
No Evangelho de hoje, Jesus encontra uma mulher estrangeira que, embora não faça parte do povo de Israel, demonstra uma fé profunda e perseverante. Mesmo diante de um silêncio inicial de Jesus, ela insiste em sua confiança de que Ele pode curar sua filha. Sua atitude nos mostra que a fé verdadeira ultrapassa barreiras culturais, preconceitos e qualquer limite humano. Jesus reconhece essa fé e concede o pedido dela, revelando que a salvação de Deus está disponível a todos que creem com confiança e humildade. Esta passagem nos convida a confiar em Deus sem desistir, mesmo quando as respostas parecem demoradas ou quando enfrentamos desafios.
Comentário do Evangelho
Senhor, também os cachorrinhos, embaixo da mesa, comem das migalhas das criancinhas
O deslocamento de Jesus com seus discípulos para os territórios de Tiro e Sidônia, regiões fenícias, tem a ver com a questão do puro e do impuro, mas também serviu para o evangelista demonstrar que Jesus foi o primeiro a fazer missão fora dos confins de Israel. No centro, uma mulher siro-fenícia que clama aos pés de Jesus por sua filha atormentada por um espírito impuro. A aparente dureza de Jesus, no confronto dessa mulher, reflete, na verdade, o que se passava no íntimo dos discípulos. Para estes, os gentios eram considerados “cães”, logo, impuros. A lição que Jesus quis dar a eles aconteceu sob o exemplo do uso do pão sobre a mesa, símbolo da Eucaristia. Com isso, deixou claro que era Pão da Vida também para os cristãos de origem gentílica, entre os quais essa mulher, em quem encontrou grande fé, pois ela o declarou “Senhor”. Atesta-se que a entrada dos gentios na comunidade era vontade de Deus.
Pe. Leonardo Agostini Fernandes, ‘A Bíblia dia a dia 2026’, Paulinas.
Fontes: https://www.facebook.com/ParoquiaSantaCruzCampinas e https://www.comeceodiafeliz.com.br/evangelho/senhor-tambem-os-cachorrinhos-embaixo-da-mesa-comem-das-migalhas-das-criancinhas-12022026
Reflexão
Tiro era uma cidade litorânea no extremo norte da Palestina. Uma terra considerada pagã, ou seja, onde se adoravam falsos deuses. O diálogo de Jesus se dá exatamente com uma mulher pagã, mas que demonstra grande fé no Filho de Deus. Na narração de Marcos, vemos claramente a hesitação de Jesus em atender o pedido de uma mulher que não pertencia ao “povo escolhido”. Essa peculiaridade reforça a ideia de que Jesus se dirigiu inicialmente aos judeus, mas, diante da recusa e da dureza de coração deles, alargou a sua missão a todos os povos, incluindo os pagãos. A continuidade da missão junto aos pagãos feita pelos apóstolos, especialmente por São Paulo, possibilitou que o Evangelho chegasse a todo o mundo, inclusive a nós hoje.
(Dia a dia com o Evangelho 2026)
Reflexão
«Ela foi e jogou-se a seus pés. Pedia que ele expulsasse o demônio de sua filha»
Rev. D. Enric CASES i Martín
(Barcelona, Espanha)
Hoje nos mostra a fé de uma mulher que não pertencia ao povo escolhido, mas que tinha a confiança em que Jesus podia curar a sua filha. Aquela mãe «A mulher era pagã, nascida na Fenícia da Síria. Ela suplicou a Jesus que expulsasse de sua filha o demônio» (Mc 7,26). A dor e o amor a levam a pedir com insistência, sem levar em consideração nem desprezos, nem atrasos, nem indignação. E consegue o que pede, pois «Ela voltou para casa e encontrou sua filha deitada na cama, pois o demônio já tinha saído dela» (Mc 7,30).
São Agostinho dizia que muitos não conseguem o que pedem pois são «aut mali, aut male, aut mala». Ou são maus e a primeira coisa que teriam que pedir seria ser bons; ou pedem erroneamente, sem insistência, em vez de pedir com paciência, com humildade, com fé e por amor; ou pedem coisas ruins que se recebessem fariam dano à alma ou ao corpo ou aos outros. Devemos nos esforçar, pois, por pedir bem. A mulher siro-fenícia é boa mãe, pede algo bom («que expulsasse de sua filha o demônio») e pede bem («veio e jogou-se aos seus a pés»).
O Senhor nos faz usar perseverantemente a oração de petição. Certamente, existem outros tipos de pregaria —a adoração, a expiação, a oração de agradecimento—, mas Jesus insiste em que nós freqüentemos muito a oração de petição.
Por que? Muitos poderiam ser os motivos: porque necessitamos da ajuda de Deus para alcançar nosso fim; porque expressa esperança e amor; porque é um clamor de fé. Mas existe um que talvez seja pouco considerando: Deus quer que as coisas sejam um pouco como nós queremos. Deste modo, nossa petição —que é um ato livre— unida à liberdade onipotente de Deus, faz com que o mundo seja como Deus quer e um pouco como nós queremos. É maravilhoso o poder da oração!
Pensamentos para o Evangelho de hoje
- «Quando a nossa oração não é ouvida é porque pedimos mal, com pouca fé ou sem perseverança, ou com pouca humildade» (Santo Agostinho)
- «Jesus elogia a mulher siro-fenícia que lhe pede com insistência a cura da sua filha. Insistência que certamente é muito estressante, mas esta é uma atitude de oração. Santa Teresa fala da oração como negociação com o Senhor» (Francisco)
- «Do mesmo modo que Jesus ora ao Pai e Lhe dá graças antes de receber os seus dons, assim também nos ensina esta audácia filial: ‘tudo o que pedirdes na oração, acreditai que já o alcançastes’ (Mc 11, 24). Tal é a força da oração: ‘tudo é possível a quem crê’ (Mc 9, 23), com uma fé ‘que não hesita’ (Mt 21,22) (…)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 2.610)
Reflexão
Israel, primeiro portador da salvação destinada a todos os povos
REDAÇÃO evangeli.net (elaborado com base nos textos de Bento XVI)
(Città del Vaticano, Vaticano)
Hoje, sentimos o amor de predileção de Deus pelo povo eleito (“os filhos”), embora o Filho de Deus tenha incarnado para a salvação de todos os povos (simbolicamente representados na mulher siro-fenícia). Jesus dirige-se ao seu povo, a Israel, como "primeiro portador" da promessa. Mas ao entregar-lhe a "nova Lei" amplia o seu povo para que, tanto de Israel como dos outros povos, possa nascer uma nova grande família de Deus.
Um aspecto fundamental do "novo" em Cristo é a universalização do povo de Deus, em virtude da qual Israel pode agora abarcar todos os povos do mundo, e o Deus de Israel foi realmente levado —conforme a promessa— a todos os povos e se manifesta como o único Deus.
—A “carne” —a descendência física de Abraão— já não é decisiva. É o “espírito”, que, participando na herança de fé de Israel mediante a comunhão com Jesus Cristo, "espiritualiza" a Lei convertendo-a, assim, em caminho aberto a todos.
Comentário sobre o Evangelho
A fé da mulher siro-fenícia, pedindo-lhe que curasse a sua filha, comove Jesus
Hoje, Jesus atende uma mulher estrangeira. Há tempo que vai atrás d’Ele, embora pareça não lhe ligar... Isto surpreende-nos! Ela insiste e por fim Jesus responde-lhe algo que nos parece duro: «Não está bem tomar o pão dos filhos e dá-lo aos cachorrinhos». A reacção daquela mãe é fantástica, cheia de humildade: - Tens razão, mas ajuda-me; tu podes ajudar-me!
- Não discutas com Deus, mas insiste humildemente: assim vais convencê-Lo!
Meditação
A Palavra: dos ouvidos ao coração!
O rei Salomão, na sua velhice, trocou o verdadeiro Deus por falsos deuses. Ele construiu templos e altares para deuses venerados por povos pagãos. Salomão não foi fiel aos mandamentos do Senhor; ele deixou de acreditar no Senhor, e o Evangelho de hoje nos apresenta uma mulher pagã e estrangeira que professa a sua fé em Jesus Cristo. Aquela mulher tinha um problema: a sua filha estava possuída por um espírito impuro, ou seja, tinha uma enfermidade grave e desconhecida pela medicina da época. Naquela época, as doenças desconhecidas eram atribuídas aos espíritos impuros. Antes de fazer o seu pedido, aquela mulher se ajoelha diante do Senhor. A prece daquela mãe, recheada por lágrimas, tocou o coração misericordioso de Jesus Cristo e o milagre aconteceu: a sua filha foi curada.
Coleta
Ó Deus, vós nos revelastes que os pacíficos serão chamados vossos filhos; concedei-nos trabalhar incansavelmente pela instauração da justiça, sem a qual não há paz firme e verdadeira. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.


.jpg)

Nenhum comentário:
Postar um comentário