sexta-feira, 3 de abril de 2026

HOMÍLIA DIÁRIA, COMENTÁRIO E REFLEXÃO DO EVANGELHO DO DIA - 04/04/2026

ANO A


SOLENE VIGÍLIA PASCAL DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR

Mt 28,1-10

PÁSCOA DE CRISTO, NOSSA PÁSCOA

Na Páscoa, nós proclamamos na fé que Jesus Cristo ressuscitou e passou da morte para a vida. Mas o que significa isso, de fato, para Jesus, para nós e para o mundo?
Para Jesus, significa que Ele, depois de ter sido condenado à morte, mesmo sendo inocente, depois de ter sido torturado cruelmente, morto na cruz e sepultado, voltou à vida no seu verdadeiro corpo humano. Porém, não mais nas condições anteriores à sua morte, mas glorificado em corpo e alma, e não mais submetido às condições da vida neste mundo. Ele passou, também humanamente, à glória de Deus, como “primogênito dentre os mortos” a entrar na glória do Pai (cf. Cl 1,18; Ap 1,5).
Para nós, a ressurreição de Jesus significa a confirmação divina de nossa fé: “Deus estava com Ele”, ou “Deus o ressuscitou dos mortos”, afirmam as testemunhas depois de sua ressurreição, ao anunciarem o Evangelho e ao defenderem sua pregação diante dos ataques e perseguições (cf. At 2,13; 4,11). Isso significa que, ressuscitando Jesus dentre os mortos, Deus confirmou sua pregação e sua “credibilidade” de maneira radical. Não há mais motivo para duvidar da autoridade e da veracidade de Jesus e de sua pregação. Ele é o Filho de Deus, Aquele que foi enviado ao mundo para ser “salvação para todos os povos” (cf. At 13,47).
Mediante a sua ressurreição, Jesus foi confirmado definitivamente como “caminho, verdade e vida” para seus discípulos e toda a humanidade. Jesus é o pontífice, que liga o céu à terra e a terra ao céu. É o eterno intercessor pela humanidade junto do Pai e também aquele que já representa a todos na glória de Deus. Teólogos observam que a ressurreição de Jesus é o objetivo final e o ponto de chagada do mistério da encarnação. O Filho eterno deixou a glória do Pai para vir ao encontro da humanidade e revelar a todos o grande amor de Deus e os desígnios de vida e felicidade preparados para todos. No Natal, o Filho de Deus assumiu a nossa humanidade, fazendo-se um conosco; mediante a sua ressurreição, de alguma maneira, Ele também nos representa e mostra a meta da nossa existência. São Paulo diz que, de alguma forma, no Batismo, também nós já “ressuscitamos com Cristo” (cf. Cl 3,1).
É por isso que o Sacramento do Batismo está estreitamente ligado à celebração da Páscoa. No Batismo, nós também já fomos “sepultados com Cristo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dos mortos para a glória do Pai, assim também nós possamos caminhar numa vida nova” (Rm 6,4). E São Paulo, indo às consequências disso: “O homem velho, que está em nós, foi crucificado com Ele. (...) Assim, também vós, considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus, em Cristo Jesus” (cf. Rm 6,6.11).
Para toda a humanidade, a ressurreição de Jesus significa que temos um futuro e um horizonte luminoso pela frente e não estamos fechados dentro de nossos limites. Deus nos chama a participar de sua vida e de sua glória, que vai muito além do que já somos e temos de bom e de belo neste mundo. A ressurreição de Jesus nos abriu o horizonte do infinito de Deus e nos convida a adentrar no mistério do próprio Deus.
Desejo a todos uma feliz e santa Páscoa. O Ressuscitado renove o ânimo e a esperança de quem sofre, de quem cansou, de quem está desiludido da vida. Coragem, todos! Jesus ressuscitado é nosso companheiro no caminho da vida. Ele venceu, Ele nos conduz. E manifestemos em nosso dia a dia a alegria da nossa fé no Senhor ressuscitado!
Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo
https://arquisp.org.br/wp-content/uploads/2026/01/Ano-50A-25-VIGILIA-PASCAL-SABADO-SANTO-DUPLO.pdf

Comentário

A Noite da Luz: Cristo Ressuscitou, a Morte foi Vencida!


Nesta noite santa, passamos da escuridão do sepulcro para o brilho da Ressurreição. O Evangelho de Mateus nos apresenta as mulheres — Maria Madalena e a outra Maria — que, ao amanhecer, são surpreendidas por um terremoto e pela descida de um anjo. A mensagem angélica é o fundamento da nossa fé: “Ele não está aqui, pois ressuscitou!”. Jesus sai ao encontro delas, dissipando o medo e enviando-as a anunciar a boa-nova aos discípulos. A Vigília Pascal é a celebração do triunfo definitivo da vida. O Círio Pascal aceso no meio das trevas simboliza Cristo, a Luz do Mundo, que dissipa as trevas do coração e da mente. Hoje, celebramos que a nossa esperança não foi em vão: a vida venceu!
https://catequisar.com.br/liturgia/04-04-2026/

Reflexão

Nem o dia clareou, as duas Marias se dirigem ao túmulo, onde foi posto o corpo de Jesus. Qual não foi a surpresa quando lá chegaram! O anjo remove a pedra e se senta nela, o poder de Deus se sobrepõe ao que impede a vida de florescer. Os guardas tremeram, eles não têm mais poder sobre o Ressuscitado. O morto vive, os vivos “ficam como mortos”, ao passo que as mulheres são convidadas a constatar o túmulo vazio e a ir anunciar aos discípulos a boa notícia da ressurreição de Jesus. O Ressuscitado vai ao seu encontro e lhes diz: “alegrem-se”, e as convida a anunciar aos discípulos a alegria da ressurreição. Elas são as primeiras missionárias a levar a mensagem pascal. A liturgia desta vigília pascal é rica em simbolismos. Lembremos principalmente a luz e a água, dois elementos fundamentais para a vida.
(Dia a dia com o Evangelho 2026)
https://www.paulus.com.br/portal/liturgia-diaria/4-sabado-11/

Reflexão

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Rev. D. Enric CATALÁN
(Sant Cugat del Vallès, Barcelona, Espanha)

Hoje celebramos o grande repouso do Sábado Santo. Dentro do “tríduo” pascal, frequentemente centramos a atenção na Paixão ou na Ressurreição do Senhor, mas esquecemos facilmente o vínculo que existe entre os dois acontecimentos: o Sábado Santo. Talvez isso aconteça porque o silêncio profundo deste dia se afoga rapidamente no ruído do nosso mundo. E, no entanto, é neste silêncio que a palavra adquire sentido. A morte de Jesus não é simbólica: é real. Não só se solidarizou com os vivos — na sua encarnação — mas, desde o sepulcro, também se solidarizou com os mortos.
Uma mulher da paróquia de Sabadell (Espanha) visitava o cemitério todos os sábados; dizia que gostava da paz do lugar. E é que “cemitério” significa “dormitório” em grego, lugar de repouso depois de uma grande atividade. Ontem — Sexta-feira Santa — Jesus completava a obra da redenção. Hoje, no sepulcro, descansa. Não atua. É pura passividade confiante. Abandona-se nas mãos do Pai, sabendo que será libertado.
A descida de Cristo vai além do sepulcro: desce aos infernos, ao abismo, ao reino dos mortos. Como Jonas dentro do monstro marinho, Jesus conhece a morte por dentro, sonda-a, tal como também nós o faremos um dia. Mas o Sábado Santo não afirma apenas que o Filho de Deus repousou entre os mortos, afirma também que regressou de lá. O Pai não o deixou naquele reino, mas libertou-o das suas cadeias. O monstro da morte não pôde manter cativo Aquele a quem o Pai ama.
E se não o pôde reter a Ele, também não poderá reter aqueles que ouviram a sua voz: os justos que repousavam na morte. Este é o mistério profundo do Sábado Santo, um silêncio mais eloquente do que mil palavras. Preparemo-nos, neste silêncio, para a Páscoa. Para a palavra renovada que ouviremos esta noite. «Por isso, o meu coração se alegra e o meu ser exulta e o meu corpo repousa em segurança» (Sl 16,9).
Pensamentos para o Evangelho de hoje

- «Que ideia de Deus tivesse podido ante se formar o homem, que não fosse um ídolo fabricado por seu coração? Era incompreensível e inaccessível, invisível e superior a tudo pensamento humano; mas agora tem querido ser compreendido. De qual jeito? Você se pergunta. Pois estando numa manjedoura, predicando na montanha, passando a noite em oração, o bem colgando da cruz... » (São Bernardo)

- «A treva divina desse dia, deste século, que se converte cada vez mais num sábado santo, fala a nossas consciências. Tem em si algo consolador porque a morte de Deus em Jesus Cristo é, ao mesmo tempo, expressão de sua solidariedade radical conosco. O mistério mais obscuro da fé é, simultaneamente, a sinal mais brilhante duma esperança sem fronteiras» (Bento XVI)

- «A morte de Cristo foi uma verdadeira morte, na medida em que pôs fim a sua existência humana terrena. Mas por causa da união que a Pessoa do Filho manteve com o seu corpo, este não se torneou um despojo mortal como os outros, porque “não era possível que Ele ficasse sob o domínio” da morte (Act 2,24) (...). A ressurreição de Jesus “ao terceiro dia” (1 Cor 15, 4) era disso sinal, até porque se julgava que a corrupção começava a manifestar-se a partir do quarto dia» (Catecismo da Igreja Católica, n° 627)
https://evangeli.net/evangelho/feria/2026-04-04

Reflexão

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P. Jacques PHILIPPE
(Cordes sur Ciel, França)

Hoje, não meditamos nenhum evangelho em particular, dado que é um dia que carece de liturgia. Mas, com Maria, a única que permaneceu firme na fé e na esperança depois da trágica morte de seu Filho, preparamo-nos, no silêncio e na oração, para celebrar a festa da nossa libertação em Cristo, que é o cumprimento do Evangelho.
A coincidência temporal dos acontecimentos entre a morte e a ressurreição do Senhor e a festa judaica anual da Páscoa, memorial da libertação da escravidão no Egipto, permite compreender o sentido libertador da cruz de Jesus, novo cordeiro pascal, cujo sangue nos preserva da morte.
Outra coincidência no tempo, menos assinalada porém sem dúvida muito rica em significado, é a que existe com a festa judaica semanal do “Sabbat”. Esta começa na tarde de sexta-feira, quando a mãe de família acende as luzes em cada casa judia, terminando no sábado de tarde. Recordando que depois do trabalho da criação, depois de ter feito o mundo do nada, Deus descansou no sétimo dia. Ele quis que também o homem descanse no sétimo dia, em acção de graças pela beleza da obra do Criador, e como sinal da aliança de amor entre Deus e Israel, sendo Deus invocado na liturgia judaica do Sabbat como o esposo de Israel. O Sabbat é o dia em que se convida cada um a acolher a paz de Deus, o seu “Shalom”.
Deste modo, depois do doloroso trabalho da cruz, «em que o homem é forjado de novo» segundo a expressão de Catarina de Sena, Jesus entra no seu descanso no mesmo momento em que se acendem as primeiras luzes do Sabbat: “Tudo está realizado” (Jo 19,30). Agora completou-se a obra da nova criação: o homem, antigo prisioneiro do nada do pecado, converte-se numa nova criatura em Cristo. Uma nova aliança entre Deus e a humanidade, que nada poderá jamais romper, acaba de ser selada, já que doravante toda a infidelidade pode ser lavada no sangue e na água que brotam da cruz.
Diz a Carta aos Hebreus: «Por isso, resta um repouso sabático para o povo de Deus» (Heb 4,9). A fé em Cristo a ele nos dá acesso. Que o nosso verdadeiro descanso, a nossa paz profunda, não a de um só dia, mas para toda a vida, seja uma esperança total na infinita misericórdia de Deus, de acordo com o convite do Salmo 16: «A minha carne descansará na esperança, pois tu não entregarás a minha alma ao abismo». Que nos preparemos com um coração novo para celebrar na alegria as bodas do Cordeiro e nos deixemos desposar plenamente pelo amor de Deus manifestado em Cristo.
https://evangeli.net/evangelho/feria/2026-04-04

Reflexão

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Pe. Joan BUSQUETS i Masana
(Sabadell, Barcelona, Espanha)

Hoje, propriamente, não há “evangelho” para meditar ou —melhor— deveríamos meditar todo o Evangelho em maiúscula (a Boa Nova), porque todo ele desemboca no que hoje recordamos: a entrega de Jesus à Morte para ressuscitar e dar-nos uma Vida Nova.
Hoje, a Igreja não se separa do sepulcro do Senhor, meditando sua Paixão e sua Morte. Não celebramos a Eucaristia até que haja terminado o dia, até amanhã, que começará com a Solene Vigília da ressurreição. Hoje é dia de silêncio, de dor, de tristeza, de reflexão e de espera. Hoje não encontramos a Reserva Eucarística no sacrário. Há só a lembrança e o símbolo de seu “amor até o extremo”, a Santa Cruz que adoramos devotamente.
Hoje é o dia para acompanhar Maria, a mãe. Devemos acompanhá-la para poder entender um pouco o significado deste sepulcro o qual velamos. Ela, que com ternura e amor guardava em seu coração de mãe os mistérios que não acabava de entender daquele Filho que era o Salvador dos homens, está triste e sofrendo: «Ela veio para a sua casa, mas os seus não a receberam» (Jo 1,11). É também a tristeza da outra mãe, a Santa Igreja, que sofre pela rejeição de tantos homens e mulheres que não acolheram Aquele que para eles era a Luz e a Vida.
Hoje, rezando com estas duas mães, o seguidor de Cristo reflete e vai repetindo a antífona da pregaria das Laudes: «Cristo humilhou-se a si mesmo tornando-se obediente até a morte e morte de cruz! «Por isso o exaltou grandemente e lhe deu o Nome que está acima de qualquer outro nome» (cf. Flp 2,8-9).
Hoje, o fiel cristão escuta a Homilia Antiga sobre o Sábado Santo que a Igreja lê na liturgia do Oficio de Leitura: «Hoje há um grande silêncio na terra. Um grande silêncio e solidão. Um grande silêncio porque o Rei dorme. A terra se estremeceu e se ficou imóvel porque Deus está dormindo em carne e ressuscitou aos que dormiam há séculos. “Deus morreu na carne e despertou os do abismo».
Preparemo-nos com Nossa Senhora da Soledade para viver a explosão da Ressurreição e para celebrar e proclamar —quando se acabe este dia triste— com a outra mãe, a Santa Igreja: Jesus ressuscitou tal como o havia anunciado! (cf. Mt 28,6).
https://evangeli.net/evangelho/feria/2026-04-04

Reflexão

A morte de Cristo

Rev. D. Antoni CAROL i Hostench
(Sant Cugat del Vallès, Barcelona, Espanha)

Hoje reina o silêncio em toda a criação: Jesus jaz morto no túmulo. Não há celebrações nos templos católicos: Deus —o Criador— realmente morreu por suas criaturas. Mistério no mistério!, Diante o qual nos devemos prostrar em atitude de adoração e submissão.
Em Belém, um Deus com e em fraldas, em Getsemani, um Deus estressado, até suar sangue; em Jerusalém, um Deus julgado, escarnecido e coroado de espinhos; na Cruz, um Deus morto. Para amar há que se perder: Deus —na hora extrema, disposta por Ele mesmo— “perdeu” a vida. Nenhuma outra religião, jamais, havia predicado um fato igual. Não há outro “Deus” tão louco de amor como Jesus Cristo.
—Santa Maria, Mãe das Dores: Perdoa-nos. Tu cuidaste Jesus durante mais de trinta anos. Mas, quando cai nas mãos dos homens, apenas viveu umas doze horas... Agora, milagrosamente, o temos —sofrido, morto e ressuscitado— na Eucaristia. Minha vida será cuidar-lhe!
https://evangeli.net/evangelho-master/feria/2026-04-04

Comentário do Evangelho

O Senhor é enterrado no sepulcro


Hoje, o Senhor não está. Ou melhor, está, mas está sob terra, sepultado. O Criador sepultado! Assim? Talvez seja porque para amar é preciso sepultar-se: se queres demasiadamente ser tu, talvez não chegues a identificar-te com o próximo, com os teus irmãos. Jesus-Homem morreu: a sua Alma humana abandonou o seu Corpo. Mas Jesus-Deus é Deus eterno: continua vivo! E o Corpo que tinha assumido vai ressuscitar. Não ressuscitará como Lázaro (que teve de ser “des-atado”). Jesus Cristo ressuscitará pelo seu próprio poder divino.
- Mas repara: venceu a morte submetendo-se à morte. Entendes que para amar é necessário sepultar-se?
https://family.evangeli.net/pt/feria/2026-04-04

Bênção do Fogo Novo
— Oremos: Ó Deus, que pelo vosso Filho trouxestes o clarão da vossa luz àqueles que creem, santificai † este fogo novo. Concedei que a festa da Páscoa acenda em nós tal desejo do céu, que possamos chegar purificados à festa da luz eterna. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
https://www.a12.com/reze-no-santuario/deus-conosco?data=04%2F04%2F2026&leitura=meditacao

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