
Com a Carta Apostólica sob forma de Motu Proprio, denominada Aperuit Illis” (“Abriu-lhes’), no dia 30 de setembro de 2019 o papa Francisco instituiu este domingo, o Terceiro Domingo do Tempo Comum, como O Domingo da Palavra de Deus. Já na conclusão do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, em sua Carta Apostólica “Misericórdia Et Misera”, dizia o papa: “É meu vivo desejo que a Palavra de Deus seja conhecida e difundida, para que se possa, por meio dela, compreender melhor o mistério de amor que dimana daquela fonte de misericórdia”.(MM 7).
O objetivo do papa com esta iniciativa é o de responder aos inúmeros pedidos feitos a ele por parte do Povo de Deus para que fosse instituído um dia em que a Palavra de Deus fosse celebrada com unidade de intenções.(cf.Aperuit Illis, 2). Para nós católicos do Brasil o mês de setembro já é tradicionalmente conhecido como “o mês da Bíblia”, dada à memória litúrgica do tradutor e exegeta das sagradas escrituras, São Jerônimo, que se celebra no dia 30 de setembro.
Diversas iniciativas são encontradas entre as comunidades eclesiais que celebram este dia como o “dia da Bíblia”, além de haver durante este mês a promoção de estudo, reflexão e divulgação da Sagrada Escritura. Com esta nova Carta Apostólica Aperuit Illis, o papa Francisco cria para toda a Igreja um domingo que será dedicado inteiramente à Palavra de Deus.
Como recorda o apóstolo São Paulo: “Toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para argumentar, para corrigir, para educar conforme a justiça”(2Tm 3,16). Certo da importância da Palavra de Deus na vida da Igreja e das pessoas, o papa Francisco enfatiza: “É bom que não venha jamais a faltar na vida do nosso povo esta relação decisiva com a Palavra viva, que o Senhor nunca se cansa de dirigir à sua Esposa (Igreja), para que esta possa crescer no amor e no testemunho da fé.”(Aperuit Illis, 2).
O papa, então, passa a indicar sugestões práticas para este dia: “estabeleço que o III Domingo do Tempo Comum seja dedicado à celebração, reflexão e divulgaçãoda Palavra de Deus.
Este Domingo da Palavra de Deus colocar-se-á, assim, num momento propício daquele período do ano em que somos convidados a reforçar os laços com os judeus e a rezar pela unidade dos cristãos”[...] “As comunidades encontrarão a forma de viver este Domingo como um dia solene...”[...]“- Que na celebração eucarística se possa entronizar a palavra de Deus...” [...] “Neste Domingo, será útil colocar em evidência a sua proclamação e adaptar a homilia para se por em destaque o serviço que se presta à Palavra do Senhor.
Neste Domingo, os Bispos poderão celebrar o rito do Leitorato ou confiar um ministério semelhante, a fim de chamar a atenção para a importância da proclamação da Palavra de Deus na liturgia”.[...] “... que se faça todo esforço possível no sentido de preparar alguns fiéis para serem verdadeiros anunciadores da Palavra com uma preparação adequada” [...]“De modo a fazer emergir a importância de continuar na vida diária a leitura, o aprofundamento e a oração com a Sagrada Escritura...”(Aperuit Illis, 3).
Agradecemos ao Papa Francisco pela criação do Domingo da Palavra de Deus, mediante o Motu Proprio “Aperuit Illis”. Agradecemos também a ele por seu amor e zelo para com a igreja, pelos presentes a ela concedidos, tais como as Exortações Apostólicas Evangelii Gaudium, Amoris Laetitia, Gaudete Et Exultate, bem como as Cartas Encíclicas Laudato Sí e Misericórdia Et Misera, entre tantos outros. Que pela intercessão da Virgem Maria, Deus o abençoe e o conserve no pastoreio da sua Igreja.
Dom Eduardo Vieira dos Santos
Bispo auxiliar de São Paulo
Fonte: NPD Brasil em 26/01/2020 e Arquidiocese de SP - Folheto Povo de Deus em 22/01/2023
Comentário do Evangelho
Jesus chama os primeiros discípulos e anuncia o Reino de Deus.
No Evangelho do 3º Domingo do Tempo Comum, Jesus inicia sua missão pública após saber da prisão de João Batista. Ele deixa Nazaré e fixa morada em Cafarnaum, na Galileia, cumprindo a profecia de Isaías: o povo que caminhava nas trevas viu uma grande luz. A presença de Jesus ilumina a vida do povo simples, revelando que Deus se aproxima com misericórdia, esperança e salvação.
A primeira palavra anunciada por Jesus é um convite claro e direto: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”. A conversão não é apenas mudança exterior, mas transformação do coração, da maneira de pensar e de viver. No Tempo Comum, a Igreja nos recorda que o seguimento de Cristo acontece no cotidiano, nas escolhas simples e concretas da vida.
O chamado dos primeiros discípulos revela a força da Palavra de Jesus. Pedro, André, Tiago e João deixam imediatamente redes, barca e família para segui-lo. Esse gesto expressa confiança total e disponibilidade para a missão. Jesus não escolhe pessoas perfeitas, mas homens simples, trabalhadores, dispostos a aprender e caminhar com Ele.
Este Evangelho nos convida a refletir sobre nossa própria resposta ao chamado do Senhor. Muitas vezes, somos tentados a adiar, a colocar condições ou a nos prender às “redes” que nos dão segurança. Jesus, porém, continua passando pela beira do nosso caminho e nos chama a segui-lo, prometendo fazer de nós instrumentos de seu amor e anunciadores do Reino.
A liturgia deste domingo nos lembra que a Palavra de Deus é luz que orienta, cura e transforma. Quem acolhe essa Palavra com fé descobre que seguir Jesus é caminho de vida, liberdade e verdadeira alegria.
Reflexão
João Batista saindo de cena, Jesus, após o batismo e a prova no deserto, entra completamente na missão. Começa sua atividade na Galileia, região periférica e distante do centro econômico, político e religioso. Estabelece sua morada em Cafarnaum. A chegada de Jesus é como uma luz que ilumina o povo sofrido que vivia nas trevas da dominação romana. O primeiro apelo do Mestre de Nazaré é um convite ao arrependimento, porque o Reino do Céu está próximo. Jesus não trabalha sozinho, por isso convida pescadores para que o auxiliem na missão. Deixando o trabalho no mar, tornam-se “pescadores de gente”, missão um pouco mais exigente do que simplesmente pescar peixes. Isso significa que não precisamos deixar de fazer o que fazíamos, mas devemos passar a fazê-lo em favor de outros. É através do nosso trabalho e de nossa profissão que podemos ajudar na construção do Reino da justiça. Podemos colaborar com o Mestre, contribuindo para uma vida mais digna e feliz para os outros.
(Dia a dia com o Evangelho 2026)
Reflexão
«Jesus percorria toda a Galileia»
Rev. D. Josep RIBOT i Margarit
(Tarragona, Espanha)
Hoje, Jesus dá-nos uma lição de “santa prudência”, perfeitamente compatível com a audácia e a valentia. Efectivamente, Ele - que não tem medo de proclamar a verdade - decide retirar-se, ao ver que - como já tinham feito com João Baptista - os seus inimigos O querem matar: «Sai daqui, porque Herodes te quer matar» (Lc 13,31). - Se Àquele que passou fazendo o bem, os seus detratores tentaram causar dano, não se estranhe que também soframos perseguições, como nos anunciou o Senhor.
«Quando soube que João tinha sido preso, Jesus retirou-se para a Galileia» (Mt 4,12). Seria imprudente desafiar os perigos sem um motivo que o exigisse. Apenas na oração discernimos quando o silêncio ou a inactividade - deixar passar o tempo - são sintomas de sabedoria, ou de cobardia e falta de fortaleza. A paciência, ciência da paz, ajuda a decidir com serenidade nos momentos difíceis, se não perdermos a visão sobrenatural.
«Jesus percorria toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, anunciando a Boa Nova do Reino e curando toda a espécie de doenças e enfermidades do povo» (Mt 4,23). Nem as ameaças, nem o medo ao que dirão ou as possíveis críticas nos podem impedir de fazer o bem. Aqueles que estamos chamados a ser sal e luz, promotores do bem e da verdade, não podemos ceder diante da chantagem da ameaça, que tantas vezes não passará de um perigo hipotético ou meramente verbal.
Decididos, audazes, sem procurar desculpas para adiar a acção apostólica para “depois”. Dizem que «o “depois” é o advérbio dos vencidos». Por isso, São Josemaria recomendava, «uma receita eficaz para o teu espírito apostólico: Planos concretos, não de sábado a sábado, mas de hoje para amanhã (...)».
Cumprir a vontade de Deus, ser justos em qualquer ambiente e seguir os ditames da consciência bem formada exige uma fortaleza que devemos pedir para todos, porque o perigo da cobardia é grande. Peçamos à nossa Mãe do Céu que nos ajude a cumprir sempre e em tudo a vontade de Deus, imitando a sua fortaleza ao pé da Cruz.
Pensamentos para o Evangelho de hoje
- «Não serei pobre em méritos, entanto Ele não o seja em misericórdia. E, embora tenha consciência de meus muitos pecados, se o pecado cresceu, mais desbordante foi a graça. E, se a misericórdia do Senhor é para sempre, eu também cantarei eternamente as misericórdias do Senhor» (São Bernardo)
- «Naveguem mar adentro, e jogar as redes! Também vocês estão chamados a converter-se em “pescadores de homens”. Não duvidem em empregar vossa vida para testemunhar com alegria o Evangelho, especialmente a vossos coetâneos» (Francisco)
- «Aquele que, com ajuda de Deus, aceitaram o convite de Cristo e livremente Lhe responderam, foram por sua vez impelidos, pelo amor do mesmo Cristo, a anunciar por toda a parte a Boa-Nova» (Catecismo da Igreja Católica, n° 3)
Reflexão
Início do ministério público de Jesus
REDAÇÃO evangeli.net (elaborado com base nos textos de Bento XVI)
(Città del Vaticano, Vaticano)
Hoje, Mateus oferece um breve relato sobre a primeira atuação de Jesus na vida pública, no qual se fala expressamente da Galiléia como “a Galiléia dos pagãos”, como o lugar anunciado pelos profetas (cf. Is 8,23; 9,1), aquele em que aparecerá uma “grande luz”. Mateus responde assim à surpresa pelo fato de que o Salvador não viera de Jerusalém e Judéia. Desde o princípio, Mateus recorre ao Antigo Testamento para conhecer até os detalhes aparentemente mais insignificantes em favor de Jesus.
Em primeiro lugar, está o resumo do conteúdo essencial da pregação de Jesus, que quer dar uma indicação sintética de sua mensagem: “Convertei-vos porque o Reino (soberania) dos Céus está próximo”. Depois vem a eleição dos doze, com a qual Jesus Cristo anuncia e põe em marcha a renovação do povo das doze tribos, a nova convocação de Israel.
—Mateus, em muito poucas linhas, delineia à sua audiência uma primeira imagem da figura e da obra de Jesus.
Comentário sobre o Evangelho
Jesus procura “pescadores de homens”
Hoje, respiramos o ambiente dos primeiros chamamentos de Cristo. Vemos Simão Pedro e André: estavam a trabalhar. Jesus chama-os… Depois chega a vez de Tiago e de João: também estavam a trabalhar. Após escutar o convite de Jesus não pensam nem sequer um instante: seguem o Senhor...
- Jesus Cristo passa a teu lado… Oxalá te encontre a trabalhar!
HOMILIA
A Palavra: dos ouvidos ao coração!
Jesus fora batizado ou investido do Espírito, a força do Alto para sua missão. Vencera as tentações que o forçavam a desviar-se de seu divino caminho. O precursor Batista estava preso, fizera o que podia em abrir a estrada para o Messias prometido. Nada faltava para Jesus se lançar à missão.
Deixa a Judeia que já aprisionara e silenciara o Batista e volta para a Galileia, não para sua Nazaré e sim para Cafarnaum, “às margens do mar da Galileia”, no território desprezado pelos judeus como “Galileia dos pagãos”.
Assim inaugura a salvação prometida, inicia a humanidade sonhada pelo Pai: aquele povo “que vivia nas trevas”, nele vê “uma grande luz” e se alegra “como alegres ceifeiros na colheita”. Vitória da Luz que resultava na destruição do “jugo que oprimia o povo, a carga sobre seus ombros”. Era o fim do “orgulho dos fiscais”, dos faraós que teimam em não abandonar o Povo.
Sim, “o Senhor é minha luz e salvação. O Senhor é a proteção da minha vida; perante quem eu tremerei?”, que fiscal-faraó me tirará a paz no seguimento de Jesus-luz?
Paulo, o perseguidor dobrado por Deus para ser o grande apaixonado pelo Messias-luz, fica indignado com os coríntios. Por seu ministério, eles nasceram para a fé em Jesus, mas “eu vos exorto, pelo nome do Senhor nosso, Jesus Cristo, a que sejais todos concordes uns com os outros e não admitais divisões entre vós”. Sim, estavam perdendo o foco no Tudo, que era Jesus, para brigarem pelos simples mediadores daquele Tudo: “Eu sou de Paulo... de Apolo... de Cefas... de Cristo”!
Que advertência! “Será que o Cristo está dividido?” Existe um Cristo de Paulo, outro de Apolo etc? É Paulo ou Apolo ou Cefas “que foi crucificado por amor de vós?” É no nome de um desses, e não de Cristo, “que fostes batizados?”.
Indignação que reforça com este vibrante testemunho: Considero tudo como desvantagem, diante da grandeza de conhecer o Cristo Jesus, meu Senhor. Por Ele, eu aceitei perder tudo e tudo considero como lixo, para que eu ganhe a Cristo e “seja achado nele” (Fl 3,8-9a), sempre mais vitalmente unido a Ele.
Sendo Ele mesmo a perfeita encarnação do “Reino dos Céus”, Jesus inicia a missão pregando que se convertam para seu próprio coração, sentimentos e atitudes. Reino “próximo”, acessível a todos pela porta da conversão.
E imediatamente busca colaboradores como Ele, “pescadores de homens”, de todos os homens, pelos quais o Pai deseja que seu Reino seja acolhido ou ao menos conhecido.
Pe. Domingos Sávio, C.Ss.R.
Coleta
— OREMOS: DEUS ETERNO E TODO-PODEROSO, dirigi nossas ações segundo a vossa vontade, para que, em nome do vosso dileto Filho, mereçamos frutificar em boas obras. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém.

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