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sábado, 11 de abril de 2026
HOMÍLIA DIÁRIA, COMENTÁRIO E REFLEXÃO DO EVANGELHO DO DIA - 12/04/2026


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COLETÂNEA DE HOMÍLIAS DIÁRIAS, COMENTÁRIOS E REFLEXÕES DO EVANGELHO DO DIA, DE ANOS ANTERIORES - 12/04/2026
ANO A
2º DOMINGO DA PÁSCOA
Domingo da Divina Misericórdia
Ano A - Branco
“Bem-aventurados os que creram sem terem visto!” Jo 20,29
“A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. Jo 20,21
Jo 20,19-31
Ambientação
INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: Jesus ressuscitado está presente na comunidade, dando início à nova criação. Os cristãos sentem sua presença na ação do Espírito que os move à implantação do projeto de Deus na história. Neste Domingo da Misericórdia, celebramos a páscoa de Jesus, realizada em todas as pessoas e grupos que se empenham na promoção da paz.
Fonte: Diocese de Apucarana - Pulsandinho em 16/04/2023
INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL O POVO DE DEUS: Irmãos e irmãs, o anúncio da Páscoa do Senhor ainda ressoa em nossos corações. Deus mostrou sua infinita misericórdia quando, pela morte e ressurreição de seu Filho, devolveu-nos a esperança da Vida Eterna. Foi no primeiro dia da semana, num domingo como este, que Ele entrou onde estavam reunidos os discípulos para lhes oferecer o dom da paz. Acolhamos o Senhor que nos reuniu, para novamente nos oferecer esse dom, e nos disponhamos a ser testemunhas de sua misericórdia no mundo e construtores da paz.
Fonte: Arquidiocese SP - Folheto Povo de Deus em 16/04/2023
INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: Jesus ressuscitado está presente na comunidade, dando início à nova criação. Os cristãos sentem sua presença na ação do Espírito que os move à implantação do projeto de Deus na história. Neste Domingo da Misericórdia, celebramos a páscoa de Jesus, realizada em todas as pessoas e grupos que se empenham na promoção da paz.
Fonte: Diocese de Apucarana - Pulsandinho em 19/04/2020
INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL O POVO DE DEUS: Irmãos e irmãs, o anúncio da Páscoa do Senhor ainda ressoa em nossos corações. Deus mostrou sua infinita misericórdia quando, pela morte e ressurreição de seu Filho, devolveu-nos a esperança da Vida Eterna. Foi no primeiro dia da semana, num domingo como este, que Ele entrou onde estavam reunidos os discípulos para lhes oferecer o dom da paz. Acolhamos o Senhor que nos reuniu, para novamente nos oferecer esse dom, e nos disponhamos a ser testemunhas de sua misericórdia no mundo e construtores da paz.
Fonte: Arquidiocese SP - Folheto Povo de Deus em 19/04/2020
DOMINGO DA DIVINA MISERICÓRDIA
[...]
É importante que acolhamos inteiramente a mensagem que nos vem
da palavra de Deus neste segundo
Domingo de Páscoa, que de agora
em diante na Igreja inteira tomará
o nome de "Domingo da Divina Misericórdia". Nas diversas leituras,
a liturgia parece traçar o caminho
da misericórdia que, enquanto
reconstrói a relação de cada um
com Deus, suscita também entre
os homens novas relações de solidariedade fraterna. Cristo ensinou-nos que "o homem não só recebe
e experimenta a misericórdia de
Deus, mas é também chamado
a "ter misericórdia" para com os
demais. "Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão
misericórdia" (Mt 5, 7)". Depois,
Ele indicou-nos as múltiplas vias da
misericórdia, que não só perdoa os
pecados, mas vai também ao encontro de todas as necessidades
dos homens. Jesus inclinou-se sobre toda a miséria humana, mate- rial e espiritual.
A sua mensagem de misericórdia
continua a alcançar-nos através do
gesto das suas mãos estendidas
rumo ao homem que sofre. Foi as- sim que O viu e testemunhou aos
homens de todos os continentes
a Irmã Faustina que, escondida no
convento de Lagiewniki em Cracóvia, fez da sua existência um cântico à misericórdia: Misericordias
Domini in aeternum cantabo.
[...]
Amor a Deus e amor aos irmãos
são de fato inseparáveis, como nos
recordou a primeira Carta de João:
"Nisto conhecemos que amamos
os filhos de Deus: quando amamos a Deus e guardamos os Seus
mandamentos" (5, 2). O Apóstolo recorda-nos nisto a verdade do
amor, indicando-nos na observância dos mandamentos a medida e
o critério.
Com efeito, não é fácil amar com
um amor profundo, feito de autêntico dom de si. Aprende-se este
amor na escola de Deus, no calor
da sua caridade. Ao fixarmos o
olhar n'Ele, ao sintonizarmo-nos
com o seu coração de Pai, tornamo-nos capazes de olhar os irmãos
com olhos novos, em atitude de
gratuidade e partilha, de generosidade e perdão. Tudo isto é misericórdia!
Na medida em que a humanidade
souber aprender o segredo deste
olhar misericordioso, manifesta-se
como perspectiva realizável o quadro ideal, proposto na primeira leitura: "A multidão dos que haviam
abraçado a fé tinha um só coração
e uma só alma. Ninguém chamava seu ao que lhe pertencia mas,
entre eles, tudo era comum" (At
4, 32). Aqui a misericórdia do coração tornou-se também estilo de
relações, projeto de comunidade,
partilha de bens. Aqui floresceram
as "obras da misericórdia", espirituais e corporais. Aqui a misericórdia tornou-se um concreto fazer-se
"próximo" dos irmãos mais indigentes. [...]
Papa São João Paulo II,
Homilia“Domingo da Misericórdia”, 2000
Fonte: Arquidiocese SP - Folheto Povo de Deus em 16/04/2023
Comentário do Evangelho
O dinamismo da fé
Para bem compreender o texto do evangelho nessa oitava da Páscoa, pode nos ajudar responder a uma dupla questão: Como se chega à fé na ressurreição do Cristo nosso Senhor? Como se chega à fé de que Cristo ressuscitou dos mortos e está vivo no meio de sua Comunidade? Nosso texto apresenta duas etapas com um intervalo de oito dias. Na primeira etapa, Tomé não estava, na segunda ele estava reunido com os outros discípulos. É no primeiro dia da semana que os discípulos se encontram reunidos. É como se fosse o primeiro dia da criação em que a luz foi feita (Gn 1,3). Efetivamente, a ressurreição do Senhor é luz que anuncia uma nova criação em Cristo. No lugar em que os discípulos estavam reunidos, as portas estavam aferrolhadas por medo dos judeus. Essa observação seguida da notícia de que Jesus se colocou no meio deles é importante para compreender que a presença do Senhor não exige mais ser reconhecida como um corpo carnal. O seu corpo é glorioso e sua presença prescinde da visibilidade. O que ele comunica é a paz, sinal e dom de sua presença. É nesse primeiro dia da semana que o Espírito é dado como sopro do Senhor para a missão e a reconciliação. A ausência de Tomé (v. 24) é importante para o propósito do texto. Ele se recusa a crer no que os outros discípulos anunciavam: “Vimos o Senhor”. Passados oito dias, estando Tomé com os demais discípulos, no mesmo lugar da reunião, Jesus se faz presente e é sentido e reconhecido com o sinal de sua presença: a paz. O diálogo de Jesus com Tomé permite ao leitor compreender que se chega à fé no Cristo Ressuscitado e na sua gloriosa ressurreição através do testemunho da Comunidade. Não há acesso imediato à ressurreição de Jesus Cristo, mas somente mediato, isto é, através do testemunho. É a recepção desse testemunho que permite experimentar na própria vida os efeitos da Ressurreição do Senhor. Mas Tomé não é no relato o homem da dúvida somente e que busca crer por si mesmo, ou que julga que só é digno de fé o que pode ser tocado ou demonstrado. Ele é o homem de fé, transformado pelo Senhor, capaz de reconhecer o dinamismo próprio pelo qual se chega à fé.
Carlos Alberto Contieri, sj
Oração
Pai, abre todas as portas que me mantém fechado no medo e na insegurança, para que eu vá ao encontro do mundo a ser evangelizado.
Fonte: Paulinas em 27/04/2014
Vivendo a Palavra
Pedro diz à Igreja: «Vocês nunca viram Jesus e, apesar disso, o amam; não o veem, mas acreditam.» Ele confirma a promessa do Ressuscitado: «Felizes os que acreditaram sem ter visto.» O não-ver deixa de ser um obstáculo para se tornar um privilégio. Neste tempo de Páscoa, agradeçamos ao Pai a fé que nos traz ‘gloriosa alegria’.
Fonte: Arquidiocese BH em 27/04/2014
Reflexão
O SOPRO QUE REVITALIZA
Durante o tempo pascal, ouvimos o relato de várias manifestações de Jesus ressuscitado. Com suas aparições, o Mestre quer dar aos seus discípulos, ainda medrosos e inseguros, a certeza de que ele não permanece sob a pedra sepulcral, mas se encontra bem presente na vida das comunidades.
Reunidos por medo e buscando certa segurança trancando as portas, os discípulos recebem a visita inesperada de Jesus, que lhes deseja o dom da paz e sopra sobre a comunidade o Espírito de vida e esperança. As aparições de Jesus têm como objetivo alimentar a fé e provocar a transformação dos apóstolos medrosos em homens e mulheres corajosos e testemunhas da ressurreição.
Com a presença e o sopro do Ressuscitado, é possível abrir as portas e partir com otimismo e sem medo para a missão. Com ele somos capazes de compartilhar os valores do evangelho: o amor, a paz, a solidariedade e a justiça.
O Vaticano II, que completou cinquenta anos, promoveu a abertura de portas e janelas para que o sopro de Deus entrasse novamente na Igreja e a transformasse numa comunidade dinâmica, viva, aberta, presente no mundo e comprometida com o projeto de Jesus. Nada de portas e janelas trancadas! A Igreja é a “advogada da justiça e a defensora dos pobres diante das intoleráveis desigualdades sociais e econômicas, que clamam ao céu” (DAp 395).
Como diz o papa Francisco, nada de medo e encurralamento, é preciso ir às periferias de nossas cidades e proclamar o amor e a misericórdia de Deus. “As paróquias, as escolas, as instituições são para sair. Se não o fizerem, tornam-se uma ONG, e a Igreja não pode ser uma ONG”. Nada de se encastelar em sacristias confortáveis nem de ficar sentados em cátedras macias. A Igreja não pode mofar, enclausurada entre quatro paredes com portas e janelas fechadas.
Pe. Nilo Luza, ssp
Fonte: Paulus em 27/04/2014
Reflexão
No primeiro dia da semana (DOMINGO), ultrapassando obstáculos físicos (portas trancadas), Jesus torna-se visível a seus discípulos. Com a saudação da paz pascal, Jesus afugenta o medo dos discípulos e, soprando sobre eles, confere-lhes o Espírito Santo e o poder de perdoar pecados. Deixa-os aptos para prolongar sua missão no mundo. Oito dias depois, novamente se coloca no meio deles e, após a costumeira saudação de paz, convida Tomé a deixar qualquer dúvida, ou melhor, a acreditar sem ver. Diante da evidência, Tomé faz sua grande profissão de fé: “Meu Senhor e meu Deus!”. Jesus então profere seu ensinamento para todas as gerações de cristãos: “Bem-aventurados os que não viram e creram”. A finalidade do Evangelho de João não é satisfazer mera curiosidade, é despertar a fé.
(Dia a Dia com o Evangelho 2023)
Fonte: Paulus em 16/04/2023
Reflexão
«Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, serão perdoados»
Rev. D. Joan Ant. MATEO i García
(Tremp, Lleida, Espanha)
Hoje, segundo Domingo da Páscoa, completamos a oitava deste tempo litúrgico, uma das oitavas —juntamente com a do Natal— que a renovação litúrgica do Concílio Vaticano II manteve. Durante oito dias, contemplamos o mesmo mistério a aprofundamo-lo à luz do Espírito Santo.
Por desígnio do Papa João Paulo II, a este Domingo chama-se o Domingo da Divina Misericórdia. Trata-se de algo que vai muito mais além de uma devoção particular. Como explicou o Santo Padre na sua encíclica Dives in misericordia, a Divina Misericórdia é a manifestação amorosa de Deus em uma história ferida pelo pecado. A palavra “Misericórdia” tem a sua origem em duas palavras: “Miséria” e “Coração”. Deus coloca a nossa miserável situação devida ao pecado no Seu coração de Pai, que é fiel aos Seus desígnios. Jesus Cristo, morto e ressuscitado, é a suprema manifestação e atuação da Divina Misericórdia. «Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigénito» (Jo 3,16) e entregou-O à morte para que fossemos salvos. «Para redimir o escravo sacrificou o Filho», temos proclamado no Pregão pascal da Vígilia. E, uma vez ressuscitado, constituiu-O em fonte de salvação para todos os que creem nele. Pela fé e pela conversão, acolhemos o tesouro da Divina Misericórdia.
A Santa Madre Igreja, que quer que os seus filhos vivam da vida do Ressuscitado, manda que —pelo menos na Páscoa— se comungue na graça de Deus. A cinquentena pascal é o tempo oportuno para cumprir esta determinação. É um bom momento para confessar-se, acolhendo o poder de perdoar os pecados que o Senhor ressuscitado conferiu à sua Igreja, já que Ele disse aos Apóstolos: «Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados» (Jo 20,22-23). Assim iremos ao encontro das fontes da Divina Misericórdia. E não hesitemos em levar os nossos amigos a estas fontes de vida: à Eucaristia e à Confissão. Jesus ressuscitado conta conosco.
Pensamentos para o Evangelho de hoje
- «E a Vós, Senhor, que vedes claramente, com os vossos olhos, os abismos da consciência humana o que, de mim, Te poderia passar despercebido, mesmo que me recusasse a confessa-lo?» (Santo Agostinho)
- «Muitas vezes pensamos que confessar-nos é como ir à lavandaria. Mas Jesus, no confessionário, não é uma lavandaria. A confissão é um encontro com Jesus que nos espera tal qual somos» (Francisco)
- «Cristo age em cada um dos sacramentos. Ele dirige-Se pessoalmente a cada um dos pecadores: “Meu filho, os teus pecados são-te perdoados” (Mc 2, 5); Ele é o médico que Se inclina sobre cada um dos doentes com necessidade d'Ele para os curar: alivia-os e reintegra-os na comunhão fraterna. A confissão pessoal é, pois, a forma mais significativa da reconciliação com Deus e com a Igreja» (Catecismo da Igreja Católica, nº 1.484)
Fonte: Evangeli - Evangelho - Feria em 16/04/2023
Reflexão
I. INTRODUÇÃO GERAL
Nos domingos depois da Páscoa, a liturgia nos põe em contato com a primeira comunidade cristã. As primeiras leituras são uma sequência de leituras tomadas dos Atos dos Apóstolos. Nas leituras do evangelho, é-nos apresentada a “suma teológica” do século I, o Evangelho de João. As segundas leituras são tomadas de outros escritos muito significativos quanto aos temas batismais e da fé; no ano A, a primeira carta de Pedro.
O segundo domingo pascal, especificamente, é marcado pelo tema da fé batismal. É o antigo domingo in albis (“em vestes brancas”). Nesse domingo, os neófitos (os novos fiéis, literalmente “brotos novos”), batizados na noite pascal, apresentavam-se vestidos com a veste branca que receberam na noite de seu batismo: são “como crianças recém-nascidas” (como se dizia no canto da entrada). A oração do dia pede que progridamos na compreensão dos mistérios básicos da nossa fé, os “sacramentos da iniciação cristã” – batismo, eucaristia e confirmação –, e a oração final reza por mais profundo entendimento do mistério da ressurreição e do batismo. Quanto às leituras, embora não exista estrita coerência temática entre as três, todas elas nos fazem participar do espírito do mistério pascal.
II. COMENTÁRIO DOS TEXTOS BÍBLICOS
1. I leitura (At 2,42-47)
A primeira leitura nos apresenta o ideal da comunidade cristã: a comunidade primitiva dos cristãos de Jerusalém. A descrição de At 2,42-47 acentua especialmente a comunhão dos bens, que corresponde ao sentido do partir o pão – comemoração do Senhor Jesus. Outros textos semelhantes sobre a vida da comunidade encontram-se em At 3,32-37 e 5,12-16. Tanto essa comunhão perfeita como os prodígios operados pelos apóstolos serviam de testemunho para os demais habitantes de Jerusalém, testemunho que não deixava de ter sua eficácia. Essa leitura é, portanto, mais do que um documento histórico sobre os primeiros tempos depois da Páscoa: é convite para restabelecermos a pureza cristã das origens.
2. II leitura (1Pd 1,3-9)
A segunda leitura é tomada da primeira carta de Pedro, que é uma espécie de homilia batismal. Na perspectiva de seu autor, a volta gloriosa do Senhor estava próxima; os cristãos deviam passar por um tempo de prova, como ouro na fornalha, para depois brilhar com Cristo na sua glória. Nessa perspectiva, a fé batismal se concebe como antecipação da plena revelação escatológica: é amar aquele que ainda não vimos e nele crer, o coração já repleto de alegria diante da salvação que se aproxima (e já alcançada na medida em que a fé nos põe em verdadeira união com Cristo).
3. Evangelho (Jo 20,19-31)
O evangelho constitui o fim do Evangelho de João: Jo 20,19-31 (o capítulo 21 de João é um epílogo que excede a estrutura literária do evangelho propriamente). O Evangelho de João é composto de dois painéis, introduzidos pelo prólogo (1,1-18). O primeiro painel, 1,19-12,50, narra os “sinais” de Jesus. Esses sinais manifestam que Jesus é o enviado de Deus e que Deus está com ele e, ao mesmo tempo, revelam simbolicamente o dom que Jesus mesmo é. No segundo painel, os capítulos 13-20, Jesus, na hora de sua despedida, abre o seu mistério de união com o Pai e inclui nele os seus discípulos, antes de assumir, livremente, a morte por amor e ser ressuscitado por Deus. Sua ressurreição é o sinal de que ele vive e sobe à glória do Pai (20,17). No trecho que ouvimos hoje, manifesta-se o dom do Espírito de Deus a partir da glorificação/exaltação de Jesus (cf. 7,37-39). Na sua despedida, Jesus prometeu aos seus o Espírito e a paz (14,15-17.26-27). Agora, o Ressuscitado, enaltecido e revestido com a glória do Pai, traz esses dons aos seus (20,21-22), que serão seus enviados como ele o foi do Pai (20,21). Para essa missão, recebem o poder de perdoar, poder que, segundo a Bíblia, é exclusivo de Deus e, portanto, só pode ser comunicado por quem comunga de sua autoridade. De fato, já no início do Evangelho de Marcos, Jesus se caracteriza como o “Filho do homem” (cf. Dn 7,13-14), que recebe de Deus esse poder (Mc 2,10). Segundo Jo 20,19-23, o Ressuscitado dá à comunidade dos fiéis o Espírito de Deus e a missão de tirar o pecado do mundo – também a missão que João Batista reconheceu em Jesus no início do evangelho (Jo 1,29). À maneira semítica e bíblica, a missão de perdoar é expressa na forma afirmativa (“a quem perdoardes os pecados, serão perdoados”) e negativa (“a quem os retiverdes [= não perdoardes], serão retidos”, Jo 20,23). Mas isso não significa que os seguidores e sucessores de Jesus poderão administrar o perdão arbitrariamente. Muito antes, trata-se do poder de administrar o perdão concedido por Deus: munida do Espírito de Deus, a comunidade reconhecerá quem recebe dele o perdão e quem não. E não deixa de ser significativo que Jesus exprima essa presença do Espírito exatamente pelo perdão e não pelo dom das línguas ou algo assim. Pois o que o ser humano procura, em profundidade, é exatamente esse “estar bem com Deus e com os irmãos”, que o pecado impede, mas o perdão possibilita. Todo o culto judaico girava em torno da reconciliação com Deus e com a comunidade. A carta aos Hebreus explica que Jesus, enquanto sumo sacerdote definitivo, realiza essa reconciliação de uma vez para sempre. O que Jesus confia aos seus em Jo 20,22-23 é mais que mera “jurisdição”. É o dom da vida nova, na “paz”, no shalom, o dom do Messias por excelência. Unidos na comunhão da verdadeira videira que é Jesus (Jo 15,1-8), temos a vida em abundância (Jo 10,10).
A segunda parte do evangelho de hoje conta a história de Tomé. O texto põe em evidência Tomé entre os que viram o Ressuscitado (cf. At 10,41; 1Jo 1,1-3), mas visa às gerações seguintes, que, sem terem visto, deverão crer – com base no testemunho das testemunhas privilegiadas. “Felizes os que não viram e, contudo, creram” (Jo 20,28) é bem-aventurança que se dirige a nós (cf. 1Pd 1,8, primeira leitura de hoje). E é para esse fim que os que viram nos transmitiram, por escrito, o testemunho evangélico, como diz o autor nas palavras finais (Jo 20,30-31).
Daí podermos dizer: “Cremos na fé dos que testemunharam”, a fé dos apóstolos, a fé apostólica. A Tomé é dado experimentar a realidade do Crucificado que ressuscitou, e o apóstolo proclama a sua fé, tornando-se verdadeiro fiel. Mas há outros a quem não será dado esse tipo de provas que Tomé requereu e recebeu; eles terão de acreditar também e são chamados felizes por crerem sem ter visto. Esses “outros” somos todos nós, cristãos das gerações pós-apostólicas. Mas, em vez de provas palpáveis, a nós é transmitido o testemunho escrito das testemunhas oculares, para que nós creiamos e, crendo, tenhamos a vida em seu nome (20,30-31). A fé dos apóstolos é nossa.
III. DICAS PARA REFLEXÃO: Nossa fé “apostólica”
Todo o mundo gosta de ter provas palpáveis para acreditar. Mas para que ainda acreditar quando se têm provas palpáveis? E as pretensas provas, que certeza dão? Nossa fé não vem de provas imediatas, mas da fé das “testemunhas designadas por Deus” (At 10,41), principalmente dos apóstolos.
Os apóstolos foram as testemunhas da ressurreição de Jesus. Eles puderam ver o Ressuscitado e por isso acreditaram. Tomé foi convidado por Jesus a tocar nas chagas das mãos e do lado (evangelho). Tomé pôde verificar e acreditou: “Meu Senhor e meu Deus!” Nós não temos esse privilégio. Seremos felizes se crermos sem ter visto (Jo 20,29). Mas, para que isso fosse possível, os apóstolos nos deixaram os evangelhos, testemunho escrito do que eles viram e da fé no Cristo e Filho de Deus que abraçaram (Jo 20,30-31).
O Cristo descrito nos evangelhos é visto com os olhos da fé dos apóstolos. Um incrédulo o veria bem diferente. Nós cremos em Jesus como os apóstolos o viram. A participação na fé dos apóstolos nos dá a possibilidade de “amar Cristo sem tê-lo visto” e de “acreditar nele (como Senhor e fonte de nossa glória futura), embora ainda não o vejamos” (2ª leitura).
Nós acreditamos na fé dos apóstolos e da Igreja que eles nos deixaram. Então, nossa fé não é coisa privada. É apostólica e eclesial. Damos crédito à Igreja dos apóstolos. Os primeiros cristãos faziam isso materialmente: entregavam os seus bens para que ela os transformasse em instrumentos do amor do Cristo. Crer não é somente aceitar verdades. É agir segundo a verdade do ser discípulo e seguidor do Cristo.
É inútil querer verificar e provar nossa fé sem passar pelos apóstolos e pela corrente de transmissão que eles instituíram, a Igreja. É impossível verificar, por evidências fora do âmbito dos evangelhos, a ressurreição de Cristo. Ora, o importante não é “verificar”, ao modo de Tomé, mas viver o sentido da fé que os apóstolos (incluindo Tomé) transmitiram. A fé dos apóstolos exige que creiamos em seu testemunho sobre Jesus morto e ressuscitado e também que pratiquemos a vida de comunhão fraterna na comunidade eclesial que brotou de sua pregação.
Num tempo de hiper-individualismo, como é o nosso, essa consciência de acreditarmos naquilo que os apóstolos acreditaram é muito importante. Deles recebemos a fé, nossa “veste branca”, e, na comunidade que eles fundaram, nós a vivemos. Ora, por isso mesmo é tão importante que essa comunidade, por todo o seu modo de viver o legado do Ressuscitado, seja digna de fé.
Pe. Johan Konings, sj
Fonte: Vida Pastoral em 27/04/2014
Reflexão
"JESUS ENTROU, PÔS-SE NO MEIO DELES E DISSE: A PAZ ESTEJA CONVOSCO."
Primeira Leitura: Atos 2,42-47;
Salmo 117(118),
Segunda Leitura: 2-4. 13-15.22-24
Evangelho: João 20,19-31.
Situando-nos brevemente
Este é o domingo da oitava da Páscoa, Estamos reunidos, no primeiro dia da semana, para celebrar a Páscoa do Senhor que está vivo entre nós.
Como narra o evangelista, quem não está na comunidade não vê o Senhor. Oito dias depois, novamente Jesus se põe no meio deles e Tomé faz sua grande profissão de fé, em comunidade.
A certeza que o Senhor está vivo faz com que os discípulos vençam o medo e a insegurança.
Como Tomé e os outros discípulos, professemos nossa fé no Senhor Ressuscitado, que passou pela paixão e morte.
Convocados pelo Senhor, como uma só família, guardada no amor e animada pelo Espírito, vivamos com um só coração e uma só alma.
Recordando a Palavra
A leitura do evangelho de João começa com a manifestação de Jesus ressuscitado aos discípulos, na tarde do mesmo dia da ressurreição. ‘’Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana’’, o Ressuscitado se faz presente no meio dos discípulos reunidos com as portas fechadas por medo (20,19ª). Após a crucificação do Mestre Jesus, os discípulos estavam com medo, fechados. No final do primeiro século, época em que o evangelho foi escrito, os seguidores de Cristo também estavam com medo, por causa das hostilidades e das perseguições.
O Ressuscitado oferece a paz, que transforma os discípulos e infunde confiança: ‘’Jesus entrou e pôs-se no meio deles. Disse: a paz esteja convosco’’ (20,19b). Conforme havia prometido (cf. Jo 14,27), Jesus transmite a verdadeira paz, dom de sua entrega por amor. Os sinais da paixão ‘’nas mãos e no lado’’ revelam sua doação até a cruz e levam os discípulos a reconhecerem sua presença viva no meio deles. ‘’Os discípulos, então, se alegraram por verem o Senhor’’ (20,20), o Ressuscitado.
A paz do Ressuscitado é a plenitude da salvação, que confirma os discípulos na missão libertadora: ‘’Como o Pai me enviou também eu vos envio’’ (20,21). Os discípulos são enviados para anunciarem a alegria e a paz, dádivas do Ressuscitado. Eles são renovados, investidos com o Espírito Santo, com o sopro da vida nova de Cristo ressuscitado. Em Gn 2,7, Deus soprou sobre o ser humano, infundindo-lhe o dom da vida divina, que o tornou um ser vivente. A força do Espírito torna os discípulos instrumentos de paz e de reconciliação, portadores da misericórdia e do perdão de Jesus: ‘’A quem perdoardes os pecados, serão perdoados’’ (20,23).
‘’Oito dias depois’’ (20,26), Jesus revela novamente sua presença de paz no meio da comunidade reunida, para celebrar o memorial de sua Páscoa. Tomé, que era um dos Doze, representa as dificuldades dos discípulos em crer na ressurreição de Jesus. A insistência de Tomé, em comprovar as marcas da paixão, mostra que a fé em Cristo ressuscitado brota de sua doação total. A aclamação litúrgica: ‘’Meu Senhor e meu Deus’’ (20,28) expressa a fé da comunidade em Jesus crucificado/exaltado como Senhor e Deus. É a profissão de fé de quem encontra o Senhor no caminho do discipulado. Jesus proclama ‘’bem-aventurados os que não viram e creram’’ (20,29), os que crêem e vivem conforme seus ensinamentos. O encontro com o Senhor, na comunidade que se reúne para celebrar a memória de sua vida, morte e ressurreição, leva ao testemunho da fé, como os primeiros discípulos e discípulas.
A ressurreição de Jesus é o grande sinal de amor, que plenifica os demais, realizados ao longo de seu ministério (cf 1,19-12-50). Os sinais que Jesus, o enviado de Deus, realizou foram testemunhados e escritos, para levar os seguidores de todos os tempos à adesão da fé e à vida plena em seu nome (cf 20,31). O caminho da fé em Cristo ressuscitado é a fonte de vida eterna, que torna possível um mundo novo, novo céus e nova terra.
A primeira leitura dos Atos dos Apóstolos sublinha que o encontro com Cristo ressuscitado leva á formação de verdadeiras comunidades de irmãos e irmãs. A comunidade ideal está centrada na comunhão fraterna (koinomia), na escuta da palavra, na fração do pão, memorial da ceia do Senhor e nas orações. A vida nova de comunhão com Jesus manifesta-se no compromisso solidário com os irmãos: ‘’Todos os que abraçavam a fé, viviam unidos e possuíam tudo em comum; vendiam suas propriedades e seus bens e repartiam o dinheiro entre todos, conforme a necessidade de cada um’’(2,44-45).
O testemunho da vida de Cristo, doada totalmente por amor, fortalece a confiança na presença de Deus e na manifestação da salvação. O louvor comunitário e a comunhão fraterna, a alegria de vida, no seguimento a Jesus e no serviço ao reino, interpela todo o povo e assegura o crescimento contínuo da comunidade: ‘’A cada dia, o Senhor acrescentava a seu número mais pessoas’’ (2,47), que aderiam `a sua proposta salvífica.
No salmo 117 (118), o salmista agradece porque o Senhor manifestou sua eterna misericórdia, transformando ‘’a pedra que pedreiros rejeitaram ficou sendo pedra principal’’. As comunidades primitivas viram a realização plena desse salmo em Cristo (cf. Mt 21,42; At 4,11; 1Pd 2,7). Por meio da vitória sobre a morte pela ressurreição, Jesus tornou-se a pedra principal do edifício, o alicerce da vida cristã.
A segunda leitura da primeira carta de Pedro começa com um pequeno hino litúrgico (cf. 1,3-4), que acentua a salvação realizada pelo Pai através do Filho. Bendito seja o Pai, que em sua grande misericórdia, ‘’pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, ele nos fez nascer de nova para uma esperança viva, para uma herança (...) reservada nos céus’’ (1,3). Os cristãos, pelo Batismo, renasceram para a vida nova, que provém da ressurreição de Cristo. A comunhão com Jesus leva a manter esperança, alicerçados na promessa da salvação definitiva, da vida plena em Deus.
O exemplo de Cristo, que passou pela paixão e morte para chegar à glória da ressurreição, impulsiona o testemunho da fé com alegria, em meio ao sofrimento e às provações. A imagem do ouro que, purificado pelo fogo, manifesta todo seu esplendor, ilustra o caminho existencial de transformação pela ação do Espírito até a identificação com Jesus ressuscitado. A adesão ao Senhor, na esperança e no amor solidário, torna-se ‘’fonte de alegria inefável e gloriosa’’ (1,8), pois proporciona experimentar, desde já, a vida nova de ressuscitados.
Atualizando a Palavra
A presença de Jesus ressuscitado oferece o dom da paz e o seu Espírito, que recria e vivifica a comunidade, em meio às dificuldades e perseguições, fazendo renascer a fé e a esperança na missão evangelizadora. A força do Ressuscitado nos transforma em instrumentos de misericórdia, justiça e paz. ‘’A paz é possível, porque o Senhor venceu o mundo e sua permanente conflitualidade, pacificando pelo sangue da cruz’ (Cl 1,20). Ao anunciar Jesus Cristo, que é a nossa paz (cf. Ef 2,14), todo batizado é chamado a ser instrumento de pacificação e testemunha credível duma vida reconciliada’’ (Evangelii Gaudium, n. 229; 239).
O encontro de Tomé com o Senhor indica o caminho de fé do discipulado. Quem acredita e segue o caminho da vida nova indicado pelo Ressuscitado é bem-aventurado. ‘’Cristo foi verdadeiramente crucificado, verdadeiramente sepultado e ressuscitou verdadeiramente. Tudo isto foi para nós um dom de graça, a fim de que, participando de sua paixão através do mistério sacramental, obtenhamos na realidade a salvação. Ó maravilha de amor pela humanidade! Em seus pés e mãos inocentes, Cristo recebeu os cravos e suportou a dor; e eu, apenas pela comunhão em suas dores, recebo gratuitamente a salvação’’.
Como nas comunidades primitivas, o encontro com o Ressuscitado nos impele a construir comunidades centradas na Palavra, na Eucaristia, nas orações e na comunhão fraterna, manifestada no compromisso solidário com as pessoas necessitadas. Justino, mártir, ao falar sobre a Eucaristia testemunha o sentido da koinomia, do ter tudo em comum: ‘’Com o que possuímos, socorremos a todos necessitados e estamos sempre unidos uns aos outros. E por todas as coisas com que nos alimentamos, bendizemos o Criador do universo, por seu Filho Jesus Cristo e pelo Espírito Santo’’. O Papa Francisco afirma que ‘’à medida que o Senhor conseguiu reinar entre nós a vida social será um espaço de fraternidade, de justiça, de paz, de dignidade para todos. Por isso, tanto o anúncio como a experiência cristã tender a provocar conseqüências sociais’’ (Evangelii Gaudium, n. 180).
Neste Domingo da Divina Misericórdia, instituído por João Paulo II, somos convidados a professar a fé em Jesus, o Senhor, que revelou a misericórdia infinita do Pai através de sua obra redentora. A paz do Ressuscitado nos liberta, para construirmos um mundo reconciliado de amor, justiça e fraternidade. O Espírito de Cristo ressuscitado nos ilumina e fortalece, para anunciarmos seu perdão, sua misericórdia em meio aos desafios da missão cotidiana.
Ligando a Palavra com ação eucarística
Os cristãos e as cristãs compreenderam, desde o início, que a Igreja é essencialmente assembleia convocada pelo Senhor que nela se torna presente e atuante. Fazer parte da assembleia litúrgica é fruto da fé e da comunhão com a Igreja em torno do Ressuscitado, pois a Igreja, povo da nova aliança, nasceu da Páscoa de Cristo.
Hoje, estamos reunidos para celebrar, na certeza de que Ele está no meio de nós. Afirma a Sacrosanctum Concilium: ‘’Para realizar tão grande obra, Cristo está presente em sua Igreja, e especialmente nas ações litúrgicas. Está presente no sacrifício da missa, tanto na pessoa do ministro, pois aquele que agora se oferece pelo ministério sacerdotal é o mesmo que, outrora, se ofereceu na cruz’, como, sobretudo nas espécies eucarísticas. Ele está presente pela sua virtude nos sacramentos, de tal modo que, quando alguém batiza, é o próprio Cristo quem batiza. Está presente na sua palavra, pois é ele quem fala quando na Igreja se lêem as Sagradas Escrituras. Está presente, por fim, quando a Igreja ora e salmodia, ele que prometeu: ‘onde se acharem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles’ (Mt 18,20)’’ (n.7).
Que os dons pascais recebidos do Senhor nos ajudem a edificarmos a Igreja – casa da Palavra – sobre os quatros fundamentos: perseverança na escuta dos ensinamentos dos apóstolos, comunhão fraterna, fração do pão e oração.
Reunidos em torno do Senhor ressuscitado, nos tornamos lugar espiritual, ou seja, sacramento da sua presença.
Então, ‘’neste dia que o Senhor fez para nós’’, experimentamos sua presença viva na assembleia reunida, na palavra repartida e no mistério de sua entrega na Eucaristia. Assim, ‘’podemos compreender melhor o batismo que nos lavou, e o sangue que nos redimiu’’ (cf. oração do dia).
Que sejamos um só corpo e um só espírito, enviados para espalhar, no mundo, a paz e a reconciliação, que dele recebemos.
Sugestões para a celebração
· A característica mais destacada do Templo Pascal é a alegria. A cor branca, as flores, tudo é orientado para expressar o sentimento de festa.
· Destacar o círio pascal, a fonte batismal, as mesas da Palavra e da Eucaristia
· A bandeira da paz pode ser entronizada na procissão de entrada.
· Acender solenemente o círio pascal. Uma proposta: A pessoa que carrega o círio, ao chegar ao presbitério, se volta para a assembleia e reza: Bendito sejais, Deus da vida, pela ressurreição de Jesus Cristo, e por esta luz radiante! Esta oração pode ser feita por outra pessoa. Alguém incensa o círio, ou queima ervas cheirosas, enquanto todos cantam: Bendito sejas, Cristo Senhor. Que é do Pai imortal esplendor! Em seguida coloca-se o círio em seu devido lugar.
· Incensar a assembleia, sacramento do Senhor ressuscitado.
· O ato penitencial pode ser substituído pelo rito da aspersão com a água batismal, abençoada na Vigília Pascal, fazendo memória do Batismo.
· O abraço da paz pode ser realizado após a proclamação do Evangelho.
· Os cantos sejam preparados com antecedência, prevendo ensaios. O Hinário Litúrgico da CNBB possui ótimas sugestões. As melodias estão gravadas no CD Liturgia XVI – Páscoa –Ano A.
Fonte: Emanarp em 27/04/2014
Reflexão
Recebei o Espírito Santo
Este segundo Domingo da Páscoa era conhecido, na Liturgia antiga, como Dominica in Albis, porque os que foram batizados na Vigília Pascal se apresentavam ao bispo, uma semana depois, com as suas vestes cândidas, para mostrarem que se esforçavam para viver a candura batismal.
Hoje, o Domingo da Oitava da Páscoa também é a festa da Divina Misericórdia. A celebração foi instituída pelo bem-aventurado Papa João Paulo II – a ser canonizado neste fim de semana –, por conta das revelações particulares de Nosso Senhor à religiosa polonesa Santa Faustina Kowalska. Tendo morrido cedo, com apenas 33 anos (a idade de Cristo), ela experimentou, ainda em vida, as várias purificações que recebem os místicos que se aproximam cada vez mais de Deus, além de dons sobrenaturais e dos santos estigmas. A pedido de seu confessor, Faustina escreveu um diário no qual colocou por escrito aquilo que Cristo lhe falava em Suas aparições. Em uma dessas aparições, Ele pediu que se fizesse um quadro e que fosse instituída uma festa em honra à Sua Misericórdia, pois “a falta de confiança das almas”, especialmente “a desconfiança da alma escolhida”, ofendia-Lhe muito [1].
Quando Santa Faustina morreu, alguns padres ficaram responsáveis pela propagação dessa devoção, que Jesus prometeu que se espalharia pelo mundo inteiro. Graças ao empenho do então arcebispo de Cracóvia, Karol Wojtyla, o Diário de Santa Faustina teve sua proibição retirada pela Igreja, em 1978, quase vinte anos depois de uma intervenção do Santo Ofício. No mesmo ano, providencialmente, Wojtyla foi eleito Papa João Paulo II e o reconhecimento da santidade de Faustina Kowalska andou a passos largos. Em 2000, a devoção à Divina Misericórdia foi estendida ao mundo inteiro, recebendo indulgências especiais e uma festa litúrgica, no primeiro domingo após a Páscoa.
Então, neste domingo, somos chamados a louvar a Deus por Sua infinita misericórdia. Ela é, nas palavras da própria Santa Faustina, um fruto do amor de Deus: “O amor de Deus é a flor – e a misericórdia é o fruto” [2]. Em Si mesmo, Deus é amor; mas, ao manifestar-se na história para os homens, esse amor é misericórdia. Antes da Criação, não era possível a misericórdia, porque, para existir, é necessário haver um “miserável”. É com a economia divina, portanto, que se manifesta a Sua misericórdia: na Criação, na Redenção, nos Sacramentos, no envio do Espírito Santo etc. Com razão, pode-se dizer que a misericórdia divina é uma árvore com vários galhos [3], dentre os quais se sobressai a Cruz de Nosso Senhor, fortaleza e esperança dos que padecem por Ele.
A devoção à Divina Misericórdia é importante porque nela está o coração do Evangelho. A segunda leitura da Liturgia deste domingo diz: “Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Em sua grande misericórdia, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, ele nos fez nascer de novo, para uma esperança viva, para uma herança incorruptível, que não se mancha nem murcha, e que é reservada para vós nos céus” [4].
No Evangelho que cobre o arco dessa Oitava de Páscoa, Jesus ressuscitado aparece aos apóstolos e sopra sobre eles o Espírito Santo. Santo Tomás, em seu comentário ao Evangelho de São João, diz que é próprio da terceira pessoa da Santíssima Trindade o perdão dos pecados. É evidente que, na economia da salvação, quem age é toda a Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Mas, na teologia, utiliza-se um recurso chamado “apropriação”. Por apropriação, é conveniente que se chame o Pai de Criador, o Filho de Redentor e o Espírito de Santificador. Também por apropriação se diz que o responsável por perdoar os pecados é o Espírito Santo, manifestação da caridade, que “supre todas as faltas” [5]:
“Uma vez que é o Espírito Santo que nos constitui amigos de Deus, é normal que seja por ele que Deus nos perdoe os pecados. Por isto o Senhor disse aos discípulos: ‘Recebei o Espírito Santo; aquele a quem perdoardes os pecados, serão perdoados’, e em São Mateus (12, 31) o perdão dos pecados é negado àqueles que blasfemam contra o Espírito Santo, porque não têm em si aquilo por que o homem pode obter o perdão dos seus pecados. Daí decorre também dizermos, do Espírito Santo, que ele nos renova, que ele nos purifica, que ele nos lava.” [6]
Todo o tempo pascal aponta para o Domingo de Pentecostes e, desde já, é possível ver que o Espírito Santo – o amor-caridade que brota do lado de Cristo – é o grande fruto da Ressurreição. No mesmo dia em que ressurge dos mortos, Jesus aparece aos Seus discípulos e sopra sobre eles o Espírito Santo, oferecendo-lhes o dom da remissão dos pecados e manifestando-lhes a Sua misericórdia.
Santa Teresinha do Menino Jesus, grande devota da Divina Misericórdia, na enfermaria, alguns meses antes de morrer, confidenciou à sua irmã:
“Poderiam pensar que é porque não cometi pecados que tenho uma confiança tão grande no Bom Deus. Dizei claramente, minha Mãe, que se eu tivesse cometido todos os crimes possíveis, teria sempre a mesma confiança. Sinto que toda essa multidão de ofensas seria como gota de água lançada num braseiro ardente.” [7]
Cresçamos em confiança na misericórdia divina e lancemos a gota d’água de nossos pecados e misérias no braseiro ardente do amor de Deus.
Referências:
Cf. Diário, 49-50.

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