ANO A
Mc 10,28-31
Comentário do Evangelho
Partilha e abundância para todos
O piedoso homem rico não quis abrir mão de sua riqueza e rejeitou a proposta de Jesus de ingresso na vida eterna (cf. 28 maio). Em contraposição, Marcos apresenta, em seguida, o testemunho de Pedro e dos discípulos que seguiam Jesus, embora vacilantes e sem bem entendê-lo. Jesus não responde diretamente às expectativas de Pedro e dos demais, mas dá uma resposta geral, dirigida a todos que efetivamente deixam tudo para segui-lo. Aquele que partilhar seus bens receberá cem vezes mais, agora, e a vida eterna que transcende o tempo. Nesta partilha dos bens temos uma versão, em termos econômicos, da partilha do pão na montanha, a partir da qual os pães se multiplicaram e houve abundância. Além do mais, o desapego às conservadoras tradições familiares, que reproduzem o sistema social de privilégios e dominação, proporciona o ingresso na grande família daqueles que fazem a vontade de Deus. Contudo, a adesão a Jesus e ao evangelho pode ser motivo da conquista da bem-aventurança da perseguição por causa do Reino.
No novo mundo possível e já em construção, não haverá exploração e miséria, mas sim compaixão, solidariedade, partilha e abundância para todos.
José Raimundo Oliva
Oração
Pai, dá-me a graça de entregar-me totalmente ao serviço do Reino, sem esperar outra recompensa além de saber-me amado por ti.
Comentário do Evangelho
Deixar para se ter a plenitude
Em continuidade com o episódio anterior, temos a impressão de que, no trecho de hoje, a questão da vida eterna continua, agora, na observação de Pedro. Esse diálogo dá a Jesus a possibilidade de afirmar que, deixando tudo, em razão do chamado ao seu seguimento, é que se tem o cêntuplo (v. 30). Deixar para ter a plenitude. “Cem vezes mais” não é uma operação matemática; ela simboliza que no seguimento de Jesus Cristo, e para além do tempo de sua vida terrestre, tudo adquire sentido para o discípulo e tudo ocupa o seu devido lugar. A recompensa do discípulo é o chamado a seguir Jesus e o próprio seguimento, pois ele permite a graça de viver a vida do Senhor. A recompensa não é acerto de contas por algo realizado e merecido. Na vida cristã a recompensa é um dom de Deus. A vida eterna, enquanto dom, é a comunhão com o Pai e o Filho (cf. Jo 17,2-3) no Espírito Santo. Nesse sentido, ela não é um dom exclusivo para a “outra vida”, mas uma graça dada na provisoriedade do tempo para que se possa desejar essa comunhão na eternidade, onde nossa vida será plenamente transfigurada em Cristo.
Carlos Alberto Contieri, sj
Oração
Pai, dá-me a graça de entregar-me totalmente ao serviço do Reino, sem esperar outra recompensa além de saber-me amado por ti.
Comentário do Evangelho
Muitos primeiros serão últimos e os últimos primeiros
Os apóstolos e os discípulos seguem Jesus com a melhor boa vontade, mas não são perfeitos e estão em formação permanente. Vão aprendendo com Jesus e crescendo com ele. São Marcos mostra ao longo do seu Evangelho como o desejo de poder e a vaidade de estar em evidência perturbam e atrapalham os seguidores de Jesus. É preciso sair de si mesmo e buscar novos valores para se identificar com as propostas de Jesus.
Ouvindo Jesus falar das dificuldades que os ricos têm de entrar no Reino de Deus, Pedro imediatamente lembra a Jesus que eles deixaram tudo para segui-lo. Quer saber o que vão receber em recompensa por sua renúncia. O velho homem ainda está em ação, a má inclinação natural impondo-se à boa vontade do apóstolo. Jesus é claro em sua resposta. Quem deixou tudo vai receber no futuro a vida eterna e neste mundo cem vezes mais; porém, diz São Marcos, e somente São Marcos, com perseguições. E mais uma vez Jesus contrapõe os primeiros aos últimos. Pedro tem que aprender, e com ele seus companheiros, a importância do último lugar, onde se vive o seguimento de Jesus de forma desinteressada. A imagem que o povo tinha do Messias que deveria vir era bem diferente daquela que os apóstolos estavam vendo na convivência com Jesus. Não deveria ele ocupar o trono de Davi, seu pai?
Cônego Celso Pedro da Silva,
Fontes: Catequisar e Comece o Dia Feliz em 28/05/2024
Vivendo a Palavra
Pedro ensaiava os primeiros passos no caminho da sua conversão: ele ainda não tinha se libertado do que abandonara para seguir o Mestre, e se lembrava – quem sabe, com saudade? – de ‘tudo’ que deixou. A nossa conversão exige que nos desapeguemos de tudo o que somos e do que temos.
VIVENDO A PALAVRA
O Mestre aprofunda a lição: não basta ‘deixar coisas’… vale mais a motivação: deve ser ‘por causa da Boa Notícia’. A nossa generosidade não deve visar à retribuição, ainda que seja aquela lembrada no próprio texto, mas deve ser motivada pelo Amor gratuito e misericordioso, que nada pede em troca, nem mesmo que seja reconhecido.
Reflexão
Eu posso contribuir para a minha salvação na medida em que eu faço de Deus o centro da minha vida e a causa da minha felicidade, submetendo-me totalmente a ele. Se eu vivo apegado às coisas do mundo, eu vivo em função delas e coloco nelas a minha felicidade, fechando o meu coração à ação divina e a minha vida ao projeto do reino dos céus. Para conseguir o desapego das coisas do mundo, é necessário que a gente procure assumir uma nova hierarquia de valores que faz com que sejamos capazes de desprezar os bens materiais, mas rejeitar os valores do mundo significa sofrer perseguições nesta vida. É preciso renunciar aos valores do mundo para ter a vida em Cristo.
Reflexão
Faz sentido a pergunta de Pedro. Os apóstolos sabem que Jesus é pobre, e eles próprios deixaram para trás tudo o que possuíam. Jesus, então, mostra-lhes um lado novo da sua comunidade: a partilha dos bens entre todos. Nada faltará a ninguém; ao contrário, tudo se multiplica. Não vai faltar tampouco a perseguição (“Se perseguiram a mim, vão perseguir também a vocês”, Jo 15,20). As primeiras comunidades cristãs viveram essa proposta: partiam o pão pelas casas e celebravam a eucaristia. Havia um clima de satisfação geral e acentuado espírito de partilha, de tal modo que “ninguém dizia que eram seus os bens que possuía, mas tudo entre eles era posto em comum” (At 4,32). Tudo pode continuar dando certo, a menos que na comunidade se infiltre o egoísmo e vigore o apego aos bens materiais.
(Dia a dia com o Evangelho 2018 – Pe. Luiz Miguel Duarte, ssp)
Reflexão
Depois do alerta de Jesus a respeito da partilha dos bens, como vimos ontem, Pedro quer saber o que acontece com eles, que deixaram tudo e o seguiram. Sempre que alguém deixa alguma coisa, tem em vista algo melhor em troca. Os discípulos que deixaram tudo encontraram em Jesus e na sua mensagem uma causa e valores superiores. Na vida cristã, o ponto de partida e de chegada é sempre Jesus Cristo e o Evangelho como plenitude humana. Isso é um convite a deixar tudo o que é incompatível com o seguimento a Jesus. Esse seguimento “radical” a Jesus pode trazer incompreensões, perseguições e até a morte, como aconteceu com o próprio Mestre. Jesus procura esclarecer que o “reino do dinheiro” é incompatível com o “Reino de Deus”. A mensagem do Mestre não despreza a família nem os bens necessários a uma vida digna; ao contrário, propõe solidariedade aos desprovidos desses bens.
(Dia a dia com o Evangelho 2022)
Reflexão
Faz sentido a pergunta de Pedro. Os apóstolos sabem que Jesus é pobre, e eles próprios deixaram para trás tudo o que possuíam. Jesus, então, mostra-lhes um lado novo da sua comunidade: a partilha dos bens entre todos. Nada faltará a ninguém; ao contrário, tudo se multiplica. Não vai faltar tampouco a perseguição: “Se perseguiram a mim, vão perseguir também a vocês” (Jo 15,20). As primeiras comunidades cristãs viveram essa proposta: partiam o pão pelas casas e celebravam a Eucaristia. Havia um clima de satisfação geral e acentuado espírito de partilha, de tal modo que “ninguém dizia que eram seus os bens que possuía, mas tudo entre eles era posto em comum” (At 4,32). Tudo pode continuar dando certo, a menos que na comunidade se infiltre o egoísmo e vigore o apego aos bens materiais.
(Dia a dia com o Evangelho 2024)
Reflexão
«Todo aquele que deixa casa, por causa de mim e do Evangelho, recebe cem vezes mais agora, durante esta vida ,e, no mundo futuro, vida eterna»
Rev. D. Jordi SOTORRA i Garriga
(Sabadell, Barcelona, Espanha)
Hoje, como aquele amo que ia todas as manhãs à praça procurar trabalhadores para a sua vinha, o Senhor procura discípulos, seguidores, amigos. A sua chamada é universal. É uma oferta fascinante! O Senhor dá-nos confiança. Mas põe uma condição para ser seus discípulos, condição essa que nos pode desanimar: temos que deixar «casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos e campos, por causa de mim e do evangelho» (Mc 10,29).
Não há contrapartida? Não haverá recompensa? Isto aporta algum benefício? Pedro, em nome dos Apóstolos, recorda ao Maestro: «Nós deixamos tudo e te seguimos» (Mc 10,28), como querendo dizer: que ganharemos com tudo isto?
A promessa do Senhor é generosa: «recebe cem vezes mais agora, durante esta vida (…); e, no mundo futuro, vida eterna» (Mc 10,30). Ele não se deixa ganhar em generosidade. Mas acrescenta: «com perseguições». Jesus é realista e não quer enganar. Ser seu discípulo, se o formos de verdade, nos trarão dificuldades, problemas. Mas Jesus considera as perseguições e as dificuldades como um prêmio, pois nos fazem crescer, se as soubermos aceitar e vive-las como uma ocasião para ganhar maturidade e responsabilidade. Tudo aquilo que é motivo de sacrifício assemelha-nos a Jesus Cristo que nos salva pela sua morte em Cruz.
Estamos sempre a tempo para revisar a nossa vida e aproximar-nos mais de Jesus Cristo. Estes tempos, todo o tempo permitem-nos —através da oração e dos sacramentos— averiguar se entre os discípulos que Ele procura estamos nós, e veremos também qual deve ser a nossa resposta a esta chamada. Ao lado de respostas radicais (como a dos Apóstolos) há outras. Para muitos, «deixar casa, irmãos, irmãs, mãe…» significará deixar tudo aquilo que nos impeça de viver em profundidade a amizade de Jesus Cristo e, como consequência, ser-lhe seus testemunhos perante o mundo. E isso é urgente, não achas?
Pensamentos para o Evangelho de hoje
- «‘Bem, eu vos garanto que não há ninguém...’. Isso não significa que abandonemos aos nossos pais, deixando-os sem ajuda, ou que nos separemos das nossas esposas, mas antes que prefiramos a honra de Deus a tudo o que é perecível» (Santa Beda, o Venerável)
- «Não há dúvida de que as formas concretas de seguir a Cristo estão graduadas por Ele próprio segundo as condições, as possibilidades, as missões, os carismas das pessoas e dos grupos» (São João Paulo II)
- «Porque são membros do Corpo cuja cabeça é Cristo (cf. Ef 1,22), os cristãos contribuem, pela constância das suas convicções e dos seus costumes, para a edificação da Igreja. A Igreja cresce, aumenta e desenvolve-se pela santidade dos seus fiéis, ‘até ao estado do homem perfeito, à medida da estatura de Cristo na sua plenitude’ (Ef 4, 13)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 2.045)
Reflexão
A chamada de Deus e a entrega do homem (a vocação cristã)
REDAÇÃO evangeli.net (elaborado com base nos textos de Bento XVI)
(Città del Vaticano, Vaticano)
Hoje consideramos que a salvação precisa se abrir com fé à graça de Cristo, o qual, porém, põe uma condição exigente: «Vem e segue-me» (Mc 10,21). Os santos tiveram a humildade e a valentia de lhe responder ”sim” e renunciaram a tudo para serem seus amigos. Seu único tesouro está no céu. Deus.
Compreender isto é fruto da sabedoria, mais valiosa que a prata e o ouro É o dom que vem de Deus e se obtém com a oração. Esta sabedoria não permaneceu longe do homem, se aproximou ao seu coração tomando forma na Lei da primeira Aliança selada entre Deus e Israel. Esta Lei a deu Moises: É necessária, mas não suficiente..., porque a salvação —a santidade— vem da graça por meio de Jesus Cristo.
—Pedro e os demais Apóstolos e, inumeráveis amigos de Deus, percorreram este itinerário evangélico, que é exigente, mas calma o coração e, receberam “cem vezes mais...” porque para Deus não há impossíveis.
Fonte: Evangeli - Evangelho Master - Feria em 28/05/2024
Recadinho
Pedro era muito prático! Queria logo saber o que ganhariam com terem deixado tudo para seguir o Mestre! E Jesus, como sempre, mostra-se muito generoso. Quem se habilita a, como Pedro e muitos outros, ser o último agora, em troca de ser o primeiro no Reino de Deus?! - Deus nos criou para servir. Não temos outra opção. Como é minha vida de serviço? - Procuro controlar minha vida para que não me apegue demais às coisas passageiras deste mundo? - O que de mais relevante faço por meu próximo? - Quais são meus próximos mais próximos?
Padre Geraldo Rodrigues, C.Ss.R
Meditação
As palavras de Pedro nos trazem certa preocupação, pois parece que há um interesse compensador: “Eis que deixamos tudo e te seguimos”. Como se fosse muito grande nossa generosidade, como se estivéssemos deixando grandes coisas por Cristo. Todos somos chamados a colocá-lo em primeiro lugar em nossa vida; exige que por Ele deixemos tudo. Se o fazemos, não perdemos nada: ganhamos tudo quanto paga a pena ganhar; ganhamos a vida. É preciso compreender, de fato, o que é o seguimento de Cristo.
Oração
Fazei, Senhor, que os acontecimentos deste mundo decorram na paz que desejais, e vossa Igreja vos possa servir alegre e tranquila. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Fonte: a12 - Reze no Santuário - Deus Conosco em 28/05/2024
Comentário sobre o Evangelho
Deixar tudo para seguir Jesus tem recompensa nesta vida e na próxima
Hoje, Simão Pedro faz uma pergunta a Jesus quanto ao seu futuro, uma vez que tinha deixado tudo para O seguir. Deus precisa de pessoas que deixam tudo para servir os outros.
- A resposta de Jesus Cristo parece exagerada. Mas não é! Passaram vinte séculos: quantos irmãos, irmãs, “filhos e filhas” tem S. Pedro agora? Quantos tesouros de amor? Incontáveis!
Meditando o evangelho
SEGUIMENTO GRATUITO
A preocupação de Pedro e dos outros discípulos com a recompensa que haveriam de receber, por serem seguidores de Jesus, tem sua razão de ser. Eles haviam deixado para trás família, profissão, projetos pessoais, para seguir o chamado do Mestre. Quem haveria de garantir-lhes o sustento? Qual seria o futuro deles, já que não estava em jogo o recebimento de benefícios financeiros? A pobreza de Jesus não lhes permitia nutrir ilusões. Ele não podia dar o que não tinha. Segui-lo significava tornar-se pobre como ele.
A resposta de Jesus é compreensível à luz da experiência das primeiras comunidades cristãs. Estas conseguiram libertar-se do que possuíam, e se dispuseram a colocar tudo em comum, realizando uma efetiva comunhão de bens e de relações interpessoais. Por isso, quem aderia ao Senhor, mesmo desfazendo-se de seus bens, não corria o risco de ver-se na indigência. A própria comunidade viria em socorro de suas necessidades.
Em decorrência disto, quem se tornava discípulo, mesmo tendo deixado tudo, receberia, já neste mundo, o cêntuplo como recompensa, participaria dos bens comuns, e teria sempre alguém para acudi-lo, quando necessário.
O seguimento gratuito acaba sendo recompensado. Não segundo os esquemas mundanos de acumulação de bens, mas conforme o esquema de partilha, característico do Reino.
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado no Portal Dom Total)
Oração
Espírito de gratuidade, que eu saiba reconhecer, nos bens partilhados comigo pelos irmãos e irmãs de fé, a recompensa que o Senhor preparou para mim.
Meditando o evangelho
A RECOMPENSA PROMETIDA
Os discípulos não se contentaram de seguir Jesus na gratuidade, uma vez que lhe apresentaram a questão da recompensa por tê-lo seguido. Pensando bem, eles tinham razão. Para seguir Jesus, tiveram de romper com os laços familiares, abandonar as atividades profissionais, deixar para trás suas propriedades e pôr-se à disposição do Mestre. Era justo desejar saber, de antemão, o que receberiam em troca.
Jesus não descarta a questão, mas responde de maneira enigmática. O discípulo, já nesta vida, receberá o cêntuplo de quanto renunciou e, no futuro, a vida eterna. Esta resposta deve ser interpretada não a partir de uma visão puramente materialista e, sim, a partir das nova relações propiciadas pela opção do discípulo. O Reino estabelece vínculos consistentes de comunhão entre seus membros, formando uma grande família onde todos se sentem irmãos, irmãos, mães, pais, filhos e filhas. Ninguém se apega a seus bens a ponto de se tornar insensível à carência dos outros. A solidariedade é um imperativo do Reino. Por conseguinte, a ruptura exigida pelo Reino não deveria deixar o discípulo na insegurança.
A recompensa terrena prometida por Jesus chega em meio a perseguições e dificuldades. O discípulo, neste caso, dá-se conta de que o cêntuplo terreno ainda não é o bem definitivo a ser almejado. O Pai lhe reserva a vida eterna.
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado no Portal Dom Total)
Oração
Senhor Jesus, possa eu experimentar, na solidariedade dos irmãos e irmãs, o cêntuplo reservado para mim, sem perder de vista a vida eterna.
Meditando o evangelho
NÓS DEIXAMOS TUDO!
A opção pelo discipulado exigiu dos discípulos deixarem tudo para seguir Jesus. O gesto deles deveu-se tanto ao amor por Jesus quanto ao amor pelo Evangelho. Em suma, ao amor pelo Reino de Deus. Este amor despontou com tal força na vida dos seguidores do Mestre, que os levou a relativizar os laços familiares e afetivos, bem como seus projetos profissionais e todos os demais planos.
É compreensível a preocupação dos discípulos com seu futuro, subentendida nas palavras de Pedro. Que recompensa poderiam esperar como resultado de seu gesto de desapego? Estariam fadados a viver na penúria e na indigência? Que esperança poderiam cultivar, posto que o Reino exigiria deles sempre contínuas renúncias?
A resposta de Jesus, embora clara, requeria dos discípulos uma grande dose de discernimento para perceberem de que modo a promessa do Mestre fazia-se verdadeira. Ele falava em recompensa centuplicada, correspondente a tudo quanto fora deixado para trás: familiares e propriedades. E, como coroamento de tudo, a vida eterna. Tudo isto, em meio a perseguições e dificuldades.
A recompensa prometida, neste mundo e no outro, seria puramente espiritual? As palavras de Jesus referiam-se à recompensa material? Estaria o Mestre iludindo seus discípulos? Foram questionamentos que passaram pelas mentes dos discípulos. Só o tempo iria revelar o verdadeiro sentido das palavras do Mestre.
(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês)
Oração
Pai, dá-me a graça de entregar-me totalmente ao serviço do Reino, sem esperar outra recompensa além de saber-me amado por ti.
COMENTÁRIO DO EVANGELHO
1. "Fazer, esperando uma recompensa..."
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Diácono José da Cruz - Diácono da Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP)
Este evangelho é sequência do anterior, meditado ontem, Jesus nem tinha acabado de falar e o apóstolo Pedro, todo garboso, achando que ele e o grupo de discípulos eram bem melhores do que o homem rico, que foi embora de cabeça baixa, disse a Jesus "Eis que deixamos tudo e te seguimos...", e em seguida a pergunta que com certeza ele fez ou deixou no ar "Vamos ganhar o que?".
Na parábola dos empregados convidados para trabalharem na Vinha, aqueles primeiros que madrugaram receberam uma moeda de ouro, e imaginavam que os últimos que começaram as cinco da tarde, receberiam um valor menor. O Filho mais velho, na Parábola do Filho Pródigo, irritou-se e encheu-se de ódio contra o Pai, porque ele dava uma recompensa a quem não merecia, referindo-se a festa e ao boi gordo abatido para o churrasco na recepção do Filho mais novo, que tinha partido um dia dissipando os seus bens em uma vida devassa.
Embora o Judaísmo não influencie mais a vida dos cristãos da Pós-Modernidade, mas a questão da recompensa ainda existe, nos impedindo de amar gratuitamente e incondicionalmente as pessoas. Nas Famílias, mesmo nas cristãs bem constituídas, ainda se premia o filho ou a filha mais comportado, mais estudioso, mais trabalhador. Na sociedade, as pessoas boas sempre são lembradas pelos nossos políticos, ainda em vida, ou virando nome de rua depois de mortas. Quando alguém de uma vida Santa consegue um ótimo emprego, ou algum prêmio que vai mudar sua vida, tipo ganhar na Mega Sena acumuldada, na própria comunidade irão dizer "Deus te abençoou, porque você merece..." E por fim, temos a Teologia da Retribuição e Prosperidade, que lotam templos enriquecendo pastores mal intencionados, tudo para prosperar e ser bem sucedido nesta vida.
Lembro dos meus tempos de catequese lá nos anos sessenta, onde aprendíamos a ser bons para poder ir para o céu, e quando aprontávamos alguma, em casa ou na catequese, alguém nos alertava " Olha, desse jeito você não vai para o céu". Será que hoje em nossas comunidades muita gente não pensa assim? E pode acontecer ainda pior, alguém ser bom para que nenhum mal lhe aconteça... Essa conduta e modo de pensar estão muito longe de SER CRISTÃO de verdade.
Jesus garante que a renúncia e o desapego a tudo nesta vida, para ficar com ele e se tornar um discípulo, não ficará sem recompensa, de fato, as alegrias que se sente, quando se ama e se doa gratuitamente é algo fantástico, mas que porém pode se tornar frustrante, quando esperamos algum retorno, algum elogio, algum confete, quando queremos uma boa alisada em nosso ego, por conta de sermos bons...
Termino com uma bela oração do Século XVI "Meu Deus, não é o céu que prometestes que me leva a querer-te, também não é o inferno tão temido que me leva a deixar de te ofender... Somente o teu amor leva-me a agir, e de tal modo, que mesmo que não houvesse o céu eu te amaria, e mesmo que não houvesse o inferno eu te temeria. Nada o Senhor tem que me dar para que eu o ame, pois ainda que não esperasse o que espero, eu te amaria do mesmo modo como eu te amo".
HOMILIA DIÁRIA
Seguir Jesus é o caminho certo para a construção do mundo novo
Postado por: homilia
maio 29th, 2012
No texto do Evangelho de hoje, quero crer que, nas palavras de Pedro, não só estavam as dos outros apóstolos como também estão as nossas. Essas são as palavras de todos nós quando nos despimos dos nossos orgulhos, vaidades e soberbas. Assim como Pedro, no Evangelho, tomava decisões em nome da comunidade dos apóstolos, também ele continua, nos dias de hoje, falando a nós e nos representando.
É necessário que façamos a mesma escolha de Pedro, ou seja, abandonar o apego ao bem privado e gozar do bem partilhado, comunitário. Aliás, a partilha, o abandonar-se a si mesmo e o tomar a cruz, todos os dias, para seguir Jesus é o caminho certo para a construção do mundo novo de justiça e paz.
Cristo nos chama para nos justificar sem cessar; cada vez mais, Ele quer nos santificar e nos glorificar. Veja o que Ele diz: “aquele que, por causa de mim e do Evangelho, deixar casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos ou terras receberá muito mais ainda nesta vida. Receberá cem vezes mais casas, irmãos, irmãs, mães, filhos, terras e também perseguições”.
Devemos compreendê-Lo, mas somos lentos ao nos dar conta dessa grande verdade: Cristo caminha, de alguma forma, no meio de nós e, com Sua mão, Seus olhos e Sua voz, Ele nos faz sinal para que O sigamos. Não percebemos que o Seu apelo é qualquer coisa que tenha lugar neste mesmo momento.
O chamado do Senhor é atualíssimo e nos propõe a vida em plenitude. Ele é a concretização de uma nova criação e de uma paz total dos homens entre si e com Deus.
Padre Bantu Mendonça
HOMILIA DIÁRIA
Que Deus nos ensine a viver a espiritualidade do desprendimento
Não é uma decisão egoísta, muito pelo contrário, é uma decisão oblativa saber doar a vida por uma causa.
”Em verdade vos digo, quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e do Evangelho, receberá cem vezes mais agora, durante esta vida — casa, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições — e, no mundo futuro, a vida eterna.” (Marcos 10, 29-31)
Continuando o ensinamento de Jesus sobre o discipulado, a maneira de segui-Lo, de se tornar discípulo d’Ele, o Senhor hoje nos ensina, de forma mais aprofundada, como viver o desapego. Porque não se trata somente de apego a coisas materiais, mas também de desapego das pessoas que amamos e queremos bem.
Existem homens e mulheres que decidiram entregar suas vidas por inteiro, a vida inteira no seguimento de Jesus Cristo. Eles sacrificam a sua vida por causa do Evangelho, mas este sacrifício é para ter mais liberdade e disponibilidade para servir ao nosso Deus. Não é uma decisão egoísta, muito pelo contrário, é uma decisão oblativa saber doar a vida por uma causa. São discípulos e discípulos que vivem uma vida totalmente entregue ao serviço do Reino de Deus.
Que Deus suscite esse desejo, essa vontade, esse apelo no coração de muitos jovens, homens e mulheres, para viverem realmente uma vida de doação plena ao Reino de Deus. Mas, mesmo que você não vá para um seminário, para um convento, para uma comunidade ou qualquer lugar como esse, em uma vida mais entregue ao Reino de Deus, saiba que essa espiritualidade [do desapego e doação] é para ser vivida por todos os discípulos de Jesus.
Em nossa casa, em nossa realidade, porque na vida todos nós passamos por momentos assim: ora vamos ter muito, ora não vamos ter nada, mas isso não pode tirar a paz do nosso coração. Ora nós temos aqueles que amamos bem perto de nós, ora eles vão estar distantes de nós pelas circunstâncias da vida, devido ao trabalho e a diversas situações. Muitas vezes, isso vai acontecer até pela dureza e dor: a morte que leva um dos nossos. O casamento dura a vida toda, mas alguém vai morrer primeiro. Às vezes, os filhos perdem seus pais, ou os pais perdem os filhos; o que você não pode é perder a vida por causa disso.
Confiando a Deus tudo o que nós temos: os bens, a vida que levamos, mas até os nossos que estão ao nosso lado pertencem a Deus, na hora que um for tirado, levado, for participar do Reino de Deus primeiro que nós, ou precisar se mudar ou viajar, que nós não percamos o sentido da vida nem a direção porque alguém foi viver longe de nós.
Que Deus nos ensine a viver a espiritualidade do desprendimento, porque a vida inteira é um constante se desprender e o último desprendimento é a morte, com a qual já não levamos mais nada e vamos inteiros para ser de Deus!
Que Ele nos abençoe!
HOMILIA DIÁRIA
Busquemos nossa santidade
Santidade é, acima de tudo, ter uma vida íntegra, honesta e correta com a graça que recebemos de Deus
“Pois está na Escritura: ‘Sede santos, porque eu sou santo’.” (1Pd 1,16)
Na mentalidade de alguns, santidade é privilégio para poucos, porém, na mentalidade do Reino de Deus, santidade é compromisso para todos, é responsabilidade com a nossa vocação batismal. O Espírito que nos batizou é santo e nos santifica; desse modo, não é nenhum luxo, mas uma obrigação buscarmos a santidade em tudo aquilo que fizermos.
O que é a santidade? Acima de tudo, é ter uma vida íntegra, honesta e correta com a graça que recebemos de Deus. O que nos torna santos não é a quantidade de orações que fazemos nem de Missa que frequentamos. O que nos torna santos é usarmos os instrumentos que o Senhor nos dá, a oração, a Sua Palavra, para sermos melhores, para que as pessoas que conhecem a nossa vida vejam por meio dela a graça de Deus.
A santidade consiste em praticar as virtudes evangélicas da honestidade e bondade, de sermos pessoas boas e, de fato, virtuosas. A santidade consiste na luta interior de mudarmos os nossos hábitos e nossas atitudes.
A graça de Deus nos resgatou de uma vida velha, muitas vezes, manchada pelos pecados, por uma vida desregrada e desgarrada da graça de Deus, de não voltarmos à vida errada que possamos ter vivido em algum momento de nossa vida.
Santidade é combate interior, é luta de alma, é reconhecer que temos fraquezas, limites com a graça de Deus e com nossa disposição nos moldarmos a cada dia para vivermos em nós a imagem de Deus.
Santidade é compromisso de amor, é amar a si mesmo, querer bem a si mesmo, cuidar da saúde, do corpo, da disciplina interior; contudo, santidade é amar o próximo, é ter a graça de saber perdoar, superar o rancor, o ressentimento e as contrariedades que a vida nos impõe.
Santidade não é privilégio, mas obrigação! Que Deus nos dê a graça de lutarmos pela nossa santidade de cada dia.
Padre Roger Araújo
HOMILIA DIÁRIA
Deixemo-nos santificar pela presença de Deus
Deixemo-nos santificar por Deus e que a presença d’Ele santifique tudo aquilo que nós realizamos
“Antes, como é santo Aquele que vos chamou, tornai-vos santos, também vós, em todo o vosso proceder. Pois está na Escritura: ‘Sede santos, porque Eu sou santo’.” (1Pd 1, 15)
O Senhor Nosso Deus é santo e não deseja que sejamos menos do que isso, Ele deseja que, também, sejamos santos. A santidade, infelizmente, tornou-se algo ridicularizado, desprezado e concedido apenas a uma casta privilegiada, aqueles que habitam no Céu e que nós os invocamos: os santos da nossa devoção e predileção.
É um engano, uma visão distorcida, pois a santidade é uma obrigação de todos, é um privilégio de nos aproximar de Deus. Vamos nos santificando cada vez mais e levando a vida em Deus.
A santidade não é outra coisa a não ser tornar nossa vida humana digna, justa, honesta e, acima de tudo, uma vida no Espírito. Entretanto, não podemos nos iludir, achar que a vida no Espírito é a vida daquela pessoa que reza o tempo inteiro, sem parar.
A vida no Espírito Santo é fazer todas as coisas na presença do Senhor sem ignorá-Lo em nada do que realizamos. Podemos nos enganar e achar que estamos diante do Senhor quando estamos na Igreja, quando vamos rezar, e lá ganhamos uma carga de santidade e voltamos para viver de qualquer jeito.
É óbvio que, o momento é santificante e especial, é hora de estarmos orantes diante da presença do Senhor, porque Deus, por via da oração, nos santifica, renova e fortalece a nossa disposição interior, mas santidade se faz na vida, se faz vivendo. Se faz com a mãe que carrega o filho no colo, que cuida das enfermidades, das suas obrigações de mãe e esposa. A santidade se faz no homem que leva a sério o casamento, o seu trabalho e as suas responsabilidades.
A santidade não é para ser vivida somente no âmbito daqueles que estão na Igreja rezando, porque, muitas vezes, o excesso das orações pode ser uma fuga da vida presente. E, não se foge da vida presente, dos compromissos e das responsabilidades, pois assim, não nos santificamos e nem santificamos o mundo em que vivemos.
A santidade se faz no dia a dia, por vezes caindo, porém levantando; deixando Deus iluminar-nos, guiar-nos e conduzir-nos, porque Ele nos santifica. Deixemo-nos santificar por Deus e, que a presença d’Ele, santifique tudo aquilo que nós realizamos.
Deus abençoe você!
Padre Roger Araújo
HOMILIA DIÁRIA
Aprenda a valorizar as suas coisas cem vez mais
“Naquele tempo, Pedro começou a dizer a Jesus: ‘Eis que nós deixamos tudo e te seguimos’. Respondeu Jesus: ‘Em verdade vos digo, quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e do Evangelho, receberá cem vezes mais agora, durante esta vida — casa, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições — e, no mundo futuro, a vida eterna.” (Marcos 10,28-30)
Parece que estamos escutando o filho mais velho da parábola do filho pródigo que procura sempre “monetizar” — uma palavra muito atual —, monetizar a relação dele com o pai, aquela velha lógica da meritocracia: “Eu mereço!”, “Eu tenho direito, pois nós deixamos tudo para te seguir”, “O que nós vamos ganhar?”, a lógica de comercializar a relação com Deus. É triste quando o nosso coração se deixa corromper por isso.
E nós imaginamos que o que fazemos, que a nossa vida espiritual, por exemplo, seja realmente o nosso lado dessa comercialização entre nós e Deus. Não é isso! Tudo o que nós vivemos é graça de Deus, tudo o que nós recebemos é graça de Deus.
Olha, essa lógica pode se manifestar em muitos momentos da nossa vida e você vai detectar isso. Quando nos falta o chão da maturidade de fé, muitas vezes, nós dizemos no rosto de Deus: “Como você permitiu isso?”, “Por que comigo, Senhor?”; “Por que eu faço tanta coisa por você e você permitiu que acontecesse isso? Eu que rezo tanto, eu que faço as minhas novenas, eu que faço comunhão diária, eu que todos os dias escuto a homilia do padre, foi acontecer justamente comigo”. Então, entendemos que o nosso coração precisa sair dessa lógica, essa lógica da meritocracia, essa lógica de nos arrogar o direito de receber um favor de Deus.
A coisa boa é que Jesus não se escandaliza disso, isso é maravilhoso! Porque Jesus não se assusta com a nossa humanidade, mesmo quando nessa humanidade se revelam aspectos tão medíocres de nós. Pense na coisa mais absurda que você já teve na sua cabeça, que já passou na sua cabeça, nas suas ideias; nas coisas mais absurdas, Jesus amou a sua humanidade, Jesus amou essa miséria, Jesus amou a sua fraqueza.
Cristo nos dá cem vezes mais o amor pelas coisas simples da nossa vida
Jesus responde: “Aqueles que deixaram, vão receber cem vezes mais”, e aparece aqui o elenco das coisas, mostrando que o cristianismo não é um apego ao sacrifício doentio: deixar casa, irmão, irmãs, pai, mãe, campos. Mas abandonar tudo o que se ama ou quem se ama, não quer dizer desprezar. O “abandonar” aqui, o “deixar”, quer dizer que foi sublimado uma coisa diferente, você abriu mão de ter a presença dessas pessoas ou dessas realidades para estar na companhia de Cristo, mas essas coisas são boas.
Cristo nos devolve tudo isso com um gosto novo, por isso, Ele diz: “Vocês que deixaram tudo isso vão receber cem vezes mais”, ou seja, tudo o que nós deixamos vai ter agora um gosto novo, um sabor novo. Cristo nos dá cem vezes mais o amor pelas coisas simples da nossa vida, por tudo que faz parte da nossa vida.
Certamente, você que deixou algo por causa de Jesus, você vai amar ainda mais a sua família, você vai amar ainda mais os seus amigos, você vai amar ainda mais a riqueza da sua vida, porque, por causa de Jesus, aprendemos a dar valor as coisas cem vezes mais.
Não se pode viver no além, mas nós temos que viver no agora, por isso, Jesus diz: “Durante essa vida”. É agora que nós podemos já tocar nessa plenitude, mas um detalhe: com perseguições; a do interior é a pior delas, porque não podemos ser inimigos de nós mesmos, não podemos viver a vida com tanta rigidez. Um pouco de leveza para sermos mais felizes e fazer os outros felizes, vai muito bem. Então, deixemos que só a perseguição exterior aconteça. Que o nosso testemunho de Cristo possa nos ajudar nessa caminhada!
Sobre todos vós, a bênção do Deus Todo-poderoso. Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!
HOMILIA DIÁRIA
Servir a Deus é uma escolha que traz cem vezes mais felicidade
Naquele tempo, começou Pedro a dizer a Jesus: “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos”. Respondeu Jesus: “Em verdade vos digo: Quem tiver deixado casa, irmãos, irmã, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e do Evangelho, receberá cem vezes mais agora, durante essa vida, casa, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições, e no mundo futuro, a vida eterna”. (Mc 10,28-31)
Meus irmãos e minhas irmãs, a pergunta de Pedro nos remete diretamente àquele filho mais velho que queria monetizar a sua relação filial com o pai. Quantas vezes nós também agimos assim? Nós monetizamos, é uma linguagem muito atual, né? Ou seja, nós avaliamos o que nós podemos obter fazendo coisas para Deus. Nós buscamos uma paga pelo nosso discipulado.
Basta um momento de tribulação para jogar no rosto de Deus afirmações do tipo: “Eu rezo tanto, eu faço tudo certinho, eu vou à missa sempre. Por que isso comigo?”. Comportamento de quem está pedindo o acerto de contas com Deus. Precisamos rever isso dentro de nós, porque, muitas vezes, essas realidades se escondem dentro das nossas intenções.
Deixar tudo para seguir Jesus
Jesus aceita a pergunta de Pedro porque quer dar a ele e também a nós a certeza do que acontece com aquele que quer servir a Deus. Ganha-se cem vezes o gosto pela vida, por tudo aquilo que ela já nos deu de presente, mesmo que sejam coisas muito simples, mesmo que sejam poucas coisas.
A prosperidade de Deus não é aumentar a sua conta bancária, não é aumentar o seu patrimônio, o seu salário, mas é fazê-lo descobrir que, no pouco que você tem, já existe tudo aquilo que você precisa para ser feliz. Esse é o segredo. Quanto menos se tem, menos tribulações, menos problemas na hora de morrer.
Nós já vimos muitas famílias se dividirem junto com os bens que foram deixados em herança, mas que serviram depois para litígios, para desavenças entre irmãos. Deus nunca abomina os bens materiais. Os bens são uma bênção de Deus, e nós devemos afirmar isso. Ele, no entanto, abomina o apego às coisas materiais e, pior ainda, a cegueira à necessidade dos outros, porque tendo muito, nós fechamos os olhos para aqueles que passam necessidade. Que o Senhor converta o nosso coração.
Sobre todos vós desça a bênção do Deus todo-poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!
Padre Donizete Heleno Ferreira
Padre Donizete Heleno Ferreira é Brasileiro, nasceu no dia 26/09/1980, em Rio Pomba, MG. É Membro da Associação Internacional Privada de Fieis – Comunidade Canção Nova, desde 2003 no modo de compromisso do Núcleo.
Oração Final
Pai Santo, dirige nossa existência no caminho de tua santidade. Faze-nos filhos dóceis, alegres e agradecidos, irmãos generosos da humanidade e discípulos missionários da Igreja do Cristo Jesus, teu Filho que se fez nosso Irmão, e contigo reina na unidade do Espírito Santo.
ORAÇÃO FINAL
Pai Santo, dá-nos a coragem que deste a Pedro e aos Apóstolos: eles deixaram tudo pelo teu Reino de Amor. Que jamais nos descuidemos dos pequeninos que caminham ao nosso lado nesta viagem que fazemos de volta para o Lar Paterno, buscando seguir o Cristo Jesus, teu Filho que se fez nosso Irmão e contigo reina na unidade do Espírito Santo.