Que Deus abençoe você!
Padre Roger Araújo
HOMILIA DIÁRIA
Tenhamos a disposição de renovar o nosso coração
Para acolher a Boa Nova de Jesus, para acolher aquilo que a graça do Espírito nos traz é preciso ter a disposição de renovar o coração
“Ninguém põe um remendo de pano novo numa roupa velha; porque o remendo novo repuxa o pano velho e o rasgão fica maior ainda” (Mateus 2,21)
Toda a questão do Evangelho de hoje é porque os fariseus foram até Jesus perguntar o porquê os discípulos de João e os discípulos dos fariseus jejuavam, mas, os seus discípulos não jejuavam. Por uma simples questão, porque muitos fazem só por fazer, muitos jejuam só por jejuar, rezam só por rezar.
Não é uma questão de relativizar, deixar o jejum ou a oração de lado. É preciso fazer o jejum com o espírito de jejum, fazer oração com o espírito de oração. É preciso praticar as coisas de Deus em espírito e verdade.
Não podemos deixar que a nossa religião ou o nosso ser religioso, seja apenas uma prática de rituais. Religião precisa ser espírito e vida, precisamos estar inteiros naquilo que vivemos e fazemos, porque senão, as coisas envelhecem. O “envelhecer” aqui não é de se tornar velho, é perder o sabor, o gosto, o sentido, a luz.
Estamos fazendo por fazer? Não! Estamos fazendo porque isso dá sentido e transforma a nossa vida. Se não renovarmos a nossa disposição, a nossa vontade, o nosso espírito, a nossa mentalidade a cada dia, vamos envelhecendo na fé, vamos perdendo o gosto, o sabor de viver a própria fé.
Não podemos julgar ninguém, mas, estaremos muitas vezes, no “banco de reservas ou na arquibancada” apenas olhando, vivenciando, não participando, porque cansamos, porque estamos paralisados ou porque não tem mais sentido para nós fazermos isso ou aquilo, porque o nosso coração envelheceu e não tornou-se novo.
Quando não temos um coração novo, um espírito renovado, uma disposição nova, uma mentalidade nova, não conseguimos acolher o novo.
Foi isso que aconteceu com os fariseus, com doutores da Lei e muitos da época de Jesus. Eles tinham a disposição, mas a velha disposição. Eles tinham uma vontade, porém, uma vontade velha e paralisada. E quando a Boa Nova chegou, quem estava com o coração velho recebeu a Boa Nova e a estragou. Por isso, Jesus dá o exemplo do vinho novo, porque para vinho novo os odres têm que ser novos, senão aquele odre que está velho estraga o vinho novo.
Para acolher a Boa Nova de Jesus, para acolher aquilo que a graça do Espírito nos traz, é preciso ter a disposição de renovar o coração, a mentalidade, renovar aquilo que somos por dentro para que possamos acolher a novidade de Deus.
Deus não nos renova porque, muitas vezes, não nos deixamos ser renovados, transformados pela graça e pela novidade do Evangelho que faz nova todas as coisas.
Deus abençoe você!
Padre Roger Araújo
HOMILIA DIÁRIA
Para Deus, o que importa é sermos obedientes a Ele
“Mas Samuel replicou: ‘O Senhor quer holocaustos e sacrifícios, ou quer a obediência à sua palavra? A obediência vale mais que o sacrifício, a docilidade mais que oferecer gordura de carneiros’.” (ISm 15,22)
A primeira leitura da liturgia de hoje, do primeiro livro de Samuel, é muito importante, porque Saul caiu em desgraça, pois não foi fiel a Deus.
Por que Saul não é mais um rei fiel a Deus? Porque ele deixou de ouvir a voz do Senhor para ouvir a sua própria voz, a voz do seu egoísmo, da sua soberba, e não se deixou se guiar por Deus. E por mais que ele tente disfarçar, oferecendo holocaustos, sacrifícios, para Deus o que importa não são os holocaustos, não são os sacrifícios, mas sim sermos obedientes a Ele.
O que mais nos vale são os sacrifícios que oferecemos ao Senhor ou sermos obedientes à Sua Palavra? Não resta dúvida nenhuma, meu irmão, de que nós, muitas vezes, perdemos a nossa comunhão com Deus, porque vivemos uma religião de sacríficos, e não uma religião de obediência a Ele.
A palavra “obediência” vem do latim obaudire, que significa ter ouvidos que escutam Deus, ter ouvidos que se deixam guiar por Ele.
O que importa não são os nossos holocaustos e sacrifícios; para Deus, o que importa é sermos obedientes a Ele
Um filho obedece ao pai não simplesmente escutando-o falar. Não! Ele obedece quando escuta e coloca em prática, ou porque seu pai ou sua mãe lhe pede, mas é preciso ter ouvido para escutar.
Não, nós não podemos cair em desgraça por não ouvir a voz do Senhor, por não obedecer ao Senhor que nos dirige, que nos conduz. Porque a rebelião ao verdadeiro pecado, o espírito rebelde, é aquele espírito que afugenta Deus e quer seguir os seus impulsos da carne, do egoísmo, os impulsos dos próprios desejos, os impulsos da ira, da raiva, do medo; e vai nos tornando pessoas rebeldes, de modo que, assim como Saul rejeitou a Palavra do Senhor, ele mesmo se fez rejeitado por Deus.
Não, Deus não rejeita ninguém, mas nós nos colocamos na situação de rejeitados quando colocamos a Palavra d’Ele de lado e não Lhe damos ouvidos, quando não O deixamos guiar nem conduzir nossos passos.
Que nós sejamos, realmente, curados de todo espírito de rebeldia. Que Deus nos dê o espírito da docilidade e da obediência a Sua Palavra.
Deus abençoe você!
Padre Roger Araújo
HOMILIA DIÁRIA
Se o jejum não conduzir você ao amor, não terá nenhum efeito
“(…) ‘Os convidados de um casamento poderiam, por acaso, fazer jejum, enquanto o noivo está com eles? Enquanto o noivo está com eles, os convidados não podem jejuar’ (…).” (Marcos 2,19)
O jejum para os judeus era manifestação de luto e de tristeza. Na cultura de Jesus o jejum era visto assim: luto e tristeza. Bem diferente para nós, cujo sentido é totalmente ao contrário: tirar alguma coisa para me lembrar que o meu tudo, a minha alegria é Cristo. Por isso, Jesus recomenda que, quando fizermos jejum, não podemos mudar o rosto, e sim viver na alegria, pois tiramos um alimento ou alguma coisa, para nos lembrar que Jesus é o nosso tudo e o espaço maior na nossa vida pertence a Ele. E, se eu vivo n’Ele, por Ele e para Ele, a minha vida é repleta de alegria. Se o jejum não me conduz para o amor, ele não terá nenhum efeito; por mais rigoroso que possa ser o jejum que eu faço, ou que você faça, ele será infértil, vazio e em vão.
Quando fizermos jejum, não podemos mudar o rosto, e sim viver na alegria
Nós somos convidados constantemente a essa festa de casamento, que é símbolo de aliança de Deus com toda a humanidade. Convidado significa ser chamado a fazer parte da vida de alguém; esse alguém é Cristo, que me chama e te chama à união profunda com Ele. Nós precisamos ser modelo de piedade, de espiritualidade, de obediência aos mandamentos; mas, muito mais, nós precisamos ser no mundo mestres da alegria, e não torturadores de consciência, impondo aos nossos irmãos fardos pesados e vazios.
Hoje, o que você é capaz de tirar da sua vida por amor a Deus?
O foco do jejum não é em si a privação de alguma coisa, a renúncia, a abstinência, e sim aprender a saborear a presença de Jesus, a presença do Esposo, que é Cristo, que é a nossa alegria, a nossa força, o nosso alimento, o nosso sustento e a nossa vida. A imagem do esposo representa tão bem a nossa união com Deus, é um amor que precisa ser recíproco, uma só carne, uma comunhão profunda de alma e de coração.
Deus me ama tanto! Deus te ama tanto! E a Sua maior prova de amor foi quando o pregamos na cruz e Ele nos perdoou; deu a vida por nós, por mim e por você. E, agora, eu te pergunto: “O quanto você ama a Deus?”. Porque o tema de hoje fala sobre o jejum. Então, “O que você é capaz de fazer por Deus?”. “O que você, hoje, é capaz de tirar da sua vida por amor a Deus?”. E não digo somente sobre os alimentos, mas digo também sobre comportamentos, atitudes, situações, pecados que precisamos tirar do nosso coração, para que Deus seja, de fato, tudo na nossa vida, a nosso única alegria.
Sobre todos vós, a bênção do Deus Todo-poderoso. Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!
Padre Donizete Ferreira
Sacerdote da Comunidade Canção Nova.
HOMILIA DIÁRIA
Exercite, com atenção, suas práticas de piedade e abstinência
“Naquele tempo, os discípulos de João Batista e os fariseus estavam jejuando. Então, vieram dizer a Jesus: ‘Por que os discípulos de João e os discípulos dos fariseus jejuam, e os teus discípulos não jejuam?’ Jesus respondeu: ‘Os convidados de um casamento poderiam, por acaso, fazer jejum, enquanto o noivo está com eles?’.” (Marcos 2,18-19)
Meus irmãos e minhas irmãs, essa temática é bem conhecida de todos nós. A preocupação dos discípulos de João e dos fariseus não é a de praticar o jejum para se tornarem pessoas melhores, mas é o incômodo por quem não está praticando, quem está fazendo de um modo diferente. Desviaram a atenção da prática religiosa tão profunda e eficaz, que é o jejum, para cuidar da vida alheia.
Já me cansei de ser abordado nas confissões pelos “caçadores de pecados”; explico: são pessoas que ficam buscando no Código de Direito Canônico, no Catecismo da Igreja Católica, nos documentos Papais, motivos para se autopunir e para punir os outros. Foram tantas vezes!
Um tema clássico que aparece nessas realidades é o tema do jejum. Por isso é importante aproveitar essa homilia para trazer para vocês aquilo que diz a própria doutrina. Vamos ver no Código, fica no 1249: “Todos os fiéis, cada qual ao seu modo, por lei divina, têm a obrigação de fazer penitência; para que todos se unam entre si em alguma observância comum de penitência. Nesses dias, os fiéis, de modo especial, dediquem-se à oração, exercitem obras de piedade e de caridade, renunciem a si mesmos, cumprindo mais fielmente as próprias obrigações e, sobretudo, observando o jejum e a abstinência”.
Vamos ter muito cuidado com os escrúpulos, a prática pode se tornar uma forma de vaidade e não de piedade
Ou seja, uma norma geral para todos nós, católicos, é que todas as sextas-feiras são penitenciais, são dias de abstinência de carne, mas não somente isso, porque o Código é bem claro: dediquem-se à oração, exercitem obras de piedade, de caridade, e renunciem a si mesmos. Esse é o objetivo de um dia penitencial, esse é o objetivo de se fazer um jejum, de se fazer uma abstinência de carne.
Como eu disse, em regra geral, toda sexta-feira é penitencial, porém — é importante —, para o Brasil, a Igreja permitiu a chamada “comutação”, ou seja, mudar por outra obra de caridade ou piedade a abstinência de carne. Se você não puder fazer a abstinência de carne, você pode comutar, você pode mudar por uma outra obra de piedade ou orações.
Vamos ter muito cuidado com os escrúpulos, a prática pode se tornar uma forma de vaidade e não de piedade. A Via-Sacra, a leitura do Evangelho da Paixão de Jesus, uma visita ao Santuário, são outras obras de piedade que você pode fazer na sua sexta-feira, caso você não possa se abster de carne.
Você está numa festa e será o único diferente que não vai comer carne, porque você está fazendo o seu dia penitencial. Era o dia de se alegrar com a sua família, era o dia de se fazer um com eles, e você poderia exercitar uma outra prática de piedade, além daquilo que você já faz. Não é rezar um terço, não é participar da Santa Missa que você já participa, mas é algo a mais que você pode fazer.
Antes de julgar alguém que não esteja jejuando ou se abstendo de carne, conheça mais sobre o caminho espiritual do seu irmão, foi isso que faltou para esses discípulos de João e para esses fariseus. Eles não conheciam a intimidade que Jesus vivia com os Seus discípulos; e se não conhecemos, não temos direito de julgar.
Vamos fazer as nossas práticas de piedade? Vamos fazer o nosso jejum e a nossa abstinência? Vamos! Para sermos melhores para os nossos irmãos.
Sobre todos vós desça a bênção do Deus Todo-poderoso. Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!
Padre Donizete Ferreira
Padre Donizete Heleno Ferreira é Brasileiro, nasceu no dia 26/09/1980, em Rio Pomba, MG. É Membro da Associação Internacional Privada de Fieis – Comunidade Canção Nova, desde 2003 no modo de compromisso do Núcleo.
Oração Final
Pai Santo, não permitas que o comodismo, a preguiça e o medo nos impeçam de seguir os caminhos novos de Jesus de Nazaré. Ensina-nos a fraternidade, a compaixão e a generosidade para construirmos uma comunidade de irmãos que seja sinal do teu Reino de Amor. Pelo mesmo Cristo Jesus, teu Filho e nosso Irmão, na unidade do Espírito Santo.
ORAÇÃO FINAL
Pai Santo, liberta-nos da obrigação de cumprir regras por elas mesmas, na busca ansiosa de perfeição, mas que cada preceito cumprido seja um passo percorrido conscientemente no seguimento de Jesus, que é o caminho humilde da santidade. Nós Te pedimos pelo mesmo Cristo Jesus, Teu Filho e nosso Irmão, que contigo reina na unidade do Espírito Santo. Amém.
ORAÇÃO FINAL
Pai Santo, não permitas que o comodismo, a preguiça e o medo nos impeçam de seguir os caminhos novos de Jesus de Nazaré. Ensina-nos a fraternidade, a compaixão e a generosidade para construirmos uma comunidade de irmãos que seja sinal do teu Reino de Amor. Pelo mesmo Cristo Jesus, teu Filho e nosso Irmão, na unidade do Espírito Santo.