ANO A
Mc 4,26-34
Comentário do Evangelho
Imagens do Reino de Deus
Embora o agricultor tenha seus cuidados de irrigar e remover ervas daninhas, é admirável o germinar da semente, o seu crescer e os frutos produzidos. O processo vital é obra de Deus. Assim também é admirável como algo tão pequeno como a semente de uma mostarda se transforme em um grande arbusto, podendo atingir até três metros de altura, chegando a abrigar pássaros em seus galhos, com sua sombra. Com imagens tão simples e belas da natureza compreende-se que Deus comunica sua vida a todos, sem privilegiados ou excluídos, não havendo ninguém que possa impedi-lo. Ainda mais, o que parece insignificante hoje está a caminho de sua plena realização.
José Raimundo Oliva
Fonte: Paulinas em 27/01/2012
Comentário do Evangelho
O Reino de Deus exige essa dupla atitude: empenho e espera
O que temos são duas parábolas do Reino. O Reino de Deus não se circunscreve a nenhuma definição. Haverá sempre algo a dizer e a compreender dele. Por isso, a melhor forma de dizê-lo e de fazer entrar no seu mistério é a parábola. A primeira delas, própria a Marcos, apresenta que o Reino de Deus exige uma dupla atitude: empenho e espera. Empenho de semear, de tornar presente no mundo a realidade do mistério do Reino de Deus presente e revelado em Jesus Cristo. Ao mesmo tempo, o dinamismo do Reino de Deus exige perseverança na espera paciente, pois a semente plantada na terra possui o dinamismo do seu próprio crescimento, o que só acontece no curso do tempo, em meio às vicissitudes da história humana. O Reino de Deus não nasce já grande e vistoso. A parábola do grão de mostarda ilustra esse contraste entre a pequenez da semente e o que ela se torna, a maior de todas as hortaliças. Para o ouvinte, a parábola é um convite à confiança e à esperança, e a entrar no dinamismo próprio do Reino de Deus.
Carlos Alberto Contieri, sj
Oração
Pai, dá-me sensibilidade para perceber teu Reino acontecendo no meio de nós, aí onde lutamos para a construção de uma sociedade mais humana e fraterna.
Fonte: Paulinas em 31/01/2014
Vivendo a Palavra
O Reino do Céu é dom, é presente do Pai para seus filhos. Ele não vem porque nós merecemos, mas por pura gratuidade. Basta que o acolhamos, semeando-o em nossa vida. E vem com a força de uma sementinha de mostarda, para que, como ela é capaz de tornar-se árvore para acolher as aves do céu, também nós cresçamos e nos tornemos abrigo para os irmãos do caminho.
Fonte: Arquidiocese BH em 27/01/2012
Vivendo a Palavra
O campo da semeadura somos nós. O Reino de Deus é como uma semente, que traz em si a força da Vida. Tomemos o cuidado de cercá-la de carinho e proteção, para que, como a mostarda, aquela sementinha minúscula se torne uma árvore acolhedora para os irmãos do Caminho.
Fonte: Arquidiocese BH em 31/01/2014
VIVENDO A PALAVRA
O campo para a semeadura somos nós. O Reino de Deus é como uma semente, que traz em si a força da Vida. Tomemos o cuidado de cercá-la de carinho e proteção, para que, como a mostarda, aquela sementinha minúscula cresça e se torne uma árvore acolhedora para os irmãos do Caminho.
Fonte: Arquidiocese BH em 31/01/2020
Reflexão
Muitas vezes tentamos explicar a realidade do Reino de Deus de uma forma muito complicada, repleta de elaborações doutrinais e de palavras com significados bem específicos que exigem dicionários e conhecimentos específicos em várias ciências para a sua compreensão. Jesus não age assim. Ele procura revelar as verdades do Reino de forma muito simples, compreensível para todas as pessoas, para que os simples e humildes possam acolher a proposta divina e dar a sua adesão a esta proposta sem desanimar diante de dificuldades teóricas e científicas.
Fonte: CNBB em 27/01/2012 e 31/01/2014
Reflexão
As primeiras comunidades cristãs esperavam alegrar-se com a prosperidade do Reino de Deus. O que elas constatam, porém, é a perseguição aos cristãos. O que aumenta, de fato, são as doutrinas que surgem confundindo a cabeça dos seguidores de Cristo. Hoje não é diferente. Ainda se encontra alguém que se diz ateu. Topamos com pessoas que zombam dos que professam a fé cristã. Existe, em muitos lugares, declarada perseguição aos cristãos! Será que esse turbilhão ameaçador vai devorar os pequenos, os humildes, os tementes a Deus, os que procuram fazer a vontade de Deus? Jesus explica que o Reino de Deus não vem de modo ostensivo, barulhento. Sua implantação requer tempo, paciência e perseverança de nossa parte. Junto com o poder de Deus. É assim que o Reino abrangerá todos os povos da terra.
Oração
Ó Jesus, divino Mestre, usas parábolas para que teus ouvintes possam melhor entender tua mensagem. Então comparas o Reino de Deus a uma semente minúscula, que depois se transforma em árvore frondosa. Dá-nos, Senhor, fé e esperança, enquanto aguardamos os frutos do Reino de Deus. Amém.
(Dia a dia com o Evangelho 2020 - Pe. Luiz Miguel Duarte, ssp (dias de semana) Pe. Nilo Luza, ssp (domingos e solenidades))
Fonte: Paulus em 31/01/2020
Reflexão
Nos seus ensinamentos, Jesus gostava de comparar o “Reino (e a Palavra) de Deus” com uma semente. É o caso também no texto de hoje. A semente não é apenas o que aparenta ser, é algo que traz, em si, vida. Isso se percebe quando a semente é posta na terra, ela germina e se desenvolve. Para isso, porém, necessita de tempo e condições. A primeira parábola evidencia a fecundidade da semente e da terra, a planta cresce independentemente da vontade das pessoas. Assim é o Reino de Deus, em si mesmo contém vida, dinamismo, esperança. A segunda parábola acentua o contraste entre a semente (pequena) e a planta (grande). A mostarda era uma espécie de praga, brotava em lugares não desejáveis, assim como o Reino de Deus floresce de maneira incômoda aos sistemas que se opõem a ele. O reino de Deus é visto como árvore que fornece sombra (acolhida e proteção) a todos os povos.
(Dia a dia com o Evangelho 2022)
Fonte: Paulus em 28/01/2022
Recadinho
Lembra-se sempre de que nossa primeira missão deve ser servir? - Como se consegue ser o primeiro nas coisas de Deus? - Jesus falava de modo simples e humilde. Procuramos imitá-lo? - Falo de modo simples e com o testemunho pessoal de vida? - Somos pacientes com os resultados ou queremos já tudo pronto e a nosso modo?
Padre Geraldo Rodrigues, C.Ss.R
Fonte: a12 - Santuário Nacional em 31/01/2014
Meditando o evangelho
ENSINANDO EM PARÁBOLAS
Jesus foi um Mestre paciente que soube adaptar seus ensinamentos à capacidade de compreensão de seus ouvintes. Este esforço pedagógico e didático resultou na escolha das parábolas como meio de transmitir suas instruções.
As parábolas não eram somente as comparações. Também os provérbios, ensinamentos, enigmas e outros recursos literários eram classificados como parábolas. Por isso, afirma-se que, "sem parábolas, Jesus não lhes falava".
Elas continham sempre um elemento para intrigar os ouvintes e levá-los a refletir sobre a mensagem veiculada. Só quem estava muito sintonizado com Jesus era capaz de passar da parábola à sua mensagem, e compreender o ensinamento do Mestre. Por isso, muita gente não sintonizada com Jesus ouvia suas palavras, sem entender nada.
Até mesmo os discípulos, muitas vezes, não eram capazes de atinar para o que Jesus lhes ensinava com as parábolas. Era preciso que, em particular, o Mestre lhes explicasse tudo, iluminando-lhes as mentes para compreenderem como o Reino acontece na história humana.
O discípulo esforça-se para entender as parábolas de Jesus, ou seja, para estar em sintonia total com o Mestre. Esta é a única maneira de captar seus ensinamentos.
(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês)
Oração
Espírito que me coloca em sintonia com Jesus, conduze-me à plena compreensão dos ensinamentos contidos nas parábolas evangélicas.
Fonte: Dom Total em 31/01/2020
Meditando o evangelho
A DINÂMICA DO REINO
Umas das limitações do discípulo consiste em não respeitar a dinâmica própria do Reino, e em querer fazê-lo crescer e dar frutos num ritmo diferente daquele querido por Deus. A impaciência do discípulo pode colocar em risco a eficácia do Reino. Quem não gostaria de ver a justiça reinar, no mundo inteiro, de uma hora para outra? Quem não ficaria contente se a pobreza e a miséria fossem erradicadas num passe de mágica? Quem não exultaria vendo a superação imediata de todo tipo de exclusão, violência e falta de solidariedade?
Esses frutos do Reino, contudo, vão se produzindo às ocultas, em pequenos gestos e projetos bem simples, sem que ninguém se dê conta. O discípulo tem sensibilidade para perceber a sementinha do Reino medrando nos lugares mais estranhos e de maneiras não convencionais. E reconhece, aí, a ação providente do Pai.
O discípulo impaciente desespera-se com a lentidão dos acontecimentos, tornando-se insensível para a presença efetiva do Reino ao seu redor. Aplica ao Reino seus cálculos mundanos, exige dele a eficácia característica dos projetos humanos, e se decepciona por não poder apressar o ritmo da implantação do Reino.
A construção do Reino dá-se pela conjugação da ação divina e da ação humana. Basta que o discípulo faça a sua parte. O resto fica por conta de Deus.
(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês)
Oração
Senhor Jesus, que eu seja capaz de perceber o dinamismo do Reino, frutificando, de maneira discreta, nos meandros da história humana.
Fonte: Dom Total em 31/01/2014 e 28/01/2022
Oração
Ó Deus, que suscitastes são João Bosco para educar e pai dos adolescentes, fazei que, inflamados da mesma caridade, procuremos a salvação de nossos irmãos, colocando-nos inteiramente ao vosso serviço. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Fonte: Dom Total em 31/01/2014
COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1. Sob o Controle de Deus...
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Diácono José da Cruz - Diácono da Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP)
O evangelho de hoje traz um ensinamento que precisa ser bem compreendido, caso contrário poderá levar o cristão a cruzar os braços diante de certas situações complicadas que requerem vontade, ação e decisão de sua parte. Entregar tudo nas mãos de Deus não é esquivar-se de agir, pensar, planejar, lutar, mas é um ato de Fé, de que o Reino pertence a Ele, e há mesmo acontecimentos que nem temos como interferir.
Exemplo maior é o de Maria Santíssima, que quando via que a situação estava fora do seu controle e compreensão, guardava tudo em seu coração e meditava sobre os acontecimentos mas nunca jamais se furtando de fazer aquilo que tinham de ser feito. Quando Jesus lhe respondeu daquele jeito até meio "maroto", de que não era para ela e José se preocuparem pois ele estava no templo com os Doutores da Lei, se ocupando das coisas do seu Pai, nem por isso Maria esquivou-se da sua missão de mãe, ela poderia ter dito "Ah meu Filhinho, se é assim então fique aí até quando quiser, não tem problema nenhum..."
Ao contrário, deve ter dado um bom puxão de orelhas no menino, pois o texto de Lucas fala que desceram para Nazaré e Jesus era-lhes obediente em tudo.
Não adianta a humanidade querer monitorar o pensamento e a conduta cristã, ou certos poderosos que mandam no mundo, querer ditar normas para a Igreja. O Reino de Deus está acontecendo em meio a humanidade, crescendo, se expandindo e se manifestando onde e a quem quiser, sem que o ser humano possa contê-lo ou direcioná-lo. Hoje é semente escondida que poucos sabem da existência, mas amanhã será a maior de todas as árvores, dando sombra e frutos a quem nele acreditou e ajudou a construir.
O Reino não está atrelado ou dependente de alguma ideologia humana, social ou política, o Reino não tem Sigla Partidária e nem denominação em particular, mas é de todos e para todos.
Então, se por um lado devemos sempre ter presente que Deus está agindo no meio da humanidade, embora não pareça, por outro, Ele nos inspira e nos exorta o que fazer, através de sua palavra pois a semente cultivada requer cuidados para o seu desenvolvimento, esta semente está em todos os lugares, mas principalmente no coração.
2. A terra produz o fruto por si mesma - Mc 4,26-34
(O comentário do Evangelho abaixo é feito por Côn. Celso Pedro da Silva, ‘A Bíblia dia a dia 2017’, Paulinas e disponibilizado no Portal Paulinas - comece o dia feliz)
O Reino de Deus é parecido com a semente que foi semeada. Germina, cresce, torna-se planta, produz frutos. Estudiosos e especialistas em botânica não entendem tudo, mas compreendem muito do que acontece com a semente lançada na terra. O agricultor e os amadores que gostam de plantas sabem como fazer, mas não como as coisas acontecem. Assim é o Reino de Deus. Ele está acontecendo sem que eu saiba exatamente como, mas está. O que pode sair de um pequeno grão de mostarda? A comparação fala de um arbusto forte que pode abrigar pássaros e ninhos. O Reino de Deus vai acontecendo aparentemente do nada. Pequenas ações, resultantes de um amor dedicado, podem ser causa ou princípio de grandes ações. Faça bem o que tem que fazer, e faça com gosto!
Fonte: NPD Brasil em 31/01/2020
HOMILIA
O REINO DE DEUS E A SEMENTE
Qual é a atitude ativa que Deus pede de mim? Por vocação cristã, sou chamado a fazer presente o Reino neste mundo e posso fazê-lo realizando com perfeição meus deveres e trabalhando ativamente na Igreja. Deixar que a semente cresça por si só implica colaborar com o semeador.
Saiba meu irmão minha irmã que a vinda do Reino de Deus é semelhante ao escondido e dinâmico germinar da semente na terra. O Reino é comparado por Jesus ao grão de mostarda, a menor semente, destinada a se transformar apesar disso numa árvore frondosa, ou à semente que o homem enterrou: “durma ou se levante, de noite ou de dia, o grão brota e cresce, sem que ele saiba como”. O que quer dizer tudo isto? O Reino é amor de Deus para o mundo, é a presença de Cristo entre nós. Mas o homem não é uma testemunha inerte deste Reino. Jesus nos convida a buscar ativamente “o Reino de Deus e sua justiça” e fazer desta busca nossa preocupação principal: “buscar o Reino de Deus e tudo mais será acrescentado”. Fazer com que Cristo reine no coração dos homens.
Jesus nos pede uma atitude ativa e não inerte. Estamos chamados a cooperar com nossas mãos, nossa mente e nosso coração na vinda do Reino de Deus ao mundo. Com este espírito temos que fazer nossa a invocação “Venha a nós o Vosso Reino!”. É uma invocação que orienta nosso olhar a Cristo e alimenta o desejo da vinda do Reino de Deus. Este desejo, apesar disso, não nos afasta da nossa missão neste mundo, vai além, compromete ainda mais: “A mensagem cristã não afasta os homens da edificação do mundo nem faz com que nos despreocupemos do bem alheio, ao contrário, impõe como um dever de fazê-lo” (Gaudium et spes, 34)
Quando Deus semear, a semente produz fruto e se reconhece sua autoria pelas obras que produz. Da árvore boa só podem brotar frutos bons. Pelos frutos se pode conhecer o tipo de árvore que Deus semeou. Na Igreja vemos um quantidade de movimentos que surgem e trabalham pelo Reino, se fossem simples autoria humana talvez durassem pouco, mas vemos que o Espírito Santo os alenta e por isso crescem, e se multiplicam e produzem muito fruto. Deve-se agradecer a Deus pela dinâmica dos Movimentos na Igreja que produzem muito fruto e que realmente colaboram para a extensão do Reino de Deus para que se torne uma realidade neste mundo.
O meu propósito a partir desde evangelho de hoje é deixar que a semente que Deus plantou em mim desde o batismo germine com obras cristãs de caridade e justiça. Que o mais importante seja fazer presente o Reino de Deus em minha família, em meu trabalho/escola, em meu comportamento.
Pai, dá-me sensibilidade para perceber teu Reino acontecendo no meio de nós, aí onde lutamos para a construção de uma sociedade mais humana e fraterna.
Padre Bantu Mendonça Katchipwi Sayla
Fonte: Liturgia da Palavra em 31/01/2014
REFLEXÕES DE HOJE
SEXTA
Fonte: Liturgia Diária Comentada2 em 31/01/2014
HOMILIA DIÁRIA
O encontro com a Palavra é um dom de Deus
Postado por: homilia
janeiro 27th, 2012
A semente que germina e cresce por si mesma exprime a ação de Deus que comunica amor e vida a todos, suplantando os poderosos deste mundo que semeiam a fome e a morte. A segunda parábola, da inexpressiva semente que se transforma em uma árvore acolhedora dos pássaros, exprime que a fé dos discípulos, desprezível diante do mundo, pode gerar o mundo novo de fraternidade e paz. A prática e o ensino de Jesus são caminho e luz.
Marcos mostra Jesus como Mestre do Reino ensinando às multidões na barca de Pedro (4,1). Seu ensino é na base de parábolas ou exemplos. A parábola é uma narração que, sob o aspecto de uma comparação, está destinada a ilustrar o sentido de um ensino religioso. Quando todos os detalhes têm um sentido e significado real, ela [parábola] se transforma em alegoria. Como em João 10,1-16, no caso do Bom Pastor.
No Antigo Testamento as parábolas são escassas, um exemplo é 2 Sm 12,1-4 em que Natã dá a conhecer seu crime a Davi. Porém, no Novo Testamento Jesus usa frequentemente as parábolas especialmente como parte de seu ensino do Reino dos Céus, para iluminar certos aspectos do dele.
No dia de hoje temos duas pequenas parábolas, a primeira própria de Marcos e a segunda compartilhada por Mateus (13,21ss) e Lucas (13,18ss).
Na parábola da semente, Jesus indica que o Reino tem uma força intrínseca que independe dos trabalhadores. Na segunda parábola, Ele indica que o Reino, minúsculo no tempo de Cristo, expandir-se-á de modo a se estender pelo mundo inteiro. Vejamos versículo por versículo as palavras de Jesus.
E dizia: “Assim é o Reino do Deus, como se um homem lançasse a semente sobre a terra” (v. 26). Que significa “Reino de Deus”? No Antigo Testamento Javé, o Deus de Israel, era o verdadeiro Rei e Seu Reino abrangia todo o universo. Os juízes eram praticamente os Seus representantes. Por isso, o Seu profeta Samuel, último juiz, escutou estas palavras: “Não é a ti que te rejeitam, mas a mim, porque não querem mais que eu reine sobre eles” (I Sm 8,7). A partir de Davi, o Reino de Deus tem como representante um rei humano, mas a experiência terminou em fracasso, e o Reino de Deus acabou por ser um reino futuro-escatológico como final dos tempos e transcendente, como sendo Deus mesmo o que seria ou escolheria o novo rei. Esse Reino está chegando e tem seu representante na pessoa de Jesus e dos apóstolos. Nada tem de material ou geográfico, e é formado pelos que aceitam Jesus como Senhor, caminho, verdade e vida. Por isso, dirá Jesus que “o Reino está dentro de vocês”.
A Igreja fundada por Jesus é a parte visível desse Reino, que não é como os do mundo, mas tem sua base em servir e não em ser servido (Lc 22,27). O oposto do amor, que é serviço no Reino, é o amor ao dinheiro (Mt 6,24), de modo que podemos afirmar que o dinheiro é o verdadeiro deus deste mundo.
“E durma e se levante noite e dia; e a semente germine e cresça de um modo que ele não tem conhecido” (v. 27). É importante unir este versículo ao anterior para obter o sentido completo da parábola. O agricultor faz sua vida independente e a semente nasce e cresce sem ter nada a ver com o agricultor, fora o fato de ser semeada por ele no início. Deste modo, Paulo pode afirmar: “Eu plantei, Apolo regou; mas era Deus quem fazia crescer. Aquele que planta nada é; aquele que rega nada é; mas importa somente Deus, que dá o crescimento” (1 Cor 3,6-7). Assim, na continuação dirá Jesus: “Pois por si mesma a terra frutifica primeiramente a erva, depois a espiga, depois o trigo pleno na espiga” (v. 28).
“Quando porém, tiver aparecido o fruto, rapidamente ele envia a foice porque tem aparecido a ceifa” (v. 29). Não há nada a comentar a não ser o trabalho do agricultor. Vemos como esse trabalho se reduz a semear e ceifar. A terra e a semente fazem o resto.
E dizia: “a que compararíamos o Reino do Deus, ou em que parábola o assemelharíamos?” (v. 30). Parece que Jesus medita antes de afirmar ou escolhe uma comparação apropriada. Seu estilo é o de chamar a atenção dos ouvintes, um simples recurso oratório que indica, por outra parte, uma memória viva dos ouvintes e não uma posterior reconstrução. É possível que estas palavras formem parte do método de ensino d’Ele.
“Como com a semente da mostarda, a qual quando sendo semeada na terra é a menor de todas as sementes sobre a terra” (v.31). A mostarda é uma planta da família da couve ou repolho, de grandes folhas, flores amarelas e pequenas sementes, que tem duas espécies principais: branca e preta. A branca chega até atingir 1,2 m de altura e a preta pode chegar até 3m e 4m de altura. A preta é comum nas margens do lago de Tiberíades e seu tronco se torna lenhoso. Por isso, os árabes falam de árvores de mostarda. Esta variedade só cresce ao longo do lago e às margens do Jordão. Os pintassilgos – gulosos de suas sementes – chegam em bandos para pousar nos seus galhos e comer os grãos. As sementes não são as menores entre as conhecidas, mas parece que eram modelo, na época, de coisas insignificantes. A mais comum é a branca – não tão ardente como a preta – precisamente por sua maior facilidade em recolher os frutos.
“E quando está semeada surge e se torna maior do que todas as hortaliças e produz galhos grandes de modo que podem, sob sua sombra, as aves do céu habitar” (v. 32). Temos visto como chegam até 3 ou 4 m de altura, suficientes para aninhar os pássaros em seus galhos.
“Jesus anunciava a Palavra usando muitas parábolas como estas, conforme eles podiam compreender. E só lhes falava por meio de parábolas, mas, quando estava sozinho com os discípulos, explicava tudo” (v. 33 e 34). Os discípulos tinham ocasião de saber o significado verdadeiro das comparações, por vezes não muito claras para o ouvinte em geral. O caso mais evidente é o do semeador e os diversos terrenos em que a semente cai. O público podia ficar com a ideia de que a semente da Palavra era recebida de formas bem diversas pelos ouvintes, mas a razão destas diferenças só era explicada aos que, interessados, perguntaram junto aos Doze pela explicação dela (cf. Mc 4,13-20). O encontro com a Palavra é um dom de Deus, mas a resposta a ela depende da vontade e do interesse de cada um. A explicação correspondente sempre a receberá quem esteja interessado em saber a verdade.
Na primeira destas parábolas temos a exposição de como o Reino se expande com uma força que não depende dos homens, mas do próprio Deus. Poderíamos dizer que descreve a força interna do Reino.
Na segunda parábola encontramos a visão externa do Reino. Seu crescimento seria espetacular desde um pequeno grupo insignificante como é a semente da mostarda – que se parece com a cabeça de um alfinete – até uma árvore que nada tem a invejar os carrascos da Palestina.
Uma certeza é evidente: o Reino é uma realidade que não se pode ignorar. Em que consiste? Jesus não revela sua essência, mas, devido ao nome, estamos inclinados a afirmar que o Reino, como nova instituição, é uma irrupção da presença de Deus na história humana, que seria uma revolução e uma conquista – não violenta mas interior do homem – e que deveria mudar a religião em primeiro lugar e as relações sociais em segundo termo.
Numa época em que revoluções externas e lutas pelo poder estavam unidas a uma teocracia religiosa era perigoso anunciar a natureza verdadeira do Reino. Daí que só as externas qualidades do Reino tenham sido descritas e de modo a não levantar reações violentas. O Reino sofrerá violências, mas não será o violentador (Mt 11,12).
Padre Bantu Mendonça
Fonte: Canção Nova em 27/01/2012
HOMILIA DIÁRIA
Não permita que o pecado faça morada em seu coração
Que nós tenhamos força, sabedoria e discernimento de Deus para não deixarmos as más inclinações crescerem dentro do nosso coração!
”[Davi] Dizia nela: ‘Colocai Urias na frente, onde o combate for mais violento, e abandonai-o para que seja ferido e morra.”’ (2Sm 11,15)
Na meditação da Palavra de Deus no dia de hoje, gostaria que nós refletíssemos sobre essa primeira leitura do Livro de Samuel, que nos relata os pecados graves que Davi, o escolhido e ungido de Deus, cometeu. Davi foi profano, injusto, adúltero; o problema dele foi acumular pecado sobre pecado.
No primeiro momento, ele viu Betsabé, aquela bela mulher, que era esposa de um dos generais do seu exército: Urias. Quando do alto do seu palácio, Davi a viu tomando banho, ele a cobiçou com os olhos e, à cobiça, ele acrescentou o pecado do desejo e do desejo ele foi para a prática. Mandou que trouxessem aquela mulher e ela foi levada ao palácio e ele deitou-se com ela. Do adultério Davi ainda procurou esconder seu erro, porque, depois, Betsabé ficou grávida e foi se apresentar a ele [Davi] e este simplesmente planejou eliminar o esposo dela. Como este era general do exército, era um daqueles da linha de frente, por isso Davi fez questão de colocá-lo mesmo à frente de um combate violento, para que, nesse combate, ele fosse ferido e morto.
Nós não estamos aqui para analisar, combater ou jogar pedras em Davi, nem jogar pedras no pecado de ninguém, mas o pecado dele nos ajuda a reconhecer a forma como o pecado, muitas vezes, entra dentro de nós. Ninguém comete um pecado grave de uma hora para outra, ninguém se torna assassino, adúltero ou comete coisas graves se primeiro não conceber esse mal dentro do seu coração.
O que nós, muitas vezes, relativizamos foi um mau pensamento, foi um olhar, uma cobiça, isso nos chama a atenção para que cuidemos do mal que acontece dentro do nosso coração. O erro de Davi não foi simplesmente porque ele engravidou Betsabé, que não era sua esposa, foi aquilo que, um dia, Jesus diz no Evangelho: ”Quem já olha para uma mulher e a deseja no seu coração, já comete adultério no seu coração”.
O quanto nós devemos vigiar o nosso olhar, os nossos desejos e reconhecer que, muitas vezes, os desejos impuros e de fazer coisas erradas para o outro vão crescendo dentro de nós. Um assassino, alguém que comete um crime, primeiro começar a ter raiva de alguém, ressentimento, mágoa; esses sentimentos crescem e depois coisas piores acontecem, muitas coisas trágicas acontecem no meio de nós, pecados grandes acontecem no meio de nós, porque vamos alimentando pequenos desejos e pequenos pecados.
Faltou, para Davi, combater o mal desde o início. Que nós tenhamos força, sabedoria e discernimento de Deus para não deixarmos as más inclinações crescerem dentro do nosso coração!
Que Deus abençoe você!
Padre Roger Araújo
Fonte: Canção Nova em 31/01/2014
HOMILIA DIÁRIA
O Reino de Deus está no meio de nós
“O Reino de Deus é como um grão de mostarda que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes da terra, mas quando é semeado, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças.” (Mc 4,31-32)
O Reino de Deus parece, num primeiro momento, uma coisa insignificante, sem importância, sem valor, que nós não vemos, não sabemos da fecundidade, da força, da graça que está escondida por trás do Reino.
Aliás, nós olhamos para ele como uma coisa comum. O mundo está sendo vida entre nós, e não sabemos da força potente, do átomo que é Palavra Divina Sagrada, que é o Reino de Deus.
Quando essa semente da Palavra (grão de mostarda) é acolhida, ela se torna uma verdadeira dinamite, que entra na alma humana e a arrasa, quebra corações, derruba orgulhos, joga no chão a soberba humana, constrói um novo homem, uma nova mulher.
A Palavra de Deus, quando entra na vida de uma pessoa de verdade, torna-se uma temeridade, porque rouba a pessoa daquilo que ela vive e a leva para a presença de Deus.
Se deixássemos nos levar pela inquietação poderosa transformadora que o Reino de Deus tem em nós, acolheríamos com mais intensidade o que o Reino de Deus é.
A lógica, no entanto, está invertida, até mesmo a lógica de acolher o Reino, pois nós o queremos como uma coisa grandiosa, importante.
Alguns acham até o Reino de Deus é ir a Jerusalém, a Roma. Não! Você até vai a esses lugares um dia, com a graça de Deus! Eu tive a graça de ir, mas eu não conheci o Reino de Deus quando estive em Jerusalém, quando estive em Roma, nos lugares santos.
O Reino de Deus está no meio de nós, nas coisas menores, insignificantes
O Reino de Deus está no meio de nós, nas coisas menores e insignificantes. O Reino de Deus chega a nós por meio das pessoas que nós desprezamos, do pobre que está a nossa porta, do pregador a quem nós, muitas vezes, não damos atenção. O Reino de Deus está no meio de nós com a mãe que nós não damos valor. O Reino de Deus acontece nas coisas mais simples que podemos imaginar.
Não fique esperando que a graça de Deus aconteça em você por meio de grandezas, pois essas são todas ilusões. O Reino de Deus é pequeno, até desprezível, e aos olhos humanos não têm valor nem significância, é pequeno como um grão de mostarda. Cultive-a, cultive a simplicidade da Palavra de Deus a cada dia, lida e meditada; cultive a simplicidade da sua comunidade, da sua paroquia; cultive a simplicidade da relação com as pessoas simples e humildes.
O Reino de Deus não vai ser grande em você se você for amigo do Papa ou desse ou daquela pessoa que parece grande aos olhos humanos. O Reino de Deus acontece na simplicidade, na humildade e na pequenez, é nessas coisas que, até parecem insignificantes, que o Reino de Deus acontece com todo poder e eficácia.
Deus abençoe você!
Padre Roger Araújo
Fonte: Canção Nova em 31/01/2020
HOMILIA DIÁRIA
Semeie a Palavra da Vida em seu coração
“Jesus disse à multidão: ‘O reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece. A terra, por si mesma, produz o fruto: primeiro aparecem as folhas, depois vem a espiga e, por fim, os grãos que enchem a espiga’.” (Marcos 4,26-28a)
A parábola de hoje, que Jesus nos conta, fala do mistério, da ação da graça de Deus na nossa vida. A graça de Deus que age em mim e em você é um mistério. A semente, uma vez semeada, segue o seu curso normal. Se acolhermos, de verdade, a Palavra da Vida, ela produzirá os seus frutos em nós. Certamente, em um momento ou outro, ela vai produzir frutos, a condição é que ela caia no terreno do nosso coração, é que eu e você permitamos que essa Palavra seja semeada. A única condição é permitirmos que a Palavra de Deus entre e penetre no nosso coração.
Dormir, acordar; dia, noite… É na dinâmica da vida, nos fatos, no repouso, no trabalho, no passar dos dias, é nisso que Deus age. Ele age no nosso cotidiano de uma forma misteriosa. Por si mesma — diz a Palavra — essa semente produz. Em grego, a tradução original é “automaticamente”, ou seja, é a tecnologia do nosso Criador, é a força, é a dinâmica que o Criador colocou dentro de nós, em cada um de nós, que nós chamamos de “dynamis”, o sopro da vida. Em cada um de nós está escondida essa força misteriosa de Deus, e em um momento ou outro da nossa vida essa realidade acontece.
Se acolhermos, de verdade, a Palavra da Vida, ela produzirá os seus frutos em nós
A Palavra sabe o que ela deve fazer em nós. Fique tranquilo, Deus sabe o que Ele precisa fazer dentro de mim e de você. O tempo que nós temos que esperar é o tempo da nossa inatividade, é a nossa impotência, é confiar em Deus e apenas n’Ele. É libertar-nos daquele mal do imediatismo, de querer ver resultados imediatos, é o problema da nossa autossuficiência querermos fazer do nosso jeito. Para a nossa vida eclesial, para as nossas atividades, pensamos: “Vai dar frutos! Mesmo eu não estando ali, vai dar frutos, porque não tenho controle de tudo, Deus sim tem o controle de todas as coisas”.
A nossa força não faz vir mais rápido o Reino de Deus, não nos iludamos com isso! A nossa força não vai fazer com que o Reino de Deus venha mais rápido, ou até mesmo as nossas resistências não poderão impedir o Reino de Deus de acontecer. Quem somos nós para uma coisa ou para outra, para apressar ou para retardar a vinda do Reino de Deus? Porque o Reino pertence ao Senhor.
“Folhas, espigas e grãos”, as etapas do dom de Deus. O que a graça divina, pouco a pouco, vai realizando no meu e no seu coração são etapas, o dom de Deus vai se clareando, o dom de Deus vai se afirmando na nossa vida. Vamos ser fiéis ao que Deus nos dá hoje? Vamos ser fiéis ao que o Senhor nos concede para viver hoje? Na sua realidade, no seu cotidiano, naquilo que você realiza hoje, permita que a ação de Deus aconteça aí.
Sobre todos vós, a bênção do Deus Todo-poderoso. Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!
Padre Donizete Ferreira
Padre Donizete Heleno Ferreira é Brasileiro, nasceu no dia 26/09/1980, em Rio Pomba, MG. É Membro da Associação Internacional Privada de Fieis – Comunidade Canção Nova, desde 2003 no modo de compromisso do Núcleo.
Fonte: Canção Nova em 28/01/2022
Oração Final
Pai Santo, dá-nos consciência de tua Presença Paterna em nossa caminhada, para que sejamos realmente fraternos com nossos companheiros. Todos nós somos irmãos, como filhos teus muito amados. Nós te pedimos, Pai querido, pelo Cristo Jesus, teu Filho e nosso Irmão, que contigo reina na unidade do Espírito Santo.
Fonte: Arquidiocese BH em 31/01/2014
ORAÇÃO FINAL
Pai Santo, dá-nos consciência de tua Presença Paternal em nossa caminhada, para que sejamos realmente fraternos com nossos companheiros. Todos nós somos irmãos, como filhos teus muito amados. Nós Te pedimos, Pai querido, pelo Cristo Jesus, teu Filho que se fez nosso Irmão e contigo reina na unidade do Espírito Santo.
Fonte: Arquidiocese BH em 31/01/2020


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