domingo, 24 de outubro de 2021

HOMÍLIA DIÁRIA, COMENTÁRIO E REFLEXÃO DO EVANGELHO DO DIA 24/10/2021

ANO B


30º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Ano B - Verde

“Ele recuperou a vista e seguia Jesus pelo caminho.”
(Mc 10,52)

Mc 10,46-52

Ambientação

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: A cura do cego Bartimeu leva-nos a compreender que a presença de Jesus na caminhada é capaz de nos livrar das cegueiras e, principalmente, nos apontar o caminho da vida eterna. Acolher a proposta de Jesus e seguir o nosso caminho aquecidos com sua presença é o que queremos ao celebrar essa liturgia.

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL O POVO DE DEUS: Irmãos e irmãs, cheios de esperança nos reunimos como assembleia santa. Viemos para buscar a Deus e encontrar nele a nossa salvação. E Ele não dos decepcionará. Vai manifestar- se a nós por sua Palavra e pelo seu Corpo e Sangue partilhado entre nós, sacramento de sua Páscoa. Neste dia mundial das missões, unimo-nos em oração para que o Senhor faça crescer em nossa Igreja o espírito missionário que nos faz sair ao encontro dos irmãos.

INTRODUÇÃO DO WEBMASTER: Neste mês da Missões, rezemos nesta Eucaristia para que o Senhor faça descer sobre nós a força do Espírito Santo, a fim de que sejamos missionários da Palavra e do Amor de Deus, segundo a vontade do Pai.

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: Celebramos, neste domingo, o Mistério da Salvação divina, marcados pela luz de Cristo e pela esperança de caminhar na direção de uma cidade nova. A liturgia torna-se profética nessa celebração porque abre nossos olhos e nos coloca na estrada de Jesus. Ao encerrar o mês dedicado às missões, queremos renovar nosso compromisso com a evangelização dos povos e implorar a graça de um coração capaz de sentir compaixão.

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL O POVO DE DEUS: Irmãos e irmãs, cheios de esperança nos reunimos como assembleia santa. Viemos para buscar a Deus e encontrar nele a nossa salvação. E Ele não dos decepcionará. Vai manifestar-se a nós por sua Palavra e pelo seu Corpo e Sangue partilhado entre nós, sacramento de sua Páscoa. Encerrando este mês dedicado às missões, rezaremos por todos nós batizados que desejamos seguir a Jesus como uma Igreja missionária e em saída. Acompanhamos também com nossas preces o Sínodo dos Bispos dedicado aos jovens, para que traga bons frutos para a vida da Igreja.

INTRODUÇÃO DO WEBMASTER: Neste mês da Missões, rezemos nesta Eucaristia para que o Senhor faça descer sobre nós a força do Espírito Santo, a fim de que sejamos missionários da Palavra e do Amor de Deus, segundo a vontade do Pai.
Fonte: NPD Brasil em 28/10/2018

CORAGEM, LEVANTA-TE

Diz o texto bíblico que Jesus sai de Jericó na companhia de seus discípulos e grande multidão o acompanhava. Mas a atenção se voltou a um cego e mendigo que estava sentado à beira do caminho, o qual vivia de esmolas oferecidas por pessoas generosas, sendo excluído da sociedade por ser portador de uma doença muito grave, o que o impedia de estudar a Lei, além de ser considerado impuro.
Sabendo que Jesus passava, o que era cego e mendigo começou a gritar. Gritou porque estava insatisfeito com a condição de vida que lhe foi imposta. Muitos o repreenderam se sentindo incomodados com a manifestação (barulho) do cego que gritava. Jesus escuta o grito, para e manda chamar aquele que estava gritando. A reação dos que antes tinham repreendido o cego agora é diferente: “Coragem! Ele te chama. Levanta-te”. Ao saber do chamado de Jesus, o cego dá um pulo, deixa o manto e se aproxima de Jesus. Da aproximação o diálogo, a cura e a integração. Agora o que era cego e mendigo deixa a beira do caminho e passa a ser mais um na grande procissão que caminha com Jesus.
A situação inicial do cego Bartimeu nos remete à condição de muitos que vivem à beira da estrada, fora do caminho. Hoje são muitos os que, não se conformando com a penosa situação que lhes foi imposta, também gritam, reagem, querem ser ouvidos. É um grito incômodo para alguns que querem silenciar os que estão à margem, porém sinal de inclusão para outros que se colocam do lado dos pequenos e os motivam a se levantar e sair. O profeta Jeremias fala de “cegos e aleijados, mulheres grávidas e parturientes” que saem do exílio, da escravidão e voltam para casa conduzidos por um caminho reto e sem tropeço. Quem são os que hoje gritam à beira do caminho? Como deve reagir a comunidade: procurando silenciá-los ou motivando- os se levantar e caminhar?
Quando Jesus para, para também a multidão. O grito de um pobre é suficiente para despertar a atenção de Jesus. Foi assim que fez quando uma mulher tocou seu manto no meio da multidão. Ser ouvido por Jesus foi o suficiente para que a vida do que era cego se transformasse. Deixou a mendicância, deixou o manto, tornou-se discípulo de Jesus. O seguimento de Jesus comporta sempre deixar coisas: o cego deixou o manto, a samaritana deixou o cântaro, Mateus deixou a mesa onde cobrava impostos. Não basta gritar o nome de Jesus e ficar onde está; não é suficiente dar pulos em nome de Jesus e não sair do lugar. Quem tem aberto os olhos da fé precisa rever muitas coisas em sua vida.
“Que queres que eu te faça” perguntou Jesus. Que queres que te faça deve perguntar a Igreja à multidão que grita à beira do caminho, aqueles que economicamente não são contados, os invisíveis. A hora não é de perder a paciência com os que gritam, mas de encorajá-los. Assim os pobres poderão cantar como fez o salmista “Quando o Senhor reconduziu os cativos, parecíamos sonhar; encheu-se de sorriso nossa boca, nossos lábios de canções”. Que possamos alimentar o sonho dos pobres, o sonho de Jesus, que o pranto se transforme em festa.
Dom José Benedito
Bispo Auxiliar de São Paulo

MISSÃO A SERVIÇO DA COMUNIDADE

Nos versículos do Evangelho de hoje, Marcos insere o encontro de Jesus com o cego Bartimeu, Jesus está em Jericó, última parada antes da subida a Jerusalém, cidade que ceifa os profetas. Este cego encontrava-se à beira do caminho para a cidade de Davi, onde recolhia num manto os frutos de sua mendicância.
O cego não podia viver na cidade, e aparentava conformismo com aquela vida. No entanto, nesse lugar de encontro com tantos passantes, já lhe havia chegado aos ouvidos notícias dos grandes feitos e das palavras arrebatadoras de um grande profeta. Ao saber que Ele passava, o cego pôs-se a gritar por misericórdia. A súplica continha uma profissão de fé e esperança, pois O chamava de ‘Filho de Davi’. Jesus se detém diante do cego de Jericó, dialoga com ele, e o cura após seu pedido.
A sociedade produz muitos Bartimeu e os relega à beira dos caminhos. Os atuais Bartimeu são encontrados entre: enfermos, encarcerados, migrantes, órfãos, sem moradia, sem emprego, em situação de rua etc. As comunidades dos discípulos do Senhor não podem perder a sensibilidade para com os que se encontram à beira do caminho. O Espírito de Deus que é amor, impele a Igreja à saída e resposta às interpelações destes irmãos e irmãs.
Na sociedade atual grande parte desses sofredores está desamparada em suas dores. No contexto de uma cultura que propaga um estilo de vida centrado na própria pessoa e no bem-estar, os Bartimeus de hoje tendem a permanecer à beira do caminho, pela insensibilidade diante do sofrer do outro. É uma realidade que clama por ‘misericórdia’.
A Igreja celebrou um Ano Santo da Misericórdia e o Papa Francisco reafirmou a importância das obras de misericórdia em sua Exortação à santidade. As propostas do núcleo do Evangelho têm se traduzido nas atitudes das comunidades e dos discípulos missionários?
O Sínodo é ocasião da passagem de Jesus pelas comunidades católicas desta grande cidade. Que os seus discípulos joguem o manto do comodismo e no “Caminho de comunhão, conversão e renovação missionária” testemunhem que ‘Deus habita esta cidade’ com ações junto aos que estão à beira do caminho. Que Santo Antônio de Sant’Ana Galvão, cuja memória foi celebrada no último dia 25, rogue para as comunidades da Arquidiocese serem reconhecidas como oásis da misericórdia.
Dom Luiz Carlos Dias
Bispo Auxiliar de São Paulo
Fonte: NPD Brasil em 28/10/2018

Comentário do Evangelho

Cegueira dos discípulos

Podemos perceber que Marcos, ao escrever seu evangelho, teve a intenção de caracterizar três etapas do ministério de Jesus. A primeira, até o capítulo 8, versículo 21, envolvendo o ministério de Jesus na Galileia e nas regiões gentílicas vizinhas, abrange desde o batismo de João até a passagem por Betsaida; é uma fase de formação dos discípulos, e a palavra chave é a "casa", mencionada frequentemente como lugar onde a comunidade se encontra com Jesus. A segunda etapa, do capítulo 8, versículo 22, ao capítulo 10, versículo 52, que envolve a viagem com destino a Jerusalém, a partir de Betsaida e dos povoados de Cesareia de Filipe, ao norte da Galileia; nesta etapa a palavra-chave é o "caminho", repetida várias vezes, ao longo do qual Jesus prepara os discípulos para o desfecho de seu ministério em Jerusalém, destacando-se nesta etapa os três "anúncios da Paixão" (Mc 8,31-32; 9,30-32; 10,32-34). A terceira etapa, a partir do capítulo 11, abrange o ministério de Jesus em Jerusalém, culminando com a Paixão, morte e ressurreição.
A leitura de hoje, com a cura do cego de Jericó, fecha a segunda etapa do ministério de Jesus, cujo início foi demarcado também com a cura de um cego em Betsaida. Com este artifício literário, incluindo a caminhada para Jerusalém entre duas curas de cegos, Marcos realça que Jesus está empenhado em abrir os olhos dos próprios discípulos quanto à natureza de sua missão no mundo.
Nesta caminhada, aproximando-se de Jerusalém, passam por Jericó, situada a cerca de 25 km daquela cidade de destino. Os discípulos acompanham Jesus, sem ainda compreender, com clareza, o sentido pleno de sua missão, pois tinham dele uma visão messiânica triunfalista.
A narrativa da cura é feita em cores vivas, como em uma cena teatral: a multidão que acompanha Jesus; o cego, mendigo, sentado à beira da estrada; seus gritos insistentes, indiferente à repreensão de muitos; o chamado de Jesus e o seu pulo, jogando o manto fora, concluindo com a recuperação da visão.
Pode-se imaginar que os mendigos de Jericó se instalassem à beira do caminho que, vindo do norte, levava a Jerusalém, contando com a benevolência e a piedade dos peregrinos, que, em grandes grupos, viajavam para a cidade a fim de cumprir o preceito de participação na festa da Páscoa judaica, no Templo.
O cego que estava à beira do caminho, de certo modo, é a imagem destes discípulos em sua incompreensão. Ele "vê", equivocadamente, Jesus como o "Filho de Davi", messias poderoso e triunfante da tradição judaica do Primeiro Testamento. Contudo, este homem quer libertar-se de sua cegueira. Jesus pergunta-lhe: "Que queres que eu te faça?". Esta pergunta havia sido dirigida, pouco antes a Tiago e João, cuja resposta revela que, cegamente, aspiravam ao poder. Bartimeu, simplesmente, quer "ver", e, vendo Jesus Nazareno com clareza, ele o segue em seu caminho.
Nossa fé consiste em "ver" Jesus presente, hoje, no mundo, humilde e amoroso, caminhando com seus discípulos na construção de um mundo novo de justiça e paz.
José Raimundo Oliva
Oração
Pai, dá-me forças para lutar contra a cegueira que me impede de reconhecer teu amor misericordioso manifestado em Jesus. Faze com que eu veja!
Fonte: Paulinas em 28/10/2012

Vivendo a Palavra

O Mestre mostra o respeito e a gentileza que são devidos ao próximo: quando talvez parecesse óbvio que o desejo daquele cego era voltar a ver, Jesus quis saber dele próprio: “o que você quer que eu faça por você?” Nós, Igreja de Jesus, devemos segui-lo no cuidado dos irmãos, sem nos esquecermos de ouvi-los com carinho e atenção.
Fonte: Arquidiocese BH em 28/10/2012 28/10/2018

Reflexão

UMA CONFISSÃO DE FÉ

O grito pode ter múltiplos significados. É frequente ouvir a expressão “grito de guerra”, significando o desejo de atacar, de ir à luta. Fala-se também do “grito de alegria”, representando vigor, contentamento. Vejam-se as torcidas organizadas nos estádios de futebol, vibrando pelo time do coração. O grito vibrante ecoa em som penetrante. Há também o grito de desespero. Mas há ainda o grito de quem grita como única alternativa e possibilidade de ser ouvido. Talvez seja esse o sentido do grito de Bartimeu no evangelho de hoje (Mc 10,46-52).
O narrador faz questão de frisar que Bartimeu era “um mendigo cego, sentado à beira do caminho” (10,46). Isso para ressaltar sua condição de pessoa destituída de dignidade. A mendicância e a cegueira punham-no à margem de tudo. A única ferramenta de luta pela vida que lhe restava era a voz. E voz que tinha de ser gritada. “Muitos o repreendiam para que se calasse. Mas ele gritava mais forte” (10,48).
Bartimeu representa o povo a quem é negado tudo e de quem nada se espera. Ocorre que, de onde menos se espera, é daí que Deus suscita a surpresa, pois “o que é fraqueza no mundo, Deus o escolheu para confundir o que é forte” (1Cor 1,27). O grito de Bartimeu é mais do que simplesmente um grito. É uma confissão de fé.
Ele, embora indigente e cego, na sua pequenez professa a fé no Nazareno, o “Filho de Davi”, isto é, o ungido de Deus, o prometido desde sempre para “evangelizar os pobres, proclamar a libertação aos presos, recuperar a vista aos cegos, restituir a liberdade aos oprimidos e proclamar o ano de graça do Senhor” (Lc 4,18-19). Chegou, pois, o tempo da realização das promessas. Os primeiros a notar isso são os oprimidos. “Tende compaixão de mim!” A súplica de Bartimeu é a prece de todos os que, silenciados e rejeitados, porém cheios de fé, sabem que sua única esperança é Deus.
O evangelho de hoje quer, portanto, ensinar à comunidade que Jesus realiza o sonho de Deus: a vida plena para todos, especialmente aos renegados do mundo. Toda indiferença é superada, pois o reino chegou. Jesus é a plenitude da vida e ninguém pode impedir o acesso a ele, nem mesmo os que se consideram mais perto dele e, às vezes, querem retê-lo para si ou privatizá-lo.
Pe. Antonio Iraildo Alves de Brito, ssp
Fonte: Paulus em 28/10/2012

Reflexão

Bartimeu, cego e mendigo, estava à beira da estrada e, ouvindo Jesus passar, renova a esperança e grita por piedade. Pensa ter chegado a chance de abandonar essa vida de marginalizado. Seu grito é ouvido pelo Mestre, que o chama. Com esse relato, Marcos conclui a seção dos milagres. O mendigo está sentado à beira do caminho, lugar onde cai a semente, mas não dá fruto, porque é arrebatada pelo inimigo. O inimigo (satanás, figura da ideologia do poder) não deixa que a mensagem penetre na mente e no coração da pessoa, enquanto a mensagem de Jesus tem poder de transformar, tirar da cegueira, eliminar a alienação e integrar novamente a pessoa ao convívio social. O gesto de jogar o manto simboliza que o cego (discípulo) abandona seu estilo de vida e assume a proposta de Jesus. Recuperando a vista, torna-se livre, caminha com as próprias pernas e ilumina com os próprios olhos o caminho a seguir. Torna-se um discípulo de Jesus. O grito do cego pode simbolizar o grito do povo oprimido, que incomoda os que estão na comitiva, vivendo tranquilos sua vida cotidiana e se sentem ameaçados pela ascensão do pobre.
(Dia a dia com o Evangelho 2018 – Pe. Luiz Miguel Duarte, ssp)
Fonte: Paulus em 28/10/2018

Reflexão

O mendigo cego, sentado à beira do caminho, não se sente confortável. Por isso, sem nenhum constrangimento, conhecendo ou intuindo o poder de Jesus de Nazaré, clama por socorro. Nem todos lhe dão apoio; alguns tentam abafar seus gritos. Em nossa sociedade, conhecemos atitudes semelhantes. Muitos fazem ouvidos moucos aos apelos das minorias e, mais grave ainda, procuram eliminá-las. No entanto, sempre sintonizado com a dura realidade humana, Jesus consulta o cego sobre sua real vontade. É fundamental que a pessoa se disponha a sair da situação precária em que se encontra. Ao obter resposta positiva, Jesus realiza uma mudança histórica na vida desse homem. Por sua fé e condição de movimentar-se livremente, o homem se torna discípulo de Jesus e com ele segue para Jerusalém.
Oração
Ó Jesus, Filho de Davi, sentados à beira do caminho, sem rumo nem direção, deixamos de socorrer os necessitados, não construímos uma sociedade justa e fraterna. Tem piedade de nós, Senhor. Livra-nos de uma vida sem sabor. Devolve-nos a alegria de viver e de trabalhar para o teu Reino. Amém.
(Dia a dia com o Evangelho 2021 - Pe. Luiz Miguel Duarte, ssp e Pe. Nilo Luza, ssp)

Meditando o evangelho

A GRANDEZA DE SERVIR

O Reino de Deus introduziu nova ordem de relações entre as pessoas, muito diferente da mentalidade do mundo. Para quem é mundano, a grandeza consiste em exercer o domínio sobre as pessoas, e mostrar-se cheio de poder, porque a submissão lhe parece fruto do medo. O serviço prestado ao tirano não resulta de um ato amoroso, mas revela-se uma pesada obrigação.
O Reino, pelo contrário, segue na direção oposta. O domínio transforma-se em serviço. O dominado assume a feição do irmão a quem se deve amar e servir. O poder não é utilizado para oprimir, antes, para libertar. A relação de escravidão transforma-se em relação de fraternidade. A grandeza, portanto, para o discípulo do Reino não consiste em ser servido mas em servir e oferecer a própria vida para que o outro possa crescer.
Foi por esta razão que Jesus convidou Tiago e João a mudarem de mentalidade e pensarem segundo os critérios do Reino. O pedido que fizeram ao Mestre talvez escondesse o desejo de exercerem poder sobre os demais companheiros de discipulado, numa espécie de dominação. Pretendiam ocupar um lugar de destaque junto de Jesus, para usufruir do poder. Jesus denunciou esta maneira errada de pensar.
O discípulo deve espelhar-se nele, enviado pelo Pai para colocar-se a serviço da humanidade e dar a vida pela salvação de todos. Esta é a sua grandeza!
(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado no Portal Dom Total)
Oração
Senhor Jesus, leva-me a escolher sempre o caminho do serviço feito na gratuidade, para eu me sentir grande junto de ti.

COMENTÁRIO DO EVANGELHO

1. O mendigo cego Bartimeu à beira do caminho...
(O comentário do Evangelho abaixo é feito por Côn. Celso Pedro da Silva, ‘A Bíblia dia a dia 2017’, Paulinas e disponibilizado no Portal Paulinas - http://comeceodiafeliz.com.br/evangelho)

São Marcos contou a cura do cego de Betsaida no capítulo oitavo. Hoje, no fim do capítulo décimo, ele relata a cura do cego de Jericó. Entre estas duas curas, por três vezes Jesus anunciou sua Morte e Ressurreição. Os discípulos não entendiam bem por que o Messias devia sofrer e morrer, e entendiam menos ainda que ele devesse ressuscitar três dias depois. Eles tinham na cabeça a imagem de um Messias glorioso, e não a imagem de um Messias sofredor. Não pensavam estar seguindo um mestre ou um líder que terminaria preso e condenado à morte. Para eles, Jesus entraria glorioso em Jerusalém para restabelecer o trono de Davi, e não para ser crucificado. Jesus tenta corrigir as ideias que tinham na cabeça com os três anúncios da Paixão e com os ensinamentos que dá principalmente aos apóstolos. Pedro não aceitou o primeiro anúncio. Jesus lhes explica que é preciso renunciar a si mesmo e carregar a cruz para segui-lo. Eles não entendem e discutem entre si para saber quem deles era o primeiro e o mais importante.
Depois do terceiro anúncio, demonstrando ter entendido que Jesus devia passar primeiro por muito sofrimento para depois entrar em sua glória, Tiago e João, adiantando-se aos outros, pedem para si os primeiros lugares ao lado de Jesus glorificado. Não entenderam e continuam não entendendo que o lugar de Jesus é o último, junto dos excluídos deste mundo, e que este será o lugar de seus discípulos. Ao colocar dois cegos como moldura de todas essas cenas, o evangelista São Marcos faz o retrato dos discípulos. Eles são cegos e não enxergam quem é Jesus. Os cegos, porém, são curados e começam a ver o mundo ao seu redor com clareza. A visão do cego de Betsaida melhora pouco a pouco. É o discípulo que vai compreendendo sempre mais quem é Jesus e para que veio a este mundo. O cego de Jericó é curado de uma vez, recupera logo a visão e segue Jesus. O verbo seguir é o verbo próprio do discípulo. O discípulo segue o mestre. O cego curado vê Jesus e o segue. Não foi fácil para os primeiros discípulos entenderem o que Jesus queria. As propostas de Jesus são radicais. [...]
Fonte: NPD Brasil em 28/10/2018

COMENTÁRIOS DO EVANGELHO

1. SENTADO À BEIRA DO CAMINHO
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Diácono José da Cruz - Diácono da Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP)

Há uma canção de Roberto e Erasmo Carlos, que eu vivia cantarolando nos meus tempos de jovem, quando tomado por alguma tristeza ou decepção, o poeta compositor da letra, fala de alguém, que por conta de uma decepção amorosa, desistiu de viver e ficou sentado á beira do caminho, onde até a poeira é triste. A dinâmica da vida nos impele a caminhar, quem não se deixa contagiar por esse dinamismo, acaba ficando fora do processo, a letra da canção mostra bem esse sentimento de que não existimos, quando a pessoa a quem amamos permanece indiferente "Preciso lembrar que eu existo....". Quem é esse cego Bartimeu, mendigando amor á beira de um caminho, senão o próprio homem, que não conhecendo a Deus revelado em Jesus, lhe permanece indiferente? A pós modernidade oferece ao homem Muitas "luzes" na ciência, na tecnologia, no avanço das pesquisas, acontece que o ser humano, apropriando-se desses bens, que são dons de Deus, julga ver tudo, compreender tudo, e sentindo-se Senhor absoluto da situação, pensa e faz o que quer, usa sua liberdade da pior maneira possível e fazendo coro ao racionalismo dos intelectuais, decreta a morte de Deus. Entretanto, um belo dia este homem prepotente e arrogante, irá descobrir-se como este cego de Jericó. Tem tudo mas não tem a graça de Deus, que Jesus trouxe com a Salvação. Nesse sentido não se conhece, porque não conhece a Jesus, é cego, porque não viu em sua vida a luz da verdade, está a margem da verdadeira vida, é um milionário mendigando um pouco de amor àquele que é amor.
Em um coração e uma alma, ferida pela descrença, agonizante de vida e esperança, é que sai esse grito de Bartimeu, ao saber que Jesus de Nazaré passava por ali, bem ao lado de onde ele expunha aos que passavam, a sua miséria vergonhosa. "Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim!". Foi assim que Jesus, o Verbo Encarnado de Deus, encontrou o homem, morto pelo pecado, andarilho e mendigo á beira da estrada da Vida, sem forças para caminhar, em sua cegueira tenebrosa. No canto da Verônica, no caminho do calvário, inverte-se esse quadro e Jesus ocupa o lugar que é do homem "Oh Vós todos que passais, vinde ver se há uma dor igual a minha..."
Na verdade é a humanidade toda que estava á beira do caminho, sucumbida em sua miséria, quem passa é Jesus, que não fica indiferente as nossas chagas e feridas, como o Sacerdote e o Levita, na parábola do Bom Samaritano, que ouviu por certo os gemidos daquele homem caído á beira do caminho, Jesus também ouviu nossos lamentos e queixumes, o grito desesperado de quem perdeu quase toda a esperança, "Senhor, Tende compaixão".
Sempre haverá vozes contrárias, tentando abafar esse grito de quem já não encontra mais razão para viver, há aqueles que como esse grupo numeroso que segue a Jesus, querem dele se apossar, fecham o anúncio e a graça em suas "Igrejinhas particulares", idealizam um Jesus exclusivo que só atende a eles, os santos, justos e perfeitos, é o grito dos casais em segunda união, talvez, é o grito de tantas jovens mães solteiras, de drogados e prostituídos, de pessoas rotuladas como irrecuperáveis, banidos de nossas relações, explorados pelo sistema pecaminoso, e oprimidos muitas vezes pelo próprio poder religioso, de tantas igrejas que se intitulam de "Cristãs".
O grito de desespero não passa despercebido por Jesus, quando o seu povo gemia sob o chicote dos Faraós do Egito, Deus ouviu, viu e desceu para libertá-los. A Igreja de Cristo não pode tapar os ouvidos diante de tantos que gritam, as vezes dentro da própria comunidade, a Igreja de Cristo não pode abafar o clamor dos pequenos que perderam a esperança e a ela recorrer, deve ser aquela que chama o cego, o acolhe em seu meio, coloca as pastorais a disposição para lhe curar as feridas, e mais ainda, o encoraja a fazer esse encontro pessoal com aquele que é a Vida, a Verdade, o caminho . Coragem! Levanta-te, Ele te chama! Jesus chama esse homem cego, morto, como um dia chamou a Lázaro, inerte no fundo de uma sepultura. O chamado de Jesus é para a Vida, para desencostarmos do barranco do comodismo, e de olhos bem abertos, na visão da Fé, abraçar o discipulado com coragem e desprendimento.
Impressionante a reação do cego, ao saber que Jesus o chamava, sentiu-se importante, deu um salto e foi ter com ele, jogando a capa de lado. Era a única coisa que possuía, mas despojou-se dela ao conhecer Jesus, ao descobrir-se amado e querido por Deus, ao sentir que todo esse amor está presente em Jesus, redobra a força e a coragem, descobre a nova razão de viver, por isso consegue "pular" do seu canto, Jesus é o seu protetor, o seu amor o envolverá totalmente, não precisa mais de nenhuma outra capa.
O seu desejo de VER, manifestado com simplicidade diante de Jesus, foi atendido, "Vai, a tua fé te salvou" – lhe dirá o Senhor. Ir para onde? Para o caminho do discipulado. Salvos pela fé, todos os que fizeram e fazem, essa experiência de ter uma nova visão, no encontro pessoal com Jesus, tornam-se seus discípulos, ontem e hoje, e todos juntos, enquanto Igreja, deixam-se conduzir pelo dinamismo desta vida nova, percorrendo as estradas do mundo, para encorajar os que estão á margem, e chamá-los para se encontrarem também eles com Jesus, a Luz Verdadeira, diante da qual as trevas não resistem.... (XXX Domingo do Tempo Comum Mc 10, 46-52)
José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail jotacruz3051@gmail.com

2. Coragem, levanta-te! - Mc 10,46-52
(O comentário do Evangelho abaixo é feito por Côn. Celso Pedro da Silva, ‘A Bíblia dia a dia 2017’, Paulinas e disponibilizado no Portal Paulinas - http://comeceodiafeliz.com.br/evangelho)

Hoje aprendemos com o filho de Timeu a rezar com o coração: “Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim”, deixando que cada batida do coração seja a repetição dessa jaculatória. O discípulo que não vê bem ou não vê nada tem um pedido a fazer: “Que eu veja”. Que eu veja Jesus, saiba quem ele é, possa identificá-lo em seus sinais onde ele estiver. Os três anúncios da paixão no Evangelho de São Marcos estão colocados entre a cura de dois cegos, o cego de Betsaida e o cego de Jericó. Estes cegos representam os discípulos que veem, mas não enxergam quem é Jesus, não têm dele uma ideia exata. Uma vez curados, começam a ver. Jesus mesmo cura a cegueira dos discípulos que os impede ver o Cristo como ele é e não como o imaginam ou gostariam que fosse. Vê-lo na sua realidade sofrida e aceitá-lo. O cego Bartimeu queria ver, simplesmente ver. Não pediu para ver Jesus porque já o via na fé. Como todos os judeus, ele o via como o descendente de Davi, não, porém, como um rei apenas poderoso, mas poderoso em misericórdia. “Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim”. “Vai, tua fé te salvou”. Não foi, ficou, e foi seguindo Jesus pelo caminho. Na profecia de Jeremias, o próprio Deus ensina o seu povo a pedir a salvação do resto de Israel. O resto de Israel, aparentemente pequeno e pobre, é um resto glorioso, com o qual se reconstrói a nação. Bartimeu faz parte desse resto. Sua fé o salvou. Deus recolhe o resto espalhado pelo mundo e como um pai com o seu filho querido reúne os que sobraram, cegos e aleijados, grávidas e parturientes, e reconstrói o seu povo. “Eu sou pai para Israel, Efraim é meu filho querido.” O filho querido na Carta aos Hebreus, que reúne em si todos os filhos dispersos formando com eles um só corpo, é Jesus Cristo, o novo sacerdote segundo a ordem de Melquisedec, que não atribui a si mesmo honra alguma, mas recebe do Pai a suprema honra quando lhe diz: “Tu és meu Filho, eu hoje te gerei”. “Que eu possa ver novamente”, pediu a Jesus o cego Bartimeu, depois de ter exclamado com fé: “Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim”. Se nos caminhos da vida perdemos a visão do que até então nos fez caminhar e nos levou para frente em busca do alvo desejado, tentemos escutar os passos de quem passa no mesmo caminho em que estamos tentando entrar em sintonia rítmica do coração com os passos que estamos ouvindo. O coração é nosso, os passos são de Jesus, o pedido é nosso, a resposta é dele. O pedido o traz até nós. Sua compaixão nos purifica e devolve a visão. “Vai, tua fé te salvou”. E vamos novamente. Retomamos o caminho e o seguimos. “Que eu possa ver novamente”, porque a primeira visão se foi. E vamos, cantando com as Irmãzinhas de Jesus, que “eu gostaria, Jesus, de te cantar pelo caminho, de te anunciar por toda parte: só tu és a vida e a paz e o amor. Gostaria de te louvar pelo caminho, que minha voz fosse o eco da tua alegria. Gostaria de te servir pelo caminho”. Gostaria de continuar ouvindo teus passos ressoando ao longo do caminho e poder clamar sempre de novo: “Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim”. E, em seguida, ver meus olhos se abrirem.

REFLEXÕES DE HOJE

DOMINGO

Fonte: Liturgia Diária Comentada2 em 28/10/2018

HOMILIA DIÁRIA

Jesus está passando agora no caminho do seu coração

Postado por: homilia
outubro 28th, 2012

Jericó acordara cedinho trazendo ainda – no rosto dos seus habitantes – a alegria contagiante da passagem de Jesus. Os comentários sucediam-se; não faltavam opiniões, as mais diversas; pessoas emocionadas; gente simples que tomara ares de vida nova… Tudo resplandecia.
A cidade respirava um ar diferente, apesar do parecer contrário de muitos a respeito do ocorrido no dia anterior: o jantar de Jesus e seus discípulos na casa de Zaqueu. É que eles ainda não se tinham dado conta destas palavras: “Eu vos digo que do mesmo modo, haverá mais alegria no céu por um só pecador que se arrependa do que por noventa e nove justos que não precisam de arrependimento” (Lc 15,7).
Parece-me ouvir nitidamente a voz de Jesus repetindo aos insatisfeitos o que dissera alguns dias antes aos seus discípulos: “O que vos parece? Se um homem possui cem ovelhas e uma delas se extravia, não deixa ele as noventa e nove nos montes e vai à procura da que se perdeu? Se consegue encontrá-la, em verdade vos digo, terá maior alegria com ela do que com as noventa e nove que não se extraviaram” (Mt 18,12-13). Eles, por certo, ainda não haviam entendido a “lógica” de Jesus, e muito tempo ainda decorreria para que entendessem que “a sua lógica não tem lógica”, visto que o Reino não chegara para “os sábios e entendidos”. Ao sair de Jericó com os seus discípulos e grande multidão, estava sentado à beira do caminho, mendigando, o cego Bartimeu, filho de Timeu.
Os pobres eram, em primeiro lugar, os mendigos. Estes eram os doentes e aleijados que tinham recorrido à mendicância, haja vista a impossibilidade de serem empregados e não possuírem parentes que pudessem (ou quisessem) sustentá-los. Era o contraste que se deparava diante de todos. Ainda há pouco, as cores da alegria; no instante presente, a máscara da tristeza, da miséria e da opressão.
Bartimeu, além de mendigo, era cego. Excluído e humilhado pela sociedade, perdera a vergonha de estender as mãos para angariar míseras moedas para o seu sustento. Aprendera na dor a ser humilde; aprendera na obediência a Deus a viver sem murmurar; aprendera a aceitar a sua condição de dependência e opressão.
Aprendera de maneira dinâmica – e não de maneira estática – a acolher a sua condição limitada. Dentro dele latejava a ânsia de lutar por dias melhores. Sentia em sua alma alguma coisa que falava não sei o quê… Ele não compreendia, mas sentia profundamente que aquela coisa… É como se pressentisse algo. Era chegado o tempo de descruzar os braços.
Seu tato era extraordinário. Poderíamos afirmar, sem receio, que ele enxergava pelas mãos, pelos dedos. Por outro lado, a sua capacidade auditiva era extremamente apurada. Não tendo capacidade para detectar a luz, desenvolvera a capacidade de detectar as formas e os sons. Aqueles sons que se aproximavam do lugar em que estava mendigando, um alarido não muito constante em Jericó, tornara-se o sinal indicativo de que um personagem importante estava deixando a cidade. À medida que a multidão se aproximava, mais ele apurava os ouvidos. Quando percebeu que era Jesus, o Nazareno, que passava, começou a gritar: “Jesus, filho de Davi, tem compaixão de mim!” Ele naturalmente não viu; mas através do vozerio identificou que era Jesus. E começou a gritar, clamando por misericórdia Àquele que é “a luz do mundo e o caminho, a verdade e a vida” (Jo 8,12; 14,6).
E muitos o repreendiam para que se calasse. Ele porém, gritava mais ainda: “Filho de Davi, tem compaixão de mim!” A insistência e a persistência de quem luta por aquilo que quer e deseja, e anseia, e busca, e pede, e clama… Encontra ressonância aos ouvidos do Senhor.
Detendo-se, Jesus disse: “Chamai-o!” Jesus para e manda chamá-lo. Diante da miséria humana, Jesus nunca segue adiante. É o Bom Pastor que cuida da ovelha doente; e o Bom Samaritano que trata das feridas da ovelha machucada. Chamaram o cego, dizendo:“Coragem! Ele te chama. Levanta-te!” Deixando a sua capa, levantou-se e foi até Jesus.
A doença que o oprimia, escravizava e humilhava, a partir de agora deixava de ter sentido. Aquela capa que fora símbolo de exclusão social foi atirada longe. O que importava era levantar-se o mais depressa possível e chegar até Jesus.
Naquele instante, os olhos da Luz encontraram os olhos sem luz. E no Coração de Jesus afloram as palavras proferidas na sinagoga de Nazaré: “O Espírito do Senhor está sobre mim porque ele me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar a remissão aos presos e aos cegos a recuperação da vista; para restituir a liberdade aos oprimidos e para proclamar o ano da Graça do Senhor”. Diante dele, Bartimeu: pobre, mendigo, cego, cativo, preso, oprimido… Então Jesus lhe disse: “Que queres que eu te faça?” O cego respondeu: “Mestre, que eu possa ver novamente!”
Jesus respeita a nossa liberdade. Por isso a razão da sua pergunta. Ele queria que Bartimeu verbalizasse, apesar de saber e vê-lo cego. Quando ele expressou o seu desejo de cura, Jesus lhe disse: “Vai, a tua fé te salvou!” No mesmo instante, ele recuperou a vista e seguia-o pelo caminho. São palavras que curam o corpo, a alma e o coração.
O cego não é aquele que não vê, mas aquele que não quer ver. Quantos passam a vida sentados à beira do caminho, braços cruzados, olhos perdidos no vazio e na escuridão, acomodados, desencorajados, desesperançados, descrentes de Deus, descrentes do mundo, descrentes das pessoas… Mortos vivos ou vivos mortos? Em qual das duas categorias você se ajusta?
Jesus está passando agora no caminho do seu coração. Não deixe esta graça passar sem realizar o que Deus quer. Peça, busque, clame, grite, como Bartimeu: “Jesus, filho de Davi, tem compaixão de mim!” Clama com as palavras que o Espírito Santo lhe inspirar: “Jesus, eu só enxergo as coisas do mundo. O meu coração e os meus olhos encharcados de concupiscências, de pecados, de vícios, de egoísmo, de orgulho, de vaidade, de adultério, de rancor.. Eu sou cego para o amor, para o perdão, para a misericórdia, para a disponibilidade, para o serviço aos irmãos, para a partilha. Eu sou cego para a humildade, para o desprendimento, para a renúncia, para o despojamento de mim mesmo. Tem compaixão de mim!”
E os seus olhos se abrirão; sua alma exultará; seu espírito haverá de cantar as misericórdias que o Senhor realizou na sua vida.
Mas não basta apenas isto. É necessário exercitar a fé. É seguindo Jesus pelo caminho, como fez Bartimeu, que se cumpriram as palavras de Jesus em sua vida: “Vai, a tua fé te salvou”.
Padre Bantu Mendonça
Fonte: Canção Nova em 28/10/2012

HOMILIA DIÁRIA

Jesus, permite-nos enxergar o que está dentro de nós

Vivemos num mundo obcecado por uma cegueira, somos incapacitados de refletir e olhar mais adiante

“Jesus disse: ‘Vai, a tua fé te curou’. No mesmo instante, ele recuperou a vista e seguia Jesus pelo caminho” (Marcos 10, 52).

O filho de Timeu, Bartimeu, cego e mendigo, que estava sentado à beira do caminho, viu Jesus passar e gritou: “Jesus, Filho de Davi, tende compaixão de mim, porque eu quero enxergar”.
Quando esse cego começou a gritar, muitos o repreendiam, porque eram mais cegos do que ele. Quando uma pessoa reconhece sua miséria e suas debilidades, está buscando alcançar a graça, está buscando enxergar o que ela não enxerga; nesta pessoa está a luz de Deus. Entretanto, quando uma pessoa acha que sabe tudo, que enxerga tudo, que tem o domínio de tudo, desculpe-me, mas essa pessoa é mais cega do que todos.
Esse tipo de cegueira é, muitas vezes, difícil de recuperar e salvar, porque a pessoa está obcecada no seu erro e não é capaz de se reconhecer. Ela está num obscurantismo tão grande da vida, que acha que tudo que ela pensa e sabe, que a sua opinião e o seu ponto de vista são a visão do todo.
Vivemos num mundo obcecado por uma cegueira, incapacitado de refletir e olhar mais adiante, mas para olharmos adiante precisamos olhar para dentro de nós, reconhecer em nós aquilo que nos leva a tomar decisões, fazer escolhas, manifestar nossas opiniões a partir dos nossos impulsos, dos nossos sentimentos ou do nosso racionalismo, muitas vezes, vazio, onde nos obcecamos em um ponto de vista, e o que vale é só isso.
Eu fico com o cego Bartimeu, que reconheceu a profundidade da sua miséria, reconheceu que a luz é Jesus, pois somente Ele é a luz da humanidade.
Hoje, quero clamar como Bartimeu: Jesus, Filho de Davi, tende pena de mim, tende pena da minha cegueira, daquilo que não consigo enxergar dentro de mim mesmo. É por isso que, muitas vezes, eu não melhoro, não me converto, não sou um cristão melhor. Tende compaixão de mim, Senhor! Permita-me enxergar aquilo que não consigo ver, não me deixe morrer na cegueira, obstinado nos meus pensamentos, nos meus sentimentos, nas minhas ideias e convicções. Jesus, luz do mundo, ilumina as trevas do meu coração.
Deus abençoe você!
Padre Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova.

Oração Final
Pai Santo, dá-nos olhos e coração capazes de ver e participar da realidade do mundo e dos irmãos, com suas alegrias e dores. E faze-nos generosos para acolher com presteza as suas necessidades, pois queremos ser discípulos missionários do Cristo Jesus, teu Filho que se fez nosso Irmão e contigo reina na unidade do Espírito Santo.
Fonte: Arquidiocese BH 28/10/2012

ORAÇÃO FINAL
Pai Santo, dá-nos olhos e coração capazes de ver e de participar da realidade do mundo e dos irmãos, com suas alegrias e dores. E nos faze generosos para acolher com presteza as suas necessidades, pois queremos ser a ‘Igreja em saída’ sonhada por Francisco, discípulos missionários do Cristo Jesus, teu Filho que se fez nosso Irmão e contigo reina na unidade do Espírito Santo.
Fonte: Arquidiocese BH 28/10/2018

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