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«Mas entre vós está alguém (…) aquele que vem depois de mim»
Mons. Romà CASANOVA i Casanova Bispo de Vic
(Barcelona, Espanha)
Hoje, no Evangelho da liturgia eucarística, lemos o testemunho de João Batista. O texto que precede estas palavras do Evangelho segundo São João é o prólogo em que se afirma com clareza: «E a Palavra se fez carne e veio morar entre nós» (Jo 1,14). Aquilo que no prólogo —a modo de grande abertura— se anuncia, manifesta-se agora, passo a passo, no Evangelho. O mistério do Verbo encarnado é o mistério da salvação para a humanidade: «A graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo» (Jo 1,17). A salvação chega-nos por meio de Jesus Cristo e, a fé é a resposta à manifestação de Cristo.
O mistério da salvação em Cristo está sempre acompanhado pelo testemunho. O próprio Jesus Cristo é o «Amém, a testemunha fiel e verdadeira» (Ap 3,14). João Batista é quem dele dá testemunho, com a sua missão e visão de profeta: «entre vós está alguém que vós não conheceis (…) aquele que vem depois de mim» (Jo 1,26-27).
E os Apóstolos entendem a sua missão: «Deus ressuscitou este mesmo Jesus, e disso todos nós somos testemunhas» (At 2,32). A Igreja, toda ela, e, portanto todos os seus membros têm a missão de serem testemunhas. O testemunho que trazemos ao mundo tem um nome. O Evangelho é o próprio Jesus Cristo. Ele é a “Boa Nova”. E a proclamação do Evangelho por todo o mundo deve ser igualmente entendida como clave do testemunho que une inseparavelmente o anúncio e a vida. É conveniente recordar aquelas palavras do Papa Paulo VI. «O homem contemporâneo escuta melhor quem dá testemunho do que quem ensina (…) ou, se escutam os que ensinam, é porque disso dão testemunho».
Pensamentos para o Evangelho de hoje
- «Prestai atenção a estes novos e maravilhosos prodígios: o Sol da justiça purificando-se no Jordão; o fogo imerso na água; Deus santificado pelo ministério de um homem. Hoje toda a criação ressoa com Hinos: 'Bendito aquele que vem em nome do Senhor» (São Proclo de Constantinopla)
- «João Baptista "inclina-se" perante Deus. Isto é exatamente o que o Redentor faz: Deus reside nas alturas, mas inclina-se para baixo. Este olhar para baixo é um agir: transforma-me a mim e ao mundo» (Benedito XVI)
- «A consagração messiânica de Jesus manifesta a sua missão divina (...) `Aquele que foi ungido é o Filho, e foi-o no Espírito que é a Unção´ (Sto. Ireneu de Lyon). A sua eterna consagração messiânica revelou-se no tempo da sua vida terrena, a quando do seu batismo por João (...)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 438)
Reflexão
«Eu sou a voz de quem grita no deserto: ‘Endireitai o caminho para o Senhor!»
Rev. D. Joan COSTA i Bou
(Barcelona, Espanha)
Hoje, o Evangelho propõe à nossa contemplação a figura de João Batista. «Quem és tu?», perguntam-lhe os sacerdotes e os levitas. A resposta de João manifesta claramente a consciência de cumprir uma missão: preparar a vinda do Messias. João responde aos emissários: «Eu sou a voz de quem grita no deserto: Endireitai o caminho para o Senhor» (Jo 1,23). Ser a voz de Cristo, o seu altifalante, aquele que anuncia o Salvador do mundo e prepara a Sua vinda: esta é a missão de João e, tal como dele, de todas as pessoas que se sabem e sentem depositárias do tesouro da fé.
Toda a missão divina tem por fundamento uma vocação, também divina, que garante a sua realização. Tenho a certeza de uma coisa, dizia São Paulo aos cristãos de Filipos: «Aquele que começou em vós tão boa obra há-de levá-la a bom termo, até o dia do Cristo Jesus.» (Flp 1,6). Todos, chamados por Cristo à santidade, temos de ser a Sua voz no meio do mundo. Um mundo que, muitas vezes, vive de costas para Deus e que não ama o Senhor. É preciso que O tornemos presente e O anunciemos com o testemunho da nossa vida e da nossa palavra. Não o fazer, seria atraiçoar a nossa vocação mais profunda e a nossa missão. «Pela sua própria natureza, a vocação cristã é também vocação para o apostolado.», comenta o Concílio Vaticano II.
A grandeza da nossa vocação e da missão que Deus nos destinou não provém dos nossos méritos, mas daquele a Quem servimos. Assim o exprimiu João Batista: «Não sou digno de desatar as correias da sandália» (Jo 1,27). Como Deus confia nas pessoas!
Agradeçamos de todo o coração a chamada a participar da vida divina e a missão de ser, para o nosso mundo, além da voz de Cristo, também as Suas mãos, o Seu coração e o Seu olhar e renovemos, agora, o nosso desejo sincero de sermos fiéis.
Reflexão
Belém: Deus se inclina
REDAÇÃO evangeli.net (elaborado com base nos textos de Bento XVI)
(Città del Vaticano, Vaticano)
Hoje, João Baptista inclina-se ante Deus. É exatamente o que faz o Redentor: Deus reside no alto, mas se inclina para abaixo... O Criador do universo está muito longe de nós: Assim parece inicialmente. Mas depois vem a experiência surpreendente: Olha para abaixo. Este olhar para abaixo é um obrar: Transforma-me a mim e ao mundo.
“Deus se inclina”: Esta é uma palavra profética que na noite de Belém adquiriu um sentido completamente novo. O inclinar-se de Deus assumiu um realismo inaudito e antes inimaginável. Ele se inclina: Vem abaixo como uma criança, incluso até a miséria do estábulo, símbolo toda necessidade. O Criador que tem tudo em suas mãos, de quem todos nós dependemos, se faz pequeno e necessitado do amor humano. Deus está no estábulo!
—Nada pode ser mais sublime, maior, que o amor que se inclina de este modo. A grandeza de Deus se faz visível quando se abrem os olhos do coração diante do estábulo de Belém.
Comentário sobre o Evangelho
João Batista aos fariseus: «Endireitai o caminho para o Senhor!»
Hoje escutamos o maravilhoso testemunho que João Batista dá do Senhor. João era santo e alguns pensavam que ele era o Messias. Mas respondeu que ele era o profeta para preparar a prédica de Jesus: «Retificai o caminho do Senhor»; converta-os e prepare-os para recebe-lo.
—As coisas são assim: o Filho de Deus vem salvar-nos, mas sem ruído, sem imposições. Estejamos atentos!
Meditação
A Palavra: dos ouvidos ao coração!
“Eu sou a voz que grita no deserto”. Da boca de João Batista ecoava uma voz profética convocando o povo a uma mudança de vida. Com a sua pregação, João Batista queria preparar o povo para receber o Salvador Prometido: Jesus Cristo. A pregação de João Batista era sincera e envolvente, por isso muitos pensavam que ele era o próprio Messias. Na sua humildade profética, João Batista não se deixou dominar por sentimentos de grandezas e vaidades: ele não era carente de elogios ou bajulações, pois entendeu a grandeza do verdadeiro Deus. O testemunho profético de João Batista nos provoca a rejeitar todo sentimento de vaidade em ser o maior, e reconhecer a presença de Deus em nosso caminhar.
Coleta
Ó DEUS, que vos dignastes iluminar vossa Igreja com o exemplo e a doutrina dos santos bispos Basílio e Gregório, concedei, nós vos pedimos, que aprendamos humildemente vossa verdade e a pratiquemos com fidelidade e amor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
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