domingo, 4 de março de 2018

HOMÍLIA DIÁRIA, COMENTÁRIO E REFLEXÃO DO EVANGELHO DO DIA 04/03/2018

ANO B


3º DOMINGO DA QUARESMA

Ano B - São Marcos

Cor Roxa

“Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!”

Jo 2,13-25

Ambientação

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: A Liturgia do Terceiro Domingo da Quaresma leva-nos a refletir sobre uma atitude fundamental a ser assumida por todos os que buscam aproximar-se de Cristo: acreditar em Deus é colocar nossa confiança exclusivamente Nele. A superação da idolatria do dinheiro é passo importante nesta caminhada de conversão e exigência para a concretização do autêntico e verdadeiro culto ao Senhor.

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL O POVO DE DEUS: Irmãos e irmãs, nosso caminho quaresmal se renova por esta celebração. Nós somos o Povo Santo que o Senhor Deus reuniu e com o qual realizou sua Aliança, oferecendo-nos seus mandamentos e enviando-nos Seu Filho para ser, de modo definitivo, o Templo vivo e verdadeiro onde nos encontramos com Deus, e com Ele nos reconciliamos.

INTRODUÇÃO DO WEBMASTER: A purificação do Templo de Jerusalém é símbolo daquela purificação que Deus realiza nas mentes e corações, para serem templos do Espírito Santo e morada do amor que une a Deus e cria relações fraternas. O terceiro domingo da Quaresma traz para nossa reflexão o tema do zelo pela casa do Senhor como meio que nos conduz até ele, isto é, a salvação. Esse tema tem muitos desdobramentos, dando-nos a possibilidade de extrair dele muitos ensinamentos para o nosso crescimento na fé e na vivência do verdadeiro sentido de ser Igreja. Jesus se deixa consumir pelo zelo da casa de Deus e nos ensina a fazer o mesmo. Todo cristão deve, ou pelo menos deveria, se consumir pelo zelo da casa de Deus, e zelar pela casa de Deus significa zelar por aquilo que pertence a Deus.

Comentário do Evangelho

Exigências da fé

No evangelho de João percebe-se uma exaltação dos samaritanos e uma crítica aos judeus. Assim, por um lado, temos a narrativa do diálogo de Jesus com a mulher samaritana, em pleno dia, à beira do poço, que termina com todos os moradores desta região da Samaria vindo aclamar Jesus, professando nele sua fé. Por outro lado, Nicodemos, um dos chefes dos fariseus, vem conversar com Jesus, ocultando-se na penumbra da noite, e não entende a sua mensagem.
O evangelho de hoje menciona que estava próxima a Páscoa "dos judeus", dando a entender que Jesus se distancia do sistema religioso que a promove, sediado em Jerusalém. Nesta primeira viagem de Jesus a Jerusalém o destaque é a denúncia do sistema do Templo. Em vez de lugar de oração, o Templo é um lugar de comércio e exploração do povo piedoso. A situação não era nova, pois o profeta Jeremias, muito tempo antes, já fizera tal denúncia (Jr 7,11). O culto no Templo, com o acesso de multidões de peregrinos durante o ano, era fonte de riqueza para o comércio em Jerusalém e, principalmente, para a casta religiosa, que recolhia imensos valores como dízimos, ofertas e sacrifícios dos fiéis. Desde sua primeira construção por Salomão, o Templo tinha um anexo, o Tesouro (ou Gazofilácio), onde eram acumuladas estas riquezas, no mesmo estilo dos templos do Egito ou da Babilônia, a serviço de faraós e reis.
A presença de Deus entre homens e mulheres não se dá no Templo, mas em Jesus, e em todos aqueles que, fazendo a vontade do Pai, no serviço e na partilha, com amor e misericórdia, serão morada de Deus (Jo 14,23).
Pela conversão, aderimos ao Deus encarnado, humano como nós, frágil e passível de morrer em uma cruz (segunda leitura), fiel à sua missão de revelar ao mundo o mandamento do amor (Jo 15,12) que supera os antigos mandamentos da Lei de Moisés (primeira leitura).
José Raimundo Oliva
Oração
Senhor Jesus, que eu tenha pelas coisas do Pai o mesmo zelo que tiveste, sabendo reconhecer as exigências práticas da minha fé.
Fonte: Paulinas em 11/03/2012

Vivendo a Palavra

Assim como o Templo que seria reconstruído em três dias era o seu corpo, Jesus se referia ao Templo profanado pelos vendilhões, exploradores da fé do povo simples: eram os próprios fieis, ludibriados. A missão de Jesus – e da sua Igreja, é bom lembrar! – é a libertação do povo de Deus e não a imposição de normas e ritos que impedem a vida em plenitude.
Fonte: Arquidiocese BH em 11/03/2012

VIVENDO A PALAVRA

Assim como o Templo que seria reconstruído em três dias era o seu corpo, Jesus se referia também ao Templo profanado pelos vendilhões, exploradores da fé do povo simples: os fieis eram ludibriados. A missão de Jesus – e da sua Igreja, é bom lembrar… – é a libertação do Povo de Deus e não a imposição de normas e ritos que impeçam a vida em plenitude.

Meditando o evangelho

AS COISAS DE DEUS

A imagem de Jesus com o chicote em punho, expulsando do templo de Jerusalém cambistas e comerciantes, não bate com a do Jesus manso e humilde transmitida, pelo imaginário cristão. Não é fácil pensá-lo irado e violento. Por que Jesus se indignou tanto diante do templo profanado?
A resposta, à primeira vista, poderia ser: porque a casa do Pai foi transformada em mercado. A motivação, porém, parece ser outra: porque a religião estava sendo instrumentalizada e acabava acobertando injustiça e extorsão, especialmente, contra os mais pobres; porque o Pai havia sido transformado num deus conivente com a maldade; porque o templo, enquanto lugar da fraternidade e da acolhida, tinha sido transformado em ponto de exploração e enriquecimento ilícito; porque, enfim, a fé perdera a sua profundidade e os fiéis tinham-se tornado vítimas da ganância dos ricos. Nisto consistia a profanação da casa de Deus e da religião. E Jesus não suportava que as coisas do Pai fossem tratadas assim.
A profanação das coisas divinas, porém, iria atingir seu grau mais elevado, com a morte ignominiosa de Jesus na cruz. Matar o Filho de Deus correspondia à determinação de destruir o verdadeiro templo. Jesus, porém, estava seguro de que o templo-Filho seria reconstruído. O templo material, ao invés, estava fadado à ruína completa.
(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês)
Oração
Senhor Jesus, que eu tenha pelas coisas do Pai o mesmo zelo que tiveste, sabendo reconhecer as exigências práticas da minha fé.

COMENTÁRIO DO EVANGELHO

1. JESUS, O TEMPLO DE DEUS
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado no Portal Dom Total a cada mês).

Em suas cinco visitas a Jerusalém, no Evangelho de João, Jesus denuncia o sistema do templo como negação do projeto de Deus. Com a expressão "a Páscoa dos judeus", João insinua que esta não é a festa de Jesus.
O templo e suas festas apenas servem à teocracia que aí se instalou. Uma das dependências do templo era o Tesouro, onde acumulavam as riquezas obtidas a partir das ofertas, do comércio de animais a serem sacrifi cados e das operações de câmbio de moedas. Jesus denuncia a ambição que reina no templo.
O templo de Deus é o próprio Jesus. Pela encarnação de seu Filho, Deus se revela presente em Jesus e em todos, homens e mulheres, criaturas suas. Os templos de pedra estão descartados como lugares da presença de Deus. Eles passam a ser espaços de encontro dos filhos de Deus que se unem em comunidades vivas para dar testemunho do amor e da fraternidade, em uma sociedade na qual é cultivado o ideal do sucesso individual e da ascensão ao poder.
Na comunidade solidária para com os empobrecidos e excluídos, dá-se o encontro com Jesus e Deus Pai, no amor. A renúncia ao poder e a opção pelo serviço amoroso à vida são loucura para o mundo (segunda leitura).
Na primeira leitura, na proclamação do decálogo, ainda aparece a imagem de um Deus que castiga de geração em geração os que o odeiam e é misericordioso para com os que guardam os mandamentos de sua Lei. Com esta imagem de eleição, os adeptos da Lei se julgam autorizados a exterminar os considerados inimigos.
Jesus, com seu amor misericordioso, revela a verdadeira face do Pai, que não quer que ninguém se perca e deseja vida plena para todos.
Fonte: NPD Brasil em 11/03/2012

Homília

Pe. José Luiz Gonzaga do Prado

3º DOMINGO DA QUARESMA

O VERDADEIRO TEMPLO DE DEUS

I. INTRODUÇÃO GERAL

O episódio da expulsão dos vendilhões do templo de Jerusalém no Evangelho segundo João não deveria ser chamado de purificação, mas de substituição. Jesus não pretende corrigir algo de errado que encontrou no Templo, mas substituir esse templo por um lugar de encontro com Deus.
No templo de Jerusalém, em vez de oração e busca de Deus, Jesus encontrou comércio. É a tendência normal das instituições humanas. “Destruam este templo e em três dias eu o levantarei” (...). “Ele falava do Templo que é a sua pessoa”. Ele é o novo lugar de encontro com Deus, o outro templo pode ser destruído. Só depois da ressurreição os discípulos entendem.
Ainda estamos à procura, buscando entender Jesus cada vez melhor. À medida que fazemos isso, enquanto tentamos assimilar que um pobre galileu, pregador popular, condenado pelas autoridades políticas e religiosas à mais humilhante das mortes, é a revelação, o rosto de Deus, estamos indo ao encontro de Deus no seu verdadeiro Templo.
Quando a fé se torna objeto de mercado, de marketing, quando a “pastoral do dízimo” é a mais importante de todas, quando se usam os símbolos religiosos, seja dos santos, seja de Maria, seja até mesmo do Pai, para interesses outros, mais visíveis, mais rentáveis, não estamos construindo aquele Templo que pode ser destruído para ser substituído?
A eucaristia nos ajuda a encontrar Deus em Jesus, que se entrega à mais humilhante das mortes. A morte que exclui da cidadania e da própria religião é a principal revelação de Deus. “Quando tiverdes elevado o Filho do homem, sabereis que ‘Eu Sou’!”

II. COMENTÁRIO DOS TEXTOS BÍBLICOS

1. I leitura (Ex 20,1-17)

A leitura nos traz os dez mandamentos, a Lei de Deus que nos ensina a viver como verdadeiros irmãos. A lei do dinheiro é outra, é cobiçar, é cada um para si, o mais “competente” se expande e o mais fraco que se dane.
Ter um único Deus é o básico. Deu, que tudo pode e para quem tudo converge, não sou eu, não é o dinheiro, não é o prestígio, a fama, o brilho diante das câmeras. Deus deve ser um só e Pai de todos. Não há deuses fortes e deuses fracos.
As imagens de outros deuses dão autoridade aos que querem seguir outro caminho que não o de Deus. Por isso não fabricar outros deuses nem obrigar outros a adorá-los.
Os que se sentem autorizados a usar o nome de Deus devem cuidar para não usá-lo para seus motivos fúteis e mesquinhos.
Todos têm direito ao descanso, até os animais. Pai e mãe certamente são os da tribo, não tanto os da família nuclear. Talvez isso signifique o respeito ao sistema do reinado do povo, em que quem mandava não era um, mas os mais velhos das tribos, a liderança natural, o verdadeiro reinado de Deus.
Paulo resume os mandamentos em uma palavra: “Não cobiçarás” (Rm 7,7) e está certo, porque a morte é sócia da cobiça e, de fato, todo pecado se resume a esse.

2. II leitura (1Cor 1,22-25)

Alguns em Corinto olhavam os pregadores do evangelho em termos de competição. Quem é melhor orador? Quem demonstra maior conhecimento ou maior autoridade para falar de Jesus? Paulo diz que isso não combina com a mensagem evangélica, que é a cruz.
O trecho que ouvimos hoje desenvolve este pensamento: a boa notícia de um Messias crucificado não satisfaz nem a judeus nem a gregos. Ao contrário, para os judeus é um absurdo pensar que um crucificado, um maldito, possa ter alguma coisa a ver com Deus. Para os gregos, inchados de filosofia, isso é a mais deslavada tolice.
Mas é essa a mensagem que trazemos. Se o judeu exige milagres, sinais de poder e força, a força que anunciamos é a do Crucificado. Se o grego quer filosofar, tente entender essa sabedoria de Deus.
Entre os cristãos, que devem entender e viver a sabedoria do último lugar e a força do mais fraco, não há lugar para espírito de competição nem de comparação entre uns e outros. Isso, sim, seria o maior absurdo e a maior tolice.

3. Evangelho (Jo 2,13-25)

O Quarto Evangelho parece centralizado na paixão de Jesus. O que nos sinóticos aconteceu na última semana de Jesus já aparece no início do Evangelho segundo João. Além disso, em João, Jesus participa de sete festas em Jerusalém, entre as quais três Páscoas, o que justificou a hipótese de três anos de vida pública. Tudo, entretanto, parece mais criação literário-teológica para apresentar a figura de Jesus.
Nos sinóticos, o episódio que lemos hoje é tratado com sobriedade. Jesus expulsa, sem maiores detalhes, os que vendiam e compravam e, citando Isaías e Jeremias, diz que fizeram da casa de oração um esconderijo de ladrões. Jesus parece apenas corrigir o mau uso do Templo.
Aliás, além de ser o sustentáculo econômico da Judeia (18 mil funcionários, sacerdotes, levitas e outros, mais a promoção do turismo religioso), o Templo era o grande negócio do pequeno grupo de sumos sacerdotes, praticamente a família de Anás. Vendiam os animais a preço acima do mercado e, em seguida, os recebiam de graça para sacrificar e queimar parte deles em honra de Deus, enquanto o restante sempre lhes pertencia.
Páscoa, festa em que os judeus do mundo inteiro iam a Jerusalém comemorar a saída da escravidão do Egito. Jesus vai ao Templo, mas, em vez de oração, encontra lá o grande negócio. Ele reage com indignação. E João descreve o fato com detalhes significativos que não se encontram nos sinóticos.
Jesus faz um chicote de cordas. Toca os animais e os vendedores para fora do Templo. Manda que os vendedores de pombas tirem aquilo dali. Elas serviriam para as oferendas dos pobres e era aí que se verificava a maior exploração, chegando o preço de um casal de pombos a ser cinco vezes maior do que nas aldeias.
Quanto aos cambistas ou banqueiros ali instalados, eles trocavam as moedas dos gentios, com imagens e inscrições indignas de ser colocadas nos cofres sagrados, por moedas do próprio Templo. Jesus revira suas mesas, espalhando tudo pelo chão e provocando a maior confusão.
Os discípulos pensaram que Jesus estava preocupado apenas com a pureza do Templo e lembraram a palavra do Salmo: “O zelo pela tua casa me consome”. Como frequentemente acontece no Quarto Evangelho, pensaram errado, o verdadeiro motivo não era esse.
O verdadeiro significado do gesto de Jesus aparece quando os dirigentes questionam sua autoridade para fazer aquilo. Ele responde: “Destruam este templo”. Esse templo pode e vai ser destruído (O Evangelho de João é escrito 20 anos depois da destruição). Mas “ele falava do Templo que é a sua pessoa” – ele agora é o verdadeiro Templo, o lugar de encontro com Deus.
O Templo não está apenas errado pelo mau uso que dele fazem, está superado. Já não existe um lugar exclusivo de encontro com Deus, que possa ser controlado por uma pessoa ou por um grupo de pessoas. Jesus ressuscitado, vivo no meio de nós, é o Templo de Deus. E Paulo disse antes da destruição do Templo que o Templo santo de Deus é o povo, são as comunidades cristãs (1Cor 3,17).
No todo do evangelho, isso vai abrir caminho para a entrada dos samaritanos, que já não precisam discutir com os judeus onde é o lugar de adorar a Deus. Para nós significa que Deus não se deixa prender em um lugar e que prendê-lo a um lugar é manipulá-lo a serviço de outros interesses.
A consequência do que Jesus fez será a sua morte. Mas aí é que ele vai se tornar o verdadeiro Templo, o lugar de encontro com Deus. Na discussão de Jesus com os “judeus” há uma frase intrigante. “Quando puserdes no alto o Filho do homem, ficareis sabendo que EU SOU!” (Jo 8,28; cf. 13,19). “Eu Sou” é o nome de Deus, interpreta o nome Javé. Na cruz, Jesus se manifesta Deus. No crucificado vivo no meio de nós encontramos Deus.

III. DICAS PARA REFLEXÃO

– “Destruam este templo!” Essa religião, simples fator econômico, vai acabar. Basta que as pessoas abram os olhos. A exploração da fé ingênua das pessoas termina à medida que essa fé deixa de ser tão ingênua. Destruam este templo!
– Jesus, o crucificado vivo, é o lugar de encontro com Deus. Isso não pode ficar só numa afirmação teórica, tem de ser buscado e posto em prática. Não é fácil entender a força e a sabedoria da cruz, muito mais difícil é vivê-las no dia a dia.
– O Deus que encontramos em Jesus não é o Deus dos sábios e filósofos, o Deus Primeiro Motor Imóvel ou Arquiteto do Universo; é o Deus dos pequenos, solidário, companheiro, capaz de amar sem ser amado, capaz de responder com amor gratuito ao ódio gratuito. Que ele nos livre de ser os “sabe-tudo”, de imaginar ter todas as respostas e, por um momento que seja, achar que nada temos a aprender; ensine-nos a sabedoria da cruz, a sabedoria do último lugar, que nos leve a encontrar nosso Deus crucificado entre os homens crucificados.
– Deus não está preso, não é privilégio de ninguém, não pode ser manipulado. É invisível, para não ser identificado com uma imagem que pode ser propriedade de alguém ou de algum grupo. É invisível porque não cabe na imaginação humana; é invisível para estar solto, não ser de ninguém, ser de todos. A morte de Jesus destrói os Templos que prendiam Deus e o liberta para que todos possam alcançá-lo sem ter de pagar.
– A eucaristia tem sentido quando nos ajuda a encontrar Deus em Jesus, que se entrega à mais humilhante das mortes. A morte que exclui da cidadania (um cidadão romano não podia ser crucificado) e da própria religião (é maldito de Deus quem morre pendurado – Dt 21,23) é a principal revelação de Deus. “Quando tiverdes elevado o Filho do homem, sabereis que ‘Eu Sou’!”
Fonte: Paulus em 11/03/2012

Reflexão

A transfiguração de Jesus é relato presente nos três evangelhos sinóticos. Jesus sobe a montanha junto com três discípulos representativos e se transfigura; sua aparência se transforma e suas vestes ficam brancas. A descrição simboliza a antecipação da glória de Jesus ressuscitado. As personagens, Moisés e Elias, representam a totalidade do Antigo Testamento: Moisés a Lei e Elias os profetas. Pedro, diante de tamanha beleza, se entusiasma e propõe construir tendas e permanecer aí. É a tentação de quem se nega a descer para a planície e deseja fugir dos compromissos e dos problemas cotidianos. A visão não mudou a mentalidade de Pedro, que iguala Jesus, Moisés e Elias, ou seja, mantém o messianismo de Jesus nas categorias do Antigo Testamento. Da nuvem, símbolo da presença divina, sai uma voz, pedindo para que todos escutem o Filho amado. É a Jesus que agora devemos escutar. É ele que nos transforma em novos protagonistas do seu projeto; é ele a nova realidade que revela a presença de Deus.
(Dia a dia com o Evangelho 2018 – Pe. Luiz Miguel Duarte, ssp)

COMENTÁRIOS DO EVANGELHO

1. MERCANTILISMO RELIGIOSO
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Diácono José da Cruz - Diácono da Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP)

Um dia quando líamos esse evangelho em uma reunião de equipe, levantou-se a Dona Maria, que veio lá do norte, e disse que Jesus a fez lembrar-se dos fiscais que davam o “rapa” quando ela e o marido tentavam vender mercadorias em uma rua de São Paulo, “eles chegavam arrebentando tudo, virando a banca de pernas prá cima e a gente corria, senão o cassetete de borracha “comia solto”, nunca pensei que Jesus Cristo também perdesse a paciência e ficasse brabo desse jeito” – finalizou Dona Maria.
Foi quando uma catequista muito jovem, perguntou-nos se Jesus estava realmente bravo, e com o que, qual a causa da sua indignação?
O grupo ficou dividido, uns acharam que ele já estava cansado de ver aquela exploração no templo, e que nesse dia, estando com o pavio curto e a paciência esgotada, não se segurou e “soltou os cachorros” prá cima dos exploradores gananciosos. Outro grupo achou que na verdade, o evangelista quer colocar essa briga como o estopim que irá desencadear todo o processo contra Jesus, já que era a semana da páscoa judaica e os vendedores que foram expulsos, não iriam deixar barato aquela atitude de Jesus, mesmo porque, eles vendiam com autorização dos sumo sacerdotes, que tinham interesse nas vendas, uma vez que em sua maioria eram latifundiários, portanto, “fornecedores” naturais de animais para serem sacrificados, podendo então concluir que Jesus havia “cutucado a onça com a vara curta, ou ainda, havia mexido com um vespeiro”.
Como membro da comunidade e freqüentador do templo, Jesus não concorda que haja uma segunda intenção naqueles que trocam moedas e vendem animais para o sacrifício, porque comunidade não é lugar de se fazer barganha, de se buscar interesses particulares que não sejam os do bem comum, não é lugar para se fazer negociatas e trocas de favores, e vem daí a indignação de Jesus para com as lideranças que permitiam a exploração, porque a venda lhes trazia um lucro bem gordo.
Muitas vezes tranqüilizamos a nossa consciência quando pensamos que trabalhamos realmente com amor e que nada buscamos para nós, na pastoral ou movimento onde atuamos, entretanto, sempre há a tentação de ganharmos algo em troca do nosso trabalho, quem é que não quer ser reconhecido por aquilo que faz?
Ser sempre ouvido, consultado, ter a opinião mais importante, ter uma palavra de peso maior, ter poder de influência no conselho e nas demais equipes, exercer um poder paralelo ao da instituição, medir forças com outra liderança, com nossos pastores, ministros, cooperadores, ter prioridade em ocupar salas ou outro espaço qualquer, fazer certas exigências para desempenhar o trabalho. A grande verdade é que, embora de uma maneira dissimulada, também temos nossas “barraquinhas” particulares que faz da comunidade uma verdadeira feira livre, às vezes.
A indignação de Jesus é porque as relações no templo tornaram-se mercantilizadas, e então o evangelho nos faz um forte apelo chamando-nos a uma conversão sincera, para que a convivência na comunidade seja sempre marcada pelo amor gratuito, pela docilidade e flexibilidade, não nos faltando misericórdia, compreensão e paciência, e que possamos eliminar do nosso meio as divisões, os ranços e azedumes, que magoa, fere e machuca os irmãos e irmãs. Que não profanemos o templo sagrado que é a vida dos irmãos, onde o Senhor está presente, senão, de pouco adiantará respeitarmos o ambiente sagrado da igreja templo.
No êxodo, Deus caminhava no meio do povo, habitando em tendas, depois, na monarquia ele foi “enlatado” no templo de Jerusalém, para dar sustentação ao Rei, seu ungido que reinava em seu nome. Deus estava no templo para ser adorado, receber as ofertas e sacrifícios, mas agora, ao se colocar como novo templo, Jesus Cristo está dando um solene basta a antiga religião, Deus deixará o templo para habitar na “Eclésia”, na assembléia da igreja, no meio do povo da nova aliança, aberto a todos os homens que quiserem participar do novo reino. Deus faz morada no mais íntimo do homem dando um novo significado à vida humana, que entra em comunhão com o Divino, tornando-se sagrada e indestrutível.
Aos homens que pensaram ter destruído Jesus para sempre na cruz do calvário, Deus Pai o encheu de glória com a ressurreição, os que hoje pensam ser capazes de enterrar o cristianismo, ridicularizando os seus ensinamentos terão uma surpresa no final da história, pois Jesus garante que esse Reino é eterno e atingirá a sua plenitude, independente da vontade do homem.
José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail jotacruz3051@gmail.com

2. Jesus expulsa os vendedores no templo
(O comentário do Evangelho abaixo é feito por Côn. Celso Pedro da Silva, ‘A Bíblia dia a dia 2017’, Paulinas e disponibilizado no Portal Paulinas - http://comeceodiafeliz.com.br/evangelho)

Os judeus pedem sinais, os gregos buscam sabedoria. Nós, porém, anunciamos o Cristo crucificado, escândalo para uns, loucura para outros. Por conseguinte, a Igreja de Jesus não pode se sujeitar aos princípios de quem não percebe o alcance da cruz de Cristo. O que parece fraqueza é força, o que parece loucura é sabedoria aos olhos de Deus e de quem vê o mundo com os olhos da fé. Jesus sabe o que há dentro do ser humano, sabe o que é verdadeiro e sabe o que é falso, conhece as coerências e as incoerências do nosso agir. Quem é, afinal, esse Jesus? Como justifica o que faz, que autoridade tem sobre o templo, por que o chama de casa de seu Pai? Que sinal ele mostra para agir assim?
O sinal é a vida, a sua própria que ele entrega e retoma; a nossa, que ele salva e perpetua; a vida do mundo pela qual ele aceita sacrificar a própria vida. “Destruam este Templo, que é o meu corpo, e em três dias eu o reerguerei”. O sinal é a sua Ressurreição. Na manhã da Páscoa começaremos a compreender que a ressurreição é o sinal por excelência que Jesus nos dá. E na luz da ressurreição compreenderemos também os que não nos compreendem. Se para eles nossa vida é escândalo e loucura, nós os respeitamos e mantemos firmes as nossas convicções na visão da ressurreição.
Este terceiro domingo da Quaresma coloca diante dos nossos olhos os mandamentos da Lei de Deus. Eles continuam sendo um pedagogo que ensina, orienta e aponta a direção a ser seguida. Eles se realizam totalmente na pessoa de Jesus, que nos deu a graça e a verdade, com as quais podemos praticar a Lei dada por Moisés. Sabendo o que há no ser humano, Jesus não espera a perfeição de uma prática legal. Por isso ele se aproxima de nós, e da sua plenitude recebemos graça sobre graça. Com a sua graça purifica-se a casa do Senhor, que é também a nossa vida, para que nela a Páscoa seja celebrada num templo alegre e belo.

REFLEXÕES DE HOJE


04 DE MARÇO-DOMINGO

VEJA AQUI MAIS HOMILIAS DESTE DOMINGO

Oração Final
Pai Santo, faze-nos compreender as lições de Jesus. Ele passou pelo mundo fazendo o bem e levando o povo a viver em plenitude. Que assim também seja a tua Igreja: o respeito pela liberdade e o desejo da promoção dos irmãos sejam as diretrizes da ação dos seguidores do Cristo Jesus, teu Filho e nosso Irmão, que contigo reina na unidade do Espírito Santo.
Fonte: Arquidiocese BH em 11/03/2012

ORAÇÃO FINAL
Pai Santo, faze-nos compreender as lições de Jesus. Ele passou pelo mundo fazendo o Bem e levando o povo a viver em plenitude. Que assim também seja a tua Igreja, Pai amado: o respeito pela liberdade e o desejo da promoção dos irmãos sejam as diretrizes da ação dos seguidores do Cristo Jesus, teu Filho e nosso Irmão, que contigo reina na unidade do Espírito Santo. Amém.

Nenhum comentário:

Postar um comentário