domingo, 2 de dezembro de 2018

HOMÍLIA DIÁRIA, COMENTÁRIO E REFLEXÃO DO EVANGELHO DO DIA 02/12/2018

ANO C



1º DOMINGO DO ADVENTO

Ano C - Roxo

"Levantai a cabeça! Cristo vem!”

Lc 21,25-28.34-36

Ambientação

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: O Tempo do Advento marca o início do novo Ano Litúrgico. Preparamo-nos para o nascimento do Deus menino que deve nascer em nossos corações de modo que tenhamos vida nova. A liturgia deste período convida-nos a viver na inquietante expectativa da realização plena das “promessas” de Deus, das quais Cristo é o penhor.

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL O POVO DE DEUS: Irmãos e irmãs, com a liturgia deste domingo iniciamos um novo Ano Litúrgico e o tempo do Advento, que vai nos preparar para celebrar a chegada do Salvador. Neste primeiro domingo, a Igreja reunida ergue seus olhos, seu coração e todo seu ser para o Senhor, reconhecendo-se pobre, pequena e necessitada. Desejamos a chegada de nosso Salvador! Enquanto o aguardamos, esperemos vigilantes a sua vinda. Ele veio a primeira vez em Belém, no mistério do Natal, Ele virá uma segunda vez no final dos tempos e, finalmente, Ele vem nos visitar a cada dia com a sua graça. Abramos, pois, todo nosso ser para acolher o Senhor.

INTRODUÇÃO DO WEBMASTER: Neste 1º Domingo do Tempo do Advento, a Palavra de Deus apresenta-nos uma primeira abordagem da "vinda" do Senhor. Na primeira leitura, pela boca do profeta Jeremias, o Deus da aliança anuncia que é fiel às suas promessas e vai enviar ao seu Povo um "rebento" da família de David. A sua missão será concretizar esse mundo sonhado de justiça e de paz: fecundidade, bem-estar, vida em abundância, serão os frutos da acção do Messias. O Evangelho apresenta-nos Jesus, o Messias filho de David, a anunciar a todos os que se sentem prisioneiros: "alegrai-vos, a vossa libertação está próxima. O mundo velho a que estais presos vai cair e, em seu lugar, vai nascer um mundo novo, onde conhecereis a liberdade e a vida em plenitude. Estai atentos, a fim de acolherdes o Filho do Homem que vos traz o projecto desse mundo novo". É preciso, no entanto, reconhecê-l'O, saber identificar os seus apelos e ter a coragem de construir, com Ele, a justiça e a paz. A segunda leitura convida-nos a não nos instalarmos na mediocridade e no comodismo, mas a esperar numa atitude activa a vinda do Senhor. É fundamental, nessa atitude, a vivência do amor: é ele o centro do nosso testemunho pessoal, comunitário, eclesial.

Uma nota especial do Webmaster para esta data:

Caríssimos Irmãos e Irmãs,

Como dito nas introduções e Ambientação, acima, hoje se inicia um novo Ano Litúrgico, ou seja, as Leituras e Liturgias de cada tempo ou ciclo do ano litúrgico são diferenciadas e organizadas em ANO A, ANO B e ANO C. Isto significa que o cristão, católico assíduo que vá à missa todos os dias ou que pelo menos leia e estude a Liturgia Diária, em três anos completos terá lido e estudado toda a Bíbilia, e mais ainda: se praticar com amor em sua vida o que ler e aprender todos os dias, em três anos terá acumulado bençãos incalculáveis no caminho da Paz e da Santidade.

LEVANTAI A CABEÇA, CRISTO VEM!...

Com o Tempo do Advento, a Igreja convida- nos a preparar nossas vidas para o autêntico nascimento do menino Deus que deve, segundo seu desígnio salvífico, tornar efetiva a libertação a muito anunciada. Fiel a suas promessas, o Criador não hesita em empregar todos os meios possíveis na tarefa de resgatar a humanidade ferida pelo pecado, imersa em injustiças e sofrimentos. É nesta perspectiva que o profeta Jeremias, situado num contexto sociopolítico onde Israel via-se ameaçado pela corrupção interna e risco de dominação externa, profetiza a restauração de Jerusalém sob intervenção divina. Segundo o profeta, virá o tempo onde Deus suscitará um “rebento Santo”, restituirá Jerusalém de sua glória e instaurará um reino alicerçado na justiça e no direito. Tal promessa vê seu pleno cumprimento em Jesus Cristo que inaugura, com sua paixão, morte e ressurreição, novo tempo de salvação.
São Lucas mostra-nos no Evangelho, velado em linguagem apocalíptica, aspectos desta nova era e as posturas correspondentes aqueles que aderem ao projeto de Jesus. Na sagrada escritura os abalos cósmicos, como sinais no sol e na lua, geralmente são sinônimos da presença de Deus que age historicamente em favor de seu povo, apontando para o novo mundo por Ele criado. A imagem do Filho do Homem que vem na nuvem com grande poder e glória é símbolo do poder divino do qual Jesus é herdero. Sua vinda suscita grande angústia àqueles que são beneficiados pelas injustiças e, portanto, se opõem ao seu projeto libertador. Ao contrário, os que se comprometem com seu reino são exortados a ficar em pé e levantar a cabeça, imagem daqueles que permanecem vigilantes!
Estar vigilante implica postura de ação constante. O cristão que vigia não cochila no exercício da caridade, coloca-se a serviço e coopera, pacientemente, para a realização, no aqui e agora da vida e da história, do Reino de Jesus que terá sua plena manifestação no último dia. A caminhada rumo ao Natal do Senhor deve suscitar em nós ardente desejo por conversão, o Cristo espera encontrar corações preparados para acolhê-lo. Caminhemos vigilantes, pois o Senhor está pra chegar!
Texto: Equipe Diocesana - Diocese de Apucarana - PR

ADVENTO: A PRIMEIRA E A SEGUNDA VINDA DO SENHOR

Começa hoje, primeiro Domingo do Advento, um tempo de preparação para a vinda de Jesus no Natal. Os textos da missa de hoje mostram duas características do Advento: um tempo de preparação do Natal, em que se deu a primeira vinda de Cristo, como diz o profeta Jeremias na primeira leitura: “Eis que virão dias, diz o Senhor, em que farei cumprir a promessa de bens futuros para a casa de Israel e para a casa de Judá”. E também um tempo em que os nossos corações se voltam para a expectativa da segunda vinda de Cristo, no final dos tempos, como lemos no Evangelho: “Então eles verão o Filho do Homem, vindo numa nuvem com grande poder e glória. Quando estas coisas começarem a acontecer, levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima.”
Pedimos que Jesus venha aos nossos corações, às nossas vidas; esperamos receber a graça do perdão, da reconciliação entre nós e com Deus, como diz a Carta aos Tessalonicenses: “que o Senhor vos faça crescer e avantajar na caridade mútua e para com todos os homens, como é o nosso amor para convosco. Que ele confirme os vossos corações, e os torne irrepreensíveis e santos na presença de Deus, nosso Pai, por ocasião da vinda de nosso Senhor Jesus com todos os seus santos!”
Parece que Deus está escondido, silencioso e, por isso, pedimos: Senhor, olha para nós, para a Igreja, para nossas famílias, para todos os que ainda não te conhecem! Estamos aqui, queremos nos preparar para te receber bem em cada Missa, em cada Comunhão!
Fazemos hoje o propósito de nos prepararmos bem para o Natal.
de havermos conhecido Jesus Cristo, que nasceu em Belém e nos tirou do afastamento de Deus. Se Ele não tivesse nascido não teria havido a Redenção, nem a graça dos Sacramentos, não seríamos filhos de Deus e estaríamos com o coração escravizado pelos nossos pecados e nem teríamos a esperança do Céu.
No Evangelho, diz Jesus aos seus discípulos: “Velai sobre vós mesmos, para que os vossos corações não se tornem pesados com o excesso do comer, com a embriaguez e com as preocupações da vida; para que aquele dia não vos apanhe de improviso. Como um laço cairá sobre aqueles que habitam a face de toda a terra. Vigiai, pois, em todo o tempo e orai, a fim de que vos torneis dignos de escapar a todos estes males que hão de acontecer, e de vos apresentar de pé diante do Filho do Homem”.
Para manter este estado de vigília, é necessário lutar, porque a tendência de todo o homem é viver preso às coisas da terra. Estaremos alertas se cuidarmos com esmero da oração pessoal e da leitura da Sagrada Escritura, que acende em nossos corações o desejo de santidade; estaremos vigilantes se não descurarmos os pequenos sacrifícios e serviços aos nossos irmãos, que nos mantêm despertos para as coisas de Deus. Estaremos atentos mediante um exame de consciência sincero, que nos faça ver onde nos estamos separando, quase sem o percebermos, do nosso caminho de santidade. Entramos no tempo do Advento, um tempo forte, de oração, de preparação, de purificação, um momento oportuno para receber com mais piedade o Sacramento da Reconciliação.
D. Carlos Lema Garcia
Bispo Auxiliar de São Paulo

Liturgia de 02.12.2018 - 1 Domingo do Advento


Comentário do Evangelho

Estar vigilante

Hoje, com o primeiro domingo do Advento, inicia-se o novo ano litúrgico, antecipando-se ao início do ano civil. O Advento é um tempo de aprofundamento do grande acontecimento da encarnação do Filho de Deus, já em processo desde a concepção de Jesus no ventre de Maria, comemorada em 25 de março, na festa da Anunciação, e manifestada no seu nascimento, comemorado no Natal, em 25 de dezembro.
A tradição litúrgica abre o tempo do Advento com a leitura de um trecho do discurso escatológico dos evangelhos, com a advertência aos discípulos para permanecerem vigilantes. Dessa maneira, para a Igreja, o nascimento de Jesus é compreendido como a chegada de um novo tempo, o qual deve ser acolhido com uma fé atenta e vigilante.
Quando Jesus falara sobre a destruição do Templo de Jerusalém, os discípulos perguntaram sobre quando isto ocorreria e qual seria o sinal. Estes discípulos tinham ainda a expectativa da restauração política da Judeia, tendo Jerusalém como o centro de poder mundial, com seus critérios próprios de justiça e direito para o julgamento dos demais povos (primeira leitura). Jesus apresentara, na terra, os sinais das guerras, dos terremotos, pestes e fomes.
Menciona, agora, alguns sinais cósmicos, com caráter simbólico, próprio da literatura apocalíptica. Estes sinais indicam o desmoronamento da ordem social injusta, seja no mundo religioso judaico, seja no mundo gentílico, a qual cede lugar a um mundo novo possível. "As potências celestes serão abaladas", indica o fim dos poderes que usam a religião e o nome de Deus como instrumento de opressão e lucro. "E então verão o Filho do Homem vindo numa nuvem com grande poder e glória." É o poder do amor e da vida (cf. segunda leitura) que frustra os objetivos dos poderes da morte.
Pode-se ver no título de "Filho do Homem", atribuído a Jesus, a expressão da humanidade, em toda sua simplicidade, humildade e fragilidade, assumida em Jesus, pela encarnação. Envolvida pelo amor de Deus Pai e Mãe, esta humanidade é filialmente revestida de divindade e eternidade. A comunhão com Jesus se dá na libertação das preocupações da vida submissa aos interesses dos ricos poderosos, e na vigilância e na oração contínua, na atenção e no serviço aos mais carentes de vida e amor neste mundo.
Vivemos o dia da presença do Reino de Deus no mundo, que vem como uma armadilha para aqueles que estão seduzidos pelo poder deste mundo. Os poderosos do mundo procuram apanhar a todos com outras armadilhas, que não vêm de Deus. Eles têm como meta suprema a acumulação de riqueza, que é feita a partir da exploração dos empobrecidos. Sua principal armadilha é a ideologia que infundem, incutindo nos empobrecidos a esperança de que um dia alguns deles poderão tornar-se ricos também. Os iludidos, mesmo vivendo em condições de carência e exclusão, são tomados pela ansiedade do enriquecimento, tornando-se indiferentes à solidariedade fraterna que leva à comunhão de vida. A atenção à palavra de Deus e a oração libertam os discípulos destas armadilhas.
Lucas associa a oração contínua à vigilância escatológica. A oração contínua é a oração do coração e do compromisso, na presença de Deus, que completa a vida em comunhão fraterna.
Hoje é o tempo de amar, é o dia de comunicar a liberdade e a vida, semeando a Paz, na alegria da fraternidade dos filhos de Deus.
José Raimundo Oliva
Oração
Espírito de oração vigilante, conserva-me em estado de contínuo alerta, a fim de que eu me prepare, pela vivência do amor, para a chegada do Cristo que vem.
Fonte: Paulinas em 02/12/2012

Vivendo a Palavra

Iniciando hoje o tempo do Advento, o Evangelho fala na chegada do Filho do Homem com poder e glória, e repete as advertências sobre a sobriedade nos hábitos. De fato, a gula e a embriaguez impedem a leveza do comportamento, o espírito sempre alerta e vigilante para acolher a volta do Senhor.
Fonte: Arquidiocese BH em 02/12/2012

VIVENDO A PALAVRA

Iniciando hoje o tempo do Advento, o Evangelho fala da chegada do Filho do Homem com poder e glória, e repete as advertências sobre a sobriedade nos hábitos. Na verdade, a gula e a embriaguez impedem a leveza do comportamento, e o espírito sempre alerta e vigilante para acolher o Senhor no tempo da sua volta.

Reflexão

UMA VISITA MUITO ESPERADA

Iniciamos um tempo especial no calendário litúrgico: o Advento. A palavra advento quer dizer chegada, vinda. Na experiência de fé, existencialmente, esse período se caracteriza pela espera vigilante. Uma visita muito esperada está para chegar. Trata-se de visita desejada, querida. Portanto, é tempo de alegria. As promessas de Deus estão para se realizar. Para o cristão, a visita é Jesus. Ele é a realização plena das promessas.
A comunidade cristã vive sobre o signo da esperança. O Advento é justamente marcado pela esperança que supera todo o medo. Seu núcleo fundamental é a certeza de que, mesmo num mundo marcado pela violência e por fatos negativos, há um horizonte seguro e feliz para o povo de Deus. Portanto, é um tempo para entusiasmar. É a hora que nos torna repletos de Deus. É o momento de ser férteis, geradores de alegria, harmonia, paz. É tempo de unir.
Como toda esperança, o Advento direciona nosso olhar para o futuro. Não um futuro distante. “Naqueles dias, naquele tempo, farei brotar de Davi a semente da justiça, que fará valer a lei e a justiça na terra” (Jr 33,15). Essa promessa proferida pela boca do profeta Jeremias vale para o “Novo Israel”, que é a Igreja.
Deus mesmo toma a iniciativa de vir ao encontro de seu povo. A justiça é uma iniciativa dele. Porém não exime o compromisso humano. “Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis” (Lc 21,34). Daí a necessidade de preparação. O Advento é o momento de organizar a casa da vida. Não permitir que nossos corações fiquem insensíveis hoje diz respeito à vigilância necessária para que o “deus” mercado não tome o lugar do Deus verdadeiro, sobretudo neste período de forte apelo comercial. O deus mercado é ídolo de morte. Ele esvazia a existência.
Esperemos o Senhor numa vigilância alegre. Esperemos superando nossa visão, por vezes, míope. A palavra do Senhor nos faça perceber as novas luzes que brilham no hoje da história e nos ilumine em meio à barulheira de um mundo agitado e turbulento. Esperemos no amor: “O Senhor vos conceda que o amor entre vós e para com todos aumente e transborde sempre mais” (1Ts 3,12).
Somos quais terra fértil, porém seca. Necessitamos da chuva do céu. Deus confirme em nosso coração a mesma alegria do vigia que aguarda a aurora do novo dia.
Pe. Antonio Iraildo Alves de Brito, ssp
Fonte: Paulus em 02/12/2012

Reflexão

Com o primeiro domingo do Advento, iniciamos novo Ano Litúrgico. Este ano será marcado pelo Evangelho de Lucas, principalmente durante o tempo comum. O capítulo 21 de Lucas, do qual é tirado o texto deste domingo, faz parte do longo discurso de Jesus em Jerusalém nos últimos dias de sua vida. O pano de fundo é a destruição da cidade de Jerusalém e do templo. O texto é composto por duas partes distintas: na primeira descreve, em perspectiva de futuro, a segunda vinda do Senhor. Os acontecimentos do ano 70 são descritos como se tratasse de catástrofe cósmica. A segunda parte fala de orar e vigiar, ou seja, convida a entender os sinais dos tempos, Deus se revela nos acontecimentos cósmicos e sociais. O tempo do Advento sempre é tempo de esperança de um mundo novo. Esse “mundo melhor” não acontece de forma mágica, exige empenho de nossa parte. Deus continua vindo e agindo no mundo; por isso é preciso percebê-lo nos acontecimentos do nosso cotidiano. Vigiar e levantar a cabeça para não sermos enganados, encher o coração de esperança, acolhendo as visitas que Deus nos faz.
(Dia a dia com o Evangelho 2018 – Pe. Luiz Miguel Duarte, ssp)

Meditando o evangelho

SEJAM VIGILANTES!

A exortação de Jesus à vigilância visava criar, no coração de seus discípulos, a atitude correta de quem deseja acolher o Senhor que vem. A incerteza da hora poderia ter como efeito desviá-los do caminho certo, levando-os a se afastarem, perigosamente, do Reino.
Vigiar significa por em prática as palavras de Jesus, especialmente o mandamento do amor. Significa enfrentar a tentação do egoísmo, que leva o discípulo a convencer-se da inutilidade de fazer o bem. Significa acreditar que vale a pena lutar para construir o Reino, a exemplo de Jesus, num mundo onde a injustiça e a maldade parecem falar mais alto. Significa estar sempre disposto a perdoar e a se reconciliar, revertendo a espiral da violência que assume proporções sempre maiores.
A vigilância cristã é perseverante e se alimenta da esperança. A pessoa vigilante não se abate, ainda que a realidade seja desesperadora. O discípulo do Reino sabe olhar para além da História e contemplá-la na perspectiva de Deus, segundo o ensinamento de Jesus. A vigilância, portanto, faz com que ele não seja esmagado pelo peso da história humana. Pelo contrário, o permite descobrir nela uma lógica inacessível para quem não tem fé.
O discípulo esforça-se para não se deixar vencer pelo sono da infidelidade ao Senhor e ao Reino. Ser encontrado, assim, seria a sua ruína.
(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês)
Oração
Senhor Jesus, que eu esteja vigilante à tua espera, para ser encontrado perseverante no amor e cheio de esperança de ser acolhido por ti.

COMENTÁRIOS DO EVANGELHO

1. Erguei a vossa cabeça
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Diácono José da Cruz - Diácono da Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP)

O gesto de ficar de cabeça baixa tem muitos significados, quando se perde a honra e a dignidade, quando pesa sobre nós alguma acusação grave, quando sentimos o peso de nossas misérias, ou quando há em nós alguma culpa ou remorso, por algo de mal que cometemos. Antigamente, os filhos ou filhas, ouviam a correção paterna de cabeça baixa, sinal de vergonha, humilhação e arrependimento. Em um tribunal, o réu permanece de cabeça baixa diante do magistrado. Pode ser um gesto imposto, mas também pode ser um ato voluntário. Quem tem coração marcado por alguma culpa, não consegue olhar nos olhos de alguém que lhe é superior nas virtudes. Na minha infância, quando os valores familiares e comunitários eram um patrimônio sagrado, havia certos olhares que evitávamos, quando havíamos cometido algum deslize, o olhar do pai e da mãe, o olhar dos nossos mestres na escola, o olhar do sacerdote na igreja, ou mesmo o olhar da nossa catequista, ou daquelas pessoas que considerávamos muito bondosas. Sempre que algo pesava em nossa consciência era muito difícil erguermos a cabeça e olharmos de frente para essas pessoas. Talvez seja por isso, que nesses tempos da pós modernidade, algumas pessoas mais antigas, vira e mexe, comenta “Que o mundo véio virou de ponta cabeça”, referindo-se a essa inversão de valores no campo da ética e da moral.
Parece que hoje em dia há um sentimento de culpa, no coração de quem quer se comprometer com o Bem , que é o próprio Deus revelado em Jesus Cristo, pois a perversidade, a maldade, a mentira e o cinismo, estão presentes em todas as classes ou categorias de pessoas, fazendo com que instituições, antes intocáveis, agora sejam vistas com certa desconfiança.. E assim, muitas pessoas acabam desistindo de ser boas, honestas, íntegras em seu ambiente, por terem vergonha de ser uma exceção. Tive uma amiga que saiu de uma empresa, porque na sua área de trabalho, embora jovem, e sendo casada, era a única que não tinha ainda saído com o chefe e dizia-me que sentia-se muito mal em meio as outras meninas.
É o relativismo nefasto e cruel, que vai sufocando os valores da dignidade humana e que invadiu todos os ambientes, até mesmo nossas comunidades cristãs, corrompendo o coração de muitos crentes testemunhas de Jesus. Quando o homem passa a ser referência de si mesmo, sem a índole do cristianismo, o mundo verdadeiramente acaba “virando de cabeça para baixo”.
Sol, lua e estrelas simbolizam algo que toda a humanidade pode ver. De fato, em toda a terra tem-se a impressão de que o Mal se tornou soberano e nos filmes catastróficos, algo apavorante é o barulho do mar e as ondas gigantescas que engolem em poucos minutos, toda uma civilização. Para o povo antigo, o mar era o domínio das forças do mal, eis aqui a causa da angústia humana: medo de que o Bem Supremo não exista, de que tudo o que ouvimos falar de Deus seja uma mentira e que a Obra da Criação e a Salvação que Jesus nos trouxe, não passe de uma bela história, inventada por grupos religiosos.O ser humano tem medo da sua própria verdade, e mais ainda, da Verdade Divina.
O Evangelho desse primeiro domingo do advento, quando no calendário litúrgico inicia-se um novo ano, desfaz essa grande mentira do Mal “Vencedor”. “Então eles verão o Filho do Homem, vindo sobre as nuvens, com grande Poder e Glória!”. Haverá um epílogo na História da Humanidade, tudo irá convergir para Deus. Naquele momento irá se revelar quem é o ser humano, criado por Deus e chamado para viver a vocação do amor em sua plenitude, todos os homens se encontrarão com Cristo, Senhor do céu e da terra, o primogênito de vivos e mortos, o homem verdadeiro nascido do desejo de Deus, feito á sua imagem e semelhança.
“Quando todas essas coisas começarem a acontecer..” Isso é, quando tudo parecer estar perdido, quando o homem perder toda sua dignidade e rastejar-se diante das forças do mal, enfim, quando a derrota do Bem parecer iminente, o cristão altivo, que professa sua fé em Jesus Cristo, único Deus e Senhor de toda a História, deverá levantar-se e erguer a cabeça, porque a redenção está próxima. O seu testemunho firme e resoluto irá desmascarar o mal, onde ele estiver, e como a neve tênue, o Mal não conseguirá resistir ao raio de sol do Bem Supremo que é Jesus Cristo.
Quanto aos que acreditaram nas potestades do mal e em seu livre arbítrio trilharam os caminhos da escuridão, naquele momento irão abaixar a cabeça envergonhados, porque não conseguirão contemplar o Cristo Glorioso sobre as nuvens estes tomarão consciência da vitória definitiva do Bem e depois, assistirão estupefatos a instauração definitiva do Reino, e depois, cabisbaixos seguirão adiante, mergulhando na angústia eterna, tendo a sã consciência de que tiveram mil oportunidades na vida, para conhecerem o Senhor, mas que desgraçadamente fizeram a Opção errada!
José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail jotacruz3051@gmail.com

2. A vossa libertação está próxima...
(O comentário do Evangelho abaixo é feito por Côn. Celso Pedro da Silva, ‘A Bíblia dia a dia 2017’, Paulinas e disponibilizado no Portal Paulinas - http://comeceodiafeliz.com.br/evangelho)

O Sagrado Tempo do Advento que hoje iniciamos, como uma pessoa que fala, assim nos exorta: “Levantem a cabeça e olhem para cima. Está próxima a libertação. Vejam o Filho do Homem vindo numa nuvem com grande poder e glória. Descendente de Davi, ele vem fazer valer a lei e a justiça na terra. Judá será salvo e Jerusalém terá uma população confiante.
Estejam atentos e rezem para poder ficar de pé diante do Filho do Homem, quando ele vier com todos os seus santos. Cuidado! Que seus corações não estejam pesados e façam vocês caírem. É preciso estar de pé quando ele vier. Cuidado então com os excessos da embriaguez e as preocupações da vida! Não tornem elas insensíveis os seus corações. Coração insensível já não sente, não se percebe nem percebe os outros. É de pedra. Que Deus lhes conceda poderem crescer no amor fraterno. Procurem ser santos sem defeitos aos olhos de Deus. Não fiquem parados. Façam progressos”.
Antes que o Senhor venha, passaremos todos por um tempo de tribulação. Não sabemos nem o dia, nem a hora, nem como será, por isso imaginamos. Com o auxílio da linguagem chamada apocalíptica, vemos sinais no sol, na lua, nas estrelas, vemos as potências celestes serem abaladas, e as pessoas com medo ao ouvir o bramido do mar e das ondas. Todas essas coisas não são para nos assustar. São sinais de que a nossa libertação está próxima. [...]

3. A VINDA DO FILHO DO HOMEM
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado no Portal Dom Total - http://domtotal.com/religiao-liturgia-diaria.php).

Para falar de sua segunda vinda (advento), Jesus recorre à linguagem apocalíptica, comum nos ambientes religiosos da época. Este modo de falar provém da linguagem profética, a qual descreve, em forma de perturbação da natureza, o julgamento de Deus sobre o povo de Israel, que persistia em sua infidelidade.
A intenção de Jesus é revigorar a esperança dos discípulos, evitando que se deixem abater pelo pessimismo. Por conseguinte, quem se deixa atemorizar com as imagens utilizadas, é porque não atinou com a mensagem veiculada.
Os discípulos são instruídos a olhar para além da morte e do fim. Toda a História e a vida humana têm, como objetivo último, o encontro com o Filho do Homem. O destino de tudo é a perfeita comunhão com ele, no Reino a ser plenificado.
Entretanto, em meio a dificuldades e tentações, Jesus insiste para que o discípulo mantenha vivo o desejo de encontrar-se com o Senhor, e se prepare para esse dia. Viver na devassidão, entregar-se aos vícios, ficar assoberbado com as preocupações da vida poderá desviar seu coração das coisas fundamentais, e assim, torná-lo inapto para acolher o Senhor que virá.
Discernimento e oração são sugeridos por Jesus para quem deseja, efetivamente, experimentar a plenitude do Reino de Deus.
Oração
Espírito de oração vigilante, conserva-me em estado de contínua alerta, a fim de que eu me prepare, pela vivência do amor, para a chegada do Cristo que vem.

REFLEXÕES DE HOJE


02 DE DEZEMBRO-DOMINGO

VEJA AQUI MAIS HOMILIAS DESTE DOMINGO

HOMILIA DIÁRIA

Advento, tempo oportuno para examinarmos nossa vida

Postado por: homilia
dezembro 2nd, 2012

Neste 1º Domingo do Advento, Lucas nos mergulha num dos discursos escatalógicos do Evangelho. Sendo assim, usa imagens e símbolos que não são da nossa cultura e época, e por isso nem sempre são fáceis de serem compreendidos, mesmo que fossem claros para os leitores daquela época. Mas na literatura apocalíptica não é necessário interpretar cada imagem detalhadamente – o mais importante não é cada pedra do mosaico, mas o padrão inteiro – não cada imagem e símbolo, mas a sua mensagem.
O texto nos apresenta a figura do “Filho do Homem” – o título que, nos Evangelhos, Jesus mais usava para si mesmo, e que nós quase nunca usamos. Este título vem de um trecho do livro apocalíptico de Daniel: “Em imagens noturnas, tive esta visão: entre as nuvens do céu vinha alguém como um filho de homem… Foi-lhe dado poder, glória e reino, e todos os povos, nações e línguas o serviram. O seu poder é um poder eterno, que nunca lhe será tirado. E o seu reino é tal que jamais será destruído” (Dn 7,13s).
Então, Jesus recorda aos seus discípulos a mensagem de ânimo que o Livro de Daniel trazia aos perseguidos do tempo dos Macabeus, pelo ano 175 a.C. – que embora possa parecer que os poderes deste mundo, os impérios opressores, sejam mais fortes do que o poder de Deus, isso não passa de uma ilusão. Pois, na plenitude dos tempos, Deus, através do seu messias – o Filho do Homem – revelará o seu poder, e estabelecerá um Reino que jamais será destruído. E isso acontece agora em Jesus!
Qualquer interpretação de um texto apocalíptico que causa medo nos ouvintes, é necessariamente errada, pois a função da apocalíptica é de animar e dar coragem aos oprimidos e sofredores. Por isso, o ponto central do nosso texto de hoje é uma mensagem de ânimo, coragem e fé: “Quando essas coisas começarem a acontecer, levantem-se e ergam a cabeça, porque a libertação de vocês está próxima”.
Este trecho tem uma dimensão fortemente cristológica – nos afirma que Jesus, o Filho do Homem vitorioso, está no controle de todas as forças, sejam elas do céu ou do mar – símbolo de forças indomináveis para os judeus. E o versículo acima citado traz uma mensagem cheia de confiança: em contraste com a atitude de covardia dos malvados, os discípulos ficarão com a cabeça erguida, para acolher o juiz justo, o Filho do Homem.
Mesmo assim, os eleitos devem ficar atentos para não caírem. Devem cuidar muito para que: “Os corações… não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida”. Pois é fácil assumir as atitudes do mundo, sem que notemos, a não ser que sejamos vigilantes. Por isso, o texto de hoje termina com um conselho válido também para os discípulos dos tempos modernos: “Fiquem atentos e rezem todo o tempo, a fim de terem força”.
Quase dois mil anos atrás, o precursor do Império de hoje, o Romano, tentou, aliado com seus auxiliares locais, acabar com um projeto de vida, matando o seu arauto, Jesus de Nazaré. A força parecia ter a última palavra. Mas a verdade era outra – a força do Império era ilusão, pois Deus ressuscitou Jesus dentre os mortos, mostrando que o mal nunca é mais forte do que o bem, a morte do que a vida, a opressão do que a libertação.
Os dias do Império estão contados, não somente o império político e econômico, mas o dos barões do narcotráfico, da máfia e outros (todo Império tem pés de barro, como ensina o Livro de Daniel e toda a literatura apocalíptica). O projeto de Deus, concretizado em Jesus e continuado hoje por nós, vencerá todo e qualquer projeto do mal.
Advento é tempo oportuno para que examinemos a nossa vida para descobrir se realmente estamos atentos o tempo todo, para não perdermos as manifestações da presença de Jesus no meio de nós. É tempo de nos dedicarmos mais à oração, para renovarmos as nossas forças, para não cairmos na armadilha da desatenção no meio das preocupações e barulho do mundo moderno, para que os nossos corações continuem “sensíveis” aos apelos do Senhor, através dos irmãos, no nosso dia a dia.
A vinda do Senhor, a sua última vinda, ou melhor, o último momento da vinda que Ele inaugurou quando se fez homem e veio habitar no meio de nós, é, de novo, proclamada nesta leitura. E com que solenidade! E com que exigência! Mas, no fundo, será esse o momento supremo da nossa libertação, porque o Senhor, que vem, vem como Salvador. O Advento é o tempo particularmente consagrado a viver nesta expectativa.
Padre Bantu Mendonça
Fonte: Canção Nova em 02/12/2012

Oração Final
Pai Santo, nós somos frágeis, sujeitos à tentação dos excessos de comida e bebida. Ajuda-nos, Pai amado, mantém-nos sóbrios e moderados nos apetites, sempre acordados e vigilantes, aguardando em oração a volta do Cristo Jesus, teu Filho que se fez nosso Irmão e contigo reina na unidade do Espírito Santo.
Fonte: Arquidiocese BH em 02/12/2012

ORAÇÃO FINAL
Pai Santo, nós somos frágeis e estamos sujeitos à tentação dos excessos de comida e bebida. Ajuda-nos, amado Pai! Mantém-nos sóbrios e moderados nos apetites, sempre acordados e vigilantes, aguardando, em oração – isto é: conscientes da tua Presença paternal – e cuidando dos nossos semelhantes, a volta do Cristo Jesus, teu Filho que se fez nosso Irmão e contigo reina na unidade do Espírito Santo.

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