hipocrisia de privilegiar rituais que desviam do verdadeiro sentido da Lei de Deus, especialmente quando tais tradições impedem o amor, o respeito e o cuidado pelos outros. A passagem nos convida a fazer uma leitura sincera de nossa fé, para que nossas práticas religiosas sejam expressão autêntica de amor ao próximo e obediência a Deus, sem distorcer o verdadeiro sentido da Palavra divina.
Comentário do Evangelho
Reuniram-se junto dele os fariseus e alguns escribas vindos de Jerusalém
A oposição dos fariseus e dos escribas a Jesus, por causa dos seus discípulos, serviu para que Jesus lhes mostrasse a diferença entre a Palavra de Deus e a palavra dos seres humanos. No centro da pauta estava o costume judaico sobre a pureza ritual do corpo e dos utensílios. Nisso reside a diferença entre a religiosidade dos lábios, seguidora de ações externas, e a religiosidade do coração, seguidora das ações que são provenientes da graça de Deus. Jesus não dirimiu a questão, mas nem por isso deixou de apresentar um forte exemplo, capaz de ilustrar essa distinção. Com a desculpa de honrar a Deus com os próprios bens, devotando-os a Deus (corban), desonrava-se os pais em necessidade, deixando-se de cumprir o mandamento da Lei. Mais que defender os discípulos, foi um novo ensinamento de Jesus para não repetirem os mesmos erros. Não se vai na direção de Deus indo contra os necessitados.
Pe. Leonardo Agostini Fernandes, ‘A Bíblia dia a dia 2026’, Paulinas.
Fontes: https://www.facebook.com/ParoquiaSantaCruzCampinas e https://www.comeceodiafeliz.com.br/evangelho/reuniram-se-junto-dele-os-fariseus-e-alguns-escribas-vindos-de-jerusalem-10022026
Reflexão
Jesus não questiona ou se contrapõe à tradição e aos rituais de purificação, mas à interpretação que seus conterrâneos deram à Lei dos antepassados e à centralidade que deram às práticas rituais na vivência da religiosidade. Ou seja, questiona o fato de colocarem o superficial e secundário no lugar do essencial e prioritário, que é o amor e a doação total a Deus e ao Reino. Hoje, nossa vida cristã é marcada pela observância de normativas e rituais ou se caracteriza pela imitação de Jesus Cristo?
(Dia a dia com o Evangelho 2026)
Reflexão
«Por que os teus discípulos não seguem a tradição dos antigos?»
Rev. D. Iñaki BALLBÉ i Turu
(Terrassa, Barcelona, Espanha)
Hoje contemplamos como algumas tradições tardias dos mestres da Lei haviam manipulado o sentido puro do quarto mandamento da Lei de Deus. Aqueles escribas ensinavam que os filhos que ofereciam dinheiro e bens para o Templo faziam o melhor. Segundo este ensinamento, sucedia que os pais já não podiam pedir nem dispor destes bens. Os filhos formados nesta consciência errônea achavam que tinham cumprido assim o quarto mandamento, inclusive ter cumprido da melhor maneira. Mas, de fato, se tratava de um engano.
E Jesus acrescentou: «Vocês são bastante espertos para deixar de lado o mandamento de Deus a fim de guardar as tradições de vocês» (Mc 7,9): Jesus Cristo é o intérprete autêntico da Lei; por isso explica o justo sentido do quarto mandamento, desfazendo o lamentável erro do fanatismo judio.
«Com efeito, Moisés ordenou: ‘Honre seu pai e sua mãe’. E ainda: ‘Quem amaldiçoa o pai ou a mãe, deve morrer’» (Mc 7,10): o quarto mandamento lembra aos filhos as responsabilidades que têm com os pais. Tanto como possam, devem prestar-lhes ajuda material e moral durante os anos da velhice e durante as épocas de enfermidade, solidão ou angustia. Jesus lembra este dever de gratidão.
O respeito aos pais (piedade filial) está feito da gratidão que lhes devemos pelo dom da vida e pelos trabalhos que realizaram com esforço em seus filhos, para que estes pudessem crescer em idade, sabedoria e graça. «Honre a seu pai de todo coração, e não esqueça as dores de sua mãe. Lembre-se de que por eles o geraram. O que você lhes dará em troca por tudo o que eles deram a você?» (Sir 7,27-28).
O Senhor quer que o pai seja honrado pelos filhos, e confirma a autoridade da mãe sobre os filhos. Quem honra o próprio pai alcança o perdão dos pecados, e quem respeita sua mãe é como quem ajunta um tesouro. Quem honra seu pai será respeitado pelos seus próprios filhos, e quando rezar será atendido. Quem honra o seu pai terá vida longa, e quem obedece ao Senhor dará alegria à sua mãe.(cf. Sir 3,2-6). Todos estes e outros conselhos são uma luz clara para nossa vida em relação aos nossos pais. Peçamos ao Senhor a graça para que não nos falte nunca o verdadeiro amor que devemos aos pais e saibamos, com o exemplo, transmitir ao próximo esta doce “obrigação”.
Pensamentos para o Evangelho de hoje
- «Por vezes exibe-se uma aparência de virtude, sem qualquer interesse pela retidão interior. Quem ama a Deus fica feliz por Lhe poder agradar, porque o maior prémio que podemos desejar é o próprio amor» (São Leão Magno)
- «Peçamos ao Senhor, por intercessão da Virgem Santa, que nos dê um coração puro, livre de toda a hipocrisia, para que assim sejamos capazes de viver segundo o espírito da lei e alcancemos o seu fim, que é o amor» (Francisco)
- «O quarto mandamento lembra aos filhos adultos as suas responsabilidades para com os pais. Tanto quanto lhes for possível, devem prestar-lhes ajuda material e moral, nos anos da velhice e no tempo da doença, da solidão ou do desânimo. Jesus lembra este dever de gratidão» (Catecismo da Igreja Católica, nº 2.218)
Reflexão
Jesus, o intérprete profético da “Lei de Moisés”
REDAÇÃO evangeli.net (elaborado com base nos textos de Bento XVI)
(Città del Vaticano, Vaticano)
Hoje Jesus Cristo denuncia os escribas e fariseus por aferrar-se sem prudência às "tradições dos antepassados". Jesus não é um rebelde nem um liberal, Ele é intérprete profético a Lei de Moisés: Não a suprime, e sim lhe dá cumprimento, exigindo una razoável responsabilidade moral (porque as leis não são boas por ser, simplesmente, tradição). Isaías e outros profetas já haviam formulado a mesma denúncia.
No interior da "Torá" distinguimos: 1) um "direito casuístico", adequado para o Israel histórico, mas susceptível à mudança; 2) os "princípios essenciais" do dereito divino mesmo, com os que as normas práticas —de Israel e de todos os povos— devem confrontar-se, desenvolver-se e corrigir-se. Jesus não faz nada estranho quando contrapõem as normas casuísticas práticas desenvolvidas na "Torá" à total vontade de Deus como a "maior justiça" que cabe esperar dos filhos de Deus.
—Jesus, como o "Escolhido", como o profeta que está com Deus mesmo "cara a cara", pede o cumprimento mais pleno da "Torá".
Comentário sobre o Evangelho
Jesus denuncia a hipocrisia dos fariseus: «Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim»
Hoje, vemos que já no tempo de Jesus os homens actuavam como agora: inventavam uma religião à sua medida. Uma religião de muita ginástica e pouca divindade! Deus nunca tinha pedido a Moisés para lavarem as mãos até ao cotovelo, nem para purificar copos, cântaros… e uma data de coisas insuportáveis. Tinham sido eles a inventar isso tudo!
- Jesus quer que lavemos o nosso coração. Com o coração puro “descobrimos” as necessidades do próximo e dispomo-nos a ajudar.
Meditação
A Palavra: dos ouvidos ao coração!
Jesus Cristo é questionado pelos fariseus e doutores da lei pois os seus discípulos não seguiam a tradição dos antigos e não lavavam as mãos antes das refeições. Lavar as mãos antes das refeições é uma regra básica de higiene, mas essa regra, naquela época, tinha sido transformada em um preceito religioso. Para os fariseus e doutores da lei, com o não cumprimento dessa simples regra, a pessoa era considerada impura e, assim, não era digna de receber as graças de Deus. Diante dessa inversão de valores, Jesus Cristo, recorrendo a um texto do Profeta Isaías, afirma que a religião dos fariseus e doutores da lei era falsa, vazia e apenas teatro. Eles utilizavam belas palavras em suas orações, mas as atitudes eram diferentes. Palavras bonitas têm o poder de encantar, mas quando desacompanhadas de atitudes, tornam-se apenas teatro. Religião não é e não pode ser apenas um teatro.
Coleta
CELEBRANDO a memória da virgem Santa Escolástica, nós vos pedimos, Senhor, a graça de imitá-la, para que, a seu exemplo, vos sirvamos com sincera caridade e, alegres, obtenhamos os frutos do vosso amor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

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