Reflexão
Antes de entrar na Terra Prometida, o povo hebreu recebeu de Deus os Dez Mandamentos, Lei fundamental que orienta a vida pessoal e social, pois engloba seus elementos essenciais. São normas para o povo viver harmoniosamente, respeitando a Deus e ao próximo. Jesus não veio abolir essa Lei, mas resgatar seu sentido original, por isso critica o modo como muitos a interpretavam. Jesus leva à perfeição a Lei e os Profetas, dando continuidade ao Antigo Testamento e, ao mesmo tempo, superando-o, como expressão concreta do amor de Deus pela humanidade. O Evangelho (e o Sermão da montanha, de modo particular) representa a nova aplicação da Lei querida por Jesus, por isso é dever de todo cristão observá-lo e pô-lo em prática.
(Dia a Dia com o Evangelho 2025 - PAULUS)
Reflexão
«Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas, mas para cumprir»
Rev. D. Vicenç GUINOT i Gómez
(Sant Feliu de Llobregat, Espanha)
Hoje em dia há muito respeito pelas distintas religiões. Todas elas expressam a busca da transcendência por parte do homem, a busca do além, das realidades eternas. No entanto, no cristianismo, que afunda suas raízes no judaísmo, esse fenômeno é inverso: é Deus quem procura o homem.
Como lembrou João Paulo II, Deus deseja se aproximar do homem, Deus quer dirigir-lhe suas palavras, mostrar-lhe o seu rosto porque procura a intimidade com ele. Isto se faz realidade no povo de Israel, povo escolhido por Deus para receber suas palavras. Essa é a experiência que tem Moisés quando diz: «Pois qual é a grande nação que tem deuses tão próximos como o SENHOR nosso Deus, sempre que o invocamos?»(Dt 4,7). E, ainda, o salmista canta que Deus «Anuncia a Jacó a sua palavra, seus estatutos e suas normas a Israel. Não fez assim com nenhum outro povo, aos outros não revelou seus preceitos. Aleluia!» (Sal 147,19-20).
Jesus, pois, com sua presença leva a cumprimento o desejo de Deus de aproximar-se do homem. Por isto diz que: «Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para cumprir» (Mt 5,17). Vem a enriquecê-los, a iluminá-los para que os homens conheçam o verdadeiro rosto de Deus e possam entrar na intimidade com Ele.
Neste sentido, menosprezar as indicações de Deus, por insignificantes que sejam, comporta um conhecimento raquítico de Deus e, por isso, um será tido por pequeno no Reino dos Céus. E é que, como dizia São Teófilo de Antioquia, «Deus é visto pelos que podem ver-lhe, só precisam ter abertos os olhos do espírito (...), mas alguns homens os têm empanados».
Aspiremos, pois, na oração seguir com grande fidelidade todas as indicações do Senhor. Assim, chegaremos a uma grande intimidade com Ele e, portanto, seremos tidos por grandes no Reino dos Céus.
Pensamentos para o Evangelho de hoje
- «A fim de preparar o homem para uma vida de amizade com Deus, o Senhor deu as palavras do Decálogo: por isso, estas palavras também continuam a valer para nós, e a vinda em carne de Nosso Senhor não as revogou, pelo contrário deu plenitude e universalidade» (Santo Irineu)
- «Todos os mandamentos revelam todo o seu sentido como exigência do amor e todos se unem no grande mandamento: amar a Deus de todo o coração e ao próximo como a si mesmo» (Francisco)
- «A Lei evangélica dá cumprimento aos mandamentos da Lei. O sermão do Senhor, longe de abolir ou desvalorizar as prescrições morais da Lei antiga, tira deles as virtualidades ocultas, fazendo surgir novas exigências: revela toda a verdade divina e humana (…)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 1.968)
Reflexão
“Fidelidade” e “novidade” na doutrina de Jesus
REDAÇÃO evangeli.net (elaborado com base nos textos de Bento XVI)
(Città del Vaticano, Vaticano)
Hoje analisamos o binómio “fidelidade-novidade” religiosa em Jesus Cristo. Ele orou em perfeita comunhão com Israel e, no entanto, Ele mesmo é Israel de um modo novo: a antiga Páscoa aparece como a antecipação da nova Páscoa, que é o próprio Jesus. E a verdadeira “libertação” agora se realiza mediante o seu amor que abarca toda a humanidade.
Se olharmos retrospectivamente o caminho de Jesus, verificamos este traçado de “fidelidade-novidade”: Jesus é “observante”; celebra com os outros as festas judias; ora no templo; cumpre Moisés e os profetas… Mas ao mesmo tempo, tudo se torna novo: desde a sua explicação sobre o sábado, a pureza ritual e a nova interpretação do “Decálogo”, até à purificação do templo, que antecipa o fim do templo de pedra e anuncia o novo Templo, a nova adoração “em espirito e em verdade”.
—Jesus Cristo, fiel à vontade originária de Deus, traz uma mudança decisiva na história das religiões, que se torna realidade na Cruz: começou um culto novo.
Recadinho
Jesus insiste na importância dos mandamentos! É difícil cumpri-los? - Pode dizer que ama a Deus quem não respeita seu irmão? - Onde busco forças para cumprir os mandamentos? - Em minha comunidade há pleno respeito para com o próximo?
Padre Geraldo Rodrigues, C.Ss.R
Meditação
Jesus garante a validade das promessas e das normas dadas no Antigo Testamento. Afirma, porém, que elas serão assumidas e cumpridas de um modo que complete suas limitações. De modo semelhante devemos olhar para o que recebemos do passado: a doutrina continua válida, as normas ainda valem, mas podemos e devemos compreendê-las e vivê-las de modo mais profundo. O Evangelho continua a ser a Boa Notícia no meio de nossa história.
Oração
Ó Deus de bondade, concedei que, formados pela observância da Quaresma e nutridos por vossa palavra, saibamos mortificar-nos para vos servir com fervor, sempre unânimes na oração. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Fonte: a12 - Reze no Santuário - Deus conosco, em 15/03/2023
Meditação
“Podem passar céu e terra, mas não passará uma só letra ou vírgula da Lei, sem que tudo se cumpra.” Ainda no Sermão da Montanha, Jesus apresenta-se como o enviado para cumprir todas as promessas e ajudar a todos a viverem segundo a proposta do Pai. Veio para nos tornar possível a vida, segundo a justiça e o amor. Se vivemos como nos ensina, e ensinamos outros a viverem assim, fazemos parte de seu Reino e somos seus colaboradores. Caso contrário, somos piores que inúteis.
Oração
CONCEDEI-NOS, SENHOR, que, formados pela observância quaresmal e alimentados pela vossa palavra, nos dediquemos de todo o coração à prática da santa penitência e perseveremos unidos na oração. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Fonte: a12 - Reze no Santuário - Deus Conosco em 06/03/2024
Meditação
A Palavra: dos ouvidos ao coração!
Deus promete vida e posse da terra prometida a quem vive suas leis-palavras. Terra prometida, a convivência dos que vivem suas leis-palavras. Jesus veio dar-lhes "pleno cumprimento", pois as viveu sem omitir "uma só letra ou vírgula", e antes do fim do céu e da terra, pois as viveu na cruz. Ali, o que havia de Lei e de Profetas, de palavra, decreto de Deus, tudo se cumpriu nele. Em toda a sua vida, mas que atinge a plenitude na cruz, o que o Pai nos tinha a dizer, a nos propor, ele o fez e na absoluta perfeição. Jesus é sua Palavra, que se encarnou. Depois da cruz, o Pai nada mais tem a nos dizer, nem uma só letra ou vírgula. A nós resta tudo: vivê-la e ensiná-la aos outros, fazendo-nos grandes no Reino!
Oração
CONCEDEI-NOS, SENHOR, que, formados pela observância quaresmal e alimentados pela vossa palavra, nos dediquemos de todo o coração à prática da santa penitência e perseveremos unidos na oração. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Fonte: a12 - Reze no Santuário - Deus Conosco em 26/03/2025
Comentário sobre o Evangelho
Jesus aos discípulos: «Não vim para abolir a Lei e os Profetas, mas para cumprir»
Hoje Jesus se defende… O Senhor curou enfermos o sábado, comeu com publicanos, rejeitou o divorcio… e lhe acusam de não cumprir a Lei de Moisés. O mundo ao revés! Jesus Cristo se defende… e nos pede amar como Ele ama, e evitar a hipocrisia de alguns fariseus (cumpriam muitos preceitos, mas seus corações estavam “secos”).
—As palavras de Jesus não são teoria. Cristo cumpre plenamente a Lei de Deus morrendo por nós na Cruz. Vamos com Ele!
Comentário do Evangelho
O MANDAMENTO INVIOLÁVEL
A severidade com que Jesus tratou a questão da violação dos mandamentos – "mesmo dos menores" – deve ser entendida no contexto de sua pregação e de seu próprio testemunho de vida. Estaria equivocado quem tentasse entendê-la com a mentalidade dos fariseus legalistas da época. O apego deles aos mandamentos estava longe da prática de Jesus. Os fariseus apegavam-se à letra da Lei, o Messias Jesus, no entanto, ia além, buscando viver o espírito escondido nas entrelinhas dessa mesma Lei.
Jesus estava pouco interessado em minúcias, em questões irrelevantes com as quais os fariseus se debatiam. Sua preocupação centrava-se na prática do amor misericordioso, de modo especial em relação aos pobres e marginalizados; na busca constante de fidelidade ao Pai, cuja vontade era um imperativo inquestionável; na relativização das prescrições religiosas, quando estava em jogo a defesa da vida; na liberdade profética diante de tudo quanto se apresentava como empecilho para a realização do Reino. Portanto, seu horizonte era mais vasto e mais radical que o de seus adversários.
Esta é a dinâmica na qual a vida do discípulo deve se inserir, tornando-se para ele como que um mandamento inviolável. E por acreditar que este é o caminho correto de acesso a Deus, o discípulo tanto o pratica como o ensina. O legalismo farisaico é, pois, substituído pela fidelidade incondicional ao Pai.
Oração
Pai, revela-me, cada dia, a tua vontade, transformando-a em mandamento ao qual toda a minha vida se submeta.
(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês)
Oração
Ó Deus de bondade, concedei que, formados ela observância da Quaresma e nutridos por vossa palavra, saibamos mortificar-nos para vos servir com fervor, sempre unânimes na oração. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Meditando o evangelho
O CUMPRIMENTO DA LEI
O modo de Jesus falar e agir deixava transparecer que ele rejeitava a Lei de Moisés e se colocava à margem da religião e da fé do seu povo. Quiçá, alguém o tomasse como anarquista ou, então, como um indivíduo que corre atrás de novidades.
Jesus tentou esclarecer esta situação, explicando sua posição diante da Lei. Sua missão não foi a de invalidar a Lei pela qual o povo, havia séculos, pautava sua vida, crendo tratar-se da vontade de Deus. Antes, veio para cumpri-la de maneira radical, sem omitir um só mandamento. E mais: quem se fizesse discípulo dele, deveria seguir seus passos, sob pena de não ser aceito Pai.
As palavras de Jesus podem dar a impressão de que esteja se declarando um legalista, a exemplo dos escribas e fariseus. Nada disso! Quando falou em cumprir plenamente a Lei, não estava pensando naquela mil vezes interpretada e reinterpretada, nem sempre de modo conveniente. Ele se referia à Lei enquanto correspondente ao desígnio original de Deus, àquilo que é o projeto de Deus para a humanidade, sem intromissões indevidas. Jesus foi absolutamente fiel ao espírito da Lei, embora isto o levasse a relativizar-lhe a letra, pelo menos, como era entendida pelos mestres de sua época. A Lei, vivenciada no seu espírito, foi uma pauta de ação para Jesus.
(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês)
Oração
Senhor, revela-me o verdadeiro sentido da Lei, aquele que o Pai quer, e ajuda-me a vivê-la integralmente.
Meditando o evangelho
GRANDE E PEQUENO NO REINO
A liberdade de Jesus, frente à Lei de Moisés, dava a falsa impressão de que os discípulos estivessem liberados para agir a seu bel-prazer. Os adversários do Mestre, que esperavam dele submissão absoluta à tradição legal, ficavam decepcionados quando o viam agir de uma forma inusitada, em pleno desacordo com o costume da época. No parecer deles, o agir de Jesus beirava a impiedade.
O Mestre tenta corrigir esta distorção, afirmando não ter vindo para abolir a Lei e os Profetas, e sim, para dar-lhes pleno cumprimento. Pelo contrário, ele exorta os discípulos a não transgredirem os mandamentos, por menor que sejam, para não serem considerados menores no Reino dos Céus. Estaria Jesus confessando-se legalista, e levando seus discípulos a competirem com o legalismo dos escribas e fariseus?
A exortação do Mestre deve ser entendida no contexto global de sua pregação. Quando se refere ao respeito à Lei e aos Profetas, está pensando na Lei como ele a entende: o desígnio original do Pai para nortear a vida humana, e não o amontoado de prescrições às quais os legalistas se submetiam. Jesus supera a letra da Lei, para atingir-lhe o espírito. Neste sentido, é grande quem se atém ao espírito da Lei e a cumpre com radicalidade; é pequeno quem a despreza, pois estará desprezando o próprio Deus.
Jesus foi grande, porque toda sua vida consistiu em cumprir a vontade de seu Pai, mesmo tendo de padecer a morte de cruz.
(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês)
Oração
Espírito de obediência, guia-me a uma submissão sempre maior ao querer do Pai, de modo que eu possa ser considerado grande no Reino dos Céus.
COMENTÁRIO DO EVANGELHO
1. Conhecer o Caminho
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Diácono José da Cruz - Diácono da Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP)
Quando estamos viajando para um lugar que não conhecemos, ao avistarmos na estrada alguma placa indicativa da cidade onde queremos chegar, a gente se alegra e pensa “Estou na direção certa”. Claro que hoje em dia com o GPS a viagem ficou bem mais fácil, mas eu que gosto de uma aventura, não costumo fazer uso desse instrumento.
Imaginem eu parar na placa e ficar ali curtindo o fato de estar certo, seria uma grande idiotice, às vezes a placa indica que aquele é o caminho, mas a cidade ainda está super longe. Os rigorosos Fariseus ficaram parados na Placa Indicativa do Antigo Testamento, na Lei de Moisés e dos Profetas. Não queriam compreender que a Lei e as Profecias acenavam apenas a direção a seguir, para algo mais valioso que estava à frente.
Jesus nunca mandou arrancar as placas indicativas do Antigo Testamento, muito presentes na História e na Vida do Povo de Israel, ao contrário sempre as valorizou, mas queria apenas mostrar, que aquilo que a Lei e os Profetas indicavam, já havia chegado no meio deles. Violar mandamentos é arrancar as placas indicativas, levando a perdição os que vêm mais atrás, é menosprezar as orientações que Deus havia dado no Decálogo.
Quem valorizar as normas e doutrinas da Igreja, as Santas Leis de Deus, sempre vendo-as como Placas que indicam o caminho a seguir, para quem quiser se encontrar com Deus manifestado e presente em Jesus de Nazaré, será engrandecido no Reino de Deus, porque ajudou o outro a encontrar a direção certa.
Uma constatação: quando voltamos da viagem, ninguém mais perde tempo olhando as placas, porque já conhece o caminho e já se chegou aonde queria. Por esta razão o apóstolo Paulo diz “Quem ama, já cumpre toda Lei”.
COMENTÁRIO DO EVANGELHO
1. Nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da Lei
(O comentário do Evangelho abaixo é feito por Côn. Celso Pedro da Silva, ‘A Bíblia dia a dia 2017’, Paulinas e disponibilizado no Portal Paulinas - comece o dia feliz)
São Mateus procura mostrar que Jesus não rompeu com o judaísmo. Ele manteve os preceitos transmitidos pelo povo de Israel, procurou dar-lhes cumprimento e levá-los à perfeição. No entanto, o próprio Mateus e outras passagens do Novo Testamento dão a entender que Jesus inaugura um novo tempo. Sua encarnação é algo totalmente novo na história da humanidade e na história de Israel. Ele supera tudo o que o antecedeu, até o próprio rei Davi, que o chama de Senhor. Aceitou, porém, as consequências da encarnação, limitando-se num povo concreto, assumindo sua história e suas tradições, também elas limitadas no tempo e no espaço. Tornando-se homem, teve que aceitar uma pátria, uma língua, uma família, um aspecto físico, parentes e conterrâneos. Estamos fazendo uma leitura litúrgica do Tempo da Quaresma e esta leitura nos diz que a Lei e os Profetas continuam em vigor. O que está escrito é Palavra de Deus, e deve ser praticada e ensinada. Isto não significa que o leitor deva aceitar as Escrituras literalmente. Elas são Palavra de Deus redigidas por seres humanos. Deus é o autor principal e os redatores são instrumentos humanos. É preciso distinguir o que é mandamento de Deus do que é simples tradição humana, e ver Deus se revelando na variedade dos acontecimentos da nossa história.
COMENTÁRIO DO EVANGELHO
1. Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas
(O comentário do Evangelho abaixo é feito por Côn. Celso Pedro da Silva, ‘A Bíblia dia a dia 2017’, Paulinas e disponibilizado no Portal Paulinas - comece o dia feliz)
A novidade de vida trazida por Jesus não é ruptura com o passado. É cumprimento e plena realização. Os mandamentos existem para ser praticados e ensinados. São como um pedagogo que mostra o melhor caminho para se chegar ao fim. Entrar por esse caminho e nele perseverar é decisão da vontade livre, animada pela graça de Deus, que nos precede e nos acompanha. Moisés nos deu a Lei. Jesus trouxe a graça. Não basta conhecer a Lei e não basta querer praticá-la. Precisamos sempre do impulso da graça que nos leva a superar as nossas limitações. Vemos, queremos e nem sempre somos capazes de realizar o que devemos. Somos limitados e pecadores, por isso não nos gloriamos em nós mesmos, mas na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo. Ela é nossa garantia de salvação. Agradecemos a Deus pelos mandamentos, pelos preceitos, pelas instruções. São parâmetros em nossa vida. Agradecemos, sobretudo, a graça de poder praticá-los e ensiná-los. Por nós mesmos não somos capazes de nada, mas tudo podemos naquele que nos dá força. Não queremos pensar que somos alguma coisa porque cumprimos a Lei. Não queremos também julgar aqueles que parecem descumprir os mandamentos. Se estou de pé, sei que posso cair. Tudo foi resumido no amor a Deus e ao próximo. Que a prática do amor seja uma constante em nossa vida.
COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1. Disputas por cargos influentes...
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Diácono José da Cruz - Diácono da Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP)
Os evangelhos são escritos produzidos muito tempo depois da morte de Jesus e não são portanto escritos sequenciais do tipo relatório fiel dos fatos e de tudo o que Jesus falou. O evangelho de hoje mostra muito bem isso.
A Mãe de Tiago e João vai falar com Jesus em um momento bastante impróprio (não se ela era muito influente junto a Jesus, ou se o evangelista, para não ficar feio para os dois irmãos “pidonhos”, inventou que a conversa foi com a Mãe. Veja bem...
Dá-se a impressão de que Jesus está ali falando com os doze sobre o trágico desfecho de sua vida e a mulher chega para fazer o pedido especial: um cargo de confiança no primeiro escalão do novo Reino. Se fosse assim, os demais discípulos iam olhar para ela e balançar a cabeça em reprovação. O mestre acabou de dizer que tudo vai dar errado, será humilhado, agredido, torturado e morto em uma cruz e os dois querem um cargo de honra? É no mínimo estranho um pedido desse.
Mas tratando-se de um escrito pós-pascal, como são todos os evangelhos, percebe-se que é um ensinamento. O pedido da Mãe dos dois rapazes sonhadores contrasta totalmente com a missão de Jesus e o modo como ele vai realizar a obra da Salvação, plantando definitivamente o Reino de Deus em meio aos homens, e que tem como fundamento o Amor do serviço e da doação da própria vida. Portanto, cargos de confiança ou de honra estão fora de cogitação.
Quando se lê que os outros dez se indignaram contra os dois, ninguém se iluda, achando que eles conheciam a verdade. Não! De modo algum... Mas é que perceberam que os dois irmãos espertos estavam querendo passar-lhe a perna.
Esse é contexto das comunidades de Mateus setenta a oitenta anos após a morte de Jesus, e podemos dizer, sem medo de errar, que é também o contexto das nossas comunidades cristãs implicando todos os ministérios, ordenados e não ordenados, pastorais e movimentos, onde há sim certas disputas acirradas por cargos influentes.
Jesus corrige-nos sobre esse mal entendido, essa interpretação equivocada sobre o Reino que Ele inaugurou, e sobre a Vida em Comunidade, ontem e hoje: Quem quiser ser grande, seja o servo de todos, e quem quiser o primeiro, se faça escravo de todos. Jesus não extingue os cargos e coordenações para os quais são necessários carismas e dons que o próprio Espírito concede, mas afirma que eles devem e precisam sempre ser exercidos como Serviço, gratuito e incondicional...
Em nossas comunidades há sim, pessoas generosas que dão testemunho e agem com esse espírito de serviço humilde, mas há também aqueles que têm a mesma conduta reprovável dos discípulos, naquele momento da reflexão de São Mateus. Pelos primeiros, louvemos a Deus, pelos demais, que não nos falte a misericórdia.
2. Vim para cumprir a Lei e os Profetas - Mt 5,17-19
(O comentário do Evangelho abaixo é feito por Côn. Celso Pedro da Silva, ‘A Bíblia dia a dia 2017’, Paulinas e disponibilizado no Portal Paulinas - comece o dia feliz)
Praticar e ensinar. Ensinamos com palavras e ensinamos com a vida. Dê preferência a ensinar silenciosamente com a vida. Seja uma presença gratuita transformadora onde você estiver. Todos os mandamentos se cumprem na prática do amor fraterno. O resto é ilusão. O amor se vê nos atos concretos que fazemos em relação aos outros. As relações em Deus são perfeitas, tão perfeitas que são Pessoas Divinas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Nossas relações, ao contrário, afastam, dividem, separam. Todo ato que contém divisão, separação, exclusão não vem do Espírito de Deus. O Espírito Santo une, aquece, endireita. Há desobediência ao mandamento, há algo errado que fere algum princípio? Não resolva o problema com exclusões. Resolva com inclusões e fique por perto para amparar e socorrer, se o problema se repetir. Tirar alguém do convívio humano só se justifica em vista da reintegração futura. Não se tira para isolar, para punir, para maltratar. Tira-se para melhorar. Você, retire-se de vez em quando do convívio humano para voltar mais humano. Crie espaços de silêncio para falar com Deus e perceber que só falará bem com ele se mantiver relacionamentos de qualidade com seus irmãos. Afaste-se para tornar sua vida mais autêntica, mais verdadeira, sem ilusões e cheia de esperança.
COMENTÁRIOS DO EVANGELHO
1. Santos Mandamentos de Deus
(O comentário do Evangelho abaixo é feito pelo Diácono José da Cruz - Diácono da Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP)
Confesso que no método de catequese da "Decoreba", nunca consegui tirar dez quando a catequista perguntava sobre os mandamentos de Deus e depois sobre os cinco da Igreja e não tenho vergonha de dizer que, se for responder ali na "lata", ainda vou me enroscar. Entretanto é bom que se diga que o problema estava no método e não no conteúdo, claro que nos anos 60 esse método servia. Hoje é quase impossível continuar-se com essa catequese conceitual e formativa.
Quando a Igreja se preocupa hoje em rever e modificar o método de catequese, adequando-o ao nosso contexto, ela não está "jogando fora" todo o ensinamento doutrinal da Tradição, o conteúdo doutrinal, que aliás é riquíssimo, continua o mesmo, a mudança está apenas no método, como apresentar tudo isso as crianças e aos catecúmenos nesses tempos da pós modernidade.
O mesmo acontecia no tempo da vida pública de Jesus, quando os seus opositores o acusavam de não seguir e obedecer a Sagrada Lei de Moisés e de querer acabar com ela. No evangelho de hoje o evangelista Mateus coloca na boca de Jesus a afirmação que quer “recolocar as coisas nos seus devidos lugares". Não vim para abolir a Lei e os Profetas, mas para leva-los á sua perfeição".
Ninguém tem autoridade para alterar a lei, ou manipula-la de acordo com suas conveniências; possivelmente na comunidade de Mateus onde esse evangelho foi refletido, haviam pessoas zelosas e bastante preocupadas com a tradição apostólica que trazia em si a Tradição de Israel, a Lei e os Profetas. O Cristianismo a princípio era uma seita dentro do Judaísmo e as coisas não aconteceram da noite para o dia, foram muitos anos até que o Cristianismo tivesse uma identidade própria. Com toda certeza a comunidade vivia esse dilema: abrir-se totalmente para a Plenitude que é Jesus ressuscitado e a novidade do evangelho, como era a tendência dos Cristãos vindos do Helenismo, ou manter a raiz em Israel, seguindo a Lei de Moisés, como pensavam os Cristãos vindos do Judaísmo?
Hoje entendemos a importância e o valor do Antigo Testamento, caminho seguro percorrido pelos Santos Homens e pelo Povo de Deus, para se chegar a Jesus Cristo, desta forma nada se pode acrescentar e nem diminuir neste legado de Fé da Antiga Aliança, o Novo Testamento ilumina o Antigo e o Antigo ilumina o Novo, pensar que a História da Salvação tem o seu início na Encarnação do Verbo, e desprezar a experiência de Fé de todos os que nos antecederam, seria o mesmo que destruir o alicerce, as vigas mestras de uma construção, onde o Edifício virá abaixo...
2. Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas - Mt 5,17-19
(O comentário do Evangelho abaixo é feito por Côn. Celso Pedro da Silva, ‘A Bíblia dia a dia 2017’, Paulinas e disponibilizado no Portal Paulinas - comece o dia feliz)
Não se modifica o que está escrito na Bíblia, mesmo se houver alguma grafia comprovadamente errada. Deixa-se o que está escrito e lê-se o que é correto. No capítulo quarto do Deuteronômio se lê: “Nada acrescentareis ao que eu vos ordeno, e nada tirareis também: observareis os mandamentos do Senhor vosso Deus tais como vo-los prescrevo”. No Novo Testamento, o Apocalipse termina dizendo: “Se alguém tirar algo das palavras do livro desta profecia, Deus lhe tirará também a sua parte da árvore da Vida e da Cidade Santa”. É próprio, porém, do ser humano interpretar o que vê, o que ouve, o que sente. Interpretamos tudo o que passa diante de nossos sentidos. Os sentidos são falhos, a cultura influencia, até mesmo interesses pessoais forjam interpretações segundo as conveniências do intérprete. Por isso Jesus nos deixou um magistério, intérprete autêntico da revelação de Deus na palavra escrita e na tradição. Nossa fé precisa de confirmação para não sermos levados por qualquer vento de doutrina. Os pregadores se multiplicam e precisam multiplicar-se porque a messe é grande e os operários são poucos. A fé do pregador, expressa em suas palavras, também precisa de confirmação. Quem é o Jesus que anunciamos? Para não errarmos, Jesus disse a Pedro: “Confirma a fé de teus irmãos”.
REFLEXÕES DE HOJE
QUARTA
HOMILIA DIÁRIA
A lei se cumprem em Jesus Cristo
Postado por: homilia
março 6th, 2013
Estamos diante de um texto que relaciona a lei e os profetas com o Reino dos Céus. Na primeira parte, vemos o cumprimento da lei e dos profetas na pessoa de Jesus Cristo. Num tom severo, Jesus – dirigindo-se aos cristãos vindos do Judaísmo – diz que n’Ele toda a lei e os profetas encontram a perfeição.
Além disso, Jesus abre o coração do seu discurso sobre a verdadeira justiça. O problema da justiça farisaica tinha sido levantado abertamente e, agora, este pernicioso sistema será destruído metodicamente pelas penetrantes e autoritárias observações do Senhor.
Não foi uma demasiada devoção à lei que provocou o devastador ataque de Jesus aos fariseus, mas sim a falsidade e a pouca devoção. Com hipocrisia arrogante, eles haviam produzido uma paródia vazia da lei do Senhor. Jesus rejeita essa ilusão e a expõe – tal como é – à luz da verdadeira e imutável justiça divina.
A atitude de Jesus, em face da lei, deve ser descrita como negativa. Os publicanos e os pecadores precedem os escribas e fariseus no Reino dos Céus (Mt 21, 28-32), e os pecadores arrependidos são melhores do que os justos (escribas e fariseus) que não têm arrependimento (Lc 15, 1-10).
As bem-aventuranças não contêm nenhum elogio à observância da lei. O reconhecimento, por parte do Pai Celeste, depende da confissão de Jesus. Assim, Jesus declara-se o Senhor do sábado. O publicano arrependido é perdoado, ao passo que o fariseu justo não o é. Aqueles que se reconhecem pecadores pedem perdão e obedecem a todas as ordens do seu Senhor, são servos inúteis que não fazem mais do que o seu dever, mas o seu Senhor escutará as suas súplicas. Ao contrário dos escribas e fariseus, que apropriam-se da chave do Reino dos Céus, de modo que nem eles entram nem permitem que outros entrem. É necessário que o novo povo mude de atitudes diante da Lei, pois esta, em relação às palavras de Jesus, assemelha-se a “um remendo de pano novo colocado numa roupa velha” ou “ao vinho novo guardado em odres velhos”. Jesus, como Filho do Reino, está livre das obrigações impostas pela lei.
O tratamento que lhe dá aqui não tem nada da maneira rabínica; sua antítese é: “Dizia-se” e “Eu vos digo que isto é verdade: enquanto o céu e a terra durarem, nada será tirado da lei – nem a menor letra, nem qualquer acento”.
Portanto, n’Ele e com Ele todos os que professarem a Sua fé terão a vida salva. Aliás, Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida.
Padre Bantu Mendonça
HOMILIA DIÁRIA
O Evangelho de Jesus nos salva!
A Palavra de Jesus, por intermédio de Seu Evangelho, nos traz a salvação plena.
”Eu não vim para abolir, mas para dar pleno cumprimento à Lei e os profetas.” (Mateus 5,17)
Nós olhamos para Nosso Senhor Jesus Cristo e vemos que muito daquilo que é a Sua pregação e a Sua mensagem do anúncio do Reino, por Ele proclamado, não têm muito a ver com aquelas pregações do Antigo Testamento, para muitos tidas como arcaicas, passadas e ultrapassadas, e assim por diante.
É verdade que o ensinamento do Antigo Testamento é cercado dos conceitos culturais da época em que aquele povo vivia, de forma muito primitiva, pois foi o primeiro conhecimento da Lei e da manifestação de Deus à humanidade. Tudo começa de forma muito arcaica e devagar, até se chegar a um conhecimento mais amplo; mas isso não significa dizer que o que é velho, antigo, está ultrapassado e não tem mais sentido. É o contrário disso, o novo existe para dar sentido ao que é velho, é a continuidade e a plenitude deste; por isso Jesus diz que Ele não veio superar, nem para desprezar ou desconsiderar a antiga Lei. O Senhor veio para dar pleno cumprimento à Lei existente e nos ensinar que nenhum de nós pode deixar de obedecer a esses mandamentos e ensiná-los aos pequenos de forma errada.
Precisamos entender, irmãos e irmãs, que, no mundo confuso em que nós vivemos, inclusive no contexto da vivência da fé cristã, muitas religiões querem basear suas pregações e seus ensinamentos de acordo com o ensinado no Antigo Testamento. Religiões que não observam o domingo, mas o sábado; religiões em que os fiéis não podem comer carne de porco, não podem doar sangue; não podem fazer isso, não podem fazer aquilo. Religiões que pegam alguns ensinamentos do Antigo Testamento e querem levá-los ao pé da letra em razão da ignorância ou do desconhecimento do sentido do cumprimento da Lei [cf. Mt 5, 17].
Jesus não está mais preocupado com as questões normativas da Lei, porque ela foi feita dentro de um contexto cultural de um momento, de uma época, como já disse. E tudo isso precisa ser entendido sob uma nova luz e quem traz uma nova luz, até mesmo para compreendermos as coisas antigas da Lei, é a vida que Jesus trouxe a nós. Por isso, nenhuma pregação do Evangelho pode ser deixada para trás sem levar em conta o Antigo Testamento.
Você veja que em nossas Santas Missas dominicais sempre há uma leitura do Antigo Testamento, a qual será depois iluminada pelo Evangelho, por uma passagem daquilo que Jesus ensinou. Contudo, nenhum ensinamento do Antigo Testamento pode prevalecer, orientar ou estar acima da mensagem de Jesus [nos Evangelhos]. A Palavra de Jesus, por intermédio de Seu Evangelho, é quem nos traz salvação plena.