domingo, 14 de junho de 2026

COLETÂNEA DE HOMÍLIAS DIÁRIAS, COMENTÁRIOS E REFLEXÕES DO EVANGELHO DO DIA, DE ANOS ANTERIORES - 15/06/2026

ANO A


Mt 5,38-42

Comentário do Evangelho

Rompendo com a cadeia de violência

Na sequência da fala de Jesus, no Sermão da Montanha, Mateus insere uma série de seis antíteses, contrapondo o ensinamento de Jesus à doutrina tradicional dos escribas e fariseus. "Ouvistes o que foi dito... Eu, porém, vos digo...". Jesus vem revelar que qualquer doutrina ou lei só tem valor na medida em que contribua para a libertação e a promoção da vida.
No evangelho de hoje temos a quinta antítese. A lei do talião era a expressão do culto ao espírito vingativo e cruel, com a perpetuação da violência: a vingança exige "vida por vida, olho por olho, dente por dente, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe" (Ex 21,23-25)!
Jesus remove o mau espírito de vingança pela prática da bem-aventurança da mansidão. A contraposição à lei do talião é expressa, no evangelho, através de uma ênfase literária simbólica, "oferecer a outra face... dar também o manto... caminhar dois quilômetros...", o que significa: renunciar absolutamente a reagir à violência pela violência. Contudo, aquele que sofre a violência não deve se intimidar, e é até conveniente questionar o agente da violência, em vista de corrigi-lo, inclinando-o à conversão.
Rompendo com a cadeia de violência, o discípulo deve aplicar-se ao amor sem limites, na construção da paz.
José Raimundo Oliva
Oração
Pai, predispõe-me a amar meus inimigos e perseguidores. Só assim estarei dando testemunho do amor que devotas a cada ser humano.
Fonte: Paulinas em 18/06/2012

Comentário do Evangelho

Não pagar o mal com o mal.

Nós encontramos referência à lei do talião em vários textos do Antigo Testamento (Ex 21,24; Lv 24,20; Dt 19,21). Do latim, talis é traduzido em português por “tal”. Trata-se, grosso modo, da reparação exigida de alguém que cometeu um delito e que devia ser proporcional ao mal que ele causou a outro. A finalidade de tal lei era conter a vingança e a violência, ao contrário do proposto por Lamec (cf. Gn 4,23-24). Essa quinta antítese visa à superação da lei do talião e explicita a bem-aventurança da misericórdia (Mt 5,7), a exigência cristã do perdão e da reconciliação e a paz que precisa ser construída com o esforço de todos (cf. Mt 5,9). A expressão “não resistir ao malvado” é ambígua e, por isso, deve ser bem compreendida. Em primeiro lugar, é fundamental a consciência de que é o mal que tem de ser extirpado e a ele não se pode ceder; a pessoa, é necessário salvá-la. Em segundo lugar, a afirmação de Jesus prescreve não pagar o mal com o mal, não pagar com a mesma moeda, não responder à violência com a violência. Para o cristão, é preciso considerar como Deus nos trata para poder superar qualquer impulso à violência, à vingança ou ao revanchismo: Deus não nos trata segundo nossas faltas. A todos, indistintamente, Ele oferece o seu perdão e o seu amor.
Carlos Alberto Contieri, sj
Oração
Pai, não permitas que a violência tome conta do meu coração; antes, torna-me capaz de responder, com gestos de amor, a quem me faz o mal.
Fonte: Paulinas em 16/06/2014

Comentário do Evangelho

Olho por olho e dente por dente!

A Lei do Talião, que se lê no livro do Êxodo, diz: “Se homens brigarem e houver dano grave, então dará vida por vida, olho por olho, dente por dente, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe”. Esta Lei prevê uma punição proporcional ao dano causado e um limite à vingança. No livro dos Números, o homicida é réu de morte, e o vingador do sangue, o go’el, deverá matar o homicida, quando o encontrar.
A lei é positiva enquanto evita que se desencadeie um mecanismo de vingança sem fim. A interpretação de Jesus também quer desmontar o mecanismo de vingança por algum mal sofrido. Jesus propõe que se introduza algo novo, diferente do que já foi feito. Se eu devolvo o tapa que recebi com outro tapa, não há nada de novo na minha reação. A novidade está no ato contrário e gratuito: oferecer a outra face. Assim desmonto o mecanismo de vingança e de violência. O Levítico também dizia: “Não te vingarás nem guardarás rancor dos teus concidadãos.
Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. No entanto, “concidadãos” e “próximo” às vezes eram interpretados de forma restrita. São eles os de minha raça, povo, religião; os outros podem ser maltratados. Aqui temos um exemplo de que a interpretação de Jesus devolve ao mandamento seu significado original. Eu sou o próximo de quem precisa de mim.
Cônego Celso Pedro da Silva,
Fontes: Catequisar e Comece o Dia Feliz em 17/06/2024

Vivendo a Palavra

Jesus ensina a mais bela lição: o Amor radical, que não reivindica direitos, retribuições, nem mesmo que seja reconhecido. Amor que se realiza nos gestos generosos, na gratuidade, na compaixão, no cuidado com o irmão, especialmente com os discriminados, os rejeitados pelos homens.
Fonte: Arquidiocese BH em 18/06/2012

Vivendo a Palavra

A Lei de Talião, que limitava a vingança à dimensão da ofensa recebida – olho por olho... – é substituída pelo perdão total e incondicional pelo Mestre da Galileia. Esta é a prova definitiva proposta ao discípulo do Cristo: aceitar com amor e sem nenhum desejo de vingança o mal praticado pelo próximo. O perdão incondicional e amoroso é próprio do discípulo do Caminho.
Fonte: Arquidiocese BH em 13/06/2016

VIVENDO A PALAVRA

Jesus ensina a mais bela lição: o Amor radical, que não reivindica direitos, retribuições, nem mesmo que seja reconhecido. Amor que se realiza nos gestos generosos, na gratuidade, na compaixão, no cuidado com o irmão, especialmente com o empobrecido, o discriminado, o rejeitado pelos homens.
Fonte: Arquidiocese BH em 18/06/2018

VIVENDO A PALAVRA

Pela lei do talião (Ex 21,23-25) o criminoso devia ser punido, mas impunha um limite: a mesma medida do dano causado. Já era um avanço frente à barbárie que reinava até então. Entretanto, para Jesus, este limite imposto à ‘retaliação’ era muito pouco. E Ele decreta a Lei do Amor sem limites, sem restrições: ofereça a outra face, entregue também o manto, partilhe tudo! Seja generoso como é generoso o Pai que está no Céu.
Fonte: Arquidiocese BH em 15/06/2020

Reflexão

Os critérios humanos não são suficientes para resolver os problemas da própria humanidade, principalmente os que estão relacionados com a justiça, pois a justiça dos homens não tem como centro a pessoa humana, mas sim o que elas têm ou deixam de possuir. Os bens são comparáveis entre si, mas as pessoas não, pois cada uma é um ser único, incomparável na sua dignidade. Além disso, os elementos que estão presentes em um relacionamento são por demais complexos para serem abrangidos na sua totalidade a partir de categorias do conhecimento humano, uma vez que a própria razão é insuficiente para a compreensão do ser humano. Jesus nos mostra que somente o amor e a misericórdia possibilitam superar essas deficiências e construir um relacionamento justo e fraterno.
Fonte: CNBB em 18/06/2012, 16/06/2014 13/06/2016

Reflexão

Não é espontâneo ao ser humano fazer um gesto de bondade ao sofrer uma agressão. O contrário é o que se vê: violência gerando violência. Isso acontecia na época de Jesus e continua acontecendo na sociedade hodierna. Justamente por isso é que o Mestre vem com essas exigências desconcertantes. Ao mal se responde com o bem; em vez de vingança, a benevolência. É o único caminho para eliminar a espiral de violência vigente em nossos relacionamentos. Então, a benquerença amortece o ódio alheio; a valorização do outro elimina o desprezo; o abraço acolhedor vence o preconceito. Cria-se um clima de fraternidade, harmonia e paz, que ultrapassa nossa boa convivência em família. Atinge e beneficia a sociedade inteira. Projeto de Deus para cristãos e cristãs de todos os tempos.
(Dia a dia com o Evangelho 2018 – Pe. Luiz Miguel Duarte, ssp)
Fonte: Paulus em 18/06/2018

Reflexão

Não é espontâneo ao ser humano fazer um gesto de bondade ao sofrer uma agressão. O contrário é o que se vê: violência gerando violência. Isso acontecia na época de Jesus e continua acontecendo na sociedade hodierna. Justamente por isso é que o Mestre vem com essas exigências desconcertantes. Ao mal se responde com o bem; em vez de vingança, a benevolência. É o único caminho para eliminar a espiral de violência vigente em nossos relacionamentos. Então, a benquerença amortece o ódio alheio; a valorização do outro elimina o desprezo; o abraço acolhedor vence o preconceito. Cria-se um clima de fraternidade, harmonia e paz, que ultrapassa nossa boa convivência em família, atinge e beneficia a sociedade inteira. Projeto de Deus para cristãos e cristãs de todos os tempos.
Oração
Ó Jesus, “Príncipe da paz”, a tendência a revidar alguma ofensa ou a “pagar com a mesma moeda” tem raízes profundas em nós. No entanto, aos cristãos vens pedir a capacidade de quebrar a espiral da violência, respondendo ao mal com o bem. Foi o que fizeste; assim nos ensinas. Amém.
(Dia a dia com o Evangelho 2020 - Pe. Luiz Miguel Duarte, ssp (dias de semana) Pe. Nilo Luza, ssp (domingos e solenidades))
Fonte: Paulus em 15/06/2020

Reflexão

A questão do “olho por olho” era a lei que procurava limitar a violência ou a agressão: o agredido não podia revidar mais do que recebeu. É quase uma atitude natural reagir de forma agressiva diante de uma ofensa ou agressão: violência gera violência. Jesus nos ensina a superar esse comportamento e propõe fazer gestos de bondade ao sofrer alguma agressão. Ou seja, enfrentar a lógica do mal com a não violência: o mal é vencido pelo bem e o ódio é vencido pelo amor. O caminho proposto por Jesus é o único para eliminar a espiral de violência vigente na nossa sociedade e nos nossos relacionamentos. Com essa proposta, Jesus não nos pede passividade ou tolerância diante da violência, mas propõe o caminho do bem e do amor. São atitudes que desarmam o adversário e o deixam impotente. Assim cria-se um clima de fraternidade, harmonia e paz.
(Dia a dia com o Evangelho 2022)
Fonte: Paulus em 13/06/2022

Reflexão

Não é espontâneo ao ser humano fazer um gesto de bondade ao sofrer uma agressão. O contrário é o que se vê: violência gerando violência. Isso acontecia na época de Jesus e continua acontecendo na sociedade hodierna. Justamente por isso é que o Mestre vem com essas exigências desconcertantes. Ao mal se responde com o bem; em vez de vingança, a benevolência. É o único caminho para eliminar a espiral de violência vigente em nossos relacionamentos. Então, a benquerença amortece o ódio alheio; a valorização do outro elimina o desprezo; o abraço acolhedor vence o preconceito. Cria-se um clima de fraternidade, harmonia e paz, que ultrapassa nossa boa convivência em família, atinge e beneficia a sociedade inteira. Projeto de Deus para cristãos e cristãs de todos os tempos.
(Dia a dia com o Evangelho 2024)
Fonte: Paulus em 17/06/2024

Reflexão

«Não ofereçais resistência ao malvado»

Rev. D. Joaquim MESEGUER García
(Rubí, Barcelona, Espanha)

Hoje, Jesus nos ensina que o ódio se supera no perdão. A lei de talião era um progresso, pois limitava o direito de vingança a uma justa proporção: só podes fazer ao próximo o que ele te tem feito a ti, caso contrário, cometerias uma injustiça; isto é o que significa o ditado de «olho por olho, dente por dente». Mesmo assim, era um progresso limitado, já que Jesus Cristo no Evangelho afirma a necessidade de superar a vingança com o amor; assim Ele o expressou mesmo quando, na cruz, intercedeu por seus carrascos: Jesus dizia: «Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem!» (Lc 23,34).
No entanto, o perdão deve acompanhar-se com a verdade. Não perdoamos somente porque nos vemos impotentes ou complexados. Com frequência se tem confundido com a expressão “pôr o outro lado do rosto” com a ideia da renúncia a nossos direitos legítimos. Não é isso. Pôr o outro lado do rosto quer dizer denunciar e interpelar a quem o tem feito com um gesto pacífico, mas decidido, a injustiça que se cometeu; é como dizer-lhe: «Batestes num lado meu rosto, queres, bater também no outro? Você esta de acordo com essa maneira de proceder?» Jesus respondeu com serenidade ao criado insolente do sumo sacerdote: «Jesus replicou-lhe: “Se falei mal, mostra em que falei mal; e se falei certo, por que me bates?» (Jo 18,23).
Vemos, pois, qual deve ser a conduta do cristão: não procurar revanche, mas manter-se firme; estar aberto ao perdão e dizer as coisas claramente. Certamente não é uma arte fácil, mas é a única maneira de frear a violência e manifestar a graça divina a um mundo frequentemente carente de graça. São Basílio nos aconselha: «Obedecei e esquecei as injurias e as ofensas que venham do próximo. Podemos ver os diversos nomes que teremos um e outro; a ele o chamarão colérico e violento, e a vocês mansos e pacíficos. Ele se arrependerá um dia de sua violência, e vocês não se arrependerão nunca de sua mansidão.
Pensamentos para o Evangelho de hoje

- «Entendam os cristãos que neste tipo de injurias que procuram ser reparadas pelo castigo, os cristãos devem observar tal moderação que, uma vez recebida a injuria, o ódio não nasça» (Santo Agostinho)

- «No Evangelho, Jesus também nos fala sobre santidade e explica-nos a nova lei, a Sua própria lei. Não só, não devemos devolver ao outro o mal que nos fez, como devemos esforçar-nos por fazer generosamente o bem» (Francisco)

- «O respeito pela pessoa humana passa pelo respeito pelo princípio: Que cada um considere o seu próximo, sem qualquer excepção, como outro ele mesmo, e zele, antes de mais, pela sua existência e pelos meios que lhe são necessários para viver dignamente´ (Concílio Vaticano II) (...)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 1.931)
Fonte: Evangeli - Evangelho - Feria em 17/06/2024

Reflexão

O perdão

Rev. D. Antoni CAROL i Hostench
(Sant Cugat del Vallès, Barcelona, Espanha)

Hoje o discurso de Jesus Cristo “rompe esquemas”. Pelo tom que emprega: Fala com uma autoridade moral própria somente de Deus. E pela doutrina que ensina: Jesus manda seus seguidores humanizar a convivência social —às vezes intolerante e individualista— com o perdão e a generosidade.
Somente Alguém que seja Deus tem direito a ensinar e mandar assim as exigências do amor. O perdão é uma das qualidades mais finas do amor. Jesus nos dá um exemplo maravilhoso quando, na paixão, pede ao Pai que nos perdoe. Quando não perdoamos alguém, estamos-lhe mantendo em dívida conosco (o “escravizamos”); porém, se o perdoamos o libertamos.
—Senhor-Deus, desejo que teus caminhos de paz e fraternidade sulquem o mundo inteiro. Peço-te que infundas o espírito de perdão e de generosidade entre os homens. Meu Salvador faz que eu saiba perdoar sempre, porque no céu eterno não poderia ser feliz mantendo dívidas e devedores.
Fonte: Evangeli - Evangelho Master - Feria em 17/06/2024

Recadinho

Reconheço que retribuir mal com mal nada constrói? - Compreendo o mandamento da caridade? - Procuro vivê-lo? - Sou generoso como Deus é generoso comigo? - Se há mais alegria em dar do que em receber, o que dizer então da generosidade para com quem nos trata mal?
Padre Geraldo Rodrigues, C.Ss.R
Fonte: a12 – Santuário Nacional em 16/06/2014

Meditação

Mais uma vez, Jesus mostra a diferença entre suas propostas e as ideias correntes. Não podemos vingar-nos, não devemos enfrentar a violência com violência, nem sempre devemos defender a todo custo nossos direitos; muitas vezes, é melhor ser generoso, mesmo sofrendo algum prejuízo. No final, a vitória será sempre dos pacíficos e dos não violentos. Por incrível que pareça!
Oração
Ó Deus, constituístes vosso Filho Unigênito sumo e eterno sacerdote; aos que ele escolheu como ministros e dispensadores dos vossos mistérios, concedei fidelidade no serviço a eles confiado. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Fonte: a12 - Reze no Santuário - Deus Conosco em 17/06/2024

Comentário sobre o Evangelho

Jesus nos pede para responder à adversidade com paciência e amor


Hoje as palavras de Jesus desaprovam a “vingança”. Soa mal isso de ‘olho por olho, dente por dente’! —Se você me dá, prepare-se porque... Que feio! Infelizmente não são coisas do passado: há guerras —inclusive em famílias— que nunca se acabam porque nunca se perdoam.
—Como se veem as coisas desde o céu? Com misericórdia! Deus age com infinita paciência: veja-o, aí o tem, na Cruz. Sua resposta é o perdão. Portanto, se quiser paz, já sabe…
Fonte: Family Evangeli - Feria em 17/06/2024

Comentário do Evangelho

CONTRA A RETALIAÇÃO

A Lei de Talião - "olho por olho, dente por dente" - não encontrou guarida no ensinamento de Jesus. Aquele princípio legal havia sido importante para coibir as arbitrariedades no caso de violência ilimitada, para fazer valer o direito. E funcionava como mecanismo de controle da selvageria e do barbarismo, nas relações interpessoais. Era um passo em direção às relações humanas civilizadas.
O discípulo do Reino submete-se a uma lógica diferente. Recusa-se a entrar no jogo do malvado, de forma a desarticular, no seu nascedouro, a espiral da violência. Responde o mal com o bem, não se valendo do que lhe garante o direito. O direito de retaliação é substituído pelo princípio da misericórdia no trato mútuo.
A reação paradoxal que Jesus sugeriu aos seus discípulos, diante da violência, tem uma finalidade concreta: mostrar as possibilidades extremas de aplicação do seu ensinamento. Quem é movido por um amor incondicional ao próximo, descentrando-se de si mesmo, será capaz de fazer gestos radicais para coibir a violência, sem responder com a mesma moeda.
O discípulo, na linha das Bem-aventuranças, caracteriza-se como manso e pacífico. Por ser manso, recusa-se terminantemente a recorrer à violência. Por ser pacífico, tudo faz para que os laços com o próximo não sejam rompidos. Mesmo à custa de gestos paradoxais!
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado no Portal Dom Total)
Oração
Espírito de mansidão, torna-me capaz de não me deixar levar pelo desejo de vingança, diante da violência, e sim, de agir conforme o ensinamento de Jesus.
Fonte: Dom Total em 13/06/2016

Meditando o evangelho

A VIOLÊNCIA SUPERADA

O discípulo do Reino não pode contentar-se com a prática de retribuir olho por olho e dente por dente. Ele se caracteriza pela capacidade de, com firmeza, quebrar a espiral de violência através de atitudes chocantes, até mesmo, para seu agressor. Não é fácil imaginar alguém oferecendo a face esquerda para ser esbofeteada quando já se recebeu um bofetão na direita. Do mesmo modo, alguém que pretenda extorquir uma túnica, em juízo, e ver o lesado oferecer-lhe também o manto. Ou, então, quem é obrigado a fazer companhia a alguém, numa longa caminhada, para protegê-lo dos assaltos, mostrar-se disposto a caminhar o dobro.
Estas atitudes são, à primeira vista, insensatas e injustificáveis. Mas, são normas de conduta para o discípulo. Que finalidade teriam? Jesus não estava pregando uma espiritualidade da humilhação e do sofrimento. Não lhe interessava ver o discípulo humilhado. O gesto proposto visava converter o agressor para o Reino. Mostrar-lhe que é possível viver sem violência. Abrir-lhe os olhos para a possibilidade de se relacionar com o próximo sem transformá-lo em objeto de seu ódio e estabelecer relações verdadeiramente fraternas e amistosas. A não-violência do discípulo do Reino, portanto, é vivida de forma positiva e construtiva. O Reino vai se construindo onde a violência dá lugar ao amor.
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado no Portal Dom Total)
Oração
Senhor Jesus, dá-me força para quebrar a espiral da violência e transformar o ódio em amor.
Fonte: Dom Total em 16/06/2014,18/06/2018 15/06/2020

Oração
Ó Deus, força daqueles que esperam em vós, sede favorável ao nosso apelo e, como nada podemos em nossa fraqueza, dai-nos sempre o socorro da vossa graça, para que possamos querer e agir conforme vossa vontade, seguindo os vossos mandamentos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Fonte: Dom Total em 16/06/2014

Meditando o evangelho

CONTRA A RETALIAÇÃO

A Lei de Talião - "olho por olho, dente por dente" - não encontrou guarida no ensinamento de Jesus. Aquele princípio legal havia sido importante para coibir as arbitrariedades no caso de violência ilimitada, para fazer valer o direito. E funcionava como mecanismo de controle da selvageria e do barbarismo, nas relações interpessoais. Era um passo em direção às relações humanas civilizadas.
O discípulo do Reino submete-se a uma lógica diferente. Recusa-se a entrar no jogo do malvado, de forma a desarticular, no seu nascedouro, a espiral da violência. Responde o mal com o bem, não se valendo do que lhe garante o direito. O direito de retaliação é substituído pelo princípio da misericórdia no trato mútuo.
A reação paradoxal que Jesus sugeriu aos seus discípulos, diante da violência, tem uma finalidade concreta: mostrar as possibilidades extremas de aplicação do seu ensinamento. Quem é movido por um amor incondicional ao próximo, descentrando-se de si mesmo, será capaz de fazer gestos radicais para coibir a violência, sem responder com a mesma moeda.
O discípulo, na linha das Bem-aventuranças, caracteriza-se como manso e pacífico. Por ser manso, recusa-se terminantemente a recorrer à violência. Por ser pacífico, tudo faz para que os laços com o próximo não sejam rompidos. Mesmo à custa de gestos paradoxais!
(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês)
Oração
Espírito de mansidão, torna-me capaz de não me deixar levar pelo desejo de vingança, diante da violência, e sim, de agir conforme o ensinamento de Jesus.
Fonte: Dom Total em 13/06/2022

COMENTÁRIO DO EVANGELHO

1. “Isso não vai ficar assim!”
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Diácono José da Cruz - Diácono da Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP)

Quantas vezes não ouvimos essa frase, dita por alguém em um momento de revolta e indignação, quantas vezes nós mesmos não pensamos ou falamos essa frase, talvez trêmulo pela raiva ou ofensa recebida.  Essa frase é perigosa porque cria dentro da gente o espírito de Vingança que Jesus combate nesse evangelho. Frases do tipo “Sou cristão mas não sou bobo”, ou “Sou bom mas...não mexa comigo”, ou ainda “Sou bom mas não levo desaforo para casa”.Claro que a maioria delas são ditas em um momento de muita raiva e indignação e as vezes fica o dito pelo não dito, pois gostamos de falar essas frases na frente das pessoas, para que elas vejam quem somos.
Mas elas refletem, sem dúvida alguma, o mal do espírito de vingança presente na sociedade e quando dizemos essas frases estamos divulgando essa cultura da violência. Certa ocasião perguntaram a um agressor de mulher, que fora condenado pela Lei Maria da Penha, o porquê do seu comportamento tão violento e cruel com a esposa. Ele respondeu que quando criança e na pré-adolescência, cresceu vendo a mãe apanhar do padrasto quase todo dia e ele achava que isso era normal.
Qual a melhor forma de se combater essa cultura de morte e de violência, que todos os dias se faz presente no quotidiano da vida, nas famílias, nos jogos de futebol, nas torcidas das grandes equipes, na política e até na comunidade? A resposta  encontramos nas palavras de Jesus nesse evangelho: Eu porém vos digo...
Esta afirmativa que abre as orientações que Jesus vai dar sobre esse assunto, é essencial para nós cristãos, é o Senhor que está falando, e suas palavras se opõe á Lei de Talião, que era a Lei da Vingança. A questão é, como agir diante da violência, como agir quando nós somos as vítimas, por também tem disso, ás vezes trabalhamos bem com a questão do perdão, quando a coisa é com o outro, mas e quando nós é que fomos agredidos, humilhados, ofendidos, caluniados, injustiçados?  Muitas vezes colocamos um peso muito maior, do que quando se trata do irmão.
A espiral da violência só termina quando ela é interrompida e neste evangelho, Jesus orienta esse procedimento porque exatamente é essa a vontade de Deus. Examinemos com grande atenção a nossa conduta, na comunidade e fora dela, talvez não sejamos vingadores implacáveis, como permitia a Lei do Talião, mas precisamos nos convencer que “certas vingancinhas” e atos mesquinhos, em nossa relações, com aqueles de quem não gostamos, ou que nos deram motivos para não os amar, são igualmente detestáveis perante Deus e assim agimos, é sinal de que as palavras de Jesus ainda não penetraram em nosso coração o suficiente, para experimentarmos o seu Santo e Bendito Amor, gratuito e incondicional.
Fonte: NPD Brasil em 18/06/2012

COMENTÁRIOS DO EVANGELHO

1. Amor sem Limites
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Diácono José da Cruz - Diácono da Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP)

Todos os Cristãos têm plena consciência de que o Amor a Deus e ao próximo é a essência do cristianismo, afinal trata-se do Mandamento novo dado por Jesus. O problema está nos limites que colocamos no Amor e na intensidade do amor dependendo das pessoas. Amor que não é sem limites, não é cem por cento Cristão.
O Amor deixado por Jesus tem a característica do Amor Sacrifical, foi com esse amor que ele amou a Igreja e deu por ela a própria vida. É um amor onde vamos morrendo aos poucos pelas pessoas as quais amamos. Por isso no evangelho de hoje ele dá o esclarecimento sobre a prática desse amor, para que não paire dúvida e ninguém se sinta no direito de corromper o sentido e o significado do Amor Cristão.
Oferecer a outra face a quem feriu a primeira, ceder a capa a quem está pleiteando na Justiça a nossa túnica, andar dois mil passos a mais, dos quatro mil exigidos pela outra pessoa...são ações que estão dentro de um contexto social e religioso. Como entender e praticar esses valores do evangelho nos dias de hoje? “Se seguirmos ao pé da letra vamos fazer papel de trouxa”, poderá pensar alguém. O que está em jogo em todas essas ações é o Espírito de Vingança, muito forte no Antigo Testamento, como recomendava a Lei do Talião “Olho por olho por olho, dente por dente”.
Quando alguém nos faz um mal, pensamos em vingança, aliás, a imagem de um Deus vingativo é muito forte em nós, por conta de uma catequese mais antiga, principalmente quando acontece uma desgraça na vida de alguém que nos prejudicou, entendemos que foi uma ação divina para punir o sujeito, e assim nos sentimos vingados, porque o mal atingiu a vida do infeliz.
É aí que Jesus inverte esse quadro e orienta para que nossas ações com o próximo que nos prejudicou, não sejam maldosas ou vingativas, exatamente por que somos imagem e semelhança de Deus e o Amor e o perdão deve ser a nossa última palavra. Coisa dificílima de acontecer e de se por em prática, e até mesmo nas nossas comunidades cristãs vemos trocas de ofensas e pequenas vinganças. Nos meios familiares até agressões e mortes acontecem, refletindo uma sociedade violenta.
Os Cristãos são chamados a esse desafio, de irem além sendo capazes de manifestar perdão e misericórdia nos ambientes mais hostis. Deus conhece as nossas misérias e fraquezas, nossos instintos maldosos e vingativos, mas concede-nos a sua Graça, oferece o alimento da sua Palavra e da Eucaristia, para que sejamos realmente capazes de ir um pouco além no nosso jeito de amar as pessoas.

2. Dá a quem te pedir - Mt 5,38-42
(O comentário do Evangelho abaixo é feito por Côn. Celso Pedro da Silva, ‘A Bíblia dia a dia 2017’, Paulinas e disponibilizado no Portal Paulinas - comece o dia feliz)

Esta semana termina com as festas do Sagrado Coração de Jesus e do Imaculado Coração de Maria. Coração é sede da bondade. Então, desde hoje, sejamos bondosos com todas as pessoas. Evitemos causar tristeza a quem quer que seja. Vão bater na sua face direita, e você vai oferecer a esquerda. Vão querer tirar a sua camisa, e você dará também o casaco. Vão obrigá-lo a andar um quilômetro, e você andará dois. Vão lhe pedir emprestado, e você emprestará. Por que tudo isso? Primeiro, para mostrar que você é livre. Depois, para não dar um certificado a atitudes que você não apoia. Por que dar um tapa, se você não está de acordo com o tapa que lhe deram? Não alimente o pecado do mundo, antes o enfraqueça. Introduza algo novo em seus relacionamentos, como a bondade e a compreensão. Não trate o inocente como culpado, mas trate o culpado como inocente, para que se reabilite. Continua válida a regra de ouro: “Faça ao outro o que você quer que seja feito a você”. Você não acha bom ser bem tratado? Um exemplo de maldade encontra-se no Primeiro Livro dos Reis, na história da vinha de Nabot. O rei Acab quis comprar a vinha. Nabot não quis vender por ser herança de seus pais. O rei ficou triste, e sua esposa Jezabel fez falsas acusações contra Nabot, que foi apedrejado e morreu. Assim Acab pôde se apossar da vinha.
Fonte: NPD Brasil em 15/06/2020

HOMILIA DIÁRIA

Postado por: homilia
junho 18th, 2012

Estamos diante da lei do Talião: “Ouvistes o que foi dito: olho por olho, dente por dente”, embora, à primeira vista, esta lei pareça alimentar um sentimento de vingança, ela justamente deseja frear um ímpeto de vingança individual.
Vivemos numa época caracterizada pela ilegalidade, mal que tem invadido nossa sociedade a um grau imprevisto e sem precedentes. Os que fazem da lei a sua profissão estão sendo convocados para repensar o propósito desse conjunto de regras na sociedade. Em nossos dias o indivíduo exige o direito de agir como bem entender, manifestando pouca ou nenhuma consideração ao efeito de seus atos  sobre o outro.
Encontramos esse princípio em todo o Novo Testamento. Vejamos o que Paulo diz: “O amor seja sem hipocrisia. Detestai o mal, apegando-vos ao bem. Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros” (Romanos 12,9-10). O justo manifesta amor, que é atencioso e altruísta. Como se revela esse sentimento?
São Paulo declarou: “Abençoai aos que vos perseguem, abençoai, e não amaldiçoeis. Alegrai-vos com os que se alegram, e chorai com os que choram”. “Não vos vingueis a vós mesmos, amados [não vos apegueis a vossos direitos, não demandeis pelo que vos é devido], mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu retribuirei, diz o Senhor”. Se for cometido algum erro, o entregue ao Senhor. Não se vingue, não busque seus próprios direitos. “Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem”.
O apóstolo dos gentios mostrou-nos o que Nosso Senhor afirmou no capítulo 5 de Mateus: A pessoa tem direitos. Seus direitos foram violados. Ela pode exigir indenização. Mas o justo deixa esse problema com Deus, e demonstra amor e perdão até mesmo aos seus inimigos. Isso é justiça em ação.
Paulo menciona de novo este mesmo princípio em I Coríntios 6. Aqui ele luta com o problema de um crente recorrer ao tribunal contra outro crente para cobrar o que de direito lhe pertence. Certo homem insistia em seus próprios direitos, e o apóstolo criticou o descrédito que esse testemunho trazia ao mundo incrédulo: “Por que não sofreis antes a injustiça? Por que não sofreis antes o dano?” O apóstolo nos ensinou que o sinal do homem piedoso é abrir mão de seus direitos para que possa manifestar o amor altruísta de Cristo.
O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor”, diz o apóstolo Paulo em Romanos 13,10.
A lei nos dá direitos, mas também nos dá a liberdade de renunciar a eles, e assim manifestar a justiça de Cristo. Temos nossos direitos, e a Palavra de Deus os protege. Temos, também, a liberdade de renunciar a eles para demonstrar o amor de Cristo. Não é a demanda por seus direitos que caracteriza o justo, mas sim o desistir deles, em prol de um bem maior. Esse homem agrada a Deus.
Jesus, no Evangelho de hoje, com palavras, vai progressivamente nos conduzindo a ultrapassar essa lei. Fazendo-nos reconhecer o valor do não revidar: oferecer a outra face; deixar também o manto; caminhar com ele dois mil passos. Cristo apresenta uma referência baseada não na lei da justiça judaica, isto é, o que é devido a cada um, mas na lei da graça e do amor. “Ouvistes o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente!’ Eu, porém, vos digo: Não enfrenteis quem é malvado! Pelo contrário, se alguém te dá uma tapa na face direita, oferece-lhe também à esquerda! Se alguém quiser abrir um processo para tomar a tua túnica, dá-lhe também o manto! Se alguém te forçar a andar um quilômetro, caminha dois com ele! Dá a quem te pedir e não vires às costas a quem te pede emprestado”.
Desta maneira, Ele nos leva ao mandamento da caridade, não só para melhor compreendê-lo, mas também como concretamente vivê-lo. O Senhor nos ordena a dar a todos tudo o que eles nos pedem: que todos sejam cumulados, por nossa generosidade, de tudo o que lhes falta.
Façamos tudo ao nosso alcance de modo que eles não sofram nem de sede, nem de fome, nem da falta de vestes. E então, seremos considerados dignos de obter os bens que nos faltam e que pedimos a Deus, pois o costume de dar nos merecerá obtê-los. Ademais, há mais alegria em dar do que em receber.
É urgente que aos nossos ouvidos soem as palavras de Jesus: vencer o mal com o bem, e tornar concreto em nosso agir o mandamento do amor fraterno.
Peçamos ao Senhor que encha nossos corações com as graças do Seu Espírito Santo; com amor, alegria, paz, paciência, bondade e humildade. E nos ensine a amar os que nos odeiam; a rezar pelos que nos perseguem. E com o Seu auxílio, a renunciar aos prazeres deste mundo e a desejar uma nova terra e novos céus.
Pai, não permita que a violência tome conta do meu coração; antes, torna-me capaz de responder, com gestos de amor, a quem me faz o mal.
Padre Bantu Mendonça
Fonte: Canção Nova em 18/06/2012

HOMILIA DIÁRIA

A vingança é um sentimento que não vem de Deus!

A vingança não é de Deus, ela não faz bem ao coração humano; pelo contrário, ela maltrata e escraviza.

“Não enfrenteis quem é malvado! Pelo contrário, se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda!” (Mateus 5, 38)

A lógica do Evangelho do coração de Jesus não é a lógica humana do “olho por olho”, “dente por dente”. Assim, se alguém lhe fizer um mal, você não pode retribuir esse mal; se alguém lhe roubou alguma coisa, isso não lhe dá o direito de roubar algo dela. Da mesma forma, se alguém o machucou, você não pode machucá-lo também. A vingança não é de Deus, ela não faz bem ao coração humano; pelo contrário, a vingança maltrata, escraviza e, muitas vezes, transforma um elemento negativo em outro pior como o rancor, ódio e o ressentimento.
A Palavra de Deus nos diz: não enfrente quem é malvado para não se tornar também malvado como ele. Se alguém lhe fizer mal e você lhe der também o mal de volta, você se tornará maldoso também. Em outras palavras, você não pode se rebaixar.
O mal é um elemento terrível, é diabólico e infernal. Você não pode descer ao inferno, não pode descer àquilo que há de pior no ser humano, que é fazer mal a outra pessoa. Então, se alguém o prejudicou, não devolva com a mesma moeda. Se alguém lhe bater na face direita, ofereça a esquerda. Não que você seja bobo, que tenha “sangue de barata” ou deva permitir que as pessoas pisem em você, mas sim porque você se quer muito bem, quer bem a sua saúde e a sua paz interior. E se há algo que tira a sua paz interior é todo e qualquer sentimento de vingança.
O que você precisa é se purificar do mal que o outro lançou sobre você; o que é uma grandeza evangélica, um sentimento de quem tem o coração purificado pelo amor divino, pelo amor que veio do coração de Deus.
Se você alimenta o ódio e o ressentimento dentro do seu coração, se leva sentimentos de vingança, ainda que seja vingança mental, permita-se, hoje, ser purificado pela Palavra de Deus, que tira do nosso coração tudo aquilo que é maligno!
Deus abençoe você!
Padre Roger Araújo

HOMILIA DIÁRIA

Combatamos o mal com o bem

Precisamos de cristãos “desconcertando” o mundo, porque o mundo precisa ser desconcertado da maldade que está injetada nele

“Não enfrenteis quem é malvado! Pelo contrário, se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda!” (Mateus 5, 39)

Os antigos levavam muito em conta a Lei do Talião. Quando digo “antigos”, refiro-me aos povos mais antigos, porque é uma das leis mais antigas de que temos conhecimento.
Segundo essa Lei, quando uma pessoa lhe arrancava um dente, você tinha o direito de lhe tirar também um dente. Se a pessoa lhe batesse numa face, você também tinha o direito de bater na face dela; ou seja, é uma Lei que, num primeiro momento, parece até ser justa, pois se alguém nos fez alguma coisa, temos o direito de fazer o mesmo com ela. Se alguém pegou isso, eu tenho o direito de pegar também; se alguém cometeu tamanha maldade comigo, eu também posso cometer com ela. Se a pessoa prejudicou algum parente meu, eu também tenho o direito de prejudicar um parente dela.
Essa mentalidade é mundana e pagã, porque quem não conhece o supremo bem ou a suprema bondade de Deus acaba misturando o mal com o bem e ainda diz: “Só fiz o que me era de direito!”. O “direito”, muitas vezes, vai até lhe assegurar isso, só não irá lhe assegurar o direito de ser cristão.
O cristão é como Cristo, que é bom. Precisamos, de fato, ser bons cristãos!
O mundo é tão mau, tão ruim e está tão estragado, porque os cristãos também estão estragados e azedos como a laranja azeda que não serve para nada. Por que isso acontece? Porque conhecemos o que é bom, justo e correto, mas deixamos o mal se misturar às nossas atitudes.
Se uma pessoa nos fez mal, não devemos praticar o mal, porque somos do bem e não nos misturamos com ela. Não é que sejamos melhores do que ela ou porque somos bobinhos, porque quem é cristão é uma pessoa “bobinha”. É o contrário, porque o cristão é uma pessoa sadia ou deveria procurar ser, não se mistura com o mal.
Se, por um lado, uma pessoa nos dá um tapa, que é uma coisa ruim, errada e ninguém têm o direito de bater em ninguém, a nossa outra face chama-se perdão e misericórdia; jamais vingança. Se uma pessoa nos prejudica, não temos o direito de prejudicá-la. A nossa resposta deve ser: “Deus o abençoe!”.
Deixe-me dizer a você: pode ser que pareçamos bobos, mas é o contrário: quando retribuímos o mal com o mal inflamamos mais ainda a maldade e suscitamos outros gestos. Agora, quando a pessoa nos faz mal e podemos retribuir com o bem, desconcertamos aquela pessoa. Precisamos de cristãos “desconcertando” o mundo [retribuindo o mal com o bem]; porque o mundo precisa ser desconcertado da maldade que está injetada nele.
O jeito de desconstruir o mundo e muitas pessoas é deixando-as sem graça, sem jeito. E não tem melhor opção de deixar uma pessoa sem jeito do que fazendo o bem a ela quando ela merecia somente o mal.
Deus abençoe você!
Padre Roger Araújo
Fonte: Canção Nova em 13/06/2016

HOMILIA DIÁRIA

Transformemos o mundo pelo bem de Deus que está em nós

O que está em nós não é o mal, o que está em nós é o bem, a graça, o perdão e a misericórdia

“Não enfrenteis quem é malvado! Pelo contrário, se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda!” (Mateus 5,39)

“Olho por olho. Dente por dente” é um preceito tão antigo quanto a humanidade, colocado em prática nas relações humanas até os dias de hoje e com mais evidência. Se me fez um mal, eu retribuo com o mal, fechou-me a cara, eu fecho a cara também, não me valoriza eu também não valorizo e vivemos em um mundo de disputas, de inimizades, de conflitos e vingança. Há várias formas de se vingar: a vingança da frieza, da indiferença, dos maus tratos, da briga, das guerras, das competições e disputas. Todas elas destroem o mundo, o nosso coração, a nossa saúde, as relações e convivências humanas.
A ordem de Jesus para nós é: “Não enfrenteis quem é malvado. Não compartilhe com o mal. Não se contamine com o mal do mundo”. O mal que o mundo quer injetar em nós é: “Fez-me o mal, eu também faço o mal”. Ora, o que está em nós não é o mal, o que está em nós é o bem, a graça, o perdão, a misericórdia; ou não trazemos Deus em nós, não O recebemos em nós ou não temos a vida d’Ele na nossa vida. Essas questões são fundamentais, é isso que define se somos de Deus ou se somos mundanos, é a mentalidade que temos, é a cabeça que temos. Talvez, você diga: “Ainda não cheguei a esse ponto”. Então, chegue e lute, para que a nossa mentalidade não seja a do mundo, porque essa mentalidade mundana destrói todas essas coisas.
Não nos contaminemos pelo mal, mas transformemos o mundo pelo bem de Deus que está em nós. Não é ser ingênuo, bobo como muitos querem entender que devemos ser, é não se contaminar pelo mal, é não deixar que nos tornemos maus, porque o outro nos fez mal. É mostrar que o que está em nós é maior do que está no mundo.
No mundo está o mal, mas em mim eu quero que esteja sempre o bem, a graça e o Reino de Deus.
Deus abençoe você!
Padre Roger Araújo
Fonte: Canção Nova em 18/06/2018

HOMILIA DIÁRIA

A vingança tira a pureza do nosso coração

“Ouvistes o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente!’ Eu, porém, vos digo: Não enfrenteis quem é malvado! Pelo contrário, se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda!” (Mateus 5,38-39)

O seguidor de Jesus não se deixa levar pela vingança, pelo rancor, pelo ressentimento e pela mágoa. Ainda que fiquemos magoados, a mágoa tem de ser curada, mas não podemos permitir que a alma seja maltratada porque vamos cultivando esses rancores.
A vingança é um demônio terrível que se esconde de diversas formas na nossa vida e na nossa história. Pode ser que, nós, literalmente não nos vinguemos de quem nos fez o mal, mas desejamos, alimentamos, esperamos e cultivamos. No fundo dizemos: “Ele vai pagar pelo que fez”, e usamos até subterfúgios mundanos para nos escondermos debaixo de uma faceta religiosa: “Aqui se faz, aqui se paga”; alguém ainda diz que está na Bíblia e usamos esses elementos para cultivar a vingança.
A vingança tira a pureza do nosso coração; o ressentimento, a mágoa e o rancor deixam o nosso coração machucado, oprimido, doente e enfermo. Jesus não está falando isso primeiro por causa do outro, mas por causa de nós, porque Ele quer o nosso coração sadio, quer a nossa vida a salvo. Ele quer a alma de cada um de nós vivendo de forma sadia e serena.

Permitamos que a graça de Deus vença a toda vingança, rancor, ódio e ressentimento que há em nós

Não há vida sadia e serena com o coração abarrotado pelo sentimento de vingança, de rancor e raiva. É óbvio que, na hora em que as coisas acontecem, quando somos traídos ou contrariados, os sentimentos crescem em nós. Dentro de nós os sentimentos mais belos se tornam os ressentimentos mais duros da alma, mas conhecemos Jesus e a graça d’Ele está em nós. A graça d’Ele em nós chama-se amor e misericórdia.
Quando falamos em amor, logo pensamos nas pessoas queridas que queremos, isso é uma forma de amar, mas o amor é mais sublime. O amor é o remédio que a alma precisa para ser curada dos males que o mundo nos impõe.
Quando vemos que estamos com pensamentos ruins sobre o outro, quando estamos com um desejo maldoso a respeito do outro é porque o amor não nos curou. Precisamos mergulhar no amor para sermos curados.
Enquanto pensarmos mal, querermos e desejarmos o mal e o mal do outro estiver em nós, continuaremos mal no que pensamos e no que sentimos.
Permitamos que a graça de Deus vença a toda vingança, rancor, ódio e ressentimento que há em nós.
Deus abençoe você!
Padre Roger Araújo
Fonte: Canção Nova em 15/06/2020

HOMILIA DIÁRIA

Faça escolhas justas guiado pela graça de Deus

“Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: Ouvistes o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente!’ Eu, porém, vos digo: Não enfrenteis quem é malvado! Pelo contrário, se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda! Se alguém quiser abrir um processo para tomar a tua túnica, dá-lhe também o manto! Se alguém te forçar a andar um quilômetro, caminha dois com ele!” (Mateus 5,38-41)

Meus irmãos e minhas irmãs, a Palavra de Deus nos pede uma grande força de vontade nesse dia de hoje. Quanta força de vontade nós precisamos ter para não reagir diante do mal que se apresenta diante de uma injustiça sofrida, diante de uma situação que nós enfrentamos e que, muitas vezes, sentimentalmente nos pede uma reação calorosa. Quanta força de vontade!
Quanta força de decisão interior para não reagir diante desse mal, e é justamente isso: o mal nos faz reagir. Do contrário, o bem nos faz escolher. O mal não nos faz escolher uma opção certa e correta, o mal só nos faz reagir diante das provocações que nós vivemos. Mas a graça de Deus sim, a graça de Deus nos fortifica para as escolhas justas. Quanto mais nós nos abrirmos à ação de Deus, à ação da graça de Deus, mais nós teremos a capacidade de fazer escolhas justas, até mesmo diante das situações mais provocativas.
As reações são diferentes das escolhas sábias que nós podemos fazer. Somos, a todo momento, colocados diante de provas; somos, a todo momento, colocados diante de provocações e situações nas quais precisamos aplicar aquilo que está dentro de nós: o poder da graça de Deus, o poder que age a partir de nós, dentro de nós, para nos colocar sempre nas opções que nos levam para o caminho do Senhor.

Quanto mais nós nos abrirmos à ação de Deus, à ação da graça de Deus, mais nós teremos a capacidade de fazer escolhas justas

O Evangelho de hoje não pede de nós técnicas de autocontrole, como se nós pudéssemos ou apenas realizássemos uma técnica de respiração diante de uma situação provocativa, talvez a prática de yoga, uma meditação que nos levasse, por exemplo, a essa serenidade; repetir um mantra. Não! O Evangelho não nos pede esse tipo de postura, o Evangelho pede de nós uma escolha, uma escolha que é guiada por princípios, uma escolha que é guiada por uma experiência pessoal com o Senhor.
Por isso, o Evangelho de hoje nos dá o chamado, o apelo a fazer uma escolha igual ou contrária àquilo que o mal está sugerindo. Se o mal hoje se apresenta diante de você e lhe pede algo, a Palavra de Deus, o Evangelho, está pedindo para nós totalmente o contrário.
Não basta resistir à provocação do mal, precisamos contra-atacar, mas com um bem muito superior àquele mal; contra-atacar no sentido de dar àquela situação uma resposta completamente diferente e contrária àquilo que ela está pedindo. Como fazemos isso? Reforçando a nossa vontade interior, cultivando ainda mais a nossa intimidade com o Cristo, tocando cada vez mais no coração de Cristo que quer nos dar também essa capacidade extraordinária de pagar o mal com o bem, de fazer um bem sem olhar a quem.
Peçamos ao Senhor essa graça, nesse dia de hoje, que a Sua Palavra fortifique o nosso interior para que eu e você saibamos e consigamos fazer bem todas as nossas escolhas.
Sobre todos vós, desça a bênção do Deus Todo-poderoso. Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!
Padre Donizete Ferreira
Sacerdote da Comunidade Canção Nova.
Fonte: Canção Nova em 13/06/2022

HOMILIA DIÁRIA

Chamados a fazer o bem mesmo em tempos difíceis

“Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Ouvistes o que foi dito: Olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos digo: não enfrenteis quem é malvado. Pelo contrário, se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda. Dá a quem te pedir e não vires as costas a quem te pede emprestado’.” (Mt 5,38-42)

Amados irmãos e irmãs, Jesus pede aos Seus discípulos que tenham comportamentos compatíveis com a proposta do Reino de Deus. Sempre façam o bem. Dentro do meu sacerdócio, o que eu mais tenho procurado viver é justamente esta palavra. Que o meu comportamento seja compatível com o Reino dos Céus.
Porém, fazer o bem hoje custará a nossa liberdade. Vai custar de nós e vai ser custoso, porque as pessoas nos perseguirão. As pessoas dirão que aquilo que fazemos é errado, porque, hoje, fazer o bem é fazer errado. E fazer errado é visto como bom. Os valores estão invertidos.
Jesus está nos falando que o mal só pode ser vencido pelo bem. Mas nós estamos fazendo o contrário. Se alguém me faz o mal, eu também faço mal a ele. Desculpe, meu irmão, isso não é atitude de cristão. Muitos vão até mesmo contrariar o que eu estou dizendo: “Quem faz o mal deve também receber o mal”. E isso, muitas vezes, sai da boca de cristãos.
“Ah padre, mas aí o senhor vai estar sendo besta. O senhor estará sendo bobo. As pessoas vão fazer o que quiserem de você.” Meus irmãos, fazer o bem não quer dizer que nós vamos deixar os outros nos usurpar, tirar a nossa liberdade, não tem nada a ver com aquilo que o Evangelho nos propõe.

Fazer o bem é nossa missão

Isso é desculpa para quem não quer fazer o bem. É desculpa para quem não quer viver uma vida de compatibilidade com o Evangelho, porque Jesus diz: “Abençoai os que vos perseguem. Amai os vossos inimigos.” Agora, é Cristo que está falando. Você vai contrariá-Lo ? Mas vamos arrumar desculpa, não é mesmo? “Não, mas não foi isso que Ele quis dizer.” E assim vamos mascarando o nosso desejo de fazer o bem.
Jesus nos fala que o nosso comportamento precisa ter compatibilidade com a realidade do Reino dos Céus, porque este é o caminho. Fazer a opção pelo bem e pelo amor. O cristão conquista o adversário pelo amor, e não pela vingança.
Mas hoje, meu irmão, dentro da Igreja, os cristãos estão se vingando uns dos outros. Eu estou falando para os cristãos. Sei que outras pessoas vão escutar, mas estou falando para os cristãos que querem viver uma vida em Deus. Faça o bem. Faça o bem ao próximo. Faça o bem àquele que te persegue, reze por ele, não faça o mal, porque isso não condiz com quem é um verdadeiro cristão.
Você pode até não concordar comigo, mas, discordando de mim, você discorda do próprio Cristo, que nos pede para buscar sempre o caminho da bondade. 
Que Deus nos ajude, nos dê força e nos abençoe. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!
Padre Ricardo Rodolfo
Padre Ricardo Rodolfo é brasileiro, nascido em 15 de junho 1982. Natural de São José dos Campos (SP), é membro da Associação Internacional Privada de Fiéis – Comunidade Canção Nova desde 2009 no modo de compromisso do Núcleo.

Oração Final
Pai Santo, dá-nos a consciência de que tudo o que temos e somos é dom do teu Amor e nada nos pertence. Ajuda-nos, Pai amado, a cultivar nossos talentos, não para satisfazer o orgulho ou egoísmo, mas para o bem dos teus filhos que colocaste em nosso caminho. Por Jesus Cristo, teu Filho e nosso Irmão, na unidade do Espírito Santo.
Fonte: Arquidiocese BH em 18/06/2012

ORAÇÃO FINAL
Pai Santo, dá-nos a consciência de que tudo o que temos e somos é dom do teu Amor e nada nos pertence. Ajuda-nos, Pai amado, a cultivar nossos talentos, não para satisfazer o orgulho ou egoísmo, mas para o bem dos teus filhos que colocaste em nosso caminho. Por Jesus Cristo, teu Filho e nosso Irmão, na unidade do Espírito Santo. Amém.
Fonte: Arquidiocese BH em 18/06/2018

ORAÇÃO FINAL
Pai amado, dá-nos sabedoria para seguir Jesus no seu Caminho de perdão sem medidas, de cuidado carinhoso com todos os irmãos – começando pelos marginalizados, os injustiçados e os pobres – chegando às alturas do amor aos inimigos. Pelo mesmo Jesus, o Cristo teu Filho que se fez nosso Irmão e contigo reina na unidade do Espírito Santo.
Fonte: Arquidiocese BH em 15/06/2020