sábado, 7 de abril de 2018

HOMÍLIA DIÁRIA, COMENTÁRIO E REFLEXÃO DO EVANGELHO DO DIA 08/04/2018

ANO B


2º DOMINGO DA PÁSCOA

Domingo da Divina Misericórdia

Ano B - Branco

“Reunidos pela fé.”

Jo 20,19-31

Ambientação

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: Da festa da Páscoa à festa de Pentecostes, um período de cinqüenta dias, a Igreja celebra o “Mistério Pascal”. Hoje, a liturgia trará para a nossa reflexão a presença do ressuscitado entre a comunidade inaugurando uma nova criação e a figura de Tomé, carente de uma fé madura. Nossa fé não vem de provas imediatas, mas da fé das “testemunhas designadas por Deus”, principalmente os apóstolos. Por isso, é inútil querer verificar e provar nossa fé sem passar pelos apóstolos e pela corrente de transmissão que eles instituíram, a Igreja. O importante, não é “verificar” ao modo de Tomé, mas viver o sentido da fé que os apóstolos tiveram em Jesus e a nós transmitiram. Hoje é o domingo da Divina Misericórdia. Ele nos lembra o quanto Deus nos ama, derramando sua graça através do perdão.

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL O POVO DE DEUS: Nossos corações exultam e cantam o aleluia pascal. Cristo venceu a morte e nos faz viver no seu amor. As aparições de Cristo ressuscitado aos Apóstolos confirmaram a Igreja e fortalecem hoje a nossa fé.

INTRODUÇÃO DO WEBMASTER: Jesus ressuscitado está presente na comunidade, dando início à nova criação. Agradecemos ao Pai pela vitória de Cristo sobre nossa morte, pecados e incredulidades. Acolhemos a presença do Ressuscitado na comunidade unida e suplicamos o sopro de seu Espírito para vencer nossos medos, animar nossa fé ainda tão frágil e nos fortalecer na missão de testemunhas da ressurreição.

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: Jesus ressuscitado está presente na comunidade, dando início à nova criação. Agradecemos ao Pai pela vitória de Cristo sobre nossa morte, pecados e incredulidades. Acolhemos a presença do Ressuscitado na comunidade unida e suplicamos o sopro de seu Espírito para vencer nossos medos, animar nossa fé ainda tão frágil e nos fortalecer na missão de testemunhas da ressurreição.

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL O POVO DE DEUS: Num só coração e numa só alma, nos reunimos no Dia do Senhor para glorificar a Vida que vence a morte. Cristo Ressuscitado, nossa Páscoa e certeza definitiva, se manifesta à sua Igreja reunida, que somos nós, os batizados, e nos oferece o dom da paz, fruto de sua ressurreição.

Comentário do Evangelho

A paz de Jesus

Nesta aparição aos discípulos reunidos, por três vezes Jesus dá a paz aos discípulos. Durante a última ceia Jesus já lhes concedera, de maneira expressiva, a paz (Jo 14,27); e agora, na condição de Ressuscitado, a renova. A paz do mundo se perde na ilusão das disputas de poder e riqueza, e os discípulos, de sua parte, vivem a perturbação de momentos de perseguição. A paz de Jesus, que se faz presente entre seus discípulos, fortalece os corações firmando-os no amor e na vida eterna de Deus.
Jesus também, na última ceia, anunciara o envio do Espírito que procede do Pai, o Consolador na ausência sensível de Jesus (Jo 15,26). Espírito Santo, ou Consolador, é a expressão da personalização do Amor de Deus. É o amor que move os discípulos à missão libertadora e promotora da vida. O pecado consiste na colaboração com a ordem injusta que impera na sociedade ou em qualquer outro atentado contra a vida. Gerados por Deus, os discípulos com sua fé vencem o mundo (segunda leitura). Com seu testemunho da partilha (primeira leitura), da justiça e do amor removem o pecado do mundo.
A narrativa da experiência de Tomé com o ressuscitado é bem expressiva quanto à questão da necessidade das aparições, e até do toque, para confirmar a fé. Ele é o tipo do "ver para crer", ao qual Jesus contrapõe a bem-aventurança dos que creram sem ver.
Entre as primeiras comunidades vinculadas à comunidade de Jerusalém surgiu a tradição do ver o ressuscitado como condição para ser incluído entre as lideranças. A partir daí, surge a tradição da fé no testemunho destas lideranças, sem ver. Este episódio do evangelho de hoje relativiza as narrativas de visões do ressuscitado. Assim acontece, também, com o episódio em que o discípulo que Jesus amava, diante do túmulo vazio, creu sem ver o ressuscitado (Jo 20,8; cf. 12 abr.). Para crer não é necessário ver. A fé brota da experiência de amor que os discípulos tiveram no convívio com Jesus, e da mesma experiência de amor que se pode ter, hoje, nas relações fraternas de acolhimento, de doação e serviço, de misericórdia e compaixão, na fidelidade às palavras de Jesus.
A bem-aventurança conferida àqueles que creem sem ver é bem convincente no sentido da desnecessidade de aparições para que se possa perceber, na fé, a presença do Jesus eterno em nossas vidas, nas nossas comunidades e no mundo.
José Raimundo Oliva
Oração
Pai, abre todas as portas que me mantém fechado no medo e na insegurança, para que eu vá ao encontro do mundo a ser evangelizado.
Fonte: Paulinas em 15/04/2012

Vivendo a Palavra

O Evangelho, apresentando a dúvida de Tomé, acolhe a fragilidade da nossa fé. Nós somos tentados a buscar, como Tomé, provas do que dizemos crer. A fé é entrega incondicional nas mãos daquele que nos cria, nos liberta e nos santifica. Podemos ser felizes, porque cremos sem ter visto.
Fonte: Arquidiocese BH em 15/04/2012

VIVENDO A PALAVRA

«Felizes os que acreditaram sem ter visto.» Jesus coloca a felicidade à disposição de todos! Basta acreditar. Entretanto, a fé não se resume em fazer declarações públicas com palavras bonitas, mas em assumir a opção radical de vida pelo Caminho de Jesus e segui-lo pela vida afora, levando junto a família de Deus – toda humanidade.

Reflexão

Esta conclusão, que se prolonga até o versículo 20, foi acrescentada mais tarde ao Evangelho de Marcos. Faz breve resumo das aparições de Jesus ressuscitado e acentua um aspecto: os discípulos não acreditam nas testemunhas da ressurreição. Não acreditaram em Maria Madalena, que tinha visto o Senhor; não deram crédito aos discípulos de Emaús, que o reconheceram ao partir o pão; finalmente os “Onze, quando estavam à mesa” foram desaprovados por Jesus “pela falta de fé e pela dureza de coração”. O caminho da fé passa pelos desafios da missão e pela certeza de que Jesus ressuscitado acompanha cada passo de seus discípulos. Com uma simples frase, o narrador, apressadamente, encerra o Evangelho segundo Marcos: Jesus envia seus discípulos pelo mundo todo “para que proclamem o Evangelho a toda criatura”.
(Dia a dia com o Evangelho 2018 – Pe. Luiz Miguel Duarte, ssp)

Meditando o evangelho

AS PORTAS FECHADAS

As portas fechadas por medo dos judeus simbolizavam a situação crítica vivida pela comunidade cristã, quando da morte de Jesus. Como as portas do local, também estavam fechadas as portas das inteligências e dos corações dos discípulos. O medo era fruto da falta de fé, e esta carência, da incapacidade de aceitar a ressurreição do Senhor como um fato consumado, que eliminava qualquer dúvida ou suspeita. A incredulidade deixara-os confusos, sem rumo, bloqueados pela perplexidade diante da morte do Mestre.
Foi preciso uma intervenção enérgica do Mestre para arrancá-los dessa lastimável situação. E a ação do Senhor foi progressiva: fez-se presente no lugar em que se encontravam, mesmo estando fechadas as portas, como se as estivesse escancarando; exortou-os a recobrar a paz interior, deixando de lado os sentimentos negativos que agitavam seus corações; fez-lhes compreender que estavam diante do mesmo Jesus que fora crucificado – as marcas nas mãos e no lado não davam margem para dúvidas –; finalmente, comunicou-lhes o Espírito Santo e os enviou em missão.
O medo e o conseqüente ensimesmar-se têm sido, ao longo dos séculos, a grande tentação dos discípulos de Jesus. A hostilidade do mundo somada à precariedade da fé explicam esta atitude. É mister deixar que o Ressuscitado rompa as barreiras e nos envie em missão, com a força do Espírito.
(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês)
Oração
Pai, abre todas as portas que me mantém fechado no medo e na insegurança, para que eu vá ao encontro do mundo a ser evangelizado.

COMENTÁRIO DO EVANGELHO

1. BEM-AVENTURANÇA: CRER SEM VER
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado no Portal Dom Total a cada mês).

Durante a última ceia, Jesus já comunicara aos discípulos, de maneira expressiva, a sua paz (Jo 14,27); e agora, na condição de ressuscitado, a renova. Jesus aparece entre os discípulos reunidos, anuncia-lhes a paz e mostra-lhes as chagas. Os discípulos estão com as portas trancadas com medo dos judeus. Este detalhe exprime a situação da comunidade de João, excluída pelos judeus, os quais, inclusive, denunciavam os cristãos aos romanos. Porém, a presença do ressuscitado liberta a comunidade do medo e lhes traz a alegria. O mostrar as chagas das mãos e a do lado é a confirmação de identificação do ressuscitado com Jesus de Nazaré, que foi crucificado. Agora, conforme anunciara nos discursos de despedida, Jesus comunica aos discípulos o Espírito, soprando sobre eles. Os discípulos são enviados em missão, com o conforto do Espírito. Suas comunidades, que vivem na comunhão e partilha (primeira leitura), movidas pela fé em Jesus (segunda leitura), são responsáveis pela prática da misericórdia no acolhimento dos excluídos como pecadores e de todos aqueles que se sentem atraídos por Jesus. A partir da experiência de Tomé, Jesus proclama a bem-aventurança da fé. Começa o tempo dos bem-aventurados que não viram e creram.
Fonte: NPD Brasil em 15/04/2012

COMENTÁRIOS DO EVANGELHO

1. ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS!
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Diácono José da Cruz - Diácono da Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP)

Provavelmente um dos maiores equívocos que alguns cristãos cometem nos dias de hoje, é o de ausentar-se das celebrações dominicais por verem nelas a repetição monótona de um rito, que já sabem de cor e salteado. Uma partida de futebol também nunca sai da mesmice, em todo jogo nada muda, mas vá dizer a um torcedor que o futebol é monótono e cansativo, imediatamente ele irá afirmar que cada partida é uma história e uma emoção diferente, indescritível. O mesmo se diga de uma peça de teatro que se vê mais de uma vez, ou de um bom livro, eu mesmo perdi a conta de quantas vezes li “Éramos Seis...”, em cada leitura há algo de novo nos personagens ou no enredo, nunca é a mesma coisa. Então por que alguns cristãos acham a celebração tão chata e repetitiva?
Naqueles primeiros tempos do cristianismo, a pessoa de Jesus, seus ensinamentos e sua história ainda estava muito viva no coração dos seus seguidores, os apóstolos. Eles falavam com entusiasmo de Jesus, não como um herói nacional a ser reverenciado, mas como alguém presente, que caminha com a comunidade tomada pelo seu Espírito que a anima e lhe faz sentir esta vida nova que ele deu a todos.
Muita gente não entendia, admiravam Jesus, falavam muito dele, mas como alguém que foi um exemplo, um idealista, um líder nato, um grande profeta, um mestre sem igual em Israel, há até mesmo uma corrente de teólogos que reduzem a ressurreição a uma lembrança muito forte de Jesus no coração das pessoas que o conheceram e que o amaram profundamente, perpetuando sua memória entre eles nos encontros da comunidade. A verdade é que, a vida em comunidade só é possível quando a gente faz uma experiência pessoal com Jesus Cristo, quando o seu anúncio toca no fundo do coração e começamos a senti-lo a cada instante de nossa vida, quando o seu evangelho nos encanta e supera qualquer ideologia de felicidade que este mundo possa nos oferecer, quando descobrimos que ele nos conhece profundamente, e tem por nós um amor imenso, grandioso, que não hesita em dar-nos a própria vida. Quando percebemos que a salvação por ele oferecida não é algo misterioso, que só iremos ter após a nossa morte, mas que nessa vida a sentimos nas profundezas do nosso ser, quando conseguimos harmonizar todas as nossas virtudes e carismas, com o projeto que o Filho de Deus inaugurou em nosso meio.
Então o nosso coração quer estar junto de outros irmãos e irmãs, que fizeram essa mesma descoberta, para comemorar e celebrar essa presença misteriosa do Senhor em nossa vida, que se torna mais forte na vida de igreja. Para Tomé não faltou este testemunho dos seus irmãos apóstolos “Vimos o Senhor!”, não se trata apenas de um VER com os olhos, mas de um sentir com o coração, capaz de perceber nas marcas da paixão a evidência mais forte de um amor sem medida pelos seus.
A comunidade recebe o dom da Paz, nascida da vitória definitiva sobre as forças do mal, o discípulo que recebeu a Paz do Senhor, não pode nunca colocar em dúvida, em sua vida e na vida do mundo, o triunfo do Bem supremo sobre o mal, viver nessa paz, longe de permanecer de braços cruzados, é antes ir a luta pelo reino em que se crê, na certeza de que ele um dia se tornará visível em toda sua plenitude. Comunidade, portanto, é lugar de se receber o sopro de vida e renovação em cada momento celebrativo, é lugar onde a gente se reveste desse Espírito Santo, lugar onde somos recriados, restaurados, tornando-nos novas criaturas em Cristo.
Para se fazer essa experiência profunda, não é necessário uma celebração especial, deste ou daquele grupo, nem tão pouco um padrão “X” ou “Y” de espiritualidade, nem precisa identificar-se como conservador ou progressista, adeptos desta ou daquela eclesiologia, nem é preciso buscar revelações espetaculares, e ser agraciado com grandioso milagre, também não precisa tornar-se um místico, nem um alienado das realidades que nos cercam, é preciso apenas ser testemunha do amor, vivido e celebrado não de maneira egoísta, mas com os irmãos e irmãs da comunidade, em torno da Eucaristia, amor que nos alimenta.
Diante do testemunho recebido, Tomé limita-se no VER de enxergar, com os olhos da carne, para ele, naquele momento, e também para muitos nos dias de hoje, a celebração tem que ser um “arraso”, um show inesquecível, onde os ministros, como grandes estrelas, conseguem nos fazer VER Jesus, tem que valer o ingresso e o esforço de estar lá, é a celebração como espetáculo, mexendo com razão de ser, e com o emocional.
A Fé no Senhor ressuscitado que caminha com a sua igreja, não precisa de sinais ou provas, Cristo Jesus não precisa provar mais nada, nós é que precisamos provar a nossa fé, aceitando viver e celebrar em uma comunidade, onde nada ocorre de excepcional, mas onde cada encontro é diferente, porque fazemos essa experiência do Cristo vivo, que caminha conosco, podemos vê-lo e tocá-lo nos sacramentos, podemos ouvi-lo, e de fato o ouvimos na santa palavra, podemos percebê-lo na vida dos irmãos, razão pela qual não cansamos de repetir com a alma em júbilo, a cada saudação de quem preside “Ele está no meio de nós!”.
Se tivermos convicção desta afirmativa, o nosso testemunho será tão vivo e autêntico como o dos apóstolos, e o nosso coração baterá mais forte cada vez que chegar o DOMINGO, dia do Senhor.
José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail jotacruz3051@gmail.com

2. Jesus mostrou-lhes as mãos e o lado
(O comentário do Evangelho abaixo é feito por Côn. Celso Pedro da Silva, ‘A Bíblia dia a dia 2017’, Paulinas e disponibilizado no Portal Paulinas - http://comeceodiafeliz.com.br/evangelho)

No primeiro dia da semana, Domingo de Páscoa, Maria Madalena viu o túmulo vazio e foi avisar os apóstolos. Pedro e o Discípulo Amado, que a tradição diz que era São João, correm ao sepulcro e constatam que o corpo não estava lá. Naquele momento o discípulo crê. Ele viu e acreditou. O que foi que o Discípulo viu? Viu o túmulo vazio ou não viu nada. O verdadeiro discípulo acredita mesmo sem ver.
Nesse mesmo dia, o dia da ressurreição, ao cair da tarde, Jesus ressuscitado entra no lugar onde os discípulos estavam reunidos de portas fechadas. Jesus acabava de morrer crucificado e de ser sepultado. Era natural que eles tivessem medo dos judeus. Jesus então se pôs no meio deles. Não está escrito que Jesus apareceu ou se manifestou. Está escrito que ele “veio e se pôs no meio deles”[...]. Deseja-lhes a paz, mostra-lhes as chagas das mãos e do peito, envia-os em missão, sopra sobre eles e lhes dá o Espírito Santo para levarem ao mundo o perdão.
Tomé não estava com eles e não acredita quando dizem que viram o Senhor. Oito dias depois, na sua misericórdia, Jesus ressuscitado permite que Tomé toque em suas chagas. Foi então que São Tomé nos ensinou a dizer “Meu Senhor e meu Deus”. E mais. Falando a nosso respeito, Jesus diz que Tomé acreditou porque viu, e que serão felizes os que acreditarão sem terem visto.
Nós não vimos Jesus Ressuscitado nem tocamos em suas chagas e cremos. Somos, então, bem-aventurados aos olhos de Jesus. O evangelista diz que nem tudo o que Jesus falou nem todos os sinais que ele fez diante dos discípulos foram escritos nos Livros Sagrados do Novo Testamento. Muita coisa foi transmitida oralmente e conservada na memória e no coração dos cristãos. A Revelação de Deus está na Bíblia e além da Bíblia. O Espírito Santo continua a nos ensinar tudo o que diz respeito à nossa fé em Jesus Cristo, nosso Salvador.

HOMÍLIA

Pe. José Luiz Gonzaga do Prado

2º DOMINGO DA PÁSCOA

ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS!

I. INTRODUÇÃO GERAL

Nas nossas celebrações eucarísticas, mais de uma vez a assembleia responde à saudação: “O Senhor esteja convosco!”, dizendo: “Ele está no meio de nós!” É necessário que isso não fique apenas como uma fórmula ritual, mas seja expressão de um ato de fé na presença do Senhor ressuscitado na assembleia reunida.
O evangelho deste segundo domingo de Páscoa lembra isso vivamente: estando os discípulos reunidos no primeiro dia da semana, mesmo com as portas trancadas, Jesus ressuscitado se põe visível no meio deles. No domingo seguinte, o mesmo acontece e ainda de maneira visível. Depois a presença vai perder a visibilidade, mas não deixará de existir.
Tomé não acreditou nos outros discípulos, não acreditou na presença de Jesus na comunidade. Sua descrença vem valorizar a fé nessa presença invisível, mas plenamente viva, a fé que leva ao testemunho do Ressuscitado. “Felizes os que creem sem ter visto!”

II. COMENTÁRIO DOS TEXTOS BÍBLICOS

1. I leitura (At 4, 32-35)

Lemos, na primeira leitura de hoje, um retrato da primeira comunidade cristã. Destacam-se três características fundamentais: 1. Alimentar a fé; 2. Ser exemplo de partilha e solidariedade; 3. Ser força de transformação do mundo.
Esse retrato focaliza como a comunidade ideal vivia a partilha e a solidariedade. Todos alimentavam a fé na palavra de Deus e na oração e faziam o bem. Tudo pela força do Ressuscitado.
Um só coração e uma só alma. O coração, para o semita, é o pensamento, a mente, a cabeça, e a alma significa o desejo, o apetite, a gana. Todos se orientavam pela mesma mente e lutavam com a mesma gana, com a mesma disposição.
A partilha e a solidariedade chegavam ao extremo de eles não dizerem que eram suas as coisas que possuíam. Com isso, ninguém passava necessidade, pois tudo era partilhado. A importância da vida de partilha e da solidariedade é tal, que parecem ficar esquecidos os outros dois aspectos: o alimentar a fé e a influência fora da comunidade.
No entanto, não ficaram esquecidos, pois o “testemunho da ressurreição do Senhor”, dado pelos apóstolos, inclui esses dois aspectos. O testemunho dos apóstolos, segundo Lucas, além de significar a confirmação da fé dos discípulos, revestia-se também dos milagres realizados em favor dos de fora, o que vai ser destacado no retrato do capítulo 5.

2. II leitura (1Jo 5,1-6)

As cartas de João encaram um problema grave ocorrido na rede de comunidades do Quarto Evangelho ou Evangelho do Discípulo Amado: algumas comunidades dessa rede, apoiadas, sem dúvida, nas palavras do evangelho, chegavam a dizer que a humanidade ou a “carne” de Jesus era só aparência; a força da divindade seria tal, que anularia praticamente a humanidade. É o que, de modo inconsciente, ocorre com muita frequência na cabeça de muitos cristãos de hoje.
Por isso mesmo, no trecho da primeira carta lido hoje, há duas frases, uma no início (v. 1) e a outra no final (v. 6), cujo sentido não é devidamente observado pela maioria dos tradutores: “O Messias é Jesus” e “o Filho de Deus é Jesus”, e não “Jesus é o Messias” e “Jesus é o Filho de Deus”. Como no prólogo do evangelho (Jo 1,2) praticamente já se chegou ao consenso de que, por causa do uso do artigo, se deve traduzir “a Palavra era Deus”, e não “Deus era a Palavra”, aqui também o sentido correto é o que dissemos.
O Messias, o Cristo, o Filho de Deus é o homem Jesus, e não, simplesmente, Jesus é o Cristo, Jesus é o Filho de Deus. E vence o mundo quem crê na humanidade, quem crê que o Filho de Deus é o homem Jesus. Gerado por Deus é quem crê que o Messias é o homem Jesus. E amar os gerados de Deus é amar os que têm essa fé.
O Cristo é Jesus, a morte verdadeira (sangue) é que revelou o grande amor e nos comunicou o espírito (água), a capacidade de amar como ele amou. Sem essa morte verdadeira não há amor, não há espírito (Jo 7,39).

3. Evangelho (Jo 20,19-31)

Nos dois primeiros domingos após a morte de Jesus, os discípulos estão reunidos e ele está visível no meio deles. Jesus lhes passa a missão que recebeu do Pai: livrar a humanidade do pecado. Felizes os que, hoje, sem ver, acreditam na presença do Senhor ressuscitado no meio dos seus.
“Por medo dos judeus” diz o evangelista ser o motivo pelo qual estavam fechadas as portas do lugar onde se reuniam os discípulos. A frase parece deslocada, dando a impressão até de que os discípulos estavam reunidos em um lugar por medo dos judeus.
Esse medo dos judeus não tem a menor razão de ser no domingo mesmo da ressurreição. Os primeiros discípulos eram um grupo inofensivo de judeus, então por que teriam medo dos judeus? De que judeus estariam com medo? Que ameaça esses discípulos, mesmo reagrupados, poderiam oferecer às autoridades judaicas, dois dias apenas após a morte de seu Mestre?
Quando o evangelho foi escrito, 60 anos após os acontecimentos, Jerusalém e o Templo destruídos havia já 20 anos, um grupo de fariseus que agora se atribuía o direito exclusivo de se chamarem judeus e de gozarem dos privilégios dos judeus perante o império romano ameaçava, sim, os judeus que se tornassem cristãos, expulsando-os do judaísmo. Perdendo a identidade judaica, eles perdiam o privilégio de não precisar participar do culto imperial, além da convivência até com os familiares não cristãos.
Isso nos diz que o evangelista está falando em sentido figurado, para o seu tempo, nem um pouco preocupado com a historicidade dos fatos. Aos domingos (no primeiro, no segundo...), os discípulos de Jesus se reúnem para celebrá-lo. Mesmo que as portas do lugar estejam fechadas, para que os que se consideram os únicos judeus legítimos não identifiquem quem esteja ali, Jesus se põe no meio da comunidade reunida.
Esse é o testemunho da comunidade, mas Tomé, um dos doze, não acredita. Oito dias depois, no outro domingo, Tomé vê e crê. Mas quem recebe o elogio (“felizes...”) são os que hoje creem sem ter visto. Esse “hoje” é de quando o evangelho foi escrito, como é também o do nosso tempo.

III. DICAS PARA REFLEXÃO

– Tomé não acreditou na comunidade, não acreditou em Jesus presente nos discípulos reunidos. Hoje, Jesus continua presente quando nos reunimos para celebrá-lo. Felizes os que, sem ver, acreditam e se comprometem com a missão de vencer o egoísmo que leva à morte e com a missão de trazer vida para todos.
– Durante a celebração eucarística, mais de uma vez dizemos: “Ele está no meio de nós”. Não o vemos, mas acreditamos. Se é que não dizemos isso só com os lábios. Continuamos celebrando a presença do Ressuscitado entre nós para que possamos testemunhar o amor que salva e encontrar forças para as lutas em favor da vida.
– A morte assumida, o sangue, é celebrada aqui, para que o espírito de amar como ele amou se torne, dentro de nós, uma nascente de caudaloso rio a transformar este mundo governado pelo egoísmo.
– A insistência dada à presença sacramental nas espécies eucarísticas sufocou a consciência da presença viva na assembleia, onde costumamos nos saudar com: “A paz esteja convosco!” Bem santo Agostinho já dizia: “Dizeis Amém ao sacramento de vós mesmos, pois ‘vós sois o corpo de Cristo’”. Não seria bom desenvolver um pouco mais a teologia da presença do Senhor ressuscitado na assembleia, nas comunidades? Mais do que a teologia, não seria importante melhorar e desenvolver a prática dessa presença, do Sacramento da Presença de Jesus na comunidade, no grupo que se reúne por causa dele (pois “onde dois ou três estão reunidos em meu nome...”)?
Fonte: Paulus em 15/04/2012

REFLEXÕES DE HOJE


08 DE ABRIL-DOMINGO

VEJA AQUI MAIS HOMILIAS DESTE DOMINGO

HOMÍLIA DIÁRIA

Somos chamados a viver a Ressurreição de Jesus em comunhão com Deus

Postado por: homilia
abril 15th, 2012

Nas tradições das primeiras comunidades, circulavam dois tipos de textos sobre a Ressurreição de Cristo: uns relativos à constatação do túmulo vazio e outros relacionados às aparições do Ressuscitado. Em Marcos, encontramos apenas a tradição do túmulo vazio. Os demais evangelistas combinam-se ao coletar textos extraídos das duas tradições. No Evangelho de João, temos a narrativa do encontro do túmulo vazio. Em continuação, este Evangelho apresentará as narrativas das aparições. A tradição do túmulo vazio suscita a fé no Ressuscitado sem vê-Lo.
Precisamos fazer um rebusco sobre o que Jesus disse para os discípulos na Última Ceia. Ele já havia comunicado aos discípulos, de maneira expressiva, a sua paz; agora, na condição de ressuscitado, renova-a. Jesus aparece entre os discípulos reunidos, anuncia-lhes a paz e lhes mostra as chagas.
A primeira testemunha do cumprimento dessas Palavras foi Maria Madalena quando chegou ao túmulo. Ela vê a pedra que O fechava removida e acha que roubaram Seu corpo. Ela comunica o fato a Pedro e ao discípulo que Jesus amava. Este discípulo é mais ágil do que Pedro ao dirigir-se ao túmulo; porém, em consideração a ele, deixa que entre primeiro.
O pano que havia coberto a cabeça de Jesus estava enrolado num lugar à parte. O discípulo que Jesus amava viu e acreditou na presença viva do Senhor. Até então, não haviam compreendido que Ele ressuscitaria. Contudo, os sinais do túmulo vazio são suficientes para João crer que Cristo continuava vivo.
No Evangelho de hoje, os discípulos estão com as portas trancadas com medo dos judeus. Esse detalhe exprime a situação da comunidade de João – excluída pelos judeus -, os quais, inclusive, denunciavam os cristãos aos romanos. Porém, a presença do Ressuscitado liberta essa comunidade do medo e lhes traz a alegria. O “mostrar as chagas” das mãos e do lado é a confirmação da identificação do Ressuscitado com Jesus de Nazaré que foi crucificado. Agora, conforme anunciara nos discursos de despedida, Jesus comunica aos discípulos o Espírito, soprando sobre eles.
Os discípulos são enviados em missão, com o conforto do Espírito. Suas comunidades, que vivem na comunhão e partilha – movidas pela fé em Jesus – são responsáveis pela prática da misericórdia no acolhimento dos excluídos como pecadores e de todos aqueles que se sentem atraídos por Jesus. A partir da experiência de Tomé, Jesus proclama a bem-aventurança da fé. Começa o tempo dos bem-aventurados que não viram e creram.
Cristo ressuscitado continua presente entre os Seus discípulos. É o mesmo Jesus de Nazaré, Filho de Deus encarnado, que a todos comunicou eternidade e vida divina. As primeiras comunidades tinham consciência de que, pelo batismo, já viviam como ressuscitadas, isto é, em união com Jesus em Sua eternidade e divindade.
Comprometer-se, hoje, com o projeto vivificante de Jesus – na justiça, no amor e na partilha – é viver a Ressurreição em comunhão com o Deus eterno.
Padre Bantu Mendonça
Fonte: Canção Nova em 15/04/2012

Oração Final
Pai Santo, dá-nos a fé das crianças, a coragem da entrega incondicional e generosa ao mistério de amor de teu Filho Unigênito. Ele que, cumprindo a tua Promessa, fez-se humano e viveu fazendo o bem. Traído, foi condenado e morto, mas tu o ressuscitaste e, na unidade do Espírito Santo, contigo reina.
Fonte: Arquidiocese BH em 15/04/2012

ORAÇÃO FINAL
Pai Santo, tantas vezes temos dito como Tomé – ‘Meu Senhor e meu Deis!’ – que corremos o risco de nos acostumarmos, perdendo o encantamento, a noção do sublime e do inefável. Mantém em nós, Pai amado, com o entusiasmo do primeiro amor, a sedução pelo Cristo Jesus, teu Filho que se fez nosso Irmão e contigo reina na unidade do Espírito Santo. Amém.

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